Sinceramente?
Não sei bem o que dizer. Tou meio desanimada, eu acho.
As atividades na faculdade se encerraram no dia 17, eu estava um caco. Essa coisa de fechar notas, decidir reprovações, enfrentar as minhas reflexões recorrentes sobre o que é dar aula numa faculdade privada e sobre o nível geral dos alunos, do ensino, blablabla, tudo isso foi mais extenuante esse ano pra mim do que em outros, ainda estou pra descobrir exatamente por quê. Achei que ia aparecer aqui mais cedo. Só que eu estava um caco (já disse isso? Ah, tá, desculpe), precisava dormir, assim talvez umas 48 horas seguidas, numa bolha de ar condicionado se possível, e nem isso dava pra fazer. Fui rapidamente abduzida pelas intermináveis festividades de fim de ano, confraternizações, festa de formatura e colação de grau do filho mais velho (sim, o garoto terminou o ensino médio e está prestando vestibular), e as indefectíveis compras de natal. Preparar a ceia, armar a árvore, filhos de férias em casa, shoppings lotados, trânsito insuportável, calor pior ainda, chuvas de verão, tá todo mundo meio irritado e esquisito mesmo ou sou eu que estou ficando velha e rabugenta?
Depois disso, ou pra ornar com o cenário, eu gripei. Seriamente. Três dias lindos pra ficar arriada, de cama: 24, 25 e 26 de dezembro. Sinusite, garganta inflamada, dor no corpo e fraqueza. E claro, total ausência de olfato ou paladar. Alguém aí talvez argumente que pelo menos assim eu não devo ter engordado tanto com as comilanças da ceia. Engraçadinho. Mas a verdade é que a gente perde totalmente o prazer de comer quando não consegue distinguir nem se o que está colocando na boca é doce ou salgado. E essa parte ainda não passou de todo. Talvez seja mesmo um momento apropriado pra recomeçar a dieta.
De toda forma, tudo isso está ligado a um momento pessoal. Claro, sempre está. Não vou fazer meu blog de querido diário nem de consultório sentimental. Nada contra quem faz, por favor. Mas não foi esse o meu propósito aqui e continua não sendo. Só tive vontade de falar umas coisas em voz alta. Fim de ano, né? Os mesmos programas idiotas na tv, as mesmas reportagens sobre que maquiagem usar no ano novo, como manter suas promessas de ano novo, as simpatias, os caroços de romã, as ondinhas pra pular, os preparativos para os fogos de Copacabana, as mesmas retrospectivas com o mesmo locutor, e eu vou confessar a vocês: não tou achando graça em nada disso.
O que não me impede de desejar a todos vocês que o novo ciclo seja bom. Eu ia dizer seja ótimo. Mas se for bom, eu já fico feliz da vida. Eu tou meio sem criatividade para esses votos-clichê. Paz, prosperidade, amor, saúde, alegrias, sucesso, etc, etc, etc. Não estou sentindo exatamente firmeza nem sinceridade nessas palavras saindo da minha boca. Não no momento. Consigo desejar, de coração, serenidade e força, serve? Alguma leveza, clareza de pensamento, abrigo na tempestade, coragem, bons amigos e bons momentos pra respirar no meio das dificuldades, pequenas mas sólidas conquistas, surpresas e oportunidades legais ao longo da jornada, um pouco de sorte, motivos pra sorrir muitas vezes, consciência tranquila no travesseiro, soluções à medida que elas forem necessárias. E, ao final do ano que vem, poder olhar pra trás e descobrir que os caminhos trilhados foram menos árduos do que parecem agora. É o que eu desejo pra mim mesma. É o que eu desejo a vocês.
Vi essa tirinha da Mafalda, que eu amo de paixão, por acaso, neste blog. Achei tão adequada, tão legal, tão perfeita, que repito aqui, e deixo de presente pra todo mundo. Beijos e até semana que vem!
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Eita Ana Paula. Está toda desanimada mas escreveu bonito! Se tudo o que você desejou acontecer para você e para mim, estarei feliz.
Sobre dar aula em faculdade privada e o nível geral dos alunos, somando ao fato de ter que reprovar alguns é um fato que não só incomoda você. Eu e outros professores discutimos o mesmo e quando deitamos a cabeça no travesseiro, só o que vem à mente é o profissional que estamos colocando no mercado. Mas o assunto, mesmo constrangedor e polêmico, vale uma discussão. Não acha?
De qualquer maneira, um ano novo de paz e saúde. É clichê, mas é o que peço todos os dias antes de dormir e continuarei pedindo para o ano que vem.
Grande abraço!
Ah, Marcele, é um assunto que precisa ser discutido mesmo. Eu supertopo participar de qualquer conversa dessas, ainda mais com profissionais do seu nível, que eu sei que são exigentes e competentes. Tenho certeza de que é uma questão que afeta muitos outros bons professores. Um ano novo de paz e saúde pra você também, de todo o coração. Beijos!
Que saudades de te ver aqui de novo! “Seja o que vier, venha o que vier”, quando vem de você, é sempre de qualidade e a gente está sempre querendo ouvir!
Feliz ano novo para você, amiga!
Obrigada, de coração. Por tudo, e você sabe que esse tudo é muita coisa mesmo. Feliz ano novo pra todos nós.
Ô, Ana, que votos fantásticos, muito obrigada. E a Mafalda genial, as usual!
Mafalda rules, Hele! E os votos saíram com a maior honestidade e verdade possível. Faltou só eu dizer que eu desejo ganhar a Libertadores, né?
Bjs pra vc!
Amore, é nós no espumante no dia 31.
Tb adoro a Mafalda…e amei teus votos.
Eu peguei emprestado as palavras do Frejat pra desejar isso aqui pra vc, ó:
“Eu te desejo não parar tão cedo pois toda idade tem prazer e medo
e com os que erram feio e bastante que você consiga ser tolerante
Quando você ficar triste que seja por um dia e não o ano inteiro
e que você descubra que rir é bom mas que rir de tudo é desespero
Desejo que você tenha a quem amar
e quando estiver bem cansado ainda exista amor pra recomeçar, pra recomeçar
Eu te desejo muitos amigos
mas que em um você possa confiar
e que tenha até inimigos pra você não deixar de duvidar
Quando você ficar triste que seja por um dia e não o ano inteiro
e que você descubra que rir é bom mas que rir de tudo é desespero
Desejo que você tenha a quem amar…
Desejo que você ganhe dinheiro
pois é preciso viver também
e que você diga a ele pelo menos uma vez quem é mesmo o dono de quem
Desejo que você tenha a quem amar…” (Barão Vermelho)
Olha aqui, ô sua… vc tirou esses últimos dias pra me fazer chorar e isso não vale. Eu amo, amo, amo essa música, essas palavras. “Quando estiver bem cansado, ainda exista amor pra recomeçar” é a chave de tudo. É o que também te desejo, sempre, sempre.
Ana,
a questão é a educação, é um desafio tremendo, pois com educação dá a partida para resolver problemas de saúde, saneamento básico, moradia, transporte, segurança, violência e todos os outros problemas que, com pessoas esclarecidas é possível resolver.
fechar notas, decidir reprovações, nossa ana, nem me fale, e vc está falando do ensino superior. daí que tem que se pensar do ensino básico mesmo, desde o infantil. Mas como? A educação é um círculo virtuoso. Num país pobre e deseducado como o nosso, deve começar na escola e deve ter o apoio da família. Eis a grande dificuldade. Como cobrar apoio da família? se a grande maioria das famílias não teve educação? é aí que o círculo virtuoso se torna vicioso e nunca se fecha. é um assunto sempre muito caro. e que deveria ser de discussão nacional né?
enfim, um forte abraço pra ti e força sempre.
Sim, madoka, discussão nacional e séria. E ênfase no Ensino Fundamental, com valorização dos professores, da formação de professores, apoio às famílias, num trabalho lento e contínuo, porque o resultado leva mais tempo pra aparecer do que dois mandatos seguidos. Não, não estou defendendo terceiro mandato pra ninguém, apenas defendendo que políticas públicas sejam coisas sérias e negociadas suprapartidariamente. O problema é que um povo educado desmontaria rapiadamente a estrutura política corrupta e viciada que nós temos, e não há interesse dos nossos governantes em perder essa mamata. Às vezes eu perco a fé de que seja possível mudar isso, mas eu continuo nadando, viu?
Força pra você também, e abraço paertado!
[...] Ele desenhou belamente seus desejos, ela fez o melhores votos. Nossos leitores são mesmo um luxo [...]
Talvez estejamos todos ficando velhos e rabugentos. Pra percebermos e virarmos o ano mais novos e felizinhos, numa versão Pollyana de nós mesmos.
Que lindo Vivi! E eu acabei de vir lá do decoeuração, grande coincidência! Um ano feliz pra você também!
bjs
Tb continuo nadando (sorry, mas eu leio os comentários e as respostas.)
Feliz Ano.
Eu li este texto no blog do nassif e lembrei-me de vc. Apesar dele elogiar o ensino particular (o que sabemos não ser tão merecedor assim), mas tem uma proposta boa de discussão.
http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2009/12/31/as-duvidas-sobre-a-progressao-continuada/
Sorry por quê? E não é pra ler, oras?
Feliz tudo pra você, querido, hoje e sempre.
Achei interessante o ponto de vista do autori do artigo, e mais interessante ainda a discussão que gerou nos comentários.
bjs
Desejo que a gente se reinvente em 2010!!!
Mani, mani, mani! E eu desejo ver você mais vezes!
bjs
Olá Ana, assim como você, me ausentei e faz tempo que não deixo um comentário ( provas, entregas de projetos, trabalhos extras.. aquela confusão de todo fim de semestre).
Esse seu blog é muito VIVO, em meio a declarações e recomendações a um novo ano que se inicia.., temos um assunto a se discutir… achei engraçado o seu termo ” supertopo”, cabe a mim copiar e dizer que eu também “supertopo” participar dessa discução.. como aluno, colocando meu pensar e aprendendo com vocês profissionais.
Acho que já comentei com você, que quero ser professor, nesse meu querer, nunca tinha parado pra pensar sobre esse momento X( dar notas, reprovações, cara feia de alunos, blábláblá)… acredito eu que numa faculdade privada, isso se torna ainda mais difícil – me corrija se eu estiver errado. A faculdade privada possue outros tipos de avalição, e os alunos pensam ” estou pagaaando” rsrsrs.
Desejo a ti um lindo 2010, agradeço pelos sinceros votos… e pela Mafaldinha.
Reescrevendo “Lulu Santos, em TEMPOS MODERNOS”, finalizo:
Que possamos ver a vida melhor no futuro
Que possamos ver isso por cima de um muro de hipocrisia que insiste em nos rodear
Que possamos ver a vida mais farta e clara,repleta de toda satisfação,que se tem direito,do firmamento ao chão
Que possamos crer no amor numa boa, que isto valha pra qualquer pessoa,que realizar,a força que tem uma paixão
Que possamos ver um novo começo de era,de gente fina, elegante e sincera,com habilidade,pra dizer mais sim do que não,
Hoje o tempo voa, amor
Escorre pelas mãos
Mesmo sem se sentir
Que não há tempo que volte, amor
Que possamos viver tudo o que há pra viver
Que possamos nos permitir
Oi, Gutemberg, que bom que vc voltou! Um 2010 cheio de coisas boas pra você também. Sigamos conversando, que o tema é bom.
Que o ano novo seja bom e que nós sejamos melhores.
Beijos, menina.
Saudades.
Maloquinha! Saudades de você também. Beijos
Knock, knock?
Hahahaha! Tá lá na frente a explicação do sumiço.
Gostei de seus posts aleatorios, SOMOS RUBROS NEGROS, DETESTAMOS VASCAINOS, GOSTEI DE seu material pode visitar as questóes amazonicar atraves de nosso site inclusive sugerindo material, fico aguardando seu retorno.
te acei no SAKAMOTO
Oi, Palmério, eu gosto muito do Sakamoto mesmo. Só vou fazer a ressalva que, embora rubro-negra feliz e orgulhosa, eu não odeio os vascaínos. Gosto do lado lúdico do futebol, acho divertido o clima de rivalidade, quando vivido com civilidade. Torço, acompanho os campeonatos, vibro, discuto futebol, leio colunas esportivas, vejo os programas de comentários depois dos jogos, faço graça com os adversários, e aguento de bom humor quando fazem graça comigo. Só isso. De resto, seja bem-vindo.
O tempo passa, o tempo voa…
Metade de janeiro já foi embora, ai, ai, ai…