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Nem tão recentemente

Quem paga o pato?

Outra greve de ônibus no Rio de Janeiro. Desta vez, paralisaram seus trabalhos os rodoviários de Magé e Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, deixando a pé cerca de 700 mil trabalhadores, segundo a própria Federação das Empresas de Transportes de Passageiros do Estado do Rio (Fetranspor).

Quem mora numa cidade grande, na qual grande parte dos cidadãos depende do transporte público para se locomover, sabe a dor de cabeça que é quando uma greve assim acontece, com uma enorme sobrecarga no sistema ferroviário, já bastante ruim em dias normais, no horário de pico. Além do enorme desconforto para os usuários, a greve traz stress, correria, atrasos, faltas, numa cascata de transtornos que afeta grande parte da população. E olha que dessa vez, pelo menos segundo informam os últimos noticiários, não houve depredações de veículos nem feridos nos tumultos.

Não estou pondo em questão o pleito dos rodoviários. O que eu me pergunto é: se a bronca deles é com os empregadores, por que é que a população é que tem que sofrer e pagar por isso? Ah, mas os empresários ficam no prejuízo enquanto eles não rodam! Oras, como diz muito bem o Cláudio Luiz, o certo era eles fazerem uma greve de portas abertas. Podiam rodar normalmente, só que sem cobrar passagem de ninguém.

Eu não tenho a menor idéia de quais seriam as dificuldades operacionais para implementar uma iniciativa dessas, mas vamos combinar que as pessoas que dependem de ônibus iriam ser muito mais simpáticas às reivindicações da categoria, não haveria fura-greves, não seriam necessários piquetes, não se encontrariam motivos para queimar ou apedrejar ônibus nas garagens, e é capaz dos patrões se mostrarem muito mais dispostos e ansiosos para sentar e negociar.

8 comentários para Quem paga o pato?

  • Raquel

    Concordo, Ana. Porque além do ‘patrão’ não lucrar, ainda ia gastar o combustível de ter os veículos rodando.

    Eu peguei uma greve no Louvre quando fui a Paris. As catracas foram abertas e as pessoas podiam entrar à vontade, sem pagar. Em pleno mês de julho, pico das férias.

    Ou seja, é possível. E funciona muito melhor, né?

  • Hum…

    (fiquei pensando)

    Pensa muito não, desembucha logo, que as melhores idéias são essas que vêm no estalo!

  • Aurelio Paz

    Concordo com vc Ana, seria uma greve inteligente, pacífica e que alcançaria melhor o seu objetivo. Parabéns pelo Blog. Abçs do seu aluno.

    Obrigada, querido! Venha sempre que quiser, será um prazer!

  • Alline

    Eu tb sou a favor da greve de “portas abertas”. Se a idéia é ir contra o empregador, né…
    bjos

    Pois não é?

  • Mani

    Concordo com voce. tenho duvidas se o judiciario iria entender isso…

    Foi o que eu falei, não sei como se resolveria isso, mas que a idéia parece boa…

  • Ana,
    Olha só… Justíssima a ponderação sobre os efeitos de uma paralisação assim, é um transtorno sem dúvida.

    Mas a essência dos movimentos grevistas é causar um certo desconforto mesmo. Chamar a atenção, não apenas dos empregadores mas tbm da sociedade para demandas de uma categoria. Quando a cidade para, a familia daqueles que fazem parte da greve sofre, quem nunca andou de ônibus sofre, enfim… E assim vai, até nossa sociedade (absolutamente individualista) dizer: “ai credo! alguém tem de ajeitar isso. Assim não tem como.” Pressionam assim o trabalhador mas também acaba sendo em alguma medida pressionado o empregador.
    E olha, infelizmente, infelizmente mesmo, não inventaram ainda uma forma de manifestação por reinvindicação de salário e melhoria em condição de trabalho mais eficiente que greve (e mesmo esse direito vem sempre sendo questionado). Porque veja, que interesse tem o patrão em sentar e negociar uma aumento de salário que vai diminur seu lucro? O bem estar dos empregados?

    A idéia das catracas livres, infelizmente com a legislação vigente ainda não dá, hehe

    Desculpe se me alonguei muito.
    Abraço.

    Imagina, Lili, eu adorei, a idéia é essa mesmo, conversar. Pelo que eu li aqui mesmo, há o precedente na Europa, então não é uma idéia tão maluca. De resto, concordo contigo, sobretudo na parte da legitimidade da greve como instrumento de prssão por parte dos trabalhadores. Longe de mim discordar do direito de greve. Apenas, quem sabe, pensar em formas de deixá-lo ainda mais eficaz.
    Fale mais, Lili, fale sempre! Bjs

  • Catracas rodando livremente… seria sensacional!
    Olha Lili, imagino que existam impossibilidades legais mas, no que diz respeito a eficácia aposto que o gesto se propagria num boca-a-boca incandescente. E que empresário quer ter gastos sem nenhuma entrada?
    Seria eficiente, simpático e engraçado.

    Beijos

    Ainda pensei numa outra vantagem para o trabalhador: com uma greve dessas, ele não poderia ter os dias de paralisação descontados! O duro seria convencer as pessoas a voltar a pagar passagem uns dias depois…

  • Não é maluca não, Ana… E tem impacto. Mas imagina: se já é dificil mobilizar, convencer os colegas, e segurar uma greve, que é um direito constitucional, imagina essa manifestação que implicaria em rodar com carros da empresa, combustível da empresa, transportando gente de graça por conta própria, né? E esse é só um dos nós da coisa.

    Mas que seria muitíssimo mais simpático, sem dúvida.

    Abração

    Por isso é que é bom ter gente por aqui pra ajudar a ponderar. Abração procê também.

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