Férias? Sei…
Alguém aí pensou que eu estava de férias? Pois férias é o que menos existe na minha vida no momento.
Meus filhos estão de férias, a cachorra está sempre de férias (óbvio), meu marido está trabalhando em casa esses dias, a empregada está de férias. Resultado: eu estou fazendo a casa funcionar. Banheiros, roupa, comida, louça, pipoca e sanduíches pros muitos amigos que frequentam a casa, roupa de novo, hora de fazer comida outra vez, louça que não acaba.
Cinema? Quase nunca.
Praia? Ainda nem uma vez.
Leituras? Atrasadas.
Blogar? Hahahaha.
Dormir até mais tarde? Pelo menos isso.
Assuntos mais sérios fazem coçar a ponta dos meus dedos. Mas pra isso eu acho que devia começar a escrever mais cedo, e não às 10 e meia da noite, morrendo de sono. Pelo menos pra não deixar tudo tão abandonado, e retomar a pauta aos poucos, fiquei com vontade de fazer uma lista dos filmes que eu mais gostei em 2009, a maioria deles já saiu em dvd, sempre tem quem goste de uma dica ou recomendação.
Revendo minhas anotações (sim, eu anoto os filmes que eu vejo, com marcações especiais para saber o que eu vi no cinema e o que eu vi em dvd. Não vejo filme na televisão. Ou vejo tão raramente que não conta), eu constato que fui ao cinema 83 vezes em 2009. Média arredondada de 1,6 vezes por semana. E se deixasse eu ia mais, acho que é meu lazer preferido, junto com os livros. Ficaram 27 filmes por assistir, entre os que foram lançados no circuito e eu desejaria ver, mas não deu. Estão na minha fila pra ver em dvd. Por falar nisso, fora os 83 filmes vistos no cinema, eu assisti a 23 filmes em dvd ano passado (só isso? Achei que tinha sido mais. Vou rever o meu pacote na locadora).
Muitos foram filmes que resultaram ruins ou decepcionantes. Alguns eu sabia que era só pela risada do momento, nada mais que isso, mas houve alguns memoráveis. Selecionei meus 15 melhores. Critérios evidentemente pessoais. O cinema tem uma função muito terapêutica pra mim, é um canal muito eficiente para vivenciar emoções que tocam em questões minhas, ou para refletir sobre temas do meu interesse, a cidade sendo um dos mais importantes. Vamos à lista, em ordem cronológica de lançamento. Me conte se você também viu algum desses ou se há outros que você gostou mais. Ah, eu não pus os links nos títulos dos filmes, porque você pode procurar na internet com a ferramenta de busca que gostar mais e obter todas as informações possíveis sobre cada filme.
O curioso caso de Benjamin Button (The curious case of Benjamin Button): Achei a história engenhosa e gostei da maneira de contá-la.
Foi apenas um sonho (Revolutionary Road): Sam Mendes de novo com o bisturi no american way of life e principalmente no ideal do subúrbio americano. E eu tinha implicância com o Di Caprio, mas cada vez mais acho que ele é um ator de primeira.
Dúvida (Doubt): Provavelmente o melhor filme de 2009, na minha opinião. A história é ótima, e o embate de titãs entre Phillip Seymor-Hoffman e Meryl Streep é de tirar o fôlego.
O leitor (The reader): Gosto muito mais da Kate Winslet aqui do que no Foi apenas um sonho. Chorei, fiquei emocionada, e pela primeira vez tive empatia com uma personagem colaboradora do nazismo. Tá quase empatado com Dúvida na minha preferência.
Entre os muros da escola (Entre les murs): meio documentário, meio ficção, meio soco no estômago. Imperdível pra quem quer levar adiante as discussões sobre educação, relação professor x aluno, qualidade de ensino, a realidade invadindo a idealização da escola.
Palavra (en)cantada: um dos mais delicados e poéticos documentários brasileiros recentes, explorando a relação entre literatura e letra de música, com depoimentos de gente que realmente tem o que dizer.
O visitante (The visitor): passou meio batido, o protagonista é vivido por um ator fantástico e quase sempre subutilizado, que é o Richard Jenkins, e de quebra tem a participação de uma atriz palestina que eu acho lindíssima e maravilhosa, a Hiam Abbass, que está também em Paradise Now e Lemon Tree (na lista dos melhores filmes de 2008 pra mim). Filme de uma sensibilidade rara e abordando questões urbanas interessantes.
Gran Torino (Gran Torino): gostei tanto que falei dele aqui.
Caramelo (Caramel): idem. Releia, se quiser.
A partida (Okuribito): eu devia ter falado desse também, não sei por que deixei escapar. Como pode através do tema da morte um filme falar tanto de vida? Tremendamente emocionante.
Herbert de perto: eu disse que os critérios eram pessoais. A música dos Paralamas do Sucesso foi trilha sonora importante na minha juventude. Eu tenho grande admiração pelo Herbert Vianna, pela força que ele demonstrou e demonstra na superação do acidente que lhe custou a morte da esposa e a tetraplegia, e fiquei tocada com o filme.
Bons costumes (Easy virtues): outro ótimo que passou despercebido. Comprei até a trilha sonora, excelente. Jessica Biel surpreendente, Colin Firth perfeito e Kristin Scott-Thomas roubando todas as cenas. Amei.
À procura de Eric (Looking for Eric): tem filme que a gente fala que é “de mulherzinha”. Esse é o típico filme para homens, ou pelo menos focalizando um universo predominantemente masculino, abordando tudo do ponto de vista deles. Humor inglês na medida certa, o futebol ajudando a entender a vida, participação especial e simpaticíssima do jogador e mito do Manchester United Eric Cantona. Tudo isso sin perder la ternura jamás.
O solista (The soloist): acho que o que mais me encantou foi a forma honesta com que os sem-teto de Los Angeles foram retratados, bem como a organização que tenta acolhê-los. E a trilha sonora. Créditos finais ao som do 3o. Movimento da Nona Sinfonia de Beethoven é covardia.
Abraços partidos (Los abrazos rotos): Almodóvar. Pra mim isso é critério suficiente. E Penélope Cruz. É uma barbaridade o tanto que essa moça cresce sob a direção do Almodóvar. Ela não devia filmar com mais ninguém.
Obs 1: Vou deixar duas menções honrosas, que só ficaram fora da lista porque eu disse que seriam 15 (como podiam ter sido 12 ou 17, a lista é minha, né, mas enfim): Frost/Nixon (a gente sabe como termina, mas eu fiquei ali na maior torcida, eletrizada mesmo. Nada como uma história bem contada), e Valsa com Bashir (animação noir sobre a participação israelense na Guerra do Líbano. Duro, pungente, envergonhado. Mas muito bom).
Obs 2: Quem quer ser um milionário não entra na minha lista nem de longe. Achei fraquinho, fraquinho.
Obs 3: Vou parar por aqui, porque se me derem corda eu comento os 83 filmes que eu vi. Ninguém merece.
Obs 4: Dos que vão sair em 2010, eu espero com ansiedade por: Nine, It’s complicated, Cheri, The lovely bones, e o último Harry Potter (yes!), entre outros. Não sei se eles já têm títulos em português.
Obs 5: A programação normal há de voltar em algum momento, não desistam.


Eu também adorei À Procura de Eric. E não acho que seja filme de mulherzinha… muito pelo contrário, aliás. Concordo com você, é um filme que retrata bastante bem o universo masculino. E tb não achei o Milionário grandes coisas. É um filme que tem lá seu interesse, mas nada além disso.
Ah, e eu também mal posso esperar pelo (pen)último Harry Potter!!!
Eu dei a impressão de que achei que fosse filme de mulherzinha? Não, de jeito nenhum, até pelo contrário, como vc mesma disse. Adorei. Lembrei de outro que estou esperando com ansiedade: a versão Tim Burton para Alice no País das Maravilhas. O trailer, com o Johnny Depp no papel de Chapeleiro Maluco, é genial!
Eu gostei de “O visitante” também. Vimos juntinhas, ai que saudade…
Gostei mto do Benjamin Button, me emocionei de um tanto que nem sei pq. Gostei de um filme que vi aqui há pouco tempo, não sei se já saiu aí: A serious man.
A Penélope tá maravilhosa nos Abraços partidos, vc tem razão, ela deveria trabalhar somente com o Almodovar!
Já saiu aí Parnassus? Vc viu? Eu não vi mas queria ver…aqui saiu mas ficou pouco tempo no cinema. Daí não consegui ver.
Bjs
É verdade!!! Nós vimos O visitante juntas, numa de suas raras e deliciosas visitas à cidade.
Menina, esse A serious man eu nunca tinha ouvido falar. Não passou nem trailer por aqui, não li nada a respeito. E o Parnassus, eu tinha esquecido dele! Terry Gilliam é sempre interessante, e tem toda uma história sobre o último papel do Heath Ledger, e como ele morreu antes de completar o filme, optaram por colocar outros atores para partilhar o mesmo papel, em vez de refilmar o que ele já tinha feito, não é isso? Eu li e fiquei curiosíssima, mas não passou aqui ainda não. Vou ficar de olho.
Seguindo a sua dica, aluguei “O Visitante”. Amei!
Outro que vi esses dias, mas que não sei em que ano foi lançado, foi “O Sonho de Cassandra”, do Woody Allen. Fiquei maravilhada, faz tempo que um filme não me envolve tanto! Eu torcendo para que os personagens não cruzassem a linha sem volta, mas sabendo que não ia adiantar de nada a minha torcida e os meus berros interiores: “parem, parem enquanto é tempo!”. Ufa, uma sucessão de diálogos incríveis, várias referências, entre elas o “Crime e Castigo” e “O Sol por Testemunha”. FILMAÇO!
Esse filme é de 2007. Eu também vi e gostei muito, muito mesmo. Woody Allen tá entre os meus preferidos. Como eu sempre digo, mesmo um Woody Allen ruim (e não é o caso) é melhor que a maioria das porcarias que estreiam toda semana. O mesmo vale para o Almodóvar, na minha modesta opinião.
Vi quase todos
( Já pensei 300 vezes fazer uma lista dos filmes que vejo, mas… e olha que nem preparo sanduíches para os amigos dos filhos – lavar a louça, eventualmente, claro.
Agora, da linha perde-se o amigo, mas não perde-se a piada. “Não vejo filme na televisão.” Vc assiste aos seus dvds como? Leva pro cinema pro cara exibir pra vc? eheheheh
Não precisa explicar. Eu entendi – não sou loira. eheheheh No meu caso, por exemplo, a piada não funcionaria porque iria responder o computador. É, eu assisto os dvds no computador. Aquela lenga-lenga… enquanto não terminar a obra…
Engraçadinho!
E eu sou loira. O cabelo tá ruivo ultimamente, mas a genótipo não mente.
Vou cogitar levar o dvd pro cara do cinema exibir pra mim, gostei da idéia.
Sabe que eu não consigo ver filme no computador? Não gosto mesmo.
Isso pode nao fazer mt sentido, mas descobri que gostava do Leonardo DiCaprio quando vi a lista de filmes que ele participou e comecei: gostei desse, gostei desse, desse, desse, desse…
Vi Doubt anteontem e alem da dupla Seymor-Hoffman e Meryl La Arrebatadora Streep, a dupla que esta faz com a Amy Adams tb eh delicinha… Em Doubt e em Julie & Julia.
O Leitor esta em casa e vejo amanha!
Hahaha, faz todo sentido! Viu o Leitor? O que achou?
bjks com saudades!
Olá Ana.
desntre esses filmes… o que eu vi foi Dúvida( e não gostei)… achei que ficou faltando algo.
Tentarei assistir os outros.
Obrigado pelas dicas…
assim como os filmes, seria interessante (caso achar viável) indicar livros, e sites.
Um abraço.
Oi, Gutemberg. Assiste sim, e me conta o que achou. Vou pensar nos livros e sites, é boa idéia, sim. Alguns dos meus preferidos estão ali na barrinha ao lado, na tela principal, dá pra você ir se divertindo.
oi ana,
não viu nenhum filme brasileiro? fiquei interessada em ver Quanto dura o amor? do roberto moreira. principalmente porque foi rodado em SP.
E da sua lista, me interessou Entre os muros da escola. Vi na tv Okuribito, muito singelo, gostei muito. Desculpa aí, tem o documentário brasileiro, que vc cita, queria ver.
Te indico Once, (apenas uma vez) um filme simples, bonito e envolvente, filmado em Dublin.
Ah, também gostei muito de O Leitor, a Kate W, arrasando como sempre, ela é linda.
bjk
Eu gosto muito do cinema nacional, madoka. Em especial, acho que fazemos documentários excelentes, vários deles estão sempre na minha lista dos filmes preferidos. Entre outros, este ano, pincei o Palavra (En)cantada, mas vi muito mais. O Quanto dura o amor?, do Roberto Moreira, eu realmente não vi. Mas Once eu vi, e também achei muito bonito. Um ritmo e uma intensidade diferentes, mais intimista, estendo a recomendação pra quem mais quiser experimentar.
Madoka: Once é um filme lindo, lindo, lindo! E as músicas são de arrepiar (e muitas vezes de chorar – no bom sentido, é claro!).
É mesmo, não é?
“O cinema tem uma função muito terapêutica pra mim, é um canal muito eficiente para vivenciar emoções que tocam em questões minhas”
Por conta de frases como esta, acima, é que eu olho pra você e me vejo, tanto. Cinema é mesmo uma catarse pra pessoas como nós, que têm o costume de olhar bem no fundo de cada emoção sentida, fazendo a questão absoluta de nunca (ou nunca mais) colocar nenhuma delas pra debaixo do tapete, não sem pelo menos ser conscinetemente, não é? Cinema é terapêutico também porque desliga um pouco o mundo lá fora. Nunca esqueço aquela cena de “Lisbela e o Prisioneiro” em que a Lisbela comenta como o mundo lá fora vai apagando junto com as luzes antes de começar o filme. E cinema que tem corredorzinho escuro antes de chegar na sala? Mais ainda, o mundo começa a desligar já no corredorzinho. Eu sempre sinto isso, sempre.
É verdade, esses espaços de transição são mesmo importantes. E sim, eu não gosto mesmo de colocar minhas emoções pra baixo do tapete. Prefiro olhar bem fundo nos olhos de cada uma, e aceitar que elas fazem parte de mim. Tou com saudades de você. Vamos ao cinema de novo?
ai, ana, que delícia falar de cinema com você! dos que vi dessa sua lista, gostei da maioria. nao gostei nem um pouco do REVOLUTIONARY ROAD (já te falei disso alhures), amei GRAN TORINO, enfim, na maioria dos citados concordo com voce.
entre os nao citados, gostei bastante de OS FALSÁRIOS, O CASAMENTO DE RACHEL, UM HOMEM BOM, BOLT (animação, uma espécie de show de truman de cachorro).
nao anoto os filmes que vejo, conto com as lembranças. como resolução de ano novo, prometo anotar os próximos.
beijos
Vera, delícia é falar com você, qualquer que seja o assunto! Também gostei muito d’Os Falsários. E Um homem bom é mesmo excelente, devo ter pulado na hora de rever a lista, caso contrário teria entrado, certamente. Não vi Bolt, é legal mesmo? Vou olhar. Bjks