Não, eu não abandonei nada. Só tenho tido muito trabalho e pouco tempo. Mais alguém na mesma situação? Desconfio que sim.
Um dos posts que mais geraram retorno e comentários foi esse aqui, em que eu comecei a pensar sobre o papel do arquiteto e o valor do seu serviço. Aí, evidentemente, estive conversando com outros colegas a respeito, sondando opiniões, orçamentos, relacionamentos com cliente, com equipe, com fornecedores. Num determinado dia, eu estava precisando tirar umas fotos de obra que estivesse em fase de acabamento, para ilustrar umas aulas, e mandei um e-mail pros amigos com quem me formei. Foi uma turma excepcionalmente boa, em todos os sentidos. Gente competentíssima que está trabalhando hoje em diversas áreas, desde obras em escalas variadas, de interiores à escala urbana, até projetos paisagísticos, restauração e preservação de patrimônio e gestão ambiental. Além disso, foi uma turma boa também do ponto de vista pessoal. Gente unida, divertida, que construiu uma amizade sólida e que mantém contato até hoje. Enfim, eu mandei o e-mail perguntando se alguém estava entregando alguma obra por aqueles dias, que pudesse me levar pra visitar. O Otto logo me respondeu, gentil e generoso como sempre.
Claro que aproveitamos para botar o papo em dia, e eu acabei tocando no assunto com ele. A experiência que ele tem com projetos e reformas, tanto residenciais quanto comerciais, me fez achar que ele poderia escrever alguma coisa que complementasse o que foi dito no post citado, e eu pedi a ele que fizesse isso. Ele me mandou o seguinte depoimento:
“Começo esse texto com certo receio de onde ele vai chegar, mesmo não tendo intenção de protesto ou qualquer motivo para tal, apenas um texto informal, sem conclusão alguma, surgido num bate papo com uma grande amiga (também arquiteta), que me incentivou a escrevê-lo. A proposta foi lançar sem compromisso, idéias e situações do nosso cotidiano, como o velho jargão: “trabalhamos tanto que não temos tempo de ganhar dinheiro”, e sem choradeira, como o arquiteto continua trabalhando de graça e na informalidade. Quem se aventura no mundo dos autônomos, abrindo um escritório, como no meu caso, vive correndo de um lado para o outro, tapando buracos aqui e ali, com altos e baixos de mercado. Alguém já tentou administrar uma obra? Uma obrinha? Uma reforminha de um mini banheiro? Vejam bem, não estou reclamando do trabalho, falo de todos os processos interligados, na qualidade dos profissionais envolvidos, na dificuldade de encontrar pessoas comprometidas com o resultado, na satisfação do cliente e em fazê-lo entender como tudo funciona e com um fator muitas vezes determinado por eles: POUCO DINHEIRO! Como fazer tudo, com muita qualidade, muita beleza e com quase nada. Tenho um amigo que fala e eu aprovo, não existe o BBB, bom bonito e barato, o que é bom e bonito existe grande chance de ser caro, às vezes muito caro. É muito ruim ouvir que o arquiteto é para gente com dinheiro, devemos procurar clientes com maior poder aquisitivo? Devemos trabalhar o projeto com materiais sustentáveis e alternativos para reduzir o custo da obra? Como fazer o cliente entender o valor do profissional arquiteto? E o papel social do arquiteto? Na cidade? Será uma utopia? Acho que não.”
Que tal? Acrescenta, sem dúvida, mas eu fiquei com vontade que ele falasse mais, o que vocês acham? Otto, volta aqui!!!


Otto, Volte sim!!!
Olha, eu não sou rica…Mas já contratei arquiteto, que me vendeu suas ideias, algumas muito boas…Outras, depois se mostraram não tão boas. Ok, ninguém é perfeito. Mas, além do valor do serviço dele, que ele estabeleceu e eu nao barganhei. Eu sei que ele ganhou ainda das lojas que me indicou, e onde fiz compra, ganhou da loja de material de construção…E fiquei me questionando, se ele ganhava comissão dessas lojas , ele estava sendo mais fiel à mim ou às lojas??? Não teria me “empurrado” algo mais caro, pra aumentar sua comissão???? E aí? Como fica a questão das comissões???
É, Mani, eu vou chamar o Otto pra te responder essa…
Acho que isso vai virar um paredão daqui a pouco…rsrssr. Bem Mani, cada profissonal trabalha de uma forma, eu posso falar da minha experiência, sempre busco o ideal para o cliente, independente da forma de remuneração, esse mercado existe sim e não vamos ser hipócritas, já trabalhei assim, agora estou revendo os conceitos, primeiro precisamos separar o que é arquitetura de decoração certo? A arquitetura e bastante palpável, a decoração não. Considero mais justo, sempre ser sincero e fidelizar cliente, uma forma interessante é cobrar uma taxa de administração sobre a decoração ou tudo que está envolvido no pós obra, e reembolsar o cliente com as comisões recebidas pelas lojas. Pois elas na maioria dos casos são fixas e não viram desconto para o cliente, mesmo não tendo arquiteto envolvido do processo. abs.
êêêê! Adorei vc ter vindo aqui! E não tem paredão, não, relaxa, só bate-papo informal e gostoso. Achei muito interessante essa sua forma de trabalhar. Daqui a pouco a Mani volta e pergunta mais alguma coisa. Não só a Mani. Mais alguém? bjs
Muito bom esse “paredão-bate-papo” !
Bom poder ler essas palavras sabias e inteligentes, não estão em todos os blogs e lugares!
Abraços!
Até!
Até!
Olá,
Acabei de me formar e sinto na pele a dificuldade em estipular valores. Como sou muito responsável e sem nenhuma experiência concreta na área fico muito preocupada se serei ou não capaz de realizar a obra, para que ela fique adequada ao valor que pedi. Já perdi algumas oportunidades por medo de não responder as expectativas, sabendo que saimos da faculdade totalmente “verdes” no assunto. Espero que essa fase passe logo!!!
Beijos
É isso mesmo, Lucy, tem muita coisa (quase tudo) que a gente vai aprendendo na prática, errando e acertando, ajustando, observando os colegas, se informando. O caminho é longo e a gente não pode descuidar de se atualiar, de continuar estudando sempre. Te desejo toda a sorte e sucesso nessa empreitada. E parabéns pela sua formatura!