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	<title>Urbanamente &#187; Rio de Janeiro</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>Desculpa esfarrapada, de novo.</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 15:13:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanidades]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Eu não vou me alongar muito, porque todo mundo já leu, já viu, já reclamou. É só pra não deixar passar em branco e marcar minha posição também.</p>
<p>O evento foi evangélico, como podia ter sido católico, espírita ou budista, não interessa. Foi na Zona Sul, como podia ter sido no Centro ou na Zona Oeste, tanto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } -->Eu não vou me alongar muito, porque todo mundo já leu, já viu, já reclamou. É só pra não deixar passar em branco e marcar minha posição também.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/caos1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-771" title="caos1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/caos1-300x191.jpg" alt="" width="300" height="191" /></a>O evento foi evangélico, como podia ter sido católico, espírita ou budista, não interessa. Foi na Zona Sul, como podia ter sido no Centro ou na Zona Oeste, tanto faz. Foi uma sucessão de erros grossos e teve uma lista de consequências danosas à cidade como um todo, além de desnudar, mais uma vez, o despreparo dos nossos governantes para administrar a cidade, começando pelo argumento estapafúrdio de que <a href="http://www.sidneyrezende.com/noticia/83034+nao+dimensionamos+direito+o+evento+diz+cet+rio+sobre+caos+no+dia+do+culto" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.sidneyrezende.com/noticia/83034+nao+dimensionamos+direito+o+evento+diz+cet+rio+sobre+caos+no+dia+do+culto?referer=');">dimensionaram mal a proporção do evento</a>, passando pelo desencontro de informações e o repetitivo empurra-empurra de responsabilidades e terminando com o <a href="http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20100421180756&amp;assunto=40&amp;onde=Brasil" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20100421180756_amp_assunto=40_amp_onde=Brasil&amp;referer=');">pedido de desculpas</a> (de novo) patético do prefeito, com a promessa vã de que “não vai acontecer de novo”. Pode começar lendo <a href="http://noticias.terra.com.br/transito/interna/0,,OI4397530-EI11777,00-Edir+Macedo+diz+que+megaevento+religioso+no+RJ+se+repetira.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/noticias.terra.com.br/transito/interna/0_OI4397530-EI11777_00-Edir+Macedo+diz+que+megaevento+religioso+no+RJ+se+repetira.html?referer=');"><strong>aqui</strong></a> a bravata do Sr. Edir Macedo, que desafia a cidade e as autoridades impunemente, sabendo do poder de fogo que tem. Leia-se aí, com todas as letras, poder político, além do econômico.</p>
<p>Aliás, parênteses. Não é novidade pra ninguém, mas eu vou deixar bem claro que não há a mais remota possibilidade de eu vir a votar no Serra nem pra síndico de prédio, que dirá pra presidente. Não voto e faço campanha contra. Mas quando eu vejo o PT negociando apoio com Garotinho ou Crivella me dá um desespero e uma vergonha tão grandes que chacoalham todas as minhas mais tolerantes convicções. Eu queria mesmo era que o Idelber viesse me explicar por que cargas d&#8217;água, em nome do tabuleiro político-eleitoral, eu devo engolir esse tipo de aliança. Isso é um apelo sincero e numa boa, de quem quer aprender e entender mesmo. Fecha parênteses.</p>
<p>Mas voltando ao nosso feriado. Foi um espetáculo de mídia, ocorreu em várias capitais do país simultaneamente (<a href="http://www.diariosp.com.br/Noticias/Dia-a-dia/4131/Evento+da+Universal+cria+o+caos+no+transito" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.diariosp.com.br/Noticias/Dia-a-dia/4131/Evento+da+Universal+cria+o+caos+no+transito?referer=');">olha aqui o Diário de São Paulo contando dos 16 km de engarrafamento na Marginal Pinheiros por conta da igreja de lá</a>), e muito mais do que “louvar a Deus”, isso <a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/04/22/e22046687.asp" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/jbonline.terra.com.br/pextra/2010/04/22/e22046687.asp?referer=');">só pode ser demonstração de poder em ano eleitoral</a> (pra quem tiver interesse, esse link é de uma matéria no Jornal do Brasil, em que a presidente da Associação de Moradores de Botafogo afirma que o administrador regional da área, Rodrigo Pian, comunicou aos representantes comunitários, durante reunião, que o culto era um acontecimento político, porque &#8220;o prefeito não pode desperdiçar um milhão de votos&#8221;).</p>
<p>Agora, como é que a prefeitura autoriza uma coisa dessas? Baseado no fato de que os organizadores prometeram que só dava 100 mil pessoas e os ônibus iam ficar estacionados nos locais autorizados? Se a Associação de Moradores da minha rua solicitar licença pra fazer uma festinha na praça com 500 pessoas e aparecerem 5.000, infernizando a vida do bairro, quem é que vai pagar o pato? É fácil assim? Eu digo um número, a prefeitura engole e depois eu faço o que bem entendo? Se fosse a primeira vez que isso tivesse acontecido, a gente ainda podia dar desconto, mas não é. E não será a última, a julgar pela ameaça do líder da igreja (sim, o que ele fez foi ameaça, no mesmo nível de qualquer bandido que peita a polícia dizendo que vai “barbarizar”).  Bom, depois de tudo que eu acabei de falar essas perguntas ficam até um pouco  sem sentido&#8230;</p>
<p>Além do aspecto abominável mas pontual do trânsito caótico (eu digo pontual porque circunscrito num tempo curto, ainda que inaceitável assim mesmo), há os custos e danos do dia seguinte, com a sujeira deixada e a depredação de árvores do parque. Há o cerceamento do direito das pessoas de circular (porque não só os ônibus regulares quase desapareceram, já que as empresas deslocaram todos para transportar os fiéis, por mais que digam o contrário, mas os poucos que rodavam não conseguiam fazer seus trajetos por causa dos engarrafamentos e obstruções no trânsito); há o cerceamento do direito ao lazer porque as pistas do Aterro, que em dias de feriado deveriam ser espaço público de recreação ficaram tomadas por filas intermináveis de ônibus estacionados irregularmente. Mas sobretudo, ao meu ver, há o desprezo debochado e o desrespeito a qualquer traço de ordem pública, e a sensação de que nossos governantes não têm força, coragem ou interesse para fazer valer a lei. E quando, numa cidade, a população se vê assim abandonada por quem deveria cuidar do bem público, isso abre ou alimenta o precedente perigoso do salve-se quem puder, que agora vale tudo. E isso, sim, é preocupante.</p>
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		<title>Indo além e mais fundo</title>
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		<pubDate>Wed, 07 Apr 2010 17:35:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[enchente]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Passado o meu momento de “lamúrio de quem fica preso no trânsito”, como disse muito bem o Sakamoto, apontando ainda que “demorar para voltar para casa é o de menos. Pelo menos tem se a certeza de que ainda existe uma casa para voltar”, e – confesso – depois de uma longa e confortável noite de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } -->Passado o meu momento de “lamúrio de quem fica preso no trânsito”, como disse muito bem o <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/2010/04/06/estava-chovendo-em-sao-paulo-e-agora-no-rio-muito/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/blogdosakamoto.uol.com.br/2010/04/06/estava-chovendo-em-sao-paulo-e-agora-no-rio-muito/?referer=');">Sakamoto</a>, apontando ainda que <em>“demorar para voltar para casa é o de menos. Pelo menos tem se a certeza de que ainda existe uma casa para voltar”</em>, e – confesso – depois de uma longa e confortável noite de sono, eu gostaria de tentar ir além da questão “nós jogamos lixo na rua e isso entope os bueiros”. Tá, educação é fundamental, mas a gente pode ir mais fundo e analisar questões mais estruturais na nossa cidade. Ponderando, algumas coisas me vieram à cabeça. São reflexões de primeiro momento, eu não aprofundei, não pesquisei dados, mas também não quis deixar passar o instante. Como eu já disse hoje por e-mail pra alguns amigos, a televisão tá cheia de análises altamente instrutivas feitas por todo tipo de especialista. Mas assim que secar tudo e voltar a fazer sol, voltamos à rotina e ninguém fala mais nisso, até a próxima tempestade. Que virá, óbvio.</p>
<ol>
<li>A primeira coisa é que eu tenho 	visto muita gente falando alarmada sobre os efeitos do aquecimento 	global. Não sei disso, não. Pra mim, que não estudo isso e posso 	estar dizendo asneira, e do ponto de vista estrita (e estreitamente) 	relativo da minha curta experiência pessoal, os padrões de mudança 	de estação parecem estar se alterando mesmo. As famosas águas de 	março há algum tempo viraram águas de abril, o verão começa pra 	valer mais tarde e se estica mais, essas coisas. Os arautos da 	catástrofe iminente também anunciam que tudo está ficando mais 	intenso em todo o mundo, terremotos, furacões, tempestades. Numa 	escala de tempo mais &#8230; planetária, digamos assim, eu não saberia 	dizer se é isso mesmo. Vejam bem, eu não estou negando os efeitos 	tantas vezes danosos da ação do homem sobre o equilíbrio de 	forças da natureza, mas acho que a gente devia ver essa questão é 	pelo outro lado. Explico. Eu não sei se (ou quanto) os nossos 	padrões de urbanização e ocupação do solo causam ou 	potencializam esses fenômenos, mas sei que nossos padrões de 	urbanização e ocupação do solo são grandemente responsáveis 	pelas consequências, isto é, pelo fato de nós sofrermos mais cada 	vez que uma chuva como essa acontece.</li>
<li>Eu estou vendo na televisão todo 	mundo falando da ocupação irregular das encostas e do risco que 	isso representa. Calma que chegaremos lá. Mas tem outro aspecto que 	quase ninguém fala, que é o da crescente impermeabilização do 	solo nas nossas cidades.  O ciclo da água prevê que uma parte 	significativa do volume de água que cai do céu precisa retornar ao 	lençol freático, mas a gente vai expandindo as cidades 	indefinidamente, asfaltando, cimentando, e a água não tem como 	escoar, acumulando-se mesmo. Aí quando o Código de Obras 	estabelece parâmetros de construção que limitam a ocupação do 	solo urbano a uma porcentagem da área do lote, eu ouço um monte de 	gente reclamando.  Ah, sim, e <a href="http://oglobo.globo.com/rio/mat/2009/11/02/camara-de-vereadores-aprova-peu-das-vargens-914575545.asp" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/oglobo.globo.com/rio/mat/2009/11/02/camara-de-vereadores-aprova-peu-das-vargens-914575545.asp?referer=');">querem expandir a cidade</a>, num padrão 	Barra da Tijuca, lá pros lados de Vargem Grande e Vargem Pequena. 	Afinal, a gente ainda tem muito espaço pra cimentar e cobrir de 	condomínio, shopping e avenidas largas. Não tem galeria de água 	pluvial que dê conta, gente, ponham isso na cabeça.</li>
<li>E já que falamos de ocupação 	irregular das encostas. Aquele noticiário que passa na tv antes da 	novela, com o casal bonitinho fazendo cara de consternado na 	bancada, tava ontem mostrando que grande parte do problema é a 	ocupação irregular  desordenada da cidade, o monte de barraco de 	pobre que se pendura irresponsavelmente nos morros da cidade. Aí 	mostra o governador dizendo que a prefeitura tem que ser dura, 	remover, e que não adianta, porque as pessoas insistem em morar aí 	e voltam pros mesmos lugares assim que pára de chover. Poupe-me. 	Insistem como se elas tivessem muita escolha (“vou morar nesse 	bairro com rede de água e esgoto”, deve dizer a mulher. “Ah, 	não, eu prefiro morar ali em cima naquela encosta bonita”, 	responde o marido). Claro que há ocupação irregular e sobretudo 	desordenada, não tem ninguém aqui defendendo que as pessoas devem 	continuar onde estão, sob risco constante, óbvio que as pessoas 	devem ter lugares dignos e seguros para morar, mas ninguém fala (ou 	não fala o suficiente) que a grande questão é que deve haver uma 	<strong>política habitacional</strong> séria e consistente, e não apenas esforços 	de remoção de meia dúzia na hora que tá tudo vindo abaixo. Como 	diz, de novo, o Sakamoto, <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/2010/04/06/estava-chovendo-em-sao-paulo-e-agora-no-rio-muito/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/blogdosakamoto.uol.com.br/2010/04/06/estava-chovendo-em-sao-paulo-e-agora-no-rio-muito/?referer=');">“considerando que quando há um problema 	urbano os mais pobres são expulsos do lugar onde estavam para um 	lugar perto da esquina entre o “não me encha o saco” com o “não 	me importa aonde”, é de se esperar também que a remoção deles 	de áreas de risco e de locais inundáveis também seja precedida de 	grandes protestos”</a>. <strong>Política habitacional séria, de verdade</strong>. 	Procurem por este item no programa dos candidatos em quem vocês 	pretendem votar esse ano.</li>
<li>Outra coisa que eu não aguento: 	tudo agora será apresentado em termos de glorificar ou culpabilizar 	as pessoas individualmente. É o heroísmo do cara que saiu de sua 	casa pra ajudar a resgatar o pobre-coitado, a solidariedade das 	pessoas que mandam donativos, o conjunto de dramas pessoais de quem 	perdeu casa, sofá, mercadoria, parente. Tudo com imagens impactantes e um fundo musical 	pungente. Tudo fica num plano midiático, fácil de explorar através 	da provocação de empatia ou indignação. Tratar o assunto 	individualmente não é solução.  O todo é muito maior do que a 	costura dos vários casos pessoais. É uma questão de <strong>política 	pública</strong>, de <strong>ação coordenada de planejamento</strong>. E mesmo a política 	habitacional mais extensa e eficiente não vai resolver a questão 	se nós continuarmos produzindo miséria, porque novos pobres e 	novos barracos surgirão. Mas é mais fácil situar o problema – e 	a solução – nos outros. Aí a gente chora, manda uns cobertores 	e mantimentos, bate palma pra coragem dos bombeiros, diz que a culpa 	é do prefeito (ou mesmo de quem joga lixo na rua, que nunca somos 	nós, claro) e pode tocar com a vida.</li>
<li>O Rio de Janeiro tem, sim, uma 	situação geográfica frágil, com o território ocupado por três 	grandes maciços rochosos, entre os quais existem faixas de terra 	estreitas, cuja ocupação, historicamente, se deu &#8211; em extensas áreas, principalmente do Centro da cidade &#8211; através do 	dessecamento de brejos e mangues e da construção de aterros. Isso 	explica muita coisa, mas não justifica. Um outro ponto que eu quero 	levantar pra quem teve paciência de ler até aqui, por exemplo, é como nós 	encaramos e tratamos os rios da cidade. A solução engenheirística 	clássica, há mais de século, é retificar o traçado dos rios e 	encaixotá-los em canais concretados, com avenidas de ambos os lados. 	Canal do Mangue, na Presidente Vargas, Francisco Bicalho, Av. 	Maracanã, Av. Visconde de Albuquerque, Av. Paulo de Frontin, quem 	lembra de mais algum? Tem aos montes. Ou então simplesmente cobrir 	o rio, transformando-o em galeria subterrânea. Alguém lembra que o 	Rio Carioca nasce ali em Santa Teresa e atravessava originalmente 	tudo o que hoje é Cosme Velho e Laranjeiras, para desaguar na Praia 	do Flamengo? Ele continua lá, sob as ruas desses bairros. Os rios e 	cursos d&#8217;água têm , além do seu leito “normal”, o que nós 	chamamos de leito inundável, que também é normal, e que é a 	área, para além de sua margem, sujeita a inundação em 	determinados momentos, por questões de maré ou de ciclos de chuva. 	Mesmo rios saudáveis e sem lixo ou esgoto, transbordam em situações 	extraordinárias e é possível calcular esse volume extra e se 	preparar para ele. Mas a gente não respeita as faixas marginais, 	acha exagero, reclama. Não só a população mais pobre constrói 	suas casas “em cima” dos rios e canais, mas a cidade formal 	também dá as costas aos rios, asfalta suas margens, considera-o um 	entrave. Depois, reclama da violência das águas. Não é o rio que 	é violento e transborda, nós é que somos violentos com o rio ao 	aprisioná-lo em galeria cimentada e não respeitar seus ciclos. Os 	canais viram esgotos e os rios são percebidos como obstáculo, como 	problema urbano. É preciso mudar essa mentalidade e propor 	tratamentos paisagísticos diferentes, projetos que incluam os rios 	de maneira favorável à cidade, ao lazer, e, por que não, ao 	escoamentos das águas de chuva (mas sem fazer ciclovias 	me-engana-que-eu-gosto como essa <a href="http://guaciara.wordpress.com/2010/03/23/a-ciclovia-da-merda/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/guaciara.wordpress.com/2010/03/23/a-ciclovia-da-merda/?referer=');">aqui </a>de São Paulo, por favor).</li>
<li>Por fim e não menos importante, 	nós, definitivamente, temos carros demais nessa cidade. E eles 	foram os protagonistas de diversas manchetes e imagens de desolação. 	São os carros boiando, sendo abandonados, ficando presos em 	engarrafamentos monstruosos, tendo que ser rebocados, cheios de 	lama, no dia seguinte. Eu sei, eu estava de carro também. E embora 	eu estivesse em local relativamente seguro (não fiquei alagada ou 	submersa, não tive que ser resgatada de bote) e seco, minha 	mobilidade era zero. Tá certo, o transporte público também deu um 	nó. É um volume de água, uma intensidade de fenômeno que afeta a 	todos e inviabiliza qualquer deslocamento. Se eu estivesse de 	ônibus, por exemplo, teria ficado mais desconfortável ainda, ou teria 	que colocar meus lindos pezinhos na água imunda se quisesse sair 	dali, mas poderia sair. Ontem mesmo me lembrei ou fui lembrada de 	diversos amigos queridos que moram ali, do lado de onde eu estava, a 	poucos metros mesmo. Se eu estivesse de ônibus, poderia ter descido 	e ido a pé, e teria passado a noite seca e confortável, teria 	jantado, teria abrigo e boa companhia. De carro, precisei ficar 	apegada a este bem material que não podia abandonar no meio da rua 	simplesmente (não, eu não tinha sequer como deixá-lo na calçada, 	eu tava ilhada no MEIO da pista, com carros em toda a minha volta, e 	agarrada à esperança de que a qualquer momento o trânsito fosse 	andar e eu saísse dali). De manhã, as poucas pessoas que se mexiam 	estavam a pé ou de bicicleta.</li>
</ol>
<p>Isso tudo não esgota a questão, longe disso. Não conforta as dores, não repõe o que foi perdido, mas aponta alguns caminhos. A gente precisa começar a pensar nisso e agir.</p>
<p>(nem falei de um outros aspecto importantíssimo que é o fato de que essas chuvas são sazonais, não são novidade pra ninguém, desde sempre o Rio de Janeiro sofre com enchentes e tempestades, deslizamentos e desabrigados, e no entanto, fica sempre todo mundo com cara de “nossa, choveu muuuuito!, eu não esperava”. Conversei sobre isso no telefone ontem de noite com a <a href="http://duasfridas.wordpress.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/duasfridas.wordpress.com/?referer=');">Monix</a>, e por sinal, foi ela que levantou essa questão. Ela bem podia escrever sobre isso e sobre como a cidade deve incorporar a estação das chuvas ao calendário, com treinamento para a população, instruções e planejamento. Novamente, o planejamento. Escreve, Monix!)</p>
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		<title>Debaixo d&#8217;água</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/04/06/debaixo-dagua/</link>
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		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 20:19:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>O texto que está aí foi escrito durante a madrugada. São 5 da tarde agora, volta a chover muito forte na cidade, mas eu já estou em casa. Mas de ontem pra hoje foi assim:</p>
<p>São 3 e pouca da manhã. Eu saí de casa às 5 e meia da tarde de ontem para ir trabalhar. Num [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O texto que está aí foi escrito durante a madrugada. São 5 da tarde agora, volta a chover muito forte na cidade, mas eu já estou em casa. Mas de ontem pra hoje foi assim:</em></p>
<p>São 3 e pouca da manhã. Eu saí de casa às 5 e meia da tarde de ontem para ir trabalhar. Num dia comum, nesse horário que é normalmente engarrafado, eu levaria quase uma hora para atravessar os 10 km que separam minha casa, em Botafogo, da faculdade onde dou aula, na Tijuca.</p>
<p>Mas ontem não foi um dia comum. Eu tinha amanhecido meio febril, a gripe que me pegou no fim de semana ia piorando, e eu já tinha cancelado ou faltado a todos os compromissos do dia. Devia ter atendido às sugestões do marido e telefonado pro trabalho pra avisar que não ia dar aula. Mas como eu tinha melhorado ao longo da tarde, o maldito senso de responsabilidade me fez sair de casa.</p>
<p>Às 6 da tarde eu estava chegando na Praça da Bandeira. Chovia forte. Não chegou a ser um temporal daqueles de verão, com raios e trovões, mas era um volume de água consistente e vinha chovendo e parando, chovendo e parando, o dia todo. A Praça da Bandeira é uma região, ali entre o Centro e a Zona Norte da cidade, onde normalmente há enchentes, e eu fiquei feliz de passar enquanto o volume de água não era calamitoso. De toda forma, retornar já estava fora de cogitação. Pensei: &#8220;na pior das hipóteses, a essa altura, eu chego na faculdade e fico por lá até passar, sei lá, umas 10 da noite no máximo eu volto pra casa&#8221;.</p>
<p>Embiquei na rua que acaba em frente ao Instituto de Educação, na rua Mariz e Barros. Dali seriam mais 200 metros até a rua Ibituruna, que já é a rua da faculdade. Detalhe, a faculdade fica no final da Ibituruna, e na esquina passa um canal com o Rio Maracanã. Mas vejam que eu estava na outra ponta da rua, no início. Tudo parado. Água pelo meio da roda do carro. Eram 6 e meia e eu estava na esquina da rua Mariz e Barros com rua Ibituruna, quando deveria estar entrando em sala de aula. Liguei para a coordenação para avisar que já estava perto e que atrasaria, mas que estava chegando. Tsc, tsc, tsc&#8230;</p>
<p>O que eu não sabia é que o rio Maracanã já tinha transbordado e a essa hora a situação já era caótica em toda a cidade. Vou dar marcha a ré, seguir pela Mariz e Barros mais um pouco, até retornar e voltar por outro caminho. Isso é o que eu queria. O mar em que toda aquela região se transformou me deixou presa naquela esquina, porque os carros e ônibus que vinham atrás também já tinham desavisadamente embicado e bloqueado a passagem. E tome água. Se eu abrisse a porta do carro, teria água pelo meu joelho. A rua enchendo e a gente ali, sem conseguir andar pra frente, ou pra trás, ou pra qualquer lado. Não havia como chegar sequer na calçada.</p>
<div id="attachment_758" class="wp-caption aligncenter" style="width: 655px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/enchente.jpg"><img class="size-full wp-image-758" title="enchente" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/enchente.jpg" alt="" width="645" height="137" /></a><p class="wp-caption-text">Imediações da Praça da Bandeira, ali pertinho de onde eu estava</p></div>
<p>Às 8 e meia, quando a minha aula devia estar acabando, sem que tivesse começado, eu entendi que muita gente não devia ter ido também, e liguei de novo, pra avisar que não chegaria mesmo. Só às 11 da noite alguns carros começaram a dar ré, finalmente convencidos que ali não haveria saída tão cedo. O rádio (viva o rádio! E devo dar o crédito, viva a cobertura da <a href="http://bandnewsfm.band.com.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/bandnewsfm.band.com.br/?referer=');">BandNews</a>, que acompanhou tudo o tempo todo, com participações dos ouvintes de toda a cidade e região metropolitana) dava notícia de que a cidade estava absolutamente parada. Gente dentro do carro ou do ônibus há mais de quatro horas. Marido tava no aeroporto desde as 7 da noite, esperando um vôo que saiu com mais de 5 horas de atraso. Meu filho saiu da faculdade às 5 da tarde e chegou às 10 da noite em casa, mas chegou, e o outro estava em casa desde cedo, eu estava tranquila quanto a isso. Eles é que estavam preocupados comigo.</p>
<p>Faltava luz em vários bairros; os trens urbanos não funcionavam em toda a rede, por conta de alagamentos que impediram a circulação em alguns ramais; o metrô tinha as estações superlotadas e os trens não conseguiam manter intervalos regulares; os ônibus tinham desligado os motores, e as pessoas desciam para continuar o caminho a pé, nas piores condições imagináveis.</p>
<p>Assim que desobstruiu a via atrás de mim, dei meia volta e achei que finalmente ia andar. Avancei um ou dois quilômetros sem problema nenhum, rumo ao meu plano de descer a Rua Conde de Bonfim em direção ao Estácio para pegar o Túnel Santa Bárbara. Aí, na altura da Praça Saens Pena, ao fazer o retorno, empacou de novo. e é aqui que estou, desde as onze e meia da noite. Nessas quatro horas que se passaram, se eu andei mais 100 metros foi muito. O pessoal que volta a pé, em sentido contrário diz que mais ali na frente, no Largo da Segunda-Feira, está tudo debaixo d&#8217;água, e não passa nem ônibus, nada. Não tem pra onde eu ir. A chuva não parou nem um minuto. diminuiu às vezes, pra depois apertar de novo, numa alternância enervante, que não permite que o nível das águas baixe.</p>
<p>Eu nunca vi ou passei por isso na vida, e não sei por onde começar a tentar entender. É um problema do projeto de macro-drenagem? De infra-estrutura, da instalação da rede de coleta das águas pluviais? A prefeitura não cuida devidamente da limpeza das galerias e bueiros e dragagem dos rios? Somos nós que produzimos lixo demais, e jogamos plásticos e papéis na rua? É um gargalo inevitável por conta da geografia do Rio? É tudo isso junto?</p>
<p>Eu sei que, teoricamente, daqui a duas horas eu devia estar levantando para ir trabalhar de novo. Eu terei muita sorte se tiver chegado em casa daqui a duas horas.</p>
<p><em>Bom, isso foi o que eu escrevi entre 3 e meia e 4 horas da manhã. Claro que não cheguei, vi o dia clarear sem ter arredado nem meio metro da minha posição, e só passei do tal Largo depois das 8. Cheguei em casa às 9 horas, assustada e exausta, depois de ter visto cenas que pareciam de filme americano, desses que retratam o fim do mundo. Lama, lixo, pedaços de pau, trechos fantasmagoricamente desertos onde deveria haver o movimento de início do dia, tampas de bueiro jogadas, carros abandonados ou enguiçados pelo caminho, tudo imundo e abandonado, não havia mais mão ou contramão nas ruas, os carros indo na direção que bem entendiam, fugindo dos becos sem saída e bolsões de água, nenhum guarda ou policial nos cruzamentos, nada. Eu não preciso descrever tudo, porque vocês devem ter visto os noticiários e sabem que o Rio de Janeiro ficou inviável nesta terça-feira. Caos é pouco. </em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_759" class="wp-caption aligncenter" style="width: 680px"><em><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/lixo-transito.jpg"><img class="size-full wp-image-759" title="lixo-transito" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/lixo-transito.jpg" alt="" width="670" height="210" /></a></em><p class="wp-caption-text">Eu passei a madrugada parada assim como nessa imagem, só não foi nessa rua, mas a cena é a mesma. E vi coisas como essas da outra imagem aí do lado.</p></div>
<p></em></p>
<p><em>A idade já não me permite essas extravagâncias, e mesmo tendo dormido um pouco depois que cheguei, estou com muita dor de cabeça e mal-estar. Mas não posso deixar de pensar em quase 80 pessoas terem morrido na Região Metropolitana, nos deslizamentos, nos desabrigados, na repetição desse pesadelo e no fato de que não é possível que isso seja um destino inescapável. </em></p>
<p><em>E chove forte de novo. </em></p>
]]></content:encoded>
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		<title>Considerações preliminares sobre o transporte coletivo no Rio de Janeiro</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 15:51:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[metrô]]></category>
		<category><![CDATA[transporte]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>A situação dos transportes coletivos no Rio de Janeiro está calamitosa. Até cerca de cinco anos atrás, talvez menos, a grande reclamação dos usuários era com relação aos ônibus e trens, enquanto o metrô era considerado eficiente e confortável. A única e pertinente crítica era com relação à restrita malha do metrô, que, com suas duas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A situação dos transportes coletivos no Rio de Janeiro está calamitosa. Até cerca de cinco anos atrás, talvez menos, a grande reclamação dos usuários era com relação aos ônibus e trens, enquanto o metrô era considerado eficiente e confortável. A única e pertinente crítica era com relação à restrita malha do metrô, que, com suas duas linhas, cobria uma área pequena da cidade e atendia a pouca gente. Mas pelo menos era limpo, rápido, confortável (o ar condicionado era um oásis no meio do calorão do verão, por exemplo). Por outro lado, os ônibus passam nos horários que bem entendem, causam um tremendo tumulto no trânsito, em filas duplas e triplas, buzinando, ultrapassando sinais de trânsito, fechando os outros motoristas, parando fora dos pontos, apresentando uma ineficiente e antieconômica superposição de linhas que acaba pondo uma enorme quantidade de veículos subutilizados fazendo trechos enormes de mesmo percurso. Pra variar, a população mais penalizada é a mais pobre, que mora nas periferias, e precisa tomar dois ou três ônibus para chegar ao centro, gastando até 6 horas do seu dia nesses trajetos de ida e volta. Nem vou falar dos trens, que historicamente, nesta cidade, atendem ao proletariado, as zonas industriais, semi-rurais (como é isso agora, sem hífen e com dois rr? que horror), e consequentemente, nunca tiveram o conforto como prioridade. O resultado foi uma escalada de oferta de &#8220;transportes alternativos&#8221;, em que pontificam vans (em São Paulo chamam de peruas, acho) sem nenhum controle, fiscalização ou segurança, mas que ocupam o buraco deixado por um péssimo serviço público. Sabe a lei da demanda e da oferta, no mercado? Pois é.</p>
<p>Se o Estado é ineficiente (sim, o transporte é um serviço prioritário que funciona como concessão do Estado), a melhor solução é sempre privatizar, certo? Hahahahaha. Como as linhas de ônibus e vans já são loteadas por empresários que, com algumas exceções, talvez, manipulam os seus próprios vereadores (ou são vereadores eles mesmos), nunca se consegue mexer direito nessa ponta do assunto. São muitas promessas, muito &#8220;choque de ordem&#8221;, e pouca mudança significativa. Os trens foram privatizados, e o que se vê no noticiário é vigilante dando paulada em usuário pra colocar todo mundo pra dentro do vagão, com mais truculência do que se estivesse tocando gado pra dentro do curral. Lê-se também, dia sim dia também, sobre composições que param no meio do trilho, sobre interrupção do serviço, sobre meninos que morrem fazendo &#8220;surf&#8221; em cima dos vagões.</p>
<p>Aí privatizaram também o metrô. Em meio a novos e brilhantes cartazes anunciando uma nova era, mostrando que o metrô está trabalhando para e por nós (hã?); em meio a inaugurações de novas estações na Zona Sul do Rio (eu me pergunto se a prioridade é mesmo essa), o que mais nós temos tido?</p>
<p>a) um preço que não é um dos mais caros do mundo, mas que é pesado para a população mais pobre, principalmente em função da pouca flexibilidade e praticidade na compra dos bilhetes.</p>
<p>b) <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/04/04/preservacao-e-patrimonio-o-que-isso-tem-a-ver-com-voce/" target="_blank">reformas nas estações mais antigas</a> na contramão da preservação do patrimônio, em função de uma discutível modernização no design, com o uso dos materiais mais equivocados do mundo, o que significa, em última instância, um gasto considerável de dinheiro, mal-utilizado (não só na reforma em si, mas na necessidade de manutenção por conta dos novos revestimentos que se deterioram mais depressa), sem falar em ambientes de menor qualidade estética.</p>
<p>c) um jeito pouco racional (pra não dizer idiota) de gerenciar a compra dos bilhetes, que causa o acúmulo de filas nas estações e a perda de dinheiro por parte dos usuários. Olha só: se o cara usa o metrô regularmente, o mais indicado é carregar um cartão, nos moldes dos cartões pré-pagos de telefone. Ou seja, ele não carrega com um número de viagens, mas sim com um valor em reais. Se houver aumento no valor das passagens durante a vigência do cartão, o cara se deu mal. Além disso, para quem usa o metrô diariamente, não há nenhuma modalidade de compra que signifique economia, que lhe permita viajar pagando menos. Guarde essa informação pra gente comparar depois. Os valores em reais a colocar no cartão nunca equivalem a um múltiplo do valor da passagem, então, quando vai acabando, sempre fica um resíduo preso no cartão, e o cidadão tem que recarregar, o que precisa ser feito na fila do caixa. Se o cara usa o metrô esporadicamente e resolve comprar o bilhete unitário (na fila do caixa, claro), descobre que o bilhete tem validade de 48 horas! Ou seja, digamos que o sujeito compre dois bilhetes, para ir e voltar do seu destino. Mas por algum motivo, não usa o bilhete de volta (sei lá, ganhou uma carona, resolveu voltar de taxi, whatever). Perdeu o bilhete. Pode dá-lo de presente a alguém, que se não usar logo, também perde. Aí você diz, é melhor comprar então só o que vai usar mesmo. Sim, e entrar na fila todas as vezes que precisar comprar um bilhete novo. Que coisa mais burra. Agora pense nisso em termos de Olimpíadas, Copa, turistas, etc. Tsc, tsc, tsc&#8230;</p>
<p>d) o Metrô tem a cara de pau de argumentar que isso é para evitar a falsificação de bilhetes e a venda clandestina de bilhetes, que ocorre, de todo jeito, na porta de várias estações. Ou seja, por falta de capacidade deles de coibir a prática ilegal, pune-se os usuários. Que bonito.</p>
<p>e) a companhia decidiu recentemente (eu não sei com base em quê) alterar o plano original do metrô, que previa uma nova conexão entre as linhas 1 e 2 na Estação da Carioca, que inclusive foi construída, lááá na década de 70, com dimensões pra isso. Aí nós teríamos uma extensão pra a Praça Tiradentes, Cruz Vermelha, Catumbi/Sambódromo. O que foi feito, de alguns meses pra cá, e anunciado como a maravilha das maravilhas, foi uma espécie de fusão das linhas 1 e 2 no trecho Estácio-Ipanema, causando um dos maiores tumultos e transtornos já vistos na história dos transportes coletivos no Rio de Janeiro: aumentos indesculpáveis no intervalo entre os trens, acúmulo insalubre de gente nas plataformas (e consequentes atrasos e irritações por parte dos passageiros), constante falha no funcionamento de algumas estações que vira e mexe ficam fechadas, e &#8211; como cereja no bolo do verão carioca &#8211; sistema de ventilação inoperante que causa não só desconforto extremo, mas até mesmo gente passando mal de verdade durante a viagem. Além das várias matérias nos jornais escritos e televisados sobre o assunto, tem <a href="http://cidadeinteira.blogspot.com/2010/02/metro-rio-1968-2010.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/cidadeinteira.blogspot.com/2010/02/metro-rio-1968-2010.html?referer=');">aqui </a>e <a href="http://cidadeinteira.blogspot.com/2010/01/metro-1-1.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/cidadeinteira.blogspot.com/2010/01/metro-1-1.html?referer=');">aqui</a> posts curtinhos mas muito informativos, falando do assunto.</p>
<p>Resumo da ópera. Temos uma cidade enorme, em que o transporte é caro, cobrindo seu território de maneira ineficiente e irregular, o que estimula a oferta de serviços clandestinos que, se atendem à necessidade imediata do trabalhador, por outro lado estão fora de qualquer possibilidade de controle e fiscalização no que diz respeito às normas de segurança. Além disso, o transporte de baixa qualidade também acaba incentivando o uso excessivo de automóveis e táxis, contribuindo para mais engarrafamentos, poluição, etc, etc. A última panacéia apresentada é o tal de <strong>Bilhete Único</strong>. Informações a respeito de seu funcionamento, <a href="http://www.riobilheteunico.proderj.rj.gov.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.riobilheteunico.proderj.rj.gov.br/?referer=');">aqui</a>. Melhor que nada, mas eu continuo criticando:</p>
<p>a) a burocracia na aquisição do bilhete (via internet, nas agências &#8211; e não todas &#8211; de um banco privado que nem sequer é o mais popular, portanto há menos agências disponíveis nos bairros, e nos postos da RioCard. É pouco para uma cidade que deve ser entendida em escala metropolitana e cujos principais usuários serão a população mais pobre), com todos esses passos de desbloquear via internet, esperar 48 horas para ter os créditos gravados, e poucas garantias para o usuário em caso de perda ou roubo do cartão;</p>
<p>b) o fato de não haver incentivo para o usuário regular. Em outras palavras, em todos os lugares do mundo, quem compra bilhetes que valem para o mês todo, que normalmente é o pessoal &#8211; trabalhadores, estudantes &#8211; que usa diariamente, tem um desconto no valor da passagem, que sai mais barata do que se pagasse, por exemplo, 30 viagens individuais. Aqui não é assim. Por quê não?</p>
<p>Amanhã, sem falta, como funcionam as coisas no Canadá e na Itália. Quem tiver exemplos e experiências pra contar de suas próprias cidades, fique à vontade.</p>
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		<title>Mais do mesmo</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/01/23/mais-do-mesmo/</link>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 16:41:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[projeto urbano]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Continuando o raciocínio e as reflexões iniciadas no post anterior, vamos falar um pouco mais deste projeto para a reurbanização da Zona Portuária do Rio, e alguns dos problemas suscitados pelas propostas que estão em andamento.</p>
<p>No final do ano passado, eu estive num seminário organizado pelo curso de arquitetura da PUC aqui do Rio, através da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando o raciocínio e as reflexões iniciadas no post anterior, vamos falar um pouco mais deste <a href="http://spl.camara.rj.gov.br/planodiretor/pd2009/porto2009/aud_public_porto_maravilha.pdf" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/spl.camara.rj.gov.br/planodiretor/pd2009/porto2009/aud_public_porto_maravilha.pdf?referer=');">projeto</a> para a reurbanização da Zona Portuária do Rio, e alguns dos problemas suscitados pelas propostas que estão em andamento.</p>
<p>No final do ano passado, eu estive num seminário organizado pelo curso de arquitetura da PUC aqui do Rio, através da professora <a href="http://posto12.blogspot.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/posto12.blogspot.com/?referer=');">Ana Luiza Nobre</a>. Foi muito proveitoso, eu aprendi bastante coisa, pude ver e ouvir gente que realmente está pensando na cidade. E olha que não houve unanimidade, não, foi debate mesmo, mas todo mundo contribuindo, refletindo, propondo. Depois, tive acesso a um texto que a professora Ana Luiza escreveu. Não sei se está disponível na internet, mas foi publicado pelo <strong>Boletim do CEDES – Centro de Estudos Direito e Sociedade, edição de outubro de 2009.</strong> No texto, ela mostra claramente que o grau de abrangência e complexidade da própria área portuária, com suas especificidades e potenciais, requerem um investimento  de tal ordem vultoso e complexo, que não pode prescindir de debate amplo e cauteloso, envolvendo o maior número possível de interessados na questão – o que obviamente inclui muito mais do que técnicos e empreiteiros.</p>
<p>Entretanto, conforme ela argumenta corretamente, <em>“toda essa operação tem sido conduzida com base num modelo bem conhecido, caracterizado, por um lado, pela imposição de projetos altamente questionáveis, do ponto de vista técnico, e por outro, pela ausência de diálogo com a maior parte da população direta ou indiretamente afetada”.</em></p>
<p>A área sob impacto do projeto compreende os bairros da Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Caju e parte de São Cristóvão, somando aproximadamente 5 milhões de m². Entre as propostas (cuja divulgação pela prefeitura é muito superficial) estão a revitalização da Praça Mauá (inclusive com a construção de uma garagem subterrânea para 1000 veículos), a urbanização do Pier (da qual <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/01/20/o-prefeito-decidiu-que/" target="_blank">acabamos de falar</a>), a construção de 500 unidades habitacionais (só?), a reforma ou edificação de novos prédios como o <a href="http://www.aqua-rio.org.br" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.aqua-rio.org.br?referer=');">Aquário</a>, a Escola Técnica de Audiovisual e Restauro, a nova sede do Banco Central, o Museu do Amanhã e a Pinacoteca. Aliás, é o Museu do Amanhã – que ia ficar entre os armazéns 5 e 6 – que o prefeito agora quer instalar no Pier, com projeto do arquiteto <a href="http://www.calatrava.com/main.htm" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.calatrava.com/main.htm?referer=');">Santiago Calatrava.</a> Ah, tanto o Museu quanto a Pinacoteca são projetos em parceria com a Fundação Roberto Marinho.</p>
<p>Uma das coisas que me deixam de cabelo em pé diz respeito à massa que se pretende construir na região, com edifícios e torres tão altas que implicam numa mudança de escala realmente chocante.</p>
<p>Dá uma olhada aí embaixo, no mapa desenhado pela própria prefeitura.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-649" title="03_MHG_rio_projeto1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/01/03_MHG_rio_projeto1.jpg" alt="03_MHG_rio_projeto1" width="720" height="460" /></p>
<p>Além de toda a questão paisagística (esse novo skyline esconde, para os que vêm da Zona Norte, a própria visão do perfil dos morros que compõem o Maciço da Tijuca, o Corcovado aí incluído), tem um aspecto importante levantado pelo professor Flávio Ferreira num outro texto que eu li recentemente. Ele diz:</p>
<p><em>&#8220;Legislar muito denso e muito alto tem um outro grave inconveniente: atrasa a consolidação da área. Não há economia urbana suficiente para construir os edifícios grandes de pronto. Terá que haver especulação, os terrenos ficarão desocupados por décadas e enquanto isso o Porto continuará vazio”.</em></p>
<p>Outro ponto que me preocupa (não só a mim, mas a muita gente que eu tenho visto discutir o assunto) é de que maneira serão conduzidas as inevitáveis alterações de legislação, necessárias para levar a cabo transformações formais e funcionais tão profundas. Através do uso – legítimo – de instrumentos do Estatuto da Cidade, a prefeitura vai mexer em parâmetros urbanísticos, que são índices (números e taxas) que definem características do parcelamento, uso e ocupação do solo, como altura dos prédios, recuos, afastamentos, quanto do solo pode ser ocupado pela construção e quanto deve ser deixado livre, etc. Isso não é um problema em si, mas são transformações tão sérias, com impactos numa parte tão grande e importante da cidade, afetando a vida de tanta gente, a própria percepção da cidade, a paisagem, o patrimônio, que deveriam estar sendo divulgadas e discutidas publicamente, através de audiências, consultas, e mesmo de uma construção coletiva do projeto, envolvendo não só a prefeitura e seus órgãos e secretarias, mas associações de moradores, universidades, entidades da sociedade civil, sindicatos, empresários, movimentos sociais, enfim, muito mais gente.</p>
<p>Apesar disso, a divulgação é superficial, os moradores da área e interessados no assunto não têm acesso a dados mais detalhados do projeto, que só vêm a público a conta-gotas, e os representantes do poder público continuam insistindo em (tentar) justificar esse estado de coisas com base no “caráter emergencial do projeto”. É só o que a gente escuta o Eduardo Paes falar. Será que não há nada que a gente possa fazer a respeito?</p>
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		<title>O prefeito decidiu que&#8230;</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/01/20/o-prefeito-decidiu-que/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 18:14:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Se eu tivesse publicado todos os posts que eu escrevi mentalmente nas últimas semanas, dava pra publicar um livreto. Sério mesmo. Vamos tentar minimizar esta defasagem.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Dia desses, eu estava almoçando e assistindo desleixadamente a um telejornal, quando uma frase capturou a minha atenção. A apresentadora chamou a reportagem dizendo que “o prefeito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Se eu tivesse publicado todos os posts que eu escrevi mentalmente nas últimas semanas, dava pra publicar um livreto. Sério mesmo. Vamos tentar minimizar esta defasagem.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Dia desses, eu estava almoçando e assistindo desleixadamente a um telejornal, quando uma frase capturou a minha atenção. A apresentadora chamou a reportagem dizendo que “o prefeito do Rio, Eduardo Paes, decidiu mudar o projeto até então previsto para o Pier Mauá&#8230;”. Eu me arrepiei todinha.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Há duas questões aí que eu queria mencionar. A primeira e mais óbvia diz respeito ao encaminhamento autoritário que esta prefeitura vem dando a todas as questões urbanas. Não falo de outras questões (educação, saúde, finanças) porque não tenho conhecimento, mas pelo estilo do prefeito dá pra imaginar que não seja muito diferente. Participação popular e discussão com a sociedade, zero. Desenvolverei adiante.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">A segunda questão é técnica e diz respeito à discussão sobre o tipo de ocupação mais adequada para o Pier Mauá, um dos pontos previstos de reforma e urbanização no projeto de revitalização da Zona Portuária do Rio, chamado, num arroubo de marketing, de <a href="http://spl.camara.rj.gov.br/planodiretor/pd2009/porto2009/aud_public_porto_maravilha.pdf" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/spl.camara.rj.gov.br/planodiretor/pd2009/porto2009/aud_public_porto_maravilha.pdf?referer=');"><strong>Porto Maravilha</strong></a>.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Pra vocês terem uma ideia, segue um mapinha com a localização do Pier. É esta “ponta”, essa faixa retangular de solo que avança sobre o mar a partir da Praça Mauá, no coração da cidade, bem ali onde começa a Avenida Rio Branco.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><img class="aligncenter size-full wp-image-639" title="Pier-montagem" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/01/Pier-montagem.jpg" alt="Pier-montagem" width="750" height="900" /></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Fruto de um aterro da década de 50, esse pier tem cerca de 90 metros de largura por 375 de comprimento, o que dá uma área total de 33.750 m<span style="font-family: Times New Roman,serif;">². Ele </span>está há muitos anos desocupado, vazio, degradado até. Algum tempo atrás, quando o ex-prefeito Cesar Maia tentou trazer uma franquia do Museu Guggenheim para o Rio de Janeiro, o projeto encomendado ao arquiteto francês Jean Nouvel estava previsto pra se localizar exatamente aí. É sem dúvida um ponto nobre, e recentemente passou a receber eventos temporários como shows de música e a última edição do Fashion Rio. Do pier se descortina uma visão magnífica do Porto do Rio, delineando-se aos olhos do observador a própria história da cidade, no perfil dos morros de São Bento e da Conceição, que estão entre os primeiros a terem sido ocupados pelos portugueses, lá no śeculo XVI.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Muito bem, voltando então às nossas questões iniciais. Vou começar pela segunda. No projeto apresentado pela própria prefeitura, com as propostas para a reurbanização da área, o Pier Mauá consta como um imenso espaço público, uma espécie de parque linear, com restaurantes, quiosques, banheiros públicos, estacionamento, espaço multiuso, lâmina d&#8217;água e um anfiteatro.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><a href="http://www.tvbrasil.org.br/saladeimprensa/radionacional.asp" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.tvbrasil.org.br/saladeimprensa/radionacional.asp?referer=');"><img class="aligncenter size-full wp-image-641" title="pier-projeto" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/01/pier-projeto.jpg" alt="pier-projeto" width="535" height="400" /></a></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">É um uso perfeitamente compatível com a área, que suporta os eventos que já se realizam nele. O esboço inicial é simpático, esteticamente agradável, funcionalmente adequado, confortável, e, principalmente, ao privilegiar a pouca densidade construída, oferece permeabilidade, valoriza a vista da cidade, convida ao uso constante, por todos os cidadãos e transeuntes. Com um orçamento inicial razoavelmente baixo (pouco mais de 28 milhões de reais), e prazo de execução curto (cerca de um ano), ainda temos a vantagem de que é uma área de lazer que rapidamente seria incorporada à cidade, ajudando a alavancar as outras obras da reforma, em vez de termos <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/11/14/um-predio-autista-e-a-cidade/" target="_blank">mais um elefante branco</a> que consome centenas de milhões de reais e não fica pronto nunca, contribuindo para uma degradação ainda maior da área. De quebra, é um projeto idealizado e desenhado pelos nossos próprios arquitetos, parte do corpo técnico da prefeitura, que abriga profissionais muito competentes, por sinal.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<div id="attachment_642" class="wp-caption aligncenter" style="width: 590px"><a href="http://www.sidneyrezende.com/noticia/60410+prefeitura+do+rio+de+janeiro+comeca+obras+no+pier+da+praca+maua" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.sidneyrezende.com/noticia/60410+prefeitura+do+rio+de+janeiro+comeca+obras+no+pier+da+praca+maua?referer=');"><img class="size-full wp-image-642" title="Pier-montagem2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/01/Pier-montagem2.jpg" alt="Simulação do projeto, integrado à Praça Mauá e vista do pier para a cidade" width="580" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Simulação do projeto, integrado à Praça Mauá e vista do pier para a cidade</p></div>
<p>O que o prefeito “decidiu” agora, é mudar isso, trazendo para a área a construção de um grande complexo, que ele ainda nem decidiu qual é, mas que, segundo a reportagem, será um equipamento (os urbanistas chamam de “equipamento” os prédios de uso coletivo, muitas vezes públicos, como museus, escolas, hospitais e teatros, por exemplo) de grande porte, cujo projeto será encomendado a um arquiteto estrangeiro de prestígio internacional.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Dá licença? PQP! Tudo errado, né? Primeiro, que mania de encomendar tudo a arquitetos estrangeiros! Talvez, como aponta aqui o cético que eu tenho por Marido, fique mais fácil de operacionalizar as falcatruas, os desvios de verba, os superfaturamentos. Não tenho como afirmar isso (só desconfiar). Mas onde está o salutar e enriquecedor hábito de se organizar concurso público para esse tipo de projeto? Pode até ser um concurso internacional, e aí os mais renomados escritórios de arquitetura do mundo podem submeter suas propostas, juntamente com os nossos próprios escritórios e até jovens arquitetos, cheios de disposição, idéias frescas e fome de mostrar trabalho. Tudo com transparência, fiscalização, orçamentos claros. Mas antes mesmo de entrar nesse mérito tem o fato de que uma construção de grande porte não é a ocupação mais acertada para o Pier – na minha opinião, claro. Por tudo o que falei aqui, eu creio que o pier deveria ser um espaço mais aberto mesmo, bem horizontal, cujo grande atrativo fosse poder caminhar e observar a cidade, com amplidão, sem obstáculos visuais. Erigir qualquer coisa ali de monumental seria um equívoco.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Quanto à primeira questão, e talvez a mais importante, porque está na raiz de tudo, o que temos visto é que o prefeito é mesmo avesso à discussão franca e ao debate de idéias. Tem sido assim com relação ao projeto do Porto, com relação ao chamado PEU (Projeto de Estruturação Urbana) das Vargens (Vargem Grande e Vargem Pequena, bairros da Zona Oeste do Rio), com relação ao criminoso prédio da Eletrobrás que o prefeito quer autorizar na Lapa (falarei disso em breve).</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">A área portuária do Rio não é para amadores. Tem um grau de complexidade, por qualquer ângulo que se analise, que requer um projeto igualmente complexo. É preciso ter bem claro que, por seu caráter de centralidade, e pela extensão e profundidade da reforma em vista, esse projeto tem potencial para impactar toda a cidade. Simplesmente não pode ficar à mercê dos caprichos, ou mesmo da boa intenção, de um só tomador de decisões. É preciso pressionar e exigir a abertura de canais de participação para toda a sociedade. Urgentemente.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Curtinhas</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/01/19/curtinhas/</link>
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		<pubDate>Wed, 20 Jan 2010 01:51:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanidades]]></category>

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		<description><![CDATA[
O papo de cinema rendeu, que legal! Entrando na safra de 2010, fui assitir a Sherlock Holmes, do Guy Ritchie, e gostei imensamente. Depois, claro, já rolaram várias conversas sobre o filme. É fiel ao personagem do Conan Doyle? Não é fiel? A crítica definitiva sobre o filme está aqui, ó. Não se esqueça de ler [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<ul>
<li>O papo de cinema rendeu, que legal! Entrando na safra de 2010, fui assitir a <a href="http://www.imdb.com/title/tt0988045/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.imdb.com/title/tt0988045/?referer=');">Sherlock Holmes</a>, do Guy Ritchie, e gostei imensamente. Depois, claro, já rolaram várias conversas sobre o filme. É fiel ao personagem do Conan Doyle? Não é fiel? A crítica definitiva sobre o filme está <a href="http://duasfridas.wordpress.com/2010/01/17/elementar-meu-caro-watson/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/duasfridas.wordpress.com/2010/01/17/elementar-meu-caro-watson/?referer=');">aqui</a>, ó. Não se esqueça de ler os comentários. Tem pelo menos <a href="http://duasfridas.wordpress.com/2010/01/17/elementar-meu-caro-watson/#comment-2507" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/duasfridas.wordpress.com/2010/01/17/elementar-meu-caro-watson/_comment-2507?referer=');">um adendo</a> altamente enriquecedor para a exposição brilhante feita pela <a href="http://duasfridas.wordpress.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/duasfridas.wordpress.com/?referer=');">Monix</a>.</li>
</ul>
<ul>
<li>Eu não sabia de nada, mas parece que um daqueles pastores protestantes americanos andou dizendo &#8211; pra variar &#8211; uma barbaridade imbecil sobre a relação entre Deus e a catástrofe no Haiti. Aí, passeando <a href="http://correioselado.blogs.sapo.pt/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/correioselado.blogs.sapo.pt/?referer=');">aqui</a>, li <a href="http://correioselado.blogs.sapo.pt/69664.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/correioselado.blogs.sapo.pt/69664.html?referer=');">essa resposta</a> fantástica. Ri até não poder mais, e achei a crítica sarcástica e pertinente na medida certa. (Nessas horas, não posso deixar de pensar no <a href="http://letras.terra.com.br/cazuza/44997/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/letras.terra.com.br/cazuza/44997/?referer=');">Cazuza</a>: <em>&#8220;Vamos pedir piedade, Senhor, piedade, pra essa gente careta e covarde!&#8221;</em>)</li>
</ul>
<ul>
<li>Eu já falei <a href="http://heckeranddecker.wordpress.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/heckeranddecker.wordpress.com/?referer=');">desse blog</a> aqui antes, mas eles tinham parado de escrever. Voltaram. É em inglês, pena, mas pra quem se vira bem no idioma e se interessa por análise da forma e da história urbana, é uma aula a cada post. O autor está fazendo uma série sobre as transformações ocorridas no último século na cidade de Rochester que é primorosa. Recomendo fortemente aos coleguinhas.</li>
</ul>
<ul>
<li>Por fim, o mais importante. Essa semana tive o prazer inenarrável de conhecer pessoalmente a <a href="http://beauvoriana2.zip.net/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/beauvoriana2.zip.net/?referer=');">Mary W</a>, figura carimbada e respeitadíssima na internet, a quem eu admirava e respeitava às raias da veneração. Pois confirmou-se uma pessoa doce, querida, divertida, apaixonada. Eu fiquei ainda mais fã. Encontro promovido pela Ângela, com as ilustres presenças das <a href="http://duasfridas.wordpress.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/duasfridas.wordpress.com/?referer=');">Fridas</a>, do <a href="http://correioselado.blogs.sapo.pt/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/correioselado.blogs.sapo.pt/?referer=');">Cláudio Luiz</a>, da <a href="http://terapiazero.blogspot.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/terapiazero.blogspot.com/?referer=');">Anna V.</a> (que eu adorei conhecer) e da Cris, cujo blog eu &#8211; indesculpavelmente &#8211; esqueci de anotar. Só posso agradecer pela noite maravilhosa. Com chuva e tudo!</li>
</ul>
<ul>
<li>O próximo post tá pronto, viu? Como já é quase meia-noite, vou dormir. Mas amanhã é só inserir as imagens e publicar. Alguém se interessa em falar sobre o projeto de reforma da prefeitura do Rio para a Zona Portuária? É isso.</li>
</ul>
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		<title>Quero cantar ao mundo inteiro&#8230;</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/12/07/quero-cantar-ao-mundo-inteiro/</link>
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		<pubDate>Mon, 07 Dec 2009 09:56:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Flamengo]]></category>
		<category><![CDATA[futebol]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>A ALEGRIA DE SER RUBRO-NEGRO!</p>
<p></p>
<p>Tá, eu sei que estou sem aparecer por aqui há tanto tempo que devia dar explicações antes de chegar assim de supetão (fui olhar no dicionário se era com U ou com O). Mas um acontecimento desses simplesmente não pode passar em branco.</p>
<p>A verdade é que eu estou atoladíssima no trabalho, e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>A <span style="color: #ff0000;">ALEGRIA</span> DE SER <span style="color: #ff0000;">RUBRO</span>-NEGRO!</strong></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-616" title="flamengo" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/12/flamengo.jpg" alt="flamengo" width="300" height="225" /></p>
<p>Tá, eu sei que estou sem aparecer por aqui há tanto tempo que devia dar explicações antes de chegar assim de supetão (fui olhar no dicionário se era com U ou com O). Mas um acontecimento desses simplesmente não pode passar em branco.</p>
<p>A verdade é que eu estou atoladíssima no trabalho, e cansada, cansada, cansaaaaaaadaaaaa. Qualquer horinha vaga, e são poucas, eu tenho vontade de dormir, de ver um filme. Vir ao computador, mesmo pra uma coisa que me dá tanto prazer quanto escrever aqui, é um esforço. Ficar sentada tantas horas à frente do monitor cansa a vista, dói a cabeça, doem os ombros e o pescoço.</p>
<p>Se vocês tiverem um tiquinho mais de paciência, eu volto, com toda a disposição. Recolho trabalhos esta semana, corrijo, aplico as provas finais semana que vem, lanço as notas e&#8230; FÉRIAS!</p>
<p>Enquanto isso, celebro o campeonato do meu time, que ninguém é de ferro. Parabéns aos tricolores e botafoguenses que escaparam da 2a. divisão aos 45 do segundo tempo, e que bom que o vasco estará de volta ano que vem. Um campeonato em que a gente não pode ganhar do vasco perde parte da graça. <img src='http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Até breve!</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Affonso Eduardo Reidy</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/11/22/affonso-eduardo-reidy/</link>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 17:07:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[homenagem]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY">Eu tinha outros temas na fila, mas relendo os comentários postados aqui no último post, especialmente os de estudantes de arquitetura e colegas de profissão achei que já estava passando da hora de escrever sobre este arquiteto brilhante, cujo centenário de nascimento se comemora este ano, e para quem eu não tenho visto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US">Eu tinha outros temas na fila, mas relendo os comentários postados aqui no último post, especialmente os de estudantes de arquitetura e colegas de profissão achei que já estava passando da hora de escrever sobre este arquiteto brilhante, cujo centenário de nascimento se comemora este ano, e para quem eu não tenho visto tantas homenagens quanto deveria. </span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Olha que eu nem sou uma modernista de carteirinha. Eu sempre brinco com isso, ao me definir com um pé no Barroco, porque eu já gosto de um ornamento, um friso aqui, uma voluta acolá. Mas não tem como a gente não reconhecer valor e admirar a elegância, a pureza das linhas e formas, o rigor técnico e estético de obras exemplares da produção de Reidy, como o Conjunto Residencial Pedregulho e o Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, pra ficar só entre as mais famosas. E a gente tem falado tanto aqui sobre a inserção da arquitetura na cidade, o respeito ao entorno, às condições de conforto ambiental e o papel social da arquitetura, aspectos em que Reidy – esse cara que a história trata com a mesma discrição que ele teve em vida – foi mestre imbatível. Ele é a prova de que é possível, sim, fazer uma arquitetura bela e arrojada e ao mesmo tempo voltada prioritariamente para o bem-estar das pessoas que vão usá-la, vê-la, passar por ela, para o bem-estar, em última instância, da cidade em que ela se insere e dos cidadãos que nela vivem.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"> </span></span></span></p>
<div id="attachment_601" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://daniname.files.wordpress.com/2009/10/reidy-mam.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/daniname.files.wordpress.com/2009/10/reidy-mam.jpg?referer=');"><img class="size-medium wp-image-601" title="reidy-mam" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/reidy-mam-300x206.jpg" alt="O arquiteto e o MAM" width="300" height="206" /></a><p class="wp-caption-text">O arquiteto e o MAM</p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"><strong>Affonso Eduardo Reidy</strong> nasceu em 1909, em Paris, filho de pai inglês e mãe brasileira, e em 1930 formou-se em Arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde recebeu, como todos os outros seus contemporâneos, uma formação acadêmica e tradicional. Mas cedo teve contato com o pensamento de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Le_Corbusier" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Le_Corbusier?referer=');">Le Corbusier </a>e com as propostas dos arquitetos racionalistas da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bauhaus" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Bauhaus?referer=');">Bauhaus</a>, que tiveram grande impacto em sua vida e obra. </span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Por opção própria e singular, <span lang="en-US">Reidy trilhou a carreira pública, onde ingressou recém-formado, por concurso, trabalhando como arquiteto da Prefeitura do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, por mais de 30 anos. Ficou à margem da especulação imobiliária, e jamais projetou palácios ou obras suntuosas, consciente e defensor da enorme responsabilidade social da arquitetura. Foi estagiário, e depois, assistente do urbanista francês Alfred Agache, convidado pela prefeitura do Rio, em 1929, para a elaboração de um Plano Diretor para a cidade; foi professor da Faculdade Nacional de Arquitetura  e ganhador de diversas medalhas e prêmios desde o início da carreira. Seu trabalho começa a ter projeção quando ganha o primeiro prêmio no concurso público para o projeto do Albergue da Boa Vontade, que viria a ser o seu primeiro projeto construído. Era um projeto audacioso, em que aparecem as características funcionalistas que marcaram os primeiros trabalhos de Reidy na prefeitura, priorizando aspectos construtivos e buscando praticidade, conforto e  economia, em detrimento da ostentação e ornamentação excessivas.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"> </span></span></span></p>
<div id="attachment_602" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.rioquepassou.com.br/2006/09/29/albergue-da-boa-vontade/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.rioquepassou.com.br/2006/09/29/albergue-da-boa-vontade/?referer=');"><img class="size-medium wp-image-602" title="BoaVontade" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/BoaVontade-300x254.jpg" alt="Linhas bem afinadas com a Bauhaus, e um flerte com o Art Decô" width="300" height="254" /></a><p class="wp-caption-text">Linhas bem afinadas com a Bauhaus, e um flerte com o Art Decô</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US">Até 1935 realizou alguns dos seus raros projetos de residências, e algumas escolas, sendo importante mencionar uma escola rural primária, em Ricardo de Albuquerque, por ter sido a primeira construção dirigida pela também engenheira municipal <a href="http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq015/arq015_00.asp" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq015/arq015_00.asp?referer=');"><strong>Carmem Portinho</strong></a>, que se tornou sua companheira e presença marcante em toda a sua carreira. Essa parceria com Carmem  me é particularmente cara, porque de alguma forma fala também de um homem com arroubos feministas, o que só faz crescer minha admiração por ele. Portinho foi a terceira mulher a se formar engenheira no país, em 1926, e teve participação importante nos primeiros movimentos feministas organizados no Brasil, ainda nos anos 20. Ela era mais velha que ele 6 anos, e faleceu em agosto/2001, aos 98 anos de idade. A dupla que fez com Reidy no <strong>Departamento de Habitação Popular </strong>nos legou algumas das mais importantes obras da arquitetura brasileira. </span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"> </span></span></span></p>
<div id="attachment_604" class="wp-caption aligncenter" style="width: 540px"><a href="http://www.vitruvius.com.br/.../arq074/arq074_01.asp" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.vitruvius.com.br/.../arq074/arq074_01.asp?referer=');"><img class="size-full wp-image-604" title="residenciaCarmemPortinho2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/residenciaCarmemPortinho2.jpg" alt="Residência Carmem Portinho, no Bairro de Jacarepaguá, 1950" width="530" height="299" /></a><p class="wp-caption-text">Residência Carmem Portinho, no Bairro de Jacarepaguá, 1950</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Reidy participou, nos anos 30, da equipe que elaborou o projeto do Ministério da Educação, situado na Esplanada do Castelo, e marco na arquitetura modernista no Brasil, junto com colegas igualmente jovens como Lúcio Costa,  Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Jorge Moreira e Ernani Vasconcellos, o que contribuiu para lhe dar grande projeção profissional.<br />
</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"> </span></span></p>
<div id="attachment_608" class="wp-caption alignleft" style="width: 360px"><a href="http://www.aguaforte.com/antropologia/weblog/2008/11/conjunto-pedregulho-de-afonso-eduardo.html" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.aguaforte.com/antropologia/weblog/2008/11/conjunto-pedregulho-de-afonso-eduardo.html?referer=');"><img class="size-full wp-image-608" title="pedregulho-comp" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/pedregulho-comp.jpg" alt="Conjunto Residencial do Pedregulho, um marco na Arquitetura Moderna no Brasil" width="350" height="420" /></a><p class="wp-caption-text">Conjunto Residencial do Pedregulho, um marco na Arquitetura Moderna no Brasil</p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Entretanto, foi seu próximo trabalho que o alçou à posição de um dos grandes arquitetos no mundo. De 1947 a 1958, Reidy se dedicou ao projeto e construção do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, conhecido como Pedregulho, em São Cristóvao, pelo Departamento de Habitação Popular* da prefeitura. O objetivo do projeto era oferecer moradia digna a famílias de baixa renda, em local próximo ao trabalho, e seguiu conceitos revolucionários e inovadores para a época, desde a concepção plástica, a adequação à topografia acidentada até o programa proposto, que incluía quatro blocos de habitação, com lavanderia comunitária, escola primária, ginásio, piscina e campos de jogos ao ar livre, mercado e posto de saúde. O paisagismo era de Burle Marx e os painéis de mosaicos de azulejo e pintura eram de Burle Marx, Cândido Portinari e Anísio Medeiros. O que havia de melhor, em recursos humanos e materiais, foi reunido para executar uma obra que atenderia à classe trabalhadora. O projeto ganhou o primeiro prêmio na Bienal Internacional de São Paulo e tornou-se um dos projetos brasileiros mais divulgados no exterior, até hoje.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Durante esse período, ele ainda coordenou o Plano de Urbanização do Centro da Cidade, que compreendia o Plano para a Esplanada de Santo Antônio, com o desmonte do morro, e o Aterro do Flamengo, projeto só retomado muitos anos depois. Elaborou também o projeto do Conjunto Residencial da Gávea, nos moldes do Pedregulho, e que foi posteriormente mutilado e descaracterizado pela construção da autoestrada Lagoa-Barra.</span></span></p>
<div id="attachment_609" class="wp-caption aligncenter" style="width: 620px"><a href="http://www.rioquepassou.com.br/2005/07/21/av-norte-sul-ii/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.rioquepassou.com.br/2005/07/21/av-norte-sul-ii/?referer=');"><img class="size-full wp-image-609" title="EsplanadaStoAntonio" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/EsplanadaStoAntonio.jpg" alt="Estudos para o projeto da nova Esplana de Santo Antônio" width="610" height="212" /></a><p class="wp-caption-text">Estudos para o projeto da nova Esplana de Santo Antônio</p></div>
<div id="attachment_610" class="wp-caption aligncenter" style="width: 615px"><a href="http://arquiteturabrasileirav.blogspot.com/2008_11_01_archive.html" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/arquiteturabrasileirav.blogspot.com/2008_11_01_archive.html?referer=');"><img class="size-full wp-image-610" title="Gavea" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/Gavea.jpg" alt="A proposta original de Reidy para o Conjunto da Gávea, ali perto da PUC, e como é hoje, com a autoestrada Lagoa-Barra passando por baixo do edifício" width="605" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">A proposta original de Reidy para o Conjunto da Gávea, ali perto da PUC, e como é hoje, com a autoestrada Lagoa-Barra passando por baixo do edifício</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">A partir de 1954, Reidy dedicou-se ainda a outro projeto que se tornou um dos marcos da cidade: o Museu de Arte Moderna. Sua estrutura elegante e sua brilhante inserção na paisagem da Baía de Guanabara e no Centro da Cidade se tornaram referência e fonte de estudo obrigatória para todos os estudantes, além de ser, para os moradores da cidade, uma enorme fonte de prazer estético e um justificado motivo de orgulho.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Seu último trabalho, antes de nos deixar, aos 55 anos, vítima de câncer, foi a participação, como coordenador de urbanismo, do grupo que construiu o Aterro do Flamengo, presidido por Carlota Macedo de Soares. Além do traçado viário, da elaboração do programa e da concepção deste grande espaço público, ele também é o autor de diversas obras aí existentes como passarelas, coreto, oficinas e edifícios administrativos.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"> </span></span></p>
<div id="attachment_611" class="wp-caption aligncenter" style="width: 710px"><img class="size-full wp-image-611" title="MAM-Aterro" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/MAM-Aterro.jpg" alt="O MAM e o Aterro, presentes de Reidy para o Rio de Janeiro e o Brasil" width="700" height="238" /><p class="wp-caption-text">O MAM e o Aterro, presentes de Reidy para o Rio de Janeiro e o Brasil</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Nós poderíamos dizer que sua maneira de trabalhar consiste para nós, estudantes, arquitetos e cidadãos em geral, numa verdadeira aula. Sua dedicação a cada etapa do projeto e da obra, seu apuro técnico, seu rigor, são motivos suficientes de reverência. Mas a grande lição que aprendemos aqui é de outra ordem. Nós vemos – e temos falado aqui toda hora –  tanta improbidade no uso do dinheiro público, tanta obra superfaturada, ou caindo aos pedaços por economia nos materiais e estrutura, visando a maiores lucros, que é um alívio e &#8211; visto com os olhos cansados e descrentes de hoje &#8211; quase um milagre que um homem como este tenha existido.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Pode-se discordar de certos pontos ideológicos ou formais, pode-se enxergar (olha o cinismo aí)  algo de utópico ou ingênuo na crença radical que ele tinha de poder mudar ou melhorar a sociedade com seus projetos, mas tem-se que respeitar a coerência entre pensamento e ação, a correção de caráter que norteava suas atitudes e trabalhos, a competência profissional com que planejava e executava cada obra, e, talvez mais importante que tudo, a coragem com que ofereceu sua contribuição, com toda a responsabilidade que isso acarreta, quando seria tão mais cômodo juntar-se ao côro dos que só criticam, sem nada apresentar em troca.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Affonso Eduardo Reidy é o alerta constante, que não nos deixa desviar a atenção do verdadeiro sentido e função do arquiteto: servir a toda a sociedade, porque nosso trabalho atinge a todos, e não pode se limitar à glória da execução dos grandes edifícios, de impacto internacional. Mesmo porque a história ensina que o que é material passa, desmorona. O verdadeiro valor da arquitetura não está aí, mas no que se agrega ao que há de mais humano em nós: o afeto, a memória, o abrigo. E antes que alguém imagine que esta homenagem está impregnada de um sentimento de lamentação do tipo </span></span><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US">&#8220;olha como era bom, isso não existe mais&#8221;, quero reafirmar que isto é, antes, uma tentativa de acender um farol de esperança do tipo &#8220;olha o que eu acredito que nós podemos voltar a fazer&#8221;.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"> Por fim, s</span></span></span><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US">e pudéssemos sintetizar Reidy em poucas palavras, usaríamos as que o historiador Geraldo Ferraz pronunciou em 1964, por ocasião de sua morte: <em>&#8220;Correção, cavalheirismo, finura, sensibilidade &#8211; e tudo com uma franqueza de palavras e gestos, uma contida maneira de estar sempre entre humildes e poderosos, sem causar ressentimento a uns ou demonstrar submissão a outros. O gentil-homem da arquitetura brasileira, eis o que ele era&#8221;.</em></span></span></span></p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="en-US">* Sobre o trabalho do <strong>Departamento de Habitação Popular</strong> no Rio, eu recomendo o livro <strong>Entre a estética e o hábito: o Departamento de Habitação Popular, Rio de Janeiro, 1946-1960</strong>, escrito pela arquiteta, historiadora e minha queridíssima amiga <strong>Flávia Brito do Nascimento</strong>, publicado ano passado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, dentro da coleção Biblioteca Carioca. Vários dos dados e imagens aqui utilizados foram retirados do belíssimo livro <strong>Affonso Eduardo Reidy</strong>, uma edição bilíngue muito caprichada e diria até que obrigatória para o pessoal da área, organizada por Nabil Bonduki e publicada pelo Editorial Blau e Instituto Lina Bo e P. M. Bardi.</span></span></span></p>
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		<title>Um prédio autista e a cidade</title>
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		<pubDate>Sat, 14 Nov 2009 20:27:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Já estou há dias para escrever sobre a famigerada Cidade da Música, elefante branco plantado aqui no Rio, envolto em polêmicas e escândalos, cuja construção foi retomada semana passada. </p>
<p style="margin-bottom: 0in;"></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Para os leitores de fora do Rio, que talvez não estejam familiarizados com o tema, explico. A Cidade da Música é [...]]]></description>
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<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } 		A:link { so-language: zxx } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Já estou há dias para escrever sobre a famigerada <strong>Cidade da Música</strong>, elefante branco plantado aqui no Rio, envolto em polêmicas e escândalos, cuja construção foi retomada semana passada. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-592" title="cidade-da-musica-const" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/cidade-da-musica-const-300x225.jpg" alt="cidade-da-musica-const" width="300" height="225" /></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Para os leitores de fora do Rio, que talvez não estejam familiarizados com o tema, explico. A Cidade da Música é uma obra idealizada e realizada (leia-se <strong>paga com recursos públicos</strong>) pela prefeitura do Rio, com o objetivo de dotar a cidade de um equipamento cultural de altíssimo nível, que possa servir de sede para a <a href="http://www.osb.com.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.osb.com.br/?referer=');">Orquestra Sinfônica Brasileira</a>, e tenha salas de espetáculos e concertos (estão previstas duas, com capacidade para 1800 pessoas), ópera e ballet, além de sete salas para ensaios, dez salas para aulas e cursos ligados à música, midiateca, três cinemas de arte, bem como o indefectível pacote que sempre acompanha esses grandes centros culturais, ou seja, restaurantes, cafés, lojas e/ou livrarias. Tudo isso mais estacionamento com 800 vagas, em 90 mil metros quadrados, na Barra da Tijuca.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"> </span></span></p>
<div id="attachment_589" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-589" title="Cite-de-la-Musique" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/Cite-de-la-Musique1-300x190.jpg" alt="Cité de la Musique, em Paris" width="300" height="190" /><p class="wp-caption-text">Cité de la Musique, em Paris</p></div>
<p>Até aí, tudo bem, o Rio de Janeiro comporta e até precisa de espaços assim, e a OSB certamente merece instalações e estrutura de primeiro mundo para trabalhar. O projeto foi encomendado ao arquiteto francês <a href="http://www.e-architect.co.uk/architects/christian_de_portzamparc.htm" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.e-architect.co.uk/architects/christian_de_portzamparc.htm?referer=');">Christian de Portzamparc</a>, autor, entre outras excelentes obras, da <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Cit%C3%A9_de_la_Musique" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/en.wikipedia.org/wiki/Cit_C3_A9_de_la_Musique?referer=');">Cité de la Musique</a>, em Paris (localizada no Parque La Villette). As obras começaram em 2003 e desde então houve várias inaugurações previstas e adiadas.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Não vou me alongar na questão do dinheiro enterrado nesta obra. Segundo o <a href="http://blog.estadao.com.br/blog/piza/?cat=95" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/blog.estadao.com.br/blog/piza/?cat=95&amp;referer=');">Estadão</a>, desde que começou a ser construída, a Cidade da Música já teve sua área aumentada em quatro vezes e o custo em seis vezes. Já se gastou mais de 400 milhões de reais e estima-se que outros 150 ainda serão necessários para concluir minimamente o projeto. Os <a href="http://g1.globo.com/Noticias/Rio/0,,MUL1111522-5606,00.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/g1.globo.com/Noticias/Rio/0_MUL1111522-5606_00.html?referer=');">jornais</a> estão cheios de informações sobre malversação de dinheiro público, escândalos de superfaturamento, desperdício de material, atrasos, relatórios, cpi&#8217;s. O relatório encaminhado ao Ministério Público mostra, por exemplo, que a calçada de pedras portuguesas já foi danificada, os sacos de cimento estão estragando ao ar livre, o piso das salas que já estavam mais adiantadas está solto, e há diversos problemas na execução do projeto. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Também não vou entrar no mérito do valor arquitetônico da edificação, grande caixa marcada pela superposição de triângulos curvos de concreto, que dão dinamismo e alguma leveza ao volume. Há aqui <a href="http://www.vitruvius.com.br/ac/ac014/ac014_1.asp" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.vitruvius.com.br/ac/ac014/ac014_1.asp?referer=');">neste artigo</a>, de janeiro de 2005, uma descrição técnica e uma análise formal bem interessante sobre este projeto, que, talvez em outro lugar, até ficasse bom. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><img class="aligncenter size-full wp-image-591" title="cidademusica" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/cidademusica1.jpg" alt="cidademusica" width="500" height="310" /><br />
</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Meu ponto de vista aqui é exatamente sobre a inserção deste projeto no tecido urbano. Pincei esta pérola  no artigo que eu acabei de linkar:</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="LEFT">“<span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><em>O terreno na Barra da Tijuca, escolhido pelo arquiteto em comum acordo com a prefeitura do Rio, situa-se no centro de dois grandes eixos de circulação, já definidos por Lucio Costa em sua proposta para a urbanização desse bairro há mais de 30 anos. A partir dos estudos do urbanista brasileiro, Portzamparc irá recuperar para a Cidade da Música e para todo o bairro o Parque Trevos das Palmeiras, ponto central da região. Localização privilegiada, área generosa, ausências de restrições e limites em relação ao entorno, ofereceram ao arquiteto condições ideais para projetar”.</em></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-style: normal;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Eu não poderia discordar mais. Na minha opinião, um dos principais problemas da Cidade da Música é justamente a localização, infeliz e equivocada. Em primeiro lugar, isso de projetar sem “restrições e limites em relação ao entorno” não existe. Talvez só os alunos dos primeiros anos de arquitetura possam se dar esse luxo. Claro, uma folha de papel em branco (ou tela de computador) aceita qualquer coisa, mas isso não é Arquitetura. A Arquitetura não existe isolada, as obras não são construídas no espaço virtual. Um arquiteto pode até ser liberado de seguir os parâmetros de altura, densidades, taxas de ocupação previstas pelo zoneamento da cidade para o lote onde será erguido seu projeto, mas a Arquitetura está sempre inexoravelmente ligada à cidade, em relação com tudo o que a cerca. O suporte urbano influencia a percepção e fruição do edifício e este, por sua vez, influencia, conforma e impacta a percepção e fruição do tecido urbano ao seu redor. Sempre, queria ou não queira. Daí que projetar desconsiderando o entorno é sempre uma temeridade e um desrespeito. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-style: normal;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Em segundo lugar, uma obra deste porte, feita para atrair um movimento considerável de gente (é o que se supõe e pretende, não é?) não pode estar num cruzamento tão importante de avenidas, sob o risco de causar um nó no trânsito que já não é para amadores naquela região. Além do que, rodeada de shoppings e envolta por um anel de vias muito largas e de alta velocidade,  a Cidade da Música fica isolada. Só se chegará a ela de carro, o que, por si só, já torna o projeto muito elitizado, e o impede de realizar seu principal papel, que deveria ser o de servir de ponto de encontro, celebração da música, convergência, fluidez. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-style: normal;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"> </span></span></p>
<div id="attachment_594" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=483297&amp;page=9" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=483297_amp_page=9&amp;referer=');"><img class="size-full wp-image-594" title="entroncamento17ap4" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/entroncamento17ap41.jpg" alt="Olha bem o entroncamento onde se localiza a obra. " width="800" height="579" /></a><p class="wp-caption-text">Olha bem o entroncamento onde se localiza a obra. </p></div>
<p style="margin-bottom: 0in; font-style: normal;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;"><span style="font-size: medium;"> Como está, a relação com o entorno é zero. É mais um prédio autista, como tantos outros, típicos da Barra  Tijuca. O que são prédios autistas? Aqueles voltados para si mesmos, que não se relacionam com o que está em volta, são indiferentes ao que acontece, não conversam com os outros prédios nem com a cidade. A sensação que se tem na Barra, ao longo da Avenida das Américas, é a de que o bairro foi feito para os carros. Sucedem-se condomínios fechados e shoppings, torres e imensas áreas vazias, onde não é possível (ou confortável) andar a pé. As pessoas circulam isoladas em seus automóveis, que funcionam como bolhas entre um espaço privado e outro. Não há convivência no espaço público. </span><span style="color: #000000;"><span style="font-size: medium;"><span style="text-decoration: none;">Praticamente não há espaço público, pelo menos não um espaço vivo e dinâmico. </span></span></span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-style: normal;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"><span style="font-size: medium;"><span style="text-decoration: none;">Por fim, me espantou a declaração do Secretário de Obras da cidade, publicada no jornal O Globo do último dia 06/11, de que, apesar do reinício das obras, nem toda a estrutura será concluída. A Prefeitura vai concentrar os recursos na sala de  música de câmara e na grande sala de concertos, deixando restaurante e cinemas para a iniciativa privada, que deverá arcar com as obras de acabamento destes locais. Segundo o Secretário, &#8220;não faz sentido a prefeitura se responsabilizar por restaurante ou cinemas em área que já oferece muitas alternativas dessas, nos shoppings próximos&#8221;. Caramba (ou então insira aqui o seu palavrão preferido), então por que estes espaços constavam no programa? A criatura sai de casa, vai de carro à Cidade da Música assistir a um concerto, e depois tem que atravessar a rua (ou melhor, pegar o seu carro e dar uma volta enorme pra fazer o retorno, só para buscar vaga em outro estacionamento gigante logo ali, do outro lado da avenida) para poder jantar? </span></span></span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Vou dizer de novo: sou a favor de haver um espaço digno e até grandioso para a OSB, mas deveria ser num lugar da cidade onde as pessoas pudessem chegar de ônibus, de metrô, onde houvesse gente circulando o tempo todo a pé, e que passasse por ali, cruzando seus saguões e jardins, a caminho de um ou outro lugar. Nesse meio tempo, poderiam aproveitar para um passeio, um lanche, acabariam se informando sobre um curso ou espetáculo, conheceriam talvez a livraria, usariam o lugar como ponto de encontro e referência, isso geraria mais movimento e mais vida, atraindo um público variado e contribuindo para a divulgação do trabalho da orquestra e para a formação de cultura musical em geral, de uma maneira quase casual, familiarizando as pessoas aos poucos. Mas para isso, tem que ser onde haja gente circulando. A pé. De carro, na velocidade do carro, não é possível desfrutar nem perceber o espaço arquitetônico.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Imagine que num fim de ano poderia haver um espetáculo gratuito no térreo, um coral, por exemplo, ou um ensaio aberto, ou quem sabe uma agenda de programas populares no fim de tarde, com ingressos mais baratos, atraindo a população que trabalha nos arredores. </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Vocês conseguem imaginar isso acontecendo ali na Barra? Quem é que anda a pé na Barra, pelo amor de Deus? Quem é que vai frequentar esse espaço, dar a ele vida e movimento? Que tipo de público vai transitar por ali e com qual objetivo? Vocês imaginam alguém chegando ali de ônibus e atravessando a avenida para assistir a um concerto? Vai acabar sendo frequentado por gente que vai sair e chegar de carro, certamente para um evento específico, estacionar no subsolo e ter contato zero com a rua. Que benefício isso traz para a cidade (que gastou mais de 500 milhões no projeto)? E para a própria OSB, em termos de divulgação do seu primoroso trabalho? </span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="LEFT"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Essa é a minha crítica: como (e onde) está, a Cidade da Música é mais uma megaestrutura isolada, elitista, que não conecta nada nem ninguém, que não promove o encontro, não democratiza o acesso à cultura, não valoriza o espaço público nem a própria atividade que ali se desenvolve, em suma, não faz sentido. </span></span></p>
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