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Nem tão recentemente

Antes tarde…

Assim. (Odeio frase que começa com “assim”. Pior, só se começar com “então”. Mas vamos lá, que como quebra-gelo é bem bom).

Como eu ia dizendo, oi. Tudo bem? Você vem sempre aqui? (Tá, melhor pular esse pedaço).

Vou poupá-los das desculpas pelo sumiço, as reclamações pelo cansaço de fim de ano, bla bla bla. Eu tirei férias, é isso. Merecidas e necessitadas. Na verdade, continuo de férias. Não que eu não tenha o que fazer, mas atividades profissionais com hora e prazo marcado só em março. Nesse meio tempo, escrevi uma dezena de posts mentalmente e tive preguiça ou faltou oportunidade de colocar no papel/computador. Aliás, eu me dei conta recentemente de uma coisa. Eu escrevo melhor à mão. Acontece isso com você? O pensamento é rápido demais, e, por incrível que pareça, à mão eu acompanho melhor do que no teclado. E olha que eu digito rápido.

O que mais acontece é eu estar lavando louça, ou parada no engarrafamento, ou naqueles minutos antes de adormecer, e começar a pensar como se estivesse escrevendo. Saem coisas legais que eu jamais dou conta de reproduzir depois. Esta retomada mesmo já foi ensaiada váááárias vezes, desde dezembro, mas na hora que eu poderia escrever de verdade, cadê que eu lembrava aquilo tudo que eu tinha pensado? Aí o que me vinha à cabeça e aos dedos me parecia tão sem graça que eu deixava pra lá. Pras horas de engarrafamento eu já aprendi que existe o gravador de voz do celular! Alguns trechos do projeto que eu apresentei na seleção do doutorado, por exemplo, acabaram vindo de pensamentos fisgados em momentos assim. Em viagens e determinados passeios eu adotei a sempre recomendada e eficiente tática de andar sempre com uma cadernetinha e caneta na bolsa, e fazer anotações a cada vez que dou uma parada: enquanto tomo um café, ou contemplo uma paisagem. Às vezes entro em algum lugar tranquilo, uma igreja, por exemplo, só pra sentar e escrever o que me passa na cabeça. Para quem gosta, eu acho ainda melhor que a cadernetinha seja sem pauta, porque a gente aproveita para rabiscar desenhos toscos, que depois a gente não mostra pra ninguém, mas que são relaxantes e ótimos exercícios. Infelizmente, na maior parte das vezes em que eu começo a devanear, não há nenhum desses recursos à mão.

Devanear é uma palavra ótima. Eu vim aqui pensando escrever uma coisa e já enveredei por outro caminho completamente diferente. Voltemos, pois.

Tenho novidades para contar (não sei se ainda é novidade pra muita gente, mas vou contar – de novo – assim mesmo) e uns assuntos e links para partilhar.

1 – A novidade que já não é novidade, mas que está me deixando particularmente feliz neste início de ano é que eu fui aprovada na seleção do doutorado, no PROURB/UFRJ (Programa de Pós-Graduação em Urbanismo), onde serei orientada pela Prof. Dra. Rachel Coutinho Marques da Silva, que já me acompanhou no mestrado e com quem eu gosto muito de trabalhar. O título do projeto apresentado é Histórias, riscos e possibilidades nos subúrbios da Leopoldina. Pretendo, aos poucos, contar um pouco pra vocês do que se trata, em que projeto de pesquisa se insere, e ouvir opiniões e sugestões. Meus próximos 4 anos, portanto, estão comprometidos com a produção desta pesquisa. Eu sei que vou reclamar muito, vou ficar exausta, vou me perguntar onde estava com a cabeça quando me meti nessa furada, vou ler e escrever mais vezes por obrigação do que por prazer, mas vou saber o tempo todo que é exatamente isso que eu queria, pelo que eu trabalhei tanto, e cujos frutos me trazem tanto prazer.

2 – Em função desta nova atividade, que vai me acrescentar bastante trabalho e tomar um bocado de tempo, eu precisei abrir mão da função de professora na Universidade Veiga de Almeida. A diretora me ofereceu a possibilidade de tirar licença sem vencimentos por um ano, enquanto eu termino meu contrato de professora substituta na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, e eu aceitei. Em 2011, portanto, concentro minhas atividades na Ilha do Fundão, o que me poupa, pelo menos, um bocado de deslocamentos. Sentirei falta dos alunos, a quem eu sempre me apego tanto, e dos colegas de trabalho, com quem eu sempre tive um ótimo relacionamento, mas a internet está aí pra isso mesmo, facilitar a aproximação, minimizar as distâncias, possibilitar os contatos.

3 – Há muita coisa que eu gostaria ainda de falar sobre as enchentes de janeiro deste ano, que maltrataram tanto a Região Serrana do Rio de Janeiro e seus moradores. Poucos dias depois das chuvas mais fortes, fui convidada pela TV Brasil para um sobrevôo pelas áreas atingidas, para conversar um pouco sobre os efeitos destes fenômenos naturais sobre a cidade e o que pode ser feito para evitar estas tragédias anunciadíssimas, em vez de ficar cinicamente com cara de quem foi pego de surpresa (de novo?), ou jogar a culpa sobre a “natureza” e sua fúria inclemente. A entrevista foi ao ar em quatro blocos, na edição do dia 14 de janeiro, durante o telejornal Repórter Brasil, e pode ser vista na internet, aqui:

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/12615/

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/12616/

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/12617/

http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/12618/

4 – Depois disso, as queridíssimas Esther Lúcio Bittencourt e Ana Laura Diniz, competentes jornalistas e delicadas amigas, de Caxambu-MG, que dirigem o jornal Primeira Fonte, também tiveram a generosidade de publicar um bate-papo comigo numa coluna chamada Correspondência Urbana. Entre outras coisas, esse tema das enchentes e da relação das cidades com o ambiente natural também foi abordado. Eu adorei participar, embora tenha deixado um monte de fios soltos, e pretendo voltar a trocar cartas e impressões com elas. No mesmo jornal há outros escritos deliciosos, como a descrição que Vera Guimarães faz da Belo Horizonte de sua mocidade universitária, ou as dicas da Menina Eva sobre Manaus. Passeiem por lá.

5 – Como não podia deixar de ser, estando de férias, tenho lido um bocado (embora menos do que gostaria, eu sou uma leitora lenta, essa que é a verdade) e tenho ido ao cinema de vez em quando. A entrega do Oscar vem aí, dia 27 de fevereiro, e eu estou aqui lembrando dos meus comentários no ano passado. Ontem fui ver A última estação (The last station), que retrata as últimas semanas de vida de Leon Tolstói, e adorei, achei um filme de enorme sensibilidade, que me tocou profundamente. Há um post pronto, já escrito sobre o assunto, a ser publicado em breve (a cadernetinha estava comigo na bolsa e eu rabisquei umas linhas lá mesmo, de luz apagada, enquanto me emocionava com as interpretações magistrais de Christopher Plummer e Helen Mirren). Com relação a livros, também há um post pronto sobre o que estou terminando de ler. Na verdade, foi um e-mail trocado com amigos que eu vou aproveitar descaradamente. O livro se chama Uma história de Deus, de uma das minhas autoras preferidas sobre o assunto, Karen Armstrong.

6 – Por fim, viagens. Ano retrasado eu fui a Montreal, o que rendeu algumas ótimas conversas aqui. Ano passado, estive em Milão. Este ano, especificamente semana passada, fui a uma cidade diferente. Cosmopolita, rica, enorme, com um centro histórico belíssimo, ainda que um pouco decadente. Uma cidade fascinante, com um monte de problemas e um monte de possibilidades, em que eu já tinha estado mais de uma vez, mas na qual eu nunca tinha reparado tanto, que eu nunca tinha visitado de coração tão aberto, e pela qual me apaixonei. Fui a São Paulo. Aguardem relatos (sim, a cadernetinha, de novo).

Está aberta, oficialmente, a temporada 2011 deste boteco.