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	<title>Urbanamente &#187; Canadá</title>
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		<title>Canadá 6 &#8211; Sistema viário e transporte público</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 23:45:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
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<p>No Canadá, especialmente em Montreal, não vi engarrafamentos, há poucos ônibus nas áreas centrais, que são servidas por metrô. Basicamente, se o sujeito mora um pouco mais longe do Centro, ele toma um ônibus até onde tenha metrô, e dali segue adiante. A cultura do carro e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pois como funcionam essas coisas no Canadá e na Itália?</p>
<p>No Canadá, especialmente em Montreal, não vi engarrafamentos, há poucos ônibus nas áreas centrais, que são servidas por metrô. Basicamente, se o sujeito mora um pouco mais longe do Centro, ele toma um ônibus até onde tenha metrô, e dali segue adiante. A cultura do carro e do transporte rodoviário existe mais do que na Europa, talvez por proximidade com os Estados Unidos. Mas os estacionamentos espalhados pela cidade funcionam na base da maquininha, os famosos parquímetros. Nada de guardador ou flanelinha. Há preços pré-estabelecidos para usar a vaga por determinado espaço de tempo de acordo com a área da cidade, o motorista vai lá na maquininha, coloca as moedas correspondentes, sai impresso o bilhetinho. Ponto. Se funciona? Ô. Posso fazer só um comentário malicioso? As vagas desenhadas nas ruas têm de 6 a 7 metros de comprimento! E como estacionam mal! Modéstia às favas, eu tinha vontade às vezes de ir lá abordar o motorista e perguntar se ele queria que eu pusesse o carro na vaga pra ele. Ou pelo menos ficar ali do lado dizendo &#8220;Vem mais, agora desfaz, desfaz, isso, mais pra direita, agora vira tudo&#8230;&#8221;</p>
<div id="attachment_681" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-681" title="estacionamento" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/estacionamento-300x169.jpg" alt="Isso é em Milão. Eu vi o mesmo esquema em Montreal. Em Buenos Aires também é muito usado. " width="300" height="169" /><p class="wp-caption-text">Isso é em Milão. Eu vi o mesmo esquema em Montreal. Em Buenos Aires também é muito usado. </p></div>
<p>Ah, sim, antes que eu esqueça, a caixa das ruas já prevê áreas para estacionar, ao longo da via, assim, os carros não ocupam as pistas onde deveria haver fluxo, estrangulando a circulação, nem tampouco há carros sobre as calçadas, nem sequer meia roda. A mesma coisa eu vi na Itália. Tá aí uma foto pra ilustrar.</p>
<p>Voltando ao Canadá, não vi guardas de trânsito. Aliás, não vi policiais, muito raramente. Em compensação, vi muita bicicleta, pra todo lado. As pessoas usam a bicicleta como meio de transporte e deslocamento entre casa-trabalho-escola, e não apenas lazer. Assim, não há tantas ciclovias em parques, mas, em toda a cidade, sabe-se que uma das faixas das pistas é para os ciclistas e as pessoas respeitam isso. Entendeu? O que existem são ciclofaixas, e não ciclovias (que seriam as pistas exclusivas, fisicamente separadas da pista dos carros, e que os ciclistas dividem com pedestres correndo, gente andando de patins, entre outros).</p>
<p>Essa coisa do uso da bicicleta está crescendo muito neste país tão comprometido, pelo menos mais recentemente, com um discurso de sustentabilidade, ecologia, etc. Eles têm inclusive esse esquema de oferecer uma frota inteira de bicicletas para aluguel, que funciona assim: são diversos pontos onde há um monte de biciletas estacionadas. Em Montreal, chamam-se Bixi (leia-se Bicsí, com biquinho francês, <em>s&#8217;il vous plaît</em>). O interessado vai lá, passa o seu cartão de crédito (yes, só com cartão de crédito, nada de dinheiro) e libera uma bixi. É caro pra burro, não sei como o negócio se sustenta. Custa 5 dólares canadenses (R$ 8,50) por meia hora de uso. Mas você pode deixar a bicicleta depois em qualquer outro ponto de bixis. Então, se estiver com pressa e longe do metrô, pega a bicileta aqui, pedala até o trabalho, deixa a bicicleta nas redondezas e pronto, tá resolvido. Apesar do preço, vi alguns turistas usando. Nossa percepção de caro ou barato é, como tudo na vida, muito relativa. O que me surpreende e encanta mais é mesmo a capacidade de organização, o senso de coisa pública, a responsabilidade e o cuidado com tudo. Não tem ninguém ali tomando conta, e eu não vi nada vandalizado. Isso eu invejo.</p>
<p>Falemos de transporte público coletivo. Não é tão bom quanto na Europa, onde as coisas são mais autoexplicativas (preços, como comprar, rotas, horários), mas assim que você se situa, funciona muito bem. Não cheguei a andar de ônibus nem em Montreal nem em Toronto, fora os deslocamentos interurbanos que eu já citei: Montreal-Quebec ida e volta, e Montreal-Toronto. Em Montreal, a rede de metrô é excelente, e cobre maior parte da cidade, com o serviço de ônibus complementando a rede, principalmente na periferia. O bilhete é caro para nossos padrões, mas se contar que o mesmo bilhete dá direito também a uma passagem de ônibus, fica quase a mesma coisa que nosso novo Bilhete Único (nosso aqui no RJ). Uma passagem unitária custa CAN$ 2,75 (R$ 4,70); Mas olha só que beleza, se você compra 6 passagens, custa CAN$ 12,75 (R$ 21,70), ou seja, você economiza CAN$ 3,75, o que dá uma passagem inteira e mais um dólar. Além disso, há cartões mensais, para quem usa todo dia, e aí sai ainda mais barato, mais barato que o preço de 30 bilhetes unitários aqui no Rio. Outra coisa, os bilhetes individuais não têm validade. Ou melhor, têm mas é de um ano inteirinho. Ou seja, sobraram uns dois bilhetes comigo, e se eu voltasse lá antes de setembro, ainda poderia usá-los. Ou poderia ter deixado com a minha amiga que mora lá, e ela poderia guardá-los na carteira para usar na hora que lhe fosse mais conveniente, sem risco de perder a passagem. Independente de o preço do bilhete aumentar nesse meio tempo. E em todas as estações há várias maquininhas self-service, além das cabines de venda pra quem preferir, então você pode comprar sua passagem sem fila, com dinheiro ou cartão de crédito. Que diferença.</p>
<div id="attachment_682" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-682" title="plan-metro-Montreal" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/plan-metro-Montreal.jpg" alt="Mapa do metrô em Montreal" width="600" height="718" /><p class="wp-caption-text">Mapa do metrô em Montreal</p></div>
<div id="attachment_684" class="wp-caption alignleft" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-684" title="Transp_publico" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/Transp_publico.jpg" alt="Acima, um ponto de bixis, m Montreal. Abaixo, bondes em Toronto" width="500" height="570" /><p class="wp-caption-text">Acima, um ponto de bixis, m Montreal. Abaixo, bondes em Toronto</p></div>
<p>Em Toronto, o bilhete individual de metrô tem o mesmo valor. E uma passagem só de metrô vale também para andar de ônibus ou bonde. Mas de segunda a  sexta-feira, um adulto pode pagar 9 dólares (pouco mais de 15 reais) e ganhar um passe (Day Pass) que vale para o dia todo, com viagens ilimitadas de metrô e bonde (sim, em Toronto há bondes por toda a cidade, e eles são coligados com o sistema de metrô). Pasme: nos fins de semana, esse mesmo passe, pelos mesmos 9 dólares, vale para um casal, ou até para uma família de 2 adultos e 4 crianças, igualmente com viagens ilimitadas de metrô e bonde. Ou seja, aos sábados e domingos, uma família inteira paga apenas 9 dólares (faça as contas, se fossem 4 bilhetes individuais sairia por CAN$ 2,75 x 4 = 11 dólares), ganha um bilhete e pode andar de metrô e bonde quantas vezes quiser, pra cima e pra baixo, sem pagar mais nada, só mostrando o bilhetinho pro controlador, na catraca especial para este tipo de bilhete. Isso estimula o turismo e incentiva as famílias a se deslocarem para visitar as atrações da cidade, por exemplo. Não sei se é subsidiado pelo Estado, se é parcialmente pago pelo preço alto dos bilhetes individuais nos outros dias da semana, se é bancado por alguma empresa privada em troca de algum outro benefício. Sei que o transporte é controlado pelo Estado, e que eu achei muito confortável andar pra cima e pra baixo.</p>
<div id="attachment_683" class="wp-caption aligncenter" style="width: 988px"><img class="size-full wp-image-683" title="toronto-map" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/toronto-map.jpg" alt="Metrô de Toronto" width="978" height="753" /><p class="wp-caption-text">Metrô de Toronto</p></div>
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		<title>Canadá 5 &#8211; Espaço público</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 18:51:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[espaço público]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Uma coisa que eu sempre observo nas cidades que eu visito são os espaços públicos: seu uso, suas tipologias, sua conservação. Muito da vida, do charme e do fascínio que uma cidade exerce se deve ao que acontece nos espaços públicos: se são bem cuidados, limpos, mas principalmente se as pessoas efetivamente os utilizam, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Uma coisa que eu sempre observo nas cidades que eu visito são os espaços públicos: seu uso, suas tipologias, sua conservação. Muito da vida, do charme e do fascínio que uma cidade exerce se deve ao que acontece nos espaços públicos: se são bem cuidados, limpos, mas principalmente se as pessoas efetivamente os utilizam, se há feiras, festas, eventos, arte, se é acolhedor e dinâmico ou arrogante e frio, como se dissesse “olha como eu sou chique, não é todo mundo que pode transitar aqui”. Muitas coisas contribuem para que o espaço público de uma cidade seja de um jeito ou de outro. Políticas públicas, questões culturais, padrões de urbanização e a relação da arquitetura com o entorno, ou seja, dos prédios com as ruas e praças que os cercam.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Eu tive excelente impressão do Canadá nesse sentido. As coisas acontecem nas ruas, há vitrines vistosas que tornam o passeio pelas calçadas mais bonito e atrativo; bares, cafés e restaurantes onde se pode parar para beber alguma coisa, fumar um cigarro, ler sossegado ou simplesmente observar o movimento. Há quiosques de frutas frescas e sucos feitos na hora, flores e souvenirs. Há exposições e espetáculos de música, há artistas de rua exibindo suas performances (quantidades de peruanos e bolivianos tocando nas praças), vendendo suas obras (eu cheguei a comprar duas gravuras muito bonitas, feitas a nanquim) e atraindo curiosos. E sobretudo há todo tipo de gente.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><img class="aligncenter size-full wp-image-564" title="espacopublico1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/espacopublico12.jpg" alt="espacopublico1" width="765" height="432" /></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><img class="alignleft size-medium wp-image-554" title="mendigo" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/mendigo-300x197.jpg" alt="mendigo" width="300" height="197" />Todo tipo mesmo. Eu me surpreendi um pouco com a grande quantidade de pedintes nas ruas, tanto em Montreal quanto em Toronto. Há uma expressiva população de rua, e até mesmo o famigerado fenômeno dos limpadores de parabrisa nos sinais de trânsito (será que fomos nós que exportamos esse know-how?). Minha amiga que mora lá me explicou que a maioria absoluta não é pobre, não é uma questão de miséria. São quase todos viciados em drogas ou álcool. Aí me dei conta que de fato, só vi homens adultos nessa situação (na verdade, vi uma única mulher, sentada na calçada). Não há crianças pedintes, não vi nenhuma criança pobre. E mesmo esses homens não são agressivos. Eles pedem, mas se você recusa ou passa direto eles resmungam alguma coisa e fica por isso mesmo.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">O Serviço Social é bastante efetivo, e fornece a essa população abrigo e alimentação (cheguei a ver uma distribuição de sopa numa praça, com uma longa fila de necessitados esperando sua vez de receber alimento), além de uma espécie de pensão ou auxílio financeiro mensal que garante que eles estejam assistidos. Eu pensei bastante sobre o assunto, e ouvi muitos argumentos, principalmente de gente que defende que esta atitude do governo “estimula a vagabundagem”, e que se eles tivessem que se virar sozinhos talvez tivesse menos pedinte na rua, já que trabalho não falta. Eu discordo. Esse é o velho discurso (neo)liberalista, que estimula o cada um por si e acredita que o sucesso ou o fracasso de todos e de qualquer um depende só de seus próprios esforços, ignorando as estruturas sociais que empurram pessoas para a margem e perversamente impedem que elas retornem ao jogo, ao mesmo tempo em que finge consternação e culpa os fracassados sociais pela sua própria situação. Eu simpatizo com uma sociedade que acredita que é dever coletivo cuidar de todos os seus membros, inclusive (e talvez principalmente) os rejeitados, os inadequados, os outsiders. Mas eu não vou me alongar nisso agora porque se eu enveredar por essa seara vou escrever três páginas sobre isso e ninguém vai ler. Isso dá outro post.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Voltando ao Canadá. Todo mundo partilha os espaços, adultos, crianças e&#8230; cachorros. Agora, parando pra pensar e rever as fotos, eu vi poucos idosos. Talvez até pela política de imigração, e por serem tanto Montreal quanto Toronto cidades com grandes universidades, o perfil etário destas populações seja mais de jovens. Em Quebec tinha mais idosos, principalmente em excursões turísticas. Vi uma coisa que achei particularmente divertida e interessante: casamentos. Não a cerimônia em si, mas o casal de noivos, vestidos a caráter, com suas damas de honra, fazendo as fotos do casamento. Vi um desses na praça, ou melhor, no calçadão da Jacques Cartier; vi outro em Toronto, sexta de tarde, na calçada em frente ao Royal Ontario Museum, e vi ainda um terceiro, também em Toronto, dentro do mercado público, entre barracas de legumes e frutos do mar. Estão aí as fotos pra não me deixar mentir. Muito legal.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><img class="aligncenter size-full wp-image-565" title="casamentos" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/casamentos1.jpg" alt="casamentos" width="770" height="190" /></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Com relação aos cachorros, eu devo dizer que ainda não tinha visto uma cidade que os acolhesse tão bem. Não vi um só cachorro de rua, abandonado, mas vi dezenas andando com seus donos, inclusive (os de menor porte) transitando sem problemas nos bondes, metrô e até em algumas lojas. Essa tolerância implica a existência e o cumprimento de códigos de conduta rígidos e claros. Por exemplo, eu não vi cocô de cachorro em nenhum lugar, os bichinhos estão sempre de coleira, independente da raça, e têm um comportamento exemplar. Em Toronto, eu vi uma praça com uma área cercada específica para os donos soltarem seus cachorros, e uma quadro de regras de uso afixado no portão, dizendo o que pode e o que não pode fazer e recomendando aos donos cuidados com higiene, sociabilidade de seus animais e manutenção dos equipamentos públicos. Enquanto eu pude observar, pareceu-me que as recomendações eram seguidas por todos.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<div id="attachment_566" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><img class="size-full wp-image-566" title="cachorros" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/cachorros1.jpg" alt="Au au au!" width="800" height="225" /><p class="wp-caption-text">Au au au!</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;">A relação do canadense com a luz e o sol é muito forte. Pudera, o inverno é rigoroso e longo, com pouca incidência de luz solar e dias mais curtos. Logo, eles aproveitam, e muito, todo o sol que podem, em praças, parques, jardins, ruas. Até a arquitetura expressa isso. As fachadas e as empenas (as paredes laterais dos edifícios, especialmente aquelas “cegas”, ou sem aberturas de portas e janelas) são quase sempre pintadas e muito coloridas.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<div id="attachment_569" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><img class="size-full wp-image-569" title="empenas" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/empenas2.jpg" alt="Fachadas e empenas coloridas. Na foto do alto à direita, tirada em Quebec, não se iluda: é tudo pintura!" width="800" height="455" /><p class="wp-caption-text">Fachadas e empenas coloridas. Na foto do alto à direita, tirada em Quebec, não se iluda: é tudo pintura!</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;"><img class="alignleft size-medium wp-image-558" title="cafe" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/cafe-300x168.jpg" alt="cafe" width="300" height="168" />Eu estive lá em setembro, finalzinho de verão, início de outono, temperaturas ainda bem agradáveis, em torno de 18 a 24 graus. Os cafés e terraços estavam cheios, com suas mesinhas na calçada, e era engraçado ver que a calçada onde batia o sol estava sempre cheia, e a que ficava na sombra, vazia. Estudos mostram que a falta muito prolongada de luz solar pode aumentar ou intensificar episódios de depressão e doença mental. Essa minha amiga disse que o índice de tentativas de suicídio aumenta muito no inverno, e o governo faz campanhas maciças, disponibilizando serviços de apoio e estimulando as pessoas a ligarem para esses serviços e se juntarem às atividades comunitárias quando perceberem os primeiros sintomas dos surtos depressivos. Deve ser difícil mesmo. Pra nós, que vivemos num país tropical e luminoso, é difícil até de imaginar essa situação triste.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><img class="alignright size-full wp-image-572" title="obras" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/obras1.jpg" alt="obras" width="169" height="300" />Pra terminar, não posso deixar de dizer que Montreal me chamou a atenção por ser uma cidade em obras. Pra todo lado há uma praça sendo reformada, uma infra-estrutura sendo modernizada, um prédio novo sendo construído (e ruas interditadas e tapumes por conta disso. Não sei se os canadenses reclamam tanto disso quanto a gente reclamaria aqui). Como turista isso não me incomodou em nada. Tem inclusive uma das obras em andamento sobre a qual eu quero falar, mas no próximo post, porque me serviu como contraponto ao que eu penso sobre a tal Cidade da Música, cujas obras foram retomadas essa semana, aqui no Rio.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><img class="alignleft size-medium wp-image-576" title="3D" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/3D-300x168.jpg" alt="3D" width="300" height="168" />Só mais dois comentários. Um é sobre fotografar o espaço público. Eu achei muito legal poder andar com minha máquina e fotografar tudo, inclusive dentro de shoppings, metrô e museus, sem ter o tempo todo um brutamontes de terno e walkie-talkie preso no cinto me dizendo que não pode, que é bem o que acontece aqui no Rio. Outro é sobre uma exposição específica que eu vi, e que eu amei, com fotos históricas da cidade. As fotos estavam dispostas em painéis numa rua, e os painéis de fotos eram intercalados com outros painéis com lentes verdes e vermelhas, que davam efeito de 3D às fotos. A gente devia olhar as fotos através desses painéis coloridos para ter o efeito, dá pra entender melhor com a foto aí do lado. Lúdico, divertido, instrutivo. O que a gente precisa para ter mais coisas assim por aqui?</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;">
<div id="attachment_573" class="wp-caption aligncenter" style="width: 815px"><img class="size-full wp-image-573" title="campus_praca" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/campus_praca.jpg" alt="À esq., uma praça no complexo Place des Arts; à dir. o campus da Universidade de Toronto, no centro da cidade, aberto à população." width="805" height="225" /><p class="wp-caption-text">À esq., uma praça no complexo Place des Arts; à dir. o campus da Universidade de Toronto, no centro da cidade, aberto à população.</p></div>
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		<title>Canadá 4 &#8211; Montreal, Quebec e Toronto</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/26/canada-4-montreal-quebec-e-toronto/</link>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 23:32:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Daqui a pouco eu viajo de novo pra outro lugar e não terminei de falar do Canadá ainda. Nem sei se vocês ainda têm interesse no assunto, mas eu tenho interesse em contar, hohoho!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Como eu já contei,  Montreal é uma cidade basicamente universitária, o que faz com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Daqui a pouco eu viajo de novo pra outro lugar e não terminei de falar do Canadá ainda. Nem sei se vocês ainda têm interesse no assunto, mas eu tenho interesse em contar, hohoho!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Como eu já <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/05/canada-1-primeiras-impressoes/" target="_blank">contei</a>,  <strong>Montreal</strong> é uma cidade basicamente universitária, o que faz com que haja muitos jovens de todas as tribos circulando. Talvez também por conta disso, é uma cidade bastante informal e relaxada, e nisso lembra muito o Rio de Janeiro. Toronto, por exemplo, é mais São Paulo: maior, mais dinheiro, maior quantidade de edifícios espetaculares, ritmo mais agitado.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Também acho que já falei que me encantei com a variedade étnica e cultural da cidade, onde se vêem todas as cores e se escutam e falam todas as línguas. Certamente a política de imigração mais permissiva do Canadá ajuda nisso. Em Toronto, peguei um taxi entre a rodoviária e o hotel, e vim conversando com o taxista, que descobri ser etíope. Ele contou que está lá há mais de 20 anos, não fiquei muito certa de que esteja legal, mas deve estar, porque disse que só voltou para visitar a família na Etiópia umas duas vezes nesse período, e se nessas duas vezes ele conseguiu reentrar no Canadá, é porque o visto deve estar regularizado. Mas enfim. Quando eu disse que era brasileira ele logo afirmou que se eu quisesse ficar lá, era muito fácil, e que brasileiros, ainda mais se tiverem curso superior, são admitidos e ganham cidadania facilmente. Não chequei a informação, só achei graça que um “gringo” estivesse me “oferecendo” uma oportunidade de imigração assim, na maior tranquilidade.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Talvez essa multiplicidade cultural toda também contribua para que o povo seja tão simpático e extrovertido, bem-humorado e prestativo. Gastei todo o meu parco francês em Montreal e Quebec, mas poderia ter falado só inglês se quisesse. Eles sabem onde fica o Brasil e que nós falamos português e não espanhol. Vários souberam até dizer alguma coisa como “obrigado” ou “tudo bem?”, com aquele sotaque forte e engraçado. Sabem inclusive que a nossa capital não é Buenos Aires, olha que bacana!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Fiz passeios lindos pela cidade. Ali próximo ao porto, recomendo a rua Jacques Cartier, uma rua de pedestres (na verdade, uma ladeira), larga, bonita, cheia de restaurantes simpáticos, quiosques de flores e sucos e jardins. Tem o Mont Royal, de onde se avista toda a cidade, e que a população local usa intensamente como o principal parque da cidade. Há um lago lá em cima, e em dias de sol as pessoas fazem piquenique em suas margens, as crianças jogam bola e todo mundo lagarteia na luz e no calor.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<div id="attachment_530" class="wp-caption aligncenter" style="width: 4510px"><img class="size-full wp-image-530" title="Montreal1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Montreal1.jpg" alt="A rua Jacques Cartier e o Parque do Mont Royal, com seu mirante e suas trilhas" width="4500" height="844" /><p class="wp-caption-text">A rua Jacques Cartier e o Parque do Mont Royal, com seu mirante e suas trilhas</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Mais para o norte da cidade, mas ainda bem próximo do Centro, a apenas seis estações de metrô, fica o Estádio Olímpico, construído para as Olimpíadas de 1976, sediadas em Montreal. Lindo, embora para os padrões de hoje, com Ninhos de Pássaro e outras modernidades tecnológicas, talvez seja considerado um pouco modesto. Bem ao lado há o belíssimo Jardim Botânico local, onde tivemos a sorte de pegar uma exposição de lanternas chinesas, coisa mais colorida e delicada do mundo. Pena que as fotos não fazem justiça ao espetáculo, porque a exposição é melhor apreciada à noite (quando as lanternas se acendem, claro), e na falta de um tripé, as imagens saem meio tremidas. Tem mais, mas eu falo depois, ao longo da conversa.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<div id="attachment_532" class="wp-caption aligncenter" style="width: 4504px"><img class="size-full wp-image-532" title="Montreal2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Montreal2.jpg" alt="O Estádio de 1976, o Jardim Botânico e o estádio de novo, visto do Jardim, ao pôr-do-sol" width="4494" height="836" /><p class="wp-caption-text">O Estádio de 1976, o Jardim Botânico e o estádio de novo, visto do Jardim, ao pôr-do-sol</p></div>
<div id="attachment_533" class="wp-caption aligncenter" style="width: 4510px"><img class="size-full wp-image-533" title="Montreal3" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Montreal3.jpg" alt="A Magia das Lanternas" width="4500" height="844" /><p class="wp-caption-text">A Magia das Lanternas</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;"><strong><img class="alignleft size-medium wp-image-536" title="Toronto" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Toronto2-300x168.jpg" alt="Toronto" width="300" height="168" />Toronto</strong>, capital da província de Ontario e maior cidade canadense, tem os arredores bem americanizados, com subúrbios, malls, aqueles mares de estacionamento em torno de Wall Marts, Best Buys e Home Depots. Mas são só os arredores. O centro da cidade é denso e vivo, não tem nada daqueles “centros cívicos” descritos pelo Doctorow, que nós vimos num post lá atrás. Lembra um pouco a Nova Inglaterra, se bem que eu não conheço a Nova Inglaterra, estou falando pelo que já me contaram, pelo que eu vi em fotos e filmes. Montreal me pareceu mais compacta, talvez até por ser uma ilha. Toronto é mais espalhada, montes de pequenas cidades satélites e bairros periféricos, alguns com verdadeiras mansões. Quando estávamos indo embora, a caminho do aeroporto (eu acabei não aceitando a sugestão de emigrar do taxista etíope, rsrsrs), o taxi passou por um bairro assim. Nem sei se era o caminho mesmo, mas adorei.</p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">E teve <strong>Quebec</strong>. Fica a pouco mais de 200 km de Montreal, cobertos em três horas de ônibus. Saí bem cedo, fui e voltei no mesmo dia. É uma cidade lindinha, antiga fortaleza militar, com uma qualidade quase que cenográfica, com suas muralhas e recintos e escavações arqueológicas dos períodos alternados de governo francês e inglês. Há turistas aos montes, pra todos os lados, sozinhos, em grupos e excursões barulhentas, e isso me incomoda um pouco. Os preços costumam ser maiores, tem todo um burburinho de gente apressada, que parece estar mais preocupada em fotografar e conferir mapas e atrações e voltar pro microônibus a tempo do que em realmente observar a cidade.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<div id="attachment_537" class="wp-caption aligncenter" style="width: 3485px"><img class="size-full wp-image-537" title="Quebec" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Quebec.jpg" alt="A estação rodoferroviária de Quebec, uma rua típica no Centro da cidade, as muralhas" width="3475" height="844" /><p class="wp-caption-text">A estação rodoferroviária de Quebec, uma rua típica no Centro da cidade, as muralhas</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Em todos os pontos turísticos há guias muito simpáticas e bem preparadas, dando explicações e contando a história do local. Na saída de um desses locais, um casal de americanos da Califórnia inquiriu a guia sobre algumas coisas que tinha visto e recebeu uma aula completa de história e geografia. Eu, que nem tinha feito a visita, mas estava sentada bem próxima, só fiquei na aba, aprendendo também. Entre outras coisas, ela disse a eles que em algum momento do século XVIII, antes da independência americana, Quebec não só também era colônia inglesa (e portanto, quando os americanos estudam as “treze” colônias, isso é uma visão bem incompleta), mas era a capital da colônia, o governador geral, representante da Coroa Britânica, ficava sediado em Quebec, de onde governava ttudo, inclusive a parte que hoje se chama Estados Unidos. Eles ficaram de queixo caído. No final, quando eles saíram, ela virou pra mim e perguntou se eu ainda tinha alguma dúvida (ela viu que eu estava escutando tudo), se eu sabia desses detalhes da história do “meu país” (pensando que eu também era americana), e eu ri e disse que não tinha nada a ver com isso, que eu era brasileira. Ela adorou!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Pena que choveu muito o dia todo. Na volta, na praça em frente à estação rodoviária, eu vi uma instalação que eu amei. Eram cadeiras de aço, chumbadas ao chão, dispostas geometricamente ao longo de uma das aléias da praça, e, no assento de cada uma dessas cadeiras, estava gravado um verso de uma poesia. Não é lindo?</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<div id="attachment_538" class="wp-caption aligncenter" style="width: 2643px"><img class="size-full wp-image-538" title="Quebec-poesia" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Quebec-poesia.jpg" alt="&quot;Nos olhos se ilumina uma cidade, que nós jamais nos demos o trabalho de visitar&quot;" width="2633" height="1125" /><p class="wp-caption-text">&quot;Nos olhos se ilumina uma cidade, que nós jamais nos demos o trabalho de visitar&quot;</p></div>
]]></content:encoded>
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		<title>Canadá 3 &#8211; vai precisar de sacola?</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/15/canada-3-vai-precisar-de-sacola/</link>
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		<pubDate>Thu, 15 Oct 2009 18:02:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Eu tinha pensado em escrever outra coisa hoje, mas precisei sair pra fazer umas coisas na rua, como passar no mercado pra trazer mussarela. Na hora de pagar, tirei minha sacolinha de pano de dentro da bolsa pra guardar a compra e a mocinha do caixa sorriu e falou: &#8220;Ah é, hoje é o dia mundial [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu tinha pensado em escrever outra coisa hoje, mas precisei sair pra fazer umas coisas na rua, como passar no mercado pra trazer mussarela. Na hora de pagar, tirei minha sacolinha de pano de dentro da bolsa pra guardar a compra e a mocinha do caixa sorriu e falou: &#8220;Ah é, hoje é o dia mundial sem sacola&#8221;. Eu juro que nem sabia, meu negócio é o hábito mesmo, que aliás ficou mais forte depois dessa viagem ao Canadá.</p>
<p>Uma das coisas que realmente me impressionou foi como eles levam essa coisa de ecologia a sério. Tem mil publicações, desde as educativas e divertidas, visando o público infantil, passando por revistas e textos de argumentação séria para jovens e adultos, até nichos que abordam a vertente da sustentabilidade em campos como arquitetura, design, culinária e tecnologia. Há também muitas exposições sobre o tema e até um museu inteiro dedicado ao meio ambiente. Além disso, o pouco que eu vi de televisão me fez perceber que há campanhas constantes de esclarecimento e educação, com o intuito de consolidar ou incentivar novos comportamentos condizentes com uma consciência mais realista da escassez de vários dos recursos que consumimos diariamente.</p>
<div id="attachment_507" class="wp-caption alignleft" style="width: 278px"><img class="size-medium wp-image-507" title="ecobag2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/ecobag2-268x300.jpg" alt="não foi exatamente essa que eu comprei, mas foi na mesma loja" width="268" height="300" /><p class="wp-caption-text">não foi exatamente essa que eu comprei, mas foi na mesma loja</p></div>
<p>Esse assunto da sacola de plástico então, eu achei bem bacana. Funciona assim. Você faz uma compra qualquer. Pode ser um monte de coisa num mercado, umas bobagens  na lojinha de souvenirs ou uma maçã no quiosque da praça. O atendente SEMPRE vai te perguntar, antes de embalar suas compras: &#8220;você vai precisar de sacola?&#8221;. Se você disser que sim, não tem problema, ele embala pra você e custa 5 centavos de dólar cada sacola plástica que você utilizar. A maioria das pessoas, já sabendo disso, porta sempre consigo uma bolsa de pano ou outro material, que usa exatamente para carregar essas coisas que a gente compra no dia-a-dia. Todo mundo já se acostumou. Eu me acostumei rapidinho. No segundo dia, na <a href="http://www.renaud-bray.com/accueil.aspx" target="_blank">livraria</a>, eu comprei, junto com os livros que queria, uma sacola lindona, por 3 dólares, que passou a me acompanhar o resto da viagem e aqui, de volta, também. Claro que já aproveitei a sacola nova pra carregar os próprios livros, e economizei meus centavos no caixa.</p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Imagina que num dia comum, você passe na papelaria na sua hora de almoço, para comprar canetas. Vê a farmácia ao lado e lembra que está precisando de absorvente (ou creme de barbear, que é pro exemplo contemplar meninas e meninos!), entra e compra. Na volta para casa, pára na banquinha de frutas e compra 2 abacaxis por 5 reais, porque está na promoção. Só aí são três sacolinhas plásticas, que você vai amontoar em algum lugar pra não dizer que botou no lixo. Talvez use como forro do cestinho de lixo da pia ou do banheiro, achando que está reciclando, e depois acaba jogando fora também.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Tenho visto propagandas incentivando a reutilização das sacolas plásticas, mas acho que só isso não resolve. A gente tem é que parar de usar mesmo (ou diminuir muito, pelo menos). E se o atendente das lojas começar por perguntar se você realmente precisa, em vez de mecanicamente colocar qualquer batonzinho dentro de um saco plástico, aos poucos você vai lembrando, criando o hábito, vai ficando atento. O próximo passo é cobrar, sim, por elas (ou melhor, passar a declarar a cobrança claramente e à parte, porque eu tenho certeza que elas já são cobradas, só que o valor fica embutido no preço do que você está comprando, e você nem se dá conta). Quando dói no bolso, a gente se mexe mais.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;"><img class="alignright size-medium wp-image-508" title="Aterro_Sanitario" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Aterro_Sanitario-300x225.jpg" alt="Aterro_Sanitario" width="300" height="225" />Além de entulhar a casa, as sacolas causam problemas muito graves ao meio ambiente. Mas nós não estamos acostumados a pensar no destino dos resíduos que produzimos. Aí a gente vê um <a href="http://seaplexscience.com/" target="_blank">vídeo</a> como <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/2009/10/03/pequenas_anotacoes_de_viagens_virtuais_4/" target="_blank">esse</a>, que a <a href="http://www.interney.net/blogs/malla/" target="_blank">Lúcia Malla</a> postou lá no blog maravilhoso dela, ou lê as notícias sobre enchentes nas chuvaradas de verão, e culpa o governo e as grandes indústrias. A gente jamais lembra que nosso saquinho plástico, que a gente jogou tão cuidadosamente na lixeira do prédio, também entope bueiros, é despejado nos rios e lagoas e chega ao mar, onde ainda por cima mata peixes e tartarugas que os engolem. Ou se acumula nos aterros sanitários, contribuindo pra aumentar aquela montanha de lixo fedorento com o qual você, naturalmente, não tem nada a ver.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Mudar isso é só uma questão de hábito, acredite.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">PS: Eu ia falar dos Jogos Olímpicos, mas vai ficar para amanhã. Se você tiver tempo, e não tiver lido ainda, dá uma espiada nessa entrevista <a href="http://oglobo.globo.com/rio/rio2016/mat/2009/10/05/rio-2016-urbanista-sugere-que-vilas-olimpica-de-imprensa-fiquem-na-zona-portuaria-767926373.asp" target="_blank">aqui</a>, é bem nesse rumo que eu também penso.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
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]]></content:encoded>
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		<title>Canadá 2 &#8211; Pequenas gentilezas urbanas</title>
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		<pubDate>Mon, 12 Oct 2009 20:20:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Sexta-feira eu fui ao supermercado e eu acabei lembrando de algumas coisas que anotei no meu caderninho durante a viagem.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Por exemplo, uma coisa que certamente me chamou a atenção foi a cortesia e gentileza que eu observei nas condutas sociais. Não como algo caricato e forçado, sorrisos e mesuras, mas como algo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Sexta-feira eu fui ao supermercado e eu acabei lembrando de algumas coisas que anotei no meu caderninho durante a viagem.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Por exemplo, uma coisa que certamente me chamou a atenção foi a cortesia e gentileza que eu observei nas condutas sociais. Não como algo caricato e forçado, sorrisos e mesuras, mas como algo tão natural e inerente às pessoas, que os comportamentos já saem no automático. As pessoas dizem “obrigado”, “desculpe” e “com licença” o tempo todo. Elas cedem passagem umas às outras para subir a escada rolante ou passar numa porta de acesso, se só cabe uma pessoa de cada vez. Se esbarram em você, pedem desculpas. Aliás, por falar em escada rolante, as pessoas se posicionam alinhadas à direita da escada, para deixar o lado esquerdo liberado para aqueles que estão com pressa e querem “subir” os degraus da escada. Mesmo quando estão em dupla ou em grupo, as pessoas se alinham, uma atrás da outra, ao invés de obstruir a passagem alheia ficando em bloco no meio da escada.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">E quando eu digo “as pessoas”, eu quero dizer TODAS as pessoas, jovens, crianças, adultos, não importa. Eu vi hordas de jovens de cabelos coloridos, roupas extravagantes e piercings, fazendo alarido e rindo, mas dizendo “com licença” para passar e “obrigado” para alguém que segurou a porta para eles na saída da estação do metrô.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><img class="alignleft size-medium wp-image-499" title="img_0914" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/img_09142-300x200.jpg" alt="img_0914" width="300" height="200" />Na rua, então, achei o máximo. Não há carros sobre as calçadas, nunca, jamais. Avenidas de grande movimento têm sinais nos cruzamentos e tanto pedestres quanto veículos respeitam essas regras. Nas ruas secundárias, onde não há sinais de trânsito ou faixas de pedestres, a convenção estabelecida e seguida estritamente, é que a precedência é sempre do pedestre. Assim, os carros se aproximam desses cruzamentos mais vagarosamente, e se um pedestre põe o pé na rua, eles param e aguardam. <strong>Vou repetir</strong>: <span style="text-decoration: underline;">não é o pedestre que fica esperando na esquina até que não venha carro para poder atravessar. É o carro que só passa se não houver pedestre para atravessar a rua</span>. Não é fantástico? Não é lógico? A máquina subordinada ao homem. A gentileza: a pessoa que está a pé, tantas vezes debaixo de chuva ou de sol escaldante, carregando peso, tem prioridade sobre a que está dentro do carro, protegida das intempéries e mais confortável.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Lembrei disso no mercado porque me dei conta de que estamos tão embrutecidos no nosso cotidiano que já não temos essas gentilezas com quase ninguém. Estou falando genericamente, como sociedade. Claro que alguns de nós ainda procuramos guardar essa delicadeza de olhar e agir, mas deixou de ser um padrão, mesmo para cariocas outrora famosos por sua simpatia e acolhimento. Sexta-feira no mercado, vi gente trombando carrinhos e seguindo adiante, gente passando à frente sem cerimônia para entrar num dos corredores entre as gôndolas, sem um sorriso ou um pedido de licença. Gente parando carrinhos de qualquer maneira, atrapalhando o “trânsito”, enquanto vai até o outro corredor buscar um produto que esqueceu, e achando ruim se outra pessoa reclama.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Mesma coisa no shopping, onde as pessoas se posicionam no meio da escada rolante, ainda abrem os braços e apóiam uma mão em cada lado, indiferentes ao movimento das outras pessoas. Dentro de carro, então&#8230; eu preciso escrever sobre como eu acho que as pessoas se transformam quando estão atrás do volante. E sim, eu também dirijo. Algumas das coisas que eu penso eu já observei em mim mesma, e tenho tentado prestar mais atenção desde que comecei a refletir sobre o assunto.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Tem alguma coisa sobre a cidade que eu acho que se encaixa nisso. Sobre a forma como vivemos em conjunto, nosso grau de individualismo <em>versus</em> a nossa capacidade de olhar e enxergar o outro como igualmente parte da mesma coletividade. Ainda não consegui verbalizar bem todos os nós embricados nessa questão, estou aceitando opiniões, sugestões, me ajudem a pensar.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Comecei pensando que é mais fácil ser cortês e educado quando suas necessidades materiais mais imediatas estão satisfeitas. Mas não creio que seja uma questão econômica. Se fosse assim, as pessoas mais ricas seriam as mais gentis, e infelizmente o que vemos está longe disso. Há centenas de crianças e adolescentes mimados (e adultos também) por aí, se achando donos do mundo e olhando com desprezo para o resto da humanidade como se os outros fossem seus serviçais. Ainda assim, penso que de alguma forma a fome e a miséria crônicas embrutecem os sentidos e os abismos sociais agudos tornam a sociedade doente e esquizofrênica como um todo.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Talvez seja uma questão de educação. Mas também não apenas de educação formal, acadêmica, é bem mais profundo, é algo que tem que fazer parte, estruturalmente, de todos os segmentos da sociedade, família, escola, relações de trabalho. Entretanto, creio que isso é dificílimo de atingir numa sociedade que estimula seus cidadãos a olharem cada vez mais só para si mesmos, a acreditarem que podem tudo e que tudo o que conseguem é apenas por seus próprios méritos, a salvarem suas peles primeiro e os outros que salvem as suas, se puderem.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Sem um forte sentido de coletividade, de nos sentirmos parte de um conjunto, e de nos importarmos uns com os outros, acho que essas pequenas gentilezas urbanas tendem a desaparecer mesmo.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Canadá 1 &#8211; Primeiras impressões</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 23:31:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Vamos começar logo com isso, porque já tá ficando chato, eu só anuncio e nada de comparecer. Daqui a pouco vai ter gente achando que essa viagem foi imaginação minha.</p>
<p>Primeiro, as circunstâncias da viagem. Meu marido trabalha com treinamento em telecomunicações, basicamente atendendo companhias de telefonia celular. Por conta disso, viaja um bocado, quase sempre pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos começar logo com isso, porque já tá ficando chato, eu só anuncio e nada de comparecer. Daqui a pouco vai ter gente achando que essa viagem foi imaginação minha.</p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } -->Primeiro, as circunstâncias da viagem. Meu marido trabalha com treinamento em telecomunicações, basicamente atendendo companhias de telefonia celular. Por conta disso, viaja um bocado, quase sempre pela América Latina, e de vez em quando vai a alguma cidade mais distante um pouco, em algum outro continente. Posso garantir a vocês que, passado o deslumbramento dos primeiros anos, é um trabalho duro, cansativo, que impõe muitas horas de aeroporto e de vôo, muitas datas familiares comemoradas por telefone, de um quarto de hotel (e viva o skype). Mas tem também a vantagem de permitir a ele acumular milhas nos programas de fidelidade das companhias aéreas, e de vez em quando eu aproveito alguma chance para ir junto, principalmente quando é um lugar que me interessa conhecer e a minha própria agenda de trabalho permite. Foi exatamente esse o caso dessa vez. Quando eu vi que ele iria a Montreal, no Canadá, eu rapidamente me organizei pra ir também, porque uma oportunidade dessas não aparece toda hora.</p>
<p>Ainda por cima, eu <span style="color: #000000;">tenho uma amiga querida, a Gabriela, que mora em Montreal há algum tempo, e que foi uma fonte importante de conversas, informações e troca de impressões, além de uma companhia deliciosa tanto pra um almoço num restaurante português numa ruazinha charmosíssima, quanto para passeios de interesse arquitetônico-urbanístico ou compras nas lojas mais descoladas que eu não teria como descobrir sozinha. </span></p>
<p>Já que eu já tinha ido tão longe mesmo, aproveitei pra ir numa excursão de um dia a Quebec, que fica pertinho, e fui, junto com o marido, a Toronto no fim de semana seguinte ao curso que ele deu. Toronto já é mais longe um pouquinho, uns 500 km de Montreal, mas valeu cada instante da visita. Olha aí uma mapinha pra dar ideia:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-479" title="Mapas" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Mapas.jpg" alt="Mapas" width="1350" height="436" /></p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">No mapa da esquerda vocês podem ver a região nordeste dos Estados Unidos e o sudeste do Canadá (a bolinha vermelha mais de baixo marca a posição de Nova York, só pra dar referência). Aliás, meu vôo, pela Continental Airlines, foi Rio-Houston-Newark-Montreal. Em cada escala dessas, uma troca de avião. No trecho final, o teco-teco (mentira, mas era o menor aviãozinho em que eu já voei, fileiras de duas poltronas de um lado e uma poltrona só do outro lado, um único e estreito corredor central, evidentemente uma única comissária de bordo, que mal conseguia se mover), mas eu dizia, no último trecho, ao decolar, o avião sobrevoa a ilha de Manhattan, e eu tirei montes de fotinhas pela janelinha do avião: Empire State, Estátua da Liberdade, Central Park. Foi o mais próximo que eu já cheguei de Nova York até hoje. Mas tou me aproximando, hehehe. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">Voltando ao nosso mapa. Logo acima da fronteira com o Canadá, vocês podem ver três outras bolinhas. A do meio assinala a posição de Montreal, a mais de cima é Quebec, e a sudoeste de Montreal está Toronto, bem na beira do Lago Ontario. No mapa seguinte, dei um “zoom” só em Montreal. A cidade ocupa uma grande ilha (que eu tentei contornar de vermelho, mas não sei se a linha ficou muito fina) no Rio São Lourenço. O quadrado em destaque mostra a região central, que está ampliada no último mapa, à direita. Nós ficamos num hotelzinho simples, mas muito bem localizado, em frente a um dos prédios da UQÀM (Université de Quebec à Montreal), no coração do que eles chamam de Quartier Latin, próximo de tudo. Tá lá marcado no mapa também. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="attachment_482" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><span><img class="size-full wp-image-482" title="Montreal_chegada" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Montreal_chegada1.jpg" alt="Em cima à esquerda, Nova York vista da janela do avião; à direita os campos cultivados nos arredores de Montreal. Embaixo, à esquerda, vista geral de Montreal a partir do topo do Mont Royal, ponto turístico importante na cidade. Por fim, aspecto de uma rua típica, nas proximidades do meu hotel." width="800" height="535" /></span><p class="wp-caption-text">Em cima à esquerda, Nova York vista da janela do avião; à direita os campos cultivados nos arredores de Montreal. Embaixo, à esquerda, vista geral de Montreal a partir do topo do Mont Royal, ponto turístico importante na cidade. Por fim, aspecto de uma rua típica, nas proximidades do meu hotel.</p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">Só pra vocês terem uma ideia dos deslocamentos, e já levantando uma lebre a ser explorada em textos vindouros, a distância de Montreal a Quebec é de 233 km e de Montreal a Toronto é de 540 km, cobertos em 6 horas de viagem. Por comparação, temos que Rio-São Paulo são 440 km. Pois bem, infelizmente o transporte no Canadá é bastante baseado no modelo rodoviário. Não é que não haja trens entre essas cidades, mas é muito mais caro, muito mesmo. Então, a alternativa é o ônibus (considerando que avião também estava fora das minhas possibilidades). A moeda local é o dólar canadense, que vale, hoje, cerca de R$1,65. Assim, vamos fazer contas: eu consigo comprar uma passagem em ônibus leito, RJ-SP, por um valor entre R$80 e R$100, perfazendo R$ 0,22 por quilômetro rodado, na pior hipótese. Paguei CAD$ 90 (= R$148,50) na passagem Montreal-Toronto, num ônibus equivalente ao nosso comum (eles não têm o nosso conceito de ônibus leito). Conforto bem escasso, não fosse o fato de que peguei um horário cedo, tava vazio e eu viajei quase esticada, ocupando as duas poltronas. Mas a relação é de R$ 0,28 por quilômetro rodado, um bocado mais caro que o que eu pago aqui. Pelo menos as estradas são maravilhosas, o ônibus parece que flutua. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">Ainda nas informações preliminares, vamos saber um bocadinho mais sobre o Canadá. Eu não sei vocês, mas quando eu viajo pra um lugar que eu não conheço, eu adoro fazer dever de casa antes, pesquisar, chegar lá tendo alguma ideia de onde eu estou. </span></p>
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<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="attachment_483" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><span><img class="size-full wp-image-483" title="GOVERNOR-GENERAL" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/mi_jean_1.jpg" alt="Michaëlle Jean" width="240" height="321" /></span><p class="wp-caption-text">Michaëlle Jean</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;">Pelo que diz o Atlas da National Geographic, com dados de 2006, o Canadá tem quase 10 milhões de km<span style="font-family: Times New Roman,serif;">²</span>, sendo o segundo maior país do mundo em área (o primeiro é a Rússia). Dizem as más línguas que isso só vale se medir no inverno, porque no verão derrete o gelo e o Brasil fica maior. É um Estado federal, cuja capital é Ottawa, com Senado e Câmara dos Comuns e – eu não sabia – reconhece o Soberano do Reino Unido como Chefe de Estado. Faz parte até da Comunidade Britânica das Nações, e tem a cara, ops, a efígie da rainha Elizabeth II em suas moedas. Em território canadense, a rainha é representada por um governador-geral. Atualmente, a governadora-geral do Canadá é Michaëlle Jean, uma jornalista nascida no Haiti, primeira negra a ocupar esse cargo. O Chefe de Governo (quem manda mesmo), entretanto, é o primeiro-ministro, que hoje é Stephen Harper.</p>
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<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">A população total deste enorme país é de 32 milhões de habitantes, com uma baixíssima densidade de 3,27 hab/km<span style="font-family: Times New Roman,serif;">²</span>.  Montreal, que fica na província de Québec (cuja capital é a cidade de Québec), concentra, em sua área metropolitana, mais de 3 milhões e meio de habitantes. É o segundo maior núcleo urbano do país. O primeiro é Toronto, capital da província de Ontario, quinta maior cidade da América do Norte, com 5 milhões e 100 mil habitantes em sua área metropolitana, sendo quase 2 milhões e meio só na cidade. Toronto só perde para a Cidade do México (8.600.000 hab na cidade e 18.300.000 na área metropolitana), Nova York (8.000.000 na cidade, 21.500.000 na área metropolitana), Los Angeles (3.700.000 na cidade, 17.000.000 na área metropolitana) e Chicago (2.900.000 na cidade, 9.500.000 na área metropolitana). Números arredondados.</span></p>
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<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">O país adota tanto o inglês quanto o francês como línguas oficiais, em função de especificidades de seu período colonial, mezzo-francês, mezzo-britânico. Em Montreal, por exemplo (em toda a província de Quebec), o imediato é falar francês. Todos os letreiros são em francês e a abordagem inicial será sempre francófona. Até a arquitetura é mais afrancesada, com muitas construções remanescentes do final do século XVIII e de todo o século XIX. Mas é uma cidade bem bilíngue, e todo mundo fala inglês também, facilitando bastante a comunicação (pra mim, hohoho. Se bem que eu fiz algum uso do meu ano de Aliança Francesa, e dei meus passinhos no merci, bon jour e s&#8217;il vous plaît). Toronto já é uma cidade mais americanizada, sob vários aspectos, e a língua básica é o inglês mesmo. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="attachment_485" class="wp-caption aligncenter" style="width: 877px"><img class="size-full wp-image-485" title="Toronto1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Toronto1.jpg" alt="Uma das coisas mais legais de Toronto é a convivência do antigo com o moderno, quase sempre surpreendentemente bem resolvida. " width="867" height="400" /><p class="wp-caption-text">Uma das coisas mais legais de Toronto é a convivência do antigo com o moderno, quase sempre surpreendentemente bem resolvida.  </p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">De maneira geral, minha primeira e boa impressão de ambas as cidades é de uma imensa diversidade étnica e social. Como cidades (mais até Montreal do que Toronto) que abrigam importantes universidades, há uma enorme quantidade de jovens de todas as origens e tribos transitando, o que dá um ar alegre e dinâmico à cidade. A gente anda pelas ruas e vê todas as cores, roupas, escuta inúmeras línguas. São negros (muitos imigrantes e descendentes de imigrantes de ex-colônias francesas), asiáticos (aos montes), latinos, muçulmanos, indianos, americanos e até canadenses! O pessoal é extremamente gentil, solícito, tem, na média, bom nível intelectual e interesse genuíno nas realidades externas ao país. São acolhedores e bem-humorados, de um humor que lembra muito o nosso, e eu senti que um esporte nacional, não muito velado, é sacanear os americanos. Dei boas risadas várias vezes, com estampas de camisetas e títulos de publicações. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">Como eu já disse, enchi muitas páginas da minha caderneta de anotações, e tirei centenas de fotos. Ainda não sei bem como vou organizar esse material. Não sei se por ordem cronológica (no primeiro dia fiz isso, depois aquilo&#8230;), ou se por temas. Observei aspectos que às vezes foram se repetindo, com relação a transporte público, comidas, soluções de arquitetura, preocupações com ecologia e meio-ambiente, turismo, saúde e assistência social, e um monte de outros. Vou ver. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="attachment_486" class="wp-caption aligncenter" style="width: 1210px"><span><img class="size-full wp-image-486" title="bichinhos" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/bichinhos.jpg" alt="Não dá pra não se encantar. Uma marmota, um passarinho diferente e um esquilo. Eu queria trazer meia dúzia de cada na bagagem..." width="1200" height="267" /></span><p class="wp-caption-text">Não dá pra não se encantar. Uma marmota, um passarinho diferente e um esquilo. Eu queria trazer meia dúzia de cada na bagagem...</p></div>
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