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Nem tão recentemente

Sobre dar aulas e sobre dar aulas de História

Ontem, enquanto eu voltava pra casa depois de mais uma aula de História da Cidade na FAU, eu vim pensando um monte de coisas, e me deu vontade de falar sobre elas.

O tema da aula (conforme o programa) era Cidades Islâmicas, e eu comecei questionando a terminologia e dizendo que eu preferia chamar de Cidades Muçulmanas. Claro que os alunos já levantaram a sobrancelha pra perguntar que diferença existe. Aí um levantou o dedo pra saber por que não Cidades Árabes, e eu adorei a deixa.

Não, não vou explicar a diferença agora, porque eu quero falar de outro assunto (depois eu volto nesse, se houver interesse). Mas acabou que eu achei importante falar de algumas questões básicas antes de entrar no assunto urbano propriamente, e no fim das contas vou ter que apresentar o resto da aula em outra semana ou preparar decentemente os slides que eu fiquei devendo, com as imagens que ilustram o que eu falei. Fiquei agradavelmente surpresa com o interesse dos alunos por um tema que a gente tem tão pouca oportunidade de discutir e sobre o qual, de maneira geral, temos uma visão tão parcial, tão limitada. É triste perceber que, quando se fala a palavra “muçulmano”, o estereótipo imediato são as imagens de mulheres de burca e homens-bomba, como se fosse tudo um grande bloco monolítico, cujo foco reside ali naquele miolo do Oriente Médio que o pessoal não sabe nem localizar no mapa. E aí é uma surpresa descobrir que há uma imensa variedade de visões e interpretações doutrinárias dentro da vivência islâmica, que há muçulmanos vivendo em todos os continentes do planeta, e em cada lugar a própria prática da religião assume aspectos diferentes, sem falar nas tradições e costumes sociais, e que há mulheres que gostam de usar o véu e não deixariam de usá-lo nem que deixasse de ser obrigatório. E que isso não impede que elas trabalhem, estudem, usem maquiagem, pintem as unhas de vermelho e comprem lingerie sexy. Não estou dizendo que são todas assim, mas estou dizendo que existem possibilidades distintas dentro do mundo islâmico, uma riqueza e uma multiplicidade de experiências que nós normalmente ignoramos. E perguntar-se POR QUE nós ignoramos é fundamental. A velha história do Outro e do temor que o Outro representa.

Mas aí eu vim pensando essas coisas, e me lembrei que esta mesma semana uma outra aluna veio me procurar no fim da aula pra dizer que queria trocar de turma e vir assistir aula comigo, porque ela tem dificuldades de se concentrar e dispersa muito fácil, daí sempre teve problemas com aulas teóricas e expositivas, porque quando ela se dá conta, o pensamento já tá muito longe e ela não tem idéia do que o professor estava falando, por mais que se esforce por prestar atenção. E que, tendo assistido uma aula minha ela conseguiu acompanhar e entender tudo, porque minha aula era mais “animada”.

Não vou entrar no mérito da saia justa em que isso me coloca, porque o período de alterações de inscrição em disciplina já acabou e o Departamento recomendou expressamente que os alunos permancessem nas turmas em que estão inscritos, nem vou também falar que isso evidentemente alimenta minha vaidade, porque eu luto com ela diaria e sinceramente, e sei que se der sopa ela aparece toda rebolativa e o risco de estragar tudo fica gigante. O que acontece é que isso me botou pra pensar em coisas sobre o ofício de dar aulas, sobre meu jeito particular de dar aulas e refletir sobre os prós e contras de tudo.

Eu saí dali rindo um pouco por dentro, e achando que no fundo o que a aluna quis dizer é que minha aula é performática. E é verdade, tem um pouco de teatro em tudo. Não que eu não seja uma pessoa expansiva e otimista na minha vida em geral, ou que uma aula seja uma farsa, mas há uma certa representação ali, um timing, um ritmo que a gente vai regulando. Tem a hora da piadinha, tem a hora de afrouxar a linguagem, a hora de usar os termos todos corretos e formais. Eu falo alto, eu gesticulo, eu ando pela sala, eu gosto de saber o nome dos alunos para interpelá-los nominalmente, eu fico enfática de vez em quando (e provavelmente vermelha). Os alunos sabem que eu sou flamenguista (e eu sempre brinco quando chega um com camisa de outro time, dizendo que vai perder ponto na prova), sabem que eu tenho dois filhos adolescentes, que eu gosto de cinema e literatura. E eu não sei explicar como, dando aula há vários anos, sempre brincando e tendo um jeito muito afetivo em relação às minhas turmas, eu nunca tive casos de insubordinação em sala, nem nunca alunos que cruzaram o limite da intimidade. A maioria inclusive me chama de “senhora”, mesmo pra fazer alguma brincadeira. Quando eu era bem mais jovem eu achava ruim, tinha vontade de dizer “que isso, pode me tratar por você”, depois passei um tempo encucada achando que eu devia estar ficando mesmo velha, e hoje acho tranquilíssimo. Não me sinto velha por ser chamada de senhora e vejo nisso, pelo contrário, um sinal de respeito e reconhecimento de autoridade quase carinhoso, até. Não ligo e até gosto, embora jamais fosse exigir esse tratamento caso o aluno me trate por você. O respeito não está exclusivamente nas palavras, mas num conjunto muito mais amplo de atitudes e postura.

Claro que já enfrentei discordâncias, algumas mal-humoradas, outras tremendamente respeitosas e pertinentes, com as quais aprendi muito, já revi avaliações, já mantive avaliações apesar do chororô, me dói reprovar aluno, mas eu reprovo se precisar, graças a Deus não sou unanimidade e sei que tem aluno que não gosta de mim ou do meu jeito, mas de maneira geral consigo estabelecer relações muito amistosas com a maioria, que duram às vezes muito além da sala de aula, e gosto disso. Mas quando a menina falou que minha aula é animada, eu me dei conta, talvez pela primeira vez, que é verdade, eu fico mesmo cansada e suada depois de cada aula, como se eu tivesse dispendido ali enorme energia. Não sei se terei esse pique sempre, talvez seja bom se eu aos poucos ficar mais sábia e madura e aprender a dar boas aulas sem me desgastar tanto. O que eu sei é que hoje eu sou assim.

Hoje eu tenho urgência. Eu preciso me apaixonar por um assunto pra poder dar aulas sobre ele. Na minha cabeça, o professor tem um papel que é também de sedução, de cativar o aluno, de trazê-lo para esse universo novo e fazê-lo se interessar por ele. Eu já descobri que o meu prazer maior não é ensinar, é ver o aluno aprender. Testemunhar esse momento em que brilha um olho, ou ouvir um único aluno dentro da turma vir dizer que agora conseguiu entender alguma coisa, ou passou a gostar de uma matéria que ele antes achava um saco, compensa todas as noites em claro preparando aula, todo o cansaço. Adoro quando os alunos tiram notas boas (mas não faço prova mole), e mais ainda quando alguém que começa o semestre mal chega no final com melhora significativa. Sinal de alguma coisa ali fez sentido. Talvez por isso eu goste tanto de dar aulas na graduação, e especialmente nos primeiros períodos. É uma diversão desconstruir alguns mitos e manias que vêm do ensino médio, enfiar minhocas na cabeça da garotada, botar o povo pra pensar e questionar coisas que sempre pareceram tão “naturais”. E aula de História é uma beleza pra isso.

Só que eu também fiquei me perguntando coisas. Deixa eu ver se sei explicar. Eu amo História. Mas há muito tempo eu deixei de ver a História como uma linha universal em que se sucedem períodos (numa pressuposição de escala evolutiva), delimitados por datas específicas, como se o mundo todo estivesse vivendo os mesmos processos ao mesmo tempo e depois passassem todos para a etapa seguinte, e nos bastasse seguir o fio dessa meada. Que é mais ou menos como a gente aprende na escola: os gregos, os romanos, a idade média, o renascimento, a idade moderna, etc. E não é nada disso.

Pra começar, a gente ainda estuda uma história tremendamente eurocêntrica. Tá bom que nós (e aqui eu estou falando de nós, brasileiros) descendemos em grande parte desse ramo aí que vem desde os gregos ou antes. Não estou falando de descendência genética, mas de filiação filosófica, ideológica, política. Mas eu acho que a gente precisa pelo menos de vez em quando alertar os alunos para o fato de que há um mundo vasto e diverso além daquele umbigo. Existem outros povos, com outras formas de viver, de fazer cidades, de pensar. Que o Império Romano não abarcava o mundo inteiro, que tem a Índia, a China e o Japão vivendo outras coisas, sem falar nos povos e civilizações que estavam ali do lado, nas fronteiras do império. Que enquanto a maior parte da Europa vivia a retração urbana da Alta Idade Média, Bagdá tinha mais de um milhão de habitantes e era a maior e mais rica metrópole do mundo, onde florescia não só o comércio intenso, mas a matemática, a literatura, a filosofia. Sem falar na África e nas Américas, que só entram nos nossos livros de História quando os europeus chegam lá, como “descobridores” (parece que esses lugares não existiam antes), como colonizadores, como capturadores de escravos, dizimadores de índios, portadores da civilização. E ainda tem a Oceania que a gente nunca nem estuda pra nada.

Por tudo isso, eu tenho muita dificuldade com essas divisões didáticas de eras e datas. Eu sempre acho que quando tematiza demais a impressão que fica é de que aqueles episódios ou civilizações são estanques, um sucede ao outro ordenadamente, quando na verdade há sobreposições, conflitos, convergências. É preciso fazer leituras sincrônicas (do que acontece em lugares diferentes ao mesmo tempo) e diacrônicas (do que acontece nos lugares ao longo do tempo) meio simultaneamente. Só que ver isso transforma a história (como a vida) num painel multidimensional e dinâmico, com vários sujeitos, várias perspectivas. E como passar isso é algo que me aflige às vezes.

Eu tendo a ver os temas de aula sempre inseridos num panorama mais amplo e me interessa entender os processos, de onde vieram aquelas coisas e pessoas, para onde foram, as relações que estabeleceram. O Outro, de qualquer tempo ou lugar, me interessa. Saber como ele vê as coisas, de que lugar ou posição ele fala, tentar, por um breve instante, ver e sentir o mundo como ele vê e sente, seus objetivos, seu ponto de vista. As idéias me empolgam, os conceitos por trás das ações, os encaixes, as diferenças. O nome ou a data a gente acaba absorvendo de tanto ler e estudar, mas não são o objetivo. Eles têm sua importância: ajudam a pontuar, localizar, identificar, dão nome e rosto, mas estão a reboque de um entendimento mais amplo.

Eu junto muito Urbanismo e Arquitetura. Não dá pra falar de cidade sem falar de arquitetura, e vice-versa. Eu junto também História e Geografia. Eu tenho fascinação por mapas, sempre tem mapa nas minhas aulas, a gente fala de tantos lugares diferentes, eu gosto de dar ao aluno a chance de saber onde é que fica aquilo (ou ficava, quando hoje não existe mais). Relacionar o que está sendo dito com coisas que ele conheça. Por exemplo, em outra turma eu estava essa semana falando sobre a Reforma de Viena no final do século XIX e a construção do ringstrasse. Aí eu me toquei que eu falava da Áustria e provavelmente a maioria ali estava pensando na Áustria de hoje, e eu pus um mapa de 1900, pra lembrar a eles que, quando eu falasse “Áustria” nesse contexto de final do século XIX-início do XX, eu estava me referindo ao grande Império Austro-Húngaro, um território que abarcava partes do que hoje é a Alemanha, a Polônia, A Hungria e os Bálcãs. Historicamente, é outro lugar. Eu fico sempre preocupada e perplexa com o fato de que as pessoas sabem muito menos geografia hoje. Tá bom que decorar por decorar é um saco e não faz sentido, mas eu sabia onde ficavam os principais rios e cadeias de montanhas do mundo todo, e as capitais dos diversos países, e isso caía em prova. Daí, hoje, se alguém falar Mar Cáspio, ou Negro, ou Estreito de Bósforo, ou Pirineus, Apeninos, Rio Danúbio, Rio Arno, Rio Eufrates, o mapa vem na minha cabeça rapidinho e eu sei onde fica. E isso ajuda a fazer relações geopolíticas, entender por que a conquista de determinado território era estratégica, ou por que determinado povo demorou para chegar a determinado lugar em seu processo de ocupação do território.

A minha dificuldade às vezes, é que na minha cabeça vem tudo junto, um quadro grande, tudo ao mesmo tempo agora. E um monte de referências pop também: músicas, filmes, livros. Isso às vezes é um problema, e às vezes causa grandes risadas. Porque de vez em quando eu cito, toda contente, crente que estou abafando, um filme ou música que pra mim é manjadíssimo, e ficam aquelas 30 carinhas me olhando com cara de “hein?”. E aí eu vejo que eu tou ficando velha mesmo. Ou o povo tá ficando menos informado. Caramba, eu nasci na década de 60, mas isso não me impede de conhecer Cole Porter, ou ter visto filmes das décadas de 30 e 40, ou lido Jane Austen. Mas outro dia, falando da colonização dos Estados Unidos, e mencionando a importância, em determinado momento, da cidade de Filadélfia, eu mencionei Philadelphia Freedom do Elton John e ninguém sabia do que se tratava. Pior foi o mico dessa aula sobre Viena, quando eu perguntei se eles já tinham visto Sissi, a Imperatriz. Eu fiquei me achando um Matusalém. Aí zanguei (de brincadeira) e mandei todo mundo ir perguntar pras mães sobre o filme. Não é possível que as mães desses meninos não tenham visto isso na Sessão da Tarde.

Eu sempre mando ver filmes, ler livros, ouvir músicas. Eu levo pilhas de livros meus (de ficção, romances, ou de estudo mesmo) pra sala, pra eles folhearem. Isso tudo pode ser bem legal, e “animado”, como disse a aluna, mas pode também ser cansativo, agitado demais, disperso. Essa coisa de ver o conjunto e cruzar tantas referências pode me levar a perder o foco da aula, e eu sei que vira e mexe eu estouro o tempo antes de ter falado tudo o que eu tinha pensado em apresentar. A gente tem que fatiar a história em pedacinhos (com começo, meio e fim) pra caber no tempo da aula, e ao mesmo tempo articular, contextualizar, costurar os assuntos. E tudo isso tem que fazer sentido. Não é fácil. Talvez às vezes fique confuso. Eu gostaria sempre que os alunos me dessem um feedback se as coisas estão indo rápido demais, ou lento demais, ou repetitivo, ou confuso simplesmente. A vida é confusa, vamos combinar. As coisas não cabem em gavetinhas. Mas o papel da gente ali na frente, pilotando o quadro e o giz (eita coisa antiga) é ajudar a trilhar esse caminho. Eu tenho tantas dúvidas, mas eu amo tanto o que eu faço, que desejo e me esforço para fazer bem. Se tocar alguém, eu fico feliz.

37 comentários para Sobre dar aulas e sobre dar aulas de História

  • madoka

    Oi Ana,
    Vc também é formada em História? Muito, muito tocante o seu texto, acho que vc deve ser assim. Tem tanta coisa pra falar aí no texto, que até me perdi.
    E vc me lembrou demais um professor de História da Cultura, o Nicolau Sevcenko(q vc deve conhecer, com certeza), eu queria me matricular na matérias que dele dava, tínhamos que correr porque quase todas as disciplinas eram disputadíssimas. Eu saia das aulas embebida, e ele correlaciona o assunto, puxava com literatura, filmes, o escambau. Enfim salas lotadas.
    Tem que ter paixão mesmo, fazer com gosto.
    Mas por outro lado Ana, tive um professor de Mitologia que não se levantava da cadeira, contido, falava baixo, não eram um show às aulas e consequentemente salas menores com poucos alunos, eu ficava fascinada só ouvindo o tanto de conhecimento do doutor,rs.
    Mais uma vez te digo, queria ser sua aluna prof
    um beijo
    madoka

    Oi, Madoka, não, eu não sou formada em História. Tenho graduação em Comunicação Social e em Arquitetura e Urbanismo, com mestrado na área de Teoria e História do Urbanismo, o que me qualifica para dar aulas de História Urbana em faculdades de arquitetura. Mas embora o meu foco seja a história das cidades, não dá pra desvincular do contexto, né? Por isso eu estou sempre lendo e tentando aprender um pouco mais. Quanto ao Nicolau Sevcenko, não conheço pessoalmente, mas claro que sei quem é, já li bastante coisa dele. Vc estudou com ele, é? Que legal! bjs

  • o que eu vou dizer depois de ler um texto lindo desses, numa sexta-feira, pós-semana e alunos? é lindo, é absolutamente lindo.

    “Eu tenho tantas dúvidas, mas eu amo tanto o que eu faço, que desejo e me esforço para fazer bem. Se tocar alguém, eu fico feliz.”

    resiste em mim a ideia de que é possível fazer diferença na vida (olha a pretensão) de umas poucas crianças. porque se não resistisse, eu não levantava de manhã cedo. não com todas as massacrantes burocracias e dificuldade inerentes ao processo. mas levanto e vou lá.

    e, te repetindo: é esse brilho nos olhos, significando entendimento, compreensão, vislumbre, novidade, claridade. é esse. é aí. um segundo. menos. por nada, absolutamente nada mais.

    sou professor e tento fazer o meu melhor, todos os dias. mas, mesmo “de dentro”, sigo admirando professores como você, Ana. exemplo. norte.

    me emocionou. sinceramente.

    um beijo. e obrigado por isso tudo. :)

    Oi, Thiago, eu é que estou comovida com a resposta a esse post que foi “apenas” uma reflexão em voz alta. Que coisa tão boa saber de outros professores com sentimentos parecidos espalhados por aí. Grande e solidário abraço pra você, com minha torcida pra que você faça mesmo diferença na vida de muitas crianças.

  • Pelo menos com o texto vc tocou alguém… Tb sou professor e fiquei com um sorriso bobo na cara durante toda a leitura.

    Que bom. Eu também estou sorrindo feliz com os comentários por aqui. Grande abraço!

  • Que testo gostoso de se ler, Ana Paula. Temos que ser primos ;-)

    Guardas as devidas proporções, minha namorada, recém-formada em Pedagogia e em vias de se tornar uma mestranda, fala com o mesmo entusiasmo das aulas que ela dá num curso de inglês. Eu sou testemunha de todo o carinho dela ao preparar a aula e do entusiasmo ao narrar o resultado. Inclusive, também engole os intervalos e passa do horário sem a turma notar :-) . Vocês, professoras e professores que amam o que fazem, são pessoas muito especiais.

    Na medida do possível, tento fazer minha parte. A minha maior alegria até hoje, como chefe de uma pequena unidade de um órgão público federal em Mossoró/RN, foi quando fiquei sabendo do pedido de transferência de um funcionário do Recife para cá, porque aqui percebeu que poderia desenvolver melhor sua carreira profissional, em função da forma como eu venho conduzindo a unidade. Me senti como você ao ser interpelada pela aluna :-) .

    Sobre filmes relacionados à educação e à atuação de professores, deixo aqui como sugestão aos que nos leem “Escritores da liberdade” e “Entres os muros da escola”.

    Se eu fosse funcionária pública aí no RN eu certamente também adoraria trabalhar sob sua supervisão! Dê meus parabéns e apoio à sua namorada. Sobre os filmes, eu gostei muitíssimo de Entre os muros da escola, mas esse outro eu não conheço, vou procurar. Agora, primo a gente deve ser mesmo, pode procurar que a gente acaba encontrando o parentesco! :-)

  • Teclado maroto, colocou um s no lugar do x :-) .

    Hahahaha, eu nem tinha me dado conta. Acontece toda hora, nem ligue.

  • Se eu fosse comentar seu post todo, provavelmente renderia um outro post completo ;) (o que é até bem provável…) Mas eu quero ressaltar três pontos que você menciona:
    O primeiro é essa maldição eurocentrista que, durante muito tempo, prejudicou minha compreensão (de leigo semi-autodidata) sobre a história, com todas as consequencias que isso tem sobre a compreensão do mundo.
    O segundo é essa falsa noção de um “sequencialismo onipresente” (se é que cabe o neologismo…) que acaba se espalhando do estudo de história para outros setores (pergunte a qualquer biólogo sobre a dificuldade em explicar “evoclução biológica” a qualquer leigo cujo raciocínio está condicionado pelo estudo de história).
    E o terceiro é sobre uma velha armadilha: o contexto histórico (da qual você também se confessa vítima ao mencionar referências a coisas perfeitamente familiares a você, mas “extraterrestres” para seus alunos – coisa que eu, tendo nascido ao meio do século passado, já até me acostumei).
    Todos esses me parecem sintomas de que é necessário repensar toda a educação básica para, em lugar de acostumar os alunos a absorver conhecimentos cuja relevância eles não tem condição de aquilatar (e.g: você menciona a ignorância de geografia), acostumá-los a raciocinar e saber buscar os dados necessários à formação de uma opinião, ou das ferramentas necessárias à resolução de problemas.
    (Realmente, isso vai ter que render um post…)
    Ah!… Sim… Fiquei curioso pela explicação da diferença entre “islâmico” e “muçulmano”… :D

    Olá, João Carlos, você foi direto ao ponto: é necessário mesmo repensar a educação e a didática, que ainda é aquela pensada e desenvolvida no século XX, e já não serve aos alunos de hoje. Há tantos recursos bons à nossa disposição, é importante aproveitá-los em favor de uma educação mais atrativa, mais eficiente, que mantenha a qualidade e o necessário aprofundamento crítico, porém seja capaz de despertar o interesse e mobilizar as novas habilidades dos nossos alunos. Faça seu post, sim, e venha nos dar o link, vou adorar ler. E pode deixar que esse tema do islamismo vai aparecer aqui de novo, fiquei com vontade de falar mais sobre isso. Obrigada pelo seu comentário e sua visita, volte sempre!

  • Se eu pudesse,também pedia para mudar de turma e ia assistir suas aulas. Por já ter assistindo vc dando palestras não dá para ter dúvidas que a aluna está certa na escolha.
    O seu prazer em dar aula faz toda a diferença.
    Quanto a linha do tempo, não há dúvida. Às vezes basta olhar de lado para ver a idade média em toda a sua escuridão.
    Tudo bem que o João Carlos se inscreveu primeiro, mas já estou na fila. E vou querer sentar na frente. eheheheh
    “Não, não vou explicar a diferença agora, porque eu quero falar de outro assunto (depois eu volto nesse, se houver interesse).” Há MUITO interesse.
    Só lamento que seus posts não sejam como a obrigatoriedade das aulas, no mínimo 3 X / por semana :o )

    NB – detalhe, pode ser que depois da aula eu até mude meu conceito, mas acho muito estranho esta “escolha” pela burca. Não seguir as regras que lhe faz ser aceito pelo grupo é algo muito complicado. Então, é difícil falar em escolha.
    E no dia em que estava no ônibus indo para o recreio e havia um grupo de homens falando num idioma que não dá para entender, de bermudas, camisas de malhas de manga curta, acompanhada de uma mulher de saia até o tornozelo, camisa de manga comprida com punhos e colarinhos abotoados e lenço na cabeça – termômetros do lado de fora marcando 39º, dentro do ônibus sem ar condicionado não fazia menos. Escolha? Tudo bem, um vestido curto mostrando a calcinha não ficaria bem, mas um vestido no joelho, de manga curta, tecido leve, em que nada denotaria falta de pudor não seria ruim. E isto de ter que negar o próprio corpo o tempo todo (que temos na nossa cultura também, claro)é para além de tradições, religião, tratados sociológicos e culturais.

    Tá certo, prometido. Eu bem gostaria de escrever pelo menos 2 vezes por semana, mas por enquanto não está dando. E eu acabo sempre escrevendo demais, então um certo espaçamento entre os posts também é bom pra dar um descanso ;-)
    Essa conversa sobre escolha, sobre moral e roupa, sobre a exposição do corpo e sobre como isso incide sempre sobre as mulheres é um vespeiro garantido. Não sei se eu terei conhecimento suficiente para falar sobre o assunto, e não tenho nenhuma pretensão de assumir posições definitivas. Mas eu concordo que nós todos podemos e devemos conversar sobre isso, de preferência, com a perspectiva mais plural possível.

  • Adorei o texto, muito mesmo. Como dar aula de História pode ser difícil e cansativo… (estou só começando). E como é maravilhoso. Sempre percebi que tudo que eu faria na vida teria que necessariamente se relacionar com História. Até que criei coragem e fui fazer a tal faculdade de História. Entrando na faculdade, pensei “eu faria mais o que mesmo?Nada? É, nada me deixaria com mais vontade de crescer”. Mas fiquei a faculdade inteira na dúvida se gostaria de ser professora – não queria enfrentar alunos relapsos como eu ou mal educados como nunca fui com meus professores (sempre os respeitei muito). Há dois anos, pisei numa sala de aula pela primeira vez. Tenho minhas dificuldades didáticas (explicar conceitos é sempre um desafio enorme), mas o prazer de dar aula, esse prazer que você relatou tão bem, me faz querer melhorar cada vez mais. Ver o feedback deles é realmente um prazer gigantesco. O que me fez saber com toda certeza que, além de pesquisar (estou fazendo o mestrado agora), o outro elemento fundamental na minha vida será dar aula (tenho 26 anos). E torcendo para fazer olhos brilharem (realmente é uma sensação maravilhosa).

    Alinde, seja bem-vinda ao grupo! Muita sorte e sucesso pra você em sua carreira. Adorei que você tivesse vindo aqui dividir isso com a gente! Bjs

  • …posso ser sua aluna? :D

    Depende. Vc me ensina a fazer bolinhos? :D

  • Suel

    Ana, a maior prova de que se esforça ao dar aula é a quantidade de água que você bebe. Uma garrafa no intervalo de uma aula à outra e quase duas durante a aula.
    :)

    É bom ver professores que realmente gostam de lecionar. Na FAU estamos saturados de professores que parecem estar ali apenas para cumprir contrato. Nas últimas turmas de HCU que eu participei, sentia como se estivesse participando de um desperdício, pois o tema que eu mais apreciava era muito mal explorado.

    Rapaz, se eu não beber essa água toda, a garganta seca e a voz vai embora! :)

  • Caí em teu blog pesquisando para uma aula de sociologia urbana. E agora já deixei a pesquisa para lá e não consigo parar de ler o que escreves. Eu também queria ter aula contigo. E vou te indicar apara meus alunos, não só os da arquitetura. E vou procurar mais e mais sobre teu trabalho e tuas aulas.
    A pesquisa, só pra não deixar totalmente de lado, era o seguinte: Trabalhei um texto da Bárbara Freitag (Utopias urbanas) e fiz no quadro o desenho de um círculo em torno de uma cruz. Depois, para explicar que a cruz estavca indicando expansão (enquanto o círculo expressava defesa, intimidade)colquei flechas nas 4 pontas da cruz. Aí uma aluna perguntou porque eu dizia que a cidade se expande do centro para a periferia, já que nas outras aulas os professores sempre diziam que se vai de fora para dentro para entender a cidade. Nunca tinha pensado nisso, para mim era tão óbvio que a cidade começa em torno de um centro e a partir daí se expande. Comecei então a buscar informações (na verdade nada achei que corroborasse a fala da aluna e nem ela trouxe-me material de outras aulas que evidenciasse sua afirmação).

    Muito bom mesmo te ler.

    A honra é toda minha de te ter por aqui. Fui lá no teu blog também e fiquei muito interessada em tudo. Esse livro da Bárbara Freitag é muito bom, eu comecei a ler, mas ainda não terminei, é mais um na minha mesinha de cabeceira. Gostei dessa tua simbologia da cruz com as setas e o círculo em volta. Se é pra falar do surgimento-crescimento da cidade, acho que é por aí mesmo. Mesmo que o centro, com o tempo, deixe de ser o centro geográfico do território daquela cidade, o que interessa aí é a noção de centralidade, que envolve muito mais do que localização física. Basta ver o Rio de Janeiro. Outra coisa diferente é buscar uma metodologia para “entender” a cidade. Aí, eventualmente, pode-se começar de onde quiser, dependendo do que se deseja analisar/estudar. Inclusive começar pela periferia. Tem um livro bem legal que propõe uma análise de composição da forma muito interessante que é o Arquitetura: Espaço, Forma e Ordem, do Francis D. K. Ching. Talvez possa ajudar. Grande abraço, seja bem-vindo.

  • Anderson Alves

    Ana,

    A resposta para essas dúvidas se estamos mostrando o caminho certo a ser trilhado esta exatamente nesse esforço e desejo de dar a melhor aula do mundo. No feedback do aluno dizendo que a sua aula é a única que ele aprende alguma coisa na faculdade. Ou mesmo, o que te faz passar toda manhã de sábado dando aula, mesmo sem receber um centavo durante quase todo semestre…

    É isso aí, Anderson. O prazer está no caminho, no processo. E a gente não para de aprender nunca, isso é o melhor de tudo.

  • Gutemberg Júnior

    Assim como o Ulisses, fiquei com um sorriso no rosto durante toda a leitura, Como é bom começar a semana com um texto teu, saber que as coisas ainda são discutidas de forma agradável. Um texto teu, é uma aula virtual, e posso sentir toda a “teatralidade e poesia”, é OXIGÊNIO!
    Fique Feliiiz, me tocou profundamente teu texto, me arrepiei, me deu maior vontade ainda de me tornar professor… de te conhecer, de assitir tuas aulas, de ler mais teus textos…
    (sendo que já li todos os posts, relendo alguns mais de uma vez)
    Obrigado, Obrigado, Obrigado!!!
    A “SENHORA” é Fantástica!

    Assim eu vou ficar sem graça! ;-)

  • Alline

    Ai, ò,concorco com o Gutemberg: a SENHORA é mesmo fantastica. E eu queria mto ser tua aluna (embora nao tenha mais idade pra isso, haha).
    é de emocionar este texto, viu? nem sei o que falar (e olha que eu falo, putz, como eu falo).
    bjs

    Olha só, o Gutemberg eu respeito, mas você pode ir parando de palhaçada, tá? Que eu conto logo pra todo mundo que vc é meu target, dona Doutora! E quando vc fala das tuas coisas, dos teus assuntos, eu fico babando igualzinho, tá bom? Oras…

  • Luma

    Ana,
    Adoro descobrir professores como você. Admiro muito professores que amam ensinar, não apenas reter o conhecimento, mas ser capaz de transmiti-lo (o que a meu ver é o papel do professor). Essa paixão que vocês têm pelo seu trabalho é transmitida para os alunos e desperta curiosidade. Eu estou na sua turma de HCU-III na FAU-UFRJ e suas aulas prenderam minha atenção completamente, a um nível em que eu, que sempre fui péssima em geografia, e pra falar a verdade nunca me interessei muito por ela, senti uma curiosidade imensa na sua aula sobre colonização inglesa e me vi atraída pelos mapas dos EUA, descobrindo onde estavam as colônias e onde ficam os estados atuais.
    Também não me agrada esse “eurocentrismo” da história. Há muito me sinto atraída por culturas como a Japonesa e a Chinesa e já percebi que as chances de eu adquirir esse conhecimento em sala de aula é praticamente nula. Acho que precisamos olhar o mundo por outros pontos de vista, que não o ocidental.
    Acho que todos os professores deveriam amar seu trabalho, afinal transmitir o conhecimento é fundamental para a evolução do homem. Aliás, o Brasil precisa investir muito ainda em educação.
    Enfim, continue sendo a ótima professora que você é e continue transmitindo essa paixão para os alunos.

    OBS: Estou aguardando o post sobre a diferença entre “islâmico” e “muçulmano”

    Oi, Luma, acho que minha responsabilidade tá aumentando, rsrsrsrs…
    O post tá prometido e engatilhado, vou ver se escrevo neste fim de semana, com o feriado. Deixa só eu me desvencilhar aqui de um monte de correção de trabalho e prova, que eu escrevo, sim.

  • Alessandra Onofri

    Professora, quer dizer, agora ”ex-professora” já que não posso mais assistir suas aulas e vou ter que voltar pro meu horário certo. Mas pelo menos, algo de bom teve nisso, pude ter a coragem de vir aqui comentar (podendo ter certeza de que você – e não a senhora – ia achar que eu estou puxando seu saco – ainda mais em véspera de prova haha).
    Enfim, vim pra pegar os textos pra ler (vou fazer a prova agora 13h30, estou ‘meio’ atrasada, eu sei) mas não pude não ler esse seu post! Eu sempre ODIEI História (!) mas, simplesmente ADOREI as suas aulas. Me davam vontade de não só prestar atenção, mas também de procurar saber mais sobre o assunto!
    Posso dizer que você foi até modesta nesse post, porque você é uma ÓTIMA professora que dá ÓTIMAS aulas! PARABÉNS! :)
    Bom, não vou ficar falando muito, porque ainda tenho muito que estudar!
    Espero um dia ser uma profissional com tanta paixão pelo que faz como a senhora (ops, saiu sem querer)!
    E espero ainda assistir à muitas aulas suas!

    Beijos,
    da sua ”ex-aluna” Alessandra Onofri.

    Oi, Alessandra, muito obrigada. Quem sabe a gente ainda não se cruza em alguma matéria na FAU? Vai ser um prazer. Mas não deixe de comentar por causa disso, a gente sabe quando o aluno tá só “puxando o saco” e quando tá participando por interesse e até por amizade. Trocar ideias é legal, sempre. Bjs

  • Rosan Pinto

    Muito bom seu post. Sou professor de História, recém formado, mas, já atuante. Confesso que aprendi um pouco mais com seu texto, tenho procurado me comportar em sala de aula de uma forma mais ou menos parecida com o seu comportamento e isso,acontece de forma espontânea e antes mesmo de ler o que você escreveu aqui, ou seja: encontrei eco (rsrsrs). Não gosto daquela coisa de manter distância entre professor e aluno. Gosto de trabalhar envolvendo os alunos fazendo-os pensar e criando estímulos para tal. Parabéns!!!
    O seu post eu li, gostei e salvei.(rsrsrs)
    Um forte abraço!!!

    Olá, Rosan, como eu já disse num dos outros comentários aí de cima, eu fico feliz em ver outros colegas professores com a mesma paixão e dedicação. Acredito mesmo que o ensino de História é fundamental e pode ser muito atraente, mesmo para aqueles alunos que se interessam mais pelas ciências exatas, porque saber História, assim, de uma maneira bem ampla mesma, não só o contéudo específico do Ensino Fundamental ou Médio, ajuda a gente a aprender a pensar e a ver mais criticamente os acontecimentos do próprio tempo presente. Todo o sucesso pra você!

  • Luciana

    Oi Ana,
    Vim pegar sua aula de Brasil e não resisti a seus posts… Apesar de você já tê-los mencionado, confesso que na absorção deste início de FAU não tenho tido aquele tempo de “desvio de tarefa” (de que gosto tanto!). Talvez no rol das aulas e alunos que são envolvidos na tua fala vc pudesse incluir também o(a)s colegas! Lembrei da nossa conversa depois desta aula…
    Tenho aprendido muuuuito contigo, além de ser deliciosa nossa convivência – muitas vezes no corredor, algumas vezes como vizinha de mesa! Te conhecer foi, sem dúvida, uma das boas surpresa que a FAU me reservou e não me impressiona nem um pouco o carinho que seus alunos, ex-alunos, ex-atuais-alunos, os que querem ser seus alunos demonstram por você: você é realmente uma grande professora.
    Beijos e até amanhã, no corredor ou na mesa vizinha!

    Olha, Lu, sem brincadeira, eu posso dizer o mesmo a seu respeito. Foi uma das coisas muito felizes desse novo trabalho, e espero sinceramente que seja uma amizade que possa transbordar os limites do nosso trabalho em conjunto e do nosso tempo de contrato. Beijos!

  • tamara chicoski

    A perdida !!!!!!!!!!!!!!!!
    socorro nao acho os posts com os textos , sera que a senhora poderia me manda-los por e mail ?????
    Parabens pelo blog ,é muito interessante , e parabens pelas aulas , realmente sao muito boas . eu concordo com o Suel , matar aulas de hcu ja tinha virado um habito , devido a falta de interesse dos outros professores . a sua aula me lembra muito a de um professor de historia que eu tive no 2 grau , e foi quando eu me apaixonei por historia , tinha esquecido disso ate as ultimas aulas =]
    tataaa__@hotmail.com

    Hahahaha, pode deixar, já tou mandando. E nada de matar mais aulas de HCU! ;-)

  • hahahaaha Sissi, A Imperatriz? Nega, graças a deus o mundo tem voce, que ainda acredita na salvação humana! Eu, depois que eu ouvi a garouta dizer que adorou O Exterminator pois adora filme antigo, comprei uma espingarda.
    Amo tuas aulas e concordo que seja cansativo pra você. Mas é a riqueza de links que faz a coisa interessante. Alguma coisa sempre fica. E se servir de fio condutor pra alguma busca posterior, voce salvou uma alma.
    bejos!

    Tinha que ter alguém pra vir me dar uma sacaneada, e tinha que ser você, né? Mas essa do Exterminator como filme antigo é de matar. Eu também perderia a fé na humanidade depois disso. Se falar pra essa criatura em Buster Keaton ela vai achar… não, não vai achar nada, ela não deve ter idéia de quem foi :D

  • vera

    ana, brilhante ruiva, vovó vera também quer ser sua aluna. beijos

    Ah, estamos empatadas, porque eu também quero ser vovó vera quando crescer, viu?

  • Ana, eu também quero ser sua aluna.História da Cidade deve ser muito interessante,sempre gostei de História.Achei o seu texto excelente.Fui professora de Antropologia e eu também pensava que se conseguisse tocar alguém ficaria feliz.
    Beijos.

    Que delícia, Terezinha. Acho que é o maior retorno do professor, tocar alguém, participar de um processo de aprendizagem. Um processo de aprendizagem mútuo, diga-se, porque a gente aprende muito com os alunos, o tempo todo. Claro que isso não impede (pelo contrário, só acentua) que a gente se dê conta de como o professor é mal remunerado (e tantas vezes desvalorizado mesmo, não só monetariamente), mas há retornos e prazeres nesse ofício que não há dinheiro que pague.

  • Pedro Henrique

    Professora Ana,fiquei encantado com o teu texto,sou professor de História no ensino médio e leciono no turno da noite,boa parte dos meus educandos são trabalhadores e muitas vezes a fadiga da labuta lhes trazem a dispersão e o desinteresse.Para sanar esses fatores procuro beber na fonte de educadores como Paulo Freire e tento trabalhar os conteúdos trazendo-os para a realidade cotidiana e de trabalhador deles,assim como a senhora procuro trabalhar com varias fontes e com elas busco estimular o poder de interpretação e o olhar perceptivo deles.Agora tenho como norte a experiência,dedicação e amor da Professora Ana Paula pelo magistério.Portanto, isso é muito rico e grtificante,porque mesmo diante das intempéries que obscuressem a profissão,vejo que ainda há esperança porque existe a História e como diz Eric Hobsbawm,ela não é cristalizada necessitanto assim do cheiro de carne humana,isso nos faz crer que para possibilitar a compreensão dos nossos alunos como sujeitos históricos temos que ir muito além da velha aula expositiva,cuspe e pincel,monólogo ou aula de corpo presente, como diz um professor meu.Uma aula associada a uma boa didática e unida na perspectiva do sorrir são imprescindíveis para despertar curiosidades.Obrigado professora, por fazer eu acreditar em mim como profissional e por persistir com os meus sonhos de um mundo com mais oportunidades.Um grande abraço!

    Caro Pedro, eu é que agradeço por tanta gente estar partilhando suas experiências aqui, e por poder perceber que tantos outros colegas têm a mesma paixão pelo ofício. Eu não tenho nenhuma dúvida de que seus alunos têm muita sorte e que você faz diferença na vida deles. Fiquei comovida com seu comentário. Abraço!

  • Angela Brito

    Querida Professora Ana. Utilizarei seu texto numa formação com professores do 6º ao 9º. Esses professores costumam dizer que o aluno não quer nada, não se interessam por nada e etc. Seu texto é o retrato de como ministrar uma aula de história no século XXI para jovens do século XXI. Senti que sua aula tem movimento e vida. Precisamos dessa vida dentro de todos nós professores, sejam da educação básica ou do Ensino Superior. Parabens

    Caríssima Angela, muito me honra que eu possa, de alguma forma, contribuir para essa reflexão. Por favor transmita meu abraço e meus votos de sucesso e prazer no trabalho de todos os professores desse curso. Só para que não fique nenhuma dúvida, esclareço mais uma vez que não sou historiadora, mas arquiteta, com pós-graduação em Urbanismo, e que leciono História no âmbito específico dos estudos de História Urbana, na Faculdade de Arquitetura da UFRJ. Por mera curiosidade, eu adoraria saber de onde você é e para professores de qual (ou quais) escolas será dada essa formação. Um grande abraço e muito obrigada por suas palavras.

  • Mateus Duarte

    Eu já tinha desistido de aprender história na faculdade. Você é uma rara e feliz exceção professora, parabéns.

    :-)

  • Ivie Luiza

    Eu sempre achei história interessante e também sempre tive vontade de realmente conhecê-la e entendê-la. Só que infelizmente, mas sendo sincera, nunca tive paciência para estudar, porque as aulas dos meus professores não me chamavam a atenção. Somente um no colégio e agora você na UFRJ conseguiram despertar o meu interesse pela história do mundo. E tudo o que você escreveu nesse texto é a descrição das suas aulas. Você consegue realmente nos seduzir, nos trazer para o assunto. Eu até brinco que eu vou parar de prestar atenção porque eu saio da sala querendo ler TODOS os livros que você traz, e você sabe que a faculdade não nos deixa tempo. Terei que ler nas férias (olha só o que você fez comigo :P ).
    Espero conseguir pegar HCU 3 contigo semestre que vem, se estiver dando aula.
    Parabéns pela professora que é :)

    Ivie, foi um prazer enorme dar aulas para vocês esse semestre. A gente não dá conta de ler nem metade dos livros que gostaria mesmo, mas se conseguir pelo menos parte, aos poucos, ao longo da vida, já faz um bem enorme. Vai anotando os nomes e criando uma “listinha de desejos”. Eu tenho livros anotados há anos, alguns que eu não consegui comprar ainda, outros que eu já comprei, mas estão na fila da leitura.
    Eu já sei que darei HCU-3 de novo semestre que vem, mas num único horário que ainda não está 100% definido. Vamos ver, se nós nos encontrarmos de novo, será ótimo. Se não, sempre estarei à disposição de vocês, nos corredores da FAU. Bjs e obrigada pelos elogios.

  • [...] Sobre dar aulas e sobre dar aulas de História texto de Ana Paula – via Urbanamente on 28/05/10 [...]

  • milton

    Professora. Tenho 26 anos de sala de aula e confesso que ando meio cansado de dar aulas. Mas não perdi, e espero não perder, aquela chama de tentar sempre algo novo. Quando li seu texto me veio um frescor, uma brisa de esperança, de alegria, que me deu vontade de começar tudo diferente no próximo ano letivo. Parabéns pelo ser que você é! Milton

    Milton, mil desculpas por demorar tanto a responder. Eu estive de férias e me desconectei um tempo. Espero sinceramente que você volte para ler a minha resposta a você. Fiquei muito emocionada com seu comentário, porque a gente escreve sem imaginar o efeito que vai ter sobre as pessoas. Desejo a você tudo de bom, e que este ano letivo seja uma renovação real para o seu trabalho. Abraço enorme!

  • Fiquei encantado com sua fala. Vem de dentro e é sincera. Confesso a você que ando meio cansado de dar aulas de história para alunos do Ensino Fundamental. Mas sua voz, ação, os sons que vem do seu ser me fizeram acreditar que sempre há tempo de mudar algo dentro de nós, e que a maior riqueza da escola está na boa relação professor e aluno. Um abraço,. Milton

    A gente cansa mesmo, é do ser humano. O importante é conseguir recomeçar sempre, buscar a chama que nos faz acreditar em nosso trabalho. Um abraço pra você também.

  • Aliny

    Parabéns pelo texto “muito animado” como disse a menina, encontrei porque estou pesquisando sobre motivação, acho que vou inserir uma fala sua na minha monografia pode?

    Até mais!

    Aliny, desculpe pela demora em te responder. Eu entrei de férias e me desconectei por umas semanas. Fico feliz que este post possa ser de serventia para você, fique à vontade. Depois, venha dar notícias. Abraços

  • Marilza

    Enquanto ‘degustava” teu texto, as lágrimas começaram a correr pela minha face, não, não era de tristeza, mas de alegria, professora há 29 anos de series iniciais, mestra em Educação, adorei a leitura que coisa MARAVILHOSA encontrar professores apaixonados pelo que fazem, estou cansada de ouvir na sala dos professores a lamentação sobre alunos indisciplinados, alunos que não querem nada com nada, que nao aprendem porque vem pra escola com fome, REVIDO, querem sim, só nao aprendem se vc não ensinar, ou se vc fizer de conta que ensina, se vc nao prepara as aulas, se não coloca emoção em suas aulas. Parabéns professora! Estou iniciando um novo desafio na minha vida, dar aulas para o Ensino Médio de Fundamentos Metodológicos de Historia, e enquanto pesquiso sobre essa disciplina me deparei com o teu artigo e não pide deixar de comentar. Um beijo no coração e boa sorte ai colega!

    Fico emocionada e grata com seu comentário, Marilza. Beijo e boa sorte pra você também!

  • Mariana Cardoso

    Ola… esse texto foi escrito antes de ler sua aluna, mas fiquei feliz de só ter lido agora, depois de já ter sido e o semestre já ter terminado e outro começado, pois assim foi mais interessante. Consigo me lembrar de tudo o que estava escrito nele e lembrar das suas aulas exatamente como falou e nos explicou. Me lembro tb sobre a Sissi… na minha turma aconteceu o mesmo. Para mim, suas aulas foram extremamente importantes, pois nunca imaginei que seria tão prazeroso para mim estudar História. Sempre me senti mais a vontade com exatas, mas me peguei no final do período lhe perguntando que área dentro da Arquitetura poderia seguir para usá-la no meu dia-a-dia. Eu me apaixonei por História em prestar atenção nas suas aulas porque a sua forma de passar é prazerosa, é fácil, nõ precisa estudar muito perto das provas e sim, eu lembr tudo até hoje, apredi mesmo. Nas primeiras aulas que tive com você saí um pouco deprimida… me senti um pouco burrinha, afinal não era possível alguém saber tanto assim, mas depois entendi. A aluna do texto disse que sua aula era animada. Acho que o que ela quis dizer é que ela é excelente porque você faz isso com muito amor. Dá para ver que você adora ensinar e que está ali por muito gosto. Suas aulas mostram paixão pelo assunto, por isso são melhores, esse é seu diferencial. Você é a pessoa mais inteligente que eu conheço, espero poder ser sua aluna nesse e em quantas disciplinas você se candidatar até o final da faculdade e tomara que sejam bastante. Parabens!

    Mariana, é maldade emocionar assim uma professora! Bjs, querida!

  • romildo

    Olá professora, muito boa a sua publicação, mas convenhamos, o seu pensamento geográfico está ainda no ensino de Geografia do início do século XX. Há alguns decênios a Geografia (enquanto ciência) veio passando por mudanças e está muito além de saber o nome dos lugares. A maior preocupação hoje é com a conformação espacial do mundo, estados, municípios, indo além, chegando nas 5 categorias de análise geográfica. A maioria dos professores atuais já não manda “decorar”, ou seja, memorizar para prova, o nome dos rios e lugares do mundo. Mais importa hoje saber o por quê do mundo ser o mundo que é e, no caso brasileiro, entender os motivos das disparidades sociais, tendo como foco a formação do Espaço. ;) Bjos geográficos!

  • Natalia Bernardes

    Parabéns por ser este exemplo de professora para mim ,apesar de não conhecê-la pessoalmente , cada aula de História que preparo ,me lembro do seu entusiasmo e me deparo de igual maneira. Vale a pena ser professora e saber que como você , eu e muitos outros professores, podemos sim deixar sementes de sabedoria na vida de alguém , e isto nos fará felizes mesmo quando vemos que estas sementes muitas vezes são lançadas em terras férteis e levadas pelo vento… Muito obrigada por suas tão doces e sinceras palavras.

  • Conceição Werneck

    Li seu texto e me vi. Faço tudo que vc faz. Tenho mais de 30 anos de magistério e tenho esse tesão pedagógico que vc tem. Adorei .Que bom que não estou sozinha nesse caminho.Abraços.

  • Oi amei o comentario, tb sou professora de histora.

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