Agenda

junho 2009
D S T Q Q S S
« mai   jul »
 123456
78910111213
14151617181920
21222324252627
282930  

Nem tão recentemente

Sukkar Banat: a vida é doce, mas não é fácil

caramelo-21A conversa sobre Brasília vista por Clarice Lispector continua. Mas eu resolvi colocar por escrito a recomendação que eu já dei oralmente para diversas amigas, de irem ver o filme Caramelo (Sukkar Banat, França/Líbano, 2007).

É o primeiro filme dirigido pela libanesa Nadine Labaki, que também faz um dos papéis principais, e ela se saiu muito bem, retratando com delicadeza e intensidade o cotidiano de cinco mulheres libanesas comuns. A história se passa em Beirute e gira em torno do salão de beleza Si Belle, onde elas trabalham ou são clientes, e, entre lavagens de cabelo, escovas e depilação com cera de caramelo, discutem suas vidas, amores, preocupações, e estreitam laços de amizade e solidariedade.

caramelo-3Uma dessas mulheres é Layale, representada pela própria Nadine. Ela é jovem, bonita (aliás, bonita, não, lindíssima), inteligente, independente, e tem um caso com um homem casado por quem é apaixonada. Tão apaixonada que não percebe nem que o caso está terminando, nem que há outro homem, disponível e carinhoso, que está caidinho por ela. Outra mulher é Nisrine, uma muçulmana exuberante que está de casamento marcado, e tem medo que seu noivo venha a descobrir que ela não é mais virgem, pelo problema que isso pode representar em sua cultura. Tem também Rima, a moça que, ao lavar os cabelos das clientes, encontra uma forma de escoar sua homossexualidade, em cenas que transbordam uma sensualidade tensa e discreta. Jamale é a mulher mais velha que tem enorme dificuldade de lidar com o fato de que está entrando na menopausa. Há ainda a velhinha Lili, folclórica na vizinhança, que recolhe papéis e lixo nas ruas e fantasia que todos os homens são apaixonados por ela, ao mesmo tempo que inferniza a vida de sua irmã, uma costureira que abdicou e abdica de sua vida para poder cuidar dela.

São muitas histórias que vão se tecendo entrelaçadas, e em alguns momentos, eu lamentei que não dá pra desenvolver bem todas elas. Porém, o painel que se desenha é doce, colorido, rico e profundo, porque não se furta a apontar amarguras e frustrações latentes em tantas daquelas vidas. Bem direitinho como acontece em nossas próprias vidas reais.

Nadine tem o mérito de saber contar a história com a devida mescla de humor e melancolia e conduzir sua narrativa até o fim com a mesma qualidade. As diferenças culturais que aparecem, estranhamente (ou não), só fazem sublinhar aquilo que nós temos em comum. Por baixo de roupas e costumes diferentes, logo ali debaixo, nós partilhamos essencialmente os mesmos medos, os mesmos desejos de amar, sermos amados e felizes, a mesma humanidade, enfim. E é isso que o filme celebra.

2 comentários para Sukkar Banat: a vida é doce, mas não é fácil

  • Parece um doce (caramelo?)esse filme. Tu viu no cinema ou será que já tem em DVD? Eu moro na roça. Tudo muito custoso, muito demoradim. Vou procurar.

    “Há ainda a velhinha Lili, folclórica na vizinhança, que recolhe papéis e lixo nas ruas e fantasia que todos os homens são apaixonados por ela…”

    Tinha de ter uma, hehehe.

    ;)

    Eu vi no cinema, semana passada. Mas assim que sair em dvd eu te aviso.

  • Dani BH

    Oi, Ana,
    Depois de ler seu comentário, fiquei super a fim de assistir ao filme. E que resenha mais linda e bem escrita!
    Beijo.

    Puxa, Dani, obrigada. Vai ver sim, que é lindão. Bjs

Deixe um comentário

 

 

 

Você pode usar estes tags HTML

<a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>