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	<title>Urbanamente &#187; Arte</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>Cidades Literárias: Marguerite Yourcenar</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jul 2009 15:26:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[História Urbana]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Estava aqui relendo o trecho que resolvi trazer hoje, ainda na dúvida se usava ou não. É que embora eu ame esse livro e esse trecho, não é exatamente a descrição de uma cidade, mas de uma obra arquitetônica. Só que ao reler, achei tão forte, tão belo, tão apropriado para os dias de hoje, que não tive mais dúvidas. De forma que segue aí pra vocês, tirado do livro <strong>Memórias de Adriano</strong>, de <strong>Marguerite Yourcenar</strong> (das melhores coisas que eu já comprei num sebo, por 1 real!) o depoimento do famoso imperador romano sobre a construção do <strong>Panteão</strong>, em Roma.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-332" title="180px-hadrien-ven" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/07/180px-hadrien-ven.jpg" alt="180px-hadrien-ven" width="180" height="212" />Só contextualizando o personagem e a obra. <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Adriano" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Adriano?referer=');">Adriano</a> foi imperador de Roma entre os anos 117 e 138 d.C, no auge do Império (auge esse para o qual ele muito contribuiu). Foi um líder militar prudente, que preferiu negociar e consolidar fronteiras a prosseguir em guerras de expansão. É dele, por exemplo, a muralha que durante séculos marcou os limites entre a Inglaterra e a Escócia, da qual existem ainda ruínas, e que passou à História como Muralha de Adriano. Era um homem culto e letrado, que difundiu a cultura clássica grega em suas muitas viagens pelo vasto território imperial, sempre construindo estradas e monumentos. Era também arquiteto e estudioso de materiais de construção. Por outro lado, era um homem vaidosíssimo e de perfil bastante autoritário, que muitas vezes manipulou e alienou o Senado na hora de tomar decisões importantes.</p>
<p>A brilhante autora <span style="text-decoration: line-through;">francesa</span> belga de língua francesa Marguerite Yourcenar escreveu este livro em 1950, fruto de um extenso e seríssimo trabalho de pesquisa. A edição que eu tenho, de 1986, da Editora Record, tem uma nota no final primorosa, em que ela esclarece a metodologia de trabalho, menciona os documentos originais a que teve acesso, incluindo os próprios diários que Adriano deixou, cita os trabalhos de história que leu, revela quais são os dados e personagens que ela inventou, mesclou ou suprimiu para o melhor andamento da narrativa, e quais são os reais. O resultado é um livro delicioso, narrado em primeira pessoa, que mistura um tiquinho de poesia e ficção a um universo fascinantemente real, ou realmente fascinante.</p>
<p>Mas chega, né? Olha aí o Adriano se apresentando e apresentando uma de suas obras mais importantes. No final, eu tenho mais duas palavrinhas pra acrescentar:</p>
<p style="text-align: right;"><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Adriano" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Adriano?referer=');"><img class="alignright size-medium wp-image-334" title="25879331" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/07/25879331-300x200.jpg" alt="25879331" width="300" height="200" /></a>&#8220;A construção de um templo dedicado a Todos os Deuses, de um Panteon, se me impunha. Escolhera seu lugar sobre as ruínas dos antigos banhos públicos oferecidos ao povo romano por Agripa, o genro de Augusto. Nada restava do antigo edifício além de um pórtico e de uma placa de mármore com uma dedicatória ao povo de Roma. Essa placa foi cuidadosamente recolocada, exatamente como era, no frontão do novo templo. Pouco me importava que meu nome figurasse ou não num monumento que era a expressão do meu pensamento. Agradava-me, muito pelo contrário, que uma velha inscrição de mais de um século o associasse ao princípio do Império, ao reino pacificado de Augusto. Mesmo quando inovava, preferia sentir-me, antes de tudo, um continuador.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>O ato de dedicação do templo de Vênus e de Roma foi uma espécie de triunfo acompanhado por corridas de carros, espetáculos públicos, distribuição de especiarias e perfumes.(&#8230;) A data escolhida para a festa foi o dia do aniversário de Roma, o oitavo após os Idos de Abril do ano 882 depois da fundação da Cidade. A primavera romana nunca fora mais doce, mais violenta, nem mais azul. No mesmo dia, com uma solenidade mais grave e como que abafada, teve lugar uma cerimônia consagratória no interior do Panteon. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em><a href="http://www.bolsanobolso.com/showthread.php?t=24771" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.bolsanobolso.com/showthread.php?t=24771&amp;referer=');"><img class="alignright size-medium wp-image-338" title="4752641" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/07/4752641-200x300.jpg" alt="4752641" width="200" height="300" /></a>Eu próprio corrigira os planos demasiado tímidos do arquiteto Apolodoro. Utilizando as artes da Grécia como simples ornamentação, ou um luxo a mais, procurei voltar, pela própria estrutura do edifício, à época fabulosa e primitiva de Roma, ao mesmo tempo que reproduzia os templos redondos da Etrúria antiga. Quis que esse santuário de todos os deuses reproduzisse a forma do globo terrestre e da esfera estelar, do globo onde se encerram as origens do fogo eterno, da esfera oca que tudo contém. Era igualmente a forma das cabanas ancestrais, nas quais a fumaça dos mais antigos lumes humanos escapava por um orifício situado no topo. A cúpula construída de uma lava sólida e leve, que parecia participar ainda do movimento ascendente das chamas, comunicava com o céu por uma grande abertura alternadamente negra e azul, tal como a noite e o dia. Esse templo, ao mesmo tempo aberto e secreto, era concebido como um quadrante solar. As horas girariam naqueles caixotes cuidadosamente polidos por artífices gregos, e o disco do dia ficaria suspenso ali como um escudo de ouro. A chuva formaria uma poça de água pura no pavimento e as preces escapar-se-iam como fumaça em direção ao vazio onde costumamos colocar os deuses. Essa festa foi para mim uma dessas horas em que tudo converge.&#8221;</em></p>
<p>Acho que nem cabe falar muito mais, né? Mas eu quero lembrar que esse texto tenta dialogar com o da <a href="http://colunistas.ig.com.br/palavrasdafal/2009/06/19/um-coliseu-para-voce-e-para-mim/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/colunistas.ig.com.br/palavrasdafal/2009/06/19/um-coliseu-para-voce-e-para-mim/?referer=');">Fal</a>, em que ela fala do Coliseu como sendo seu monumento romano favorito. Nos comentários a essa crônica, eu disse que o meu era o Panteão, mas como eu não sei falar tão bem quanto ela, deixei o Adriano mesmo descrever tudo.</p>
<p>O outro aspecto que eu quero lembrar é o quanto a gente pode falar ou pensar, a partir desse pedacinho, sobre o papel da arquitetura na composição da paisagem urbana, da identidade da cidade. O que nos leva a pensar em preservação de patrimônio. Eu tenho uma birra infernal com o fato deste templo tão solene e belo ter sido continuamente profanado ao longo dos séculos, a começar pela própria Igreja Católica, que o transformou em igreja, destruindo as imagens dos deuses pagãos que ocupavam os nichos ao redor do salão e instalando ali um altar cristão, com crucifixo e tudo. Eu sei, outros tempos, outra concepção de tudo, hoje o Panteão está aberto à visitação pública como museu, como testemunho da obra de Adriano, mas mesmo assim.</p>
<p>Para os arquitetos e estudantes de arquitetura, atenção para o elegante e corretíssimo memorial justificativo da obra. É aquele documento em que o arquiteto apresenta seu projeto, justifica suas escolhas, descreve os elementos importantes, partido arquitetônico, estrutura, materiais, formas e funções. O cara faz isso ainda por cima com qualidade literária. Mestre.</p>
<p>Por fim, só levantando a bola e deixando pra vocês cortarem, que aula de marketing político, hein? Mais atual, impossível.</p>
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		<title>Ainda sobre educação, cidade e crianças</title>
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		<pubDate>Tue, 26 May 2009 21:54:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanidades]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Escrevendo o post abaixo, sobre o projeto de Educação Urbana desenvolvido pelo Prof. Pedro Lessa, eu me lembrei de uma experiência recente de viagem, que me impressionou muito.</p>
<p>Em março deste ano eu estive em Madri (acho que já comentei isso aqui) durante uma semana. A cidade é linda, e eu me apaixonei pelas ruas e monumentos, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Escrevendo o post abaixo, sobre o projeto de Educação Urbana desenvolvido pelo Prof. Pedro Lessa, eu me lembrei de uma experiência recente de viagem, que me impressionou muito.</p>
<p>Em março deste ano eu estive em Madri (acho que já comentei isso aqui) durante uma semana. A cidade é linda, e eu me apaixonei pelas ruas e monumentos, pelos prédios e jardins, pelas comidas e paisagens. Uma das coisas que mais amei foi a oportunidade de visitar, com calma, os museus da cidade, apaixonada que sou por História da Arte. Fui a dois deles, o Centro de Arte Reina Sofia, com um respeitável acervo de arte moderna, e o famoso Museu do Prado, com seus vários andares repletos de Boticcellis, Caravaggios, Rembrandts, El Grecos, e, obviamente, das obras dos mestres espanhóis Velázquez e Goya. Não há palavras para descrever a emoção de contemplar esses quadros de perto.</p>
<p><a href="http://vi.sualize.us/view/e8bf5994551cc2d49e09e42b48c0c5a0/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/vi.sualize.us/view/e8bf5994551cc2d49e09e42b48c0c5a0/?referer=');"><img class="alignleft size-medium wp-image-261" title="children-and-art2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/05/children-and-art2-300x300.jpg" alt="children-and-art2" width="300" height="300" /></a>Porém, o que me faz falar disso agora é que, nos dois museus, eu presenciei uma cena que me chamou a atenção. Excursões escolares, com criancinhas bem pequenas, passeando atentamente pelos salões e corredores. Várias. De escolas diferentes, com turminhas de idades diferentes, variando dos 4-5 aninhos até meninos e meninas de 8-9 anos. Uniformes, mãozinha no ombro do colega da frente, as &#8220;tias&#8221; orientando as filas. E sabe o que eu mais achei interessante e me fez pensar? Em nenhuma dessas excursões havia uma pessoa &#8220;explicando&#8221; as obras, falando do autor, do estilo, da época histórica. Nada disso. As crianças apenas passavam e iam olhando, como pequenas esponjinhas absorvendo imagens e cores, sem mediação racional. De vez em quando, alguma criança fazia uma observação qualquer, por livre associação, e jamais era criticada ou corrigida. A professora sorria e perguntava mais alguma coisa, que estimulasse uma elaboração maior, de acordo com a idade da criança. Não eram feitos juízos de valor, do tipo &#8220;bonito&#8221; ou &#8220;feio&#8221;, &#8220;certo&#8221; ou &#8220;errado&#8221;.</p>
<p>Eu achei fantástico, e passei um bom tempo pensando sobre o assunto. O que é que forma nosso repertório de referências visuais e estéticas? Tudo o que a gente vê, principalmente o que a gente vê repetidamente, nos molda. Se vemos sempre ou principalmente ruas feias, sujas, casas amontoadas e escuras, muros pichados, cenas de violência e miséria, é isso que tendemos a achar natural. Eu não sei o que as criancinhas espanholas vêem no seu dia a dia urbano, mas ali estava uma oportunidade de impregnar suas retinas e almas com algumas das melhores obras de arte  já produzidas pela humanidade, num ambiente igualmente belo e elegante.  E se a gente pensar bem, além das referências visuais, há ainda a chance de conviver por algumas horas com referências de comportamento, de convívio social, de valorização de patrimônio, que certamente contribuem para desenvolver o que chamamos de atitudes civilizadas.</p>
<p>Claro que só visitar museus não resolve, claro que formas variadas de expressão artística devem ser valorizadas, mas eu gostaria que existisse um programa que oferecesse às nossas crianças a chance de, desde bem cedo, e com bastante frequência, ter contato com a beleza, a arte, os espaços bonitos e nobres da cidade, independente de decorar nomes e datas, só pelo prazer da fruição mesmo. Isso também alimenta e ajuda a fazer pessoas melhores.</p>
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