<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Urbanamente &#187; Arte</title>
	<atom:link href="http://www.urbanamente.net/blog/cat/arte/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.urbanamente.net/blog</link>
	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
	<lastBuildDate>Sun, 14 Aug 2011 17:53:16 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>Obeliscos</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2011/05/09/obeliscos/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2011/05/09/obeliscos/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 09 May 2011 03:03:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[História Urbana]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[Barroco]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=1028</guid>
		<description><![CDATA[<p class="wp-caption-text">O obelisco da 9 de Julio, em Buenos Aires</p>
<p>Enquanto eu não volto com mais Mestre Valentim, partilho com vocês este texto, fruto de dois e-mails que escrevi, em épocas diferentes, para pessoas diferentes, por acaso em torno do mesmo tema: a função dos obeliscos nas cidades. Em 2007, uma amiga foi a Buenos Aires, adorou, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1036" class="wp-caption alignleft" style="width: 300px"><a href="http://argentina.pordescubrir.com/la-avenida-9-de-julio.html"><img class="size-full wp-image-1036 " style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="avenida-9-de-julio" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/avenida-9-de-julio1.jpg" alt="" width="290" height="335" /></a><p class="wp-caption-text">O obelisco da 9 de Julio, em Buenos Aires</p></div>
<p>Enquanto eu não volto com mais <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2011/04/23/mestre-valentim-um-filme-uma-conversa-uma-cidade/" target="_blank">Mestre Valentim</a>, partilho com vocês este texto, fruto de dois e-mails que escrevi, em épocas diferentes, para pessoas diferentes, por acaso em torno do mesmo tema: a função dos obeliscos nas cidades. Em 2007, uma amiga foi a Buenos Aires, adorou, mas na volta falou o seguinte:  <em>&#8220;Agora, uma coisa que eu não consigo achar graça é o tal do Obelisco da Avenida 9 de Julio. E daí? Uma avenidona enorme, muito larga, tá bom. Cadê a beleza disso?&#8221;</em></p>
<p>Depois, em 2009, outras amigas foram a Paris e eu não lembro se elas me pediram para falar a respeito ou se eu, enxerida, meti o bedelho por conta própria, morrendo de inveja por não poder ir junto. Começando por Buenos Aires, eu propus contextualizar a criação da própria avenida, antes de falar sobre o monumento.</p>
<p>A Av. 9 de Julio, cujo traçado já era estudado, como eixo Norte-Sul para a cidade, desde o final do século XIX, começou a ser aberta em 1937, e levou cerca de 40 anos até se completar toda a sua extensão, que eu procurei na internet, mas não descobri de quantos quilômetros é. Tive preguiça de pegar um mapa em escala e medir. Se alguém tiver essa informação, com a fonte, eu agradeço.</p>
<div id="attachment_1037" class="wp-caption aligncenter" style="width: 710px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/BsAs-PresVargas.jpg"><img class="size-full wp-image-1037 " title="BsAs-PresVargas" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/BsAs-PresVargas.jpg" alt="" width="700" height="213" /></a><p class="wp-caption-text">À esquerda e no meio, a localização da 9 de Julio em Buenos Aires. À direita, a Av. Presidente Vargas, no Rio.</p></div>
<p>É uma época de abertura de grandes avenidas, no mundo todo, pelo menos no mundo que ainda não tinha feito isso no século XIX, tipo Paris. A nossa Av. Presidente Vargas (aqui no centro do Rio de Janeiro) é de 1945, por exemplo, e tem os mesmos propósitos funcionais/simbólicos. Grandes avenidas se prestam a exibir poder, ordem, glória; abrem canais de ventilação e iluminação em cidades excessivamente adensadas, disciplinam e otimizam fluxos, além de escoar o tráfego. E neste momento (décadas de 30 e 40), o urbanismo Modernista ainda dá as cartas, com sua aposta na primazia do automóvel (crise do petróleo? Naquela época isso merecia risadas incrédulas), baseada na crença de que a indústria e sua fabricação em massa barateariam os custos e tornariam o automóvel acessível e necessário a todos. Bom, junta tudo isso, e abriu-se a 9 de Julio. São 130 metros de largura. Pra vocês terem uma medida de comparação, de novo, a Av. Presidente Vargas tem 80 metros, chegando a 90 em alguns poucos trechos, no finalzinho. Em São Paulo eu não saberia mencionar uma comparação adequada. Mas sei que a 9 de Julio é considerada, segundo diversas fontes, a mais larga do mundo, deixando seguramente a Champs Elysées parisiense no chinelo. E está sempre lotada de carros e engarrafada, que coisa!</p>
<div id="attachment_1038" class="wp-caption aligncenter" style="width: 817px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Obelisco-e-9Julio-const.jpg"><img class="size-full wp-image-1038" title="Obelisco-e-9Julio-const" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Obelisco-e-9Julio-const.jpg" alt="" width="807" height="419" /></a><p class="wp-caption-text">Fonte: livro &quot;Imágenes de Buenos Aires 1915-1940&quot;. Ediciones de la Antorcha, 2006.</p></div>
<p>Eu vi um site que eu queria deixar como sugestão, mas depois que fechei, não consigo mais lembrar como cheguei ali, e perdi a referência. Mas <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/9_de_Julio_Avenue">aqui</a> tem umas informações interessantes sobre esta avenida. Quanto ao obelisco, oras, tem também suas explicações. Um obelisco é um monumento, normalmente em pedra (os mais moderninhos já o fazem de concreto, e já vi até obeliscos estilosos em aço, mas vamos nos ater aos clássicos), esguio e alto, erguido por (ou em homenagem a) grandes reis ou líderes militares, servindo tradicionalmente para celebrar uma vitória em batalha, uma conquista importante, ou a glória do soberano. Os homens (sim, é evidentemente um monumento bem carregado de simbologia masculina, bem fálico mesmo) erguem elementos marcantes para comemorar suas vitórias ou realizar rituais místicos desde tempos imemoriais, pré-históricos.</p>
<div id="attachment_1043" class="wp-caption alignleft" style="width: 125px"><a href="http://aeterna.no.sapo.pt/lusophia/lusophia36-jc.htm"><img class="size-full wp-image-1043" title="Menir" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Menir.jpg" alt="" width="115" height="177" /></a><p class="wp-caption-text">Menir em Portugal</p></div>
<p>Muito antes dos obeliscos, já havia os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Menir" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">menires</span></a> de pedra, menos sofisticados e de razões supostamente mais esotéricas que militares, mas ainda assim impressionantes. Eram pedras imensas, altas, mas bem irregulares, brutas, cravadas no solo. Aquelas pedras em <span style="color: #000000;"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Stonehenge" target="_blank">Stonehenge </a>(Inglaterra)</span> são como menires. Mais tarde, alguns desses monumentos passaram a se sofisticar mais e se tornaram mais associados com essa coisa da batalha mesmo, perdendo a conexão com o divino. Passaram a ser blocos de pedra mais altos, mais trabalhados, com as faces geometricamente talhadas, recebendo inscrições que narram as glórias da guerra, desenhos e entalhes, alto-relevos, enfim, tinham também uma função didática, porque impunham respeito e temor, ao descrever o poder do líder e do império, os suplícios dos perdedores, as marchas vitoriosas do exército. Eram cravados em algum espaço importante da cidade, para que todos pudessem contemplá-lo. Eram uma espécie de jornal, de panfleto, eram em si mesmos uma narrativa histórica.</p>
<div>
<dl id="attachment_1046">
<dt>Os  egípcios e os romanos foram mestres no uso de obeliscos, e alguns   deles mais tarde foram roubados pelos novos conquistadores e trasladados   para lugares como Paris (por Napoleão, claro), Roma, Londres, como um   troféu. Bem  mais tarde, no Renascimento e principalmente durante o  Barroco, a  partir do século XVII, os urbanistas se deram conta de que  aqueles  marcos verticais tão imponentes serviam como elementos  estéticos e  compositivos espetaculares nas novas ordenações  urbanísticas. Eles  servem, por exemplo, como ponto focal, ao final do  eixo de perspectiva  formado por uma longa, reta e larga avenida, ou  para enfatizar a  simetria de uma imensa fachada. </dt>
<dt> </dt>
<dt>
<div id="attachment_1048" class="wp-caption alignleft" style="width: 455px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/ChampsElisees-Vaticano.jpg"><img class="size-full wp-image-1048" title="ChampsElisees-Vaticano" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/ChampsElisees-Vaticano.jpg" alt="" width="445" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Os obeliscos de Paris e do Vaticano, respectivamente. </p></div>
</dt>
<dt>Como exemplo do  primeiro caso, temos o  obelisco do templo de Luxor,  que Napoleão  trouxe do Egito e posicionou na Champs Elisées, na Place  de la Concorde  (no outro extremo da avenida, em relação ao Arco do  Triunfo). No  segundo caso, temos o obelisco, também egípcio, trazido para Roma por  Calígula, no século I,  para ostentar a sua própria glória no centro do  Circo que levava seu nome. No  século XVI, quando o circo já não existia  mais e a Basílica de São Pedro, no Vaticano, começou a ser construída no  lugar da milenar Basílica de Constantino, o obelisco de Calígula não  estava na posição em que está hoje. Ficava ao lado da nova basílica e,  pelos princípios barrocos, atrapalhava o eixo da perspectiva, desviando o  olhar de quem se postasse diante da fachada em construção. O papa da  ocasião, Sisto V, incomodado esteticamente, com toda a razão, cismou em  remover o monolito do lugar e trazê-lo para o centro da praça, onde ele  direcionaria a visada para a o eixo certo, valorizando a praça e a  igreja. Foi uma empreitada de engenharia supercomplexa, com uma história  genial! </dt>
<dt> </dt>
<dt>
<div id="attachment_1049" class="wp-caption aligncenter" style="width: 754px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/basilica-circus.jpg"><img class="size-full wp-image-1049" title="basilica-circus" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/basilica-circus.jpg" alt="" width="744" height="518" /></a><p class="wp-caption-text">Fonte: SCOTTI, R.A. Basílica de São Pedro: esplendor e escândalo na construção da Catedral do Vaticano. RJ: Nova Fronteira, 2007. p.80</p></div>
</dt>
<dt> </dt>
<dt> </dt>
<dt>Em 1586, tendo se dado conta de que o obelisco estava deslocado, e sua imponência era tal que desviava o olhar do que deveria ser o centro da composição, o papa ordenou que ele fosse removido e reposicionado. Como ninguém achasse que isso era possível, Sisto V fez um concurso público, vencido pelo engenheiro e arquiteto Domenico Fontana, que pôs o obelisco na sua posição atual, a partir de estudos históricos de como os próprios egípcios tinham transportado o bloco de pedra pelo Nilo, quase 3 mil anos antes, e de cálculos precisos que envolviam o uso de macacos hidráulicos, alavancas e polias. Esta história está contada, em detalhes deliciosos, no livro <span style="color: #000000;"><a href="http://www.submarino.com.br/busca?franq=134562&amp;q=basilica+de+sao+pedro+++esplendor+e+escandalo+na+construcao+da+catedral+do+vatic+r+a+scotti" target="_blank"><strong>Basílica de São Pedro: esplendor e escândalo na construção da Catedral do Vaticano</strong></a>, de R. A. Scotti, publicado pela Editora Nova Fronteira.<br />
</span></p>
<div id="attachment_1050" class="wp-caption aligncenter" style="width: 740px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Basilica-planta-perspect.jpg"><img class="size-full wp-image-1050" title="Basilica-planta-perspect" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Basilica-planta-perspect.jpg" alt="" width="730" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">A planta final e a perspectiva da Basílica e Praça de São Pedro, com o obelisco reposicionado.</p></div>
</dt>
<dt> </dt>
<dt>Se você pensar bem, um obelisco tem mesmo esse poder de atrair o olhar, e quando bem usado, ele pode ajudar a equilibrar uma composição muito horizontal, dar proporção e senso de profundidade a uma visada muita ampla. É o caso do enorme obelisco da Av. 9 de Julio, em Buenos Aires. Pena que mais modernamente, o pessoal &#8211; que ouviu o galo cantar, mas não sabe bem onde &#8211; tem usado levianamente desse recurso, que não serve pra celebrar mais nada, e muitas vezes é projetado sem manter proporção com porcaria nenhuma, só para a glória duvidosa de algum político chinfrim ou para a vaidade de algum arquiteto que &#8220;se acha&#8221;. Preciso dar exemplos? Cada um aqui dá conta de lembrar de mais de um, se duvidar.</p>
</dt>
</dl>
</div>
<p>Tá bom, não dá pra comparar o obelisco da Praça de São Pedro com o da 9 de Julio, mas é pra dizer que são marcos verticais que ajudam a dar proporção, senso de profundidade e orientar a perspectiva. Como elementos verticais de destaque na paisagem servem de referência e ajudam as pessoas a se situarem. Isso, claro, num momento em que as construções ainda não eram tão altas a ponto de achatarem os ditos cujos. A largura da 9 de Julio ajuda muito a que o obelisco ainda se destaque, a despeito dos prédios construídos ao redor.</p>
<div id="attachment_1052" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/obelisco-AvRioBranco.jpeg"><img class="size-medium wp-image-1052" title="obelisco-AvRioBranco" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/obelisco-AvRioBranco-300x201.jpg" alt="" width="300" height="201" /></a><p class="wp-caption-text">O obelisco da Av. Rio Branco.  Fonte: Google Streetview</p></div>
<p>No final da Av. Rio Branco (Centro do Rio) também há um obelisco e uma vez eu comentei isso com meu marido. Ele, que passa ali desde sempre, perguntou, incrédulo: Tem? Nunca vi&#8230; Claro, o obelisco era perfeitamente visível na abertura da Avenida, quando todos os prédios em volta tinham a altura da Biblioteca Nacional, do Museu de Belas Artes, do Teatro Municipal. Depois que os arranha-céus foram construídos indiscriminadamente (e criminosamente, também, na minha modesta opinião), a avenida ficou com uma cara apertadinha e o obelisco ficou com a escala ridícula de um palitinho de fósforos. É tudo uma questão de proporção, e não é da proporção do lucro que eu estou falando, mas isso é outra história.</p>
<p>Buenos Aires tem coisas muito mais interessantes e legais que o obelisco da 9 de Julio, mas se algum dia um de vocês for visitar a bela capital argentina, não deixe de considerá-lo como um marco na paisagem da cidade, na história urbanística local e como um testemunho de um modo de pensar e construir a cidade.</p>
<p><em>PS: Eu não sei como, mas as fontes se desconfiguraram aqui e eu não consegui arrumar de jeito nenhum. </em></p>
<p><em>Update: como vocês podem ver, as fontes foram arrumadas. Oba!<br />
</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2011/05/09/obeliscos/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Novo tempo</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/20/novo-tempo/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/20/novo-tempo/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 21 Oct 2010 02:09:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[desejos]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=911</guid>
		<description><![CDATA[
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver</p>
<p>Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança</p>
<p>No [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div>No novo tempo, apesar dos castigos<br />
<strong>Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos</strong><br />
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer<br />
No novo tempo, apesar dos perigos<br />
<strong>Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta</strong><br />
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver</p>
<p><strong>Pra que nossa esperança seja mais que a vingança<br />
Seja sempre um caminho que se deixa de herança</strong></p>
<p>No novo tempo, apesar dos castigos<br />
<strong>De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga</strong><br />
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer<br />
No novo tempo, apesar dos perigos<br />
<strong>De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados</strong><br />
<strong>Pra sobreviver,</strong> pra sobreviver, pra sobreviver</p>
<p>Pra que nossa esperança seja mais que a vingança<br />
Seja sempre um caminho que se deixa de herança</p></div>
<div></div>
</div>
<div>No novo tempo, apesar dos castigos<br />
<strong>Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas</strong><br />
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer<br />
No novo tempo, apesar dos perigos<br />
<strong>A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça</strong><br />
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver</p>
<p>Pra que nossa esperança seja mais que a vingança<br />
Seja sempre um caminho que se deixa de herança</p></div>
<div></div>
<div><em>(Os grifos são meus. São minha mensagem no dia de hoje. Música: Novo Tempo, de Ivan Lins e Vitor Martins. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=qXm1WKCPtA4" target="_blank">Pra você ouvir e cantar comigo</a>) </em></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/20/novo-tempo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Livros, músicas, filmes, vida</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/09/11/livros-musicas-filmes-vida/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/09/11/livros-musicas-filmes-vida/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 11 Sep 2010 16:53:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=868</guid>
		<description><![CDATA[<p>Ontem eu estava conversando com alguns amigos, por e-mail, sobre um livro que alguns de nós lemos recentemente, e que nos provocou reações intensas.  Pelo rumo que a conversa tomou, eu acabei pensando em como é a minha relação com a arte. Especialmente a literatura, a música e o cinema. As artes plásticas não me provocam [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ontem eu estava conversando com alguns amigos, por e-mail, sobre um livro que alguns de nós lemos recentemente, e que nos provocou reações intensas.  Pelo rumo que a conversa tomou, eu acabei pensando em como é a minha relação com a arte. Especialmente a literatura, a música e o cinema. As artes plásticas não me provocam a mesma coisa, não na<br />
mesma intensidade.  A <a href="http://duasfridas.wordpress.com/" target="_blank">Monix</a> (uma das amigas dessa conversa) estava dizendo a mesma coisa, como que ler nos provoca viagens espantosamente emocionais, quando a leitura, supostamente, deveria ser alguma coisa que nos estimulasse mais racionalmente, e a imagem (pensando aqui em pinturas e esculturas) não nos transportam tanto. Claro, falando por mim e por ela. Eu amo e me emociono profundamente com algumas obras, sou capaz de ficar uma eternidade na frente de alguns quadros &#8211; e já fiz isso &#8211; maravilhada, ou com a garganta em nó, sacudida por sentimentos profundos. Mas raramente fico povoada por aquele quadro dias, meses depois, como sou capaz de ficar com livros, filmes e músicas.</p>
<p>O sinal de que alguma coisa é boa para mim é quando me arrebata, quando dribla qualquer possibilidade de defesa racional e quando eu me deixo levar pela emoção, me colocando no lugar daquelas pessoas/personagens. Alguns<br />
autores conseguem isso comigo, outros não. A autora do livro que nós estávamos discutindo, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Lionel_Shriver" target="_blank">Lionel Schriver</a>, pelo que eu vi, consegue. E eu adoro. Adoro sentir confiança o bastante para me abandonar e permitir que o autor me conduza numa viagem emocional diferente, mesmo que ela seja devastadora, como foi o caso. Só paro pra pensar depois, como se tivesse pulado de <em>bungee-jump</em>. Na hora da queda livre, não dá tempo nem adianta racionalizar, querer pular fora. Só depois, no chão, vc se dá conta de tudo o que sentiu durante.</p>
<p>O <a href="http://www.interney.net/blogs/lll/" target="_blank">Alex Castro</a> falou uma vez (acho que no<a href="http://www.formspring.me/alexcastrolll" target="_blank"> formspring</a>, eu tou adorando aquilo) que a importância da literatura &#8211; acho que ele se referia a por que ler os clássicos &#8211; mas ele falou que a literatura oferece uma oportunidade de vivência da <strong>alteridade</strong>, ou seja, de você se colocar na pele de outra pessoa, de experimentar sensações, emoções, viver experiências tantas vezes completamente distintas da sua realidade, de, em suma, prestar atenção e enxergar o Outro como<br />
semelhante. Isso numa perspectiva de desenvolver sua capacidade de empatia, de humanizar as relações, relativizar as diferenças. Eu concordo 100%, a literatura, a música e o cinema têm esse efeito sobre mim, me humanizam, na medida em que me fazem comungar com outros seres humanos, em suas glórias e misérias, virtudes e mesquinharias. E ver que todos esses sentimentos existem potencialmente dentro de cada um de nós, e sabe Deus qual o gatilho que faz aflorar em maior ou menor intensidade cada coisa, em cada pessoa, em cada momento da vida.</p>
<p>O livro ao qual nós nos referíamos no e-mail é <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2248154" target="_blank">Precisamos falar sobre o Kevin</a>. Neste romance, a autora cria uma situação ficcional mas perfeitamente plausível e realista, sobre um adolescente de 16 anos que, num belo dia, comete uma carnificina na escola, matando uma professora e vários colegas. A personagem que narra a história é a mãe do garoto, na forma de cartas que ela escreve ao marido. Nessas cartas, ela mescla lembranças da vida do casal, desde que se conheceram, como casaram, como e por que tiveram um filho, a infância que ela acredita tão flagrantemente sintomática do menino (ao mesmo tempo em que ninguém mais percebe a mesma coisa, muito menos o pai, o que a faz imaginar se não seria ela a neurótica), com descrições da sua vida despedaçada de hoje, pontuada e confrontada todo o tempo com as visitas que ela faz à penitenciária juvenil onde o filho está preso. É uma tentativa de entender, dar sentido a tudo o que aconteceu, impiedosamente vasculhando suas próprias culpas ou pelo menos tentando ver se e onde elas existiram. Ao mesmo tempo em que a autora traça, pela voz e olhar dessa mãe, um raio-x daquela família em particular, consegue também desenhar um panorama assustador de questões estruturais da sociedade norteamericana que tornam esse tipo de acontecimento tão comum e quase banal, apesar da comoção que vira e mexe causa na mídia.</p>
<p>Pra quem gosta desse tipo de temática, é um livro que eu recomendo. Mas é pesado, indigesto, e se você é que nem eu e mergulha, há grandes chances de que destampe incômodos e fantasmas pessoais. Não estou sugerindo nenhum tipo de identificação rasa e imediata com instintos assassinos e disfunções familiares, mas questões mais universais como as nossas culpas, as nossas escolhas, as nossas relações com os outros, ciúme, inveja, solidão, negação, desejo de ser amado, desejo de encontrar seu lugar no mundo.</p>
<p>Antes que eu esqueça. Muito menos estou sugerindo nenhuma abordagem pseudo-terapêutica, de &#8220;análise&#8221; dos personagens, num viés de avaliar o caráter e a estrutura emocional deles como se fossem &#8220;pacientes&#8221;, na busca de enquadrá-los num diagnóstico que aponte quais os problemas, com o objetivo de curar esses problemas. Mais normativo que isso impossível. E pessoalmente, eu nem sequer acreditaria numa psicanálise ou psicoterapia que trabalhasse nesse rumo.</p>
<p>Quando li este livro, ao contrário disso, eu confesso que senti profunda empatia com os personagens todos, de vez em quando inclusive com o adolescente assassino. Evidentemente, muito mais ainda com a mãe. Mas eu me pus na pele mesmo daquelas pessoas, e senti a cadeia de responsabilidades e dúvidas que existem a cada momento na vida de todos nós, tanto na hora das escolhas quanto lá na frente, na hora &#8211; que muitas vezes não tem como prever antes &#8211; de avaliar o resultado dessas escolhas. E senti como que a culpa, pura e simples, seja para imputá-la ou para sentí-la na carne, não constrói nada, só consome e paralisa. Para avançar, para não repetir, para compreender e colocar a vida em movimento é preciso superar a culpa. Responsabilidade é outra coisa completamente diferente.</p>
<p>Já comprei mais um livro da autora, <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2968789" target="_blank">O mundo pós-aniversário</a>, mas ainda não comecei. E tem outro, ainda não traduzido em português, que também está na mira, por recomendação da Vera: <a href="http://www.goodreads.com/book/show/708268.A_Perfectly_Good_Family" target="_blank">A perfectly good family</a>.</p>
<p>Pronto, gastei o tempo falando de livros (e se vocês soubessem a pilha que está na minha mesinha, com livros de todos os tipos, ensaios, poesias, romances, História, bibliografia para preparar aulas e para escrever projeto de tese, caramba, eu queria largar tudo e passar dois meses só lendo, mais nada). Música e cinema ficarão para outra vez. Eu ia contar o papel que o <strong>Pink Floyd</strong> teve na minha juventude (especialmente <a href="http://www.pinkfloyd.co.uk/dsotm/content/setup.html" target="_blank">The dark side of the moon</a> e <a href="http://www.imdb.com/title/tt0084503/" target="_blank">The Wall</a>), e ia falar do filme <a href="http://www.cinepop.com.br/criticas/origem_103.htm" target="_blank">A Origem</a>, que assisti essa semana e do qual gostei muito. Essa é pros alunos de <strong>História da Cidade II</strong>, que essa semana tiveram aula sobre Grécia Antiga, e que nunca tinham ouvido falar do mito de <a href="http://colimao.blogspot.com/2005/10/teseu-e-o-minotauro.html" target="_blank">Teseu e o Minotauro</a>. Saber um tiquinho disso ajuda até mesmo a sacar a brincadeira que o diretor do filme faz, ao colocar uma arquiteta com o nome de Ariadne para construir um labirinto. Cultura geral também é diversão, môs fios.</p>
<p>Até já.</p>
<p>PS: Hoje é dia 11 de setembro. Não quero nem ouvir essa palhaçada de queimar Alcorão nos Estados Unidos. Prefiro me emocionar com <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/09/11_de_setembro_37_anos_allende_vive.php" target="_blank">esse post</a> do <a href="htthttp://www.idelberavelar.com/" target="_blank">Idelber</a> que lembra e homenageia o grande Salvador Allende, e sua heroica e digna resistência ao golpe militar no Chile. <em>Compañera Urbanamente, presente!</em> (vai <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/09/11_de_setembro_37_anos_allende_vive.php" target="_blank">lá</a> ler pra entender a citação).</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2010/09/11/livros-musicas-filmes-vida/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Cidades Literárias: Marguerite Yourcenar</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/07/10/cidades-literarias-marguerite-yourcenar/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2009/07/10/cidades-literarias-marguerite-yourcenar/#comments</comments>
		<pubDate>Fri, 10 Jul 2009 15:26:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[História Urbana]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[Roma]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=331</guid>
		<description><![CDATA[<p>Estava aqui relendo o trecho que resolvi trazer hoje, ainda na dúvida se usava ou não. É que embora eu ame esse livro e esse trecho, não é exatamente a descrição de uma cidade, mas de uma obra arquitetônica. Só que ao reler, achei tão forte, tão belo, tão apropriado para os dias de hoje, que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava aqui relendo o trecho que resolvi trazer hoje, ainda na dúvida se usava ou não. É que embora eu ame esse livro e esse trecho, não é exatamente a descrição de uma cidade, mas de uma obra arquitetônica. Só que ao reler, achei tão forte, tão belo, tão apropriado para os dias de hoje, que não tive mais dúvidas. De forma que segue aí pra vocês, tirado do livro <strong>Memórias de Adriano</strong>, de <strong>Marguerite Yourcenar</strong> (das melhores coisas que eu já comprei num sebo, por 1 real!) o depoimento do famoso imperador romano sobre a construção do <strong>Panteão</strong>, em Roma.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-332" title="180px-hadrien-ven" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/07/180px-hadrien-ven.jpg" alt="180px-hadrien-ven" width="180" height="212" />Só contextualizando o personagem e a obra. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Adriano" target="_blank">Adriano</a> foi imperador de Roma entre os anos 117 e 138 d.C, no auge do Império (auge esse para o qual ele muito contribuiu). Foi um líder militar prudente, que preferiu negociar e consolidar fronteiras a prosseguir em guerras de expansão. É dele, por exemplo, a muralha que durante séculos marcou os limites entre a Inglaterra e a Escócia, da qual existem ainda ruínas, e que passou à História como Muralha de Adriano. Era um homem culto e letrado, que difundiu a cultura clássica grega em suas muitas viagens pelo vasto território imperial, sempre construindo estradas e monumentos. Era também arquiteto e estudioso de materiais de construção. Por outro lado, era um homem vaidosíssimo e de perfil bastante autoritário, que muitas vezes manipulou e alienou o Senado na hora de tomar decisões importantes.</p>
<p>A brilhante autora <span style="text-decoration: line-through;">francesa</span> belga de língua francesa Marguerite Yourcenar escreveu este livro em 1950, fruto de um extenso e seríssimo trabalho de pesquisa. A edição que eu tenho, de 1986, da Editora Record, tem uma nota no final primorosa, em que ela esclarece a metodologia de trabalho, menciona os documentos originais a que teve acesso, incluindo os próprios diários que Adriano deixou, cita os trabalhos de história que leu, revela quais são os dados e personagens que ela inventou, mesclou ou suprimiu para o melhor andamento da narrativa, e quais são os reais. O resultado é um livro delicioso, narrado em primeira pessoa, que mistura um tiquinho de poesia e ficção a um universo fascinantemente real, ou realmente fascinante.</p>
<p>Mas chega, né? Olha aí o Adriano se apresentando e apresentando uma de suas obras mais importantes. No final, eu tenho mais duas palavrinhas pra acrescentar:</p>
<p style="text-align: right;"><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Adriano"><img class="alignright size-medium wp-image-334" title="25879331" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/07/25879331-300x200.jpg" alt="25879331" width="300" height="200" /></a>&#8220;A construção de um templo dedicado a Todos os Deuses, de um Panteon, se me impunha. Escolhera seu lugar sobre as ruínas dos antigos banhos públicos oferecidos ao povo romano por Agripa, o genro de Augusto. Nada restava do antigo edifício além de um pórtico e de uma placa de mármore com uma dedicatória ao povo de Roma. Essa placa foi cuidadosamente recolocada, exatamente como era, no frontão do novo templo. Pouco me importava que meu nome figurasse ou não num monumento que era a expressão do meu pensamento. Agradava-me, muito pelo contrário, que uma velha inscrição de mais de um século o associasse ao princípio do Império, ao reino pacificado de Augusto. Mesmo quando inovava, preferia sentir-me, antes de tudo, um continuador.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>O ato de dedicação do templo de Vênus e de Roma foi uma espécie de triunfo acompanhado por corridas de carros, espetáculos públicos, distribuição de especiarias e perfumes.(&#8230;) A data escolhida para a festa foi o dia do aniversário de Roma, o oitavo após os Idos de Abril do ano 882 depois da fundação da Cidade. A primavera romana nunca fora mais doce, mais violenta, nem mais azul. No mesmo dia, com uma solenidade mais grave e como que abafada, teve lugar uma cerimônia consagratória no interior do Panteon. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em><a href="http://www.bolsanobolso.com/showthread.php?t=24771"><img class="alignright size-medium wp-image-338" title="4752641" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/07/4752641-200x300.jpg" alt="4752641" width="200" height="300" /></a>Eu próprio corrigira os planos demasiado tímidos do arquiteto Apolodoro. Utilizando as artes da Grécia como simples ornamentação, ou um luxo a mais, procurei voltar, pela própria estrutura do edifício, à época fabulosa e primitiva de Roma, ao mesmo tempo que reproduzia os templos redondos da Etrúria antiga. Quis que esse santuário de todos os deuses reproduzisse a forma do globo terrestre e da esfera estelar, do globo onde se encerram as origens do fogo eterno, da esfera oca que tudo contém. Era igualmente a forma das cabanas ancestrais, nas quais a fumaça dos mais antigos lumes humanos escapava por um orifício situado no topo. A cúpula construída de uma lava sólida e leve, que parecia participar ainda do movimento ascendente das chamas, comunicava com o céu por uma grande abertura alternadamente negra e azul, tal como a noite e o dia. Esse templo, ao mesmo tempo aberto e secreto, era concebido como um quadrante solar. As horas girariam naqueles caixotes cuidadosamente polidos por artífices gregos, e o disco do dia ficaria suspenso ali como um escudo de ouro. A chuva formaria uma poça de água pura no pavimento e as preces escapar-se-iam como fumaça em direção ao vazio onde costumamos colocar os deuses. Essa festa foi para mim uma dessas horas em que tudo converge.&#8221;</em></p>
<p>Acho que nem cabe falar muito mais, né? Mas eu quero lembrar que esse texto tenta dialogar com o da <a href="http://colunistas.ig.com.br/palavrasdafal/2009/06/19/um-coliseu-para-voce-e-para-mim/" target="_blank">Fal</a>, em que ela fala do Coliseu como sendo seu monumento romano favorito. Nos comentários a essa crônica, eu disse que o meu era o Panteão, mas como eu não sei falar tão bem quanto ela, deixei o Adriano mesmo descrever tudo.</p>
<p>O outro aspecto que eu quero lembrar é o quanto a gente pode falar ou pensar, a partir desse pedacinho, sobre o papel da arquitetura na composição da paisagem urbana, da identidade da cidade. O que nos leva a pensar em preservação de patrimônio. Eu tenho uma birra infernal com o fato deste templo tão solene e belo ter sido continuamente profanado ao longo dos séculos, a começar pela própria Igreja Católica, que o transformou em igreja, destruindo as imagens dos deuses pagãos que ocupavam os nichos ao redor do salão e instalando ali um altar cristão, com crucifixo e tudo. Eu sei, outros tempos, outra concepção de tudo, hoje o Panteão está aberto à visitação pública como museu, como testemunho da obra de Adriano, mas mesmo assim.</p>
<p>Para os arquitetos e estudantes de arquitetura, atenção para o elegante e corretíssimo memorial justificativo da obra. É aquele documento em que o arquiteto apresenta seu projeto, justifica suas escolhas, descreve os elementos importantes, partido arquitetônico, estrutura, materiais, formas e funções. O cara faz isso ainda por cima com qualidade literária. Mestre.</p>
<p>Por fim, só levantando a bola e deixando pra vocês cortarem, que aula de marketing político, hein? Mais atual, impossível.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2009/07/10/cidades-literarias-marguerite-yourcenar/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>9</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Ainda sobre educação, cidade e crianças</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/05/26/ainda-sobre-educacao-cidade-e-criancas/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2009/05/26/ainda-sobre-educacao-cidade-e-criancas/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 26 May 2009 21:54:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanidades]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[museus]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=256</guid>
		<description><![CDATA[<p>Escrevendo o post abaixo, sobre o projeto de Educação Urbana desenvolvido pelo Prof. Pedro Lessa, eu me lembrei de uma experiência recente de viagem, que me impressionou muito.</p>
<p>Em março deste ano eu estive em Madri (acho que já comentei isso aqui) durante uma semana. A cidade é linda, e eu me apaixonei pelas ruas e monumentos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevendo o post abaixo, sobre o projeto de Educação Urbana desenvolvido pelo Prof. Pedro Lessa, eu me lembrei de uma experiência recente de viagem, que me impressionou muito.</p>
<p>Em março deste ano eu estive em Madri (acho que já comentei isso aqui) durante uma semana. A cidade é linda, e eu me apaixonei pelas ruas e monumentos, pelos prédios e jardins, pelas comidas e paisagens. Uma das coisas que mais amei foi a oportunidade de visitar, com calma, os museus da cidade, apaixonada que sou por História da Arte. Fui a dois deles, o Centro de Arte Reina Sofia, com um respeitável acervo de arte moderna, e o famoso Museu do Prado, com seus vários andares repletos de Boticcellis, Caravaggios, Rembrandts, El Grecos, e, obviamente, das obras dos mestres espanhóis Velázquez e Goya. Não há palavras para descrever a emoção de contemplar esses quadros de perto.</p>
<p><a href="http://vi.sualize.us/view/e8bf5994551cc2d49e09e42b48c0c5a0/"><img class="alignleft size-medium wp-image-261" title="children-and-art2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/05/children-and-art2-300x300.jpg" alt="children-and-art2" width="300" height="300" /></a>Porém, o que me faz falar disso agora é que, nos dois museus, eu presenciei uma cena que me chamou a atenção. Excursões escolares, com criancinhas bem pequenas, passeando atentamente pelos salões e corredores. Várias. De escolas diferentes, com turminhas de idades diferentes, variando dos 4-5 aninhos até meninos e meninas de 8-9 anos. Uniformes, mãozinha no ombro do colega da frente, as &#8220;tias&#8221; orientando as filas. E sabe o que eu mais achei interessante e me fez pensar? Em nenhuma dessas excursões havia uma pessoa &#8220;explicando&#8221; as obras, falando do autor, do estilo, da época histórica. Nada disso. As crianças apenas passavam e iam olhando, como pequenas esponjinhas absorvendo imagens e cores, sem mediação racional. De vez em quando, alguma criança fazia uma observação qualquer, por livre associação, e jamais era criticada ou corrigida. A professora sorria e perguntava mais alguma coisa, que estimulasse uma elaboração maior, de acordo com a idade da criança. Não eram feitos juízos de valor, do tipo &#8220;bonito&#8221; ou &#8220;feio&#8221;, &#8220;certo&#8221; ou &#8220;errado&#8221;.</p>
<p>Eu achei fantástico, e passei um bom tempo pensando sobre o assunto. O que é que forma nosso repertório de referências visuais e estéticas? Tudo o que a gente vê, principalmente o que a gente vê repetidamente, nos molda. Se vemos sempre ou principalmente ruas feias, sujas, casas amontoadas e escuras, muros pichados, cenas de violência e miséria, é isso que tendemos a achar natural. Eu não sei o que as criancinhas espanholas vêem no seu dia a dia urbano, mas ali estava uma oportunidade de impregnar suas retinas e almas com algumas das melhores obras de arte  já produzidas pela humanidade, num ambiente igualmente belo e elegante.  E se a gente pensar bem, além das referências visuais, há ainda a chance de conviver por algumas horas com referências de comportamento, de convívio social, de valorização de patrimônio, que certamente contribuem para desenvolver o que chamamos de atitudes civilizadas.</p>
<p>Claro que só visitar museus não resolve, claro que formas variadas de expressão artística devem ser valorizadas, mas eu gostaria que existisse um programa que oferecesse às nossas crianças a chance de, desde bem cedo, e com bastante frequência, ter contato com a beleza, a arte, os espaços bonitos e nobres da cidade, independente de decorar nomes e datas, só pelo prazer da fruição mesmo. Isso também alimenta e ajuda a fazer pessoas melhores.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2009/05/26/ainda-sobre-educacao-cidade-e-criancas/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>7</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

