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Nem tão recentemente

Canadá 4 – Montreal, Quebec e Toronto

Daqui a pouco eu viajo de novo pra outro lugar e não terminei de falar do Canadá ainda. Nem sei se vocês ainda têm interesse no assunto, mas eu tenho interesse em contar, hohoho!

Como eu já contei, Montreal é uma cidade basicamente universitária, o que faz com que haja muitos jovens de todas as tribos circulando. Talvez também por conta disso, é uma cidade bastante informal e relaxada, e nisso lembra muito o Rio de Janeiro. Toronto, por exemplo, é mais São Paulo: maior, mais dinheiro, maior quantidade de edifícios espetaculares, ritmo mais agitado.

Também acho que já falei que me encantei com a variedade étnica e cultural da cidade, onde se vêem todas as cores e se escutam e falam todas as línguas. Certamente a política de imigração mais permissiva do Canadá ajuda nisso. Em Toronto, peguei um taxi entre a rodoviária e o hotel, e vim conversando com o taxista, que descobri ser etíope. Ele contou que está lá há mais de 20 anos, não fiquei muito certa de que esteja legal, mas deve estar, porque disse que só voltou para visitar a família na Etiópia umas duas vezes nesse período, e se nessas duas vezes ele conseguiu reentrar no Canadá, é porque o visto deve estar regularizado. Mas enfim. Quando eu disse que era brasileira ele logo afirmou que se eu quisesse ficar lá, era muito fácil, e que brasileiros, ainda mais se tiverem curso superior, são admitidos e ganham cidadania facilmente. Não chequei a informação, só achei graça que um “gringo” estivesse me “oferecendo” uma oportunidade de imigração assim, na maior tranquilidade.

Talvez essa multiplicidade cultural toda também contribua para que o povo seja tão simpático e extrovertido, bem-humorado e prestativo. Gastei todo o meu parco francês em Montreal e Quebec, mas poderia ter falado só inglês se quisesse. Eles sabem onde fica o Brasil e que nós falamos português e não espanhol. Vários souberam até dizer alguma coisa como “obrigado” ou “tudo bem?”, com aquele sotaque forte e engraçado. Sabem inclusive que a nossa capital não é Buenos Aires, olha que bacana!

Fiz passeios lindos pela cidade. Ali próximo ao porto, recomendo a rua Jacques Cartier, uma rua de pedestres (na verdade, uma ladeira), larga, bonita, cheia de restaurantes simpáticos, quiosques de flores e sucos e jardins. Tem o Mont Royal, de onde se avista toda a cidade, e que a população local usa intensamente como o principal parque da cidade. Há um lago lá em cima, e em dias de sol as pessoas fazem piquenique em suas margens, as crianças jogam bola e todo mundo lagarteia na luz e no calor.

A rua Jacques Cartier e o Parque do Mont Royal, com seu mirante e suas trilhas

A rua Jacques Cartier e o Parque do Mont Royal, com seu mirante e suas trilhas

Mais para o norte da cidade, mas ainda bem próximo do Centro, a apenas seis estações de metrô, fica o Estádio Olímpico, construído para as Olimpíadas de 1976, sediadas em Montreal. Lindo, embora para os padrões de hoje, com Ninhos de Pássaro e outras modernidades tecnológicas, talvez seja considerado um pouco modesto. Bem ao lado há o belíssimo Jardim Botânico local, onde tivemos a sorte de pegar uma exposição de lanternas chinesas, coisa mais colorida e delicada do mundo. Pena que as fotos não fazem justiça ao espetáculo, porque a exposição é melhor apreciada à noite (quando as lanternas se acendem, claro), e na falta de um tripé, as imagens saem meio tremidas. Tem mais, mas eu falo depois, ao longo da conversa.

O Estádio de 1976, o Jardim Botânico e o estádio de novo, visto do Jardim, ao pôr-do-sol

O Estádio de 1976, o Jardim Botânico e o estádio de novo, visto do Jardim, ao pôr-do-sol

A Magia das Lanternas

A Magia das Lanternas

TorontoToronto, capital da província de Ontario e maior cidade canadense, tem os arredores bem americanizados, com subúrbios, malls, aqueles mares de estacionamento em torno de Wall Marts, Best Buys e Home Depots. Mas são só os arredores. O centro da cidade é denso e vivo, não tem nada daqueles “centros cívicos” descritos pelo Doctorow, que nós vimos num post lá atrás. Lembra um pouco a Nova Inglaterra, se bem que eu não conheço a Nova Inglaterra, estou falando pelo que já me contaram, pelo que eu vi em fotos e filmes. Montreal me pareceu mais compacta, talvez até por ser uma ilha. Toronto é mais espalhada, montes de pequenas cidades satélites e bairros periféricos, alguns com verdadeiras mansões. Quando estávamos indo embora, a caminho do aeroporto (eu acabei não aceitando a sugestão de emigrar do taxista etíope, rsrsrs), o taxi passou por um bairro assim. Nem sei se era o caminho mesmo, mas adorei.

E teve Quebec. Fica a pouco mais de 200 km de Montreal, cobertos em três horas de ônibus. Saí bem cedo, fui e voltei no mesmo dia. É uma cidade lindinha, antiga fortaleza militar, com uma qualidade quase que cenográfica, com suas muralhas e recintos e escavações arqueológicas dos períodos alternados de governo francês e inglês. Há turistas aos montes, pra todos os lados, sozinhos, em grupos e excursões barulhentas, e isso me incomoda um pouco. Os preços costumam ser maiores, tem todo um burburinho de gente apressada, que parece estar mais preocupada em fotografar e conferir mapas e atrações e voltar pro microônibus a tempo do que em realmente observar a cidade.

A estação rodoferroviária de Quebec, uma rua típica no Centro da cidade, as muralhas

A estação rodoferroviária de Quebec, uma rua típica no Centro da cidade, as muralhas

Em todos os pontos turísticos há guias muito simpáticas e bem preparadas, dando explicações e contando a história do local. Na saída de um desses locais, um casal de americanos da Califórnia inquiriu a guia sobre algumas coisas que tinha visto e recebeu uma aula completa de história e geografia. Eu, que nem tinha feito a visita, mas estava sentada bem próxima, só fiquei na aba, aprendendo também. Entre outras coisas, ela disse a eles que em algum momento do século XVIII, antes da independência americana, Quebec não só também era colônia inglesa (e portanto, quando os americanos estudam as “treze” colônias, isso é uma visão bem incompleta), mas era a capital da colônia, o governador geral, representante da Coroa Britânica, ficava sediado em Quebec, de onde governava ttudo, inclusive a parte que hoje se chama Estados Unidos. Eles ficaram de queixo caído. No final, quando eles saíram, ela virou pra mim e perguntou se eu ainda tinha alguma dúvida (ela viu que eu estava escutando tudo), se eu sabia desses detalhes da história do “meu país” (pensando que eu também era americana), e eu ri e disse que não tinha nada a ver com isso, que eu era brasileira. Ela adorou!

Pena que choveu muito o dia todo. Na volta, na praça em frente à estação rodoviária, eu vi uma instalação que eu amei. Eram cadeiras de aço, chumbadas ao chão, dispostas geometricamente ao longo de uma das aléias da praça, e, no assento de cada uma dessas cadeiras, estava gravado um verso de uma poesia. Não é lindo?

"Nos olhos se ilumina uma cidade, que nós jamais nos demos o trabalho de visitar"

"Nos olhos se ilumina uma cidade, que nós jamais nos demos o trabalho de visitar"

5 comentários para Canadá 4 – Montreal, Quebec e Toronto

  • Monix

    Ana, é verdade que é realtivamente fácil emigrar para o Canadá, eles têm uma política oficial de atração de emigrantes, especialmente quem tem qualificação profissional… Conheço um casal que foi para lá há uns 2 anos e estão se adaptando bastante bem. Beijo

    Sabe que às vezes eu fico tentada? Mas só às vezes, depois passa.

  • Cláudia Marcanth

    AMEI as fotos e o texto! Suas viagens internas e externas são muito convidativas! E quanto a parecer uma americana… tá na cara, não é mesmo?rsrsrs
    Bjs!

    Hahaha, acho que é. Sabe que eu tava me dando conta que tenho escolhido cuidadosamente fotos em que eu não apareça? Eu tenho um certo desconforto com relação a exposição de imagem na internet. A maioria das pessoas que comenta aqui me conhece pessoalmente, mas tem gente que nunca me viu, e tem um certo mistério nisso, que eu curto. Mas vou deixar de ser boba. Numa foto dessas eu acabo aparecendo (porque a viagem não acabou ainda, né?). Bjs

  • vera

    ana paula, já tive uma pequena amostra do quanto é bom viajar com voce, de verdade, aqui em brasilia, e aí no rio. espero que isso aconteça mais vezes. enquanto isso, vou me deliciando com as viagens virtuais. beijos

    Veroca, viajar com você é um luxo do qual eu sinto enorme falta. Já pensou a gente flanando juntas por aí? Bjs

  • eduardo lobo

    amei as fotos e fiquei muito interesado para ir ao canada mas so sei e vender sera que tenho chance?

    Oi, Eduardo, não sei se entendi a sua pergunta. Mas eu penso que quando se trata de viagem a gente sempre tem chance, é só se programar e trabalhar pra isso. É uma viagem que vale a pena.

  • Loreci Maria Noschang

    Oi gostaria de saber a distancia de Toronto a Montreal, e quem nao tem curso superior ou ta em andamento pode pedir transferencia?

    Loreci, de Montreal a Toronto são 540 km. Não tenho ideia sobre transferências de curso ou pedidos de bolsa, porque fui a passeio. Mas normalmente isso é um trâmite institucional, informe-se junto à sua universidade.

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