Vamos começar logo com isso, porque já tá ficando chato, eu só anuncio e nada de comparecer. Daqui a pouco vai ter gente achando que essa viagem foi imaginação minha.
Primeiro, as circunstâncias da viagem. Meu marido trabalha com treinamento em telecomunicações, basicamente atendendo companhias de telefonia celular. Por conta disso, viaja um bocado, quase sempre pela América Latina, e de vez em quando vai a alguma cidade mais distante um pouco, em algum outro continente. Posso garantir a vocês que, passado o deslumbramento dos primeiros anos, é um trabalho duro, cansativo, que impõe muitas horas de aeroporto e de vôo, muitas datas familiares comemoradas por telefone, de um quarto de hotel (e viva o skype). Mas tem também a vantagem de permitir a ele acumular milhas nos programas de fidelidade das companhias aéreas, e de vez em quando eu aproveito alguma chance para ir junto, principalmente quando é um lugar que me interessa conhecer e a minha própria agenda de trabalho permite. Foi exatamente esse o caso dessa vez. Quando eu vi que ele iria a Montreal, no Canadá, eu rapidamente me organizei pra ir também, porque uma oportunidade dessas não aparece toda hora.
Ainda por cima, eu tenho uma amiga querida, a Gabriela, que mora em Montreal há algum tempo, e que foi uma fonte importante de conversas, informações e troca de impressões, além de uma companhia deliciosa tanto pra um almoço num restaurante português numa ruazinha charmosíssima, quanto para passeios de interesse arquitetônico-urbanístico ou compras nas lojas mais descoladas que eu não teria como descobrir sozinha.
Já que eu já tinha ido tão longe mesmo, aproveitei pra ir numa excursão de um dia a Quebec, que fica pertinho, e fui, junto com o marido, a Toronto no fim de semana seguinte ao curso que ele deu. Toronto já é mais longe um pouquinho, uns 500 km de Montreal, mas valeu cada instante da visita. Olha aí uma mapinha pra dar ideia:

No mapa da esquerda vocês podem ver a região nordeste dos Estados Unidos e o sudeste do Canadá (a bolinha vermelha mais de baixo marca a posição de Nova York, só pra dar referência). Aliás, meu vôo, pela Continental Airlines, foi Rio-Houston-Newark-Montreal. Em cada escala dessas, uma troca de avião. No trecho final, o teco-teco (mentira, mas era o menor aviãozinho em que eu já voei, fileiras de duas poltronas de um lado e uma poltrona só do outro lado, um único e estreito corredor central, evidentemente uma única comissária de bordo, que mal conseguia se mover), mas eu dizia, no último trecho, ao decolar, o avião sobrevoa a ilha de Manhattan, e eu tirei montes de fotinhas pela janelinha do avião: Empire State, Estátua da Liberdade, Central Park. Foi o mais próximo que eu já cheguei de Nova York até hoje. Mas tou me aproximando, hehehe.
Voltando ao nosso mapa. Logo acima da fronteira com o Canadá, vocês podem ver três outras bolinhas. A do meio assinala a posição de Montreal, a mais de cima é Quebec, e a sudoeste de Montreal está Toronto, bem na beira do Lago Ontario. No mapa seguinte, dei um “zoom” só em Montreal. A cidade ocupa uma grande ilha (que eu tentei contornar de vermelho, mas não sei se a linha ficou muito fina) no Rio São Lourenço. O quadrado em destaque mostra a região central, que está ampliada no último mapa, à direita. Nós ficamos num hotelzinho simples, mas muito bem localizado, em frente a um dos prédios da UQÀM (Université de Quebec à Montreal), no coração do que eles chamam de Quartier Latin, próximo de tudo. Tá lá marcado no mapa também.

Em cima à esquerda, Nova York vista da janela do avião; à direita os campos cultivados nos arredores de Montreal. Embaixo, à esquerda, vista geral de Montreal a partir do topo do Mont Royal, ponto turístico importante na cidade. Por fim, aspecto de uma rua típica, nas proximidades do meu hotel.
Só pra vocês terem uma ideia dos deslocamentos, e já levantando uma lebre a ser explorada em textos vindouros, a distância de Montreal a Quebec é de 233 km e de Montreal a Toronto é de 540 km, cobertos em 6 horas de viagem. Por comparação, temos que Rio-São Paulo são 440 km. Pois bem, infelizmente o transporte no Canadá é bastante baseado no modelo rodoviário. Não é que não haja trens entre essas cidades, mas é muito mais caro, muito mesmo. Então, a alternativa é o ônibus (considerando que avião também estava fora das minhas possibilidades). A moeda local é o dólar canadense, que vale, hoje, cerca de R$1,65. Assim, vamos fazer contas: eu consigo comprar uma passagem em ônibus leito, RJ-SP, por um valor entre R$80 e R$100, perfazendo R$ 0,22 por quilômetro rodado, na pior hipótese. Paguei CAD$ 90 (= R$148,50) na passagem Montreal-Toronto, num ônibus equivalente ao nosso comum (eles não têm o nosso conceito de ônibus leito). Conforto bem escasso, não fosse o fato de que peguei um horário cedo, tava vazio e eu viajei quase esticada, ocupando as duas poltronas. Mas a relação é de R$ 0,28 por quilômetro rodado, um bocado mais caro que o que eu pago aqui. Pelo menos as estradas são maravilhosas, o ônibus parece que flutua.
Ainda nas informações preliminares, vamos saber um bocadinho mais sobre o Canadá. Eu não sei vocês, mas quando eu viajo pra um lugar que eu não conheço, eu adoro fazer dever de casa antes, pesquisar, chegar lá tendo alguma ideia de onde eu estou.

Michaëlle Jean
Pelo que diz o Atlas da National Geographic, com dados de 2006, o Canadá tem quase 10 milhões de km², sendo o segundo maior país do mundo em área (o primeiro é a Rússia). Dizem as más línguas que isso só vale se medir no inverno, porque no verão derrete o gelo e o Brasil fica maior. É um Estado federal, cuja capital é Ottawa, com Senado e Câmara dos Comuns e – eu não sabia – reconhece o Soberano do Reino Unido como Chefe de Estado. Faz parte até da Comunidade Britânica das Nações, e tem a cara, ops, a efígie da rainha Elizabeth II em suas moedas. Em território canadense, a rainha é representada por um governador-geral. Atualmente, a governadora-geral do Canadá é Michaëlle Jean, uma jornalista nascida no Haiti, primeira negra a ocupar esse cargo. O Chefe de Governo (quem manda mesmo), entretanto, é o primeiro-ministro, que hoje é Stephen Harper.
A população total deste enorme país é de 32 milhões de habitantes, com uma baixíssima densidade de 3,27 hab/km². Montreal, que fica na província de Québec (cuja capital é a cidade de Québec), concentra, em sua área metropolitana, mais de 3 milhões e meio de habitantes. É o segundo maior núcleo urbano do país. O primeiro é Toronto, capital da província de Ontario, quinta maior cidade da América do Norte, com 5 milhões e 100 mil habitantes em sua área metropolitana, sendo quase 2 milhões e meio só na cidade. Toronto só perde para a Cidade do México (8.600.000 hab na cidade e 18.300.000 na área metropolitana), Nova York (8.000.000 na cidade, 21.500.000 na área metropolitana), Los Angeles (3.700.000 na cidade, 17.000.000 na área metropolitana) e Chicago (2.900.000 na cidade, 9.500.000 na área metropolitana). Números arredondados.
O país adota tanto o inglês quanto o francês como línguas oficiais, em função de especificidades de seu período colonial, mezzo-francês, mezzo-britânico. Em Montreal, por exemplo (em toda a província de Quebec), o imediato é falar francês. Todos os letreiros são em francês e a abordagem inicial será sempre francófona. Até a arquitetura é mais afrancesada, com muitas construções remanescentes do final do século XVIII e de todo o século XIX. Mas é uma cidade bem bilíngue, e todo mundo fala inglês também, facilitando bastante a comunicação (pra mim, hohoho. Se bem que eu fiz algum uso do meu ano de Aliança Francesa, e dei meus passinhos no merci, bon jour e s’il vous plaît). Toronto já é uma cidade mais americanizada, sob vários aspectos, e a língua básica é o inglês mesmo.

Uma das coisas mais legais de Toronto é a convivência do antigo com o moderno, quase sempre surpreendentemente bem resolvida.
De maneira geral, minha primeira e boa impressão de ambas as cidades é de uma imensa diversidade étnica e social. Como cidades (mais até Montreal do que Toronto) que abrigam importantes universidades, há uma enorme quantidade de jovens de todas as origens e tribos transitando, o que dá um ar alegre e dinâmico à cidade. A gente anda pelas ruas e vê todas as cores, roupas, escuta inúmeras línguas. São negros (muitos imigrantes e descendentes de imigrantes de ex-colônias francesas), asiáticos (aos montes), latinos, muçulmanos, indianos, americanos e até canadenses! O pessoal é extremamente gentil, solícito, tem, na média, bom nível intelectual e interesse genuíno nas realidades externas ao país. São acolhedores e bem-humorados, de um humor que lembra muito o nosso, e eu senti que um esporte nacional, não muito velado, é sacanear os americanos. Dei boas risadas várias vezes, com estampas de camisetas e títulos de publicações.
Como eu já disse, enchi muitas páginas da minha caderneta de anotações, e tirei centenas de fotos. Ainda não sei bem como vou organizar esse material. Não sei se por ordem cronológica (no primeiro dia fiz isso, depois aquilo…), ou se por temas. Observei aspectos que às vezes foram se repetindo, com relação a transporte público, comidas, soluções de arquitetura, preocupações com ecologia e meio-ambiente, turismo, saúde e assistência social, e um monte de outros. Vou ver.

Não dá pra não se encantar. Uma marmota, um passarinho diferente e um esquilo. Eu queria trazer meia dúzia de cada na bagagem...


ana, mais, mais, mais! antes que apareça alguma alline para me botar no devido lugar, ouso dizer que o “passarinho diferente” é com certeza um finch, parente do nosso pardal. muito lindinho ele. viajando, também nao perco a oportunidade de me deliciar com passarinhos, passarões, bichinos e bichões locais. beeeeijos
Veeera, não é bom? Eu quero mais é que a Alline venha dar pitaco sobre o passarinho, essa foto foi só uma isca pra atrai-la, hahahaha!
Ana, estou acompanhando… e por enquanto, adorando.
Servimos bem para servir sempre!
Mais fotos, s’il vous plaît!
Mas a foto que eu mais gostei está no Palavras da Fal, do IG. Que cidade é aquela?
bjs
Montreal, linda de morrer. A foto aparecerá aqui também, aguarde!
Adorei saber de tudo!!! Conta mais!!! beijos e saudades…
Conto, conto!
redundando: conta mais e mais fotos!
beijos, querida.
Eu já te disse como eu fico feliz quando vc vem aqui? Eu fico. bjs
Só um teste para ver se eu consegui escapar do monstrinho verde…
Na verdade, o monstrinho é uma identificação, pelo seu e-mail, então, cada um tem um monstrinho fixo, não sai um de cada vez. O cláudio luiz já tinha me falado que não curte muito esses monstrinhos também, e eu já tinha pensado em mudar, mas aí entre a preguiça e a correria, foi passando. Vou ver se altero isso. Bjs
Ainda não foi dessa vez…
NáPaula,
eu venho e leio sempre, quase todos os dias; não comento por sem-vergonhice minha.
colaborando com o teste da Cláudia, vou usar um outro e-mail pra ver se mudo a cor do monstrinho.
Maloquinha, eu vou substituir os monstrinhos por alguma outra identificação, pode deixar.
ana, pois eu adoro esses monstrinhos. por mim, a preguiça pode prevelecer. beijos
Hahaha, Veroca, voto computado!
bjs
Ola
lindas foto do Canada, e pelo que pode perceber. o tal passarinho diferente é um estorninho, eles tem varias cores e vi alguns quando fui a Buenos Aires lá eles foram introduzidos pelo homem, ja no Canada, não sei, mas acredito ser uma especie europeia
abraço
Oh, Cesar, obrigada pela contribuição, muito bem-vinda. Anotei o nome do bichinho. Apareça sempre que quiser, será um prazer.
Olá, descobri seu blog fuçando sobre o Canadá na internet.
Tenho pretensões de ir para lá daqui uns 2 anos no máximo, mas não tenho a menor idéia de como funciona lá e tudo mais.
Quero ir para trabalhar, me formo em Pedagogia esse semestre e vou me preparar, estudando inglês para poder me virar um pouco…
O que vc me diz sobre brasileiros que trabalham lá? Conseguem facilmente, moradia, essas coisas todas…
Gostei muito do blog, parabéns!
Obrigada!
Oi, Liana, eu não tenho muita ideia, estive lá apenas como turista, por pouco tempo. Tenho uma amiga que mora lá e foi por intermédio da universidade, num programa de pós-graduação. Talvez o site da embaixada canadense possa te dar mais dicas e informações. Boa sorte!