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Nem tão recentemente

Canadá 3 – vai precisar de sacola?

Eu tinha pensado em escrever outra coisa hoje, mas precisei sair pra fazer umas coisas na rua, como passar no mercado pra trazer mussarela. Na hora de pagar, tirei minha sacolinha de pano de dentro da bolsa pra guardar a compra e a mocinha do caixa sorriu e falou: “Ah é, hoje é o dia mundial sem sacola”. Eu juro que nem sabia, meu negócio é o hábito mesmo, que aliás ficou mais forte depois dessa viagem ao Canadá.

Uma das coisas que realmente me impressionou foi como eles levam essa coisa de ecologia a sério. Tem mil publicações, desde as educativas e divertidas, visando o público infantil, passando por revistas e textos de argumentação séria para jovens e adultos, até nichos que abordam a vertente da sustentabilidade em campos como arquitetura, design, culinária e tecnologia. Há também muitas exposições sobre o tema e até um museu inteiro dedicado ao meio ambiente. Além disso, o pouco que eu vi de televisão me fez perceber que há campanhas constantes de esclarecimento e educação, com o intuito de consolidar ou incentivar novos comportamentos condizentes com uma consciência mais realista da escassez de vários dos recursos que consumimos diariamente.

não foi exatamente essa que eu comprei, mas foi na mesma loja

não foi exatamente essa que eu comprei, mas foi na mesma loja

Esse assunto da sacola de plástico então, eu achei bem bacana. Funciona assim. Você faz uma compra qualquer. Pode ser um monte de coisa num mercado, umas bobagens  na lojinha de souvenirs ou uma maçã no quiosque da praça. O atendente SEMPRE vai te perguntar, antes de embalar suas compras: “você vai precisar de sacola?”. Se você disser que sim, não tem problema, ele embala pra você e custa 5 centavos de dólar cada sacola plástica que você utilizar. A maioria das pessoas, já sabendo disso, porta sempre consigo uma bolsa de pano ou outro material, que usa exatamente para carregar essas coisas que a gente compra no dia-a-dia. Todo mundo já se acostumou. Eu me acostumei rapidinho. No segundo dia, na livraria, eu comprei, junto com os livros que queria, uma sacola lindona, por 3 dólares, que passou a me acompanhar o resto da viagem e aqui, de volta, também. Claro que já aproveitei a sacola nova pra carregar os próprios livros, e economizei meus centavos no caixa.

Imagina que num dia comum, você passe na papelaria na sua hora de almoço, para comprar canetas. Vê a farmácia ao lado e lembra que está precisando de absorvente (ou creme de barbear, que é pro exemplo contemplar meninas e meninos!), entra e compra. Na volta para casa, pára na banquinha de frutas e compra 2 abacaxis por 5 reais, porque está na promoção. Só aí são três sacolinhas plásticas, que você vai amontoar em algum lugar pra não dizer que botou no lixo. Talvez use como forro do cestinho de lixo da pia ou do banheiro, achando que está reciclando, e depois acaba jogando fora também.

Tenho visto propagandas incentivando a reutilização das sacolas plásticas, mas acho que só isso não resolve. A gente tem é que parar de usar mesmo (ou diminuir muito, pelo menos). E se o atendente das lojas começar por perguntar se você realmente precisa, em vez de mecanicamente colocar qualquer batonzinho dentro de um saco plástico, aos poucos você vai lembrando, criando o hábito, vai ficando atento. O próximo passo é cobrar, sim, por elas (ou melhor, passar a declarar a cobrança claramente e à parte, porque eu tenho certeza que elas já são cobradas, só que o valor fica embutido no preço do que você está comprando, e você nem se dá conta). Quando dói no bolso, a gente se mexe mais.

Aterro_SanitarioAlém de entulhar a casa, as sacolas causam problemas muito graves ao meio ambiente. Mas nós não estamos acostumados a pensar no destino dos resíduos que produzimos. Aí a gente vê um vídeo como esse, que a Lúcia Malla postou lá no blog maravilhoso dela, ou lê as notícias sobre enchentes nas chuvaradas de verão, e culpa o governo e as grandes indústrias. A gente jamais lembra que nosso saquinho plástico, que a gente jogou tão cuidadosamente na lixeira do prédio, também entope bueiros, é despejado nos rios e lagoas e chega ao mar, onde ainda por cima mata peixes e tartarugas que os engolem. Ou se acumula nos aterros sanitários, contribuindo pra aumentar aquela montanha de lixo fedorento com o qual você, naturalmente, não tem nada a ver.

Mudar isso é só uma questão de hábito, acredite.

PS: Eu ia falar dos Jogos Olímpicos, mas vai ficar para amanhã. Se você tiver tempo, e não tiver lido ainda, dá uma espiada nessa entrevista aqui, é bem nesse rumo que eu também penso.

5 comentários para Canadá 3 – vai precisar de sacola?

  • Estou sempre lendo o seu blog.Muito bons os posts sobre o Canadá.
    Beijos.

    Oba, lê, sim, Tereza, e vem dizer um oi de vez em quando! Bjs

  • Então… eu sou muito favorável a cobrar pelas sacolinhas plásticas. Porque ninguém gosta de pagar nada, e isso, por si só, diminuiria o consumo delas, tenho certeza – porque diminuiu em todo lugar q decidiu cobrar por elas. Mesmo q sejam poucos centavos, faz uma diferença.

    É isso.

  • Mani

    Outro dia, um amigo elogiou a entrevista que meu marido deu sobre sustentabilidade. E começamos a conversar sobre isso. e cheguei a conclusão que minha mãe me ensinou sobre sustentabilidade sem ser esse conceito. Explico, nós sempre retiramos roupas e objetos nao mais usados, e doamos, e isso hoje é entendido como prática de sustentabilidade. Minha mãe chamava de “fazer caridade”. E isso me lembrou do que Boff fala sobre caridade, caritas e compaixão. Sim, minha mente é uma coisa bem confusa…beijos…Tô com saudade enorme!!!!

    Eu também tenho saudades imensas de ti. Tem muito isso, né, de reinventarem a roda, colocarem nome bonito em processos que já existem, ou que eram usuais em outros tempos e lugares, mas agora estão “na moda”.

  • Hebe

    Belo post! Fiquei com vontade de conhecer o Canadá … quem sabe um dia alcançamos algo parecido aqui no Brasil, nâo é?

    Hebe

    Eu torço e trabalho por isso, Hebe. Eu também tinha muita vontade de conhecer o Canadá, e adorei, fiquei com vontade de voltar com mais calma. Quem sabe, um dia? Bjs pra você.

  • É tudo uma questão de mudança de hábitos e conscientização. Aquela velha máxima do “se cada um fizer um pouquinho” é bastante válida. Por aqui estamos ainda aguardando os resultados efetivos da campanha “Saco é um saco”, sobre a diminuição do uso das sacolas plásticas. Há, ainda, um longo caminho a ser percorrido.
    Um abraço!

    Abraço, Cecília!

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