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	<title>Urbanamente &#187; Amor</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>A materialização do amor</title>
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		<pubDate>Tue, 09 Jun 2009 15:59:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Amor]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Estamos nós, de novo, na proximidade de mais uma dessas datas tão queridas à indústria do consumo: o Dia dos Namorados. Não que ter um(a) namorado(a) não seja uma delícia, e que fazer um agrado ao ser amado, seja na forma de um presente ou um carinho especial, não seja importante. Imagina. O problema está em alguns detalhinhos escondidos nesse massacre publicitário em torno da data:</p>
<p>1) Eu me rebelo contra essa ditadura do calendário publicitário. Já repararam que a gente divide o ano nos temas importantes para o comércio? (a gente quem, cara pálida?, vc pode se perguntar e eu direi: ok, nem todo mundo, mas a maioria, do meu ponto de vista).  Pulamos do Reveillon para o Carnaval, desse para a Volta às Aulas, seguida de perto pela Páscoa (ovos de chocolate nas lojas no final de fevereiro!), e pelo Dia das Mães. Mal acaba o Dia das Mães vem o Dia dos Namorados, a Festa Junina, o Dia dos Pais. Aí segue o Dia das Crianças e o Natal, que agora começa em outubro, com árvores e luzinhas pra todo lado, afinal, há que se ter uma motivação para o consumo, não dá pra deixar um mês inteiro, como novembro, passar em brancas nuvens. Tá bom, eu visito minha mãe no dia das Mães, participo das festas familiares natalinas, acredito no valor de algumas datas como sinais que nos ajudam &#8211; nesse mundo tão enlouquecido &#8211; a parar em algum momento, nem que seja assim, para dar atenção ao que realmente importa: as pessoas que amamos. Mas eu me recuso a regular meus afetos e <strong><em>sobretudo a expressão do meu afeto</em></strong> pela propaganda.</p>
<p>2) Essa ditadura das datas acaba concentrando as manifestações de amor e carinho em torno desses dias, ou pelo menos privilegiando esses dias em detrimento de outros; gerando expectativas e criando mal-entendidos. Então um namorado te dá amor, atenção, sempre, mas justo naquele dia ele não tem como escapar de uma reunião, ou então a namorada que está sempre lá pra você, desmarca compromisso pra te ajudar com alguma coisa, mas no dia 12 por qualquer motivo não pode te ver. Ou está exausta e prefere ficar em casa, ou &#8211; pecado supremo &#8211; não teve tempo para a depilação ou para comprar lingerie nova. Por isso, você deixou de ser importante para ele/ela?</p>
<p><img class="aligncenter size-medium wp-image-272" title="namorados2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/06/namorados2-300x225.jpg" alt="namorados2" width="300" height="225" /></p>
<p>3) A cereja do bolo: o tamanho do seu amor e da importância que você confere ao ser amado fica atrelado ao preço do presente que você se dispõe a dar. Nossa, se você fizer o sacrifício de empenhar parte do salário em 5 prestações numa coisa que nem teria condições de comprar agora, isso então é mostra de um amor supremo!</p>
<p>Foi nisso que eu pensei quando eu li esse trechinho aqui, no livro do <strong>Bauman</strong> (sempre ele), <em>Vida para Consumo</em> (Jorge Zahar Editor, Rio de Janeiro, 2007). Nesse trechinho, inclusive, tirado da página 153, ele está fazendo uma citação a a outro autor, <strong>Arlie Russel Hochschild</strong>, no livro <em>&#8220;The commercialization of intimate life&#8221;</em>. Mas vejam se vocês não acham uma pequena pérola:</p>
<p><em>&#8220;O consumismo atua para manter a reversão emocional do trabalho e da família. Expostos a um bombardeio contínuo de anúncios graças a uma média diária de três horas de televisão (metade de todo o seu tempo de lazer), os trabalhadores são persuadidos a &#8216;precisar&#8217; de mais coisas. Para comprar aquilo de que agora necessitam, precisam de dinheiro. Para ganhar dinheiro, aumentam sua jornada de trabalho. Estando fora de casa por tantas horas, compensam sua ausência do lar com presentes que custam dinheiro. Materializam o amor. E assim continua o ciclo.&#8221;</em></p>
<p>Tem tantas coisas a mais que se pode pensar e dizer sobre o assunto, mas eu deixo pra vocês. Não estou dizendo ao Marido que ele não vai ganhar presente esse ano, porque ele até vai (hohoho). Mas às vezes, ter mais tempo, olhar para o outro de verdade, com amor, sair pra andar de mãos dadas, conversar de coração aberto, podem ser presentes muito mais valiosos e necessários que todas as promoções anunciadas na tv e nos shoppings. E não, não são coisas grátis. Mas o que elas custam não nos endivida: pelo contrário, nos enriquece.</p>
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