E quem sabe, então o Rio será
Alguma cidade submersa
Os escafandristas virão explorar sua casa
Seu quarto, suas coisas, sua alma, desvãos
Sábios em vão tentarão decifrar
o eco de antigas palavras,
fragmentos de cartas, poemas, mentiras, retratos
vestígios de estranha civilização…
(Chico Buarque, Futuros Amantes)
Chove ininterruptamente há três dias no Rio de Janeiro. A chuva aperta e diminui, mas não pára (eu sei que o verbo parar perdeu esse acento. Mas eu me recuso. Acho das maiores burrices do novo acordo ortográfico. Porque há frases em que realmente o sentido fica confuso e você não sabe se está diante do verbo parar ou da preposição para).
Eu tinha, ou melhor, tenho ainda, vou guardar pra sexta que vem, um trecho lindo de Fernando Pessoa, falando da cidade da máquina e do progresso, em cujo sucesso se acreditava tanto na primeira década e meia do século XX, até a Guerra vir mostrar que não era bem assim. Mas hoje, encaramujada, eu fico com o Chico, se vocês não tiverem nada contra. Como ele mesmo diz no início da música:
“Não se afobe não, que nada é pra já.”


“Certos dias, de chuva
Nem é bom sair
De casa, agitar
É melhor dormir…
Deixa chover
Ah! Ah! Aaaaaaah!
Deixa a chuva molhar
Dentro do peito
Tem um fogo ardendo
Que nunca vai se apagar…”
O Chico Buarque é um artista, mas no chuveiro eu gostava mesmo era de cantar Guilherme Arantes.
Bjs!
It’s raining again, oh no, my love’s at an end! Hahahha, listinha de músicas de chuva!
“Clouds appear
and bring to men
a chance to rest
from looking at the moon”
Basho
O sol também cansa, às vezes. Deixa chover um pouco!
Ai, essa chuva me deixa tão sem o que fazer, que bom!
Mais bjs!
Essa eu não conheço! Essa chuva me deixa sem vontade, mas o que fazer eu tenho e é muito, ai, ai…