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	<title>Urbanamente &#187; Arquitetura &amp; Urbanismo</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>Obeliscos</title>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 03:03:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[História Urbana]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
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		<category><![CDATA[História]]></category>

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		<description><![CDATA[<p class="wp-caption-text">O obelisco da 9 de Julio, em Buenos Aires</p>
<p>Enquanto eu não volto com mais Mestre Valentim, partilho com vocês este texto, fruto de dois e-mails que escrevi, em épocas diferentes, para pessoas diferentes, por acaso em torno do mesmo tema: a função dos obeliscos nas cidades. Em 2007, uma amiga foi a Buenos Aires, adorou, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1036" class="wp-caption alignleft" style="width: 300px"><a href="http://argentina.pordescubrir.com/la-avenida-9-de-julio.html"><img class="size-full wp-image-1036 " style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="avenida-9-de-julio" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/avenida-9-de-julio1.jpg" alt="" width="290" height="335" /></a><p class="wp-caption-text">O obelisco da 9 de Julio, em Buenos Aires</p></div>
<p>Enquanto eu não volto com mais <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2011/04/23/mestre-valentim-um-filme-uma-conversa-uma-cidade/" target="_blank">Mestre Valentim</a>, partilho com vocês este texto, fruto de dois e-mails que escrevi, em épocas diferentes, para pessoas diferentes, por acaso em torno do mesmo tema: a função dos obeliscos nas cidades. Em 2007, uma amiga foi a Buenos Aires, adorou, mas na volta falou o seguinte:  <em>&#8220;Agora, uma coisa que eu não consigo achar graça é o tal do Obelisco da Avenida 9 de Julio. E daí? Uma avenidona enorme, muito larga, tá bom. Cadê a beleza disso?&#8221;</em></p>
<p>Depois, em 2009, outras amigas foram a Paris e eu não lembro se elas me pediram para falar a respeito ou se eu, enxerida, meti o bedelho por conta própria, morrendo de inveja por não poder ir junto. Começando por Buenos Aires, eu propus contextualizar a criação da própria avenida, antes de falar sobre o monumento.</p>
<p>A Av. 9 de Julio, cujo traçado já era estudado, como eixo Norte-Sul para a cidade, desde o final do século XIX, começou a ser aberta em 1937, e levou cerca de 40 anos até se completar toda a sua extensão, que eu procurei na internet, mas não descobri de quantos quilômetros é. Tive preguiça de pegar um mapa em escala e medir. Se alguém tiver essa informação, com a fonte, eu agradeço.</p>
<div id="attachment_1037" class="wp-caption aligncenter" style="width: 710px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/BsAs-PresVargas.jpg"><img class="size-full wp-image-1037 " title="BsAs-PresVargas" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/BsAs-PresVargas.jpg" alt="" width="700" height="213" /></a><p class="wp-caption-text">À esquerda e no meio, a localização da 9 de Julio em Buenos Aires. À direita, a Av. Presidente Vargas, no Rio.</p></div>
<p>É uma época de abertura de grandes avenidas, no mundo todo, pelo menos no mundo que ainda não tinha feito isso no século XIX, tipo Paris. A nossa Av. Presidente Vargas (aqui no centro do Rio de Janeiro) é de 1945, por exemplo, e tem os mesmos propósitos funcionais/simbólicos. Grandes avenidas se prestam a exibir poder, ordem, glória; abrem canais de ventilação e iluminação em cidades excessivamente adensadas, disciplinam e otimizam fluxos, além de escoar o tráfego. E neste momento (décadas de 30 e 40), o urbanismo Modernista ainda dá as cartas, com sua aposta na primazia do automóvel (crise do petróleo? Naquela época isso merecia risadas incrédulas), baseada na crença de que a indústria e sua fabricação em massa barateariam os custos e tornariam o automóvel acessível e necessário a todos. Bom, junta tudo isso, e abriu-se a 9 de Julio. São 130 metros de largura. Pra vocês terem uma medida de comparação, de novo, a Av. Presidente Vargas tem 80 metros, chegando a 90 em alguns poucos trechos, no finalzinho. Em São Paulo eu não saberia mencionar uma comparação adequada. Mas sei que a 9 de Julio é considerada, segundo diversas fontes, a mais larga do mundo, deixando seguramente a Champs Elysées parisiense no chinelo. E está sempre lotada de carros e engarrafada, que coisa!</p>
<div id="attachment_1038" class="wp-caption aligncenter" style="width: 817px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Obelisco-e-9Julio-const.jpg"><img class="size-full wp-image-1038" title="Obelisco-e-9Julio-const" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Obelisco-e-9Julio-const.jpg" alt="" width="807" height="419" /></a><p class="wp-caption-text">Fonte: livro &quot;Imágenes de Buenos Aires 1915-1940&quot;. Ediciones de la Antorcha, 2006.</p></div>
<p>Eu vi um site que eu queria deixar como sugestão, mas depois que fechei, não consigo mais lembrar como cheguei ali, e perdi a referência. Mas <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/9_de_Julio_Avenue">aqui</a> tem umas informações interessantes sobre esta avenida. Quanto ao obelisco, oras, tem também suas explicações. Um obelisco é um monumento, normalmente em pedra (os mais moderninhos já o fazem de concreto, e já vi até obeliscos estilosos em aço, mas vamos nos ater aos clássicos), esguio e alto, erguido por (ou em homenagem a) grandes reis ou líderes militares, servindo tradicionalmente para celebrar uma vitória em batalha, uma conquista importante, ou a glória do soberano. Os homens (sim, é evidentemente um monumento bem carregado de simbologia masculina, bem fálico mesmo) erguem elementos marcantes para comemorar suas vitórias ou realizar rituais místicos desde tempos imemoriais, pré-históricos.</p>
<div id="attachment_1043" class="wp-caption alignleft" style="width: 125px"><a href="http://aeterna.no.sapo.pt/lusophia/lusophia36-jc.htm"><img class="size-full wp-image-1043" title="Menir" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Menir.jpg" alt="" width="115" height="177" /></a><p class="wp-caption-text">Menir em Portugal</p></div>
<p>Muito antes dos obeliscos, já havia os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Menir" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">menires</span></a> de pedra, menos sofisticados e de razões supostamente mais esotéricas que militares, mas ainda assim impressionantes. Eram pedras imensas, altas, mas bem irregulares, brutas, cravadas no solo. Aquelas pedras em <span style="color: #000000;"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Stonehenge" target="_blank">Stonehenge </a>(Inglaterra)</span> são como menires. Mais tarde, alguns desses monumentos passaram a se sofisticar mais e se tornaram mais associados com essa coisa da batalha mesmo, perdendo a conexão com o divino. Passaram a ser blocos de pedra mais altos, mais trabalhados, com as faces geometricamente talhadas, recebendo inscrições que narram as glórias da guerra, desenhos e entalhes, alto-relevos, enfim, tinham também uma função didática, porque impunham respeito e temor, ao descrever o poder do líder e do império, os suplícios dos perdedores, as marchas vitoriosas do exército. Eram cravados em algum espaço importante da cidade, para que todos pudessem contemplá-lo. Eram uma espécie de jornal, de panfleto, eram em si mesmos uma narrativa histórica.</p>
<div>
<dl id="attachment_1046">
<dt>Os  egípcios e os romanos foram mestres no uso de obeliscos, e alguns   deles mais tarde foram roubados pelos novos conquistadores e trasladados   para lugares como Paris (por Napoleão, claro), Roma, Londres, como um   troféu. Bem  mais tarde, no Renascimento e principalmente durante o  Barroco, a  partir do século XVII, os urbanistas se deram conta de que  aqueles  marcos verticais tão imponentes serviam como elementos  estéticos e  compositivos espetaculares nas novas ordenações  urbanísticas. Eles  servem, por exemplo, como ponto focal, ao final do  eixo de perspectiva  formado por uma longa, reta e larga avenida, ou  para enfatizar a  simetria de uma imensa fachada. </dt>
<dt> </dt>
<dt>
<div id="attachment_1048" class="wp-caption alignleft" style="width: 455px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/ChampsElisees-Vaticano.jpg"><img class="size-full wp-image-1048" title="ChampsElisees-Vaticano" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/ChampsElisees-Vaticano.jpg" alt="" width="445" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Os obeliscos de Paris e do Vaticano, respectivamente. </p></div>
</dt>
<dt>Como exemplo do  primeiro caso, temos o  obelisco do templo de Luxor,  que Napoleão  trouxe do Egito e posicionou na Champs Elisées, na Place  de la Concorde  (no outro extremo da avenida, em relação ao Arco do  Triunfo). No  segundo caso, temos o obelisco, também egípcio, trazido para Roma por  Calígula, no século I,  para ostentar a sua própria glória no centro do  Circo que levava seu nome. No  século XVI, quando o circo já não existia  mais e a Basílica de São Pedro, no Vaticano, começou a ser construída no  lugar da milenar Basílica de Constantino, o obelisco de Calígula não  estava na posição em que está hoje. Ficava ao lado da nova basílica e,  pelos princípios barrocos, atrapalhava o eixo da perspectiva, desviando o  olhar de quem se postasse diante da fachada em construção. O papa da  ocasião, Sisto V, incomodado esteticamente, com toda a razão, cismou em  remover o monolito do lugar e trazê-lo para o centro da praça, onde ele  direcionaria a visada para a o eixo certo, valorizando a praça e a  igreja. Foi uma empreitada de engenharia supercomplexa, com uma história  genial! </dt>
<dt> </dt>
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<div id="attachment_1049" class="wp-caption aligncenter" style="width: 754px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/basilica-circus.jpg"><img class="size-full wp-image-1049" title="basilica-circus" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/basilica-circus.jpg" alt="" width="744" height="518" /></a><p class="wp-caption-text">Fonte: SCOTTI, R.A. Basílica de São Pedro: esplendor e escândalo na construção da Catedral do Vaticano. RJ: Nova Fronteira, 2007. p.80</p></div>
</dt>
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<dt> </dt>
<dt>Em 1586, tendo se dado conta de que o obelisco estava deslocado, e sua imponência era tal que desviava o olhar do que deveria ser o centro da composição, o papa ordenou que ele fosse removido e reposicionado. Como ninguém achasse que isso era possível, Sisto V fez um concurso público, vencido pelo engenheiro e arquiteto Domenico Fontana, que pôs o obelisco na sua posição atual, a partir de estudos históricos de como os próprios egípcios tinham transportado o bloco de pedra pelo Nilo, quase 3 mil anos antes, e de cálculos precisos que envolviam o uso de macacos hidráulicos, alavancas e polias. Esta história está contada, em detalhes deliciosos, no livro <span style="color: #000000;"><a href="http://www.submarino.com.br/busca?franq=134562&amp;q=basilica+de+sao+pedro+++esplendor+e+escandalo+na+construcao+da+catedral+do+vatic+r+a+scotti" target="_blank"><strong>Basílica de São Pedro: esplendor e escândalo na construção da Catedral do Vaticano</strong></a>, de R. A. Scotti, publicado pela Editora Nova Fronteira.<br />
</span></p>
<div id="attachment_1050" class="wp-caption aligncenter" style="width: 740px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Basilica-planta-perspect.jpg"><img class="size-full wp-image-1050" title="Basilica-planta-perspect" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Basilica-planta-perspect.jpg" alt="" width="730" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">A planta final e a perspectiva da Basílica e Praça de São Pedro, com o obelisco reposicionado.</p></div>
</dt>
<dt> </dt>
<dt>Se você pensar bem, um obelisco tem mesmo esse poder de atrair o olhar, e quando bem usado, ele pode ajudar a equilibrar uma composição muito horizontal, dar proporção e senso de profundidade a uma visada muita ampla. É o caso do enorme obelisco da Av. 9 de Julio, em Buenos Aires. Pena que mais modernamente, o pessoal &#8211; que ouviu o galo cantar, mas não sabe bem onde &#8211; tem usado levianamente desse recurso, que não serve pra celebrar mais nada, e muitas vezes é projetado sem manter proporção com porcaria nenhuma, só para a glória duvidosa de algum político chinfrim ou para a vaidade de algum arquiteto que &#8220;se acha&#8221;. Preciso dar exemplos? Cada um aqui dá conta de lembrar de mais de um, se duvidar.</p>
</dt>
</dl>
</div>
<p>Tá bom, não dá pra comparar o obelisco da Praça de São Pedro com o da 9 de Julio, mas é pra dizer que são marcos verticais que ajudam a dar proporção, senso de profundidade e orientar a perspectiva. Como elementos verticais de destaque na paisagem servem de referência e ajudam as pessoas a se situarem. Isso, claro, num momento em que as construções ainda não eram tão altas a ponto de achatarem os ditos cujos. A largura da 9 de Julio ajuda muito a que o obelisco ainda se destaque, a despeito dos prédios construídos ao redor.</p>
<div id="attachment_1052" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/obelisco-AvRioBranco.jpeg"><img class="size-medium wp-image-1052" title="obelisco-AvRioBranco" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/obelisco-AvRioBranco-300x201.jpg" alt="" width="300" height="201" /></a><p class="wp-caption-text">O obelisco da Av. Rio Branco.  Fonte: Google Streetview</p></div>
<p>No final da Av. Rio Branco (Centro do Rio) também há um obelisco e uma vez eu comentei isso com meu marido. Ele, que passa ali desde sempre, perguntou, incrédulo: Tem? Nunca vi&#8230; Claro, o obelisco era perfeitamente visível na abertura da Avenida, quando todos os prédios em volta tinham a altura da Biblioteca Nacional, do Museu de Belas Artes, do Teatro Municipal. Depois que os arranha-céus foram construídos indiscriminadamente (e criminosamente, também, na minha modesta opinião), a avenida ficou com uma cara apertadinha e o obelisco ficou com a escala ridícula de um palitinho de fósforos. É tudo uma questão de proporção, e não é da proporção do lucro que eu estou falando, mas isso é outra história.</p>
<p>Buenos Aires tem coisas muito mais interessantes e legais que o obelisco da 9 de Julio, mas se algum dia um de vocês for visitar a bela capital argentina, não deixe de considerá-lo como um marco na paisagem da cidade, na história urbanística local e como um testemunho de um modo de pensar e construir a cidade.</p>
<p><em>PS: Eu não sei como, mas as fontes se desconfiguraram aqui e eu não consegui arrumar de jeito nenhum. </em></p>
<p><em>Update: como vocês podem ver, as fontes foram arrumadas. Oba!<br />
</em></p>
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		<title>Mestre Valentim: um filme, uma conversa, uma cidade</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Apr 2011 21:18:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Eu tenho tanto texto “pronto” que é uma vergonha eu ficar tanto tempo sem postar. O problema (para mim) é que a maior parte é uma rascunhada, reflexões mais ou menos soltas de acordo com alguma coisa que eu esteja lendo ou tenha visto, material que sobrou de artigos que eu não cheguei a completar, trechos [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } -->Eu tenho tanto texto “pronto” que é uma vergonha eu ficar tanto tempo sem postar. O problema (para mim) é que a maior parte é uma rascunhada, reflexões mais ou menos soltas de acordo com alguma coisa que eu esteja lendo ou tenha visto, material que sobrou de artigos que eu não cheguei a completar, trechos de e-mails que eu escrevi há algum tempo, e nos quais me estendi além da conta em assuntos sobre os quais algum pobre coitado me perguntou alguma coisa, sem imaginar que eu desembestaria a falar como um bonde sem freio.</p>
<p>Mas qual o problema?, você pode me perguntar. É que no meu traço obsessivo, eu sempre acho que o texto precisa de uma melhorada, uma atualizada, uma revisada. Eu tenho que inserir links, fontes, imagens. E essa é a parte que demora. Daí me dá preguiça, ou eu me enrolo com prazos mais urgentes, e vou sempre me prometendo escrever no próximo final de semana. Por vício acadêmico, se bobear, eu inseriria inclusive as notações bibliográficas, até que a <a href="http://www.gatomia.com/" target="_blank"><strong>Dedéia</strong></a> me lembrou que isso aqui é um blog, não uma revista científica.</p>
<p>Semana passada me aconteceu uma coisa que eu achei muito legal. Eu cheguei a dizer por telefone, a uma amiga, que não iria divulgar as ideias que me ocorreram depois deste evento, enquanto a gente não amadurecesse e formatasse melhor os planos que nos ocorreram, mas eu não resisto. Então vou falar um pedacinho, sobretudo para não perder o entusiasmo e para repartir um pensamento ou dois, que eu já mencionei aqui, mas que eu gosto de reforçar.</p>
<p>No início do semestre, apareceu uma moça lá no Departamento de Urbanismo da <a href="http://www.fau.ufrj.br/" target="_blank"><strong>FAU</strong></a> (FAU é Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, a unidade da UFRJ em que eu trabalho), falando alguma coisa sobre estar fazendo um documentário sobre <a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/mestre-valentim" target="_blank"><strong>Mestre Valentim</strong> </a>(já explico quem foi), e gostaria de saber se algum professor poderia dar um depoimento a respeito. Alguma coisa assim, sem mais detalhes. O secretário do departamento, muito solícito, anotou os dados da moça e encaminhou em e-mail para os professores, contando a história e pedindo que algum de nós entrasse em contato com ela, se quisesse saber mais. Eu achei interessante e escrevi. Queria saber do que se tratava exatamente, qual o objetivo, se era uma produção independente ou se estava vinculada a um programa para alguma tv, quem estava produzindo, essas coisas.</p>
<p>A moça foi tremendamente gentil e profissional, me respondeu em seguida, agradeceu o contato, deu todas as explicações. É um trabalho acadêmico, de uma turma que estuda <a href="http://portal.estacio.br/cursos/graduacao.aspx?query_curso=Cinema" target="_blank">Cinema</a> na <a href="http://portal.estacio.br/" target="_blank">Faculdade Estácio de Sá</a>, para uma disciplina chamada Documentário II. A professora deu algumas alternativas de temas, o pessoal escolheu esse e eles têm que apresentar no final do semestre. Fizeram uma pesquisa preliminar (ela me encaminhou o roteiro que eles estavam seguindo, com alguns dados levantados e eu achei tudo bastante pertinente), e estavam em busca de profissionais que topassem gravar entrevistas sobre a vida e a obra deste que foi um dos maiores mestres-artesãos do Rio de Janeiro, na segunda metade do século XVIII. Expliquei a ela que minha área era de História, de Urbanismo. Eu não saberia fazer crítica de arte sobre o trabalho dele, mas poderia, se ela achasse válido, falar sobre a cidade naquele momento, as circunstâncias sociais, políticas, econômicas e urbanas do Rio de Janeiro no qual Mestre Valentim viveu e atuou. Ela gostou e nós marcamos a data. Foi quarta passada, num recanto agradabilíssimo do Jardim Botânico. A equipe, pequena e afiada, me deixou muito à vontade e acabou sendo um papo delicioso, espero realmente ter contribuído para que eles apresentem um trabalho bacana. Eu não entendo tanto de cinema, mas sei que eles gravaram entrevistas com outras pessoas, fizeram tomadas com imagens variadas das diversas <a href="http://historicidadecultural.blogspot.com/2009/10/obras-de-mestre-valentim.html" target="_blank"><strong>obras do Mestre Valentim</strong></a> espalhadas pela cidade, e agora eles precisam juntar tudo isso, editar, montar, sonorizar, sei lá mais o quê, e que leva um tempo pra ficar pronto. Eles me disseram que eu vou ganhar um dvd com o documentário pronto, deve ser lá pra julho, eu fiquei toda boba e feliz.</p>
<p>Mesmo falando sobre um assunto que faz parte do conteúdo das minhas aulas, é claro que eu fui dar uma estudada antes, ler alguma coisa a mais, pra não fazer feio. Eu sei um bocadinho sobre o panorama do Rio naquela época, sei alguns nomes e datas de tanto ler e repetir semestre após semestre, conheço a contribuição do Mestre Valentim para a cidade, mas não sabia muita coisa sobre a biografia dele. Descobri coisas interessantíssimas, que me puseram pra pensar e fazer outras conexões e suposições.</p>
<p>Pra esse post não ficar muito comprido, eu prometo que faço outro, em seguida, só sobre isso. O que eu queria mesmo, agora, é falar do que eu pensei <strong>depois</strong> da gravação.</p>
<p>Eu fiquei tendo mil ideias. Não, não vou contar todas agora, mas me deu vontade, por exemplo, de fazer uma exibição do documentário para os alunos de Arquitetura, na FAU. A galera de Cinema adorou e topou na hora. Dá pra desdobrar um monte de coisas a partir daí. Os alunos de arquitetura estudam isso. Eles falam sobre Mestre Valentim nas aulas de História da Cidade, nas aulas de História da Arte e da Arquitetura (o cara deixou um legado precioso em esculturas e talhas barrocas em várias igrejas do Centro do Rio), nas aulas de Paisagismo. Foi ele que desenhou e fez o <a href="http://www.passeiopublico.com/index2.htm" target="_blank">Passeio Público do Rio</a>. É verdade que o Passeio que está lá, hoje, não tem mais o traçado original de Mestre Valentim, e é fruto de uma reforma feita pelo paisagista francês <a href="http://www.casaruibarbosa.gov.br/glaziou/" target="_blank">Auguste-Marie Glaziou</a>, em meados do século XIX, seguindo já outros princípios filosóficos e projetuais, conforme a moda dos jardins românticos ingleses da época, em contraste com os jardins barrocos predominantes no século XVIII. Mas aquela área ali, entre a Cinelândia e a Lapa, era uma lagoa fétida até 1770, a Lagoa do Boqueirão, local de depósito de lixo e acúmulo de mosquitos, quando o vice-rei, D. Luís de Vasconcelos, resolve aterrá-la para transformar a área em um jardim, e é o mestre Valentim que projeta e executa o primeiro jardim público do Brasil.</p>
<p>O que me encantou nesse projeto foi algo que, como eu disse no início do texto, eu já falei aqui neste blog outras vezes. Me encanta e me interessa o amor pela cidade. Pela<span style="text-decoration: underline;">s</span> cidade<span style="text-decoration: underline;">s</span>, como produto humano, como construção e processo. E dentro disso, claro, pela minha cidade, tão linda, tão rica, tão cheia de possibilidades pouco exploradas. Me fascinam iniciativas como esta, de jovens que querem falar sobre a cidade, sua história, seus personagens, seu legado. A gente só ama e só dá valor àquilo que conhece. Como falar em preservação de patrimônio se só meia dúzia de estudiosos sabe o que significa determinado monumento ou pedaço da cidade? É preciso que as pessoas comuns, todas as pessoas, se interessem por conhecer, discutir, que sintam a cidade como sua, aquele cantinho, aquele bairro, aquela praça, aquele prédio meio em ruínas. Só assim elas vão defender esses lugares e objetos da sanha especulativa que tudo destrói em nome do lucro rápido.</p>
<p>Eu às vezes ouço com dó e profunda discordância alguns técnicos e profissionais, não apenas na minha área, de arquitetura e urbanismo, mas em algumas outras também, falando como se tivessem o monopólio do direito ao discurso sobre a cidade. Como se fossem os detentores de um saber que os coloca acima dos pobres mortais, do cidadão comum, coitado, que não sabe nada e só fala bobagem (e vamos combinar que especialistas vira e mexe falam bobagens também, eu já ouvi algumas bem constrangedoras).</p>
<p>Eu não quero com isso desqualificar o saber técnico-acadêmico e nivelar toda a conversa pelo senso comum. O que eu penso é que há percepções e instrumentos de análise diferentes, que se complementam e enriquecem. O pesquisador se debruça sobre autores variados, documentos, reflete, supera visões cristalizadas, escreve montes de páginas em artigos e teses que, muitas vezes, só outros pesquisadores como ele vão ler, se ele tiver sorte pra tanto. As pessoas em geral (e os próprios pesquisadores, que também são pessoas em geral, que vão à padaria, andam de ônibus e frequentam bares) vivem a cidade, seu cotidiano, suaz mazelas. As pessoas todas – médicos, executivos, economistas, motoristas de ônibus, donas de casa, mendigos, aposentados, estudantes, vocês entenderam – constroem esse objeto-cidade, todos os dias. Têm queixas, demandas, reivindicações, preferências, prazeres, memórias. Elas conferem significados, afetos, estabelecem vínculos com certos lugares e práticas, criam relações sociais e espaciais. As pessoas mudam os lugares e estes mudam as pessoas.</p>
<p>Por que não prestar atenção a isso, não ouvir com atenção, não considerar? Por que os projetos que vão incidir sobre as cidades, interferir na vida das pessoas, alterar paisagens e rotinas, precisam ser concebidos em âmbitos exclusivamente técnicos e políticos, sem incorporar a participação efetiva dos interessados? Não apenas uma consultinha do tipo “vocês querem que ponha a praça aqui ou ali?”, mas uma participação de verdade, uma troca, um protagonismo. Tudo bem, eu sei a resposta para estas perguntas, mas não me conformo com elas e não gostaria que minhas indagações ficassem no campo da retórica. Participar nas decisões implica em assumir co-responsabilidades pelo que será feito e suas consequências, e estimula cuidados maiores do que os que a gente costuma ter com coisas que simplesmente nos são dadas ou impostas.</p>
<p>De novo. Comecei querendo falar de uma coisa e acabei enveredando por outra. Só pra resumir então. Eu fiquei felicíssima com o convite, emocionada com o carinho e empenho com que o trabalho está sendo realizado, e quero expressar publicamente o quanto valorizo e prezo essas iniciativas, que tendem a atingir muito mais gente e dar muito mais resultado em termos de preservação de patrimônio e discussão sobre a cidade do que mil palestras em congressos. Acho a troca interdisciplinar (e interinstitucional) fundamental para arejar ideias e acredito que sempre temos muito para aprender uns com os outros. Depois conto pra vocês o que aprendi com esta experiência.</p>
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		<title>Lira paulistana</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Feb 2011 23:11:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Foram cinco dias em São Paulo. Eu gastei dois posts longos pra falar do primeiro dia e agora vou escrever mais um pra falar de todo o resto e fazer um apanhado geral das coisas que pensei com essa viagem.</p>
<p>Como eu disse, eu cheguei lá na quarta já de tardinha. Na quinta flanei sozinha pela cidade, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foram cinco dias em São Paulo. Eu gastei dois posts longos pra falar do primeiro dia e agora vou escrever mais um pra falar de todo o resto e fazer um apanhado geral das coisas que pensei com essa viagem.</p>
<p>Como eu disse, eu cheguei lá na quarta já de tardinha. Na quinta flanei sozinha pela cidade, conhecendo o Centro e o Bom Retiro. Na sexta, o dia foi das amigas. Acordei mais tarde, encontrei a Flávia pra um café delicioso no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Conjunto_Nacional" target="_blank">Conjunto Nacional</a>, ali na Av. Paulista. Papo atrasado há mais de um ano, ela tinha que voltar ao trabalho e eu ali querendo segurá-la só mais um pouquinho, contar só mais uma novidade, perguntar só mais um detalhe. Toda vez que nos encontramos eu fico com a sensação de que é pouco demais, e de que poderíamos ficar conversando por mais muitas horas, com o mesmo deleite.</p>
<div id="attachment_1002" class="wp-caption alignleft" style="width: 490px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/bolinhos.jpg"><img class="size-full wp-image-1002" title="bolinhos" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/bolinhos.jpg" alt="" width="480" height="180" /></a><p class="wp-caption-text">Nham nham</p></div>
<p>Almoço na Aclimação, com mais duas queridas, bem de frente para o<a href="http://www.sampa.art.br/parques/aclimacao/" target="_blank"> parque</a>. Com direito ao melhor bolinho com recheio de creme de limão siciliano e cobertura de chocolate branco que eu jamais comerei na minha vida, de sobremesa, na casa de uma delas logo depois.</p>
<p>Mais tarde, fui dar pitacos arquitetônicos para outra amada que acabou de comprar apartamento, enquanto visitávamos o <em>stand</em> de vendas do prédio e o apartamento decorado que eles colocam lá pra encher os olhos dos clientes. Todos os cômodos com teto (bem) rebaixado de gesso, polvilhado de lâmpadas dicróicas a pouco mais de meio metro da cabeça das pobres criaturas, inclusive no banheiro. Como este apartamento-vitrine é todo climatizado, ar central, fresquinho até no banheiro, parece tudo lindo. Mas se você vai viver num lugar normal, em que isso não é o padrão, essas lampadinhas vão cozinhar os seus miolos. Devagar com o andor. Mas minha amada fez uma compra muito boa. Agora é torcer pro empreendimento ser concluído e entregue no tempo previsto.</p>
<div id="attachment_1003" class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/lambreta.jpg"><img class="size-full wp-image-1003" title="lambreta" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/lambreta.jpg" alt="" width="240" height="180" /></a><p class="wp-caption-text">Tirando onda na lambreta</p></div>
<p>De noite, fomos de grupinho para o <a href="http://www.zedohamburger.com.br/" target="_blank"><strong>Zé do Hamburguer</strong></a>, em Perdizes. Vocês não têm noção do tanto que eu gostei. O bar tem decoração temática 100% anos 50. Do piso ao teto, passando por todos os móveis, copos, pratos, talheres, cores e ornamentos. Tem até uma jukebox e uma lambreta verde no meio do salão! A trilha sonora também segue a onda, e eu me fartei de ouvir Elvis Presley, Chucky Berry e Cely Campelo. Comida boa, preço justo, companhia indescritivelmente gostosa e divertida. Meninas, adorei cada minutinho ao lado de vocês, não tenho como agradecer por tantos mimos e atenção.</p>
<p>No sábado, fui para a Av. Paulista ver o <a href="http://masp.art.br/masp2010/"><strong>MASP</strong></a> e render minha homenagem à <a href="http://www.institutobardi.com.br/lina/biografia/index.html">Lina Bo Bardi</a> por um projeto tão bacana. Mas minha maior surpresa foi mesmo o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Trianon"><strong>Trianon</strong></a>, o parque que fica bem em frente. Aliás, antes, quando eu falava em parque urbano em São Paulo, só me vinha à cabeça o Ibirapuera. Minha ignorância me levava a crer que o Ibira era uma ilha verde no meio do interminável maciço cinzento da cidade. Que surpresa. São Paulo tem uma grande rede de parques urbanos muito bacanas. E, diferentemente de tantos parques aqui no Rio em que a classe média evita transitar, porque são frequentados majoritariamente por desocupados, mendigos e pivetes (é o que escuto, por exemplo, em relação ao Passeio Público e à Praça da República, também conhecida como Campo de Santana, aqui no Centro), os parques paulistanos têm bastante movimento. Pelo menos dos que eu conheci, eu gostei muito. No sábado, ali no <a href="http://jeguiando.com/2008/02/09/parque-trianon-sao-paulo/">Trianon</a>, tinha gente lendo livros e jornais em bancos sob as árvores, correndo ao som de seus ipods, senhoras fazendo tai chi chuan, crianças brincando em parquinhos, casais passeando de mãos dadas.</p>
<div id="attachment_1004" class="wp-caption aligncenter" style="width: 800px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AvPaulista1.jpg"><img class="size-full wp-image-1004" title="AvPaulista1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AvPaulista1.jpg" alt="" width="790" height="230" /></a><p class="wp-caption-text">Cenas da Av. Paulista e do MASP</p></div>
<div id="attachment_1005" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/Trianon.jpg"><img class="size-full wp-image-1005" title="Trianon" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/Trianon.jpg" alt="" width="800" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">O Trianon visto do MASP e ao lado um passeio pelas trilhas do parque</p></div>
<div id="attachment_1006" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AvSJoao.jpg"><img class="size-full wp-image-1006" title="AvSJoao" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AvSJoao.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Av. São João, vista lá de cima do mirante do Banespa</p></div>
<p>Dali, voltei ao Centro para percorrer, do início, a famosa e cantada Av. São João. Bom, eu me lembro pelo menos de <a href="http://paulo-vanzolini.musicas.mus.br/letras/397820/" target="_blank"><strong>Ronda</strong></a>, do <a href="http://cliquemusic.uol.com.br/materias/ver/paulo-vanzolini--o-samba-com-a-cara-de-sao-paulo" target="_blank">Paulo Vanzolini</a>, e <a href="http://www.vagalume.com.br/caetano-veloso/sampa.html" target="_blank"><strong>Sampa</strong></a>, do Caetano Veloso, que citam a longa avenida. Não pude deixar de passar na <a href="http://www.galeriadorock.org.br/site/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=98&amp;Itemid=12" target="_blank"><strong>Galeria do Rock</strong></a>, claro, onde descolei, com enorme surpresa e prazer, o cd dos Beatles ao vivo em Hamburgo, gravado em 1962, no lendário Star Club.  Eu tinha isso em vinil no século passado <img src='http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Pensei em tirar uma foto da placa ali onde cruza a Ipiranga e a Avenida São João, mas achei que era cliché demais e segui adiante. O percurso pela avenida também é um dos roteiros do meu livrinho de viagem, e eu até tencionava caminhar o trajeto todo sugerido no guia, ou ir pelo menos até o Largo de Santa Cecília. Mas pouco antes de chegar ao Arouche o cansaço me venceu e eu resolvi que já tinha visto o bastante. Meia-volta, metrô até o Araçá, ônibus para Pinheiros, e fui encontrar Juju, minha anfitriã e <em>sister</em>, na feira da <a href="http://www.pracabeneditocalixto.com.br/localizacao.htm" target="_blank"><strong>Praça Benedito Calixto</strong></a>. Eu amo essas feirinhas de antiguidades, fico alucinada com os cristais e porcelanas, babando por tacinhas coloridas de licor que possam incrementar minha fajuta coleção. Mas era tudo caro demais. Apaixonei por um oclinhos de sol, redondo, bem John Lennon. Experimentei, ficou divino, perguntei o preço, disposta a extravagâncias. 180 paus. Desapaixonei imediatamente e fui fuxicar as quinquilharias de outras barracas. Máquinas velhas, bonecas encardidas, carrinhos de quando meu avô era criança, revistinhas, puxadores de gaveta de cerâmica esmaltada, LPs de Dalva de Oliveira, espelhinhos de penteadeira com cabo em madrepérola, aldravas de ferro fundido, camafeus, caçarolas de cobre. <em>De um tudo</em>, como se diz por aí. Quase surtei.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/chorinho.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1007" title="chorinho" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/chorinho-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Sob um toldo armado no meio da praça, um grupo tocava os clássicos do chorinho. Delicado, Odeon, Pedacinho do Céu. Isso só enquanto eu tomava uma água de côco numa barraquinha ao lado. Rebatemos a água de côco com uma cerveja bem gelada no barzinho em frente, enquanto esperávamos a chuva passar, Juju e eu, rindo, contando planos, falando bobagens e seriedades, como só se faz com pessoas a quem se ama.</p>
<p>Minha visita terminou no domingo. Passeio pela Liberdade de manhã, de novo com as amigas mais queridas que se pode ter, bem no dia em que os chineses comemoravam o Ano Novo, sob o signo do Coelho. Gente demais da conta, um calor de fritar ovo no asfalto, mas a festa estava tão linda e colorida que eu adorei assim mesmo. Almoçamos num restaurante chinês, e se eu não visse eu não acreditava: o chef produzindo fios perfeitos de macarrão, ali na minha frente (a cozinha é aberta, você pode olhar tudo por um painel de vidro), só esticando e dobrando a massa, sem um corte, sem uso de nenhum instrumento. Uau!</p>
<div id="attachment_1008" class="wp-caption aligncenter" style="width: 790px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/NaLiberdade.jpg"><img class="size-full wp-image-1008" title="NaLiberdade" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/NaLiberdade.jpg" alt="" width="780" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Comemorações do Ano Novo Chinês na Liberdade</p></div>
<p>Ficou faltando tanta coisa. Eu não comi pastel no japa, nem sanduíche de mortadela no Mercado Municipal. Não vi o Museu do Futebol, a Faculdade de Arquitetura da USP, a Sala São Paulo, a Estação Júlio Prestes. Não fui ao Brás, à Mooca, à Lapa, não visitei Santa Ifigênia. Não passeei nos Jardins, nem mesmo para conferir o desenho urbano calcado no princípio das <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade_Jardim_%28teoria%29" target="_blank"><strong>cidades jardins</strong></a> de <a href="http://urbanidades.arq.br/2008/10/ebenezer-howard-e-a-cidade-jardim/" target="_blank">Ebenezer Howard</a>. Não fiz compras na Oscar Freire, e tanto minha conta bancária quanto meu marido suspiram aliviados com isso, aleluia! Não visitei a <a href="http://dropsdafal.blogbrasil.com/" target="_blank">Fal</a>, olha o pecado maior (mas só porque ela não estava na cidade). Ótimo. Assim, tenho pretextos a rodo para voltar.</p>
<p>Cheguei com olhar de carioca, saí com um monte de reflexões e descobertas. Que eu sou apaixonada pela vida urbana, pela diferença e pela diversidade já é sabido. Sou fascinada por este construto social e cultural tão complexo que são as cidades. Essa forma que nós, humanos, há milênios, encontramos de nos organizar espacialmente, economicamente, politicamente.</p>
<p>Ficou muito claro para mim, muito mais óbvio que em qualquer outra ocasião, que para apreciar uma cidade, é preciso de certa forma se despir das outras cidades que nos habitam. Fala-se tanto (com exagero demais, pro meu gosto) das rivalidades entre paulistas e cariocas, cada um defendendo, entre outras coisas, as vantagens de sua cidade e de seu jeito de ser urbano. Acontece que não dá para ir a São Paulo tendo o Rio como parâmetro e vice-versa. São identidades e trajetórias históricas diferentes, suportes físicos diferentes, que geram espaços, paisagens e vivências urbanas diferentes. Se você vai esperando encontrar o Rio, comparar com o Rio, a frustração é grande. Mas se você vai aberto para o novo, é uma cidade fantástica, cheia de oportunidades, uma síntese do Brasil e do mundo. São Paulo é a nossa Nova York, eu acho. Gentes de todos os lugares, línguas e cores. Camadas de história sobrepostas, justapostas, expostas.</p>
<p>O Brasil colônia está lá, o Brasil bandeirante, indígena. O Brasil do açúcar, do negro. O Brasil do café, dos barões, da ferrovia. O Brasil da indústria, do imigrante. O Brasil digital. O Brasil da elite rica e às vezes arrogante, dos negócios e investimentos, da cultura e da gastronomia, da vanguarda intelectual, e também o Brasil de todos os brasis, da periferia, do futebol, do hip hop, dos &#8220;mano&#8221; e dos &#8220;truta&#8221;. Os Jardins e a Cracolândia. A Oscar Freire e a 25 de março. Os arranha-céus e os parques lindíssimos, bucólicos, deliciosos. Um Brasil de trabalhadores das mais diversas origens. Em São Paulo, os paulistas são gaúchos, cariocas, paraibanos, mato-grossenses. E são também italianos, judeus, armênios, sírios, coreanos, bolivianos, turcos, japoneses. São até paulistanos, veja só.</p>
<p>Agora que eu cheguei por aqui é que eu tudo entendi. Rondar a cidade revela que, por trás da dura poesia concreta das esquinas, a lira é paulistana.</p>
<div id="attachment_1009" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/saopaulo-geral.jpg"><img class="size-full wp-image-1009" title="saopaulo-geral" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/saopaulo-geral.jpg" alt="" width="800" height="675" /></a><p class="wp-caption-text">Panorama geral. Acima, à esquerda, Vale do Anhangabaú; à direita Mercado Municipal. Embaixo, à esquerda, o conjunto da Igreja de São Bento, à direita, Av. São João.</p></div>
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		<title>E fez-se a Luz!</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Feb 2011 21:23:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>As férias vão chegando ao fim e minha preguiça vai aumentando exponencialmente. Mas vamos voltar a São Paulo.</p>
<p>Naquele mesmo primeiro dia de passeio, depois de lanchar na Casa Godinho, eu achei que dava tempo de mais um roteirinho do meu livro, e me mandei pro Bom Retiro, um dos bairros mais antigos da cidade, verdadeiro testemunho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As férias vão chegando ao fim e minha preguiça vai aumentando exponencialmente. Mas vamos voltar a São Paulo.</p>
<p>Naquele mesmo primeiro dia de passeio, depois de lanchar na <strong>Casa Godinho</strong>, eu achei que dava tempo de mais um roteirinho do meu livro, e me mandei pro Bom Retiro, um dos bairros mais antigos da cidade, verdadeiro testemunho urbano desde 1800. Primeira parada: <a href="http://www.estacoesferroviarias.com.br/l/luz.htm" target="_blank">Estação da Luz</a>. Estava louca há anos para conhecer o <a href="http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/exposicoes.php" target="_blank">Museu da Língua Portuguesa</a>, que funciona ali numa parte reformada da estação. Não me decepcionei. Lindíssimo o museu, uma pena a loja e a cafeteria estarem fechadas. Mas a estrutura é toda muito bem organizada, há a parte das exposições temporárias, que dessa vez era sobre <strong>Fernando Pessoa</strong>, um andar inteiro e imenso com painéis, projeções e todo tipo de artefato interativo e tecnológico, contando a formação da língua, desde lá atrás, na bifurcação dos ramos linguísticos, de onde surgiu o indo-europeu que dá origem à grande quantidade de línguas que hoje conhecemos, extintas (como o latim) ou vivas, como seus derivados português, espanhol, francês, romeno, para ficar só nas mais conhecidas.</p>
<p>O que eu achei mais legal foram os vários computadores à disposição, que mostram as contribuições das diversas línguas africanas e indígenas à formação do português que falamos hoje no Brasil. Cada computador com um dialeto ou língua, explicando sua origem, falando dos povos que falavam essas línguas, um monte de outras informações culturais interessantíssimas e finalmente uma lista das palavras incorporadas ao nosso vocabulário, em todas as áreas, que são oriundas dessas línguas e do saber desses povos. É impressionante, a gente não se dá conta do tanto que fala e que vem de jejes, eve-fons, iorubás, guaranis, tamoios, e tantos outros. Ah, há também as palavras que vieram de outros grupos de imigrantes, das mais diversas nacionalidades, principalmente nos dois últimos séculos.</p>
<p>Entretanto, o que mais me emocionou mesmo foi a projeção com artistas e escritores declamando trechos de poemas em português. A versão rap para um poema de Gregório de Matos ficou sensacional. Na pequena arena circular em que a projeção era feita nas paredes, em 360°, os textos e imagens abstratas iam se encaixando no tema ou no ritmo, enquanto nós sentávamos em arquibancadas de madeira. O piso, no centro, é escuro, e aqueles versos estão escritos em luz, numa montagem simples e poética. Foi muito lúdico também. Havia crianças se divertindo com a maleabilidade da língua, as aliterações, a cadência que dá vida às frases. Será que eu sou boba porque eu chorei um pouquinho, algumas vezes?</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/Museu.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-986" title="Museu" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/Museu.jpg" alt="" width="850" height="300" /></a></p>
<div id="attachment_987" class="wp-caption alignleft" style="width: 410px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09429.jpg"><img class="size-full wp-image-987" title="DSC09429" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09429.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Estação da Luz</p></div>
<p>Na saída do Museu, fiz questão de verificar que a Estação da Luz continua funcionando como um ponto intermodal importante em São Paulo, integrando a malha ferroviária com o metrô e o ônibus. O prédio original era de 1867, mas desapareceu sob o fogo. O que está lá foi inaugurado em 1901, símbolo da indústria e da arquitetura do ferro e do tijolo da Revolução Industrial. Como aconteceu tantas vezes (e aqui no Rio não é diferente), foi a estrada de ferro que urbanizou a região, levando ao loteamento das chácaras e abertura de ruas. Isso atraiu moradores, casas comerciais, oficinas, armazéns e depósitos. Ainda hoje, é fascinante observar aquele monte de gente passando por ali, como fizeram centenas de milhares italianos, japoneses, coreanos, judeus (de origens várias), mineiros, baianos, paraenses, pernambucanos, peruanos, paraguaios, desde o século XIX até hoje. Isso sem falar nas toneladas de café que vinham do interior do estado rumo ao Porto de Santos e que fizeram a riqueza da metrópole.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/jardim.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-989" title="jardim" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/jardim.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Por recomendação das amigas (e do guia), fui passear no parque em frente, o Parque da Luz. O jardim é anterior à estrada de ferro, e foi aberto em 1825, com um jardim botânico e um zoológico! Tem o típico desenho romântico inglês, com imensas árvores, lagos, canais, pontezinhas, estátuas, grutas artificiais, tudo emulando uma paisagem campestre e nostálgica, que convida o passante à ilusão de que, por um momento, se saiu da cidade e se mergulhou em alguma paisagem idílica. O lindo coreto de ferro ao centro está reformado, e o programa mais delicioso a fazer é simplesmente caminhar e contemplar. O parque é muito frequentado, com dezenas de pessoas percorrendo os caminhos sinuosos, ou sentados jogando dominó, lendo, batendo papo. Ah, antes que eu esqueça, a Pinacoteca fica ali, quase de frente para a Estação da Luz, e o prédio é lindo, mas eu não tive tempo de visitá-la desta vez. Ao seu lado, há um belo Jardim de Esculturas, com obras de geniais artistas contemporâneos brasileiros, como Waltércio Caldas, Amílcar de Castro, Franz Weissmann e Ascânio MMM.</p>
<div id="attachment_990" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/pqe-da-luz.jpg"><img class="size-full wp-image-990" title="pqe-da-luz" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/pqe-da-luz.jpg" alt="" width="800" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Movimento e vida no parque</p></div>
<p>Antes de entrar no coração do bairro propriamente, assinalado por uma placa de Bem-vindo ao Bom Retiro, numa esquina da rua José Paulino, uma das mais conhecidas e badaladas, um pequeno trecho do <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3227054" target="_blank">livro</a> que me serviu de Guia, no capítulo escrito pelo historiador <strong>Roney Cytrynowicz</strong>:</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/bem_vindo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-991" title="bem_vindo" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/bem_vindo-130x300.jpg" alt="" width="130" height="300" /></a><em>&#8220;Poucos bairros e lugares da cidade de São Paulo têm uma característica tão definida como o bairro do Bom Retiro, principalmente por três aspectos relacionados entre si: o comércio têxtil (&#8230;) que atrai pessoas e negócios de todos os cantos da cidade e do país; os restaurantes de culinária &#8216;típica&#8217; de vários grupos étnicos, citados com destaque em todos os roteiros gastronômicos da cidade e, por fim, a presença visível de paulistanos de várias origens étnicas e nacionais. O Bom Retiro tornou-se assim uma espécie de cartão-postal ou vitrine do cosmopolitismo da cidade, [de um] multiculturalismo efetivo, cotidiano, que embaralha pessoas, culturas e comércio. O lado cartão-postal convive com o dia-a-dia dos imigrantes, seus descendentes de várias gerações e sua intensa produção de signos culturais, de letreiros de loja a cardápios de restaurante em várias línguas, brincando com os nomes, seus sentidos, as sonoridades e seus grafismos.</em></p>
<p><em>Mas é interessante superar uma visão folclorizante do bairro e dos seus habitantes, que seria olhar para seus moradores como seres pitorescos originário de outras terras: ; &#8216;coreano&#8217;, o &#8216;italiano&#8217;, o &#8216;judeu&#8217; e assim por diante, como se as pessoas portassem uma etnicidade ou cultura &#8216;pura&#8217; ou &#8216;original&#8217;. (&#8230;) Estas identidades existem, mas sempre em combinação com outras e em um jogo no qual os grupos reinventam sua cultura na troca com os outros, criando estratégias de manutenção interna de sua identidade e outra de consumo para o público &#8216;externo&#8217;.</em></p>
<p><em>Uma visita ao bairro é uma viagem a esse mundo em que &#8216;assim é se lhe parece&#8217;. O próprio comércio (&#8230;) convida a esse turismo de identidade, mas ele é apenas a superfície, a fachada de uma complexa vida diária na metrópole, de sucesso de imigração, de liberdade e afirmação étnica, cultural e religiosa, mas também de fracassos, de retornos, de frustrações, de ilegalidades no trabalho e de vidas sofridas, clandestinas e sem registro formal&#8221;.</em></p>
<p>Assim que passei a placa, procurei um café, sentei, tomei meu indefectível capuccino (adooooro), enquanto rabiscava minhas impressões daquelas primeiras horas e lia esse trecho que acabei de transcrever. Já eram mais de 4 horas da tarde, e eu tinha pressa de ver tudo o que pudesse. A mistura de culturas, arquiteturas, gentes e tempos é gritante. E deliciosa. Como diz o Roney mais adiante: <em>&#8220;o descompasso geométrico das construções, com alturas, tamanhos, estilos, cores e estado de conservação inteiramente diferentes, cada um brotando para um lado&#8221;</em> não deixa de ter seu charme. Os resquícios do passado industrial prioritariamente têxtil do bairro estão por todos os lados. Galpões que viraram centros comerciais, armarinhos, malharias, fiações. Lojas elegantes e caras numa rua, e logo ali depois da esquina, botequins, lojas de 1,99, pechinchas em bolsas e vestidos. Não desejo reforçar os estereótipos, mas meu espírito mulherzinha baixou num transe intenso, e quando eu vi, já tinha gasto mais de mil reais! Calma! Só mentalmente. Era o que eu teria gasto se tivesse comprado tudo o que cobicei nas lojas em que parei pra perguntar o preço. Na verdade, comportei-me estoica e prudentemente (mais ou menos) e minhas já sufocantes dívidas foram acrescidas de apenas cerca de 10% desse valor exorbitante. Mas veja se não valeu a pena: uma calça de malha (aquela viscose com elastano, de boa qualidade) marrom, lindésima, meio pantalona; uma camiseta de malha clarinha, com uma gola de cetim pérola, meio fru-fru, básica e elegantinha; um cinto tressê preto, de couro, fininho; uma echarpe bem levinha, de renda, ideal para o verão. Tudo isso junto, mais o café, o doce a que eu me referi no <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2011/02/17/pauliceia-desvairada/" target="_blank">post anterior</a>, e passagem incluída, somando pouco menos de cem reais. Não está mal, diz?</p>
<p>É uma tentação andar pelo Bom Retiro, aviso logo. Melhor voltar para a apreciação histórica. Pelo que li, além da maioria de italianos e judeus que chegaram no final do século XIX e princípios do XX, houve também grande quantidade de árabes, armênios, gregos, búlgaros. Eu, por exemplo, queria comer um falafel (sanduíche com variações comuns na culinária tanto de Israel quanto de diversos países árabes), ou uma bureka, na <strong>Casa Búlgara</strong>, mas na hora em que passei por lá, já estava fechada. Outro que ficou anotado para a próxima foi o <strong>Restaurante Acrópole</strong>, de comida grega (dãããã), na Rua da Graça.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09441.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-992" title="DSC09441" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09441.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a>Foi bom passar por lá de toda forma. Uma entrada estreita, em paralelepípedos, me chamou a atenção, bem como a placa sobre o portal, que dizia <strong>Vila Michele Anestasi</strong>. Antes mesmo de criar coragem para entrar, reconheci na casinha ao fundo, a tipologia característica das vilas operárias dos oitocentos. Meninos pequenos e descalços brincavam no pequeno pátio, e eu puxei conversa na cara de pau. Carinha de bolivianos, mas falavam português. Pedi para fotografar, já fotografando, e a mãe de um deles apareceu, grávida, desconfiada, cara feia e pouco assunto, mandando o filho entrar. Não admira. Se cem anos atrás essas vilas eram ocupadas por italianos pobres, hoje é moradia principalmente de bolivianos (e outras nacionalidades latino-americanas), que quase sempre vêm para o Brasil atraídos pela ilusão de uma vida melhor, e acabam instalados clandestinamente, trabalhando em condições de miséria e escravidão em fábricas de tecidos e confecções. Quando a mãe fechou a porta atrás de si, a fresta da porta me permitiu vislumbrar uma casa escura e pobre. Para a situação de tantos trabalhadores estrangeiros ou não, ainda presos em relações de trabalho de escravidão, por este Brasil afora, recomendo que acompanhem o <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/" target="_blank">blog do Sakamoto</a>.</p>
<div id="attachment_993" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/vila.jpg"><img class="size-full wp-image-993" title="vila" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/vila.jpg" alt="" width="800" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Vila Operária</p></div>
<p>Na rua Três Rios entrei &#8211; já quase na hora de fechar &#8211; numa lanchonete de nome <strong>Burekita</strong>, onde bebi um refrigerante bem gelado (ô calor!) e comi um docinho, enquanto a família de proprietários judeus conversava ao mesmo tempo em que o guri de seus 4 anos brincava de aviãozinho de papel com o avô. E comigo, né, já que a potente aeronave cismou de pousar na minha mesa algumas vezes. Dali, mais uma caminhada, dessa vez por uma área um tanto esquisita, com oficinas, terrenos baldios e hotéis de categoria duvidosa. Faz parte. Mas logo cheguei de volta à movimentada Av. Tiradentes, de onde peguei o metrô para casa. Um dia inesquecível.</p>
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		<title>Paulicéia desvairada*</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Feb 2011 14:56:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Pergunta: onde mais, neste imenso Brasil, eu posso, num dia só:</p>
<p>- ser abordada por um iraniano pedindo que eu tirasse uma foto dele em frente a uma catedral católica,
- ouvir emocionada um trio nordestino, vestido a caráter, com sanfona, zabumba e triângulo, cantar Asa Branca numa pracinha, enquanto uma multidão se forma em volta,
- depois conversar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta:</strong> onde mais, neste imenso Brasil, eu posso, num dia só:</p>
<p>- ser abordada por um iraniano pedindo que eu tirasse uma foto dele em frente a uma catedral católica,<br />
- ouvir emocionada um trio nordestino, vestido a caráter, com sanfona, zabumba e triângulo, cantar Asa Branca numa pracinha, enquanto uma multidão se forma em volta,<br />
- depois conversar com uma família de americanos num mirante no alto de um prédio, bem no Centro, de onde se vê a cidade quase toda,<br />
- fotografar um menino boliviano descalço e remelento, provavelmente imigrante clandestino, numa vila operária do século XIX,<br />
- comer um doce azedinho e bom, sentada sozinha num bar de judeus e acabar brincando de aviãozinho de papel com o Abraãozinho, neto do dono (era mesmo o nome do guri)?</p>
<p><strong>Resposta: Em São Paulo.</strong></p>
<p>Eu saí do Rio dia 27 de janeiro, para passar cinco dias na capital paulista, visitando amigas queridas, algumas das quais eu não via há mais de um ano. No caminho me dei conta de que era a primeira vez que eu ia a São Paulo a turismo, com disposição de conhecer a cidade. Sempre fui rapidinho, para algum evento específico, e ia do local onde estava hospedada para o evento e voltava. Tá, algumas vezes rolou um restaurante ou um barzinho, sempre ótimos, mas sempre guiada por moradores da cidade, e eu nunca prestei atenção em muita coisa à minha volta durante as andanças de carro. Ou então, passava por São Paulo (de novo de carro) a caminho do sul, e via só a parte ruim: os engarrafamentos da Marginal. Definitivamente, de carro é o pior jeito de conhecer uma cidade.</p>
<p>Vou confessar: São Paulo me intimidava. Engraçado que eu já visitei cidades estrangeiras, grandes, onde nem sempre eu sabia falar a língua local, e jamais deixei de pegar um mapinha e sair só (muitas vezes sozinha <span style="text-decoration: underline;">mesmo</span>, enquanto o marido trabalhava) para bater pernas, conhecer, fotografar. Pego ônibus, bonde, metrô, entro em lojas, exploro bairros mais afastados, paro para almoçar em lugares comuns (evito os restaurantes típicos para turistas, prefiro os cafés e bares onde vejo toda a gente da cidade sentada). Numa boa, adoro, e no final do primeiro dia já sinto como se tivesse a cidade nas mãos. Mas em São Paulo? Eu achava que ficaria paralisada, que ia acabar me perdendo, que todo mundo ia sacar que eu era uma carioca acuada. Pois vou logo dizer: foi mais fácil do que eu pensava, e muito mais agradável e emocionante também (fora o calor, que só não estava pior que no Rio, de onde eu me livrei dos mais de 40 graus que andou fazendo enquanto eu estava fora). Apaixonei.</p>
<p><a href="http://www.narrativaum.com.br/guias01.html#"><img class="alignleft size-medium wp-image-966" title="capa_guia1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/capa_guia1-185x300.gif" alt="" width="185" height="300" /></a>É verdade que eu tive um guia fantástico, que eu recomendo muito, mesmo aos paulistanos (eu descobri coisas que minhas amigas locais desconheciam, hohoho). É um livro que eu ganhei de um amigo uns anos atrás e que andou comigo diariamente, debaixo do braço, na mão, na bolsa: <a href="http://www.narrativaum.com.br/guias01.html#" target="_blank"><strong>Dez roteiros históricos a pé em São Paulo</strong></a>. Um projeto da Secretaria de Estado da Cultura, realizado pelo Programa de Ação Cultural e publicado pela Editora Narrativa Um, em 2007. Cada roteiro é escrito por um autor diferente: arquitetos, historiadores, antropólogos, artistas plásticos, com olhares, formações e experiências urbanas distintas, e uma forma particular de tecer sua narrativa e apresentar seu &#8220;pedaço&#8221; da cidade. Todos têm um mapinha com o trajeto sugerido, em que os pontos citados no texto estão assinalados, bem como um pequeno histórico do bairro ou região descrita e sugestões de quitutes a experimentar, edifícios a visitar, praças a desfrutar, hábitos e personagens a observar. MUITO legal.</p>
<p>Mas vamos lá. Eu cheguei numa quarta de tardinha. Na quinta, todo mundo trabalhando, eu resolvi que iria explorar o centro histórico a pé. A querida <a href="http://www.jujubalandia.org/" target="_blank">Juju</a>, que me recebeu, pegou comigo o primeiro ônibus ali do Caxingui, onde eu estava (perto do estádio do Morumbi) até a Av. Paulista e de lá eu poderia tomar o metrô para quase qualquer lugar. Escolhi fazer este circuito aqui:</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/roteiro1.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-967" title="roteiro1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/roteiro1.gif" alt="" width="380" height="611" /></a></p>
<p>Foi na Praça da Sé, início do percurso, que o tal iraniano me pediu que eu o fotografasse diante da catedral, num inglês meio cheio de mímica, provavelmente porque ele não sabia se eu entenderia. Comunicação estabelecida, ele se ofereceu pra tirar uma foto de mim também, e me perguntou de onde eu era. Eu falei que era brasileira e perguntei de onde ele era. Irã. Que legal!</p>
<div id="attachment_972" class="wp-caption aligncenter" style="width: 791px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/catedral-e-praca.jpg"><img class="size-full wp-image-972" title="catedral-e-praca" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/catedral-e-praca.jpg" alt="" width="781" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Eu diante da catedral, depois a Praça da Sé vista das escadarias da igreja</p></div>
<p>O livro adverte: <em>&#8220;o passeante curioso, ao ir descendo a Praça da Sé em direção ao antigo Pátio do Colégio, certamente vai trombar com meninos de rua, passar por cima de sem-tetos dormindo, desviar de camelôs, cruzar com ciganas ledoras de mão e ouvir a voz esganiçada de pregadores das mil seitas evangélicas que prosperam na cidade rica habitada exageradamente pelos muito pobres, atentos ouvintes embasbacados pelo som dos alto-falantes&#8221;.</em> Só não vi as ciganas. Mas isso tudo faz parte das nossas cidades, e traduz nossa situação urbana. Seria tapar o sol com a peneira querer andar só pelos ambientes assépticos dos shoppings e bairros mais requintados, onde vigora a vigilância privada.</p>
<p>Sorri, portanto, e prestei atenção, absorvendo tudo, ali no famoso &#8220;triângulo&#8221; que compõe o núcleo de fundação da cidade, formado pela Rua de São Bento, que liga a igreja dos beneditinos à dos franciscanos, a Rua Direita, fazendo ângulo reto com ela e a Rua Quinze de Novembro em oposição a este ângulo. Bem próximo a uma das pontas do triângulo, o Pátio do Colégio ostenta uma reprodução da igreja e do colégio dos jesuítas, construída já na década de 70, em substituição ao conjunto original, do século XVI, há muito desaparecido (não esquecer que em meados do século XVIII, o Marquês de Pombal expulsou os jesuítas de terras portuguesas). Há ali uma cripta dedicada ao Padre José de Anchieta, que expõe inclusive um dos fêmures do padre, como relíquia religiosa. Essa veneração por restos de corpos de santos me dá arrepios, juro que não entendo, mas passemos adiante.</p>
<div id="attachment_973" class="wp-caption aligncenter" style="width: 780px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/patiodocolegio.jpg"><img class="size-full wp-image-973" title="patiodocolegio" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/patiodocolegio.jpg" alt="" width="770" height="370" /></a><p class="wp-caption-text">Pátio do Colégio</p></div>
<p>Esse capítulo do livro é escrito pelo arquiteto Carlos A. C. Lemos, e ele faz uma descrição bem&#8230; arquitetônica (!!!) de tudo. Vai apontando as obras mais importantes, com os nomes dos arquitetos e datas de construção, sem se furtar a elogiar os prédios e estilos que ele admira (o colonial autêntico, o eclético historicista da linhagem de Ramos de Azevedo, o próprio art déco) e descrever com visível desapreço obras mais contemporâneas e as neocoloniais, estilo que ele menosprezava. Olha só dois exemplos:</p>
<div id="attachment_977" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/cobertura-e-sfrancisco.jpg"><img class="size-medium wp-image-977" title="cobertura-e-sfrancisco" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/cobertura-e-sfrancisco-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Acima, a cobertura de Paulo Mendes da Rocha. Embaixo, a igreja de São Francisco e da Ordem Terceira</p></div>
<p>1) Falando da cobertura no Viaduto do Chá:<em> &#8220;Muita gente achava inexpressiva tal cobertura art déco acoplada ao Viaduto do Chá, certamente também projeto de Elisiário Bahiana. Construção simples, nada semostradeira, na expressão de Mário de Andrade. Foi demolida e substituída por outra concebida por outro notável arquiteto, o nosso amigo Paulo Mendes da Rocha. Obra inteligente e até bonita, mas uma intrusa a clamar: &#8216;cheguei!&#8217;. As pessoas em geral têm que saber que Patrimônio Cultural não é composto apenas de obras belas; algumas históricas são inexpressivas. Aliás, quem é o fazedor de juízos de valor com procuração do povo para derrubar e construir?&#8221;</em></p>
<p>2) Falando da Faculdade de Direito, no Largo de São Francisco: <em>&#8220;guandiloquente construção neocolonial projetada por Ricardo Severo e Felisberto Ranzini para o Escritório Técnico Ramos de Azevedo &#8211; Severo e Vilares, por volta de 1932/33, para substituir uma legítima e mais que histórica construção colonial. Substituíram um original por uma contrafação num total desrespeito ao nosso Patrimônio Cultural (&#8230;) É uma pena. Agora ali está a Igreja de São Francisco, último remanescente do século XVII, toda encolhida e amedrontada pela massa insólita de alvenaria pretensiosa&#8221;.</em></p>
<p>Eu vou bancar a atrevida e discordar do eminente mestre. Em primeiro lugar, eu não chamaria a atual Faculdade de Direito propriamente de neocolonial. Seu frontão é neocolonial, mas o pórtico que marca o corpo central, com colunas coríntias, e a própria disposição e ritmo das aberturas, classicizantes, enquadrariam este edifício, a meu ver, no estilo eclético em seu sentido mais estrito (a mistura de elementos e linguagens distintas). Em segundo lugar, ele fala como se este edifício que aí está tivesse tomado direta e abusivamente o lugar do original colonial. Pois bem, como podemos acompanhar pelas imagens abaixo (eu infelizmente não fotografei a faculdade, apenas o conjunto franciscano), até 1862, pelo menos, ainda era de fato o convento anexo à igreja que servia de Academia de Direito. Colonial, ok. Mas a foto seguinte, de 1867, já mostra uma reforma bastante modificadora, de feição neoclássica, com o telhado cerâmico escondido pela platibanda, a adição de pilastras decorativas sugerindo apoio ao entablamento e a criação de uma entrada destacada por uma porta em arco pleno, encimada por uma pequena torre com relógio. Neste momento, o edifício já deixou de ser o colonial original, que Carlos Lemos adoraria ter preservado. Ao prédio hoje existente não cabe a culpa pela destruição do patrimônio, a meu ver. Se algum colega mais apto, lendo isto, quiser dar seu parecer, eu agradeço.</p>
<div id="attachment_978" class="wp-caption aligncenter" style="width: 735px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/FacDireito-evolucao.jpg"><img class="size-full wp-image-978" title="FacDireito-evolucao" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/FacDireito-evolucao.jpg" alt="" width="725" height="160" /></a><p class="wp-caption-text">À esquerda, 1862; ao centro, 1867. Fotos de Militão Augusto de Azevedo, em http://marcos.mazo.nom.br/site/node/187. À direita, pórtico em 2011. Fonte: http://www.panoramio.com/photo/24618569</p></div>
<p>Vamos prosseguir, que eu nem cheguei na hora do almoço e já vi que meu passeio ao Bom Retiro vai ficar pro próximo post. O texto de Carlos Lemos, de toda forma, é cheio de indicações preciosas, e, por causa dele, eu almocei na tradicional <a href="http://www.casagodinho.com.br/" target="_blank">Casa Godinho</a>, no térreo do edifício Sampaio Correia, primeiro arranha-céu paulistano, projetado em 1924 por Cristiano Stockler das Neves. Depois, parei para prestar homenagem ao Edifício Martinelli, de 1929, que para mim sempre estará associado a duas situações. A primeira, é que ele é mencionado no belíssimo livro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Olhai_os_L%C3%ADrios_do_Campo" target="_blank">Olhai os lírios do campo</a>, de Érico Veríssimo e a festa de inauguração do prédio é um momento importante no livro. A segunda &#8211; vamos botar uma lenhazinha na fogueira da rivalidade rio-sãopaulo &#8211; é que eu sei que o Martinelli foi erigido na mesma época que o Edifício A Noite, sede da Rádio Nacional, aqui na Praça Mauá, e havia uma velada disputa para saber quem completaria mais depressa o primeiro edifício de concreto armado do Brasil, que seria o mais alto da América Latina naquele momento. Há controvérsias.</p>
<div id="attachment_979" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/edificios.jpg"><img class="size-full wp-image-979" title="edificios" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/edificios.jpg" alt="" width="800" height="275" /></a><p class="wp-caption-text">Da esqerda para a direita: A Noite, Martinelli e Cavanagh. O primeiro foi tirado de http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1147645&amp;page=4, os outros são fotos da autora.</p></div>
<p>O projeto do A Noite é do francês Joseph Gire (o mesmo do Copacabana Palace) e de Elisiário Bahiana. Foi inaugurado com 22 andares, em 1929, com 102,80 m, o que equivale em nossos dias à altura de um prédio de mais de 30 andares. O Martinelli acabou sendo mais alto, atingindo 105,65 m (o livro fala em 80 metros, mas as outras fontes pesquisadas todas batem em torno de 105). Porém, alguns autores consideram que só foi concluído realmente em 1930, tendo apenas a estrutura terminada em 1929. Ficamos assim: o Rio inaugurou primeiro, mas São Paulo fez o mais alto. De que adianta? Em 1935 ambos perderiam a majestade para Buenos Aires, com os 120,35 m de seu Edifício Cavanagh.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AsaBranca.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-980" title="AsaBranca" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AsaBranca-300x225.jpg" alt="Tão bom ter parado ali pra ouvir esse pessoal" width="300" height="225" /></a>Foi ali do ladinho do Martinelli, na Praça Antonio Prado, que eu parei para ouvir Asa Branca, embevecida. Já falei que adoro a vida popular das praças? Guiada pelos conselhos de Carlos Lemos, segui logo depois para o Banespa, em cujo topo há um mirante com uma visão soberba da cidade. Desci de lá pensando que eu definitivamente amo as cidades. Esses centros meio sujos, tumultuados, de ruas estreitas. Buzina, edifícios antigos e novos lado a lado, mendigos, vendedores ambulantes, artistas de rua, ônibus, gente. Certo, podíamos não ter os mendigos. Mas não no sentido do &#8220;choque de ordem&#8221; do nosso prefeito carioca, que tira todos dos lugares mais valorizados da cidade, apenas para que não sejam vistos, como quem varre a sujeira para baixo do tapete, e assim crê que a casa ficou limpa. Podiam não existir mendigos no sentido de não existir tamanha miséria, tanta desigualdade e desamparo. Se é para eles existirem, então acho que devem mesmo estar diariamente às nossas vistas, confrontando nosso conforto e sucesso (e nossas responsabilidades) com o longo caminho que ainda devemos percorrer para extirpar essa chaga do país.</p>
<p>De resto, os cafés e botequins, os homens fumando de pé nas esquinas, o burburinho, os becos, as pessoas tão diferentes em suas cores, tamanhos e jeitos, em sua faina de formigas, tudo me fascina. Me deu um carinho, como se eu quisesse pegar São Paulo no colo.</p>
<p>No próximo episódio, uma tarde maravilhosa: a Estação da Luz, o Museu de Língua Portuguesa, Pinacoteca, e como lutar bravamente &#8211; e falhar! &#8211; na tentativa de resistir às compras no fantástico bairro do Bom Retiro.</p>
<p><em>* Thanks, Mario de Andrade!</em></p>
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		<title>Para o dia de hoje</title>
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		<pubDate>Thu, 25 Nov 2010 05:44:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Da minha série de fichamentos. Contextualizações e debates a partir da semana que vem. Por enquanto, fiquem com Zygmunt Bauman, Em busca da política. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000</p>
<p>Na página 51:
&#8220;Na sua forma pura e bruta, o medo existencial que nos torna ansiosos e preocupados é incontrolável, intratável e portanto incapacitante. A única maneira [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Da minha série de fichamentos. Contextualizações e debates a partir da semana que vem. Por enquanto, fiquem com <strong>Zygmunt Bauman</strong>, <em>Em busca da política</em>. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000</p>
<p><strong>Na página 51:</strong><br />
&#8220;<span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;"><span style="color: #0000ff;"><span style="color: #000000;">Na sua forma pura e bruta, o medo existencial que nos torna ansiosos e preocupados é incontrolável, intratável e portanto incapacitante. A única maneira de suprimir essa verdade horripilante é dividir o grande medo esmagador em pedacinhos menores e controláveis – reformular a grande questão (sobre a qual nada podemos fazer) num conjunto de pequenas tarefas “práticas” que podemos esperar realizar.  Nada acalma mais o ser pavoroso que não conseguimos erradicar do que se preocupar e “fazer algo” a respeito do problema que podemos enfrentar.&#8221;.</span></span></span></span></p>
<p><strong><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;"><span style="color: #0000ff;"><span style="color: #000000;">Na página 56:</span></span></span></span></strong><br />
<span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;"><span style="color: #0000ff;"><span style="color: #000000;">&#8220;Transferir a ansiedade da insegurança e da instabilidade globais, suas verdadeiras causas, para o campo da segurança privada é seguir no fundamental a mesma lógica. Ameaças à segurança, reais ou imaginárias, têm a vantagem de serem concretas, visíveis e palpáveis – vantagem que é encimada e reforçada por outra: a da relativa facilidade de confrontá-las e talvez até derrotá-las. Não admira que essa transferência seja tão comum; não admira também que em consequência, as preocupações populares com segurança, apelidada “a lei e a ordem”, reduzam o interesse popular com os mecanismos produtivos da insegurança e da incerteza e a vontade popular de interromper ou pelo menos refrear sua operação&#8221;.</span></span></span></span></p>
<p><strong><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;"><span style="color: #0000ff;"><span style="color: #000000;">Na página 59:</span></span></span></span></strong><br />
<!-- p { margin-bottom: 0.08in; }a:link { color: rgb(0, 0, 255); } --><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;"><span style="color: #0000ff;"><span style="color: #000000;">&#8220;O problema é que o clima difuso e generalizado de insegurança e vulnerabilidade que emana desse mundo polifônico, opaco e imprevisível torna simplesmente impossível o mapeamento claro e inequívoco da experiência e a emissão de juízos confiantes; de modo que ele solapa a própria noção de comportamento desviante.</span></span></span></span></p>
<p><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;"><span style="color: #0000ff;"><span style="color: #000000;">(&#8230;) Hoje, o crime já não é estigmatizado e condenado como uma ruptura da norma, mas como ameaça à segurança. (&#8230;) Podemos perceber uma tendência geral de “deslocar todas as questões públicas para a área do direito penal”, uma tendência a criminalizar os problemas sociais e particularmente aqueles que consideramos – ou que podem ser construídos como – capazes de afetar a segurança da pessoa, do corpo ou da propriedade&#8221;.</span></span></span></span></p>
<p><strong><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;"><span style="color: #0000ff;"><span style="color: #000000;">Pobre Rio de Janeiro. O buraco é tããão mais embaixo&#8230;.</span></span></span></span></strong></p>
<p><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-small;"><span style="color: #0000ff;"><span style="color: #000000;"><br />
</span></span></span></span></p>
<p><!-- p { margin-bottom: 0.08in; }a:link { color: rgb(0, 0, 255); } --><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;"><span style="color: #0000ff;"><span style="color: #ff0000;"><em> </em></span></span><span style="color: #0000ff;"><span style="color: #ff0000;"><br />
</span></span></span></span></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Óia eu aqui traveiz</title>
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		<pubDate>Sat, 06 Nov 2010 02:37:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>É, eu sei que a eleição acabou, já na última semana eu desapareci, e pra quem fez tanta campanha, eu nem vim aqui festejar o resultado. Eu festejei muito, acreditem. E continuo festejando. Até agora, tudo o que eu ouvi a Dilma falar eu gostei: o primeiro pronunciamento, a primeira entrevista na Record, a entrevista coletiva [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- p { margin-bottom: 0.08in; } -->É, eu sei que a eleição acabou, já na última semana eu desapareci, e pra quem fez tanta campanha, eu nem vim aqui festejar o resultado. Eu festejei muito, acreditem. E continuo festejando. Até agora, tudo o que eu ouvi a Dilma falar eu gostei: o primeiro pronunciamento, a primeira entrevista na Record, a entrevista coletiva mais relaxada, com sotaque mineirim. Eu gosto do tom de voz grave que ela tem, a cara de <em>nerd</em> séria, o tom quase bravo pra defender o que ela acha direito, o ar de quem sabe o que está falando, tem um objetivo e pretende fazer o que for necessário para alcançá-lo. Mas vamos ver. A parada vai ser duríssima, em muitas frentes. Não há milagres, eu já sei que vou me decepcionar com algumas escolhas e decisões, com diversas omissões e concessões. Vou ver frustradas algumas expectativas, faz parte. Mas se daqui a quatro anos o barco tiver avançado nesse rumo, em direção a um país mais justo, mais solidário, menos desigual; se a corrupção tiver sido combatida com a devida severidade e transparência, se o governo der conta de cumprir metade do que foi prometido em campanha, eu já vou ficar bem feliz!</p>
<p>Todo mundo que realmente importa já falou tudo o que eu poderia falar e muito melhor do que eu jamais conseguiria. Já deplorei o racismo e preconceito que rolou no Twitter contra os valorosos nordestinos, já lamentei o discurso amargo e arrogante do Serra ao admitir a derrota nas urnas, já me manifestei a favor do tratamento de presidenta (sério, não só já acostumei com a forma gramaticalmente correta ainda que pouco usual, como tomei gosto pelo som: presidentA!), já me viciei mais do que devia no tal de Facebook, agora deixa eu explicar por que eu continuarei sumida por mais um pouquinho.</p>
<p>Eu tenho um trabalho pra fazer. Sério. Importante. Necessário. E sobretudo, que representa algo que eu desejo imensamente, e que demanda esforço, dedicação, tempo e concentração da minha parte. Eu tenho um prazo para realizá-lo, que se esgota agora no fim do mês, e esse trabalho está atrasado. Eu contava sinceramente que a eleição fosse se resolver no primeiro turno, e eu iria conseguir me desligar a partir daí e me dedicar a este trabalho. Mas não foi o que aconteceu. Com o segundo turno veio o recrudescimento de um jeito tenebroso e reacionário de jogar, que eu nunca tinha visto antes com os dentes tão arreganhados; uma sanha raivosa, recalcada, que me surpreendeu e me assustou de vez em quando. E alguma coisa brotou em mim. Uma vontade de participar, de mostrar a cara, de defender o que eu achava melhor, aquilo em que eu acreditava. Acho que fazia anos que eu não me entusiasmava assim com uma eleição, que eu não me engajava desse jeito. Só que essa militância toda me custou um bocado de horas escrevendo e respondendo e-mails, lendo notícias e análises, partilhando links nas redes sociais, ajudando a desmontar bombas, e isso contribuiu para eu estar mais encalacrada agora. Não me arrependo. Pode parecer ingênuo da minha parte, mas eu sinto que vivemos um momento histórico importante, e eu me orgulho de participar dele, de ser uma formiguinha nesse grupo.</p>
<p>Agora, é hora de voltar as baterias para o que ficou pendente. E com disposição redobrada. Nesse meio tempo, a vida segue também: vida de professor em final de semestre não é fácil. Trabalhos acumulados para corrigir, últimas aulas para preparar, dor de cabeça, poucas horas de sono. Sem falar na atenção à família e amigos, que andam injustamente negligenciados. Prazeres pessoais dançaram quase todos. Tou feliz igual criança porque hoje consegui fazer as unhas, que estavam horrendas (momento mulherzinha, rsrsrsrs). Cinema, porém, eu já vi que só vai voltar a rolar em dezembro (ainda bem que já fui ver <strong>Tropa de Elite 2</strong>, filmaço.<strong> Comer, Rezar e Amar</strong> achei fraquinho. Vale pelo Javier Bardem fazendo papel de brasileiro falando portunhol).</p>
<p>Pelo menos tenho lido muito. Tive que deixar de lado uma pilha de livros que estavam na fila por puro deleite para correr com a bibliografia necessária para redigir meu projeto. Mas estou adorando também. Aliás, já que tenho que fichar os livros de todo jeito, isso é uma coisa que eu posso fazer, se alguém tiver interesse: colocar aqui alguns trechos das coisas que ando lendo. Entre outros autores, muito <strong>Zygmunt Bauman</strong> (tem páginas inteiras do livro<strong> </strong><span style="text-decoration: underline;"><em>Em busca da política</em></span> que teriam caído como uma luva ainda nesse final de campanha), <strong>Henri Lefebvre</strong>, <strong>Ulrich Beck</strong>, <strong>Milton Campos</strong> (grande Milton Campos: que argúcia, que atualidade!), <strong>Michel Foucault</strong>. Caramba, até hoje eu só tinha lido <span style="text-decoration: underline;"><em>Vigiar e Punir</em></span>, e mesmo assim, há muitos anos. Fiquei enlouquecida com<span style="text-decoration: underline;"><em> A Microfísica do Poder.</em></span> É engraçado porque eu vou me inflamando, e tem horas que eu tenho vontade de ler váááários trechos em voz alta, de preferência em cadeia nacional!</p>
<p>(Aqui cabe um parênteses. Acabei de escrever e me dei conta do que tinha dito, e de seus possíveis significados. Ia reescrever, mas deixei. Acho que o que está dito, está dito. É que, já que estamos falando em vigilância, punição, liberdade e práticas de poder, tem uns trechos que, provavelmente, muitos setores da nossa sociedade prefeririam mesmo que fossem lidos apenas em cadeia (=penitenciária) nacional, e olhe lá. Eu me referia a rede nacional mesmo. Aliás, <em>rede</em> é um conceito bacana de estudar, mas não é o meu tema no momento).</p>
<p>Ou seja, ou vocês me aguentam transcrevendo umas coisas na tentativa de organizar meu pensamento em público, ou me aguardam até dezembro. Ah, sim, nesse meio tempo, passaram-se seis meses e eis que eu dei aula, de novo, sobre cidades muçulmanas esta semana, na turma de História da Cidade II. Tá aí, esse é outro tema que eu quero tanto retomar. E já tem tanta coisa pronta, escrita. Eu estou cada vez mais apaixonada pelo assunto, pela cultura e pela história muçulmanas, pela arte belíssima, pela música sedutora, até mesmo pelas contradições e conflitos. Eu já disse que eu morro de vontade de aprender árabe? Pois é, quem sabe um dia? Para minha tentação, o <strong>Centro Cultural Banco do Brasil</strong> está com uma exposição em cartaz, aqui no Rio, chamada<strong> Islã.</strong> Claro que eu não perderei. E recomendo com fervor, desde já. Mas, considerando que eu já chequei que fica até depois do Natal, acho que só poderei ir mesmo em dezembro (os amigos que tiverem interesse e paciência estão convidados a ir comigo, eu vou adorar, depois tomamos um café ou um chopp, que tal?).</p>
<p>Por enquanto é isso. Os doidos que quiserem ler as minhas inquietações comigo, manifestem-se, eu ponho os trechos aqui e vocês me ajudam a pensar e escrever.</p>
<p><em>PS: Este é o tipo de post safado que deveria ter trocentos links, mas eu vou ficar devendo. Tou louca de sono, queria colocar isso no ar logo, e amanhã pretendo pegar firme no projeto, porque o tempo me devora.</em></p>
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		<title>O cimento, a América Latina e outros pensamentos partilhados</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 04:40:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
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		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Como prometido, eu vou contar a vocês alguma coisa da palestra do Fernando Lara, a que eu assisti no dia 06 de agosto, no PROARQ (Programa de Pós-Graduação em Arquietura, da FAU-UFRJ).</p>
<p>Eu fiquei realmente encantada com a palestra, como aliás sempre fico ao ouvir o Fernando falar, porque o cara sabe muito, e tem uma facilidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como prometido, eu vou contar a vocês alguma coisa da palestra do <a href="http://parededemeia.blogspot.com/" target="_blank">Fernando Lara</a>, a que eu assisti no dia 06 de agosto, no <a href="http://www.proarq.fau.ufrj.br/site/" target="_blank">PROARQ</a> (Programa de Pós-Graduação em Arquietura, da FAU-UFRJ).</p>
<p>Eu fiquei realmente encantada com a palestra, como aliás sempre fico ao ouvir o Fernando falar, porque o cara sabe muito, e tem uma facilidade de comunicação imensa. Acaba não sendo uma palestra, mas um papo, gostoso, instrutivo, em que você não sente o tempo passar e fica querendo mais quando termina. Dessa vez, o tema era<em><strong> &#8220;O cimento feroz &#8211; considerações sobre arquiteturas contemporâneas da América Latina&#8221;</strong></em>, assunto que ele vem estudando há bastante tempo e desenvolvendo em seus <a href="http://soa.utexas.edu/latitudes/" target="_blank">grupos de pesquisa</a> sobre Arquitetura Latinoamericana  Moderna na <a href="http://www.soa.utexas.edu/lama" target="_blank">Universidade do Texas</a>.</p>
<p>Como é um assunto que eu absolutamente não domino, fui lá aprender. E, como boa aluna, tomei notas, que divido agora com vocês. Já comecei me surpreendendo com a frase-provocação que abriu a conversa, que o Fernando nos informou ter sido dita por Paulo Venâncio, professor da EBA (Escola de Belas-Artes), num livro sobre o Burle Marx. Sente só: &#8220;o brasileiro só consegue lidar com a paisagem mediada pelo cimento&#8221;. Gente, e não é verdade?</p>
<p>Gostei muito dele ter trazido, para começar, uma discussão sobre esse conceito de &#8220;América Latina&#8221;. O que é isso, afinal, o que quer dizer, o que expressa? Nós temos (ou pelo menos muitos de nós) a tendência a naturalizar certos termos e é preciso um certo esforço para ficarmos atentos aos seus significados, e sobretudo ao entendimento de como, quando e onde esses significados foram propostos e construídos. A idéia de uma América &#8220;latina&#8221; surge na segunda metade do século XIX, e é uma tentativa francesa de trazer, para seu círculo de influência &#8220;latinizante&#8221;, uma parte da América que orbitava, em vários aspectos, tanto políticos quanto econômicos, em torno do universo anglo-saxão. A França acenava com nossas raízes latinas, via Portugal e Espanha, para nos suscitar a ideia de uma herança cultural comum, que favorecesse nosso alinhamento aos seus interesses. Eu sei que estou encurtando um assunto que é mais comprido e mais complexo do que isso.  O que nos cabe discutir aqui é que esse conceito, ou esse agrupamento não é fruto de uma identidade própria ou auto-reconhecimento, mas sim uma característica, ou conjunto de características que nos é atribuída por outrem (por mais que hoje muita gente tenha se apropriado positivamente dessa identidade), e se a gente pensar bem,  é um conceito que já nasce problemático. Em outras palavras, não fomos nós mesmos que nos reconhecemos e designamos assim: &#8220;somos latinoamericanos&#8221;, mas um outro, europeu, que  veio nos dizer: &#8220;ei, <em>prestenção</em>, vocês são herdeiros de uma tradição latina, por MEU intermédio, fiquem aqui do meu lado&#8221;.  E vingou, né? Ou melhor, vingou especialmente a denominação. Não necessariamente o interesse francês.</p>
<p>Mas qual seria esse nosso traço comum, que nos permitiria abrigar-nos todos sob esse &#8220;guarda-chuva&#8221;? Um recorte simplesmente geopolítico arbitrário, que diz que do México pra baixo é tudo latinoamericano? Mas e as Ilhas Virgens, as Guianas holandesa e inglesa, as outras colônias de povos não-latinos no Caribe? Bom, seria então uma unidade linguística? Não, nesse conjunto de países há falantes de outras línguas também. Seria uma unidade religiosa? Econômica? Há algum dado <em>a priori</em> que permita nos agrupar sob esta classificação? Ele vai desmontando e desnaturalizando o conceito, pra mostrar que qualquer denominador comum que se busque tem seus furos, ou seja, dizer &#8220;América Latina&#8221; é enfatizar uma construção política e cultural, que serve (ainda hoje) a determinados interesses, para o bem ou para o mal.</p>
<p>Agora, uma coisa que muito me impressionou, das diversas imagens que ele mostrou, fruto da transcrição cartográfica das pesquisas que ele vem fazendo, é como, nas nossas revistas de arquitetura, aparece tão hegemonicamente a produção do hemisfério norte, em detrimento da produção abaixo da linha do Equador! Ele fez um levantamento em diversas revistas, das obras que são mencionadas, apresentadas como significativas da produção arquitetônica contemporânea. E foi marcando com uma bolinha num mapa mundi a localização da tal obra. Tá lá: só dá hemisfério norte! E ele mostrou, com exemplos muito legais, que não é por falta de produção de qualidade do lado de baixo do Equador, mas por falta de valorização e divulgação dessa produção. E isso não é só no Brasil. Segundo o Fernando, falta uma maior comunicação e trocas entre arquitetos e urbanistas &#8211; vá lá &#8211; latinoamericanos. Nas revistas brasileiras saem artigos e críticas sobre obras brasileiras, européias, norteamericanas, alguma coisa asiática. Nas revistas colombianas saem sobre obras colombianas, européias, norteamericanas, asiáticas. Nas revistas argentinas, a mesma coisa. E assim em todo lado.</p>
<p>A partir daí, ele começou a mostrar arquitetos e arquiteturas desses países nossos vizinhos, e, veja bem, a audiência da palestra era quase toda de professores e estudantes de mestrado e doutorado de arquitetura (e alguns dos meus alunos da graduação que eu chamei também), e é impressionante que tantos nomes que ele citou nós simplesmente nunca tínhamos ouvido falar, ou mal conhecíamos o nome. Entre tantos edifícios e intervenções urbanas de qualidade, um traço comum: o uso maciço do concreto, do tal &#8220;cimento feroz&#8221;, algumas vezes com rara poesia e leveza.</p>
<p>Vou mencionar apenas alguns (deixei os brasileiros de fora dessa vez, e ele mostrou projetos ótimos também) e fazer vocês irem pesquisar a respeito:</p>
<p><a href="http://www.rafaeliglesia.com.ar/first-E.htm" target="_blank">Rafael Iglesia</a> (Argentina), que diz que nós não temos História, mas Geografias, porque estamos sempre fazendo tabula rasa para novos experimentos;<br />
<a href="http://www.worldarchitecture.org/world-architects/index.asp?worldarchitects=architectdetail&amp;country=Mexico&amp;no=3" target="_blank">Alberto Kalach</a> (México);<br />
<a href="http://www.arqsaez.com/" target="_blank">José Maria Saez</a> (Equador);</p>
<div id="attachment_837" class="wp-caption aligncenter" style="width: 600px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/montagem-latino.jpg"><img class="size-full wp-image-837" title="montagem-latino" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/montagem-latino.jpg" alt="" width="590" height="564" /></a><p class="wp-caption-text">Acima, à esquerda, uma escada maravilhosa de Iglesia, que não usa um único prego, só encaixe. Ao lado, a Biblioteca Nacional, do Kalach, no México. Abaixo, também do Kalach, a casa que está na página de abertura do seu site</p></div>
<p><a href="http://www.alejandroaravena.com/" target="_blank">Alejandro Aravena</a> (Chile): gostei muito de um projeto que foi mostrado, de habitação social, batizado de <a href="http://www.elementalchile.cl/viviendas/quinta-monroy/quinta-monroy/" target="_blank">Elemental</a>, que usa alguns blocos-padrão, modulares, intercalados com espaços livres que permitem que cada família construa o restante da unidade conforme suas necessidades (e possibilidades), gerando uma diversidade formal muito rica e interessante.</p>
<div id="attachment_838" class="wp-caption aligncenter" style="width: 790px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/Alejandro-Elemental-quintamoroy.jpg"><img class="size-full wp-image-838" title="Alejandro-Elemental-quintamoroy" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/Alejandro-Elemental-quintamoroy.jpg" alt="" width="780" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Casas em Quinta Monroy, no Chile, nessa &quot;metodologia&quot; do Elemental, que permite arranjos posteriores diferentes com maior flexibilidade para os moradores. </p></div>
<p>Em todos os projetos apresentados, havia uma preocupação de melhoria e valorização do espaço público como estratégia para um melhor exercício da cidadania. E sobretudo, uma enorme confiança na arquitetura, no espaço construído, como elemento impactante nessa transformação. A premissa é de que ao construir creches, escolas, postos de saúde, praças, conjuntos habitacionais de grande qualidade formal e espacial você está, de certa forma, &#8220;educando&#8221; as novas gerações, oferecendo a possibilidade delas incorporarem novos parâmetros de qualidade, que as tornem mais críticas e exigentes no futuro. Isso é genial.</p>
<p>Eu achei espetacular saber que, na Colômbia, por exemplo, há uma lei que obriga todo projeto em terreno público, com mais de 5000 m2 de área construída, a ser alvo de concurso público. E tá certo. Isso provoca uma profunda renovação na arquitetura local, e contribui de maneira fundamental para a melhoria dos nossos referenciais construtivos. Estimula talentos novos, revigora o ensino, alavanca a pesquisa e o investimento em novas tecnologias, diversifica a paisagem urbana, favorece o controle e a fiscalização dos gastos públicos com as obras. Já pensou isso aqui, no Rio, no Brasil, com as obras da Copa e das Olimpíadas? Com a requalificação da área portuária? Nós só teríamos a ganhar, eu tenho certeza!</p>
<p>&#8212;&#8212;- x &#8212;&#8212; x &#8212;&#8212; x &#8212;&#8212;</p>
<p>Umas rapidinhas, pra fechar por hoje:</p>
<p>- imperdível o <a href="http://sexismonapolitica.wordpress.com/2010/08/29/campanha-incentivando-violencia-contra-candidata/" target="_blank">post da Cynthia</a>, no blog <a href="http://sexismonapolitica.wordpress.com/" target="_blank">Sexismo na política</a>. É pra ser lido e divulgado. Longe de ser uma brincadeira, o teor da malfadada campanha é de um mau gosto grotesco e revela o quanto a violência contra a mulher continua um assunto sério e descuidado no país. E não se trata de uma defesa partidária, nem de falta de humor. É muito mais grave e amplo do que isso.</p>
<p>- ainda sobre política, um aviso importantíssimo: não se esqueçam que, este ano, para poder votar, não basta levar o título de eleitor à seção eleitoral. É <strong>OBRIGATÓRIO</strong> levar <strong>TAMBÉM</strong> um <strong>DOCUMENTO DE IDENTIDADE, OFICIAL, COM FOTO! </strong>Ou seja, são <span style="color: #ff0000;"><strong>DOIS DOCUMENTOS:</strong></span> o título e a identidade. Serve a carteira de identidade propriamente, passaporte, carteira de trabalho, carteira de habilitação, mas tem que ter foto. Divulgue essa notícia entre todos os seus conhecidos. Não vamos perder votos por causa disso, gente!</p>
<p>(nem vou entrar no mérito do quão &#8220;oportuna&#8221; é essa lei, e do quanto ela provavelmente vai punir os eleitores mais humildes, que muitas vezes não têm documentação completa, e o pessoal das cidades mais do interior, para quem, talvez, essa informação nem seja suficientemente divulgada. Olho vivo)</p>
<p>- fechando com mais política e cidade: ao escolher seus candidatos, se possível, avalie também a posição deles em relação aos nossos principais temas urbanos: habitação, saneamento, mobilidade e acessibilidade, sustentabilidade, educação. De preferência, do ponto de vista da maior inclusão social possível, democratizando o acesso do maior número de pessoas a esses bens e serviços, e que eles tenham mais qualidade, em todos os sentidos.</p>
<p>- agora é pra fechar, mesmo. Por falar em mobilidade e cidadania, não posso deixar de recomendar, também, veementemente, o<a href="http://mateipormenos.apostos.com/2010/08/26/antes-morrer-de-bicicleta/" target="_blank"> post da Juliana</a>, sobre a banalização da morte de pedestres por atropelamentos. No mesmo assunto, sempre tem textos interessantíssimos no<a href="http://www.apocalipsemotorizado.net/" target="_blank"> Apocalipse Motorizado</a>, como <a href="http://www.apocalipsemotorizado.net/2009/01/12/a-maioria-silenciosa/" target="_blank">esse daqui</a>, do ano passado.</p>
<p>Volto já, até daqui a pouco.</p>
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		<item>
		<title>Verás que um filho teu não foge à luta*</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/08/20/veras-que-um-filho-teu-nao-foge-a-luta/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/08/20/veras-que-um-filho-teu-nao-foge-a-luta/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 22:47:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=820</guid>
		<description><![CDATA[<p>Eu pensei, de verdade, que durante as férias eu ia conseguir voltar a escrever com calma e mais regularidade. Vejo que subestimei o tamanho do meu cansaço. Eu estava realmente exausta, e bateu aquele vazio, aquela vontade de só dormir e mais nada. Acho mesmo que não cheguei a descansar tudo o que precisava, e diariamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu pensei, de verdade, que durante as férias eu ia conseguir voltar a escrever com calma e mais regularidade. Vejo que subestimei o tamanho do meu cansaço. Eu estava realmente exausta, e bateu aquele vazio, aquela vontade de só dormir e mais nada. Acho mesmo que não cheguei a descansar tudo o que precisava, e diariamente me sinto atropelada pelo ritmo do novo semestre que já começou com toda a corda, enquanto eu ainda me sinto zonza, com sono e com mais de 5 semanas de trabalho atrasado. Eu vejo o futuro repetir o passado e o tempo não pára. Ticking away the moments that make up a dull day&#8230; waiting for someone or something to show you the way. Cara, eu preciso sacudir a cabeça, espanar a letargia e me mexer.</p>
<p>Nesse tempo em que eu estive parada, pelo menos algumas coisas boas aconteceram, e uma das melhores, sem dúvida, foi a volta do<a href="http://www.idelberavelar.com/" target="_blank"> Idelber </a>e seu <a href="http://www.idelberavelar.com/" target="_blank"><strong>Biscoito Fino</strong></a>, que podemos voltar a degustar diariamente. Corre lá que tem <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/jose_serra_e_seu_descompasso_com_o_mundo.php" target="_blank">muita</a> <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/sobre_o_conflito_colombiano.php" target="_blank">coisa</a> <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/autocritica_do_dunguismo_de_esquerda.php" target="_blank">ótima</a>.</p>
<p>Outro fato que me surpreendeu também foi a repercussão <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/07/12/posso-falar-um-pouquinho-sobre-gramatica/" target="_blank">deste post</a> sobre gramática, tema que nem é central no blog, mas que foi alvo de um desabafo meu enquanto corrigia provas dois meses atrás, e que rendeu boas conversas e um debate interessante na <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/07/12/posso-falar-um-pouquinho-sobre-gramatica/#comments" target="_blank">caixa de comentários</a>.</p>
<p>Quero voltar a falar dos assuntos parados. Ouvi uma observação um tempo atrás que está correta, e cuja constatação me causa incômodo: eu tenho o mau hábito de iniciar (e anunciar) séries que depois não levo adiante, gerando expectativas e causando alguma frustração nos que gostariam de acompanhar o desenrolar do assunto. As cidades muçulmanas foram as últimas vítimas. Mas vou retomar (eu já ia completando com um &#8220;prometo&#8221;, mas achei melhor não. Minhas promessas bloguísticas não estão valendo muito na praça). Pra ir reesquentando os motores, eu dou uma sugestão de filme: <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/o-que-resta-do-tempo/#ficha-tecnica" target="_blank"><strong>O que resta do tempo</strong></a> (<a href="http://www.imdb.com/title/tt1037163/" target="_blank">The time that remains</a>), de Elia Suleiman. Aqui no Rio acho que já saiu de cartaz, mas a gente pode colocar na lista de espera para o dvd. O filme trança a vida do próprio diretor, recuperada através dos diários do pai e de cartas da mãe, com a história de ocupação da Palestina pelo governo israelense nos últimos 60 anos. Só não concordo, no título da <a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/04/29/e29049133.asp" target="_blank">resenha do jornal</a>, com chamar de &#8220;conflito&#8221; uma guerra cruel que já se tornou um verdadeiro massacre.</p>
<p>Além das cidades muçulmanas eu estou devendo falar mais sobre algumas impressões de viagem, no que diz respeito à análise de espaços públicos e projetos urbanos. Enquanto isso, algumas coisas:</p>
<p>- No<a href="http://www.bb.com.br/portalbb/home22,128,10151,0,0,1,1.bb?codigoMenu=9887" target="_blank"> Centro Cultural do Banco do Brasil</a> aqui no Rio, está em cartaz uma belíssima<a href="http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10154,1,0,1,1.bb?dtInicio=8/2010&amp;codigoEvento=3535" target="_blank"> exposição</a> sobre a viagem capitaneada pelo alemão <strong>Langsdorff</strong> ao interior do Brasil entre 1821 e 1829. Eu acho fascinante que a gente tenha descoberto tanto do nosso país através dos olhos de tantos estrangeiros que por aqui estiveram, que pintaram as paisagens, as cenas urbanas,  retrataram índios, negros, portugueses, mestiços, recolheram espécimes de plantas e bichos, relataram em seus diários os hábitos, os eventos, as aventuras que viveram. Além das aquarelas bem ao gosto do Enciclopedismo típico da época, há mapas e plantas de cidades, e um texto cuidadoso que fala das circunstâncias da expedição e seus personagens &#8211; Rugendas, Taunay, Florence. Até 26 de setembro, entrada franca.</p>
<p>- Outra exposição que estou louca para ver, mas ainda não entrou em cartaz é <a href="http://mapasinvisiveis.wordpress.com/2010/08/11/a-cidade-e-sua-escrita/" target="_blank"><strong>Mapas invisíveis</strong></a>, que vai estrear na Caixa Cultural (prédio da Caixa Econômica do Rio, no Centro, próximo ao Largo da Carioca) no dia 08 de novembro. Neste <a href="http://mapasinvisiveis.wordpress.com/" target="_blank">link</a> você pode ver em que consiste a proposta, os artistas que participarão, e acompanhar as discussões a respeito.</p>
<p>- No próximo post eu quero comentar a palestra que assisti na UFRJ há poucas semanas, com o <a href="http://parededemeia.blogspot.com/" target="_blank">Fernando Lara</a>, com o instigante título de <strong>&#8220;O cimento feroz: considerações sobre Arquiteturas Contemporâneas da América Latina&#8221;</strong>. Fiz diversas anotações, e alguns aspectos do que ele disse me chamaram muito a atenção, quero dividir com vocês.</p>
<p>- Por fim, um assunto que tanta gente evita, mas que eu acho necessário trazer pra frente da discussão: as nossas próximas eleições. Quem me acompanha aqui ou no <a href="https://www.google.com/reader/view/?tab=my#overview-page" target="_blank">GReader</a>, pelos links que partilho, sabe o que penso e as ideias que defendo. O que isso tem a ver com a cidade e com os temas urbanos que procuramos discutir aqui? TUDO. Vocês já se deram conta de que o mesmo termo grego que designa a cidade &#8211; POLIS &#8211; está na raiz da palavra POLÍTICA? Em que pesem as diferenças históricas e conceituais entre a democracia grega e a democracia contemporânea, a política continua sendo essencialmente a expressão da nossa participação na vida da cidade (ou do país, do mundo) em que vivemos. Todas as nossas ações e decisões nesse sentido são políticas, mesmo &#8211; e especialmente danosas &#8211; as de não participar (ou achar que não está participando do processo ao dar as costas).</p>
<p>Eu prezo acima de tudo a pluralidade democrática, que nos permite fazer nossas escolhas e manifestá-las livremente. Sobre isso, vou contar uma coisa. Estava em sala de aula esta semana, falando sobre plano diretor e as modificações trazidas pela <a href="http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/dh/volume%20i/constituicao%20federal.htm" target="_blank">Constituição de 1988</a>, em seus artigos 182 e 183, que tratam da política de desenvolvimento urbano e enfatizam a função social da propriedade (artigos regulamentados em 2001 pelo <a href="www.ibam.org.br/publique/media/Cidade.pdf" target="_blank">Estatuto da Cidade</a> &#8211; link em pdf), quando me dei conta de que estavam todos me olhando como se eu falasse do século passado (e pior que eu falava mesmo!). Perguntei e não deu outra: ninguém ali tinha nascido antes disso. Uau!  Em 1988 eu era uma pirralha recém-formada em Comunicação Social, morando no interior do Tocantins, trabalhando como jornalista (péssima jornalista, diga-se, sem nenhuma paixão pela profissão, tanto que larguei), engajada na minha primeira eleição para presidente da República (Collor x Lula, 1989). A maioria dos meus alunos passou a infância na década de 90, enquanto eu tinha filhos e fazia minha segunda faculdade.</p>
<p>Há entre vários desses jovens uma crença disseminada de que não vale a pena se interessar ou participar do processo político porque  os políticos são todos corruptos, ninguém presta, o jogo é sujo e portanto tanto faz, melhor não votar, anular para mostrar minha insatisfação &#8220;com tudo isso que está aí&#8221;. Este pensamento encerra, pra começar, uma premissa moral de que a política deveria ser um sacerdócio praticado por idealistas isentos de qualquer interesse próprio, seres 100% honestos, abnegados, incorruptíveis. Algum de nós é assim? A política é uma fricção constante, uma negociação por objetivos e estratégias, praticada por atores que agem e também sofrem os resultados de suas ações, que têm interesses, bagagens culturais, históricas, sociais diferentes. E não estou falando só dos detentores de cargos eletivos, mas de todos nós que &#8211; ainda que sem perceber &#8211; fazemos política o tempo todo. Associações civis, grupos de empresários, comunidade acadêmica, sindicatos e organizações profissionais, cidadãos que constroem e partilham o espaço urbano o tempo todo.</p>
<p>Eu me pergunto: a quem interessa esse discurso e essa prática, de despolitização? Quem se beneficia da apatia política, da desmobilização popular, do clima de não-vale-a-pena? Que bem pode fazer à democracia o meu nariz torcido, o meu desdém, a minha ilusão de que eu não faço parte disso tudo? Quem ocupa a brecha deixada pelos que dão as costas? Qual a alternativa? Sim, porque o lugar do poder e da decisão será sempre ocupado, quer eu goste ou não. E a minha recusa em meter a colher nesse mingau sob a alegação de que é tudo imundo e eu não quero me sujar só abre espaço pra mais daquilo que eu tanto critico. Melhor prestar atenção, acompanhar, cobrar, participar. Pensem nisso antes de ir às urnas em outubro.</p>
<p>Volto já. Mesmo.</p>
<p><em>* Referência à excelente arte feita sobre a capa da revista Época desta semana, que destaca ameaçadoramente o &#8220;passado guerrilheiro&#8221; da candidata do PT à presidência, Dilma Roussef.</em></p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/dilma_ALUTA.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-822" title="dilma_ALUTA" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/dilma_ALUTA.jpg" alt="" width="200" height="267" /></a></p>
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		<title>Um contraponto</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/05/23/um-contraponto/</link>
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		<pubDate>Sun, 23 May 2010 17:12:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Brasília]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[parabéns]]></category>

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		<description><![CDATA[<p class="wp-caption-text">Brasília - vista do Eixo Rodoviário - ao fundo Esplanada dos Ministérios. Fonte: Revista Manchete n. 417, RJ, 16 abr 1960</p>
<p>Falamos sobre a cidade de Salvador, em seu período colonial, aí no post de baixo. E eu me dei conta de que não comentei até agora uma efeméride importantíssima , que é o aniversário de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_780" class="wp-caption alignleft" style="width: 273px"><a href="http://instinctalternative.blogspot.com/2010/04/artigo-brasilia-50-anos-feliz.html"><img class="size-medium wp-image-780" title="16 abr 1960" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/05/16-abr-1960-263x300.jpg" alt="" width="263" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Brasília - vista do Eixo Rodoviário - ao fundo Esplanada dos Ministérios. Fonte: Revista Manchete n. 417, RJ, 16 abr 1960</p></div>
<p>Falamos sobre a cidade de Salvador, em seu período colonial, aí no post de baixo. E eu me dei conta de que não comentei até agora uma efeméride importantíssima , que é o aniversário de <strong>50 anos de Brasília</strong>, nossa capital idealizada e construída sob a égide do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Modernismo" target="_blank">Movimento Modernista</a>.</p>
<p>Antes de qualquer outra coisa, quero saudar os candangos, o povo todo que faz de Brasília, entendida em sua totalidade e não apenas reduzida a seu Plano Piloto, uma cidade realmente especial, múltipla, com tanto a nos ensinar. Quero dizer que, como arquiteta e urbanista, considero Brasília um momento importantíssimo na história do planejamento urbano, tanto no Brasil quanto no mundo, e um laboratório sem igual para a análise e o aprendizado de modelos, propostas, soluções. Repudio a redução que muita gente faz de Brasília, como se a cidade se resumisse às mazelas da classe política que mal e mal habita seu território quando comparece às sessões do Congresso.  Brasília é muito mais do que o Eixo Monumental, a Esplanada dos Ministérios, o Palácio da Alvorada, o Senado e a Câmara, muito mais inclusive que as superquadras imaginadas por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%BAcio_Costa" target="_blank">Lúcio Costa</a>. Brasília é também Taguatinga, Gama, Sobradinho, Planaltina, Ceilândia, é todo o povo que foi trabalhar na sua construção, saído de tudo que é lugar do Brasil, e que não foi considerado na hora de prever habitação para todos. O povo e seus descendentes que ficaram ali, em volta do Plano Piloto, e que hoje demandam serviços públicos, equipamentos de saúde, educação, lazer, infra-estrutura, transporte coletivo.</p>
<div id="attachment_786" class="wp-caption aligncenter" style="width: 710px"><a href="http://doc.brazilia.jor.br/Cidades.htm"><img class="size-full wp-image-786" title="DF-ampliado" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/05/DF-ampliado2.jpg" alt="" width="700" height="456" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de satélite, de 1990, mostrando a ocupação em torno do Plano Piloto</p></div>
<p>Brasília é uma conquista imensa para o Brasil. O Rio de Janeiro pode ter tido perdas consideráveis com a mudança da capital, e até hoje se ressente do esvaziamento que isso causou, embora eu acredite que esteja mais do que na hora de superar isso e olhar pra frente, ocupar seu lugar no país. Um país como o Brasil tem espaço para o destaque e a importância de muitas cidades. Sem dúvida que a interiorização da capital levou crescimento às áreas centrais do território brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento de Goiânia, de Belo Horizonte, do Triângulo Mineiro, de partes do Nordeste, entre tantas outras regiões ao longo do eixo que liga Brasília aos centros de poder econômico do sudeste.</p>
<p><a href="http://www.nosrevista.com.br/2010/03/23/o-cinquentenario-de-brasilia-df/"><img class="alignleft size-medium wp-image-782" title="brasiliamapa" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/05/brasiliamapa-300x276.jpg" alt="" width="300" height="276" /></a>Sobre a análise do traçado de Brasília, os princípios funcionalistas de sua concepção, e até sua arquitetura, que inclui alguns ícones da produção de <a href="http://www.niemeyer.org.br/" target="_blank">Oscar</a> <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Niemeyer" target="_blank">Niemeyer</a>, numa fase de apogeu do mestre, e todas as suas consequências, hoje, para a integração e desenvolvimento democrático do conjunto do Distrito Federal, eu vou sugerir dois livros e uma visita. Os livros são:</p>
<p><a href="http://books.google.com.br/books?id=8fYRTXWG5cYC&amp;printsec=frontcover&amp;dq=A+cidade+modernista,+James+Holston&amp;source=bl&amp;ots=4OA6sQ8npz&amp;sig=_I_nawSA_-67LPekDloP6qzUJnY&amp;hl=pt-BR&amp;ei=B1j5S-HIDImmuAfCh_W9Dg&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=1&amp;ved=0CBgQ6AEwAA#v=onepage&amp;q&amp;f=false" target="_blank"><strong>A cidade modernista: uma crítica de Brasília e sua utopia</strong></a>, de James Holston, publicado pela Companhia das Letras, em 1993.<br />
<a href="http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/33/textos/931/" target="_blank"><strong>O concurso de Brasília: sete projetos para uma capital</strong></a>, de Milton Braga, publicado pela Cosac Naify, este ano.</p>
<p>Claro que há inúmeros outros livros maravilhosos, eu destaquei esses dois porque o primeiro eu tenho e gosto muito dele, por incorporar uma análise que privilegia a questão da cidadania e da inclusão das várias Brasílias, numa perspectiva contemporânea, ao mesmo tempo que não descuida da história, das teorias e até das polêmicas que envolveram o concurso e a adoção daquele modelo específico. O segundo, porque foi recém-lançado, eu estou louca para comprar, e apresenta os outros projetos que participaram do concurso, com autoria de gente grande como os <a href="www.docomomo.org.br/seminario 6 pdfs/izaga-docomomo-2005-MMM.pdf" target="_blank">irmãos Roberto</a> (excelente artigo em pdf), <a href="http://vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/02.014/3223" target="_blank">Rino Levi </a>e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Batista_Vilanova_Artigas" target="_blank">Villanova Artigas</a>, o que nos permite fazer comparações e até especulações interessantes.</p>
<p>A visita, imperdível para quem mora ou está no Rio, é à exposição<strong> As construções de Brasília</strong>, em cartaz no <a href="http://ims.uol.com.br/" target="_blank"><strong>Instituto Moreira Sales</strong></a>, na Gávea (Rua Marquês de São Vicente, 476, telefone 2274-2149), em cartaz até o final de julho, com entrada franca e visitas guiadas de 3a a 6a feira, sempre às 17 horas. Esta semana, entre os dias 24 e 28 de maio, acontece também um <a href="http://ims.uol.com.br/Cinema/D17/P=312" target="_blank">Seminário</a> que complementa a exposição. No <a href="http://ims.uol.com.br/Cinema/D17/P=303" target="_blank">site</a> do Instituto haverá outras informações sobre horários e endereço exato. Eu já combinei de ir sexta agora com uma amiga, no fim da tarde.</p>
<p>Uma das nossas primeiras colunas do <strong>Cidades Literárias</strong> foi justamente sobre Brasília, numa crônica de <strong>Clarice Lispector</strong>, vale a pena <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/06/19/cidades-literarias-clarice-lispector/" target="_blank">reler</a>.</p>
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