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Nem tão recentemente

Cidades literárias: Antonio Cicero

Seguinte.

Essa semana eu não vim aqui, espero que vocês não tenham sentido falta. Quer dizer, pra ser sincera, espero que vocês tenham sentido falta, sim :-) . Houve motivos. Todos bons, um turbilhão de coisas acontecendo. E hoje eu vou quebrar uma regrinha da casa. Quando eu fiz o blog, a idéia era não falar do próprio umbigo, não fazer diário pessoal. Nada contra quem faz, eu leio alguns blogs que são relatos cotidianos e adoro. Mas é uma coisa que eu não sei fazer bem e não me sentiria confortável. Mas hoje eu vou contar pra vocês por que eu não vim aqui durante a semana.

É que hoje é meu aniversário. Eu adoro comemorar aniversário, reunir amigos, rir, fazer um brinde à vida, às oportunidades, à sobrevivência, à família e aos amigos. E este ano, a comemoração tomou um porte inédito, porque a Carla San faz aniversário junto comigo (o dela foi ontem), e nós resolvemos fazer uma festa só, no caso, uma feijoada no sábado. E aí vários amigos e amigas foram se juntando, alguns amigos e amigas de fora do Rio aproveitaram a chance pra vir passar o fim de semana, e eu passei os últimos dias fervilhando de preparativos.

Mas hoje é dia de compromisso, um compromisso delicioso, que eu cumpro com prazer. Semana passada, a Cláudia Marcanth, que está sempre aí contribuindo lindamente nos comentários, me emprestou um livro de poesias do Antonio Cicero, no qual ela assinalou algumas, pensando também em mim e nesta coluna (só isso, pra mim, já foi tão bacana, eu fiquei feliz da vida com a lembrança). O livro – vejam bem – se chama A cidade e os livros (Editora Record). Nada mais apropriado. Daí que eu fiquei encantada com algumas delas, e tou aqui na dúvida entre duas que me tocaram mais particularmente. Acho que vou mostrar as duas, mas hoje em especial, por conta da data, vou me permitir, de presente, trazer uma poesia que fala da minha cidade, o Rio de Janeiro.

Eu não nasci na capital, nasci no subúrbio, na Baixada Fluminense, mais especificamente em Duque de Caxias, mas desde os 19 anos saí de lá e, com uma breve passagem no interior do Tocantins, o resto do tempo morei aqui na cidade que eu adotei, que eu sinto como minha casa. Essa poesia evoca as minhas próprias recordações de adolescente, e fala da minha paixão pelas cidades e pelas palavras, tudo ao mesmo tempo. O título da poesia dá nome ao livro. (Obs: eu não consegui me acertr aqui com a formatação do texto, não gosto desses espaços tão grandes entre uma linha e outra, mas não consegui tirar. Depois conserto)

O Rio parecia inesgotável àquele adolescente que era eu.

Sozinho entrar no ônibus Castelo,  saltar no fim da linha,

andar sem medo  no centro da cidade proibida,

em meio à multidão que nem notava  que eu não lhe pertencia – e de repente,

anônimo entre anônimos, notar  eufórico que sim, que pertencia

a ela, e ela a mim -, entrar em becos, travessas, avenidas, galerias, cinemas, livrarias:

Leonardo da Vinci Larga Rex Central Colombo

Marrecas Irís Meio-Dia Cosmos

Alfândega Cruzeiro Carioca Marrocos Passos Civilização

Cavé Saara São José Rosário

Passeio Público Ouvidor Padrãp Vitória Lavradio Cinelândia:

lugares que antes eu nem conhecia abriam-se em esquinas infinitas

de ruas doravante prolongáveis por todas as cidades que existiam.

Eu só sentira algo semelhante ao perceber que os livros dos adultos

também me interessavam:

que em princípio haviam sido escritos para mim os livros todos.

Hoje é diferente, pois todas as cidades encolheram, são previsíveis,

dão claustrofobia e até dariam tédio, se não fossem os livros infinitos que contêm.

9 comentários para Cidades literárias: Antonio Cicero

  • Parabéns! com poesia e cores.

    Ganhar abraço seu fez meu aniversário mais feliz.

  • Ana, chorei com a parte que fala do dar-se conta que os livros adultos também lhe pertenciam. Que poema lindo. Já te mandei um email de feliz aniversário, mas repito aqui que desejo muitas coisas boas para você nesse aniversário. Beijo de bolo e guaraná.

    Meu amor, meus melhores aniversários foram festejados assim, com bolo e guaraná. Esse não foi exceção. Só faltou você. Bjs

  • harumi

    ah, Ana, que maneira linda de comemorar o aniver! o presente foi pra nós, leitores do seu blog! (^_^)
    parabéns e tudo de bom no seu novo ano!
    beijocas.

    Presente é você aparecer aqui. Venha mais vezes! E vamos almoçar semana que vem?

  • Parabéns, parabéns, parabéns!!

    Obrigada, obrigada, obrigada! :-)

  • Cláudia Marcanth

    O livro, na verdade, sempre foi seu. Guarde-o como lembrança dessa amiga que adora trocar figurinhas, idéias, alegrias, tristezas e livros com você! Parabéns!!!!!
    PS: Mas não precisa ficar preocupada, que o presente de aniversário é outro e chegará amanhã, junto com o feijão. (rs,rs,rs)

    Aaahhhh, sério? Poxa, muito obrigada, mesmo, eu amei o livro! E amei o presente que veio junto com o feijão também. Vou usar esse fim de semana!

  • Ana

    Amiga sempre querida, parabeeeeeensssss!!!!!
    Que seus sonhos continuem se realizando.
    Sem duvida alguma o presente foi para nos.
    Beijosssssssssssssssssssssssssssssssssssss

    Fazer aniversário é bom porque os amigos todos aparecem! Que bom ver você aqui! Bjs também.

  • Alline

    O aniversário foi seu mas o presente foi nosso…
    um beijo, querida, tenho certeza que a comemoração foi ótima.
    Eu adoro a coincidência de vc e Carluda comemorarem aniversário juntinhas :-)
    beijos

    Sim, a comemoração foi uma delícia, mas teria sido ainda melhor se vc estivesse presente. Quer dizer, você estava, nos nossos corações, mas da próxima eu quero abraço de verdade, de perto, olho no olho, tá?

  • madoka

    que maravilha ter uma amiga, e essa fazer anos no mesmo dia, ou quase. E ainda poder comemorar reunindo os amigos em comum, ou não. Só me veio na cabeça irmandade, amor etc,só coisas boas.
    E ainda ganhando um livro e poema escolhido a dedo pela amiga, presentasso. Lindo poema.
    Parabéns pras duas
    abs
    madoka

    Obrigada, Madoka, é uma bênção, sim, poder comemorar a vida ao lado dos amigos. São o melhor presente que pode haver, eu não tenho dúvidas.

  • Mani

    Parabéns, querida. Saudade de lhe abraçar!!!!!!

    Nem me fale! Pensar que semana passada, a essa hora, a gente tava juntinho…

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