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Nem tão recentemente

O que é uma cidade?

Eu dou aulas sobre a História do Urbanismo na graduação da Arquitetura. A gente fala do surgimento das cidades láááá longe, cerca de 3500-4000 a.C., depois vem acompanhando como essas cidades evoluíram (blé, não num sentido de evolução = progresso linear, mas num sentido de ver as idéias e as formas se alterando, de acordo com o tempo e o espaço, mais ou menos isso), estuda alguns dos principais exemplos do pensar e do fazer urbanos, notadamente aqueles que acabam desaguando na nossa tradição ocidental (eu adoraria saber mais sobre as cidades orientais, e sobre as cidades na América pré-colombiana, mas não sei). É muito bacana e eu sou apaixonada pelo assunto.

Normalmente, nos primeiros dias de aula, eu costumo perguntar para os alunos o que é uma cidade, na opinião deles. Opinião mesmo. Assim, com liberdade, só pra gente levantar umas bolas. É engraçado que as cidades são tão “naturais” pra gente, tão a priori, que a gente quase nunca se pergunta o que é preciso para haver uma cidade. Note que quase sempre que eu usar a palavra “natural”, será entre aspas. Porque gente precisa aprender com urgência a desnaturalizar as coisas (nossa, a Professora Margareth, que me deu aula na graduação e no mestrado, agora me deu 10 com estrelinha!). A maioria muito majoritária mesmo das coisas que a gente considera tão naturais é uma construção cultural, e quase sempre bem recente. Então, atenção.

Mas eu falava do que constitui uma cidade e da pergunta que eu faço aos alunos. Gozado que eles aos poucos vão lembrando de um monte de elementos físicos como os prédios e ruas, funcionais como comércio, abastecimento de água e energia, e até abstratos, como leis e a existência de um chefe. Mas raramente eles falam espontaneamente que para haver uma cidade é preciso de gente. GENTE. Logo as pessoas, que são anteriores à cidade, sem as quais a cidade não existiria, seria um cenário oco e vazio, uma paisagem fantasma.

Daí, hoje, lendo o Parede de Meia, do meu colega arquiteto e professor Fernando Lara, eu li uma descrição tão gostosa de uma cidade. O Fernando mora grande parte do tempo nos Estados Unidos, onde leciona na Universidade de Michigan, e esteve em Portland, no Oregon, para participar de uma conferência. Ele dá uma descrição deliciosa de uma cidade, como ele mesmo chama, “de verdade”. Sem esquecer as pessoas! Vale a visita.