Eu sei que a conversa aí debaixo sobre cinema e experiências urbanas ainda está esquentando, mas tem um assunto que eu preciso trazer à baila. Sobre o post anterior, eu quero dizer que o papo que tá rolando nos comentários é ótimo, e tem umas histórias ali que valem a pena, não percam.
Você é dos que acham que preservação de patrimônio só diz respeito a monumentos vetustos do século retrasado? Ou então, que preservar significa atrapalhar a sua vida e desvalorizar o seu imóvel ou aumentar os seus impostos? Melhor rever os seus conceitos. A preservação envolve a memória da cidade, mas também implica em manutenção ou melhoria da qualidade de vida no dia-a-dia da cidade e seus moradores, sem falar na utilização honesta e pertinente de dinheiro público, ou seja, dinheiro meu e seu.
Tudo isso pra falar de (mais) um descalabro que está acontecendo no metrô do Rio de Janeiro. Vou deixar o meu colega Roberto Anderson Magalhães, também arquiteto, explicar a situação. Olha o e-mail que eu recebi dele esta semana:
“Amigos,
Peço-lhes o especial favor de, se possível, divulgar e chamar a atenção para um fato preocupante. O metrô do Rio de Janeiro começou a ser construído no final da década de 70. Naquela ocasião havia a intenção de dotar a cidade com um metrô de qualidade e o projeto das primeiras estações foi confiado a uma equipe de arquitetos da melhor qualidade, entre os quais Sabino Barroso, que havia sido colaborador de Oscar Niemeyer. Refletindo o padrão de qualidade almejado, as estações mais centrais foram revestidas de mármore e as dos bairros foram revestidas de vidrotil, uma pastilha vitrificada, de grande elegância e muito característica daquela época. Assim, elas formam um conjunto coerente, que define o trecho pioneiro da Linha 1. Pois bem, a companhia que opera o metrô, na forma de concessão, está emassando e pintando as paredes de vidrotil da estação Largo do Machado. Isto é um verdadeiro absurdo, pois encobre um material muito mais nobre com tinta e descaracteriza a arquitetura das estações. Caso isto não seja imediatamente sustado, no futuro o poder público terá que gastar dinheiro com a remoção dessa tinta numa restauração”.
Bom, o Roberto encaminhou e-mail à administração do metrô, questionando a iniciativa. Nesse meio tempo, óbvio, o revestimento de tinta branca já se deteriorou e as paredes estão todas marcadas de pés de passageiros. Agora vejam a “linda” resposta que ele recebeu, assinada pela designer que está cuidando da reforma desastrada:
“Prezado Sr.,
Obrigada por nos enviar seu atencioso e-mail sobre a estação de Metrô do Largo do Machado.
Sua colocação procede e compartilhamos do mesmo ponto de vista de respeitar as características do projeto original das estações, pois, de fato, o vidrotil e o mármore são materiais nobres e modernos.
No entanto, nossa reforma tem como objetivo melhorar a viagem dos nossos clientes, criando ambientes mais claros, iluminados e alegres para os cariocas.
Logo, reavaliamos algumas estações para que fiquem mais integradas no espaço urbano e proporcionem uma viagem mais agradável, sempre com o objetivo de prestar o melhor serviço”.
Acuma?
Então a moça concorda que os materiais originais são mais nobres e mesmo assim resolve cobri-los de tinta?
De que maneira mesmo que o fato de as paredes estarem emassadas e pintadas de branco melhora a viagem dos clientes e o serviço prestado pela concessionária? Em que isso ajuda a integrar as estações ao espaço urbano? Aaaahhhh, as estações ficam mais claras e “alegres”! A cor das pastilhas não era suficientemente alegre, parece. Talvez com o tempo, quando a tinta for ficando manchada, trincada, pichada (alguém tem dúvida?), as estações fiquem ainda mais alegres e iluminadas. E gastar dinheiro mandando pintar de novo de tempos em tempos resolve tudo, afinal, os aumentos no valor da passagem do metrô cobrem essa despesa facilmente.
Não acredito que deixar as estações mais claras compense a descaracterização de um projeto pensado com tanta qualidade, ainda mais que a troca de materiais leva tão obviamente a uma degradação e conseguinte desvalorização do ambiente, e nem sei se a medida é realmente efetiva. Tampouco vou entrar no mérito de outras questões polêmicas envolvendo o metrô, e que mereceriam uma reforma muito mais urgente, como a superlotação dos vagões, a venda de bilhetes que só têm validade de dois dias, mantendo sempre filas enormes nos guichês das estações, e os critérios para ampliação da malha metroviária. Não vou nem perguntar se a reforma foi comunicada aos autores originais do projeto (no caso Sabino Barroso, Jaime Zettel e José Leal) ou devidamente licenciada, porque se não foi, ainda por cima cabe denúncia ao CREA (Conselho Regional de Engenharia, Arquitetura e Agronomia). Vou só juntar minha voz à voz de outras pessoas, arquitetos ou não, insatisfeitos com a medida.
Minha proposta é que os usuários de metrô no Rio de Janeiro que concordarem com essa crítica, e desejarem suas estações de volta como eram, façam a empresa saber de sua opinião. Nós podemos telefonar para eles, escrever para eles, seja por e-mail, seja num papelzinho que pode ser depositado nas caixas de sugestões existentes em todas as estações. Outras sugestões são bem-vindas. O importante é não dar de ombros de novo, achando que é assim mesmo. É o seu patrimônio que está em jogo.


Oi amiga,
Pois e… fico sempre muito triste e inconformada com essas ditas “reformas” e “modernizacoes” que na verdade sao meras descaracterizacoes.
Nao e facil mudar o mundo, mas podemos(e devemos) incomodar.
Acabei manifestar a minha indignacao com a administracao do Metro Rio (via e-mail). Ana, posso copiar e colar essa materia e enviar para mais amigos?
bjsssssss
Claro, à vontade!
Ana, total off topic, mas ontem fui ver Gran Torino…e amei cada minuto. Sobretudo pq eu já o tinha visto um pouco com os teus olhos. Depois vou lá no post certo comentar.
Beijocas
Oba, conta tudo!
Eu já sou mesmo campeã de reclamações deste metro. Essa será apenas mais uma. Cara, é quase como passar esmalte de unha em anel de ouro, pra dar um ‘acabamento melhor’. Eu queria saber o que passa na cabeça desse povo, ou o que eles bebem.
Esmalte de unha em anel de ouro é perfeito! Reclama mesmo
Pois… esta cidade.
metrô… a tentativa de construir um shopping na marina da glória (que segundo ouvi, estão até tentando destombar o aterro para facilitar… melhor não falar o que eu penso), passar todos os voos para o galeão quando acabaram de reformar o santos dumont… Não dá nem para acreditar.
Ainda vamos falar dessa história do Aterro, clau. É o absurdo dos absurdos.
Falando em cidades e etc, condolências à Itália…
Nem me fale. Eu passei o dia na rua ainda não me informei dos detalhes todos.
O metro do Rio tem as estações mais lindas que já vi. Seria uma pena modificá-las.
Não só uma pena. É criminoso mesmo!
menina, sabe que hoje e manhã estava penando nisso? não conhecia o nome do material, mas olhando para a parede toda emassada da estação largo do machado pensei: mas o que deu na cabeça dessa gente pra fazer essa coisa horrorosa cobrindo a parede da estação, perlamore?
bjs
A gente precisa fazer eles saberem que nós reprovamos a medida.
será q alguém pode chamar a atenção do metrô rio, mostrando o estrago q estão fazendo com a decoração da estação largo do machado ?
era uma estação q precisava apenas completar o forro, inacabado desde a inauguração.
o metrô, com seu mau gosto exagerado, está pintando toda a estação de cinza, sobre as pastilhas marrons / acho q não é obra de arquiteto / se for quero saber o nome, para não correr o risco de um dia contratá-lo.
ao invés de melhorar a estação praça XI, toda cinza, triste, o metrô parece querer fazer dessa uma estação-padrão ! ela é toda cinza ( justo na pça XI, do samba )
acho q alguma autoridade deveria ajudar a população evitando essa tragédia !
é triste esperar um trem numa estação toda cinza !
abs
nagib
Pois é como eu escrevi no post, nagib, a gente tem que se manifestar a esse respeito.
se era para ficar mais alegre, q constratassem palhaços, tantos q estão desempregados / nagib
Caríssimos,
Só podemos lamentar o que vem acontecendo nas estações do Metrô, onde as reformas não levam em consideração a concepção, bem sucedida, original. Embora ainda não tivesse me manifestado, já havia notado esses descalábrios. Aproveito para dizer que considero um desrespeito à Copacabana a parte externa da estação Siqueira Campos que apresenta um paupérrimo aspecto de galpão provisório de obra. Esperamos que a futura estação praça Gal. Osório tenha melhor projeto.
Saudações
Saudações, A.C.F.!
Eu sinceramente, não gosto da Estação Largo do Machado, acho-a escura, feia, e com um visu anos 70 que é feio.
Sobretudo a ausência de escadas rolantes no acesso as plataforma é o mais gritante nessa estação que foi muito mal planejada.
Sinceramente, sou totalmente a favor da modificação. Não vi o projeto, mas do jeito que está, está feio, velho e de mau gosto.
Esta é a minha opinião.
Opinião anotada.
Nossa, eu vi isso quando fui ao Rio em Janeiro, e acho péssimo… Anda mais porque vc vê claramente uma “personalidade” em cada estação, uma certa historinha da arquitetura no fim do século 20, início do 21, à medida em que vai das estações do centro pra zona sul, não? (Viajei demais?)
Eu acho pobre essa decisão do metrô, sinceramente.
Oi, Sil, vc não viajou nada, é isso mesmo. E as decisões da Companhia do Metropolitano do Rio de Janeiro são lamentáveis, na sua maioria. >:(