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	<title>Urbanamente &#187; Outros</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>Antes tarde&#8230;</title>
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		<pubDate>Sat, 05 Feb 2011 00:55:01 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[abobrinhas]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Assim. (Odeio frase que começa com “assim”. Pior, só se começar com “então”. Mas vamos lá, que como quebra-gelo é bem bom).</p>
<p>Como eu ia dizendo, oi. Tudo bem? Você vem sempre aqui? (Tá, melhor pular esse pedaço).</p>
<p>Vou poupá-los das desculpas pelo sumiço, as reclamações pelo cansaço de fim de ano, bla bla bla. Eu tirei férias, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Assim. (Odeio frase que começa com “assim”. Pior, só se começar com “então”. Mas vamos lá, que como quebra-gelo é bem bom).</p>
<p>Como eu ia dizendo, oi. Tudo bem? Você vem sempre aqui? (Tá, melhor pular esse pedaço).</p>
<p>Vou poupá-los das desculpas pelo sumiço, as reclamações pelo cansaço de fim de ano, bla bla bla. Eu tirei férias, é isso. Merecidas e necessitadas. Na verdade, continuo de férias. Não que eu não tenha o que fazer, mas atividades profissionais com hora e prazo marcado só em março. Nesse meio tempo, escrevi uma dezena de posts mentalmente e tive preguiça ou faltou oportunidade de colocar no papel/computador. Aliás, eu me dei conta recentemente de uma coisa. Eu escrevo melhor à mão. Acontece isso com você? O pensamento é rápido demais, e, por incrível que pareça, à mão eu acompanho melhor do que no teclado. E olha que eu digito rápido.</p>
<p>O que mais acontece é eu estar lavando louça, ou parada no engarrafamento, ou naqueles minutos antes de adormecer, e começar a pensar como se estivesse escrevendo. Saem coisas legais que eu jamais dou conta de reproduzir depois. Esta retomada mesmo já foi ensaiada váááárias vezes, desde dezembro, mas na hora que eu poderia escrever de verdade, cadê que eu lembrava aquilo tudo que eu tinha pensado? Aí o que me vinha à cabeça e aos dedos me parecia tão sem graça que eu deixava pra lá. Pras horas de engarrafamento eu já aprendi que existe o gravador de voz do celular! Alguns trechos do projeto que eu apresentei na seleção do doutorado, por exemplo, acabaram vindo de pensamentos fisgados em momentos assim. Em viagens e determinados passeios eu adotei a sempre recomendada e eficiente tática de andar sempre com uma cadernetinha e caneta na bolsa, e fazer anotações a cada vez que dou uma parada: enquanto tomo um café, ou contemplo uma paisagem. Às vezes entro em algum lugar tranquilo, uma igreja, por exemplo, só pra sentar e escrever o que me passa na cabeça. Para quem gosta, eu acho ainda melhor que a cadernetinha seja sem pauta, porque a gente aproveita para rabiscar desenhos toscos, que depois a gente não mostra pra ninguém, mas que são relaxantes e ótimos exercícios. Infelizmente, na maior parte das vezes em que eu começo a devanear, não há nenhum desses recursos à mão.</p>
<p>Devanear é uma palavra ótima. Eu vim aqui pensando escrever uma coisa e já enveredei por outro caminho completamente diferente. Voltemos, pois.</p>
<p>Tenho novidades para contar (não sei se ainda é novidade pra muita gente, mas vou contar &#8211; de novo &#8211; assim mesmo) e uns assuntos e links para partilhar.</p>
<p>1 &#8211; A novidade que já não é novidade, mas que está me deixando particularmente feliz neste início de ano é que eu fui aprovada na seleção do doutorado, no PROURB/UFRJ (Programa de Pós-Graduação em Urbanismo), onde serei orientada pela Prof. Dra. Rachel Coutinho Marques da Silva, que já me acompanhou no mestrado e com quem eu gosto muito de trabalhar. O título do projeto apresentado é <em>Histórias, riscos e possibilidades nos subúrbios da Leopoldina</em>. Pretendo, aos poucos, contar um pouco pra vocês do que se trata, em que projeto de pesquisa se insere, e ouvir opiniões e sugestões. Meus próximos 4 anos, portanto, estão comprometidos com a produção desta pesquisa. Eu sei que vou reclamar muito, vou ficar exausta, vou me perguntar onde estava com a cabeça quando me meti nessa furada, vou ler e escrever mais vezes por obrigação do que por prazer, mas vou saber o tempo todo que é exatamente isso que eu queria, pelo que eu trabalhei tanto, e cujos frutos me trazem tanto prazer.</p>
<p>2 &#8211; Em função desta nova atividade, que vai me acrescentar bastante trabalho e tomar um bocado de tempo, eu precisei abrir mão da função de professora na Universidade Veiga de Almeida. A diretora me ofereceu a possibilidade de tirar licença sem vencimentos por um ano, enquanto eu termino meu contrato de professora substituta na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, e eu aceitei. Em 2011, portanto, concentro minhas atividades na Ilha do Fundão, o que me poupa, pelo menos, um bocado de deslocamentos. Sentirei falta dos alunos, a quem eu sempre me apego tanto, e dos colegas de trabalho, com quem eu sempre tive um ótimo relacionamento, mas a internet está aí pra isso mesmo, facilitar a aproximação, minimizar as distâncias, possibilitar os contatos.</p>
<p>3 &#8211; Há muita coisa que eu gostaria ainda de falar sobre as enchentes de janeiro deste ano, que maltrataram tanto a Região Serrana do Rio de Janeiro e seus moradores. Poucos dias depois das chuvas mais fortes, fui convidada pela <a href="http://www.tvbrasil.org.br/" target="_blank">TV Brasil </a>para um sobrevôo pelas áreas atingidas, para conversar um pouco sobre os efeitos destes fenômenos naturais sobre a cidade e o que pode ser feito para evitar estas tragédias anunciadíssimas, em vez de ficar cinicamente com cara de quem foi pego de surpresa (de novo?), ou jogar a culpa sobre a &#8220;natureza&#8221; e sua fúria inclemente. A entrevista foi ao ar em quatro blocos, na edição do dia 14 de janeiro, durante o telejornal <a href="http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/" target="_blank">Repórter Brasil</a>, e pode ser vista na internet, aqui:</p>
<h4><span><span style="font-size: x-medium;"><a rel="nofollow" href="http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/12615/" target="_blank">http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/12615/</a></span></span></h4>
<h4><span><span style="font-size: x-medium;"><a rel="nofollow" href="http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/12616/" target="_blank">http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/12616/</a></span></span></h4>
<h4><span><span style="font-size: x-medium;"><a rel="nofollow" href="http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/12617/" target="_blank">http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/12617/</a></span></span></h4>
<h6><span><span style="font-size: x-medium;"> </span></span></h6>
<h4><span><span style="font-size: x-medium;"><a rel="nofollow" href="http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/12618/" target="_blank">http://tvbrasil.ebc.com.br/reporterbrasil/video/12618/</a><br />
</span></span></h4>
<p>4 &#8211; Depois disso, as queridíssimas Esther Lúcio Bittencourt e Ana Laura Diniz, competentes jornalistas e delicadas amigas, de Caxambu-MG, que dirigem o jornal <a href="http://www.primeirafonte.blogspot.com/" target="_blank">Primeira Fonte</a>, também tiveram a generosidade de publicar um bate-papo comigo numa coluna chamada <a href="http://primeirafonte.blogspot.com/2011/01/correspondencia-urbana.html" target="_blank">Correspondência Urbana</a>. Entre outras coisas, esse tema das enchentes e da relação das cidades com o ambiente natural também foi abordado. Eu adorei participar, embora tenha deixado um monte de fios soltos, e pretendo voltar a trocar cartas e impressões com elas. No mesmo jornal há outros escritos deliciosos, como a descrição que Vera Guimarães faz da <a href="http://primeirafonte.blogspot.com/2011/01/rua-da-bahia.html" target="_blank">Belo Horizonte</a> de sua mocidade universitária, ou as dicas da Menina Eva sobre <a href="http://primeirafonte.blogspot.com/2011/01/pindorama-10-0-0-s-55-0-0-w.html" target="_blank">Manaus</a>. Passeiem por lá.</p>
<p>5 &#8211; Como não podia deixar de ser, estando de férias, tenho lido um bocado (embora menos do que gostaria, eu sou uma leitora lenta, essa que é a verdade) e tenho ido ao cinema de vez em quando. A entrega do Oscar vem aí, dia 27 de fevereiro, e eu estou aqui lembrando dos meus comentários no ano passado. Ontem fui ver <a href="http://www.imdb.com/title/tt0824758/" target="_blank">A última estação</a> (The last station), que retrata as últimas semanas de vida de Leon Tolstói, e adorei, achei um filme de enorme sensibilidade, que me tocou profundamente. Há um post pronto, já escrito sobre o assunto, a ser publicado em breve (a cadernetinha estava comigo na bolsa e eu rabisquei umas linhas lá mesmo, de luz apagada, enquanto me emocionava com as interpretações magistrais de Christopher Plummer e Helen Mirren). Com relação a livros, também há um post pronto sobre o que estou terminando de ler. Na verdade, foi um e-mail trocado com amigos que eu vou aproveitar descaradamente. O livro se chama <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=2347713&amp;sParc=google&amp;gclid=CJj95Mrl76YCFUnt7QodAwwKFw" target="_blank"><em>Uma história de Deus</em></a>, de uma das minhas autoras preferidas sobre o assunto, Karen Armstrong.</p>
<p>6 &#8211; Por fim, viagens. Ano retrasado eu fui a Montreal, o que rendeu algumas ótimas conversas <a href="http://www.urbanamente.net/blog/cat/canada/" target="_blank">aqui</a>. Ano passado, estive em <a href="http://www.urbanamente.net/blog/cat/italia/" target="_blank">Milão</a>. Este ano, especificamente semana passada, fui a uma cidade diferente. Cosmopolita, rica, enorme, com um centro histórico belíssimo, ainda que um pouco decadente. Uma cidade fascinante, com um monte de problemas e um monte de possibilidades, em que eu já tinha estado mais de uma vez, mas na qual eu nunca tinha reparado tanto, que eu nunca tinha visitado de coração tão aberto, e pela qual me apaixonei. Fui a São Paulo. Aguardem relatos (sim, a cadernetinha, de novo).</p>
<p>Está aberta, oficialmente, a temporada 2011 deste boteco.</p>
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		<title>Novo tempo</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/20/novo-tempo/</link>
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		<pubDate>Thu, 21 Oct 2010 02:09:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[desejos]]></category>
		<category><![CDATA[música]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[
No novo tempo, apesar dos castigos
Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer
No novo tempo, apesar dos perigos
Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver</p>
<p>Pra que nossa esperança seja mais que a vingança
Seja sempre um caminho que se deixa de herança</p>
<p>No [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div>
<div>No novo tempo, apesar dos castigos<br />
<strong>Estamos crescidos, estamos atentos, estamos mais vivos</strong><br />
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer<br />
No novo tempo, apesar dos perigos<br />
<strong>Da força mais bruta, da noite que assusta, estamos na luta</strong><br />
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver</p>
<p><strong>Pra que nossa esperança seja mais que a vingança<br />
Seja sempre um caminho que se deixa de herança</strong></p>
<p>No novo tempo, apesar dos castigos<br />
<strong>De toda fadiga, de toda injustiça, estamos na briga</strong><br />
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer<br />
No novo tempo, apesar dos perigos<br />
<strong>De todos os pecados, de todos enganos, estamos marcados</strong><br />
<strong>Pra sobreviver,</strong> pra sobreviver, pra sobreviver</p>
<p>Pra que nossa esperança seja mais que a vingança<br />
Seja sempre um caminho que se deixa de herança</p></div>
<div></div>
</div>
<div>No novo tempo, apesar dos castigos<br />
<strong>Estamos em cena, estamos nas ruas, quebrando as algemas</strong><br />
Pra nos socorrer, pra nos socorrer, pra nos socorrer<br />
No novo tempo, apesar dos perigos<br />
<strong>A gente se encontra cantando na praça, fazendo pirraça</strong><br />
Pra sobreviver, pra sobreviver, pra sobreviver</p>
<p>Pra que nossa esperança seja mais que a vingança<br />
Seja sempre um caminho que se deixa de herança</p></div>
<div></div>
<div><em>(Os grifos são meus. São minha mensagem no dia de hoje. Música: Novo Tempo, de Ivan Lins e Vitor Martins. <a href="http://www.youtube.com/watch?v=qXm1WKCPtA4" target="_blank">Pra você ouvir e cantar comigo</a>) </em></div>
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		<title>O Brasil que eu desejo</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/17/o-brasil-que-eu-desejo/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/17/o-brasil-que-eu-desejo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 17 Oct 2010 16:14:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Eu prometi voltar para dizer dos meus sonhos e desejos em relação ao país. Então vamos lá, com algumas coisas bem básicas. Eu defendo um país:</p>

com menos desigualdades sociais (e eu sei que redistribuir renda significa que alguns setores da sociedade vão precisar abrir mão de parte da sua fatia para que mais gente possa ter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu prometi voltar para dizer dos meus sonhos e desejos em relação ao país. Então vamos lá, com algumas coisas bem básicas. Eu defendo um país:</p>
<ul>
<li>com menos desigualdades sociais (e eu sei que redistribuir renda significa que alguns setores da sociedade vão precisar abrir mão de parte da sua fatia para que mais gente possa ter acesso a essa renda)</li>
<li>com mais oportunidades para<strong> todos</strong>, em termos de acesso a estudos, saúde, serviços públicos. Isso quer dizer que deveria haver ensino fundamental, médio, técnico-profissionalizante E superior disponível, e que cada um possa escolher livremente o que julga melhor para si, com a certeza de que poderá realizar sua escolha. E não que o andar de cima decida previamente quem tem direito de fazer faculdade e quem está destinado a ser torneiro mecânico.</li>
<li>que consolide as conquistas inegáveis que tivemos até aqui e que seja capaz de avançar, aprofundar, ajustar e mudar o que é necessário, com base em diálogo, ouvindo as demandas dos diversos setores da sociedade e movimentos sociais.</li>
<li>com políticas públicas corajosas, eficientes, socialmente inclusivas e ambientalmente responsáveis nas áreas de infra-estrutura, habitação, saúde e educação.</li>
<li>que elabore e ofereça uma política de segurança pública que não seja meramente repressora e policial, mas que entenda o fenômeno da violência urbana de maneira mais ampla e complexa, passando necessariamente pela atuação mais efetiva do Estado na garantia de acesso aos direitos básicos de cidadania para todos os seus cidadãos.</li>
<li>que facilite a vida dos pequenos empreendedores, que promova as condições necessárias para que as pessoas trabalhem e produzam, atraindo investimentos que gerem riqueza e prosperidade para o maior número possível de pessoas.</li>
<li>que incentive a pesquisa, a indústria, o desenvolvimento para todas as regiões do país, que valorize os profissionais (nos quais, aliás, se investiu tanto dinheiro público em educação e formação) para que eles não tenham que ir buscar posições de trabalho e remuneração fora do país. Que a mobilidade seja uma escolha e não uma falta de alternativa.</li>
<li>em que os mais diversos setores e movimentos sociais sejam tratados como sujeitos, como atores sociais legítimos, a quem se deve ouvir, sim, e não criminalizar <em>a priori</em>.</li>
<li>com uma posição de autonomia, soberania, respeito e solidariedade diante da comunidade internacional, indistintamente. Isso significa uma política externa não automaticamente alinhada com ninguém, que busque a defesa dos nossos interesses, dentro dos limites do respeito, da colaboração e do diálogo diplomático com as outras nações do mundo.</li>
<li>cujos avanços sociais possam ser construídos coletivamente e incorporem valores de fraternidade, justiça, inclusão e sustentabilidade.</li>
<li>que respeite e valorize o patrimônio público, e que utilize os seus frutos prioritariamente em favor do próprio povo, e não do capital privado estrangeiro.</li>
<li>em que a terra &#8211; tanto urbana quanto rural &#8211; seja um bem a que todos tenham acesso, para que o direito constitucional de alimentação e moradia dignas seja cumprido.</li>
<li>que respeite, proteja, acolha e dê condições de igualdade perante a lei, em <strong>todos</strong> os direitos e deveres, a <strong>todos</strong> os seus cidadãos, independente de credo, orientação sexual, cor de pele, idade, origem social ou posicionamento político. Já que eu não sou candidata a nada, como cidadã eu tenho todo o direito de me posicionar e vou fazê-lo para vocês saberem bem com quem estão lidando: sim, eu sou a favor da descriminalização do aborto, do casamento e da adoção legal por parte de casais homossexuais, da criminalização da homofobia, nos mesmos moldes em que é feito hoje com o preconceito racial, a favor das cotas e das políticas de inclusão no acesso ao ensino superior. E no mínimo sou a favor de um debate mais franco, mais técnico e menos hipócrita e emocional com relação à descriminalização da maconha também. A diferença é que estas são <strong>minhas posições pessoais</strong> e eu não tenho a menor intenção de ter poderes para<strong> impor nada disso</strong> como lei, nem muito menos como forma de pensar a ninguém. Tenho vontade de que possamos debater exaustivamente esses temas, como sociedade plural, do ponto de vista jurídico, social, civil (não religioso), e que adotemos posições negociadas em cada caso (que eu posso e devo acatar, ainda que continue discordando e lutando, pelos meios constitucionais, para mudar). E que, partindo do pressuposto que a sociedade é mutante (veja o divórcio: 40 anos atrás, era visto de um jeito, hoje é visto de outro), sou a favor de que esses debates não cristalizem posições, mas que sejamos capazes de voltar a eles sempre que necessário, numa reflexão permanente. Que as convicções religiosas das pessoas sejam respeitadas no sentido de que <strong>ninguém seja obrigado a fazer, sentir ou pensar de forma contrária às suas crenças</strong>, mas que<strong> os direitos dos que não partilham as mesmas crenças sejam igualmente respeitados e garantidos por um Estado laico</strong>, não pautado por preconceitos, dogmas, doutrinas ou fé religiosa, qualquer que seja ela.</li>
<li>voltando. Eu defendo um país no qual o Estado não se omita e não se acovarde diante dessa entidade abstrata chamada &#8220;mercado&#8221;, e assuma a sua parte nos setores mais estratégicos da economia e do provimento de serviços básicos, de maneira a garantir o acesso a esses serviços a todos e não só aos que podem pagar por eles.</li>
<li>em que a informação possa circular de maneira plural e democrática, sendo produzida e consumida pelo conjunto da sociedade, em suas variadas manifestações culturais e ideológicas, e não controlada arrogantemente por um grupo reduzido que se apresenta não só como proprietário da verdade mas como &#8220;intocável&#8221;, em nome de uma suposta de liberdade de imprensa que só serve para eles mesmos.</li>
</ul>
<p>(Abre um parênteses aqui: esse tempo em que um grupo de iluminados ou privilegiados &#8211; seja economica ou intelectualmente -  formava/moldava a opinião, produzia o pensamento, partindo do suposto de que a grande massa não sabe pensar, não tem condições de decidir por eles mesmos, não existe mais. Ops. Acho que eu tenho que reescrever isso, porque o bombardeio atual é de tal ordem que está surtindo alguns efeitos, sim. Mas não mais maciçamente como em tempos atrás. Em tempos de internet &#8211; twitter, facebook, youtube, etc todos nós formamos e produzimos opinião. Todos nós SOMOS a opinião e temos <strong>poder e responsabilidade</strong> pela circulação destas notícias e opiniões. Fecha parênteses)</p>
<ul>
<li>por fim, eu quero um país em que todos nós possamos falar o que pensamos, criticar, sugerir, denunciar, sem medo de que nos cassem a palavra ou nos cortem a cabeça e o emprego por isso, como o Estadão fez com a colunista Maria Rita Kehl.</li>
</ul>
<p>Claro que dá pra pensar muito mais do que isso, cada um de vocês acrescente aqui o que desejar, ou faça suas objeções, mas só com estes itens que estão aí eu já concluo que NENHUM dos dois candidatos pode me assegurar que TUDO ISSO será alcançado em sua gestão.</p>
<p>ENTRETANTO &#8211; e aqui é que a porca torce o rabo &#8211; as propostas, programas e experiências de vida de ambos sinalizam e me permitem supor que há um candidato que eu tenho certeza que se afasta deste projeto, não importa o que ele esteja dizendo no momento. E uma candidata que eu acredito que pode pavimentar mais um pouco dessa estrada. Não tudo, e não sem erros ou concessões que eu sei que vou lamentar, mas trilhando, de forma geral, nesse rumo. É nela que eu continuo votando, apesar de tudo e por causa de tudo.</p>
<p>Eu tenho visto pouco os programas eleitorais na tv e no rádio. Estava conversando com meu sobrinho nesse momento, e ele estava argumentando, com razão, que o que realmente &#8220;pega&#8221; para as pessoas é um apelo mais conciso e emocional. Eu disse a ele que eu não sei fazer isso, eu fico achando que eu vou convencer as pessoas racionalmente, que eu vou fazer elas pensarem, que a solução é o debate democrático. Eu estou toda errada, mas é o que eu sei fazer.</p>
<p>No pouco de programa que eu assisto, eu tenho vontade de rir de nervoso de vez em quando. Durante oito anos, o Bolsa Família foi um programa renegado pelo PSDB, foi taxado de bolsa esmola (o Serra e a mulher dele e vários assessores se referiram assim ao programa em palestras e encontros durante o primeiro turno). Agora todo mundo quer ser o pai da criança. A maioria das pessoas que eu conheço que prefere o Serra à Dilma passou os últimos oito anos descendo o cacete no Bolsa Família, dizendo que isso alimenta vagabundo, que o certo era dar emprego, que o cara não quer mais trabalhar pra ficar em casa mamando nas tetas do Estado. Agora, de repente, o Bolsa Família virou carro-chefe da campanha do Serra, que promete não só aumentar o valor e estender o benefício, como promete até 13o. &#8220;salário&#8221;. Como assim? Os eleitores do Serra também mudaram de opinião a respeito?</p>
<p>Só pelos programas de tv, a impressão que dá é que as propostas são mais ou menos as mesmas. Ambos falam em agricultura familiar, em investimento em saneamento e infra-estrutura, em educação de base e escolas técnicas, em desenvolvimento para todo o Brasil. Isso alimenta o argumento do tanto faz, tanto fez, é tudo a mesma m&#8230; Só que esse argumento não se sustenta diante de uma análise com um tiquinho mais de memória e boa vontade.</p>
<p>Nós estamos diante de dois modelos diferentes de pensar, administrar e conduzir o país a esse patamar que todo mundo promete. Acredito que, em sã consciência, todo mundo defende, minimamente, que o país possa oferecer condições de trabalho, moradia, segurança, educação e saúde para todos os seus habitantes. O que quase ninguém se pergunta é como conseguir isso. E o que quase todo mundo no fundo quer é que se consiga nisso sem mexer no seu próprio bolso e na sua posição. Se bem que tem bastante gente que olha com ressentimento para o fato de que os mais pobres agora andem de avião ou frequentem o mesmo supermercado e tenham a mesma televisão de plasma que eles. Que absurdo o pobre morar num barraco e querer ter tv de plasma (!!!).</p>
<p>Esses dois modelos diferentes têm consequências e rebatimentos na vida de todos nós: eles nos afetam, afetam nossos empregos, as relações sociais constituídas, afetam a estrutura social e econômica nacional, não apenas durante os quatro anos de mandato, mas deixando frutos e resultados, para o bem ou para o mal. Se o Serra ganhar (toc, toc, toc), eu sobreviverei. Minhas chances de bolsa no doutorado (supondo que eu passe) diminuirão, e minha perspectiva de fazer concurso público para alguma universidade federal num horizonte mais próximo também diminuirá muito (tomando como parâmetro o que foi a administração do PSDB no governo FHC e nos governos estaduais). Eu moro em casa própria, meus filhos estão praticamente encaminhados, um na faculdade e outro quase lá, a gente se vira. Mas muita, muita gente será devolvida a um estado de pouca esperança, a um estado de pouca ou nenhuma dignidade. E eu não quero isso.</p>
<p>É nisso que eu acredito e é por isso que eu luto, dentro das minhas possibilidades, com meus erros e limitações. Idealista? Sonhadora? Talvez. Mas se eu não tiver um ideal para iluminar e nortear o meu caminho, que sentido tem passar pelos perrengues que a gente passa na vida? Essa sou eu. Quem é você?</p>
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		<title>Você quer mudanças? Eu também.</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/12/voce-quer-mudancas-eu-tambem/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/12/voce-quer-mudancas-eu-tambem/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 12 Oct 2010 20:26:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=899</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: right;">“If you choose not to decide, you still have made a choice.
You can choose from phantom fears and kindness that can kill;
I will choose a path that&#8217;s clear, I will choose freewill” * 
(Rush: Freewill; Rio de Janeiro, Praça da Apoteose, 10/10/2010)</p>
<p>Eu tenho ouvido bastante por aí, não só entre alunos, mas na rede [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><!-- p { margin-bottom: 0.08in; } --><em>“<span style="font-size: small;">If you choose not to decide, you still have made a choice.</span><br />
<span style="font-size: small;">You can choose from phantom fears and kindness that can kill;<br />
I will choose a path that&#8217;s clear, I will choose freewill” *</span></em> <em><br />
<span style="font-size: small;">(Rush: Freewill; Rio de Janeiro, Praça da Apoteose, 10/10/2010)</span></em></p>
<p><span style="font-size: medium;">Eu tenho ouvido bastante por aí, não só entre alunos, mas na rede ou em conversas com amigos, que as pessoas querem mudanças. Neste sentido, nenhum dos dois candidatos atende às aspirações dessas pessoas, porque ambos representam continuidade com alguma coisa do passado recente, sobretudo, para usar as palavras de Marina Silva, ambos representam uma velha forma de fazer política, da qual as pessoas estão cansadas, e que ainda por cima reprovam. Algo novo é necessário. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Quando Lula entrou, em 2002, ele representava essa mudança. O PT, para muita gente, era a promessa de uma forma nova de governar, encarnava a esperança de um governo não só eficiente no combate à pobreza e desigualdade, capaz de gerar empregos, resolver as mazelas na educação e saúde, mas sobretudo fizesse tudo isso de forma ética, íntegra, sem negociatas, e varrendo do mapa todos os personagens nefastos que habitavam o cenário político desde&#8230; sei lá, desde sempre, parecia. Eu também queria isso, e eu também me decepcionei. Talvez o meu maior aprendizado nestes últimos anos tenha sido de que<strong> entre o ideal e o possível há uma distância maior do que a que eu imaginava</strong>.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">De qualquer forma, dentro do campo do possível, há muita coisa a ser considerada, há escolhas, e nesse sentido, <strong>o ideal</strong> é importante, porque ele norteia o rumo e os métodos a seguir, ele funciona como uma lâmpada que nos impede de cair na escuridão do cinismo irremediável. Apesar de todos os percalços, bastante gente está a disposta a considerar que Lula obteve bons resultados em diversos campos, mas talvez não o bastante, e aí, como se esse modelo tivesse se esgotado, sem que os problemas tivessem sido resolvidos, querem tentar algo diferente. Para essa turma, Dilma representa um <em>continuísmo</em> indesejável, uma espécie de mais do mesmo. Até aí, o que eu estou dizendo faz sentido pra você?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Muito bem, eis a reflexão que eu proponho:</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Em primeiro lugar, quando a gente quer mudar alguma coisa, é preciso ter bastante clareza para saber O QUE a gente quer mudar. Uma coisa é cansar do corte do cabelo, ou da cor do seu quarto, do modelo do carro, e resolver mudar. Bom, se não ficar do jeito que você queria, sempre dá pra pintar de novo, cortar de outro jeito ou esperar crescer, vender o carro e comprar outro. Nada que afete a essência da sua vida, que tenha um preço alto demais, ou que traga consequências desagradáveis para um monte de gente que não tem nada a ver com isso. Aliás, a nossa sociedade de consumo cada vez mais voraz nos instiga exatamente a cansarmos rapidamente das coisas para adquirir outras, trocar objetos, hábitos e até relacionamentos por modelos novos, mais eficientes, mais elegantes, mais modernos. O tempo todo. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Daí que eu pergunto: <strong>qual o sentido da mudança que você deseja</strong>? É uma mudança consciente, em aspectos que você identifica, sobre os quais você pensou, se informou? Ou é só um desejo difuso de mudar por mudar, do tipo “se não está bom, muda, não importa pra que lado, o importante é mudar”? </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Governos não são cortes de cabelo. Não que eles não possam – e às vezes devam – ser mudados. Mas é necessário considerar que as consequências têm um alcance muito mais amplo, profundo e duradouro do que o atendimento aos meus interesses imediatos. Afeta muito mais gente e setores da vida do país, alguns dos quais de forma tão intensa que uma decisão equivocada pode levar muito tempo para ter seus efeitos corrigidos, e uma decisão correta, igualmente, pode levar muito tempo para ser absorvida, consolidada e apresentar resultados visíveis. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Por isso eu insisto tanto que, em vez de se guiar exclusivamente por simpatias ou antipatias, a gente reflita sobre <strong>projetos para o país</strong>, e formas de alcançar essas metas. Essas construções, só possíveis de alcançar através da política, são processos lentos, gradativos. Por que eu digo que só através da política? Porque nenhuma alteração é conseguida através de mágica ou de consenso. Aliás, como diz um dos nomes de blog que eu acho mais legais, <a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/" target="_blank"><strong>consenso, só no paredão!</strong></a> (não é só o nome do blog que é bom, o conteúdo também é ótimo. O Nodari é tremendamente lúcido, e foi dos <a href="http://www.amalgama.blog.br/10/2010/por-que-votei-em-marina-e-agora-votarei-em-dilma/" target="_blank"><strong>primeiros eleitores da Marina a declarar que vai de Dilma no 2o. turno</strong></a>, explicando <a href="http://www.amalgama.blog.br/10/2010/por-que-votei-em-marina-e-agora-votarei-em-dilma/" target="_blank">o porquê</a>). Como num jogo de xadrez, às vezes a gente sacrifica uma peça importante para alcançar um xeque-mate.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Nenhum presidente, por mais maravilhoso e bem intencionado que seja, vai conseguir emplacar nenhuma mudança na base da canetada, achando que é possível governar “acima dos partidos políticos”. A menos que seja um governo totalitário, o que eu acredito que não é o que desejamos. Portanto, qualquer proposta terá que ser discutida e votada, antes de ser aprovada. Interesses contrários se manifestarão, negociações e conflitos terão lugar, e o resultado nem sempre será o que nós queríamos no início. Isso é política.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Vocês entendem qual é a nossa responsabilidade na participação desse processo? Não basta votar da melhor forma possível: é preciso acompanhar, cobrar, se posicionar, agir. Para alcançar um objetivo, de vez em quando é preciso ceder em outros, retroceder um passo para conseguir dar dois passos pra frente lá adiante. Embora eu concorde que <a href="http://marjorierodrigues.wordpress.com/2010/10/05/nao-rifem-mulheres-por-votos/" target="_blank">não se possa transigir em tudo</a>.<br />
</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Nós iniciamos um processo 8 anos atrás. Na minha opinião, é cedo para descartá-lo e começar uma coisa diferente. Aperfeiçoar e corrigir alguns rumos é outro departamento. Isso devemos fazer. Por exemplo, há contribuições importantes a serem incorporadas, como debater a difícil equação desenvolvimento e meio ambiente. Nesse tema, eu me afino bastante com as posições do <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/" target="_blank">Sakamoto</a>. E como urbanista, quero frisar que meio ambiente não é só salvar a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica. É também se preocupar com as condições de trabalho e vida das populações que habitam esses lugares, de forma que elas possam se desenvolver, sem esgotar os recursos à sua volta. Cidade também é meio ambiente. Ou melhor: Cidade <strong>É</strong> meio ambiente. Num país em que <a href="http://www.portalbrasil.net/brasil_populacao.htm" target="_blank">mais de 80% da população vive em cidades</a>, tratar de um tema é tratar do outro, não dá pra ser diferente. Assuntos como a crescente impermeabilização do solo, modelos de expansão e ocupação do território, eficiência energética, saneamento, habitação, e mesmo a relação que estabelecemos com a paisagem ao nosso redor, tanto a paisagem construída quanto a paisagem dita “natural” (que também é construída, culturalmente) são da ordem do dia em termos de debate ambiental. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Eu vou dizer algumas coisas que eu <strong>não gosto e não aprovo no governo Lula</strong>, e sobre as quais desejo mudanças:</span></p>
<ul>
<li><span style="font-size: medium;">Não gosto da maneira condescendente com que é tratada a <strong>expansão da fronteira agrícola</strong>, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Tenho receios de que essa febre em relação ao biodiesel esteja transformando muitas áreas de floresta em latifúndios monocultores de cana, como já foram de soja, ou de café. Além do desmatamento, isso implica em concentração de terra e renda, quase sempre envolve trabalho escravo e/ou infantil em condições sub-humanas e desterra populações indígenas ou ribeirinhas. Em relação a isso, adoraria, por exemplo, que o governo Dilma se comprometesse com a não alteração do <strong>Código Florestal</strong>, nos termos em que está sendo proposto hoje.</span></li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-size: medium;">Acho que o governo foi tímido em relação à <strong>Reforma Agrária</strong>. Adoraria ver esse tema tratado em termos mais progressistas e que ele se tornasse alvo de ações mais concretas e radicais. E olha que, em comparação com os governos anteriores, o Lula fez até bastante. Mas ainda acho pouco, quero mais. Idem com relação à <strong>Reforma Política</strong>.</span></li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-size: medium;">Não gosto de algumas<strong> alianças</strong>. Me dói ter que engolir determinados políticos no mesmo palanque, por mais que eu entenda que de vez em quando é necessário e inevitável. É pragmatismo demais? Talvez. Mas o meu dilema é o seguinte: eu posso escolher ficar puro, não apertar a mão de salafrário nenhum, recusar o apoio de A, B e C, e em consequência permanecer politicamente inexpressivo, e jamais alcançar uma posição em que consiga de fato implementar algumas das minhas idéias e mudar de fato a realidade. Neste caso, eu fico “íntegro”, porém inócuo. OU posso escolher engolir umas coisas, dentro de algumas condições, e com isso fazer diferença na prática, e me contentar em mudar as coisas devagar. Entre uma escolha e outra, tem um monte de nuances, sempre tem. A decisão é difícil, mas eu tenho tendido mais para a ação, mesmo que com algumas concessões amargas. </span></li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-size: medium;">O capital financeiro especulativo ainda teve excessivos ganhos, em detrimento de uma carga fiscal excessivamente pesada que incide sobre os assalariados. <strong>Salário não é renda</strong>. E a renda não é taxada como devia ser. Eu fico feliz que os mais pobres tenham ascendido socialmente, e quero que isso continue e se amplie, mas isso ainda é desigualmente cobrado da classe média assalariada, em comparação com as grandes fortunas. Espero não estar dizendo nenhuma bobagem muito grande. </span></li>
</ul>
<p><span style="font-size: medium;">O que eu quero dizer com tudo isso é que eu não quero jogar a criança fora junto com a água da bacia. Há muita coisa a ser feita, a ser corrigida, mas o meu convite sincero a todos os leitores deste blog é: <strong>pensem</strong>. Queiramos ou não, gostemos ou não, haverá um/a novo/a presidente/a no país a partir de janeiro e ele/a será eleito/a no dia 31 de outubro. Você pode considerar que nenhum dos dois te agrada e resolver anular seu voto ou simplesmente não ir votar. É um direito seu, inalienável, e longe de mim brigar com você por causa disso. A despeito disso, um dos dois será escolhido e será empossado. E mais: esse/a presidente/a será necessariamente Dilma Rousseff ou José Serra. Não há alternativas a esta altura do campeonato. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Daqui do meu pessoal e pequeno ponto de vista, <strong>não participar não é uma opção</strong>. Pelo simples motivo que a sua ausência, o seu não-voto, também é uma expressão, e interfere no resultado final. Diante disso, eu reitero: PENSEM. Sem paixão, guiados pelo princípio da realidade. A pergunta é: <strong>QUAL O PROJETO DE PAÍS QUE EU DEFENDO/DESEJO? </strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Qual a ideia que você tem do que seria um país bom, melhor, mais justo? </span><br />
<span style="font-size: medium;">O que é preciso fazer para alcançar isso? </span><br />
<span style="font-size: medium;">Quem reúne melhores condições para chegar mais perto disso, ou pelo menos se afastar menos?</span><br />
<span style="font-size: medium;">Com qual modelo – não só de programa, mas de gestão, de administração – você acha que o diálogo seria mais provável, mais profícuo?</span><br />
<span style="font-size: medium;">Quem estaria mais aberto a ouvir e incorporar essas novas demandas, numa proposta conjunta de construção do país?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Vai pensando nas suas respostas, que eu já volto para dar as minhas. E para dizer por que eu creio, MESMO, que nós estamos diante de dois modelos completamente diferentes, em método e em conteúdo, em fins e em meios, ao contrário da turma que acha que tanto faz, que é tudo a mesma coisa. Não é. </span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-size: small;">* O trecho do refrão da música citada diz o seguinte:<strong> “se você escolhe não tomar decisão, ainda assim você fez uma escolha. Você pode escolher medos fantasmáticos e bondades que podem matar. Eu escolho um caminho muito claro, eu escolho o livre arbítrio”. </strong>Dá pra escutar <a href="http://www.youtube.com/watch?v=OnxkfLe4G74" target="_blank">aqui</a>.<strong><br />
</strong></span></em></p>
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		<title>Sobre o debate e o programa de ontem</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Oct 2010 17:21:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Eu não vi o debate na Band, domingo à noite. Também me divirto de vez em quando e fui a um show de rock com meu filho. É justo, pô. Mas li avidamente vários comentários ontem de manhã, em blogs, sites de notícias e capas dos principais jornais. Nos blogs, procurei ler não apenas o post, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não vi o debate na Band, domingo à noite. Também me divirto de vez em quando e fui a um show de rock com meu filho. É justo, pô. Mas li avidamente vários comentários ontem de manhã, em blogs, sites de notícias e capas dos principais jornais. Nos blogs, procurei ler não apenas o post, mas a caixa de comentários, para sentir &#8220;o clima&#8221;.</p>
<p>Primeiro tive a impressão de que devia ter sido dura a peleja. De acordo com quem narrava, e com a simpatia do comentarista, parecia ora que a Dilma tinha se saído bem, ora que o Serra tinha se saído melhor. Depois, gradativamente, minha percepção foi se alterando, principalmente em função de três coisas:</p>
<p>1) A maioria dos que defendiam a superioridade de Dilma nos debates citava explicitamente frases, posicionamentos, linkava vídeos do youtube para ilustrar o que estava dizendo, enfim, trabalhavam com fatos, palavras e imagens. Enquanto isso, os que achavam que o Serra tinha &#8220;acabado com a Dilma&#8221; baseavam sua impressão em bravatas, em repetição de ódios contra a candidata, de cunho especialmente sexista (ela foi agressiva demais, ressuscitou a guerrilheira, essas coisas. Por que será que só homem pode falar duro e firme sem ser agressivo?), e só fazia repetir que o Serra tinha mantido a calma o tempo todo, como mostra de superioridade. Não mencionaram uma frase específica, um número sequer.</p>
<p>2) O próprio jornal O Globo preferiu colocar as coisas em termos de &#8220;empate&#8221;, dizendo que o debate tinha ficado no nível da acusação mútua, o que era ruim para ambos os lados. Mentiu ao dizer que os candidatos fugiram da discussão de programas (os vídeos que eu vi mostram a Dilma claramente explicando o Minha Casa Minha Vida, só pra dar um exemplo). E foi de uma má-fé vergonhosa (eu nem me surpreendo mais) ao dizer que a Dilma fez referência à mulher do Serra por ela ter, <em>supostamente</em>, espalhado boatos a seu respeito. Oras, tenha paciência, a D. Mônica falou, com todas as letras, diante de um monte de gente em Nova Iguaçu, que a Dilma era a favor de matar criancinhas. Nestes termos. Não me venha com &#8220;supostamente&#8221;. A Globo adora essa expressão: &#8220;supostamente&#8221;. Com isso, ela acha que tira o dela da reta. Ah, sim, o jornal também colocou na primeira página da sua versão online uma cara triste do Serra, dizendo que era &#8220;vergonhoso&#8221; e &#8220;baixaria&#8221; que o PT tivesse envolvido sua família na discussão. Hein?</p>
<p>3) Por fim, eu assisti aos programas de tv dos candidatos ontem. No programa da tarde, o Serra não fez nem sequer menção ao debate. Eu creio que se ele ou seus assessores tivessem achado que ele tinha ido tão bem assim, teriam explorado isso. Já o programa da petista foi mais da metade com trechos do debate, mostrando de que maneira ela tinha se posicionado em temas que andaram na boca e nas dúvidas do povo desde o primeiro turno. Além disso, mostrou coisas importantes sobre o apoio parlamentar, que as pessoas precisam entender que é fundamental para um governo conseguir cumprir sua agenda. De noite, ela repetiu o programa, e o Serra correu para tentar mostrar a sua própria versão do debate.</p>
<p>Juntando tudo isso com a repercussão que eu tenho visto nas redes sociais, acho que esse <em>round</em> foi nosso.</p>
<p>Agora, posso fazer mais uns comentariozinhos sobre coisas que me chamaram a atenção no programa do Serra?</p>
<ul>
<li>Eu não sei onde ele quer chegar batendo na tecla da necessidade de investimento em educação, dizendo que &#8220;um país só cresce investindo pesado em educação&#8221;, que é preciso &#8220;pensar grande em educação&#8221; e que propõe uma &#8220;mobilização nacional pelo ensino público&#8221;. Ele acha que a memória da gente é curta demais ou o quê? Durante a gestão FHC as universidades federais por pouco não foram privatizadas também. Foram sucateadas, abandonadas, e seus professores e pesquisadores tratados da pior forma possível. 8 anos sem concursos, sem investimentos nem na manutenção dos prédios que dirá nas linhas de pesquisa, e sem reajuste salarial ou nas bolsas. O mesmo com as escolas técnicas federais e com o Colégio Pedro II, aqui no Rio. Enquanto isso, no governo Lula, foram <a href="http://ilustrebob.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Colocando-na-balan%C3%A7a-low-res.jpg" target="_blank">14 novas universidades federais,</a> 400 novas escolas técnicas federais (em TODO o país, e não só concentradas no eixo Sul Maravilha, talvez por isso a classe média privilegiada dessa região não perceba isso e ache esquisito que o Nordeste em peso vote na candidata do governo). Sem falar nos programas de ampliação do acesso à universidade como ProUni. Se alguém me perguntar sobre a &#8220;educação de base&#8221;, se referindo ao Ensino Fundamental, eu lembro que, constitucionalmente, essa é uma obrigação prioritária dos governos estadual e municipal. O que não impede que excelentes Colégios de Aplicação, ligados às universidades federais, estejam entre os melhores do país, em qualquer avaliação que se faça. Já consultou os rankings das revistas semanais e os resultados do ENEM? Vê lá se o CAP-UFRJ não está sempre &#8220;nas cabeças&#8221;?</li>
<li>Quando o Serra bate na tecla do respeito ao meio ambiente, eu acho a maior graça. Mas disso eu vou falar daqui a pouco.</li>
<li>Quando ele apela ao desencanto dos jovens com a quantidade de denúncias de corrupção, prometendo então fazer diferente, eu só não dou risada porque fico indignada demais, antes de tudo. Como se ele fosse fazer diferente. Como se o governo, o partido e a história que ele representa fossem garantias da probidade e decência que ele alega representar. Pelamor, vou lembrar só alguns escândalos do governo FHC (as descrições mais detalhadas estavam num link que eu pretendia colocar aqui, mas que acabo de descobrir que foi retirado da rede. De toda forma, é um texto intitulado <strong>&#8220;Os 45 escândalos do governo de FHC&#8221;</strong>, publicado em 04/04/2010, no site http://quemtemmedodolula.wordpress.com, e eu salvei o texto no meu GReader, então quem quiser a íntegra, me escreve ou pede aí nos comentários que eu mando por e-mail). <strong>UPDATE: </strong>o André, no facebook, me encaminhou este link <a href="http://dilmapresidente.wordpress.com/2010/02/08/45-escandalos-que-marcaram-o-governo-fhc/" target="_blank">aqui</a>, onde o texto permanece e está à disposição). Continuando: teve o SIVAM, o PROER, o financiamento, com dinheiro público, das privatizações (o governo brasileiro, via BNDES, <strong>emprestou dinheiro</strong> para que <strong>empresas privadas estrangeiras comprassem patrimônio público nacional</strong>. Entendeu?), teve o &#8220;golpe&#8221; (se o Lula tivesse feito isso, duvido que não seria taxado de golpe) da emenda da reeleição (pros mais jovens: quando o FHC foi eleito, o mandato presidencial era de 5 anos, sem reeleição. A consituição previa que alterações só poderiam ser feitas com validade para o mandato seguinte. O FHC comprou votos adoidado pra fazer passar uma emenda, aos 45 do segundo tempo, quase no final do primeiro mandato dele, para que o mandato fosse reduzido para 4 anos com direito a reeleição, valendo já para ele. Depois, passaram o segundo mandato todinho do Lula acusando o presidente de querer forçar o terceiro mandato. Eu dou o que quiserem se alguém me mostrar UM vídeo do Lula em que ele defenda essa hipótese). Mais: teve os rombos na SUDAM e SUDENE, que acabaram com a extinção desses órgãos, o &#8220;socorro&#8221; do governo para tentar evitar a falência dos bancos Marka/FonteCindam, que resultou no Salvatore Cacciola livre, leve e solto na Itália após habeas corpus (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvatore_Cacciola#O_esc.C3.A2ndalo_do_Banco_Marka" target="_blank">o cara só foi preso pela Polícia Federal Brasileira em 2008</a>), desmandos e desorganização na condução da epidemia de dengue que abalou o Rio de Janeiro em 2001/2002, com uma condução desastrada do Serra à frente do Ministério da Saúde, o apagão e racionamento de energia (postos na conta dos usuários residenciais, claro, esses gastadores perdulários de eletricidade), e o engavetamento geral de todas as denúncias, com o enfraquecimento do Ministério Público, que hoje atua com muito mais autonomia, poder e liberdade.</li>
<li>Por fim, prestem enorme atenção no discurso e nas palavras mais usadas por Serra. Governo das &#8220;pessoas de bem&#8221;. alguém me explica o que é isso, por favor, porque aos meus ouvidos soa elitista, preconceituoso e horrendo demais. O que é ser &#8220;uma pessoa de bem&#8221;? Quem define se a pessoa é &#8220;de bem&#8221; ou não é? Se eu discordar dele eu sou uma pessoa &#8220;do mal&#8221;? O que é, como eu tenho visto ele falar muito recentemente, governar &#8220;acima de todos os partidos&#8221;?  Ele ignora as regras de condução democrática que envolvem a negociação, o debate e a votação dos temas e propostas no Congresso? Palavras, palavras, palavras&#8230;</li>
</ul>
<p>Agora, espera aí que eu vou almoçar e dar almoço pros meninos, depois eu volto, que tem mais umas coisinhas escritas aqui, prontinhas pra serem partilhadas com vocês. Me perdoem por não ter dado mais links. Essa é a parte mais demorada de escrever o post, juro.</p>
<p><strong>PS especial para meus colegas arquitetos e urbanistas e todos os alunos de arquitetura:</strong> vocês viram o debate? Viram isso <a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-politica-habitacional-do-puxadinho" target="_blank">aqui</a>? O que é uma <a href="http://www.youtube.com/watch?v=MLdRON_S340" target="_blank"><strong>política habitacional de &#8220;puxadinhos&#8221;</strong></a>? Me belisca, que eu não acredito que ele disse isso. Pausa para o suspiro: pior que acredito&#8230;</p>
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		<title>Meus dois tostões sobre o resultado do 1o. turno</title>
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		<pubDate>Tue, 05 Oct 2010 04:01:22 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Absorvido o impacto de quem esperava que a eleição presidencial fosse resolvida no primeiro turno, e após ter lido alguma coisa em jornais e internet e ouvido análises e prognósticos em rádio e tv, eu me atrevo a fazer os meus próprios comentários. Ressalvo de imediato que não sou analista política, não tenho a menor pretensão [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Absorvido o impacto de quem esperava que a eleição presidencial fosse resolvida no primeiro turno, e após ter lido alguma coisa em jornais e internet e ouvido análises e prognósticos em rádio e tv, eu me atrevo a fazer os meus próprios comentários. Ressalvo de imediato que não sou analista política, não tenho a menor pretensão de esgotar o assunto ou oferecer novidades. Estou apenas exercendo o meu sagrado direito de dar palpite. Quase tudo que está aí é um cotejamento do que li e ouvi, acrescido de algumas conclusões preliminares a que cheguei a partir de uma tentativa de observar e escutar as pessoas à minha volta. Ressalvo ainda que esta é uma observação bastante circunscrita em termos sociais, porque baseada apenas nos grupos com os quais convivo, no bairro em que moro, nas universidades em que dou aula e entre amigos e parentes. Dito isso, vamos lá:</p>
<p>1) Nós (eu não sou filiada ao partido, mas preciso me incluir nesse nós, já que assumidamente apoiei o governo Lula e militei em favor da candidatura da Dilma) falamos tanto em <strong>resposta das urnas</strong>, em soberania do povo, que eleição se ganha no voto, que devemos ser os primeiros a acatar exatamente isso. O resultado do primeiro turno nos diz algo, tem um significado, e é o momento de ter humildade e serenidade para tentar entender esse recado.</p>
<p>2) <strong>Autocrítica e reavaliação</strong> são importantes, só assim é possível avançar:<br />
- Nós superestimamos a capacidade do presidente Lula de transferir sua aprovação para a candidata do governo;<br />
- Nós superestimamos o poder dos números e dos resultados econômicos como argumentos que falam por si mesmos;<br />
- Nós subestimamos o dano causado pelo massacre calunioso da imprensa e a percepção que muitas pessoas acabaram tendo de falta de ética na condução dos casos de corrupção e escândalos noticiados. Veja bem que não estou dizendo se essa percepção tem ou não respaldo nos fatos. Mas ela existe, pesa e não foi devidamente considerada. Sobre isso, uma sugestão de cara, referente ao uso eficiente, rápido, viral e barato da internet, conforme <a href="http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/o-mundo-em-rede-e-instantaneo-o-pt-jurassico.html" target="_blank">apontou o Azenha muito bem</a>.<br />
- Nós subestimamos um anseio por mudanças que mobiliza uma parte considerável do eleitorado, e aí eu falo especialmente de um eleitorado urbano jovem. O slogan de campanha da Dilma (que eu acho genial) diz <strong>&#8220;Para o Brasil seguir mudando&#8221;</strong>. Em algum lugar no meio da mensagem o <strong>&#8220;seguir&#8221;</strong> ficou com mais peso do que o<strong> &#8220;mudando&#8221;</strong>, e isso afastou alguns desses jovens, para quem a continuidade não representa o mesmo valor com que nós estávamos trabalhando. Vou falar mais sobre isso nos próximos dias.</p>
<p>3) Em algum momento, nós <strong>subimos no salto sim</strong>, demos a vitória como favas contadas. Isso aparece para muita gente como soberba, arrogância, atitude antipática, e eu sei que muita gente que MUDOU o voto na última semana meio que quis dar um puxão de orelha nesta postura e sinalizar que quer mais tempo para pensar, quer ouvir mais, quer discutir mais, quer conhecer mais a própria Dilma. Ou não quer discutir nada, mas quer pelo menos beliscar o PT e avisar que o partido vai ter que suar mais a camisa, mostrar mais serviço, antes de vencer a parada.</p>
<p>Nós subestimamos a capacidade da mídia de colar na Dilma a pecha de &#8220;pau mandado&#8221; do Lula. Não que ela seja, ela definitivamente não é. Mas muita gente ainda não sente confiança <span style="text-decoration: underline;">nela</span>, na capacidade <span style="text-decoration: underline;">dela</span> de administrar por conta própria. Resulta daí a primeira conclusão, que pode ser também um primeiro trunfo: a Dilma vai ter que aparecer mais.  Olhar no olho do Serra nos debates, enfrentar mesmo e &#8211; cá entre nós &#8211; dar uma melhorada no desempenho diante das câmeras. Ela não consegue criar muita empatia com as pessoas, que acham que ela fala difícil, se enrola, não tem jogo de cintura. E a gente sabe que ela é tremendamente inteligente e capaz.</p>
<p>Sobre debates, eu entendo que comparecer para levar pedra quando você lidera com folga as pesquisas é mau negócio, falando do ponto de vista estritamente estratégico. Mas agora isso não tem jeito, e pode ser muito bom, se nós conseguirmos trazer a conversa para o campo não só dos resultados acumulados nos últimos anos, mas principalmente para o campo das propostas concretas e programas de governo. Porque nosso adversário NÃO vai entrar nessa arena pra valer, ela não interessa a ele, enquanto ele puder continuar atraindo a atenção para uma discussão supostamente &#8220;ética&#8221; focando na produção em série de escândalos. A Dilma precisa explicitar isso. Não se trata de ficar se explicando, se deixando pautar pelos outros, mas é necessário ter mais firmeza e clareza ao rebater as acusações, e de quebra, apontar as bandas podres do lado de lá também, que não são poucas. A história da quebra de sigilo, por exemplo, foi só trazerem à tona a quebra de sigilo perpetrada pela filha do Serra na empresa em sociedade com a filha do Dantas que o assunto morreu rapidinho e eles precisaram reenfocar o caso sob outro prisma.</p>
<p>4) <strong>O fator Marina.</strong><br />
A tal &#8220;onda verde&#8221; também foi subestimada. Eu repito: estou falando de um ponto de vista de setores da classe média urbana do Rio de Janeiro, ou melhor, do que EU entendi e observei nas minhas conversas ao longo do dia. A impressão que me ficou foi muito mais de um voto &#8220;não quero nada disso que está aí&#8221; (quer dizer, uma percepção de nivelamento entre Dilma e Serra, sob diversos aspectos) ou mesmo &#8220;não tenho certeza do que quero ainda e estou seduzido por um discurso que me parece mais fresco e autêntico&#8221;, do que propriamente um conhecimento real e uma adesão às propostas do PV. Com exceções, claro. O que me faz chegar a uma segunda conclusão (opa, acho que descobri a pólvora, sorry!): o voto no Brasil ainda é muito mais personalista do que ideológico. Vota-se nas pessoas, por critérios pessoais e individuais, que incluem simpatia, percepção de confiabilidade, valores morais semelhantes. Não se votam em programas, ideias, coerência e consistência de projetos.</p>
<p>Neste sentido, para esta camada a que me refiro, a Marina encarnou (ou personificou) a imagem de uma forma nova de fazer política, de mais idealismo e fidelidade a princípios (o que o PT já representou um dia, diga-se), em oposição a uma imagem de mar de lama e sordidez, alianças espúrias e corrupção de todos os lados em que se misturam todos os outros. Pena que as coisas não sejam exatamente assim, e por mais bem intencionada e íntegra que seja Marina, na hipótese de uma vitória dela, ela teria que fazer concessões, negociar, exatamente como qualquer governo de regime democrático dividido em poderes independentes como executivo, legislativo e judiciário. Essa imagem idílica de alguém imune às práticas comezinhas da política do dia-a-dia corresponde, de certo modo, a uma fantasia de um líder bom, justo e todo poderoso, que tem a prerrogativa de governar sozinho, sem depender de outras aprovações. Vai convencer a Câmara e o Senado a votarem os projetos de lei encaminhados e depois a gente senta para conversar de novo sobre idealismo e fidelidade a princípios.</p>
<p>5)<strong> Com quem ficam agora os votos de Marina.</strong><br />
Como eu avisei lá no início, eu não sou analista de política, não conheço os bastidores das campanhas, e mal vi os jornais de hoje, nem sei se a Marina já se pronunciou a respeito. Eu acredito que nós temos duas coisas diferentes e razoavelmente independentes. Uma é a postura ou orientação oficial do PV e da própria Marina, e a outra é a tendência de posicionamento dos eleitores (principalmente esses 10 milhões de eleitores que apareceram nas últimas semanas).</p>
<p>A minha expectativa mais otimista é de que Marina declare neutralidade. A mais objetiva não se surpreenderia com o apoio a Serra. Nem tanto talvez por opção clara e pessoal de Marina Silva (seria uma decepção que minha ingenuidade e idealismo não me permitem aceitar nesse momento). Porém, o PV tem se mostrado um partido muito mais pendente para a direita do que para a esquerda, vide as alianças com DEM e PSDB em diversos estados.  E eu não acredito que Marina tenha poder sobre o partido. Se a direção do partido, e suas coligações, pelos motivos que forem, acharem mais lucrativa politicamente a aliança com José Serra, não acredito que a Marina peite uma posição contrária. No máximo, ela se omite. Mas sei lá, tomara que eu esteja errada.</p>
<p>Já quanto ao eleitorado (ou parte do eleitorado) que votou em Marina no primeiro turno, meus tostões são: tem gato de todos os tipos dentro deste saco, pulverizados em espectros variados, e nem todos migrarão para a Dilma.</p>
<p>- Tem o pessoal militante em Meio Ambiente, que realmente almeja que essa pauta tenha mais protagonismo nas ações governamentais. Podem até ser minoria, mas existem. Eu acredito e espero que haja espaço para esse pessoal no campo de forças pró-Dilma. Eu, particularmente, os saúdo e abraço com respeito e entusiasmo. É uma contribuição bem-vinda para uma área de atuação em que o governo Lula foi falho, na minha opinião, ou no mínimo condescendente.</p>
<p>- Tem o pessoal que é de direita mesmo, mas que não se sentia à vontade para defender o projeto Serra abertamente. Esses vão votar no PSDB agora, muitos vão incorporar o discurso moralista, outros apenas estarão expressando seu posicionamento acima de tudo anti-PT. É justo e é do jogo.</p>
<p>- Tem o pessoal com viés moral-religioso que se assusta com as ameaças de que a Dilma vai &#8220;matar criancinhas&#8221; liberando o aborto, o casamento gay, e até mesmo acreditando no satanismo do Michel Temer. Não adianta a gente saber que o Estado é ou deveria ser laico. Nem explicar os mecanismos de aprovação de leis, que limitam os poderes do presidente da República de fazer o que bem lhe dá na telha (ainda bem). O fator religioso ainda é muito forte para uma parcela expressiva da população e é um erro estratégico importante ignorar isso. Talvez a Dilma tenha que adotar um tom mais conciliatório mesmo. Sobre fazer concessões, aguarde o próximo post.</p>
<p>Abre um parênteses: eu vi o Jornal Nacional hoje, e teve o tal pronunciamento de 1 minuto e meio, ao vivo, de cada um dos dois candidatos. Duas coisas me chamaram a atenção. A primeira, foi o Serra convocando os brasileiros &#8220;de bem&#8221; para o seu lado. Me dá um embrulho no estômago essa expressão. Primeiro porque parte do princípio de que quem não está do seu lado não pode ser &#8220;do bem&#8221;. Segundo que quem é que determina quem é &#8220;do bem&#8221; ou não? O que é ser &#8220;do bem&#8221;? A quem cabe a atribuição desse valor? A segunda coisa, foi exatamente que a Dilma, ao falar, fez questão de frisar que é a favor da vida, em todas as suas manifestações, e terminou agradecendo a Deus por estar ali e ter sido honrada com votação tão expressiva. Pra bom entendedor, meia palavra basta. Este recado parece ter sido entendido. Fecha parênteses.</p>
<p>Ainda sobre essa questão religiosa, quem sabe seja uma outra oportunidade do Crivella mostrar sua fidelidade à aliança com o Lula. Ele tem uma ascendência grande sobre parte dos evangélicos, especialmente da Igreja Universal. Pode cumprir um papel importante de desmistificação nessa história toda, assegurando a tranquilidade dos seus fiéis e até negociando e dialogando com representantes de outras denominações religiosas. Os batistas, por exemplo,<a href=" http://www.viomundo.com.br/politica/batistas-repudiam-campanha-politico- religiosa-contra-dilma.html" target="_blank"> divulgaram um manifesto</a> umas semanas atrás, que deveria crcular mais.</p>
<p>Não vamos conseguir reverter todos esses votos, mas alguns, talvez.</p>
<p>- Tem uma camada numerosa, predominante entre os mais jovens, que votaram na Marina em parte por idealismo/desejo de mudança, e em parte para ganhar tempo. Eu insisto que, se por um lado o debate político parece esvaziado, por outro, há uma demanda por ouvir mais, conhecer mais, que não deve ser desprezada. Isso é muito positivo. Esse é um pessoal que pode se juntar a nós também, em grande parte.</p>
<p>Tudo isso vai depender de um monte de coisas. A que eu acho mais crucial nesses primeiros dias, porque pode cristalizar posições &#8211; é que nós tenhamos uma postura de mais humildade, sem hostilizar ou desqualificar esses eleitores e o recado que eles deram. Eu não digo isso demagogicamente, para tão-somente atrair esses eleitores com o objetivo de ganhar as eleições, mas porque eu realmente acredito que é um setor que soma, que contribui positivamente para a campanha e para a construção de um programa e de um governo melhores. Aprender com os erros, ampliar os horizontes, também é sinal de maturidade democrática.</p>
<p>Por fim, muito se falou sobre o risco &#8211; numa eventual vitória da dilma no primeiro turno &#8211; da oposição ser esmagada, desmantelada, e se bateu na tecla de como é necessário e importante ter oposição. Tá, concordo com a segunda parte. Mas acredito que não justifica haver oposição só pra ter mesmo, pra cumprir a função burocrática de ser do contra. Isso só serve aos interesses da despolitização, não contribui para avanço nenhum. Além do que, isso de esmagar a oposição num processo democrático como o nosso, é balela. Num país com o tamanho e a complexidade do Brasil, sempre haverá oposição, sempre haverá voz dissidente. O que eu desejo, sinceramente, é que se possa construir uma oposição consistente, que pode ser inclusive de gente que vote na Dilma agora, ainda que com alguma desconfiança, e depois ajude a ficar de olho, a cobrar. Eu não quero uma oposição niilista e beligerante, que baseie sua argumentação na negação, no preconceito e no ressentimento. Eu quero uma oposição capaz de apresentar alternativas de projeto para o país, que possam ser debatidas, questionadas, balizadas. E isso, lamento, mas a oposição que está aí, na figura de José Serra, ainda não foi capaz de apresentar.</p>
<p>Tivemos quase a metade dos votos válidos. Quem votou na Dilma, muito provavelmente votará de novo. Para o segundo turno, precisamos conquistar mais alguns. Vamos a eles. Próximo round: 31 de outubro.</p>
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		<title>Ainda uma vez</title>
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		<pubDate>Sat, 02 Oct 2010 15:22:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>A eleição é amanhã e nós voltaremos em breve a abordar uma variedade maior de temas. E no que diz respeito aos aspectos urbanos (principalmente, porque é a seara em que eu posso falar mais à vontade), claro que ficaremos de olho e faremos as críticas ou comentários que julgarmos necessários a qualquer medida ou política tomada pelo novo governo. Como eu já disse, um voto não é uma carta branca, não me &#8220;cola&#8221; no candidato em que eu votei. Mas é uma declaração de que eu concordo, pelo menos na maior parte, com o programa, os projetos e ideias apresentados por aquele candidato, e que, portanto, ele me representa melhor do que os outros. Um voto não é uma procuração que eu passo e que depois me dá o direito de ficar sentada vendo televisão e o governo que se vire. É também um compromisso de participação, é uma forma de engajamento num processo, com seus erros e acertos, suas correções de rumo, suas reflexões. Porque ninguém disse que democracia é fácil. E se disse, enganou-se quem acreditou nisso.</p>
<p>Apesar dos mais de 20 anos que se passaram desde o fim do governo militar, nosso histórico republicano é frágil  em termos de vivência democrática, na minha opinião. A gente não conseguiu ainda fazer suceder muitas gerações seguidas de governo realmente democrático, e isso interrompe um aprendizado que só vem com a prática, com a experiência. É preciso que eu vote e participe, meus filhos votem e participem, meus netos votem e participem, e quem sabe a geração deles terá mais amadurecimento que a minha. Como diz o<a href="http://www.idelberavelar.com/"> Idelber</a> muito bem, e eu estou vendo que é isso mesmo, confundir política com moral é das piores armadilhas em que se pode cair. É a Política que funda a Moral, e não vice-versa.</p>
<p>Meu<a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/09/29/falta-pouco-declaracao-de-voto/" target="_blank"> último post</a> foi uma coletânea de citações de gente boa que explica por que motivo vota em<strong> Dilma Rousseff.</strong> Eu disse que queria ter escrito as minhas próprias razões, mas já estava tudo tão bem escrito que eu ia só chover no molhado. Bom, tinha coisas ótimas ali, mas o <strong>definitivo</strong> mesmo só veio hoje. Eu fiquei tão, mas tão emocionada em ler<a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/10/13_razoes_para_votar_em_dilma_rousseff.php" target="_blank"> isso aqui</a>, que meu voto &#8211; se é que isso é possível &#8211; só se encheu de mais convicção e orgulho.</p>
<p>Se você parou aqui e ainda tem disposição para mais dois minutos de leitura, se ainda acha que pode pensar um pouco mais no seu voto, por favor, saia daqui e vá lá no <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/10/13_razoes_para_votar_em_dilma_rousseff.php" target="_blank"><strong>Biscoito</strong></a> <span style="text-decoration: underline;"><strong>AGORA</strong></span>, ler isso. Eu teria enorme orgulho de ter escrito isso, mas ainda tenho que comer muito feijão com arroz pra chegar lá.</p>
<p>Um abraço esperançoso a todos.</p>
<p>PS: Sobre a encrenca dos documentos necessários para votar, o Suel (excelente aluno da UFRJ que participa sempre aí nos comentários e já ensaia suas próprias contribuições no blog <a href="http://articidade.wordpress.com/" target="_blank">Articidade</a>) lembrou que houve mudanças de última hora. Eu encontrei <a href="http://oglobo.globo.com/pais/eleicoes2010/mat/2010/09/30/apos-decisao-do-stf-tire-suas-duvidas-sobre-documentacao-exigida-para-votacao-922672942.asp" target="_blank">essa matéria</a> no Globo, que achei bem explicativa e colo aqui pra vocês. Levem tudo já escrito no papel, nome e número dos seus candidatos, para agilizar. Pelo que eu entendi, basta um documento, mas tem que ter foto. Portanto, só o título não resolve. Em compensação, só a identidade, pode.</p>
<p>Agora, vem cá: vocês viram como foi essa votação no STF? O pessoal tá lá, deliberando sobre a ação de inconstitucionalidade proposta pelo PT a respeito da obrigatoriedade dos dois documentos. Sete ministros já votaram, todos concordando que não é pra obrigar a isso. Aí o Gilmar Mendes recebe telefonema do José Serra (!!!), sai para atender e pede vistas ao processo, interrompendo a votação! Cadê a imparcialidade da Justiça? O Serra não é parte interessada nesse julgamento? Não seria antiético o juiz ouvir uma das partes interessadas assim, no meio da votação?</p>
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		<title>Falta pouco: declaração de voto</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/09/29/falta-pouco-declaracao-de-voto/</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Sep 2010 02:32:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Antes de mais nada, algumas pessoas me avisaram que o blog andou fora do ar. Eu vi, desde sábado pelo menos. Problemas no provedor, já resolvidos. Eu fiquei aflita porque estava com intenção de postar isso aqui no fim de semana, mas antes tarde do que mais tarde.</p>
<p>Não creio que a essa altura do campeonato meu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de mais nada, algumas pessoas me avisaram que o blog andou fora do ar. Eu vi, desde sábado pelo menos. Problemas no provedor, já resolvidos. Eu fiquei aflita porque estava com intenção de postar isso aqui no fim de semana, mas antes tarde do que mais tarde.</p>
<p>Não creio que a essa altura do campeonato meu voto para presidente seja mistério pra ninguém. Ainda assim, resolvi declará-lo abertamente, e o faço em parte por conta de uma discussão que ia começando em sala de aula poucas semanas atrás. Estávamos discutindo um texto sobre espaços livres públicos, e a conversa foi ficando boa e ampla, os alunos participando, o assunto tomou outros rumos, acabamos falando de transporte, de investimentos públicos, eu dei um exemplo usando o jornal O Globo, e um aluno, guiado provavelmente pelo tom com que eu me referi ao jornal e pelo conteúdo das minhas ponderações, perguntou, um tanto surpreso, quase alarmado:</p>
<p>- Professora, a senhora não vai votar na Marina, não é?<br />
Eu, sorrindo, mas sem me alongar: não.<br />
A cara de incrédulo, a entonação mais aguda na voz: &#8211; A senhora vai votar no Serra?<br />
Minha cara de repúdio absoluto: nem morta!</p>
<p>Fica um clima meio estranho na sala, uns segundos antes que alguém se arriscasse:<br />
- Mas então em quem que a senhora vai votar?</p>
<p>Eu juro que não entendi a pergunta. Como se houvesse muitas outras possibilidades. Como eles não podiam considerar como factível que eu fosse votar na Dilma? Resolvi testar:<br />
- Bom, sempre tem o Plínio.</p>
<p>Para meu espanto absoluto, eles não tinham a menor ideia de quem fosse. Nunca tinham ouvido falar. Isso me entristece. Que os alunos, estudantes universitários de uma das maiores universidades públicas no país, não acompanhem minimamente a campanha, não tenham visto (ou lido sobre) um só debate. Achei por bem acabar o suspense, e admiti que votarei na Dilma.</p>
<p>Eu não esperava a reação, e fiquei pensando sobre ela depois. Muita gente fez cara de desagrado, de decepção, de &#8220;como assim&#8221;? Considerei que, ali no meio da aula, não era nem o local nem o momento mais apropriado para fazer campanha partidária. Reiterei que sim, voto na Dilma, sem relutância e com convicção, mas que não falaria sobre isso em sala de aula. Se alguém quisesse saber o porquê do meu voto, poderia me procurar depois, no intervalo, no corredor, ou vir aqui no blog, e eu teria prazer em conversar a respeito.</p>
<p>Esse post tem outros destinatários. Nessa reta final, eu (e a torcida do flamengo) tenho recebido diariamente e-mails que são verdadeiros spams, quase sempre intitulados VAMOS REPASSAR! AINDA DÁ TEMPO! com textos ora insultuosos, ora difamatórios, ora ameaçadores, sobre a possibilidade da Dilma ganhar as eleições. São textos supostamente assinados por Jabor, por Bolsonaro, por articulistas variados da Veja. Todos se referem ao &#8220;passado guerrilheiro&#8221; da candidata, e mais recentemente, aos escândalos de corrupção denunciados a toque de caixa como estratégia de &#8220;vamos partir para o tudo ou nada&#8221;. Quem me manda esses e-mails são colegas, outros alunos, gente conhecida. Nunca me dei ao trabalho de responder, apago e pronto, num clima cada um com seu cada qual. Mas desta última vez, resolvi colocar o pescoço pra fora e dar o meu recado. Já que cada um pode se manifestar livremente no ambiente democrático, e já que não me envergonho em nada do meu voto, dei a seguinte resposta:</p>
<p><em>&#8220;Com o meu mais sincero e respeitoso abraço a todos, defendendo a pluralidade democrática acima de tudo e reiterando que nossa amizade não será interrompida por divergências políticas, mas já que tanta gente se dá ao trabalho de mandar e-mails descendo o cacete na Dilma, no Lula e no PT, quero deixar claro que votarei na Dilma este ano. Com orgulho, com convicção e com esperança, mas não com ilusões imaturas.</em></p>
<p><em>Eu, que nasci em 1965, devo dizer a vocês que se tivesse nascido 10 anos antes, muito provavelmente teria participado da luta armada contra a ditadura militar. Foram tempos pavorosos, e a brutalidade do Estado &#8211; institucional, oficial, aparelhada até os dentes &#8211; não se compara à violência com que tantos jovens reagiram. Matar gente por ideais políticos não é nada bonito, mas o Bolsonaro tentar comparar a quantidade de gente que foi assassinada pelas organizações de esquerda com a quantidade de vidas e famílias que foram arruinadas nos porões militares, torturadas, mutiladas, ou simplesmente desapareceram é ridículo.</em></p>
<p><em>Acenar com o passado guerrilheiro da Dilma pra tentar mobilizar o meu voto pelo medo é tão infantil, tão imbecil, que quase dá dó, se não desse nojo. As pessoas amadurecem (algumas, pelo menos), aprendem, modificam. Se vocês soubessem a quantidade de coisas que eu já defendi na vida, publicamente, e que penso diferente hoje&#8230; Quer votar no Serra, na Marina, ou não votar, com base em ideias, em plataforma, em projeto para o país, em programa, ótimo, é um direito inalienável, que eu respeito. E garanto que o Bolsonaro não tem nada a ver com esse direito, que provavelmente não existiria se dependesse dele. Agora, deixar de votar em alguém por conta desse tipo de argumento é desrespeitar sua capacidade de raciocinar e decidir as coisas por conta própria&#8221;.</em></p>
<p>Se alguém estiver interessado em saber por que eu votarei na Dilma, as explicações estão aqui:</p>
<p><a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/folha-a-mentira-na-primeira-pagina" target="_blank">http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/folha-a-mentira-na-primeira-pagina</a><a href="http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/quando-a-ascensao-social-causa-medo-e-perplexidade.html" target="_blank"><br />
</a> <a href="http://scienceblogs.com.br/brontossauros/2010/08/declaracao_de_voto.php" target="_blank">http://scienceblogs.com.br/brontossauros/2010/08/declaracao_de_voto.php</a><br />
<a href="http://www.amalgama.blog.br/08/2010/por-que-votarei-em-dilma-rousseff/" target="_blank">http://www.amalgama.blog.br/08/2010/por-que-votarei-em-dilma-rousseff/</a></p>
<p>E o meu preferido:<br />
<a href="http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6727" target="_blank">http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6727</a></p>
<p>E sobre a relação Dilma/ditadura, eu peço a vocês, por favor, pra lerem isto com atenção:</p>
<p><a href="http://godotnaovira.wordpress.com/2010/09/13/eis-a-ocasiao/" target="_blank">http://godotnaovira.wordpress.com/2010/09/13/eis-a-ocasiao/</a><br />
<a href="http://www.culturaebarbarie.org/mundoabrigo/2010/09/de-volta-sobre-o-espiao-de-dil.html" target="_blank">http://www.culturaebarbarie.org/mundoabrigo/2010/09/de-volta-sobre-o-espiao-de-dil.html</a></p>
<p>Então é isso. Eu devia escrever a justificativa do meu voto com minhas próprias palavras, mas eu ia repetir a maioria desses argumentos que estão expostos aí, então é mais fácil e rápido assim. Eu estou apostando num país que siga o rumo das mudanças que foram implementadas nos últimos 8 anos: que mais gente tenha acesso à educação, que nosso patrimônio não seja dilapidado em operações privatizantes escusas, que as transformações em habitação, infra-estrutura e urbanização sejam ampliadas de maneira a incluir mais gente, que hoje ainda está de fora dos programas de crédito. Espero também vencer essa eleição domingo agora, em primeiro turno, porque a baba de ódio e rancor destilada pela oposição está fazendo dessa campanha uma das mais sórdidas que eu já acompanhei, e eu temo pela escalada de terror e pela pregação do golpe, que eu às vezes juro que vejo em curso. Se há uma coisa que eu tenho aprendido é que é possível ser adversário, é possível discordar MUITO e ainda assim agir com dignidade, manter a divergência no campo da discussão das ideias. E não é isso que está acontecendo. Eu torço pelo surgimento de uma oposição mais madura, que tenha um projeto concreto para o país, a contrapor ao projeto do PT, seja ele mais à esquerda ou mais à direita, porque isso é importante até para balizar e confrontar as escolhas do próprio governo.</p>
<p>Se houver algum aluno lendo isso (e vale pros amigos que chegarem aqui também), fica aí a defesa da minha posição, conforme prometido. Não se esqueçam de levar o título E o documento de identidade.</p>
<p>Li um livro esses dias&#8230; melhor dizendo, devorei o livro em duas madrugadas e selecionei montes de pedaços para escrever aqui. Chama-se <a href="http://oinstituto.org.br/p2p/?p=52" target="_blank">&#8220;Guia afetivo da periferia&#8221;</a>, de Marcus Vinicius Faustini, editora Aeroplano, patrocínio do Programa Petrobrás Cultural. Se alguém esbarrar com ele por aí, pode comprar sem susto: é bom demais. Li essa resenha <a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/guia-afetivo-da-periferia-todos-somos-centros-1" target="_blank">aqui </a>e gostei muito, de fato a leitura propõe uma nova reflexão sobre centralidades e periferias. Post novo em breve.</p>
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		<title>O cimento, a América Latina e outros pensamentos partilhados</title>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 04:40:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanidades]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
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		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Como prometido, eu vou contar a vocês alguma coisa da palestra do Fernando Lara, a que eu assisti no dia 06 de agosto, no PROARQ (Programa de Pós-Graduação em Arquietura, da FAU-UFRJ).</p>
<p>Eu fiquei realmente encantada com a palestra, como aliás sempre fico ao ouvir o Fernando falar, porque o cara sabe muito, e tem uma facilidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como prometido, eu vou contar a vocês alguma coisa da palestra do <a href="http://parededemeia.blogspot.com/" target="_blank">Fernando Lara</a>, a que eu assisti no dia 06 de agosto, no <a href="http://www.proarq.fau.ufrj.br/site/" target="_blank">PROARQ</a> (Programa de Pós-Graduação em Arquietura, da FAU-UFRJ).</p>
<p>Eu fiquei realmente encantada com a palestra, como aliás sempre fico ao ouvir o Fernando falar, porque o cara sabe muito, e tem uma facilidade de comunicação imensa. Acaba não sendo uma palestra, mas um papo, gostoso, instrutivo, em que você não sente o tempo passar e fica querendo mais quando termina. Dessa vez, o tema era<em><strong> &#8220;O cimento feroz &#8211; considerações sobre arquiteturas contemporâneas da América Latina&#8221;</strong></em>, assunto que ele vem estudando há bastante tempo e desenvolvendo em seus <a href="http://soa.utexas.edu/latitudes/" target="_blank">grupos de pesquisa</a> sobre Arquitetura Latinoamericana  Moderna na <a href="http://www.soa.utexas.edu/lama" target="_blank">Universidade do Texas</a>.</p>
<p>Como é um assunto que eu absolutamente não domino, fui lá aprender. E, como boa aluna, tomei notas, que divido agora com vocês. Já comecei me surpreendendo com a frase-provocação que abriu a conversa, que o Fernando nos informou ter sido dita por Paulo Venâncio, professor da EBA (Escola de Belas-Artes), num livro sobre o Burle Marx. Sente só: &#8220;o brasileiro só consegue lidar com a paisagem mediada pelo cimento&#8221;. Gente, e não é verdade?</p>
<p>Gostei muito dele ter trazido, para começar, uma discussão sobre esse conceito de &#8220;América Latina&#8221;. O que é isso, afinal, o que quer dizer, o que expressa? Nós temos (ou pelo menos muitos de nós) a tendência a naturalizar certos termos e é preciso um certo esforço para ficarmos atentos aos seus significados, e sobretudo ao entendimento de como, quando e onde esses significados foram propostos e construídos. A idéia de uma América &#8220;latina&#8221; surge na segunda metade do século XIX, e é uma tentativa francesa de trazer, para seu círculo de influência &#8220;latinizante&#8221;, uma parte da América que orbitava, em vários aspectos, tanto políticos quanto econômicos, em torno do universo anglo-saxão. A França acenava com nossas raízes latinas, via Portugal e Espanha, para nos suscitar a ideia de uma herança cultural comum, que favorecesse nosso alinhamento aos seus interesses. Eu sei que estou encurtando um assunto que é mais comprido e mais complexo do que isso.  O que nos cabe discutir aqui é que esse conceito, ou esse agrupamento não é fruto de uma identidade própria ou auto-reconhecimento, mas sim uma característica, ou conjunto de características que nos é atribuída por outrem (por mais que hoje muita gente tenha se apropriado positivamente dessa identidade), e se a gente pensar bem,  é um conceito que já nasce problemático. Em outras palavras, não fomos nós mesmos que nos reconhecemos e designamos assim: &#8220;somos latinoamericanos&#8221;, mas um outro, europeu, que  veio nos dizer: &#8220;ei, <em>prestenção</em>, vocês são herdeiros de uma tradição latina, por MEU intermédio, fiquem aqui do meu lado&#8221;.  E vingou, né? Ou melhor, vingou especialmente a denominação. Não necessariamente o interesse francês.</p>
<p>Mas qual seria esse nosso traço comum, que nos permitiria abrigar-nos todos sob esse &#8220;guarda-chuva&#8221;? Um recorte simplesmente geopolítico arbitrário, que diz que do México pra baixo é tudo latinoamericano? Mas e as Ilhas Virgens, as Guianas holandesa e inglesa, as outras colônias de povos não-latinos no Caribe? Bom, seria então uma unidade linguística? Não, nesse conjunto de países há falantes de outras línguas também. Seria uma unidade religiosa? Econômica? Há algum dado <em>a priori</em> que permita nos agrupar sob esta classificação? Ele vai desmontando e desnaturalizando o conceito, pra mostrar que qualquer denominador comum que se busque tem seus furos, ou seja, dizer &#8220;América Latina&#8221; é enfatizar uma construção política e cultural, que serve (ainda hoje) a determinados interesses, para o bem ou para o mal.</p>
<p>Agora, uma coisa que muito me impressionou, das diversas imagens que ele mostrou, fruto da transcrição cartográfica das pesquisas que ele vem fazendo, é como, nas nossas revistas de arquitetura, aparece tão hegemonicamente a produção do hemisfério norte, em detrimento da produção abaixo da linha do Equador! Ele fez um levantamento em diversas revistas, das obras que são mencionadas, apresentadas como significativas da produção arquitetônica contemporânea. E foi marcando com uma bolinha num mapa mundi a localização da tal obra. Tá lá: só dá hemisfério norte! E ele mostrou, com exemplos muito legais, que não é por falta de produção de qualidade do lado de baixo do Equador, mas por falta de valorização e divulgação dessa produção. E isso não é só no Brasil. Segundo o Fernando, falta uma maior comunicação e trocas entre arquitetos e urbanistas &#8211; vá lá &#8211; latinoamericanos. Nas revistas brasileiras saem artigos e críticas sobre obras brasileiras, européias, norteamericanas, alguma coisa asiática. Nas revistas colombianas saem sobre obras colombianas, européias, norteamericanas, asiáticas. Nas revistas argentinas, a mesma coisa. E assim em todo lado.</p>
<p>A partir daí, ele começou a mostrar arquitetos e arquiteturas desses países nossos vizinhos, e, veja bem, a audiência da palestra era quase toda de professores e estudantes de mestrado e doutorado de arquitetura (e alguns dos meus alunos da graduação que eu chamei também), e é impressionante que tantos nomes que ele citou nós simplesmente nunca tínhamos ouvido falar, ou mal conhecíamos o nome. Entre tantos edifícios e intervenções urbanas de qualidade, um traço comum: o uso maciço do concreto, do tal &#8220;cimento feroz&#8221;, algumas vezes com rara poesia e leveza.</p>
<p>Vou mencionar apenas alguns (deixei os brasileiros de fora dessa vez, e ele mostrou projetos ótimos também) e fazer vocês irem pesquisar a respeito:</p>
<p><a href="http://www.rafaeliglesia.com.ar/first-E.htm" target="_blank">Rafael Iglesia</a> (Argentina), que diz que nós não temos História, mas Geografias, porque estamos sempre fazendo tabula rasa para novos experimentos;<br />
<a href="http://www.worldarchitecture.org/world-architects/index.asp?worldarchitects=architectdetail&amp;country=Mexico&amp;no=3" target="_blank">Alberto Kalach</a> (México);<br />
<a href="http://www.arqsaez.com/" target="_blank">José Maria Saez</a> (Equador);</p>
<div id="attachment_837" class="wp-caption aligncenter" style="width: 600px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/montagem-latino.jpg"><img class="size-full wp-image-837" title="montagem-latino" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/montagem-latino.jpg" alt="" width="590" height="564" /></a><p class="wp-caption-text">Acima, à esquerda, uma escada maravilhosa de Iglesia, que não usa um único prego, só encaixe. Ao lado, a Biblioteca Nacional, do Kalach, no México. Abaixo, também do Kalach, a casa que está na página de abertura do seu site</p></div>
<p><a href="http://www.alejandroaravena.com/" target="_blank">Alejandro Aravena</a> (Chile): gostei muito de um projeto que foi mostrado, de habitação social, batizado de <a href="http://www.elementalchile.cl/viviendas/quinta-monroy/quinta-monroy/" target="_blank">Elemental</a>, que usa alguns blocos-padrão, modulares, intercalados com espaços livres que permitem que cada família construa o restante da unidade conforme suas necessidades (e possibilidades), gerando uma diversidade formal muito rica e interessante.</p>
<div id="attachment_838" class="wp-caption aligncenter" style="width: 790px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/Alejandro-Elemental-quintamoroy.jpg"><img class="size-full wp-image-838" title="Alejandro-Elemental-quintamoroy" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/Alejandro-Elemental-quintamoroy.jpg" alt="" width="780" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Casas em Quinta Monroy, no Chile, nessa &quot;metodologia&quot; do Elemental, que permite arranjos posteriores diferentes com maior flexibilidade para os moradores. </p></div>
<p>Em todos os projetos apresentados, havia uma preocupação de melhoria e valorização do espaço público como estratégia para um melhor exercício da cidadania. E sobretudo, uma enorme confiança na arquitetura, no espaço construído, como elemento impactante nessa transformação. A premissa é de que ao construir creches, escolas, postos de saúde, praças, conjuntos habitacionais de grande qualidade formal e espacial você está, de certa forma, &#8220;educando&#8221; as novas gerações, oferecendo a possibilidade delas incorporarem novos parâmetros de qualidade, que as tornem mais críticas e exigentes no futuro. Isso é genial.</p>
<p>Eu achei espetacular saber que, na Colômbia, por exemplo, há uma lei que obriga todo projeto em terreno público, com mais de 5000 m2 de área construída, a ser alvo de concurso público. E tá certo. Isso provoca uma profunda renovação na arquitetura local, e contribui de maneira fundamental para a melhoria dos nossos referenciais construtivos. Estimula talentos novos, revigora o ensino, alavanca a pesquisa e o investimento em novas tecnologias, diversifica a paisagem urbana, favorece o controle e a fiscalização dos gastos públicos com as obras. Já pensou isso aqui, no Rio, no Brasil, com as obras da Copa e das Olimpíadas? Com a requalificação da área portuária? Nós só teríamos a ganhar, eu tenho certeza!</p>
<p>&#8212;&#8212;- x &#8212;&#8212; x &#8212;&#8212; x &#8212;&#8212;</p>
<p>Umas rapidinhas, pra fechar por hoje:</p>
<p>- imperdível o <a href="http://sexismonapolitica.wordpress.com/2010/08/29/campanha-incentivando-violencia-contra-candidata/" target="_blank">post da Cynthia</a>, no blog <a href="http://sexismonapolitica.wordpress.com/" target="_blank">Sexismo na política</a>. É pra ser lido e divulgado. Longe de ser uma brincadeira, o teor da malfadada campanha é de um mau gosto grotesco e revela o quanto a violência contra a mulher continua um assunto sério e descuidado no país. E não se trata de uma defesa partidária, nem de falta de humor. É muito mais grave e amplo do que isso.</p>
<p>- ainda sobre política, um aviso importantíssimo: não se esqueçam que, este ano, para poder votar, não basta levar o título de eleitor à seção eleitoral. É <strong>OBRIGATÓRIO</strong> levar <strong>TAMBÉM</strong> um <strong>DOCUMENTO DE IDENTIDADE, OFICIAL, COM FOTO! </strong>Ou seja, são <span style="color: #ff0000;"><strong>DOIS DOCUMENTOS:</strong></span> o título e a identidade. Serve a carteira de identidade propriamente, passaporte, carteira de trabalho, carteira de habilitação, mas tem que ter foto. Divulgue essa notícia entre todos os seus conhecidos. Não vamos perder votos por causa disso, gente!</p>
<p>(nem vou entrar no mérito do quão &#8220;oportuna&#8221; é essa lei, e do quanto ela provavelmente vai punir os eleitores mais humildes, que muitas vezes não têm documentação completa, e o pessoal das cidades mais do interior, para quem, talvez, essa informação nem seja suficientemente divulgada. Olho vivo)</p>
<p>- fechando com mais política e cidade: ao escolher seus candidatos, se possível, avalie também a posição deles em relação aos nossos principais temas urbanos: habitação, saneamento, mobilidade e acessibilidade, sustentabilidade, educação. De preferência, do ponto de vista da maior inclusão social possível, democratizando o acesso do maior número de pessoas a esses bens e serviços, e que eles tenham mais qualidade, em todos os sentidos.</p>
<p>- agora é pra fechar, mesmo. Por falar em mobilidade e cidadania, não posso deixar de recomendar, também, veementemente, o<a href="http://mateipormenos.apostos.com/2010/08/26/antes-morrer-de-bicicleta/" target="_blank"> post da Juliana</a>, sobre a banalização da morte de pedestres por atropelamentos. No mesmo assunto, sempre tem textos interessantíssimos no<a href="http://www.apocalipsemotorizado.net/" target="_blank"> Apocalipse Motorizado</a>, como <a href="http://www.apocalipsemotorizado.net/2009/01/12/a-maioria-silenciosa/" target="_blank">esse daqui</a>, do ano passado.</p>
<p>Volto já, até daqui a pouco.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Verás que um filho teu não foge à luta*</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 22:47:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Eu pensei, de verdade, que durante as férias eu ia conseguir voltar a escrever com calma e mais regularidade. Vejo que subestimei o tamanho do meu cansaço. Eu estava realmente exausta, e bateu aquele vazio, aquela vontade de só dormir e mais nada. Acho mesmo que não cheguei a descansar tudo o que precisava, e diariamente [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu pensei, de verdade, que durante as férias eu ia conseguir voltar a escrever com calma e mais regularidade. Vejo que subestimei o tamanho do meu cansaço. Eu estava realmente exausta, e bateu aquele vazio, aquela vontade de só dormir e mais nada. Acho mesmo que não cheguei a descansar tudo o que precisava, e diariamente me sinto atropelada pelo ritmo do novo semestre que já começou com toda a corda, enquanto eu ainda me sinto zonza, com sono e com mais de 5 semanas de trabalho atrasado. Eu vejo o futuro repetir o passado e o tempo não pára. Ticking away the moments that make up a dull day&#8230; waiting for someone or something to show you the way. Cara, eu preciso sacudir a cabeça, espanar a letargia e me mexer.</p>
<p>Nesse tempo em que eu estive parada, pelo menos algumas coisas boas aconteceram, e uma das melhores, sem dúvida, foi a volta do<a href="http://www.idelberavelar.com/" target="_blank"> Idelber </a>e seu <a href="http://www.idelberavelar.com/" target="_blank"><strong>Biscoito Fino</strong></a>, que podemos voltar a degustar diariamente. Corre lá que tem <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/jose_serra_e_seu_descompasso_com_o_mundo.php" target="_blank">muita</a> <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/sobre_o_conflito_colombiano.php" target="_blank">coisa</a> <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/autocritica_do_dunguismo_de_esquerda.php" target="_blank">ótima</a>.</p>
<p>Outro fato que me surpreendeu também foi a repercussão <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/07/12/posso-falar-um-pouquinho-sobre-gramatica/" target="_blank">deste post</a> sobre gramática, tema que nem é central no blog, mas que foi alvo de um desabafo meu enquanto corrigia provas dois meses atrás, e que rendeu boas conversas e um debate interessante na <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/07/12/posso-falar-um-pouquinho-sobre-gramatica/#comments" target="_blank">caixa de comentários</a>.</p>
<p>Quero voltar a falar dos assuntos parados. Ouvi uma observação um tempo atrás que está correta, e cuja constatação me causa incômodo: eu tenho o mau hábito de iniciar (e anunciar) séries que depois não levo adiante, gerando expectativas e causando alguma frustração nos que gostariam de acompanhar o desenrolar do assunto. As cidades muçulmanas foram as últimas vítimas. Mas vou retomar (eu já ia completando com um &#8220;prometo&#8221;, mas achei melhor não. Minhas promessas bloguísticas não estão valendo muito na praça). Pra ir reesquentando os motores, eu dou uma sugestão de filme: <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/o-que-resta-do-tempo/#ficha-tecnica" target="_blank"><strong>O que resta do tempo</strong></a> (<a href="http://www.imdb.com/title/tt1037163/" target="_blank">The time that remains</a>), de Elia Suleiman. Aqui no Rio acho que já saiu de cartaz, mas a gente pode colocar na lista de espera para o dvd. O filme trança a vida do próprio diretor, recuperada através dos diários do pai e de cartas da mãe, com a história de ocupação da Palestina pelo governo israelense nos últimos 60 anos. Só não concordo, no título da <a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/04/29/e29049133.asp" target="_blank">resenha do jornal</a>, com chamar de &#8220;conflito&#8221; uma guerra cruel que já se tornou um verdadeiro massacre.</p>
<p>Além das cidades muçulmanas eu estou devendo falar mais sobre algumas impressões de viagem, no que diz respeito à análise de espaços públicos e projetos urbanos. Enquanto isso, algumas coisas:</p>
<p>- No<a href="http://www.bb.com.br/portalbb/home22,128,10151,0,0,1,1.bb?codigoMenu=9887" target="_blank"> Centro Cultural do Banco do Brasil</a> aqui no Rio, está em cartaz uma belíssima<a href="http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10154,1,0,1,1.bb?dtInicio=8/2010&amp;codigoEvento=3535" target="_blank"> exposição</a> sobre a viagem capitaneada pelo alemão <strong>Langsdorff</strong> ao interior do Brasil entre 1821 e 1829. Eu acho fascinante que a gente tenha descoberto tanto do nosso país através dos olhos de tantos estrangeiros que por aqui estiveram, que pintaram as paisagens, as cenas urbanas,  retrataram índios, negros, portugueses, mestiços, recolheram espécimes de plantas e bichos, relataram em seus diários os hábitos, os eventos, as aventuras que viveram. Além das aquarelas bem ao gosto do Enciclopedismo típico da época, há mapas e plantas de cidades, e um texto cuidadoso que fala das circunstâncias da expedição e seus personagens &#8211; Rugendas, Taunay, Florence. Até 26 de setembro, entrada franca.</p>
<p>- Outra exposição que estou louca para ver, mas ainda não entrou em cartaz é <a href="http://mapasinvisiveis.wordpress.com/2010/08/11/a-cidade-e-sua-escrita/" target="_blank"><strong>Mapas invisíveis</strong></a>, que vai estrear na Caixa Cultural (prédio da Caixa Econômica do Rio, no Centro, próximo ao Largo da Carioca) no dia 08 de novembro. Neste <a href="http://mapasinvisiveis.wordpress.com/" target="_blank">link</a> você pode ver em que consiste a proposta, os artistas que participarão, e acompanhar as discussões a respeito.</p>
<p>- No próximo post eu quero comentar a palestra que assisti na UFRJ há poucas semanas, com o <a href="http://parededemeia.blogspot.com/" target="_blank">Fernando Lara</a>, com o instigante título de <strong>&#8220;O cimento feroz: considerações sobre Arquiteturas Contemporâneas da América Latina&#8221;</strong>. Fiz diversas anotações, e alguns aspectos do que ele disse me chamaram muito a atenção, quero dividir com vocês.</p>
<p>- Por fim, um assunto que tanta gente evita, mas que eu acho necessário trazer pra frente da discussão: as nossas próximas eleições. Quem me acompanha aqui ou no <a href="https://www.google.com/reader/view/?tab=my#overview-page" target="_blank">GReader</a>, pelos links que partilho, sabe o que penso e as ideias que defendo. O que isso tem a ver com a cidade e com os temas urbanos que procuramos discutir aqui? TUDO. Vocês já se deram conta de que o mesmo termo grego que designa a cidade &#8211; POLIS &#8211; está na raiz da palavra POLÍTICA? Em que pesem as diferenças históricas e conceituais entre a democracia grega e a democracia contemporânea, a política continua sendo essencialmente a expressão da nossa participação na vida da cidade (ou do país, do mundo) em que vivemos. Todas as nossas ações e decisões nesse sentido são políticas, mesmo &#8211; e especialmente danosas &#8211; as de não participar (ou achar que não está participando do processo ao dar as costas).</p>
<p>Eu prezo acima de tudo a pluralidade democrática, que nos permite fazer nossas escolhas e manifestá-las livremente. Sobre isso, vou contar uma coisa. Estava em sala de aula esta semana, falando sobre plano diretor e as modificações trazidas pela <a href="http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/dh/volume%20i/constituicao%20federal.htm" target="_blank">Constituição de 1988</a>, em seus artigos 182 e 183, que tratam da política de desenvolvimento urbano e enfatizam a função social da propriedade (artigos regulamentados em 2001 pelo <a href="www.ibam.org.br/publique/media/Cidade.pdf" target="_blank">Estatuto da Cidade</a> &#8211; link em pdf), quando me dei conta de que estavam todos me olhando como se eu falasse do século passado (e pior que eu falava mesmo!). Perguntei e não deu outra: ninguém ali tinha nascido antes disso. Uau!  Em 1988 eu era uma pirralha recém-formada em Comunicação Social, morando no interior do Tocantins, trabalhando como jornalista (péssima jornalista, diga-se, sem nenhuma paixão pela profissão, tanto que larguei), engajada na minha primeira eleição para presidente da República (Collor x Lula, 1989). A maioria dos meus alunos passou a infância na década de 90, enquanto eu tinha filhos e fazia minha segunda faculdade.</p>
<p>Há entre vários desses jovens uma crença disseminada de que não vale a pena se interessar ou participar do processo político porque  os políticos são todos corruptos, ninguém presta, o jogo é sujo e portanto tanto faz, melhor não votar, anular para mostrar minha insatisfação &#8220;com tudo isso que está aí&#8221;. Este pensamento encerra, pra começar, uma premissa moral de que a política deveria ser um sacerdócio praticado por idealistas isentos de qualquer interesse próprio, seres 100% honestos, abnegados, incorruptíveis. Algum de nós é assim? A política é uma fricção constante, uma negociação por objetivos e estratégias, praticada por atores que agem e também sofrem os resultados de suas ações, que têm interesses, bagagens culturais, históricas, sociais diferentes. E não estou falando só dos detentores de cargos eletivos, mas de todos nós que &#8211; ainda que sem perceber &#8211; fazemos política o tempo todo. Associações civis, grupos de empresários, comunidade acadêmica, sindicatos e organizações profissionais, cidadãos que constroem e partilham o espaço urbano o tempo todo.</p>
<p>Eu me pergunto: a quem interessa esse discurso e essa prática, de despolitização? Quem se beneficia da apatia política, da desmobilização popular, do clima de não-vale-a-pena? Que bem pode fazer à democracia o meu nariz torcido, o meu desdém, a minha ilusão de que eu não faço parte disso tudo? Quem ocupa a brecha deixada pelos que dão as costas? Qual a alternativa? Sim, porque o lugar do poder e da decisão será sempre ocupado, quer eu goste ou não. E a minha recusa em meter a colher nesse mingau sob a alegação de que é tudo imundo e eu não quero me sujar só abre espaço pra mais daquilo que eu tanto critico. Melhor prestar atenção, acompanhar, cobrar, participar. Pensem nisso antes de ir às urnas em outubro.</p>
<p>Volto já. Mesmo.</p>
<p><em>* Referência à excelente arte feita sobre a capa da revista Época desta semana, que destaca ameaçadoramente o &#8220;passado guerrilheiro&#8221; da candidata do PT à presidência, Dilma Roussef.</em></p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/dilma_ALUTA.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-822" title="dilma_ALUTA" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/dilma_ALUTA.jpg" alt="" width="200" height="267" /></a></p>
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