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	<title>Urbanamente &#187; Arquitetura &amp; Urbanismo</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>O cimento, a América Latina e outros pensamentos partilhados</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 04:40:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Como prometido, eu vou contar a vocês alguma coisa da palestra do Fernando Lara, a que eu assisti no dia 06 de agosto, no PROARQ (Programa de Pós-Graduação em Arquietura, da FAU-UFRJ).</p>
<p>Eu fiquei realmente encantada com a palestra, como aliás sempre fico ao ouvir o Fernando falar, porque o cara sabe muito, e tem uma facilidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como prometido, eu vou contar a vocês alguma coisa da palestra do <a href="http://parededemeia.blogspot.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/parededemeia.blogspot.com/?referer=');">Fernando Lara</a>, a que eu assisti no dia 06 de agosto, no <a href="http://www.proarq.fau.ufrj.br/site/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.proarq.fau.ufrj.br/site/?referer=');">PROARQ</a> (Programa de Pós-Graduação em Arquietura, da FAU-UFRJ).</p>
<p>Eu fiquei realmente encantada com a palestra, como aliás sempre fico ao ouvir o Fernando falar, porque o cara sabe muito, e tem uma facilidade de comunicação imensa. Acaba não sendo uma palestra, mas um papo, gostoso, instrutivo, em que você não sente o tempo passar e fica querendo mais quando termina. Dessa vez, o tema era<em><strong> &#8220;O cimento feroz &#8211; considerações sobre arquiteturas contemporâneas da América Latina&#8221;</strong></em>, assunto que ele vem estudando há bastante tempo e desenvolvendo em seus <a href="http://soa.utexas.edu/latitudes/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/soa.utexas.edu/latitudes/?referer=');">grupos de pesquisa</a> sobre Arquitetura Latinoamericana  Moderna na <a href="http://www.soa.utexas.edu/lama" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.soa.utexas.edu/lama?referer=');">Universidade do Texas</a>.</p>
<p>Como é um assunto que eu absolutamente não domino, fui lá aprender. E, como boa aluna, tomei notas, que divido agora com vocês. Já comecei me surpreendendo com a frase-provocação que abriu a conversa, que o Fernando nos informou ter sido dita por Paulo Venâncio, professor da EBA (Escola de Belas-Artes), num livro sobre o Burle Marx. Sente só: &#8220;o brasileiro só consegue lidar com a paisagem mediada pelo cimento&#8221;. Gente, e não é verdade?</p>
<p>Gostei muito dele ter trazido, para começar, uma discussão sobre esse conceito de &#8220;América Latina&#8221;. O que é isso, afinal, o que quer dizer, o que expressa? Nós temos (ou pelo menos muitos de nós) a tendência a naturalizar certos termos e é preciso um certo esforço para ficarmos atentos aos seus significados, e sobretudo ao entendimento de como, quando e onde esses significados foram propostos e construídos. A idéia de uma América &#8220;latina&#8221; surge na segunda metade do século XIX, e é uma tentativa francesa de trazer, para seu círculo de influência &#8220;latinizante&#8221;, uma parte da América que orbitava, em vários aspectos, tanto políticos quanto econômicos, em torno do universo anglo-saxão. A França acenava com nossas raízes latinas, via Portugal e Espanha, para nos suscitar a ideia de uma herança cultural comum, que favorecesse nosso alinhamento aos seus interesses. Eu sei que estou encurtando um assunto que é mais comprido e mais complexo do que isso.  O que nos cabe discutir aqui é que esse conceito, ou esse agrupamento não é fruto de uma identidade própria ou auto-reconhecimento, mas sim uma característica, ou conjunto de características que nos é atribuída por outrem (por mais que hoje muita gente tenha se apropriado positivamente dessa identidade), e se a gente pensar bem,  é um conceito que já nasce problemático. Em outras palavras, não fomos nós mesmos que nos reconhecemos e designamos assim: &#8220;somos latinoamericanos&#8221;, mas um outro, europeu, que  veio nos dizer: &#8220;ei, <em>prestenção</em>, vocês são herdeiros de uma tradição latina, por MEU intermédio, fiquem aqui do meu lado&#8221;.  E vingou, né? Ou melhor, vingou especialmente a denominação. Não necessariamente o interesse francês.</p>
<p>Mas qual seria esse nosso traço comum, que nos permitiria abrigar-nos todos sob esse &#8220;guarda-chuva&#8221;? Um recorte simplesmente geopolítico arbitrário, que diz que do México pra baixo é tudo latinoamericano? Mas e as Ilhas Virgens, as Guianas holandesa e inglesa, as outras colônias de povos não-latinos no Caribe? Bom, seria então uma unidade linguística? Não, nesse conjunto de países há falantes de outras línguas também. Seria uma unidade religiosa? Econômica? Há algum dado <em>a priori</em> que permita nos agrupar sob esta classificação? Ele vai desmontando e desnaturalizando o conceito, pra mostrar que qualquer denominador comum que se busque tem seus furos, ou seja, dizer &#8220;América Latina&#8221; é enfatizar uma construção política e cultural, que serve (ainda hoje) a determinados interesses, para o bem ou para o mal.</p>
<p>Agora, uma coisa que muito me impressionou, das diversas imagens que ele mostrou, fruto da transcrição cartográfica das pesquisas que ele vem fazendo, é como, nas nossas revistas de arquitetura, aparece tão hegemonicamente a produção do hemisfério norte, em detrimento da produção abaixo da linha do Equador! Ele fez um levantamento em diversas revistas, das obras que são mencionadas, apresentadas como significativas da produção arquitetônica contemporânea. E foi marcando com uma bolinha num mapa mundi a localização da tal obra. Tá lá: só dá hemisfério norte! E ele mostrou, com exemplos muito legais, que não é por falta de produção de qualidade do lado de baixo do Equador, mas por falta de valorização e divulgação dessa produção. E isso não é só no Brasil. Segundo o Fernando, falta uma maior comunicação e trocas entre arquitetos e urbanistas &#8211; vá lá &#8211; latinoamericanos. Nas revistas brasileiras saem artigos e críticas sobre obras brasileiras, européias, norteamericanas, alguma coisa asiática. Nas revistas colombianas saem sobre obras colombianas, européias, norteamericanas, asiáticas. Nas revistas argentinas, a mesma coisa. E assim em todo lado.</p>
<p>A partir daí, ele começou a mostrar arquitetos e arquiteturas desses países nossos vizinhos, e, veja bem, a audiência da palestra era quase toda de professores e estudantes de mestrado e doutorado de arquitetura (e alguns dos meus alunos da graduação que eu chamei também), e é impressionante que tantos nomes que ele citou nós simplesmente nunca tínhamos ouvido falar, ou mal conhecíamos o nome. Entre tantos edifícios e intervenções urbanas de qualidade, um traço comum: o uso maciço do concreto, do tal &#8220;cimento feroz&#8221;, algumas vezes com rara poesia e leveza.</p>
<p>Vou mencionar apenas alguns (deixei os brasileiros de fora dessa vez, e ele mostrou projetos ótimos também) e fazer vocês irem pesquisar a respeito:</p>
<p><a href="http://www.rafaeliglesia.com.ar/first-E.htm" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.rafaeliglesia.com.ar/first-E.htm?referer=');">Rafael Iglesia</a> (Argentina), que diz que nós não temos História, mas Geografias, porque estamos sempre fazendo tabula rasa para novos experimentos;<br />
<a href="http://www.worldarchitecture.org/world-architects/index.asp?worldarchitects=architectdetail&amp;country=Mexico&amp;no=3" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.worldarchitecture.org/world-architects/index.asp?worldarchitects=architectdetail_amp_country=Mexico_amp_no=3&amp;referer=');">Alberto Kalach</a> (México);<br />
<a href="http://www.arqsaez.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.arqsaez.com/?referer=');">José Maria Saez</a> (Equador);</p>
<div id="attachment_837" class="wp-caption aligncenter" style="width: 600px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/montagem-latino.jpg"><img class="size-full wp-image-837" title="montagem-latino" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/montagem-latino.jpg" alt="" width="590" height="564" /></a><p class="wp-caption-text">Acima, à esquerda, uma escada maravilhosa de Iglesia, que não usa um único prego, só encaixe. Ao lado, a Biblioteca Nacional, do Kalach, no México. Abaixo, também do Kalach, a casa que está na página de abertura do seu site</p></div>
<p><a href="http://www.alejandroaravena.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.alejandroaravena.com/?referer=');">Alejandro Aravena</a> (Chile): gostei muito de um projeto que foi mostrado, de habitação social, batizado de <a href="http://www.elementalchile.cl/viviendas/quinta-monroy/quinta-monroy/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.elementalchile.cl/viviendas/quinta-monroy/quinta-monroy/?referer=');">Elemental</a>, que usa alguns blocos-padrão, modulares, intercalados com espaços livres que permitem que cada família construa o restante da unidade conforme suas necessidades (e possibilidades), gerando uma diversidade formal muito rica e interessante.</p>
<div id="attachment_838" class="wp-caption aligncenter" style="width: 790px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/Alejandro-Elemental-quintamoroy.jpg"><img class="size-full wp-image-838" title="Alejandro-Elemental-quintamoroy" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/Alejandro-Elemental-quintamoroy.jpg" alt="" width="780" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Casas em Quinta Monroy, no Chile, nessa &quot;metodologia&quot; do Elemental, que permite arranjos posteriores diferentes com maior flexibilidade para os moradores. </p></div>
<p>Em todos os projetos apresentados, havia uma preocupação de melhoria e valorização do espaço público como estratégia para um melhor exercício da cidadania. E sobretudo, uma enorme confiança na arquitetura, no espaço construído, como elemento impactante nessa transformação. A premissa é de que ao construir creches, escolas, postos de saúde, praças, conjuntos habitacionais de grande qualidade formal e espacial você está, de certa forma, &#8220;educando&#8221; as novas gerações, oferecendo a possibilidade delas incorporarem novos parâmetros de qualidade, que as tornem mais críticas e exigentes no futuro. Isso é genial.</p>
<p>Eu achei espetacular saber que, na Colômbia, por exemplo, há uma lei que obriga todo projeto em terreno público, com mais de 5000 m2 de área construída, a ser alvo de concurso público. E tá certo. Isso provoca uma profunda renovação na arquitetura local, e contribui de maneira fundamental para a melhoria dos nossos referenciais construtivos. Estimula talentos novos, revigora o ensino, alavanca a pesquisa e o investimento em novas tecnologias, diversifica a paisagem urbana, favorece o controle e a fiscalização dos gastos públicos com as obras. Já pensou isso aqui, no Rio, no Brasil, com as obras da Copa e das Olimpíadas? Com a requalificação da área portuária? Nós só teríamos a ganhar, eu tenho certeza!</p>
<p>&#8212;&#8212;- x &#8212;&#8212; x &#8212;&#8212; x &#8212;&#8212;</p>
<p>Umas rapidinhas, pra fechar por hoje:</p>
<p>- imperdível o <a href="http://sexismonapolitica.wordpress.com/2010/08/29/campanha-incentivando-violencia-contra-candidata/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/sexismonapolitica.wordpress.com/2010/08/29/campanha-incentivando-violencia-contra-candidata/?referer=');">post da Cynthia</a>, no blog <a href="http://sexismonapolitica.wordpress.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/sexismonapolitica.wordpress.com/?referer=');">Sexismo na política</a>. É pra ser lido e divulgado. Longe de ser uma brincadeira, o teor da malfadada campanha é de um mau gosto grotesco e revela o quanto a violência contra a mulher continua um assunto sério e descuidado no país. E não se trata de uma defesa partidária, nem de falta de humor. É muito mais grave e amplo do que isso.</p>
<p>- ainda sobre política, um aviso importantíssimo: não se esqueçam que, este ano, para poder votar, não basta levar o título de eleitor à seção eleitoral. É <strong>OBRIGATÓRIO</strong> levar <strong>TAMBÉM</strong> um <strong>DOCUMENTO DE IDENTIDADE, OFICIAL, COM FOTO! </strong>Ou seja, são <span style="color: #ff0000;"><strong>DOIS DOCUMENTOS:</strong></span> o título e a identidade. Serve a carteira de identidade propriamente, passaporte, carteira de trabalho, carteira de habilitação, mas tem que ter foto. Divulgue essa notícia entre todos os seus conhecidos. Não vamos perder votos por causa disso, gente!</p>
<p>(nem vou entrar no mérito do quão &#8220;oportuna&#8221; é essa lei, e do quanto ela provavelmente vai punir os eleitores mais humildes, que muitas vezes não têm documentação completa, e o pessoal das cidades mais do interior, para quem, talvez, essa informação nem seja suficientemente divulgada. Olho vivo)</p>
<p>- fechando com mais política e cidade: ao escolher seus candidatos, se possível, avalie também a posição deles em relação aos nossos principais temas urbanos: habitação, saneamento, mobilidade e acessibilidade, sustentabilidade, educação. De preferência, do ponto de vista da maior inclusão social possível, democratizando o acesso do maior número de pessoas a esses bens e serviços, e que eles tenham mais qualidade, em todos os sentidos.</p>
<p>- agora é pra fechar, mesmo. Por falar em mobilidade e cidadania, não posso deixar de recomendar, também, veementemente, o<a href="http://mateipormenos.apostos.com/2010/08/26/antes-morrer-de-bicicleta/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mateipormenos.apostos.com/2010/08/26/antes-morrer-de-bicicleta/?referer=');"> post da Juliana</a>, sobre a banalização da morte de pedestres por atropelamentos. No mesmo assunto, sempre tem textos interessantíssimos no<a href="http://www.apocalipsemotorizado.net/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.apocalipsemotorizado.net/?referer=');"> Apocalipse Motorizado</a>, como <a href="http://www.apocalipsemotorizado.net/2009/01/12/a-maioria-silenciosa/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.apocalipsemotorizado.net/2009/01/12/a-maioria-silenciosa/?referer=');">esse daqui</a>, do ano passado.</p>
<p>Volto já, até daqui a pouco.</p>
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		<title>Verás que um filho teu não foge à luta*</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 22:47:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[opiniões]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Eu pensei, de verdade, que durante as férias eu ia conseguir voltar a escrever com calma e mais regularidade. Vejo que subestimei o tamanho do meu cansaço. Eu estava realmente exausta, e bateu aquele vazio, aquela vontade de só dormir e mais nada. Acho mesmo que não cheguei a descansar tudo o que precisava, e diariamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu pensei, de verdade, que durante as férias eu ia conseguir voltar a escrever com calma e mais regularidade. Vejo que subestimei o tamanho do meu cansaço. Eu estava realmente exausta, e bateu aquele vazio, aquela vontade de só dormir e mais nada. Acho mesmo que não cheguei a descansar tudo o que precisava, e diariamente me sinto atropelada pelo ritmo do novo semestre que já começou com toda a corda, enquanto eu ainda me sinto zonza, com sono e com mais de 5 semanas de trabalho atrasado. Eu vejo o futuro repetir o passado e o tempo não pára. Ticking away the moments that make up a dull day&#8230; waiting for someone or something to show you the way. Cara, eu preciso sacudir a cabeça, espanar a letargia e me mexer.</p>
<p>Nesse tempo em que eu estive parada, pelo menos algumas coisas boas aconteceram, e uma das melhores, sem dúvida, foi a volta do<a href="http://www.idelberavelar.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.idelberavelar.com/?referer=');"> Idelber </a>e seu <a href="http://www.idelberavelar.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.idelberavelar.com/?referer=');"><strong>Biscoito Fino</strong></a>, que podemos voltar a degustar diariamente. Corre lá que tem <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/jose_serra_e_seu_descompasso_com_o_mundo.php" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.idelberavelar.com/archives/2010/08/jose_serra_e_seu_descompasso_com_o_mundo.php?referer=');">muita</a> <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/sobre_o_conflito_colombiano.php" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.idelberavelar.com/archives/2010/08/sobre_o_conflito_colombiano.php?referer=');">coisa</a> <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/autocritica_do_dunguismo_de_esquerda.php" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.idelberavelar.com/archives/2010/08/autocritica_do_dunguismo_de_esquerda.php?referer=');">ótima</a>.</p>
<p>Outro fato que me surpreendeu também foi a repercussão <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/07/12/posso-falar-um-pouquinho-sobre-gramatica/" target="_blank">deste post</a> sobre gramática, tema que nem é central no blog, mas que foi alvo de um desabafo meu enquanto corrigia provas dois meses atrás, e que rendeu boas conversas e um debate interessante na <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/07/12/posso-falar-um-pouquinho-sobre-gramatica/#comments" target="_blank">caixa de comentários</a>.</p>
<p>Quero voltar a falar dos assuntos parados. Ouvi uma observação um tempo atrás que está correta, e cuja constatação me causa incômodo: eu tenho o mau hábito de iniciar (e anunciar) séries que depois não levo adiante, gerando expectativas e causando alguma frustração nos que gostariam de acompanhar o desenrolar do assunto. As cidades muçulmanas foram as últimas vítimas. Mas vou retomar (eu já ia completando com um &#8220;prometo&#8221;, mas achei melhor não. Minhas promessas bloguísticas não estão valendo muito na praça). Pra ir reesquentando os motores, eu dou uma sugestão de filme: <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/o-que-resta-do-tempo/#ficha-tecnica" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.adorocinema.com/filmes/o-que-resta-do-tempo/_ficha-tecnica?referer=');"><strong>O que resta do tempo</strong></a> (<a href="http://www.imdb.com/title/tt1037163/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.imdb.com/title/tt1037163/?referer=');">The time that remains</a>), de Elia Suleiman. Aqui no Rio acho que já saiu de cartaz, mas a gente pode colocar na lista de espera para o dvd. O filme trança a vida do próprio diretor, recuperada através dos diários do pai e de cartas da mãe, com a história de ocupação da Palestina pelo governo israelense nos últimos 60 anos. Só não concordo, no título da <a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/04/29/e29049133.asp" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/jbonline.terra.com.br/pextra/2010/04/29/e29049133.asp?referer=');">resenha do jornal</a>, com chamar de &#8220;conflito&#8221; uma guerra cruel que já se tornou um verdadeiro massacre.</p>
<p>Além das cidades muçulmanas eu estou devendo falar mais sobre algumas impressões de viagem, no que diz respeito à análise de espaços públicos e projetos urbanos. Enquanto isso, algumas coisas:</p>
<p>- No<a href="http://www.bb.com.br/portalbb/home22,128,10151,0,0,1,1.bb?codigoMenu=9887" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.bb.com.br/portalbb/home22_128_10151_0_0_1_1.bb?codigoMenu=9887&amp;referer=');"> Centro Cultural do Banco do Brasil</a> aqui no Rio, está em cartaz uma belíssima<a href="http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10154,1,0,1,1.bb?dtInicio=8/2010&amp;codigoEvento=3535" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.bb.com.br/portalbb/page511_128_10154_1_0_1_1.bb?dtInicio=8/2010_amp_codigoEvento=3535&amp;referer=');"> exposição</a> sobre a viagem capitaneada pelo alemão <strong>Langsdorff</strong> ao interior do Brasil entre 1821 e 1829. Eu acho fascinante que a gente tenha descoberto tanto do nosso país através dos olhos de tantos estrangeiros que por aqui estiveram, que pintaram as paisagens, as cenas urbanas,  retrataram índios, negros, portugueses, mestiços, recolheram espécimes de plantas e bichos, relataram em seus diários os hábitos, os eventos, as aventuras que viveram. Além das aquarelas bem ao gosto do Enciclopedismo típico da época, há mapas e plantas de cidades, e um texto cuidadoso que fala das circunstâncias da expedição e seus personagens &#8211; Rugendas, Taunay, Florence. Até 26 de setembro, entrada franca.</p>
<p>- Outra exposição que estou louca para ver, mas ainda não entrou em cartaz é <a href="http://mapasinvisiveis.wordpress.com/2010/08/11/a-cidade-e-sua-escrita/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mapasinvisiveis.wordpress.com/2010/08/11/a-cidade-e-sua-escrita/?referer=');"><strong>Mapas invisíveis</strong></a>, que vai estrear na Caixa Cultural (prédio da Caixa Econômica do Rio, no Centro, próximo ao Largo da Carioca) no dia 08 de novembro. Neste <a href="http://mapasinvisiveis.wordpress.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/mapasinvisiveis.wordpress.com/?referer=');">link</a> você pode ver em que consiste a proposta, os artistas que participarão, e acompanhar as discussões a respeito.</p>
<p>- No próximo post eu quero comentar a palestra que assisti na UFRJ há poucas semanas, com o <a href="http://parededemeia.blogspot.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/parededemeia.blogspot.com/?referer=');">Fernando Lara</a>, com o instigante título de <strong>&#8220;O cimento feroz: considerações sobre Arquiteturas Contemporâneas da América Latina&#8221;</strong>. Fiz diversas anotações, e alguns aspectos do que ele disse me chamaram muito a atenção, quero dividir com vocês.</p>
<p>- Por fim, um assunto que tanta gente evita, mas que eu acho necessário trazer pra frente da discussão: as nossas próximas eleições. Quem me acompanha aqui ou no <a href="https://www.google.com/reader/view/?tab=my#overview-page" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.google.com/reader/view/?tab=my_overview-page&amp;referer=');">GReader</a>, pelos links que partilho, sabe o que penso e as ideias que defendo. O que isso tem a ver com a cidade e com os temas urbanos que procuramos discutir aqui? TUDO. Vocês já se deram conta de que o mesmo termo grego que designa a cidade &#8211; POLIS &#8211; está na raiz da palavra POLÍTICA? Em que pesem as diferenças históricas e conceituais entre a democracia grega e a democracia contemporânea, a política continua sendo essencialmente a expressão da nossa participação na vida da cidade (ou do país, do mundo) em que vivemos. Todas as nossas ações e decisões nesse sentido são políticas, mesmo &#8211; e especialmente danosas &#8211; as de não participar (ou achar que não está participando do processo ao dar as costas).</p>
<p>Eu prezo acima de tudo a pluralidade democrática, que nos permite fazer nossas escolhas e manifestá-las livremente. Sobre isso, vou contar uma coisa. Estava em sala de aula esta semana, falando sobre plano diretor e as modificações trazidas pela <a href="http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/dh/volume%20i/constituicao%20federal.htm" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/dh/volume_20i/constituicao_20federal.htm?referer=');">Constituição de 1988</a>, em seus artigos 182 e 183, que tratam da política de desenvolvimento urbano e enfatizam a função social da propriedade (artigos regulamentados em 2001 pelo <a href="www.ibam.org.br/publique/media/Cidade.pdf" target="_blank">Estatuto da Cidade</a> &#8211; link em pdf), quando me dei conta de que estavam todos me olhando como se eu falasse do século passado (e pior que eu falava mesmo!). Perguntei e não deu outra: ninguém ali tinha nascido antes disso. Uau!  Em 1988 eu era uma pirralha recém-formada em Comunicação Social, morando no interior do Tocantins, trabalhando como jornalista (péssima jornalista, diga-se, sem nenhuma paixão pela profissão, tanto que larguei), engajada na minha primeira eleição para presidente da República (Collor x Lula, 1989). A maioria dos meus alunos passou a infância na década de 90, enquanto eu tinha filhos e fazia minha segunda faculdade.</p>
<p>Há entre vários desses jovens uma crença disseminada de que não vale a pena se interessar ou participar do processo político porque  os políticos são todos corruptos, ninguém presta, o jogo é sujo e portanto tanto faz, melhor não votar, anular para mostrar minha insatisfação &#8220;com tudo isso que está aí&#8221;. Este pensamento encerra, pra começar, uma premissa moral de que a política deveria ser um sacerdócio praticado por idealistas isentos de qualquer interesse próprio, seres 100% honestos, abnegados, incorruptíveis. Algum de nós é assim? A política é uma fricção constante, uma negociação por objetivos e estratégias, praticada por atores que agem e também sofrem os resultados de suas ações, que têm interesses, bagagens culturais, históricas, sociais diferentes. E não estou falando só dos detentores de cargos eletivos, mas de todos nós que &#8211; ainda que sem perceber &#8211; fazemos política o tempo todo. Associações civis, grupos de empresários, comunidade acadêmica, sindicatos e organizações profissionais, cidadãos que constroem e partilham o espaço urbano o tempo todo.</p>
<p>Eu me pergunto: a quem interessa esse discurso e essa prática, de despolitização? Quem se beneficia da apatia política, da desmobilização popular, do clima de não-vale-a-pena? Que bem pode fazer à democracia o meu nariz torcido, o meu desdém, a minha ilusão de que eu não faço parte disso tudo? Quem ocupa a brecha deixada pelos que dão as costas? Qual a alternativa? Sim, porque o lugar do poder e da decisão será sempre ocupado, quer eu goste ou não. E a minha recusa em meter a colher nesse mingau sob a alegação de que é tudo imundo e eu não quero me sujar só abre espaço pra mais daquilo que eu tanto critico. Melhor prestar atenção, acompanhar, cobrar, participar. Pensem nisso antes de ir às urnas em outubro.</p>
<p>Volto já. Mesmo.</p>
<p><em>* Referência à excelente arte feita sobre a capa da revista Época desta semana, que destaca ameaçadoramente o &#8220;passado guerrilheiro&#8221; da candidata do PT à presidência, Dilma Roussef.</em></p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/dilma_ALUTA.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-822" title="dilma_ALUTA" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/dilma_ALUTA.jpg" alt="" width="200" height="267" /></a></p>
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		<title>Um contraponto</title>
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		<pubDate>Sun, 23 May 2010 17:12:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Brasília]]></category>
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		<description><![CDATA[<p class="wp-caption-text">Brasília - vista do Eixo Rodoviário - ao fundo Esplanada dos Ministérios. Fonte: Revista Manchete n. 417, RJ, 16 abr 1960</p>
<p>Falamos sobre a cidade de Salvador, em seu período colonial, aí no post de baixo. E eu me dei conta de que não comentei até agora uma efeméride importantíssima , que é o aniversário de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_780" class="wp-caption alignleft" style="width: 273px"><a href="http://instinctalternative.blogspot.com/2010/04/artigo-brasilia-50-anos-feliz.html" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/instinctalternative.blogspot.com/2010/04/artigo-brasilia-50-anos-feliz.html?referer=');"><img class="size-medium wp-image-780" title="16 abr 1960" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/05/16-abr-1960-263x300.jpg" alt="" width="263" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Brasília - vista do Eixo Rodoviário - ao fundo Esplanada dos Ministérios. Fonte: Revista Manchete n. 417, RJ, 16 abr 1960</p></div>
<p>Falamos sobre a cidade de Salvador, em seu período colonial, aí no post de baixo. E eu me dei conta de que não comentei até agora uma efeméride importantíssima , que é o aniversário de <strong>50 anos de Brasília</strong>, nossa capital idealizada e construída sob a égide do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Modernismo" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Modernismo?referer=');">Movimento Modernista</a>.</p>
<p>Antes de qualquer outra coisa, quero saudar os candangos, o povo todo que faz de Brasília, entendida em sua totalidade e não apenas reduzida a seu Plano Piloto, uma cidade realmente especial, múltipla, com tanto a nos ensinar. Quero dizer que, como arquiteta e urbanista, considero Brasília um momento importantíssimo na história do planejamento urbano, tanto no Brasil quanto no mundo, e um laboratório sem igual para a análise e o aprendizado de modelos, propostas, soluções. Repudio a redução que muita gente faz de Brasília, como se a cidade se resumisse às mazelas da classe política que mal e mal habita seu território quando comparece às sessões do Congresso.  Brasília é muito mais do que o Eixo Monumental, a Esplanada dos Ministérios, o Palácio da Alvorada, o Senado e a Câmara, muito mais inclusive que as superquadras imaginadas por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%BAcio_Costa" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/L_C3_BAcio_Costa?referer=');">Lúcio Costa</a>. Brasília é também Taguatinga, Gama, Sobradinho, Planaltina, Ceilândia, é todo o povo que foi trabalhar na sua construção, saído de tudo que é lugar do Brasil, e que não foi considerado na hora de prever habitação para todos. O povo e seus descendentes que ficaram ali, em volta do Plano Piloto, e que hoje demandam serviços públicos, equipamentos de saúde, educação, lazer, infra-estrutura, transporte coletivo.</p>
<div id="attachment_786" class="wp-caption aligncenter" style="width: 710px"><a href="http://doc.brazilia.jor.br/Cidades.htm" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/doc.brazilia.jor.br/Cidades.htm?referer=');"><img class="size-full wp-image-786" title="DF-ampliado" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/05/DF-ampliado2.jpg" alt="" width="700" height="456" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de satélite, de 1990, mostrando a ocupação em torno do Plano Piloto</p></div>
<p>Brasília é uma conquista imensa para o Brasil. O Rio de Janeiro pode ter tido perdas consideráveis com a mudança da capital, e até hoje se ressente do esvaziamento que isso causou, embora eu acredite que esteja mais do que na hora de superar isso e olhar pra frente, ocupar seu lugar no país. Um país como o Brasil tem espaço para o destaque e a importância de muitas cidades. Sem dúvida que a interiorização da capital levou crescimento às áreas centrais do território brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento de Goiânia, de Belo Horizonte, do Triângulo Mineiro, de partes do Nordeste, entre tantas outras regiões ao longo do eixo que liga Brasília aos centros de poder econômico do sudeste.</p>
<p><a href="http://www.nosrevista.com.br/2010/03/23/o-cinquentenario-de-brasilia-df/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.nosrevista.com.br/2010/03/23/o-cinquentenario-de-brasilia-df/?referer=');"><img class="alignleft size-medium wp-image-782" title="brasiliamapa" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/05/brasiliamapa-300x276.jpg" alt="" width="300" height="276" /></a>Sobre a análise do traçado de Brasília, os princípios funcionalistas de sua concepção, e até sua arquitetura, que inclui alguns ícones da produção de <a href="http://www.niemeyer.org.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.niemeyer.org.br/?referer=');">Oscar</a> <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Niemeyer" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Niemeyer?referer=');">Niemeyer</a>, numa fase de apogeu do mestre, e todas as suas consequências, hoje, para a integração e desenvolvimento democrático do conjunto do Distrito Federal, eu vou sugerir dois livros e uma visita. Os livros são:</p>
<p><a href="http://books.google.com.br/books?id=8fYRTXWG5cYC&amp;printsec=frontcover&amp;dq=A+cidade+modernista,+James+Holston&amp;source=bl&amp;ots=4OA6sQ8npz&amp;sig=_I_nawSA_-67LPekDloP6qzUJnY&amp;hl=pt-BR&amp;ei=B1j5S-HIDImmuAfCh_W9Dg&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=1&amp;ved=0CBgQ6AEwAA#v=onepage&amp;q&amp;f=false" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/books.google.com.br/books?id=8fYRTXWG5cYC_amp_printsec=frontcover_amp_dq=A+cidade+modernista_+James+Holston_amp_source=bl_amp_ots=4OA6sQ8npz_amp_sig=_I_nawSA_-67LPekDloP6qzUJnY_amp_hl=pt-BR_amp_ei=B1j5S-HIDImmuAfCh_W9Dg_amp_sa=X_amp_oi=book_result_amp_ct=result_amp_resnum=1_amp_ved=0CBgQ6AEwAA_v=onepage_amp_q_amp_f=false&amp;referer=');"><strong>A cidade modernista: uma crítica de Brasília e sua utopia</strong></a>, de James Holston, publicado pela Companhia das Letras, em 1993.<br />
<a href="http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/33/textos/931/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/33/textos/931/?referer=');"><strong>O concurso de Brasília: sete projetos para uma capital</strong></a>, de Milton Braga, publicado pela Cosac Naify, este ano.</p>
<p>Claro que há inúmeros outros livros maravilhosos, eu destaquei esses dois porque o primeiro eu tenho e gosto muito dele, por incorporar uma análise que privilegia a questão da cidadania e da inclusão das várias Brasílias, numa perspectiva contemporânea, ao mesmo tempo que não descuida da história, das teorias e até das polêmicas que envolveram o concurso e a adoção daquele modelo específico. O segundo, porque foi recém-lançado, eu estou louca para comprar, e apresenta os outros projetos que participaram do concurso, com autoria de gente grande como os <a href="www.docomomo.org.br/seminario 6 pdfs/izaga-docomomo-2005-MMM.pdf" target="_blank">irmãos Roberto</a> (excelente artigo em pdf), <a href="http://vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/02.014/3223" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/02.014/3223?referer=');">Rino Levi </a>e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Batista_Vilanova_Artigas" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Jo_C3_A3o_Batista_Vilanova_Artigas?referer=');">Villanova Artigas</a>, o que nos permite fazer comparações e até especulações interessantes.</p>
<p>A visita, imperdível para quem mora ou está no Rio, é à exposição<strong> As construções de Brasília</strong>, em cartaz no <a href="http://ims.uol.com.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/ims.uol.com.br/?referer=');"><strong>Instituto Moreira Sales</strong></a>, na Gávea (Rua Marquês de São Vicente, 476, telefone 2274-2149), em cartaz até o final de julho, com entrada franca e visitas guiadas de 3a a 6a feira, sempre às 17 horas. Esta semana, entre os dias 24 e 28 de maio, acontece também um <a href="http://ims.uol.com.br/Cinema/D17/P=312" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/ims.uol.com.br/Cinema/D17/P=312?referer=');">Seminário</a> que complementa a exposição. No <a href="http://ims.uol.com.br/Cinema/D17/P=303" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/ims.uol.com.br/Cinema/D17/P=303?referer=');">site</a> do Instituto haverá outras informações sobre horários e endereço exato. Eu já combinei de ir sexta agora com uma amiga, no fim da tarde.</p>
<p>Uma das nossas primeiras colunas do <strong>Cidades Literárias</strong> foi justamente sobre Brasília, numa crônica de <strong>Clarice Lispector</strong>, vale a pena <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/06/19/cidades-literarias-clarice-lispector/" target="_blank">reler</a>.</p>
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		<title>Cidades literárias: Ana Maria Gonçalves (2)</title>
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		<pubDate>Mon, 17 May 2010 03:14:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades Literárias]]></category>
		<category><![CDATA[História Urbana]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Provavelmente eu deveria começar este post me desculpando por ausência tão prolongada. Vocês não têm ideia de como meu tempo ficou curtinho e praticamente insuficiente, desde que eu comecei as aulas na UFRJ. Desnecessário dizer que estou adorando cada minuto, fazendo o que eu mais amo na vida, mas mesmo tendo diminuído um pouco minha carga [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Provavelmente eu deveria começar este post me desculpando por ausência tão prolongada. Vocês não têm ideia de como meu tempo ficou curtinho e praticamente insuficiente, desde que eu comecei as aulas na <a href="http://www.fau.ufrj.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.fau.ufrj.br/?referer=');">UFRJ</a>. Desnecessário dizer que estou adorando cada minuto, fazendo o que eu mais amo na vida, mas mesmo tendo diminuído um pouco minha carga horária na <a href="http://www.uva.br/designdeinteriores/graduacao_design_de_interiores.htm" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.uva.br/designdeinteriores/graduacao_design_de_interiores.htm?referer=');">outra universidade</a>, eu ainda estou dando quase 30 horas/aula semanais, o que é muito (conte por fora os tempos de deslocamento, com aulas na Barra, na Ilha do Fundão e na Tijuca, morando em Botafogo, e o tempo necessário para preparar as aulas, estudar, montar avaliações e corrigir trabalhos e/ou provas de mais de 250 alunos no total e você vai entender que eu tenho trabalhado sem fim de semana e sem feriado). E ainda peguei um projeto de reforma para fazer, como se o tempo estivesse sobrando. Eu estou cansada mesmo. Para o próximo semestre eu vou ter que rever isso, diminuir o ritmo, me reorganizar.</p>
<p>O que uma blogueira faz numa situação dessas? Inventa umas <em>&#8220;embromations&#8221;</em> pra não deixar a peteca cair. Tanta coisa mais urgente para discutir, tanto assunto quente coçando os meus dedos aqui, mas vou recorrer a um expediente manjado nessas emergências: deixar outra pessoa falar por mim. E nem é tão despropositado. Vejam bem, eu estou lecionando três matérias lá na Arquitetura, dentro do Departamento de Urbanismo. Eles chamam de HCU: História da Cidade e do Urbanismo. Daí que eu fiquei com <a href="http://nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1&amp;n2=departamentos&amp;n3=7&amp;n4=FAU120" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1_amp_n2=departamentos_amp_n3=7_amp_n4=FAU120&amp;referer=');">HCU 2</a>, <a href="http://nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1&amp;n2=departamentos&amp;n3=7&amp;n4=FAU230" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1_amp_n2=departamentos_amp_n3=7_amp_n4=FAU230&amp;referer=');">HCU 3</a> e <a href="http://nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1&amp;n2=departamentos&amp;n3=7&amp;n4=FAU240" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1_amp_n2=departamentos_amp_n3=7_amp_n4=FAU240&amp;referer=');">HCU 4</a>, para alunos do segundo, terceiro e quarto períodos, respectivamente. Nesta sequência, eu acabo cobrindo a História da Cidade desde os primórdios, láááá atrás, no momento em que as aldeias neolíticas viraram cidades, passando por todos os períodos, até o final do século XIX. Não reclamo, isso é uma cachaça pra mim e a maior parte já é assunto velho conhecido, que eu já ensinei antes.</p>
<p>Mas o que é que eu estava falando mesmo? Ah, sim, dentro da disciplina de HCU 3, em algum momento nas próximas semanas, nós vamos começar a falar da colonização do Brasil, e da formação das redes urbanas no período colonial. E eu me lembrei que já tinha avisado <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/03/13/cidades-literarias-ana-maria-goncalves-1/" target="_blank">aqui</a> que voltaria a citar <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1407629" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1407629&amp;referer=');">o livro da Ana Maria</a>, porque tem uma descrição deliciosa da cidade de Salvador, vista pelos olhos da personagem principal, a Kehinde/Luísa, quando lá chega nos primeiros anos do século XIX. Eu &#8211; infelizmente &#8211; ainda não conheço Salvador, mas quem conhece podia vir aqui contar pra gente o que disso tudo ainda existe, qual a sua percepção da cidade.</p>
<p>O texto é grande, mas vale cada sílaba:</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Para sempre ficou gravada na minha memória a São Salvador daquele dia. Anos depois, em África, a tantos quilômetros e a tanto tempo de distância, era naquelas impressões e sensações que eu pensava ao me lembrar da Bahia ou mesmo do Brasil. Lembro-me ainda hoje dos nomes das praças e das ruas que percorri por anos e anos, e por onde muitas vezes refiz o caminho daquele dia, tentando vê-lo com meus olhos de menina, sem nunca mais conseguir. Quando o barco contornou o Forte de São Marcelo, o sol ainda estava baixo por trás das colinas que sustentavam a cidade, o que fazia com que ela ficasse emoldurada por uma luz mágica que mais parecia um véu, embaçando os olhos da gente e tornando as cores mais delicadas. Algumas construções, as mais altas, com três, quatro ou até mais andares, e muitos templos e palacetes, pareciam flutuar de encontro ao teto do céu. A encosta era formada por partes de rocha preta, terra vermelha e vegetação, sendo que algumas árvores tinham crescido quase deitadas, como se tivessem sido atiradas, como setas, a partir do mar.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Ao desembarcarmos, fizemos um caminho que eu já conhecia, do ancoradouro até a rua principal da cidade baixa, mas que naquele dia parecia diferente por estar quase vazio. Havia pouca gente nas ruas, como se a cidade ainda estivesse espreguiçando antes de acordar direito. Eram apenas duas as mulheres que vendiam comida, com suas roupas bonitas e seus tabuleiros, e até mesmo o Arsenal, onde mais tarde vi que a construção de barcos e mais barcos quase não era interrompida, naquela manhã estaria deserto se não fossem três pretos conversando, sentados sobre pilhas altas de madeira. Apenas uma ou outra casa já tinha as portas e janelas abertas para becos tão estreitos que davam a impressão de que podíamos interromper a passagem por eles apenas abrindo os braços. Nem mesmo a fedentina causada pelos dejetos jogados na rua estava tão forte quanto da primeira vez, talvez porque o sol ainda não a tivesse acordado também. Na rua principal, um pouco mais larga e bastante tortuosa, olhando de longe às vezes eu tinha a impressão de que algumas casas estavam construídas exatamente no meio do caminho, barrando a passagem. Mas, ao chegarmos perto, a rua quebrava em outra direção, contornando as construções e seguindo adiante, para a frente e para cima. Alguém do grupo comentou que aquela rua principal acompanhava a praia de um canto a outro da cidade, ora mais, ora menos habitada, com mais casas de moradia ou mais casas de comércio e depósitos de pretos.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Poucas construções tinham um só andar; a maioria era de casas engaioladas umas sobre as outras, com varandas sob janelas laterais que quase se encontravam no ar, ligando uma casa a outra, de tão próximas. Tais varandas também avançavam na frente das casas, nos andares superiores, debruçando-se umas sobre as outras e todas juntas sobre a rua, de um lado e do outro, tornando o caminho escuro e sufocante nos pontos mais estreitos. Havia ruelas que saíam dos dois lados da rua principal, curtas, porque, se de um lado algumas casas já quase se jogavam sobre o mar, do outro, em certos trechos, estavam apoiadas no barranco, mesmo com risco de a qualquer momento serem esmagadas pela queda das construções que se equilibravam na parte de cima, na cidade alta.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Os nomes dos lugares eu vim a saber depois, mas naquele dia caminhamos até uma construção onde funcionava um hospício, onde dobramos, bem na quina com a Ladeira da Preguiça, que subia, íngreme, até metade da montanha. (&#8230;) Calados para poupar fôlego, inclinávamos o corpo para frente e caminhávamos, seguindo as construções e os muros da torta Rua Direita da Preguiça, pegando uma outra ladeira, que ia dar no Largo das Portas de São Bento. De lá, sempre a medo de escorregar, tomamos outra ladeira que nos levou à parte mais alta da cidade, ao lado do Palácio do Governo, onde enfim paramos para descansar e aproveitar a vista. Dava para ver a Baía de Todos os Santos quase inteira, com suas pequenas ilhas e a Ilha de Itaparica como um imenso jardim plantado no meio das águas. No Palácio, uma construção de dois andares que ficava em um dos cantos da praça que levava o seu nome, a Praça do Palácio, contei onze janelas e uma porta muito alta, que se abriam para uma varanda que o abraçava por todos os lados. Em outro canto da Praça do Palácio, que tinha a forma de um quadrado, ficava a Cadeia Pública, um prédio tão bonito que, se não fosse pelas grades, poderia ser confundido com uma casa, bem como as construções que ocupavam os outros dois cantos, a Casa da Moeda e a Câmara Municipal.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em> </em></p>
<div id="attachment_775" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><em><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Terreiro_de_Jesus_(Salvador)" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Terreiro_de_Jesus_Salvador?referer=');"><img class="size-full wp-image-775" title="Terreiro_de_Jesus_Sé_Catedral_1862" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/05/Terreiro_de_Jesus_Sé_Catedral_1862.jpg" alt="" width="300" height="212" /></a></em></em><p class="wp-caption-text">Vista do Terreiro de Jesus, com a Catedral Basílica ao fundo, em 1862. Ao lado da igreja vê-se o antigo Colégio dos Jesuítas de Salvador.</p></div>
<p style="text-align: right;"><em>Descansados da subida, seguimos caminhando em direção ao Terreiro de Jesus, passando por lindos sobrados, que tanto eram comércio como casas de moradia, e principalmente por belas igrejas, como a Catedral da Sé. De um dos lados do Paço da Catedral ficava um templo que tinha sido dos jesuítas e que mais tarde foi ocupado por um colégio e depois por um hospital, para então ceder lugar à Faculdade de Medicina, que não sei se ainda está lá nos dias de hoje. (&#8230;) A praça do Terreiro de Jesus abrigava também o templo da Irmandade dos Clérigos de São Pedro e muitas casas mais simples, e dava saída para ruas que partiam em direção a todas as outras freguesias da cidade. Um pouco mais adiante, perto do Convento  e da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, dava para se ter uma visão melhor do que era a cidade de São Salvador. Para todos os lados que se olhava, menos o do mar, a cidade era uma sucessão de vales cobertos por verde abundante e de montanhas cortadas por ruas de terra ou de pedra, quase sempre desertas. De longe em longe, principalmente nas partes mais altas, surgiam algumas construções que, sendo pequenas, estavam quase sempre grudadas umas nas outras, e sendo grandes, estavam separadas por imensos jardins. Os palacetes se destacavam, brancos e grandiosos sobre gramados verdes e jardins coloridos, guardados por muitas árvores. Alguns morros tinham perdido os picos para dar lugar a um ajuntamento de construções ao longo de três ou quatro ruas que giravam em torno da praça central, onde sempre havia uma ou mais igrejas.&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>(GONÇALVES, Ana Maria. Um Defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2007)</em></strong></p>
<p>Só com isso, já dava pra gente pensar e falar sobre um monte de coisas, não é? Me aguardem que eu já volto (vou tentar, pelo menos).</p>
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		<title>Novidades</title>
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		<pubDate>Sun, 18 Apr 2010 14:29:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[História Urbana]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[século XIX]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Eu devia colocar no singular, porque é uma novidade só, mas assim no plural o título fica mais bonito e chamativo  </p>
<p>Desculpem ter sumido por tantos dias, é que estas últimas duas semanas foram intensas. Primeiro, as chuvas do Rio, suspendendo a vida real por três dias seguidos, o que levou a atrasos no planejamento [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } -->Eu devia colocar no singular, porque é uma novidade só, mas assim no plural o título fica mais bonito e chamativo <img src='http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':-D' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Desculpem ter sumido por tantos dias, é que estas últimas duas semanas foram intensas. Primeiro, as chuvas do Rio, suspendendo a vida real por três dias seguidos, o que levou a atrasos no planejamento de aulas (e até no doméstico) e a uma desorganização geral da rotina. Aproveitei para escrever umas coisas que estavam atrasadas e que eu tinha prazo pra entregar. Aí, nesta semana que se encerrou havia entrega de trabalhos em quase todas as minhas turmas, o que quer dizer pilhas de coisas para corrigir, além de uma ansiedade extra, ligada à novidade a que eu me referi aí no título.</p>
<p>É que abriu um concurso para professor substituto na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, e eu me inscrevi. Muitos candidatos bons (eu dei uma olhada na lista e conhecia vários pelo nome, colegas com quem eu já trabalhei ou estudei) e um processo sumário: a banca faz uma análise do currículo e chama os que ela considera os melhores para a entrevista. Eu já participei de um concurso desses, dois anos atrás, e fiquei em segundo lugar, mas era uma vaga única e eu fiquei de fora. A inscrição foi na segunda, a entrevista foi na quinta e o resultado saiu na própria quinta de noite. Fui chamada para a entrevista (eu e mais 13 candidatos), que se revelou, na verdade, uma verdadeira arguição oral, clima de avaliação mesmo. Se eu soubesse que seria assim, talvez tivesse estudado, mas juro que não me preparei nesse sentido. Mesmo assim, devo ter me saído bem, porque, desta vez, <span style="text-decoration: underline;">eu passei</span>!</p>
<p>Estou feliz da vida e começo nesta segunda-feira (amanhã), provavelmente assumindo turmas de História da Cidade e do Urbanismo. A gente nem sempre se dá muito conta de como esses processos de seleção são emocionalmente cansativos. Depois que a Chefe de Departamento me telefonou, quinta de noite, para dar o meu resultado e me convocar para a reunião de amanhã, eu estava numa descarga de adrenalina tão grande que dormi agitada. Aí, na sexta, quando eu achei que finalmente teria tempo de vir aqui, acabei dormindo a tarde quase toda&#8230;</p>
<p>Enfim, bola pra frente. As disciplinas que eu lecionarei abarcarão, entre outros períodos, o século XIX, que é alvo do que eu pretendo estudar num possível (e, tomara que em breve) doutorado. Daí que eu tenho lido e estudado um pouco sobre o assunto. Esses dias, revendo livros e textos sobre os tratados e utopias que propõem cidades ideais, que proliferaram a partir do século XV, e se estendem, com características e premissas um pouco diferentes, até o século XIX, me deparei com o projeto d&#8217;<strong>A Cidade Industrial</strong>, do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Tony_Garnier" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Tony_Garnier?referer=');">Tony Garnier</a> (que na verdade é do início do século XX, tendo sido apresentado pela primeira vez em 1904). Dá uma espiada no que ele diz, que eu comento em seguida:</p>
<p><em></p>
<div id="attachment_767" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><em><a href="http://cidadeinteira.blogspot.com/2009/03/pac-oportunidade-para-revisao-de-uma.html" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/cidadeinteira.blogspot.com/2009/03/pac-oportunidade-para-revisao-de-uma.html?referer=');"><img class="size-medium wp-image-767" title="Garnier-planta" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/Garnier1-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a></em><p class="wp-caption-text">Zoneamento por usos na cidade de Tony Garnier</p></div>
<p>“Fatores determinantes para o estabelecimento de tal cidade deveriam ser a proximidade de matérias-primas ou a existência de uma força natural capaz de ser usada como energia, ou a conveniência dos métodos de transporte. Em nosso caso, o fator determinante para a localização da cidade é o afluente que é a fonte de energia; também existem minas na região, mas poderiam estar situadas mais adiante. O afluente está represado; uma usina hidrelétrica distribui energia, luz e calor par as fábricas e para a cidade toda. As fábricas principais estão situadas na planície, na confluência do rio com seu afluente. Uma linha-tronco de ferrovia passa entre as fábricas e a cidade, situada acima das fábricas, num planalto. Mais acima, ficam os hospitais; estes, a exemplo da cidade, estão protegidos dos ventos frios e têm seus terraços voltados para o sul</em> (NOTA: ele está falando no hemisfério norte, em que esta é a fachada mais ensolarada, ao contrário do hemisfério sul, em que a fachada que toma sol é a norte). <em>Cada um desses elementos principais (fábricas, cidade, hospitais) fica isolado, de modo a tornar possível sua expansão.</em></p>
<p><em>(&#8230;) Os estudos sobre o programa mais satisfatório para as necessidades morais e materiais dos indivíduos resultou no estabelecimento de regras a respeito do uso das estradas, da higiene, etc.; o pressuposto é o de que um certo progresso da</em> <em>ordem social que resultou na adoção automática dessas regras já foi alcançado, de modo que não será necessário decretar as leis efetivas. A distribuição da terra, todas as coisas ligadas à distribuição da água, pão, carne, leite e suprimentos médicos, bem como a reutilização do lixo, serão entregues ao poder público.”</em></p>
<p style="text-align: right;">(Tony Garnier: Prefácio a Une Cité Industrielle,<br />
retirado de FRAMPTON, Kenneth. História Crítica da Arquitetura Moderna. São Paulo: Martins Fontes, 1997)</p>
<p><a href="http://urbanidades.arq.br/2008/02/as-origens-do-planejamento-urbano/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/urbanidades.arq.br/2008/02/as-origens-do-planejamento-urbano/?referer=');"><img class="aligncenter size-full wp-image-768" title="GarnierCidadeIndustrialPerspectiva" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/GarnierCidadeIndustrialPerspectiva.jpg" alt="" width="500" height="258" /></a></p>
<p>Observe que essa proposta se alinha com o pensamento dito progressista (dito, por exemplo, por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Fran%C3%A7oise_Choay" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Fran_C3_A7oise_Choay?referer=');">Françoise Choay</a>, em seu livro<strong> O Urbanismo</strong>), de final do século XIX-início do XX, que acreditava MESMO que a indústria, a máquina, traria as soluções para uma cidade melhor. Melhor aqui quer dizer mais limpa, organizada, racional, higiênica, ordenada, próspera, veloz. A produção em massa baratearia custos e todos teriam acesso a todos os bens necessários – e isso inclui carros, para proporcionar a mobilidade requerida nesta cidade de avenidas largas e funções separadas em áreas distintas da cidade. Eu não tenho dúvidas (isso está escrito em mais de um livro, hohoho) de que <a href="http://educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u641.jhtm" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/educacao.uol.com.br/biografias/ult1789u641.jhtm?referer=');">Le Corbusier</a> leu e foi influenciado por Tony Garnier. Se você reparar bem, a semente da cidade modernista, funcionalista, já está toda aí.</p>
<p>O que eu proponho a gente pensar é: quais desses paradigmas ainda estão vigentes, hoje, mais de um século depois? Esse modelo ainda nos serve? O que deu certo? O que deu errado? Quais seriam os &#8220;fatores determinantes&#8221; para uma cidade do século XXI? Que modelos ou propostas temos hoje para nossas cidades, diante das condições e perspectivas que estão colocadas diante de nós?</p>
<p>Vão pensando e escrevendo, que eu já volto.</p>
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		<title>Auto-jabá</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Mar 2010 02:17:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>No final de 2008, eu me inscrevi no processo de seleção para o doutorado em Urbanismo na UFRJ, no mesmo programa em que havia feito o mestrado. Passei na primeira fase, cheguei a fazer a entrevista, mas no final, não fui selecionada, e isso – confesso – me deixou bem chateada durante um tempo. Conversando semanas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } -->No final de 2008, eu me inscrevi no processo de seleção para o doutorado em Urbanismo na UFRJ, no mesmo programa em que havia feito o mestrado. Passei na primeira fase, cheguei a fazer a entrevista, mas no final, não fui selecionada, e isso – confesso – me deixou bem chateada durante um tempo. Conversando semanas depois com a professora que coordenava o processo de seleção, ela me disse que o meu projeto de tese era bom, mas que faltavam, no meu currículo, mais publicações, e que era importante – para mim e, evidentemente, para o programa de pós-graduação – ter  uma inserção maior no circuito acadêmico, com artigos em revistas, anais de eventos, participação em seminários e congressos (juro que eu só pensei na hora: quem tem tempo pra tudo isso, meu deus?). O tal do <a href="http://lattes.cnpq.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/lattes.cnpq.br/?referer=');">Currículo Lattes</a>. Claro, o programa é excelente, nota máxima na avaliação da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Coordena%C3%A7%C3%A3o_de_Aperfei%C3%A7oamento_de_Pessoal_de_N%C3%ADvel_Superior" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Coordena_C3_A7_C3_A3o_de_Aperfei_C3_A7oamento_de_Pessoal_de_N_C3_ADvel_Superior?referer=');">CAPES</a>, e parte disso se deve à qualificação não só dos professores, mas também dos mestrandos e doutorandos que estudam lá.</p>
<p>Fiquei um bocado abatida, porque havia sido uma <em>tour de force</em>, pra mim, sequer ter produzido aquele projeto de tese, praticamente sozinha, num ano difícil e cansativo. Volta a fita um bocado pra eu te contar a história.</p>
<p>Ao terminar o Ensino Médio, na época em que ele ainda se chamava Científico (ou já era 2o. Grau, não lembro, pra você ver que faz tempo), eu fiz vestibular para Comunicação Social. Passei, fiz UERJ, me formei. Engraçado olhar hoje pra trás e ver que eu, voluntariamente, optei por um curso noturno, só porque, sendo garota de família com recursos muito reduzidos, moradora da Baixada Fluminense, eu queria poder trabalhar durante o dia. Trabalhei como jornalista um tempo, sentindo, desde o princípio, que aquela não era bem a minha praia.</p>
<p>Foram anos até surgir a oportunidade de voltar a estudar. Já estava casada, tinha dois filhos bem pequenos, e por motivos que eu nem sei explicar direito, resolvi fazer Arquitetura. Foi muito legal voltar à faculdade aos 30 anos de idade, entrei achando que queria me dedicar à composição de interiores, sem muita noção do amplo espectro de possibilidades de atuação profissional do arquiteto, e logo nos primeiros períodos me apaixonei pela área do Urbanismo, que não deixei de estudar nunca mais.</p>
<p>Fazer um curso tão trabalhoso com dois filhos tão pequenos não é fácil. Os meninos tinham 3 anos (o mais velho) e 1 ano e meio (o caçula) quando eu comecei. Eu queria fazer os trabalhos todos, ler os textos, tirar boas notas, participar das festas e viagens da turma, mas também queria continuar dando atenção ao marido, fazer o supermercado, levar os meninos à pediatra, acompanhar as festinhas e apresentações na creche e, mais tarde, na escolinha. Estudando com uma turma em que a média de idade era 18 anos, eu olhava em volta e ainda por cima também queria ser magra e linda e jovem como as minhas amiguinhas de classe. Queria, ué, fazer o quê, estou sendo franca. Depois a gente aprende a ter uma visão mais crítica dessas coisas todas, dessa pressão toda, aprende a olhar pros próprios valores, mas atire o primeiro tênis de ginástica a mulher que nunca se viu assaltada por essas questões.</p>
<p>Pra variar, tergiverso. Não é à toa que meus posts saem tão compridos.</p>
<p>Acabei optando por priorizar minha família, eu quis estar mais perto dos meus filhos, acompanhar com mais tempo o seu crescimento. Eu tinha essa possibilidade e não me arrependo de tê-la aproveitado. Abri mão de fazer mais estágios e investir mais no meu sucesso profissional, preferindo me dedicar às bolsas de iniciação científica que me davam mais flexibilidade de horário. Acabei a faculdade, emendei o mestrado, defendido em 2004, e cansei. Meus colegas estavam todos trabalhando, eu tinha feito relativamente pouca coisa até então, estava exausta do ritmo acadêmico e, com os meninos já maiores, eu queria começar a trabalhar. Todo mundo diz que eu devia ter aproveitado o embalo e feito o doutorado logo, mas eu simplesmente não dava conta.</p>
<p>Entre diversos outros projetos, comecei a dar aulas, que era uma coisa que eu sempre soube que adorava fazer. E aí entra a questão. Para ter alguma chance de crescimento no mundo acadêmico, hoje, o mestrado só já não basta. Perdi mais de um concurso na hora da prova de títulos, porque embora a minha prova ou entrevista tenha sido das melhores, algum concorrente pontuava mais por ser doutor, e levava a vaga. Então, chegamos no ponto em que eu comecei este post. A gente se afasta um tiquinho da Universidade e é impressionante como perde ritmo e sobretudo contatos. Deixa de fazer parte da turminha, sabe como?</p>
<p>Ao longo de 2009, refeita da chateação por não ter passado da primeira vez, eu resolvi que se a questão era essa – publicar – então eu ia me dedicar a isso. Criei o blog (uau, fui conferir, e faremos 1 ano de existência neste próximo domingo, 28 de março! Oba!), saí de uma faculdade e passei a dar aula em outra, e escrevi. Tenho inveja de quem consegue escrever muito, postar quase diariamente, ler mais de dois livros por mês, participar de tanto congresso, escrever em tanto jornal, blog, revista, coluna. Fico me perguntando se eu é que sou preguiçosa, ou se estou romanceando demais sobre a vida dos outros que é tão corrida e cansativa quanto a minha. É que eu quero escrever e estudar, mas também quero ir ao cinema, e preparar boas aulas, e namorar, e jantar com meus filhos já tão grandes, e dormir depois do almoço no domingo, e sair com os amigos de vez em quando. Fazer ginástica não tá dando tempo mesmo, mas até isso eu queria poder corrigir. Não mais pra ser magra e linda e jovem, mas pra não sentir tanta dor na lombar e no pescoço, pra controlar a pressão e o colesterol sem precisar de tanto remédio e pra poder conseguir subir os dois andares de escada até minha casa sem chegar ofegante na porta.</p>
<p>Daí que ao longo do ano, foram meia dúzia de artigos emplacados por aí, tem um já aceito para publicação, mas que eu tenho que fazer umas alterações até 14 de abril, outro que eu quero muito poder terminar, e o prazo é segunda-feira agora (e tá atrasaaaaaado), e <a href="http://www.urbanamente.net/artigos/Ciudades84_esp.pdf" target="_blank">este aqui,</a>que é o meu primeiro artigo publicado em revista estrangeira. É uma publicação ligada à Rede de Pesquisa Urbana do México, e o artigo está em espanhol. Nele, eu apresento parte das conclusões da minha dissertação de mestrado, que foi sobre quadras residenciais com pátio central, uma tipologia não muito comum aqui no Rio. O objetivo era analisar qual o papel que a forma, o uso e a gestão teriam sobre o desempenho destas quadras. Neste artigo, eu me atenho à questão da gestão (era o tema da revista), avaliando a atuação das associações de moradores e seu impacto na percepção que os habitantes locais têm do espaço em que residem. Se alguém tiver interesse, tem <a href="http://www.urbanamente.net/artigos/Ciudades84.pdf" target="_blank">aqui</a> a versão em português.</p>
<p>Se tudo correr bem, no fim do ano, eu tento o doutorado de novo. Vamos ver.</p>
<p><em>PS, fora do assunto: o texto do Thiago fez tanto sucesso (merecido) que teve gente (oi, <a href="http://duasfridas.wordpress.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/duasfridas.wordpress.com/?referer=');">Hele</a>), nos comentários, perguntando se ele tem blog. Tem, mas escreve menos do que devia, o bandido. Anotem, visitem e cobrem dele: <a href="http://www.item21.blogspot.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.item21.blogspot.com/?referer=');">http://www.item21.blogspot.com/</a></em></p>
<p><em>Outro PS: Cansada e com sono ontem à noite, eu esqueci de acrescentar um detalhe importantíssimo. Como eu, pra variar, estava atrasada e sem tempo pra fazer a tradução do artigo para o espanhol, recorri a serviços profissionais. E fiquei feliz da vida com a competência e rapidez do trabalho. Estou falando, nada mais nada menos, que da nossa <a href="http://www.dropsdafal.blogbrasil.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.dropsdafal.blogbrasil.com/?referer=');">Fal</a>, tradutora de mão cheia. Sem a ajuda dela, eu não teria conseguido enviar este artigo. Recomendo muito. </em></p>
<p><em><br />
</em></p>
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		<title>Apanhado geral</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/02/21/apanhado-geral/</link>
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		<pubDate>Sun, 21 Feb 2010 18:11:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanidades]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Eu não esperava que essa série sobre transporte público ganhasse tamanha dimensão. Sinal de que é mesmo um tema dos mais urgentes, e afeta as nossas vidas e a vida de nossas cidades de maneira crucial. Certamente a discussão não teria sido tão rica sem tantas participações, tão generosas na partilha de suas próprias experiências. Sugiro [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não esperava que essa série sobre transporte público ganhasse tamanha dimensão. Sinal de que é mesmo um tema dos mais urgentes, e afeta as nossas vidas e a vida de nossas cidades de maneira crucial. Certamente a discussão não teria sido tão rica sem tantas participações, tão generosas na partilha de suas próprias experiências. Sugiro &#8211; pra quem ainda não o fez &#8211; que leiam os comentários. Lá, o <strong><a href="http://correioselado.blogs.sapo.pt/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/correioselado.blogs.sapo.pt/?referer=');">Cláudio Luiz</a></strong> acrescenta temas para nossa reflexão a partir do que ele mesmo viveu aqui, durante o Carnaval, e conta como são as coisas em Portugal, onde viveu parte dos últimos anos; a <a href="http://www.noncapisconiente.blogspot.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.noncapisconiente.blogspot.com/?referer=');"><strong>Alline</strong></a> fornece e ajusta as informações a respeito de Milão; a <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.interney.net/blogs/malla/?referer=');"><strong>Lucia Malla</strong></a>, queridíssima, amplia geograficamente a discussão contando o funcionamento do transporte no Havaí, e me sugere passear pelo Leste Asiático, para conhecer o metrô de Tokyo e Hong Kong. Eu sou a favor de que alguém me patrocine, prometo em troca relatos vívidos, análises acuradíssimas <img src='http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' />  e uma enxurrada de fotos!</p>
<p>A <a href="http://terapiazero.blogspot.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/terapiazero.blogspot.com/?referer=');"><strong>Anna V.</strong></a> também deu seus pitacos, o <a href="http://dispersoesdeliriosedivagacoes.blogspot.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/dispersoesdeliriosedivagacoes.blogspot.com/?referer=');"><strong>Fabiano Camilo</strong></a> e a <strong>super-Vera</strong> trouxeram não só dados mas discussões interessantíssimas sobre Brasília, que foram desde o transporte propriamente dito até o uso do solo urbano para fins de estacionamento decorrente da utilização maciça dos automóveis como forma de deslocamento. E por falar em deslocamento, o <a href="http://caderno.allanpatrick.net/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/caderno.allanpatrick.net/?referer=');"><strong>Patrick</strong></a> mencionou que em Natal, estudos revelam que até 20% dos deslocamentos são feitos de bicicleta. Ele conta a história toda <a href="http://caderno.allanpatrick.net/2010/02/20/20-dos-deslocamentos-na-grande-natal-sao-feitos-de-bicicleta/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/caderno.allanpatrick.net/2010/02/20/20-dos-deslocamentos-na-grande-natal-sao-feitos-de-bicicleta/?referer=');">aqui</a>.</p>
<p>Pra encerrar (temporariamente) esta série, que eu já estou me coçando pra contar pra vocês dos últimos filmes a que assisti no cinema, trago um artigo escrito pelo Professor Flávio Ferreira, que eu recebi por e-mail no fim do ano passado. Foi publicado no periódico eletrônico <a href="http://www.opiniaoenoticia.com.br" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.opiniaoenoticia.com.br?referer=');">Opinião e Notícia</a>, em 01/10/2009, e para ler o artigo no original, basta clicar <a href="http://opiniaoenoticia.com.br/cultura/arquitetura/como-resolver-o-transito-do-rio-de-janeiro-em-seis-dias/?ga=dtf" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/opiniaoenoticia.com.br/cultura/arquitetura/como-resolver-o-transito-do-rio-de-janeiro-em-seis-dias/?ga=dtf&amp;referer=');">aqui</a>. Tomei a liberdade de transcrevê-lo porque sei que tem gente que acaba com preguiça de clicar e nevagar para outra página. Ele defende uma solução polêmica, radical, arrojada, mas também corajosa. Vale a pena ler os comentários (pra isso você vai ter que ir lá na página), porque há desde os questionamentos lúcidos e procedentes até as críticas mais agressivas e virulentas. O tema é bom, e estamos longe de esgotá-lo. Digam o que vocês acham a respeito:</p>
<p><strong>COMO RESOLVER O TRÂNSITO DO RIO DE JANEIRO EM SEIS DIAS</strong><br />
(Por Flávio Ferreira)<br />
Um dos poucos consensos entre os especialistas (embora não entre a população) em relação ao tráfego congestionado das metrópoles é diminuir a circulação de carros particulares nas ruas. São eles, e não os ônibus e caminhões, que congestionam a cidade. É necessário mostrar à classe média que os “bandidos” do trânsito não são os ônibus e caminhões, mas seus próprios carros.</p>
<p>Caso se consiga retirar carros das ruas em número considerável, nenhuma outra medida será necessária, como intensificar e estender o metrô, colocar sistemas de metrô nas atuais vias férreas, construir faixas exclusivas para ônibus gigantes, racionalizar o sistema de linhas de ônibus, etc. É claro que estas medidas poderão também ser implementadas, mas serão medidas apenas complementares.</p>
<p>É importante considerar que o tráfego de carros particulares precisa diminuir apenas no acesso ao centro da metrópole, nos dias úteis. Nos fins de semana, nas noites e no tráfego entre bairros sem passar pelo centro, não se necessita destas medidas.</p>
<p>O maior tráfego da metrópole é de pessoas indo e vindo do trabalho. Deste tráfego, hoje apenas 20% dos que usam as ruas vão e vêem do centro em carros particulares. A grande maioria, 80%, vêem e vão de ônibus. Entretanto os ônibus ocupam aproximadamente cerca de 20% dos espaços das vias públicas, enquanto os carros ocupam cerca de 80%.</p>
<p>Mas o que é o centro da metrópole do Rio de Janeiro, hoje? O que chamamos hoje de Centro da Cidade funcionava realmente como centro quando a cidade tinha cerca de 1 milhão de habitantes, no inicio do século XX. A metrópole cresceu cerca de cinco vezes em população e o seu centro se expandiu na mesma proporção.<br />
Se considerarmos a definição dos engenheiros de tráfego, que centro de uma cidade é o lugar aonde chega mais gente que sai de manhã e de onde sai mais pessoas que entram no final da tarde, podemos observar que hoje o Centro do Rio começa no Leblon, passa pelo Jardim Botânico, por Ipanema e Copacabana, Botafogo, Flamengo e Glória, passa pelo dito “centro” e vai até a Tijuca e São Cristóvão.Esta grande área é mais ou menos do mesmo tamanho de Manhattan, o centro de Nova Iorque, e da cidade de Paris, que é o centro da região metropolitana parisiense.</p>
<p>Basta observar o sentido do congestionamento dos veículos e das pessoas dentro dos ônibus para se comprovar esta observação. Entendido assim, o congestionamento do centro e sua área, o que fazer para se evitar que a maioria dos carros não o demande?</p>
<p>Há duas soluções, uma óbvia e muito visível: impedir que os carros cheguem ao centro, fechando-o nas horas de rush. Esta solução foi primeiro aplicada em Jacarta, nos anos 1970, com êxito, e ultimamente solução semelhante foi adotada em Londres: cobra-se pedágio para se entrar no centro de Londres, que se torna gradativamente mais caro ao longo do dia: quanto mais carros entram no centro, mais caro fica o pedágio.Entretanto há outra mais sutil e invisível aos olhos dos leigos: os carros não vão ao centro porque não há estacionamentos disponíveis. Os melhores exemplos desta política “invisível” de resolver o congestionamento são Nova Iorque e Paris.</p>
<p>Em Manhattan, o centro de Nova Iorque, que é a cidade com mais carros do mundo, o tráfego flui razoavelmente. Em Paris também. A região metropolitana de Paris tem população equivalente à do Grande Rio. Poucos, no centro de Paris ou em Manhattan têm carros, mesmo os muito ricos. Antes desta política, Paris experimentou o oposto: grandes garagens subterrâneas no centro. Seus planejadores viram o suicídio que era esta política e a eliminaram.Proibido o estacionamento ao longo das ruas e nos outros locais públicos do grande centro o número de veículos que o demandam diminui em 80% na hora do rush.A velocidade média do tráfego aumentaria. É hoje de 18 km/h e aumentaria para pelo menos 54 km/h.</p>
<p>Não haveria a necessidade de maior número de ônibus, já que a maioria dos usuários de carros vai andar de ônibus?Não, porque com a triplicação da velocidade a oferta de assentos nos ônibus também triplicaria.Como hoje já transportam 80% dos que vão ao centro ficariam até mais vazios ao se triplicar a oferta de assentos. De fato, portanto, se necessitará de menos ônibus.</p>
<p>Quando exponho essas ideias, meus colegas e alunos sempre afirmam:<br />
- Mas primeiro temos que melhorar o nosso horrível transporte coletivo.<br />
- O lobby das fábricas de automóvel não deixará que isto aconteça.</p>
<p>O pior do transporte em ônibus são os grandes congestionamentos que tiram das pessoas anos de suas vidas, e serão resolvidos no mesmo dia em que se implementar essa política.Além disso, muitas das pessoas que usualmente se transportam de carro passarão a usar os ônibus, e reclamarão muito. Esta pressão ajudará a diagnosticar corretamente as falhas, e ai então o sistema será ainda mais melhorado.</p>
<p>Respondendo à segunda dúvida: Nova Iorque por acaso não sofreria pressões semelhantes? Não sofreu. É curioso observar que a sede da Chrysler, um dos maiores e dos mais altos arranha-céus de Nova Iorque, não tem garagem para um carro sequer, como também o Empire State Building e outros grandes arranha-céus mais recentes de Manhattan.</p>
<p>Quando menino a minha professora leu um texto que contava que Paulo de Frontin havia resolvido, no seu tempo, o problema da falta d’água no Rio em seis dias. Podemos também resolver o congestionamento do tráfego do Rio de Janeiro em seis dias proibindo o estacionamento no grande centro nas horas de trabalho dos dias úteis.A preparação para esses seis dias é mais longa. É necessário calibrarmos um Modelo Gravitacional de Uso da Terra e Transporte para a região metropolitana para testar a proposta. É necessário também divulgá-la amplamente.</p>
<p>Esta solução tem uma vantagem que nenhuma das outras tem: não se gasta quase nada para experimentá-la. Pode-se aperfeiçoá-la após o experimento. Pode-se até voltar atrás com pouco desgaste.Esta solução do trânsito do Rio de Janeiro tem uma vantagem suplementar, talvez mais importante do que tudo: causa o decréscimo vertiginoso das emissões de CO e CO² na cidade.Vale a pena tentar!</p>
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		<title>Mais do mesmo</title>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 16:41:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<category><![CDATA[projeto urbano]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Continuando o raciocínio e as reflexões iniciadas no post anterior, vamos falar um pouco mais deste projeto para a reurbanização da Zona Portuária do Rio, e alguns dos problemas suscitados pelas propostas que estão em andamento.</p>
<p>No final do ano passado, eu estive num seminário organizado pelo curso de arquitetura da PUC aqui do Rio, através da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando o raciocínio e as reflexões iniciadas no post anterior, vamos falar um pouco mais deste <a href="http://spl.camara.rj.gov.br/planodiretor/pd2009/porto2009/aud_public_porto_maravilha.pdf" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/spl.camara.rj.gov.br/planodiretor/pd2009/porto2009/aud_public_porto_maravilha.pdf?referer=');">projeto</a> para a reurbanização da Zona Portuária do Rio, e alguns dos problemas suscitados pelas propostas que estão em andamento.</p>
<p>No final do ano passado, eu estive num seminário organizado pelo curso de arquitetura da PUC aqui do Rio, através da professora <a href="http://posto12.blogspot.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/posto12.blogspot.com/?referer=');">Ana Luiza Nobre</a>. Foi muito proveitoso, eu aprendi bastante coisa, pude ver e ouvir gente que realmente está pensando na cidade. E olha que não houve unanimidade, não, foi debate mesmo, mas todo mundo contribuindo, refletindo, propondo. Depois, tive acesso a um texto que a professora Ana Luiza escreveu. Não sei se está disponível na internet, mas foi publicado pelo <strong>Boletim do CEDES – Centro de Estudos Direito e Sociedade, edição de outubro de 2009.</strong> No texto, ela mostra claramente que o grau de abrangência e complexidade da própria área portuária, com suas especificidades e potenciais, requerem um investimento  de tal ordem vultoso e complexo, que não pode prescindir de debate amplo e cauteloso, envolvendo o maior número possível de interessados na questão – o que obviamente inclui muito mais do que técnicos e empreiteiros.</p>
<p>Entretanto, conforme ela argumenta corretamente, <em>“toda essa operação tem sido conduzida com base num modelo bem conhecido, caracterizado, por um lado, pela imposição de projetos altamente questionáveis, do ponto de vista técnico, e por outro, pela ausência de diálogo com a maior parte da população direta ou indiretamente afetada”.</em></p>
<p>A área sob impacto do projeto compreende os bairros da Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Caju e parte de São Cristóvão, somando aproximadamente 5 milhões de m². Entre as propostas (cuja divulgação pela prefeitura é muito superficial) estão a revitalização da Praça Mauá (inclusive com a construção de uma garagem subterrânea para 1000 veículos), a urbanização do Pier (da qual <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/01/20/o-prefeito-decidiu-que/" target="_blank">acabamos de falar</a>), a construção de 500 unidades habitacionais (só?), a reforma ou edificação de novos prédios como o <a href="http://www.aqua-rio.org.br" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.aqua-rio.org.br?referer=');">Aquário</a>, a Escola Técnica de Audiovisual e Restauro, a nova sede do Banco Central, o Museu do Amanhã e a Pinacoteca. Aliás, é o Museu do Amanhã – que ia ficar entre os armazéns 5 e 6 – que o prefeito agora quer instalar no Pier, com projeto do arquiteto <a href="http://www.calatrava.com/main.htm" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.calatrava.com/main.htm?referer=');">Santiago Calatrava.</a> Ah, tanto o Museu quanto a Pinacoteca são projetos em parceria com a Fundação Roberto Marinho.</p>
<p>Uma das coisas que me deixam de cabelo em pé diz respeito à massa que se pretende construir na região, com edifícios e torres tão altas que implicam numa mudança de escala realmente chocante.</p>
<p>Dá uma olhada aí embaixo, no mapa desenhado pela própria prefeitura.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-649" title="03_MHG_rio_projeto1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/01/03_MHG_rio_projeto1.jpg" alt="03_MHG_rio_projeto1" width="720" height="460" /></p>
<p>Além de toda a questão paisagística (esse novo skyline esconde, para os que vêm da Zona Norte, a própria visão do perfil dos morros que compõem o Maciço da Tijuca, o Corcovado aí incluído), tem um aspecto importante levantado pelo professor Flávio Ferreira num outro texto que eu li recentemente. Ele diz:</p>
<p><em>&#8220;Legislar muito denso e muito alto tem um outro grave inconveniente: atrasa a consolidação da área. Não há economia urbana suficiente para construir os edifícios grandes de pronto. Terá que haver especulação, os terrenos ficarão desocupados por décadas e enquanto isso o Porto continuará vazio”.</em></p>
<p>Outro ponto que me preocupa (não só a mim, mas a muita gente que eu tenho visto discutir o assunto) é de que maneira serão conduzidas as inevitáveis alterações de legislação, necessárias para levar a cabo transformações formais e funcionais tão profundas. Através do uso – legítimo – de instrumentos do Estatuto da Cidade, a prefeitura vai mexer em parâmetros urbanísticos, que são índices (números e taxas) que definem características do parcelamento, uso e ocupação do solo, como altura dos prédios, recuos, afastamentos, quanto do solo pode ser ocupado pela construção e quanto deve ser deixado livre, etc. Isso não é um problema em si, mas são transformações tão sérias, com impactos numa parte tão grande e importante da cidade, afetando a vida de tanta gente, a própria percepção da cidade, a paisagem, o patrimônio, que deveriam estar sendo divulgadas e discutidas publicamente, através de audiências, consultas, e mesmo de uma construção coletiva do projeto, envolvendo não só a prefeitura e seus órgãos e secretarias, mas associações de moradores, universidades, entidades da sociedade civil, sindicatos, empresários, movimentos sociais, enfim, muito mais gente.</p>
<p>Apesar disso, a divulgação é superficial, os moradores da área e interessados no assunto não têm acesso a dados mais detalhados do projeto, que só vêm a público a conta-gotas, e os representantes do poder público continuam insistindo em (tentar) justificar esse estado de coisas com base no “caráter emergencial do projeto”. É só o que a gente escuta o Eduardo Paes falar. Será que não há nada que a gente possa fazer a respeito?</p>
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		<title>Affonso Eduardo Reidy</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 17:07:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY">Eu tinha outros temas na fila, mas relendo os comentários postados aqui no último post, especialmente os de estudantes de arquitetura e colegas de profissão achei que já estava passando da hora de escrever sobre este arquiteto brilhante, cujo centenário de nascimento se comemora este ano, e para quem eu não tenho visto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US">Eu tinha outros temas na fila, mas relendo os comentários postados aqui no último post, especialmente os de estudantes de arquitetura e colegas de profissão achei que já estava passando da hora de escrever sobre este arquiteto brilhante, cujo centenário de nascimento se comemora este ano, e para quem eu não tenho visto tantas homenagens quanto deveria. </span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Olha que eu nem sou uma modernista de carteirinha. Eu sempre brinco com isso, ao me definir com um pé no Barroco, porque eu já gosto de um ornamento, um friso aqui, uma voluta acolá. Mas não tem como a gente não reconhecer valor e admirar a elegância, a pureza das linhas e formas, o rigor técnico e estético de obras exemplares da produção de Reidy, como o Conjunto Residencial Pedregulho e o Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, pra ficar só entre as mais famosas. E a gente tem falado tanto aqui sobre a inserção da arquitetura na cidade, o respeito ao entorno, às condições de conforto ambiental e o papel social da arquitetura, aspectos em que Reidy – esse cara que a história trata com a mesma discrição que ele teve em vida – foi mestre imbatível. Ele é a prova de que é possível, sim, fazer uma arquitetura bela e arrojada e ao mesmo tempo voltada prioritariamente para o bem-estar das pessoas que vão usá-la, vê-la, passar por ela, para o bem-estar, em última instância, da cidade em que ela se insere e dos cidadãos que nela vivem.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"> </span></span></span></p>
<div id="attachment_601" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://daniname.files.wordpress.com/2009/10/reidy-mam.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/daniname.files.wordpress.com/2009/10/reidy-mam.jpg?referer=');"><img class="size-medium wp-image-601" title="reidy-mam" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/reidy-mam-300x206.jpg" alt="O arquiteto e o MAM" width="300" height="206" /></a><p class="wp-caption-text">O arquiteto e o MAM</p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"><strong>Affonso Eduardo Reidy</strong> nasceu em 1909, em Paris, filho de pai inglês e mãe brasileira, e em 1930 formou-se em Arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde recebeu, como todos os outros seus contemporâneos, uma formação acadêmica e tradicional. Mas cedo teve contato com o pensamento de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Le_Corbusier" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Le_Corbusier?referer=');">Le Corbusier </a>e com as propostas dos arquitetos racionalistas da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bauhaus" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Bauhaus?referer=');">Bauhaus</a>, que tiveram grande impacto em sua vida e obra. </span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Por opção própria e singular, <span lang="en-US">Reidy trilhou a carreira pública, onde ingressou recém-formado, por concurso, trabalhando como arquiteto da Prefeitura do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, por mais de 30 anos. Ficou à margem da especulação imobiliária, e jamais projetou palácios ou obras suntuosas, consciente e defensor da enorme responsabilidade social da arquitetura. Foi estagiário, e depois, assistente do urbanista francês Alfred Agache, convidado pela prefeitura do Rio, em 1929, para a elaboração de um Plano Diretor para a cidade; foi professor da Faculdade Nacional de Arquitetura  e ganhador de diversas medalhas e prêmios desde o início da carreira. Seu trabalho começa a ter projeção quando ganha o primeiro prêmio no concurso público para o projeto do Albergue da Boa Vontade, que viria a ser o seu primeiro projeto construído. Era um projeto audacioso, em que aparecem as características funcionalistas que marcaram os primeiros trabalhos de Reidy na prefeitura, priorizando aspectos construtivos e buscando praticidade, conforto e  economia, em detrimento da ostentação e ornamentação excessivas.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"> </span></span></span></p>
<div id="attachment_602" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.rioquepassou.com.br/2006/09/29/albergue-da-boa-vontade/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.rioquepassou.com.br/2006/09/29/albergue-da-boa-vontade/?referer=');"><img class="size-medium wp-image-602" title="BoaVontade" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/BoaVontade-300x254.jpg" alt="Linhas bem afinadas com a Bauhaus, e um flerte com o Art Decô" width="300" height="254" /></a><p class="wp-caption-text">Linhas bem afinadas com a Bauhaus, e um flerte com o Art Decô</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US">Até 1935 realizou alguns dos seus raros projetos de residências, e algumas escolas, sendo importante mencionar uma escola rural primária, em Ricardo de Albuquerque, por ter sido a primeira construção dirigida pela também engenheira municipal <a href="http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq015/arq015_00.asp" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq015/arq015_00.asp?referer=');"><strong>Carmem Portinho</strong></a>, que se tornou sua companheira e presença marcante em toda a sua carreira. Essa parceria com Carmem  me é particularmente cara, porque de alguma forma fala também de um homem com arroubos feministas, o que só faz crescer minha admiração por ele. Portinho foi a terceira mulher a se formar engenheira no país, em 1926, e teve participação importante nos primeiros movimentos feministas organizados no Brasil, ainda nos anos 20. Ela era mais velha que ele 6 anos, e faleceu em agosto/2001, aos 98 anos de idade. A dupla que fez com Reidy no <strong>Departamento de Habitação Popular </strong>nos legou algumas das mais importantes obras da arquitetura brasileira. </span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"> </span></span></span></p>
<div id="attachment_604" class="wp-caption aligncenter" style="width: 540px"><a href="http://www.vitruvius.com.br/.../arq074/arq074_01.asp" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.vitruvius.com.br/.../arq074/arq074_01.asp?referer=');"><img class="size-full wp-image-604" title="residenciaCarmemPortinho2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/residenciaCarmemPortinho2.jpg" alt="Residência Carmem Portinho, no Bairro de Jacarepaguá, 1950" width="530" height="299" /></a><p class="wp-caption-text">Residência Carmem Portinho, no Bairro de Jacarepaguá, 1950</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Reidy participou, nos anos 30, da equipe que elaborou o projeto do Ministério da Educação, situado na Esplanada do Castelo, e marco na arquitetura modernista no Brasil, junto com colegas igualmente jovens como Lúcio Costa,  Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Jorge Moreira e Ernani Vasconcellos, o que contribuiu para lhe dar grande projeção profissional.<br />
</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"> </span></span></p>
<div id="attachment_608" class="wp-caption alignleft" style="width: 360px"><a href="http://www.aguaforte.com/antropologia/weblog/2008/11/conjunto-pedregulho-de-afonso-eduardo.html" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.aguaforte.com/antropologia/weblog/2008/11/conjunto-pedregulho-de-afonso-eduardo.html?referer=');"><img class="size-full wp-image-608" title="pedregulho-comp" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/pedregulho-comp.jpg" alt="Conjunto Residencial do Pedregulho, um marco na Arquitetura Moderna no Brasil" width="350" height="420" /></a><p class="wp-caption-text">Conjunto Residencial do Pedregulho, um marco na Arquitetura Moderna no Brasil</p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Entretanto, foi seu próximo trabalho que o alçou à posição de um dos grandes arquitetos no mundo. De 1947 a 1958, Reidy se dedicou ao projeto e construção do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, conhecido como Pedregulho, em São Cristóvao, pelo Departamento de Habitação Popular* da prefeitura. O objetivo do projeto era oferecer moradia digna a famílias de baixa renda, em local próximo ao trabalho, e seguiu conceitos revolucionários e inovadores para a época, desde a concepção plástica, a adequação à topografia acidentada até o programa proposto, que incluía quatro blocos de habitação, com lavanderia comunitária, escola primária, ginásio, piscina e campos de jogos ao ar livre, mercado e posto de saúde. O paisagismo era de Burle Marx e os painéis de mosaicos de azulejo e pintura eram de Burle Marx, Cândido Portinari e Anísio Medeiros. O que havia de melhor, em recursos humanos e materiais, foi reunido para executar uma obra que atenderia à classe trabalhadora. O projeto ganhou o primeiro prêmio na Bienal Internacional de São Paulo e tornou-se um dos projetos brasileiros mais divulgados no exterior, até hoje.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Durante esse período, ele ainda coordenou o Plano de Urbanização do Centro da Cidade, que compreendia o Plano para a Esplanada de Santo Antônio, com o desmonte do morro, e o Aterro do Flamengo, projeto só retomado muitos anos depois. Elaborou também o projeto do Conjunto Residencial da Gávea, nos moldes do Pedregulho, e que foi posteriormente mutilado e descaracterizado pela construção da autoestrada Lagoa-Barra.</span></span></p>
<div id="attachment_609" class="wp-caption aligncenter" style="width: 620px"><a href="http://www.rioquepassou.com.br/2005/07/21/av-norte-sul-ii/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.rioquepassou.com.br/2005/07/21/av-norte-sul-ii/?referer=');"><img class="size-full wp-image-609" title="EsplanadaStoAntonio" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/EsplanadaStoAntonio.jpg" alt="Estudos para o projeto da nova Esplana de Santo Antônio" width="610" height="212" /></a><p class="wp-caption-text">Estudos para o projeto da nova Esplana de Santo Antônio</p></div>
<div id="attachment_610" class="wp-caption aligncenter" style="width: 615px"><a href="http://arquiteturabrasileirav.blogspot.com/2008_11_01_archive.html" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/arquiteturabrasileirav.blogspot.com/2008_11_01_archive.html?referer=');"><img class="size-full wp-image-610" title="Gavea" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/Gavea.jpg" alt="A proposta original de Reidy para o Conjunto da Gávea, ali perto da PUC, e como é hoje, com a autoestrada Lagoa-Barra passando por baixo do edifício" width="605" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">A proposta original de Reidy para o Conjunto da Gávea, ali perto da PUC, e como é hoje, com a autoestrada Lagoa-Barra passando por baixo do edifício</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">A partir de 1954, Reidy dedicou-se ainda a outro projeto que se tornou um dos marcos da cidade: o Museu de Arte Moderna. Sua estrutura elegante e sua brilhante inserção na paisagem da Baía de Guanabara e no Centro da Cidade se tornaram referência e fonte de estudo obrigatória para todos os estudantes, além de ser, para os moradores da cidade, uma enorme fonte de prazer estético e um justificado motivo de orgulho.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Seu último trabalho, antes de nos deixar, aos 55 anos, vítima de câncer, foi a participação, como coordenador de urbanismo, do grupo que construiu o Aterro do Flamengo, presidido por Carlota Macedo de Soares. Além do traçado viário, da elaboração do programa e da concepção deste grande espaço público, ele também é o autor de diversas obras aí existentes como passarelas, coreto, oficinas e edifícios administrativos.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"> </span></span></p>
<div id="attachment_611" class="wp-caption aligncenter" style="width: 710px"><img class="size-full wp-image-611" title="MAM-Aterro" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/MAM-Aterro.jpg" alt="O MAM e o Aterro, presentes de Reidy para o Rio de Janeiro e o Brasil" width="700" height="238" /><p class="wp-caption-text">O MAM e o Aterro, presentes de Reidy para o Rio de Janeiro e o Brasil</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Nós poderíamos dizer que sua maneira de trabalhar consiste para nós, estudantes, arquitetos e cidadãos em geral, numa verdadeira aula. Sua dedicação a cada etapa do projeto e da obra, seu apuro técnico, seu rigor, são motivos suficientes de reverência. Mas a grande lição que aprendemos aqui é de outra ordem. Nós vemos – e temos falado aqui toda hora –  tanta improbidade no uso do dinheiro público, tanta obra superfaturada, ou caindo aos pedaços por economia nos materiais e estrutura, visando a maiores lucros, que é um alívio e &#8211; visto com os olhos cansados e descrentes de hoje &#8211; quase um milagre que um homem como este tenha existido.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Pode-se discordar de certos pontos ideológicos ou formais, pode-se enxergar (olha o cinismo aí)  algo de utópico ou ingênuo na crença radical que ele tinha de poder mudar ou melhorar a sociedade com seus projetos, mas tem-se que respeitar a coerência entre pensamento e ação, a correção de caráter que norteava suas atitudes e trabalhos, a competência profissional com que planejava e executava cada obra, e, talvez mais importante que tudo, a coragem com que ofereceu sua contribuição, com toda a responsabilidade que isso acarreta, quando seria tão mais cômodo juntar-se ao côro dos que só criticam, sem nada apresentar em troca.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Affonso Eduardo Reidy é o alerta constante, que não nos deixa desviar a atenção do verdadeiro sentido e função do arquiteto: servir a toda a sociedade, porque nosso trabalho atinge a todos, e não pode se limitar à glória da execução dos grandes edifícios, de impacto internacional. Mesmo porque a história ensina que o que é material passa, desmorona. O verdadeiro valor da arquitetura não está aí, mas no que se agrega ao que há de mais humano em nós: o afeto, a memória, o abrigo. E antes que alguém imagine que esta homenagem está impregnada de um sentimento de lamentação do tipo </span></span><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US">&#8220;olha como era bom, isso não existe mais&#8221;, quero reafirmar que isto é, antes, uma tentativa de acender um farol de esperança do tipo &#8220;olha o que eu acredito que nós podemos voltar a fazer&#8221;.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"> Por fim, s</span></span></span><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US">e pudéssemos sintetizar Reidy em poucas palavras, usaríamos as que o historiador Geraldo Ferraz pronunciou em 1964, por ocasião de sua morte: <em>&#8220;Correção, cavalheirismo, finura, sensibilidade &#8211; e tudo com uma franqueza de palavras e gestos, uma contida maneira de estar sempre entre humildes e poderosos, sem causar ressentimento a uns ou demonstrar submissão a outros. O gentil-homem da arquitetura brasileira, eis o que ele era&#8221;.</em></span></span></span></p>
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<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="en-US">* Sobre o trabalho do <strong>Departamento de Habitação Popular</strong> no Rio, eu recomendo o livro <strong>Entre a estética e o hábito: o Departamento de Habitação Popular, Rio de Janeiro, 1946-1960</strong>, escrito pela arquiteta, historiadora e minha queridíssima amiga <strong>Flávia Brito do Nascimento</strong>, publicado ano passado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, dentro da coleção Biblioteca Carioca. Vários dos dados e imagens aqui utilizados foram retirados do belíssimo livro <strong>Affonso Eduardo Reidy</strong>, uma edição bilíngue muito caprichada e diria até que obrigatória para o pessoal da área, organizada por Nabil Bonduki e publicada pelo Editorial Blau e Instituto Lina Bo e P. M. Bardi.</span></span></span></p>
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		<title>Um prédio autista e a cidade</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 20:27:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Já estou há dias para escrever sobre a famigerada Cidade da Música, elefante branco plantado aqui no Rio, envolto em polêmicas e escândalos, cuja construção foi retomada semana passada. </p>
<p style="margin-bottom: 0in;"></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Para os leitores de fora do Rio, que talvez não estejam familiarizados com o tema, explico. A Cidade da Música é [...]]]></description>
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<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } 		A:link { so-language: zxx } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Já estou há dias para escrever sobre a famigerada <strong>Cidade da Música</strong>, elefante branco plantado aqui no Rio, envolto em polêmicas e escândalos, cuja construção foi retomada semana passada. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-592" title="cidade-da-musica-const" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/cidade-da-musica-const-300x225.jpg" alt="cidade-da-musica-const" width="300" height="225" /></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Para os leitores de fora do Rio, que talvez não estejam familiarizados com o tema, explico. A Cidade da Música é uma obra idealizada e realizada (leia-se <strong>paga com recursos públicos</strong>) pela prefeitura do Rio, com o objetivo de dotar a cidade de um equipamento cultural de altíssimo nível, que possa servir de sede para a <a href="http://www.osb.com.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.osb.com.br/?referer=');">Orquestra Sinfônica Brasileira</a>, e tenha salas de espetáculos e concertos (estão previstas duas, com capacidade para 1800 pessoas), ópera e ballet, além de sete salas para ensaios, dez salas para aulas e cursos ligados à música, midiateca, três cinemas de arte, bem como o indefectível pacote que sempre acompanha esses grandes centros culturais, ou seja, restaurantes, cafés, lojas e/ou livrarias. Tudo isso mais estacionamento com 800 vagas, em 90 mil metros quadrados, na Barra da Tijuca.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"> </span></span></p>
<div id="attachment_589" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-589" title="Cite-de-la-Musique" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/Cite-de-la-Musique1-300x190.jpg" alt="Cité de la Musique, em Paris" width="300" height="190" /><p class="wp-caption-text">Cité de la Musique, em Paris</p></div>
<p>Até aí, tudo bem, o Rio de Janeiro comporta e até precisa de espaços assim, e a OSB certamente merece instalações e estrutura de primeiro mundo para trabalhar. O projeto foi encomendado ao arquiteto francês <a href="http://www.e-architect.co.uk/architects/christian_de_portzamparc.htm" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.e-architect.co.uk/architects/christian_de_portzamparc.htm?referer=');">Christian de Portzamparc</a>, autor, entre outras excelentes obras, da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cit%C3%A9_de_la_Musique" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/en.wikipedia.org/wiki/Cit_C3_A9_de_la_Musique?referer=');">Cité de la Musique</a>, em Paris (localizada no Parque La Villette). As obras começaram em 2003 e desde então houve várias inaugurações previstas e adiadas.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Não vou me alongar na questão do dinheiro enterrado nesta obra. Segundo o <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/piza/?cat=95" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/blog.estadao.com.br/blog/piza/?cat=95&amp;referer=');">Estadão</a>, desde que começou a ser construída, a Cidade da Música já teve sua área aumentada em quatro vezes e o custo em seis vezes. Já se gastou mais de 400 milhões de reais e estima-se que outros 150 ainda serão necessários para concluir minimamente o projeto. Os <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1111522-5606,00.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/g1.globo.com/Noticias/Rio/0_MUL1111522-5606_00.html?referer=');">jornais</a> estão cheios de informações sobre malversação de dinheiro público, escândalos de superfaturamento, desperdício de material, atrasos, relatórios, cpi&#8217;s. O relatório encaminhado ao Ministério Público mostra, por exemplo, que a calçada de pedras portuguesas já foi danificada, os sacos de cimento estão estragando ao ar livre, o piso das salas que já estavam mais adiantadas está solto, e há diversos problemas na execução do projeto. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Também não vou entrar no mérito do valor arquitetônico da edificação, grande caixa marcada pela superposição de triângulos curvos de concreto, que dão dinamismo e alguma leveza ao volume. Há aqui <a href="http://www.vitruvius.com.br/ac/ac014/ac014_1.asp" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.vitruvius.com.br/ac/ac014/ac014_1.asp?referer=');">neste artigo</a>, de janeiro de 2005, uma descrição técnica e uma análise formal bem interessante sobre este projeto, que, talvez em outro lugar, até ficasse bom. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><img class="aligncenter size-full wp-image-591" title="cidademusica" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/cidademusica1.jpg" alt="cidademusica" width="500" height="310" /><br />
</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Meu ponto de vista aqui é exatamente sobre a inserção deste projeto no tecido urbano. Pincei esta pérola  no artigo que eu acabei de linkar:</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="LEFT">“<span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><em>O terreno na Barra da Tijuca, escolhido pelo arquiteto em comum acordo com a prefeitura do Rio, situa-se no centro de dois grandes eixos de circulação, já definidos por Lucio Costa em sua proposta para a urbanização desse bairro há mais de 30 anos. A partir dos estudos do urbanista brasileiro, Portzamparc irá recuperar para a Cidade da Música e para todo o bairro o Parque Trevos das Palmeiras, ponto central da região. Localização privilegiada, área generosa, ausências de restrições e limites em relação ao entorno, ofereceram ao arquiteto condições ideais para projetar”.</em></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-style: normal;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Eu não poderia discordar mais. Na minha opinião, um dos principais problemas da Cidade da Música é justamente a localização, infeliz e equivocada. Em primeiro lugar, isso de projetar sem “restrições e limites em relação ao entorno” não existe. Talvez só os alunos dos primeiros anos de arquitetura possam se dar esse luxo. Claro, uma folha de papel em branco (ou tela de computador) aceita qualquer coisa, mas isso não é Arquitetura. A Arquitetura não existe isolada, as obras não são construídas no espaço virtual. Um arquiteto pode até ser liberado de seguir os parâmetros de altura, densidades, taxas de ocupação previstas pelo zoneamento da cidade para o lote onde será erguido seu projeto, mas a Arquitetura está sempre inexoravelmente ligada à cidade, em relação com tudo o que a cerca. O suporte urbano influencia a percepção e fruição do edifício e este, por sua vez, influencia, conforma e impacta a percepção e fruição do tecido urbano ao seu redor. Sempre, queria ou não queira. Daí que projetar desconsiderando o entorno é sempre uma temeridade e um desrespeito. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-style: normal;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Em segundo lugar, uma obra deste porte, feita para atrair um movimento considerável de gente (é o que se supõe e pretende, não é?) não pode estar num cruzamento tão importante de avenidas, sob o risco de causar um nó no trânsito que já não é para amadores naquela região. Além do que, rodeada de shoppings e envolta por um anel de vias muito largas e de alta velocidade,  a Cidade da Música fica isolada. Só se chegará a ela de carro, o que, por si só, já torna o projeto muito elitizado, e o impede de realizar seu principal papel, que deveria ser o de servir de ponto de encontro, celebração da música, convergência, fluidez. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-style: normal;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"> </span></span></p>
<div id="attachment_594" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=483297&amp;page=9" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=483297_amp_page=9&amp;referer=');"><img class="size-full wp-image-594" title="entroncamento17ap4" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/entroncamento17ap41.jpg" alt="Olha bem o entroncamento onde se localiza a obra. " width="800" height="579" /></a><p class="wp-caption-text">Olha bem o entroncamento onde se localiza a obra. </p></div>
<p style="margin-bottom: 0in; font-style: normal;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;"><span style="font-size: medium;"> Como está, a relação com o entorno é zero. É mais um prédio autista, como tantos outros, típicos da Barra  Tijuca. O que são prédios autistas? Aqueles voltados para si mesmos, que não se relacionam com o que está em volta, são indiferentes ao que acontece, não conversam com os outros prédios nem com a cidade. A sensação que se tem na Barra, ao longo da Avenida das Américas, é a de que o bairro foi feito para os carros. Sucedem-se condomínios fechados e shoppings, torres e imensas áreas vazias, onde não é possível (ou confortável) andar a pé. As pessoas circulam isoladas em seus automóveis, que funcionam como bolhas entre um espaço privado e outro. Não há convivência no espaço público. </span><span style="color: #000000;"><span style="font-size: medium;"><span style="text-decoration: none;">Praticamente não há espaço público, pelo menos não um espaço vivo e dinâmico. </span></span></span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-style: normal;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"><span style="font-size: medium;"><span style="text-decoration: none;">Por fim, me espantou a declaração do Secretário de Obras da cidade, publicada no jornal O Globo do último dia 06/11, de que, apesar do reinício das obras, nem toda a estrutura será concluída. A Prefeitura vai concentrar os recursos na sala de  música de câmara e na grande sala de concertos, deixando restaurante e cinemas para a iniciativa privada, que deverá arcar com as obras de acabamento destes locais. Segundo o Secretário, &#8220;não faz sentido a prefeitura se responsabilizar por restaurante ou cinemas em área que já oferece muitas alternativas dessas, nos shoppings próximos&#8221;. Caramba (ou então insira aqui o seu palavrão preferido), então por que estes espaços constavam no programa? A criatura sai de casa, vai de carro à Cidade da Música assistir a um concerto, e depois tem que atravessar a rua (ou melhor, pegar o seu carro e dar uma volta enorme pra fazer o retorno, só para buscar vaga em outro estacionamento gigante logo ali, do outro lado da avenida) para poder jantar? </span></span></span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Vou dizer de novo: sou a favor de haver um espaço digno e até grandioso para a OSB, mas deveria ser num lugar da cidade onde as pessoas pudessem chegar de ônibus, de metrô, onde houvesse gente circulando o tempo todo a pé, e que passasse por ali, cruzando seus saguões e jardins, a caminho de um ou outro lugar. Nesse meio tempo, poderiam aproveitar para um passeio, um lanche, acabariam se informando sobre um curso ou espetáculo, conheceriam talvez a livraria, usariam o lugar como ponto de encontro e referência, isso geraria mais movimento e mais vida, atraindo um público variado e contribuindo para a divulgação do trabalho da orquestra e para a formação de cultura musical em geral, de uma maneira quase casual, familiarizando as pessoas aos poucos. Mas para isso, tem que ser onde haja gente circulando. A pé. De carro, na velocidade do carro, não é possível desfrutar nem perceber o espaço arquitetônico.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Imagine que num fim de ano poderia haver um espetáculo gratuito no térreo, um coral, por exemplo, ou um ensaio aberto, ou quem sabe uma agenda de programas populares no fim de tarde, com ingressos mais baratos, atraindo a população que trabalha nos arredores. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Vocês conseguem imaginar isso acontecendo ali na Barra? Quem é que anda a pé na Barra, pelo amor de Deus? Quem é que vai frequentar esse espaço, dar a ele vida e movimento? Que tipo de público vai transitar por ali e com qual objetivo? Vocês imaginam alguém chegando ali de ônibus e atravessando a avenida para assistir a um concerto? Vai acabar sendo frequentado por gente que vai sair e chegar de carro, certamente para um evento específico, estacionar no subsolo e ter contato zero com a rua. Que benefício isso traz para a cidade (que gastou mais de 500 milhões no projeto)? E para a própria OSB, em termos de divulgação do seu primoroso trabalho? </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Essa é a minha crítica: como (e onde) está, a Cidade da Música é mais uma megaestrutura isolada, elitista, que não conecta nada nem ninguém, que não promove o encontro, não democratiza o acesso à cultura, não valoriza o espaço público nem a própria atividade que ali se desenvolve, em suma, não faz sentido. </span></span></p>
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