Eu devia colocar no singular, porque é uma novidade só, mas assim no plural o título fica mais bonito e chamativo
Desculpem ter sumido por tantos dias, é que estas últimas duas semanas foram intensas. Primeiro, as chuvas do Rio, suspendendo a vida real por três dias seguidos, o que levou a atrasos no planejamento de aulas (e até no doméstico) e a uma desorganização geral da rotina. Aproveitei para escrever umas coisas que estavam atrasadas e que eu tinha prazo pra entregar. Aí, nesta semana que se encerrou havia entrega de trabalhos em quase todas as minhas turmas, o que quer dizer pilhas de coisas para corrigir, além de uma ansiedade extra, ligada à novidade a que eu me referi aí no título.
É que abriu um concurso para professor substituto na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, e eu me inscrevi. Muitos candidatos bons (eu dei uma olhada na lista e conhecia vários pelo nome, colegas com quem eu já trabalhei ou estudei) e um processo sumário: a banca faz uma análise do currículo e chama os que ela considera os melhores para a entrevista. Eu já participei de um concurso desses, dois anos atrás, e fiquei em segundo lugar, mas era uma vaga única e eu fiquei de fora. A inscrição foi na segunda, a entrevista foi na quinta e o resultado saiu na própria quinta de noite. Fui chamada para a entrevista (eu e mais 13 candidatos), que se revelou, na verdade, uma verdadeira arguição oral, clima de avaliação mesmo. Se eu soubesse que seria assim, talvez tivesse estudado, mas juro que não me preparei nesse sentido. Mesmo assim, devo ter me saído bem, porque, desta vez, eu passei!
Estou feliz da vida e começo nesta segunda-feira (amanhã), provavelmente assumindo turmas de História da Cidade e do Urbanismo. A gente nem sempre se dá muito conta de como esses processos de seleção são emocionalmente cansativos. Depois que a Chefe de Departamento me telefonou, quinta de noite, para dar o meu resultado e me convocar para a reunião de amanhã, eu estava numa descarga de adrenalina tão grande que dormi agitada. Aí, na sexta, quando eu achei que finalmente teria tempo de vir aqui, acabei dormindo a tarde quase toda…
Enfim, bola pra frente. As disciplinas que eu lecionarei abarcarão, entre outros períodos, o século XIX, que é alvo do que eu pretendo estudar num possível (e, tomara que em breve) doutorado. Daí que eu tenho lido e estudado um pouco sobre o assunto. Esses dias, revendo livros e textos sobre os tratados e utopias que propõem cidades ideais, que proliferaram a partir do século XV, e se estendem, com características e premissas um pouco diferentes, até o século XIX, me deparei com o projeto d’A Cidade Industrial, do Tony Garnier (que na verdade é do início do século XX, tendo sido apresentado pela primeira vez em 1904). Dá uma espiada no que ele diz, que eu comento em seguida:
“Fatores determinantes para o estabelecimento de tal cidade deveriam ser a proximidade de matérias-primas ou a existência de uma força natural capaz de ser usada como energia, ou a conveniência dos métodos de transporte. Em nosso caso, o fator determinante para a localização da cidade é o afluente que é a fonte de energia; também existem minas na região, mas poderiam estar situadas mais adiante. O afluente está represado; uma usina hidrelétrica distribui energia, luz e calor par as fábricas e para a cidade toda. As fábricas principais estão situadas na planície, na confluência do rio com seu afluente. Uma linha-tronco de ferrovia passa entre as fábricas e a cidade, situada acima das fábricas, num planalto. Mais acima, ficam os hospitais; estes, a exemplo da cidade, estão protegidos dos ventos frios e têm seus terraços voltados para o sul (NOTA: ele está falando no hemisfério norte, em que esta é a fachada mais ensolarada, ao contrário do hemisfério sul, em que a fachada que toma sol é a norte). Cada um desses elementos principais (fábricas, cidade, hospitais) fica isolado, de modo a tornar possível sua expansão.
(…) Os estudos sobre o programa mais satisfatório para as necessidades morais e materiais dos indivíduos resultou no estabelecimento de regras a respeito do uso das estradas, da higiene, etc.; o pressuposto é o de que um certo progresso da ordem social que resultou na adoção automática dessas regras já foi alcançado, de modo que não será necessário decretar as leis efetivas. A distribuição da terra, todas as coisas ligadas à distribuição da água, pão, carne, leite e suprimentos médicos, bem como a reutilização do lixo, serão entregues ao poder público.”
(Tony Garnier: Prefácio a Une Cité Industrielle,
retirado de FRAMPTON, Kenneth. História Crítica da Arquitetura Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1997)
Observe que essa proposta se alinha com o pensamento dito progressista (dito, por exemplo, por Françoise Choay, em seu livro O Urbanismo), de final do século XIX-início do XX, que acreditava MESMO que a indústria, a máquina, traria as soluções para uma cidade melhor. Melhor aqui quer dizer mais limpa, organizada, racional, higiênica, ordenada, próspera, veloz. A produção em massa baratearia custos e todos teriam acesso a todos os bens necessários – e isso inclui carros, para proporcionar a mobilidade requerida nesta cidade de avenidas largas e funções separadas em áreas distintas da cidade. Eu não tenho dúvidas (isso está escrito em mais de um livro, hohoho) de que Le Corbusier leu e foi influenciado por Tony Garnier. Se você reparar bem, a semente da cidade modernista, funcionalista, já está toda aí.
O que eu proponho a gente pensar é: quais desses paradigmas ainda estão vigentes, hoje, mais de um século depois? Esse modelo ainda nos serve? O que deu certo? O que deu errado? Quais seriam os “fatores determinantes” para uma cidade do século XXI? Que modelos ou propostas temos hoje para nossas cidades, diante das condições e perspectivas que estão colocadas diante de nós?
Vão pensando e escrevendo, que eu já volto.




Ana, parabéns para os alunos que ganharam uma ótima professora.
Vou ali pensar sobre a cidade e depois volto pra ouvir as suas conclusões ;o)
Hahaha, isso, volte mesmo que eu vou dar nota!
Que notícia maravilhosa! Parabens! E que sorte dos seus alunos…
Beijos.
Tomara que eles também achem isso! Bjs
Parabéns, Ana, essa vaga é legal porque soma pontos no currículo, dá tarimba para o magistério em federais, seu trabalho ganha visibilidade entre os pares, o que pode ser muito bom para quando vc fizer concurso para adjunto ou assistente efetiva, espero que em breve
um abraço,
clara
Exatamente, clara. Obrigada pela torcida.
Ana,
caí de amores pelo seu blog desde que o descobri, há alguns meses. Não vejo a hora de ter uma folga razoável (estou doidinha finalizando um livro que entra em gráfica esta semana!!), de modo que eu consiga ler seus textos mais antigos. Tenho aprendido muito com você e fico muito feliz pela novidade. Que sorte terão seus alunos!
beijão!
goimar
Oi, Goimar, que prazer receber você. Parabéns pelo livro, estive lá no seu blog e também gostei muito. Venha sempre, seja bem-vinda! Bjs
Paula,
Olha, mesmo já sabendo da notícia de antemão, nem deu para ler o resto do seu post. Fiquei só na parte da melhor novidade que poderia acontecer na sua vida profissional (e por que não dizer na pessoal também?) nesse momento. Sei o quanto você lutou e aguardou por isso. As pedras no caminho foram muitas, mas você nunca desistiu do seu sonho. Isso é maravilhoso. PARABÉNS!!!!!
(por enquanto é só, depois eu leio o resto com mais calma para aprender e pensar no que você sempre expõe de maneira tão clara, interessante e didática).
Beijos!
Sua torcida e sua amizade significam muito pra mim, e você sabe disso. Bjs
Parabéns
Valeu!
Estou até arrepiada Ana. Parabéns pela conquista. Li a Cláudia falando aí em cima da sua luta e de que vc nunca desistiu do seu sonho. Que lindo isso de ler, dá um ânimo na gente, porque é isso mesmo, correr atrás do seu sonho sempre né? E vc fica com duas faculdades pra dar aulas?
Um forte abraço
madoka
Madoka, por enquanto, eu só saí de uma das matérias que eu dava na outra faculdade, por sobreposição de horário, mas mantive o resto. Até porque estamos no meio do semestre e seria um transtorno muito grande para todos, especialmente para os alunos. Mas sei de antemão que não vou aguentar uma carga horária tão grande a longo prazo, então, para o semestre que vem, a ideia é reavaliar e reduzir a carga na Veiga, já que o contrato na UFRJ me obriga a 12 horas/aula semanais, mas em princípio não gostaria de me desvincular, não. Abraço grande.
Oba!!!
Parabéns e boa sorte!!!
Beijosssss,
Muita saudade.
Mel
Saudade de vc também, linda! Tudo bom?
Que notícia boa, querida! Estou super feliz, parabéns, de verdade!
Beijo grande, do
Alvaro
Obrigada! Beijos pra vcs também.
NáPaula,
que notícia boa!
Parabéns e sucesso pra você.
Beijos.
Obrigada, Maloquinha! Vontade de te dar um abraço daqueles, sabe?
Ana, parabéns pelo blog e pelo aniversário. Minha colega Sílvia também comemorou recentemente um ano do arquiteturadoimovel.blogspot.com. Estou iniciando um blog de urbanismo e que tais em Porto Alegre (urbanascidadespoa.blogspot.com), e estou indicando teu blog pela profundidade e diversidade dos conteúdos.
Continue ativa,
Arquiteto Paulo Bettanin
Oi, Paulo, que iniciativa legal a sua, muito bom mesmo, conte com minha leitura. Abração.
cdfcdfcdfcdfcdf…adoro gente que diz que passou e nem estudou!!! ahahaha. ATORON!
Ta, tou implicando mesmo, mas tu sabe o qto eu fiquei feliz com essa noticia, nao sabe? Parece que fui eu quem passei…
Um beijo enorme.
Hahahaha, olha quem fala. Mas tu é besta mesmo. bjs
NaPaula, tudo bem? Que saudades! Fiquei com um modem emprestado este feriado e pude navegar pelos blogs amigos com mais tempo. E que notícia ótima que eu encontrei aqui! Parabéns, querida! Você merece! Os alunos da UFRJ é que têm sorte de terem você como provável professora!
Um beijo grande,
Fer
Oooooi, Fer! Quanto tempo, menina! Obrigada por sua torcida e alegria. E você, como está? Vou lá no teu blog te dizer oi. Bjs
Que delíííciaaaa! Parabéns!!!!
Vou abrir um vinho hj a noite em sua homenagem neguinha! Vc sabe que eu não bebo, de jeito nenhum, mas voce vale qualquer sacrifício!
Tô orgulhosa da minha menina!
beijos!!
Sei. Essa foi a piada do mês, né? Mas enfim, se vc vai fazer o esforço de abrir uma garrafa de vinho em minha homenagem, eu acompanho o sacrifício aqui também, e a gente faz um brinde virtual. Tudo por uma boa causa, hahahaha.
Oieee amiga muito queridaaaaaaa
Acabei de ler essa maravilhosa novidade e estou pulando de alegria! Vou correndo contar para Juan, que tb se juntara a mae, no melhor estilo pipoca rsrsrsrsrs.
Parabens, estou muito orgulhosa da da sua conquista… mas parabens principalmente a UFRJ por agora ter vc. Lembra que assisti uma aula sua na Santa Ursula? Nooossssaaaa vc arrasa! Que sorte dos seus alunos em ter vc na vida deles.
Milhoes de felizes beijos.
Eu ia te ligar uma hora dessas pra contar! Obrigada, querida, uma hora dessas precisamos bater papo pra eu te contar tudo. Bjs
ueeeebaaa! parabéns pra quem te viu, oras! e que voce seja muito feliz fazendo o que te anima tanto!
beijos
Hahaha, é verdade, veroca, tantos anos e eu continuo animada em sala de aula.
Coisa boa entrar aqui depois de tnato tempo e dar de cara com uma notícia maravilhosa.
NáPAula,mó orgulho de vc ,parabéns.
Coisa boa é receber sua visita aqui, Moniquinha! Vou arrumar mais notícias boas pra vcs aparecerem mais vezes!
Ô Ana! Por que vc abriu aquela merda daquele twitter se voce nao vai lá nunca ô cacêta?
Humpf!
bejo
Mas é a fina flor da delicadeza! Vocês todos vejam bem que eu só tenho amiga bem-educada. Já que cê perguntou com tanto jeitinho, eu vou te contar. Eu abri “aquela merda” logo assim que começou, na onda do Inagaki, toda animadinha, me achando a moderna. Mas eu não tenho paciência nem tempo praquele trem não. Eu já sou dispersa administrando blog e e-mail, se eu ainda tiver que atualizar twitter eu faço mais nada na vida. Enjoei, não lembro nem senha. Mas vira e mexe eu fico sabendo das tuitadas alheias, hohoho.
Napaula. Parabéns por mais essa conquista. Sorte dos aulos que terão você como professora, mas se tiverem sorte mesmo, farão, na sua companhia, uma visita pela Cidade Maravilhosa.
Hahahaha, ai Tati, lá na UFRJ as matérias que eu peguei não encaixam com nenhuma visita dessas. Eu ia amar, pensa só.
Estou a estudar Tony garnier, a sua obra principal (cidade industrial) foi feita durante os seus estudos por volta de 1899, ele em 1904 regressa a sua cidade natal Lyon, e o seu trabalho sobre “a cidade industrial” só vem a ser publicada em 1917.
Caro Ricardo, muito obrigada por sua correção valiosa. Grande prazer tê-lo por aqui, volte sempre.
Olá, bom, desde que li o comentário, desconfiei que era você, mas agora, depois desse post, tive certeza, já que fez um pequeno comentário na sala de aula a esse respeito. Fico muito feliz com sua vitória e mais uma vez confirmo a minha admiração por você e principalmente a minha satisfação por ser sua aluna. Só fiquei triste na parte que diz que vai reduzir a carga horária da Veiga… snif, snif… Porém se for para o seu crescimento profissional, está mais que justificado. Depois de tudo o que li aqui, sobre sua luta, por todos os obstáculos do caminho, e principalmente por você não desistir de seus sonhos, posso afirmar com maior convicção que seus ensinamentos estarão sempre comigo e que você será sempre o meu espelho para que eu possa trilhar minha vida profissional. Um grande beijo da sua aluna que tem o maior orgulho de te-la como professora Tania Beatriz
Taninha, alunas como você (cujos esforços e obstáculos eu também sei que são enormes) é que fazem a gente ter vontade de ir além e fazem tanta coisa valer a pena. Beijo enorme.