Historinha inicial (claro, senão não seria eu)
Eu devia ter passado o domingo preparando as aulas da semana, mas estou desde a hora que acordei (umas 10 e meia da manhã, Deus seja louvado) vendo jogo de futebol da Copa e escrevendo coisas pra uma série que pretendo inaugurar no blog, cuja primeira parte é esta que está indo ao ar agora.
Como diz a Fal, pra isso Deus inventou o blog, pra gente falar o que bem entende, então tou com uma vontade irresistível de abordar mais a fundo esse tema dos muçulmanos. Claro, vou encaminhar o assunto mais para o lado da arte, arquitetura, urbanismo, contribuições científicas, história. Não estou com disposição, nem tenho conhecimento aprofundado pra isso, de entrar na seara da política internacional contemporânea, muito menos da teologia, mas o objetivo é dar uma beliscada também nisso, ainda que indiretamente.
Na verdade, desde muito nova, a região do Oriente Médio e a cultura muçulmana me despertam enorme curiosidade, não sei explicar por quê. Sempre foi um paradoxo para mim que a cultura rica, avançada e tolerante que eu conhecia através das histórias das Mil e Uma Noites e de Malba Tahan (que muito mais tarde eu vim a descobrir que era o pseudônimo do brasileiro Júlio César de Melo e Souza, escritor e matemático, que ainda por cima era o pai do meu primeiro professor de projeto na faculdade de Arquitetura – e vocês não podem imaginar a emoção do velhinho quando eu reconheci o sobrenome dele e elogiei o papel da literatura do pai dele na divulgação da matemática e de uma visão mais positiva da religião islâmica)… O problema de fazer orações muito longas é que a gente começa e depois se perde. Eu dizia que achava um paradoxo que essa mesma cultura estivesse associada, através dos noticiários, desde que eu me entendo por gente (e hoje eu sei que desde muito antes disso) a tantas guerras e disputas sangrentas.

Fontes das imagens, em ordem: http://www.grupoescolar.com/a/b/7AC53.jpg; http://conexaooriente.wordpress.com/2007/09/10/as-mil-e-uma-noites/; http://independenciasulamericana.com.br/2009/01/falcoes-impoem-guerra-a-obama/
Como eu expliquei no post anterior, eu tinha dado aula sobre as cidades muçulmanas e me dei conta do universo que o tema abria em termos de discussão de preconceitos, de história, de recuperação de dados e episódios que podem nos ajudar a ter um entendimento mais amplo e livre sobre o assunto. Assim, idealizei esta série, composta por alguns capítulos fartamente ilustrados e que já estão quase todos prontos, de maneira que eu não devo ter intervalos tão longos entre uma postagem e outra.
- Hoje farei provocações iniciais e pretendo esclarecer alguns conceitos no campo da semântica mesmo, e da antropologia, que é pra gente combinar a que está se referindo quando disser uma coisa ou outra.
- Depois, teremos uma breve história da Arábia pré-islâmica e a importância do surgimento de Maomé naquele tempo e espaço específicos, o que ajuda a explicar a rápida disseminação de sua doutrina.
- No capítulo seguinte, daremos uma olhada no período de expansão territorial e o surgimento das primeiras dissenções (a gente escuta tanto falar em xiitas e sunitas: quem são eles, quando se dividiram, quais as suas principais diferenças?).
- A seguir, veremos as contribuições dos muçulmanos no campo da ciência e cultura (especialmente a literatura e a nossa herança linguística via portugueses-espanhóis).
- Aí entraremos no capítulo específico de Artes e Arquitetura. Falaremos dos arcos em ferradura, das mesquitas, dos minaretes, ds mosaicos belíssimos, dos palácios e do Taj Mahal, um dos monumentos funerários mais conhecidos do mundo.
- E como fechamento, uma análise das cidades e dos traçados urbanos, buscando explicar a forma tão característica das cidades muçulmanas à luz da cultura e de uma sabedoria interessante em termos de conforto ambiental. E reconheceremos, mais uma vez via colonização portuguesa, alguns elementos e desenhos tão comuns nas nossas cidades coloniais, aqui no Brasil.
O objetivo geral será provocar uma reflexão sobre a diversidade de um mundo que tendemos a generalizar de forma muito reducionista, e enxergar esse que é o “Outro” por excelência no nosso mundo ocidental menos sob o enfoque de certo/errado, civilizado/bárbaro, moderno/conservador, e mais do ponto de vista da diferença mesmo, e de como, no meio dessa diferença, temos tantas coisas e humanidades em comum. O que vocês acham? Vou indicar livros, fontes diversas e principalmente muitos filmes (para os quais aceito sugestões).
Diversidade
A verdade é que, pra nós, esse é um pessoal muito esquisito mesmo. E a gente tende a olhar com desconfiança, quando não com medo e hostilidade pra tudo o que é muito diferente de nós. Se é tão diferente, não pode ser bom. Ou certo. Porém, especialmente a partir dos ataques às torres gêmeas de Nova York, em 2001, a gente tende a associar rapidamente muçulmano com Oriente Médio, terrorista, mulher de burca, guerra, intolerância, pouca participação política. E não é por acaso. Mas eu falo disso daqui a pouco.
O que eu quero afirmar é que o mundo muçulmano é extenso, rico e diverso, e qualquer generalização é empobrecedora da visão que se pretende ter. Pra nós, eles podem ser gente esquisita. Mas vamos relativizar: nós somos esquisitos pra eles também. Olhar para culturas diferentes requer um exercício de empatia, um esforço de – nem que seja por uma fugaz fração de tempo, conseguir se colocar no lugar do outro, e tentar ver o mundo como ele o vê.
Hoje, o Islamismo é a religião em mais rápida expansão no mundo, com 1.3 bilhões de fiéis, cerca de 20% da humanidade (é a maior religião do mundo, considerada individualmente. O Cristianismo tem mais fiéis, mas que estão divididos em variadas denominações e igrejas: católicos, ortodoxos, evangélicos, pentecostais etc). Ou seja, não temos saída a não ser repensar a convivência com este “Outro”.
Esta imensa população muçulmana habita um vasto arco no planeta, que vai da África Ocidental até a Indonésia, passando pelo Oriente Médio e a Índia. Algumas vezes, são maioria da população local, outras vezes são importantes minorias. As migrações intensas que caracterizam nosso mundo contemporâneo já formam enclaves consideráveis de grupos muçulmanos em diversos países da Europa e das Américas.
Este mundo é diverso quanto às histórias, etnias, línguas, tradições sociais, maneiras de ver e conviver com o mundo, com o meio ambiente e com os vizinhos. Como traço comum, eles têm o Islã, a religião. Mas mesmo aí há contrastes: nas formas rituais e sociais, e até no núcleo de crenças e maneiras de aplicá-las à sociedade. Nem tem como ser diferente. O Islã surgiu há mais de 1400 anos e se espalhou, como acabamos de ver, por três continentes, onde teve contato com sociedades variadas, algumas milenares, e encontrou em cada lugar condições diferentes entre si, que geraram mesclas diferentes.
Uma questão de terminologia
A primeira coisa, portanto, é tentarmos tecer alguns esclarecimentos semânticos, para desfazer confusões terminológicas.
- Pra começar, árabe: termo que se refere a uma etnia, oriunda da península arábica (olha o mapinha aí embaixo, com a divisão político-territorial de hoje). E como já vimos, há muçulmanos de outros outros povos, malaios, africanos, iranianos (de origem persa), turcos, hindus. E mesmo entre os árabes, há os que professam outras religiões, ainda que sejam minorias. Portanto, muçulmano não é sinônimo de árabe. Nem de palestino, que por sinal também não é árabe.
- Oriente Médio: diz respeito a uma região geográfica em particular, maior que a Península Arábica, e que é apenas uma fração do território hoje ocupado pelos muçulmanos (numericamente falando, menos de 30% de todos os muçulmanos do planeta estão ali). Além disso, há no Oriente Médio importantes nações muçulmanas de povos não-árabes, como turcos e curdos, e mesmo nações não-muçulmanas (ou pelo menos não majoritariamente muçulmanas), como Israel. Além de grupos e populações de outras religiões em várias dessas nações (cristãos e ortodoxos no Líbano, na Síria, em Israel etc). Aliás, a própria designação daquela região geográfica como Oriente Médio é discutível. O termo é evidentemente eurocentrista, de origem inglesa, e data do século XIX, quando o império britânico controlava um quarto da Terra. Também não podemos esquecer que historicamente o Oriente Médio se encontra na encruzilhada de múltiplas influências culturais e foi, durante séculos, o ponto de comunicação, tanto por mar quanto por terra, entre a Europa e as civilizações orientais (Índia, China e sudeste asiático). Se a gente ainda pensa que após séculos de supremacia islâmica as potências européias ocuparam e retalharam a região a partir do século XIX, segundo seus interesses e em prejuízo da população local, o que é (mais uma) fonte de grande humilhação e ressentimento desses povos em relação ao mundo e aos valores ocidentais, e pra culminar grande parte do petróleo do mundo está ali, começamos a entender a importância estratégica dessa região e a cobiça de tantas nações pelo controle desse território.
- Muçulmano: termo que se refere a um fenômeno sociológico, cultural, e que tem uma abrangência muito maior, envolvendo muitos aspectos para além do fenômeno religioso.
- Islâmico: termo que diz respeito especificamente à religião. Por isso a minha preferência em me referir às cidades como sendo muçulmanas, e não necessariamente islâmicas. Vou dar exemplos: Teerã, capital do Irã, pode ser considerada uma cidade islâmica. Mas Istambul, capital da Turquia, ainda que de maioria muçulmana, não é islâmica. O estado turco é laico, e o arcabouço jurídico-institucional que rege a vida dos cidadãos de Istambul não se baseia na shariah (a lei islâmica, interpretada pelos religiosos), mas em leis laicas. UPDATE ANTES TARDE DO QUE MAIS TARDE: A capital da Turquia é Ankara e não Istambul, embora esta cidade (a antiga Constantinopla e, antes disso, Bizâncio) ainda seja uma das mais – senão A mais – conhecida e importante do território turco.
A sobreposição dessas definições tem origem num raciocínio simplista: os árabes moram no Oriente Médio e são majoritariamente muçulmanos. Daí para serem majoritariamente fundamentalistas e terroristas não custa muito. Eu tenho cá pra mim que há um certo interesse ideológico, hoje mais que nunca, em que essa confusão permaneça.
De fato, originalmente, os termos árabe e muçulmano coincidiam, quando a religião nasceu ali, em Meca, e se expandiu primeiramente pela Península Arábica, onde rapidamente converteu quase todos os habitantes. Depois, a expansão do Islã levou à conquista do Oriente Médio (sempre vale repetir: maior e mais amplo do que os países árabes), que adotou em grande escala a língua arábica e a fé islâmica. E num terceiro momento alcançou outras partes do planeta, de forma que – eu volto a frisar – o mundo muçulmano hoje é muito mais amplo e diverso do que o mundo árabe ou mesmo do que o Oriente Médio. Claro que aquela região tem um peso ideológico grande, afinal, foi ali que nasceu Maomé, e o árabe é a língua sagrada do Alcorão. Ainda que nem todos os muçulmanos falem necessariamente árabe, diga-se de passagem.
Por outro lado, islamismo e islamista têm sido termos utilizados para se referir ao movimento religioso radical do Islã político, o tal do fundamentalismo. Portanto, é confuso e incorreto falar em islamismo como sinônimo de Islã, como acontece às vezes em português. A teoria política do Islã prescreve a unidade de todos os fiéis numa única comunidade (ummah), pressupondo uma unidade política, que chegou a existir nos primeiros dois séculos, mas rapidamente se desfez. A própria diversidade de experiências sociais, políticas e culturais encontradas nas vastas terras conquistadas fez com que o mundo muçulmano tenha sempre sido e continue sendo muito dividido. Como a religião ocupa uma parte muito central e essencial na cultura muçulmana, as divergências internas comportam debates sobre o papel das leis religiosas (shariah) na vida pública e privada, comportam leituras fundamentalistas dos textos sagrados que municiam ideologicamente grupos terroristas, e comportam o pensamento de grupos menos conhecidos (e eu sempre me pergunto: a quem interessa que esses grupos sejam menos conhecidos por nós?) do Marrocos à Malásia, que, com base na mesma religião, lutam pela democracia e pelo diálogo pacífico com outras civilizações. E por fim, eu pergunto: essas mesmas divergências e extremismos não existem também entre os seguidores de outras fés, como judeus e cristãos? Quantas atrocidades já foram e continuam a ser cometidas em nome de Deus e brandindo Bíblias e Torás?
Mas afinal, o que quer dizer Islã?
A tradução do árabe, literalmente, quer dizer submissão, rendição à vontade de Allah.
É fundamental entender que o Islã é uma religião tão expansionista e reinvindicadora do monopólio da verdade quanto o cristianismo. Porém, de forma mais radical e total, o Islã abrange todas as esferas da vida de seus seguidores: é uma religião (crenças, rituais, normas, fonte de consolação), mas também é uma comunidade (ummah, em árabe) e um modo de viver ou tradição (sunna), que regulariza todas os aspectos da vida: o modo de viver dos indivíduos e as etapas de seu desenvolvimento, a educação, as relações entre homens e mulheres, a vida familiar e comunal, o comércio e o governo, a justiça e a filosofia. Ou seja, enquanto para nós, ocidentais, a religião pertence à esfera da vida privada, para os islamistas, este conceito não existe, e a religião regula toda a vida da comunidade, pública, política e privada. Em consequência dessa onipresença da religião, o Islã é o principal elemento formativo da identidade coletiva das populações submetidas a ele.
O Islã é também um sistema jurídico-religioso total: edificado nas bases sagradas dos prímeiros séculos e que continua evoluindo, com toda a complexidade já exposta. Sua estrutura hierárquica pressupõe a igualdade entre os fiéis. Os legistas especializados são intérpretes da vontade de Deus e não mediadores ou representantes divinos.
E a Jihad, o que é?
Segundo o Alcorão (e no próximo post sobre o assunto veremos em que circunstâncias isso foi escrito), o primeiro dever de um muçulmano consiste em construir uma sociedade justa e igualitária, em que pobres e fracos sejam tratados com respeito. Isso demanda uma jihad, cuja tradução literal deveria ser a de “luta ou esforço em favor de Deus”. Ou seja, a jihad mais importante é a que o fiel trava consigo mesmo, a disciplina de transformação interior que leva ao compromisso total com Deus. Poderia ser ainda traduzida por militância, em todas as frentes: espiritual, política, social, pessoal, econômica e militar. Daí sua aplicação também como “guerra santa”, tendo tido grande impacto na rápida expansão islâmica. A mobilização pela fé muitas vezes se fez através da guerra. Mas não pode ser reduzida a esta tradução.
Vou terminar explicitando e recomendando fortemente a bibliografia em que me baseei para as reflexões e dados expostos hoje. Em primeiro lugar, sempre, recomendo os livros (e são vários) da Karen Armstrong. Ela é uma inglesa, ex-freira, formada pela Universidade de Oxford e atualmente grande e respeitada estudiosa das religiões. Leciona numa faculdade de estudos do judaísmo e formação de rabinos, e é a mesmo tempo membro da Associação Muçulmana de Ciências Sociais, com prêmios concedidos por várias organizações de estudos islâmicos. Entre seus livros mais famosos estão Uma História de Deus (1994), Jerusalém, uma cidade, três religiões (2000), e A Grande Transformação: o mundo na época de Buda, Sócrates, Confúcio e Jeremias (2006). Além, é claro, deste que eu usei aqui, que foi o primeiro que eu li e pelo qual me apaixonei, chamado Em Nome de Deus: o fundamentalismo no judaísmo, no cristianismo e no islamismo (2001). Todos foram editados no Brasil pela Companhia das Letras, têm linguagem envolvente, narrativa fascinante, não requerem nem grandes conhecimentos prévios nem nenhuma crença ou espiritualidade por parte do leitor, já que os temas são encaminhados da maneira mais isenta possível, ainda que se perceba que a autora é, pessoalmente, uma mulher de tocante fé religiosa, e de uma visão profundamente humanista.
O segundo livro usado hoje se chama O Mundo Muçulmano (2004), de autoria de Peter Demant, e publicado pela Editora Contexto. Demant é um historiador holandês, especialista em Oriente Médio, cuja tese de doutorado tratou sobre a ocupação e colonização israelense nos territórios palestinos entre 1967 e 1977. Morou em Jerusalém na década de 90, como pesquisador na Universidade Hebraica e membro ativo nos diálogos pela paz entre acadêmicos israelenses e palestinos. Mora no Brasil desde 1999, onde dá aulas no Departamento de História da USP. Eu achei o livro dele muito, muito claro, organizado didaticamente, de maneira a nos levar a entender os contextos históricos do surgimento do islamismo e da eclosão das ondas fundamentalistas que varrem o Oriente Médio há tantas décadas, sem descuidar de questões importantes em vários outros lugares em que o islamismo é a religião principal. Foi nesse livro que eu li pela primeira vez e aprendi sobre os interesses e problemas envolvidos na criação do Estado de Israel em 1948, pela ONU, sobre as guerras de Israel com Egito, Síria e Líbano, sobre a ascensão dos aiatolás no Irã, sobre a Primeira Guerra do Golfo, sobre a disputa entre Índia e Paquistão pela Caxemira, e muitas outras coisas. Vira e mexe eu pego de novo para consultar alguma coisa.
Embora com enfoques diferentes, ambos apresentam dados solidamente fundamentados e um pequeno dicionário ao final, com esses termos todos do árabe que a gente às vezes escuta e não sabe o que querem dizer.
Deixo vocês, também, com uma pequena lista de filmes, entre os que eu assisti, e que me ajudaram a rir, a me emocionar, a me reconhecer, a estranhar e a aprender muita coisa que desmitificou esse universo e esses lugares para mim. Outras contribuições, tanto bibliográficas quanto cinematográficas são muito bem-vindas. No próximo capítulo, a Arábia pré-islâmica e o aparecimento de Maomé.
Fahreinheit 11 de setembro (Fahreinheit 9/11), EUA, 2004. Dir: Michael Moore. Documentário sobre como os ataques foram o pretexto perfeito para a guerra contra o Afeganistão e, mais tarde, o Iraque.
Uma amizade sem fronteiras (Monsieur Ibrahim et les fleurs du Coran), França, 2003. Dir: François Dupeyront. Romance fofo sobre a amizade, num bairro pobre de Paris da década de 60, entre um dono de armazém muçulmano (Omar Shariff, impagável) e um menino judeu. Trilha sonora deliciosa.
Cruzada (Kingdom of Heaven), EUA, 2005. Dir: Ridley Scott. Não que seja um filmaço, mas tenta ver as Cruzadas e a disputa por Jerusalém também por ângulos outros que não só o ponto de vista cristão. A fotografia é linda.
Munique (Munich), EUA, 2005. Dir: Steven Spielberg.Sobre o atentado que matou atletas israelenses nas Olimpíadas de 1972 e a vingança orquestrada por Israel contra os que idealizaram e participaram dele. O ponto de vista é judaico, mas o incômodo pela brutalidade e pela inutilidade do ódio, que aparecem de vez em quando no personagem principal são válidos.
Syriana – a indústria do petróleo (Syriana), EUA, 2005. Dir: Steven Gaghan. A politicagem por trás da indústria do petróleo e como isso move guerras e gera lucros monstruosos (em todos os sentidos).
O caminho para Guantánamo (The road to Guantánamo), EUA, 2006. Dir: Mat Whitecross e Michael Winterbottom. Documentário sobre as arbitrariedades das prisões de suspeitos em Guantanamo, a partir da história de três muçulmanos britânicos que ficam presos 3 anos sem acusação formal.
Babel (Babel), EUA, 2006. Dir: Alejandro Iñárritu. Nem sei bem por que eu incluí esse aqui, porque envolve tantos outros temas, mas eu gostei muito. E o mote para toda a ação começa numa explosão que quase mata uma turista americana no deserto do Marrocos, e toda a intrincada rede que se forma a partir daí, envolvendo comércio de armas, imigração ilegal, choque de culturas e solidão.
Atravessando a ponte: o som de Istambul (Crossing the Bridge: The Sound of Istambul), 2005. Dir: Fatih Akin. Não sei de quem ou de onde é a produção. É um documentário também, que explora a riqueza e diversidade da cultura turca, através de uma viagem pela música, pela gastronomia, pelos pontos turísticos principais e pela observação e contato com as pessoas comuns da cidade.
O caçador de pipas (The Kite Runner), 2007. Dir: Marc Forster. Certamente é uma produção multinacional, mas com participação americana (eu não sei de onde mais). Eu gostei bem mais do livro que do filme, que dá uma “dourada de pílula”, mas é um olhar interessante sobre o Afeganistão, vale a pena.
Persépolis (Persepolis), França/Irã, 2007. Dir: Vincent Paronnaud e Marjane Satrapi. Agora estamos chegando onde interessa. Animação GENIAL, em preto e branco, baseada nas histórias em quadrinho criadas pela iraniana Marjane Satrapi (que também faz a adaptação do roteiro), sobre a vida de uma menina (a história é narrada e apresentada do ponto de vista dela, da infância à vida adulta), sua família, seus dilemas quanto à identidade cultural e participação política no Irã, a partir da Revolução Islâmica. Imperdível.
Lemon Tree (Etz limon), 2008. Dir: Eran Riklis. A produção é parcialmente israelense? Não lembro, não achei a informação. É provavelmente o meu preferido dessa lista toda. Uma viúva palestina sobrevive da plantação de limões. Um dia um ministro de Israel acaba virando seu vizinho e por motivos de segurança, exige que ela derrube todos os limoeiros. Tocante, lindo, angustiante. Com minha atriz palestina preferida, Salma Zidane.
A banda (Bikur Ha-Tizmoret), Egito, Israel, 2007. Dir: Eran Korilin. Tem momentos engraçados, mas eu não chamaria de comédia. Uma banda da força policial egípcia vai a Israel tocar na inauguração de um centro de artes muçulmano, mas acaba parando na cidadezinha errada. Eles não falam hebraico, os habitantes não falam árabe. Mas a comunicação é possível.
Valsa com Bashir (Waltz with Bashir), Israel, 2008. Dir: Ari Folman. Outra animação. Dura, realista, amarga, parcialmente autobiográfica. Um veterano israelense da guerra contra o Líbano revisita suas memórias, os motivos e os cenários do conflito. Barra pesada, mas muito bom.
Caramelo (Sukkar Banat), Líbano, 2007. Dir: Nadine Labaki. Já falei desse filme aqui. O cenário é exatamente a Beirute pobre e ainda devastada pela guerra de que trata o filme citado aí em cima. Num salão de beleza transitam mulheres diferentes, com seus dramas pessoais, nos quais a gente consegue se reconhecer tão pungentemente quanto identificar diferenças imensas. Eu amei.
Tem muitos outros, ótimos. A noiva Síria, Procurando Elly (um iraniano do ano passado que eu acabei não vendo e estou esperando sair em dvd), Free Zone, do Amos Gitai, um outro americano recente que eu não consigo lembrar o nome, sobre a relação de amizade improvável mas bonita entre duas moças, professoras do ensino fundamental de uma escola nos EUA, sendo uma de família ortodoxa judia, e a outra de origem palestina. Um fantástico, prêmio pra quem lembrar o nome, sobre dois irmãos palestinos que se transformam em homens-bomba para um atentado do lado judaico, e os conflitos de consciência de cada um. Tem o próprio Guerra ao Terror, que ganhou o Oscar desse ano, mas eu não vi, não posso opinar. Lembrem mais e partilhem.





Esta série será imperdível, a julgar por esse “prólogo”. Estarei por aqui.
(Lembrei de um filme com a Sally Field, em q ela é casada com um iraniano, se muda para o Irã e sofre muito com o choque cultural – e o filme é a história de fuga dela. Esqueci o nome.
Lembrei tb q meu estudante iraniano detesta que o chamem de qqer coisa relacionado a árabe, ele sempre responde com a boca cheia: “I am Persian, not arabic”.)
Eu vi esse filme! Também não lembro o nome, e estou com preguiça de ir lá pesquisar no Imdb, rsrsrs. Seu aluno iraniano está certíssimo!
Correção: o filme ‘A Banda’ é israelense.
Opa, muito obrigada pela correção, vou lá retificar.
Delícia vir aqui e sempre aprender algo novo. Ai, ai…
E mediante este fato, declaro que quero aulas particulares, regadas à vinho e pão italiano ‘frito’ no azeite trufado! Quero nem saber o jeito q vc vai dar, te vira, pq eu PRECISO DISSO!!!
Não sei se eu entendi direito. Do que é que você PRECISA? Da aula ou do vinho com pão frito no azeite? Nem vou dizer do que é que eu desconfio que seja a sua necessidade…
ana, que aula! (já sei, pra voce é prólogo). bom, filmes, por enquanto só filme, mas vou me lembrar de outros: http://www.imdb.com/title/tt0133952/ , por aqui chamado Nova Iorque Sitiada, em que havia personagens ocidentais (annette bening e tony chaloub) com grande compreensão do mundo muçulmano.
beijos
é verdade, Vera, eu vi esse filme. Aliás, eu já vi o Tony Chaloub fazendo papel de tudo o que é “etnica exótica” pra esses americanos…
Sim, voce esta certa…Mas so o conhecimento ajuda a lutar contra preconceitos…
Ai, Mani, às vezes nem o conhecimento. Sei lá. Mas eu também acho que conhecer mais realmente é necessário. E ajuda, sim, pelo menos na maioria das vezes.
ana, nao acredito, no presente momento, está passando PARADISE NOW (o filme dos dois que vao se explodir) http://www.imdb.com/title/tt0445620/ no telecine cult. bjs
ISSO, era esse o filme e eu não consegui lembrar o nome. Muito bom, muito bom mesmo. E a Salma Zidane, minha atriz palestina querida, também trabalha nesse filme.
oia eu aí de novo, trazendo a contribuição de tarcisio, que cata filmes dessa temática até mais que eu: http://www.imdb.com/title/tt0445620/ , que parece que aqui se chamou A BOLHA. bjs
Hahaha, tou adorando vc dando ibope aqui pro meu cantinho! Esse eu não conheço, vou procurar. Bjs.
ops, link repetido. o da BOLHA é este aqui: http://www.imdb.com/title/tt0476643/
Eu gostaria de ter mais tempo para elaborar um comentário mais aprofundado, mas passo aqui para deixar registrado que, além da divisão entre xiitas e sunitas, há também os alevitas e alauitas.
Ah, Patrick, volta aqui, fala mais. Esses eu já ouvi falar em algum lugar, mas não conheço nada sobre isso. Aliás, era pra ter ido um post novo ao ar no sábado, eu gastei umas três horas mexendo nele, o esqueleto já estava pronto, mas eu senti necessidade de adicionar uma introdução, depois revisei tudo, aí selecionei as imagens. Por fim ia comentar uma reportagem que eu li no jornal esses dias sobre o crescente comércio do Brasil com países islâmicos, e as modificações e investimentos que alguns empresários estão fazendo para adequar seus produtos de forma a receber um selo de Associações Islâmicas especializadas, que garante que aquele produto foi fabricado (ou manuseado ou embalado) dentro das prescrições religiosas. Mais ou menos como ocorre com os produtos kosher, que são o equivalente para os judeus. E eu caí na asneira de olhar a caixa de comentários dos leitores do jornal à notícia, e fiquei absolutamente horrorizada com o grau de ignorância e preconceito de tudo o que li. Enfim, eu estava escrevendo o post primeiro no word, salvando toda hora, pra depois passar pro blog. Meu computador travou de repente (ele tem feito isso às vezes, e já há um diagnóstico preliminar de que o HD está nas últimas), eu precisei reiniciar, e para meu desgosto e frustração, o arquivo foi simplesmente apagado. Não restou nada dele, nadica de nada que pudesse ser recuperado. E eu tenho um marido especialista nisso. Fiquei tão chateada que não consegui nem tentar reescrever tudo até agora. Mas eu sou grata por todos os comentários e esclarecimentos que vc quiser acrecentar, fique à vontade.
Vou acompanhar as aulas com a máxima atenção.
Vera – maravilhosa – já deu a contribuição que eu podia dar. The Bubble é ótimo. Caramelo e Valsa com Bashir, que eu tb vi,vc já colocou na lista.
Ah, com seu aval, agora mesmo é que eu vou procurar essa Bolha!
Amei! Imperdível
Oba! Novo capítulo em breve (era pra ter ido pro ar no sábado, mas eu tive uns contratempos, que eu expliquei aí em cima na minha resposta ao Patrick). Mas eu vou reescrever, deixa comigo.
UAU!!! Este é o blog que eu sempre desejei em toda a minha vida!!!hahahaha…Estava dando dando um “rolé” nos googles da vida e eis que encontro um texto delicioso sobre o mundo árabe/mulçumano/islâmico. Termino de de ler o dito cujo e não é que tenho mais de um ano de postagens pela frente?
O site já está nos Meus Favoritos. Gostei tanto dos assuntos como da abordagem. Sempre quis ser professor de história da arquitetura e do urbanismo, no entanto, infelizmente, não tenho vocação para tal. Sou daqueles arquitetos que não conseguem se apegar a apenas uma área e também enxergo as coisas tudo de uma vez só. Mas a minha paixão nada secreta é a história, absolutamente. Me arrepio só de falar…
Enfim, parabéns!!!!!!
Poxa, Bruno, obrigada, que coisa boa de ouvir. Venha sempre que quiser, será um prazer.
Mais uma informação interessante. Estou lendo o mais recente livro do escritor paquistanês Tariq Ali, O duelo. Infelizmente, o livro não possui ainda edição brasileira
, estou lendo um exemplar em espanhol. No final do segundo capítulo, Tariq conta a história de uma seita muçulmana popular no Paquistão e na Índia, a comunidade Ahmadi. No Paquistão, é considerada oficialmente herética desde 1974 (ou seja, seus membros não são muçulmanos na visão do estado paquistanês). Curiosamente, o único cientista muçulmano a ganhar o Prêmio Nobel, Abdus Salam, é um membro dessa comunidade.
Entre outros fatos curiosos, o fundador da seita, Mirza Ghulam Ahmad, afirmava que Cristo não foi morto na cruz, mas foi salvo por seus seguidores e se refugiou na Cachemira, onde viria a falecer de morte natural. E que ele, Ahmad, seria o novo messias.
Eu acho que no livro da Karen Armstrong ela comenta sobre essa seita. Ela fala muito dos sufistas também, uma corrente mística, mas que é outra história, nada a ver com essa paquistanesa aí. Eu já li alguma coisa a respeito dessa teoria, de que Jesus teria ido para a Cachemira. Mas cada vez que eu me deparo com essa história, tem algum dado contraditório. Creio que da última vez, a história era de que Jesus teria ido para a Índia ANTES de morrer, ou seja, durante o período de vida dele de que o Evangelho trata pouco ou quase nada, entre os 12 e 30 anos. Segundo essa versão, ele teria estudado com monges e absorvido a mística e as doutrinas hindus, como parte de sua formação, antes de retornar a Jerusalém para se tornar um pregador. Mas eu também já li essa sobre ser salvo da crucificação e refugiar-se no Oriente. E sempre tem um novo messias na jogada. Adoro.
Olhando a sua lista de filmes, lembrei-me de um que não fala sobre o Islã, mas do Cristianismo e do Judaísmo: Ágora, de Alejandro Amenábar. O filme já deve ter quase 2 anos que estreou lá fora, mas aqui nada ainda. Sabe de alguma coisa? Estou louco pra assisti-lo.
Caramba, fui procurar informações no imdb e muito me impressiona que de fato esse filme não tenha passado por aqui. Alejandro Amenábar é um diretor chileno com participação no roteiro e direção de filmes como Mar Adentro (um filmaço com Javier Bardem) e Os Outros (suspense muito bom com a Nicole Kidman). E a estrela do filme é a Rachel Weisz, também conhecida e premiada. Adorei a sinopse e agora vou cuidar para ver, nem que seja se sair direto em dvd.
Nêga, guiada pela tua santa mão tô botando o pezinho pra fora da lama da inguinorância!
Tô na primeira fila e trouxe maçã pra professora. E se der o quadro pra Carla San apagar eu nao carrego mais teus livros!
Religião é um assunto que me fascina e estou lendo O Mundo Muçulmano de Peter Dermant depois de ter lido Sobre o Islã de Ali Kamel. Este traça uma linha de afinidade entre Judeus, Cristãos e Muçulmanos bem legal para um ponto de partida para quem quer entender esse nó chamado religião.
Ó, não sei o nome original, mas aqui no Brasil o filme da Sally Field chamou Nunca sem Minha Filha. Parece título de novela do SBT, né?
beijos!!!
É verdade, o filme da Sally Field chamava assim. Eu vi numa “Tela Quente” dessas da vida. Total novela do SBT. Ainda por cima é uma produção de 1991, bem no clima ideológico da Guerra do Golfo, e com objetivos explícitos de demonizar a sociedade iraniana. Bem eficiente inclusive, porque toca lá no fundo de aspectos muito caros a nós, sobre a organização social e da família, as liberdades individuais, as conquistas femininas no ocidente, a maternidade.
Quanto aos livros, se fosse outra pessoa eu talvez nem falaria nada, mas dada a nossa intimidade (ui) eu vou confessar que eu tenho meus dois pezinhos atrás com o Sr. Ali Kamel. No melhor estilo não li e não gostei. Quero dizer, eu não li este livro dele especificamente, mas li outras coisas que ele já escreveu, inclusive sobre outros assuntos (como racismo, só pra dar um exemplo), e foi o suficiente para eu olhar com muitas suspeitas o que sai daquela pena. Acho que ele tende a fazer umas idealizações que só servem aos interesses mais conservadores. Mas enfim, uma hora eu dou uma espiada neste para poder falar com mais fundamento.
bjks
eu achei que deveria ser mas detalhado
Oi, Beatriz, a ideia é ir detalhando mais aos poucos, para isso eu pretendo abordar o assunto em capítulos. Além disso, o objetivo do blog não é esgotar o assunto, mas levantar questões para serem refletidas e debatidas, acima de tudo do ponto de vista urbano, pois eu não me atreveria a explorar mais a fundo questões que extrapolam minha área de conhecimento (o que não me impede, como cidadã, de me posicionar com relação ao que julgo pertinente). Se você quer análises mais aprofundadas, eu sugiro que você leia a bibliografia indicada, e até mesmo que contribua para o debate, trazendo suas opiniões e as questões que você gostaria que fossem melhor discutidas. Abs
E eu achei que a dona Beatriz aí em cima deveria ir até ali dar meia hora de bunda e não voltar nunca mais.
Agradecida.
Amada, eu prefiro que ela volte e diga exatamente o que é pra ser mais detalhado. De preferência que contribua para o enriquecimento da conversa, em vez de criticar e se omitir. Mas vamos ver, eu já dei a minha resposta a ela, se ela vier ler, quem sabe o assunto rende. Você é terrível!
Bjs
Nossa, Ana, não tem jeito cada dia que passa te admiro mais. Só você mesmo para me despertar a curiosidade por esse assunto. Sou uma pessoa tipicamente “out” em assuntos de História, mas é impressionante como você conseguiu transformar a leitura desse “mini prólogo” (rssss) em algo tão prazeroso. Parabéns, vou continuar sempre por aqui… Bjs
E eu vou continuar o assunto assim que terminar de corrigir todos os trabalhos e provas! rsrsrsrs Tou com os dedos coçando… Sobre o que nós conversamos na última quarta-feira, estou torcendo MUITO por você. Esse e muitos outros temas fazem parte da grade do curso. Bjs
Nêga, compartilho de todos os pezinhos atrás com o cara, mas esta obra em particular abriu uns links interessantes nessa area na qual me interesso deveras (diferentes religiões) além de concentrar uma bibliografia ótima. Foi nela que eu achei o Mundo Muçulmano do Peter Dermant, por exemplo.
Perdôa eu ficar xingando as visitas na sua sala, mas fico puta com quem, incapaz de fazer igual, que dirá melhor, acha que vai se promover com crítica rasa. Pronto. Fiz de novo. Nêga, apaga que voce sabe que nao me ofende. Te amo.
Não apago nada (só se vc quiser MESMO). Você pode dizer o que pensa e acha do mesmo jeito que ela ou qualquer um. Eu não tenho nenhum problema com crítica ou discordância, mas gosto quando as pessoas fundamentam o que dizem, explicam o que pensam, e isso ela de fato não fez. Vou achar legal se fizer. Se for o caso de só falar por falar, aí a gente deixa pra lá mesmo, não acrescenta nada. Também te amo. Muito. E senti, nas suas palavras, uma forma de você “pular em minha defesa”, bem como os amigos fazem quase instintivamente em relação aos que amam. E bem do teu jeito, despachado, sem nada a dever a ninguém, na lata. Mais um dos motivos pelos quais eu te admiro tanto. Bjs
Oi, Ana Paula,
Fiquei uns tempos sem visitá-la e agora que apareço encontro, logo de cara, esse presente! Também tenho fascínio pelo Oriente Médio. Vou adorar acompanhar suas aulas. Beijo.
Oba! Beijo
(já viu que post novo agora só quando acabarem as aulas, né?)
Grande parte dos gregos que amamos tanto e dos romanos e muitos e muitos outros, e a matemática que (hahaha, eu né) odeio tanto e a geografia e grande, mas grande mesmo parte das maiores e melhores sacadas arquitetônicas que temos, e parte importante da nossa gentileza e da nossa civilidade vem da cultura muçulmana. Se eles, ao assumirem Constantinopla, não tiver copiado, guardado e zelado pelo tesouros bizantinos, fios, nóis tava tudo de tanga numa hora dessas, limpando a bunda com foia de urtiga. E de mais a mais, a históra tá ai pra provar que não existe ninguém bonzinho. Não tem um povo fofo sequer no planeta. Sobreviver é pros maus, pros ímpios, pros que vão atrás, pros que dominam, anexam, invadem, fincam bandeiras, correm atrás da bola, ainda que isso arrepie nossas politicamente corretas e escovadas babaquices. Então, não se trata de achar os muçulmanos, ao de repete, fofos e meigos. Nem os ursinhos pandas o são. É apenas, como brilhantemente e em quatro milhoes de linhas perfeitas e bem escritas explicou a ANa, reconhecer o que há de humano em todos nós, falho, em todos nós, burro e genial, malvado e peludinho nos corações de todos nós. Ana, vc é um gênio do caraio. Aprendi montes. E dexô voltar pra faina, quem me vê assim cantando, pensará que eu não trabaio, tenho os dedos calejados da viola e do baraio.
Hahahaha, Fal, a gênia aqui é você, môbem. Quem me dera escrever com a sua verve e saber metade do que vc sabe assim, como se fosse fofoca de família, enquanto eu tenho que gastar horas lendo e pesquisando pra saber umas coisinhas sem metade do sabor. Muito obrigada, eu fico “sissentindo” quando vc me dá a honra da sua visita!
(e sem começar a falar no Saladino, meu ídolo, um general violentissimo e escroto, que ia lá e arrebentava, tomava e ganha e dai, vai encarar? e que, ao mesmo tempo, parava a batalha pra oferecer seu médico pessoal pro general da outra banda, que tava com malária. E esperava o caboclo melhorar, pra ir lá, lutar e rancar a cabeça dele fora, hahahaha!!!)

Não tou dizendo?
Eu amo Saladino, Fal, a gente ia brigar muito por homem se vivesse naqueles tempos, seus ídolos são iguais aos meus. Alexandre Magno então, hors concours. Tá, você pode ficar com o Aníbal, e Cartago inteirinha de quebra. Nunca entendi muito bem qual era a desse cabra.
e pq que meu monstro é horroroso e o monstro da suzi é fofo e usa batão? revortei. tem nepotismo nesse blog e vc nem é papa.
HUAHUAHUAHUA! Eu sei lá, esse troço gera tudo aleatoriamente, considere uma “vibe” assim meio como aquele desenho fofo, Monstros S/A, no fim das contas os mais monstruosos são os mais legais. Mas se isso te incomoda, aceitamos subornos, propinas, e comissões superfaturadas por baixo dos panos. Dependendo da negociação, tudo tem remédio.
ah, ana, cubra a cabeça de cinzas e medite sobre seus muitissimos pecados, minha filha, Aníbal foi grande, foi trágico, foi doido, foi o grande herói romântico por excelência. Aníbal rules, completamente. E do monstro eu só falei pq, ah, eu gosto de perturbar a suzi, cê sabe. Na verdade eu acho todos os monstros daqui fofos, adouro esse esquema.
Ah, e votêdizer: por mais da metade desses cablocos, a gente podia lutar no gel o qt quisesse, a praia deles era outra.
Hahaha, eu sei disso tudo, sua doida (principalmente a parte da praia deles ser outra), só falei pra te perturbar mesmo. E se for pra perturbar a Suzi, fique à vontade, eu também adoro inticar com ela (o pessoal do sul fala “inticar”, eu acho a coisa mais fofa).
Meu monstro é fofo, porque eu sou uma fofa, Fal. Só por isso. Eu não discuto cos mais velhos, eu nao dou pitaco nos blogs dos otros e não xingo nem sou mal criada com as visitas dos blogs dos outros, né Ana? Por isso a Ana escolheu a dedo o melhor dos monstrinhos só pra mim. E ó, vou falar só uma vez: cada um tem o direito de ter seu preferido e às vezes calha de não ser a gente, desculpa? Hã?
Vcs me matam de rir!
nojenta – tchã!
Quem acha que conhece acha que sabe e apenas se engana nas verdades da mentira que pensa falar a verdade.
Total engano o texto acima.. lamentável
Aguarde os próximos. E venha explicar – educadamente – o que há de errado neles, em vez de só reclamar.