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	<title>Urbanamente &#187; arquitetura</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>Obeliscos</title>
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		<pubDate>Mon, 09 May 2011 03:03:45 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Arte]]></category>
		<category><![CDATA[História Urbana]]></category>
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		<description><![CDATA[<p class="wp-caption-text">O obelisco da 9 de Julio, em Buenos Aires</p>
<p>Enquanto eu não volto com mais Mestre Valentim, partilho com vocês este texto, fruto de dois e-mails que escrevi, em épocas diferentes, para pessoas diferentes, por acaso em torno do mesmo tema: a função dos obeliscos nas cidades. Em 2007, uma amiga foi a Buenos Aires, adorou, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_1036" class="wp-caption alignleft" style="width: 300px"><a href="http://argentina.pordescubrir.com/la-avenida-9-de-julio.html"><img class="size-full wp-image-1036 " style="margin-left: 5px; margin-right: 5px;" title="avenida-9-de-julio" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/avenida-9-de-julio1.jpg" alt="" width="290" height="335" /></a><p class="wp-caption-text">O obelisco da 9 de Julio, em Buenos Aires</p></div>
<p>Enquanto eu não volto com mais <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2011/04/23/mestre-valentim-um-filme-uma-conversa-uma-cidade/" target="_blank">Mestre Valentim</a>, partilho com vocês este texto, fruto de dois e-mails que escrevi, em épocas diferentes, para pessoas diferentes, por acaso em torno do mesmo tema: a função dos obeliscos nas cidades. Em 2007, uma amiga foi a Buenos Aires, adorou, mas na volta falou o seguinte:  <em>&#8220;Agora, uma coisa que eu não consigo achar graça é o tal do Obelisco da Avenida 9 de Julio. E daí? Uma avenidona enorme, muito larga, tá bom. Cadê a beleza disso?&#8221;</em></p>
<p>Depois, em 2009, outras amigas foram a Paris e eu não lembro se elas me pediram para falar a respeito ou se eu, enxerida, meti o bedelho por conta própria, morrendo de inveja por não poder ir junto. Começando por Buenos Aires, eu propus contextualizar a criação da própria avenida, antes de falar sobre o monumento.</p>
<p>A Av. 9 de Julio, cujo traçado já era estudado, como eixo Norte-Sul para a cidade, desde o final do século XIX, começou a ser aberta em 1937, e levou cerca de 40 anos até se completar toda a sua extensão, que eu procurei na internet, mas não descobri de quantos quilômetros é. Tive preguiça de pegar um mapa em escala e medir. Se alguém tiver essa informação, com a fonte, eu agradeço.</p>
<div id="attachment_1037" class="wp-caption aligncenter" style="width: 710px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/BsAs-PresVargas.jpg"><img class="size-full wp-image-1037 " title="BsAs-PresVargas" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/BsAs-PresVargas.jpg" alt="" width="700" height="213" /></a><p class="wp-caption-text">À esquerda e no meio, a localização da 9 de Julio em Buenos Aires. À direita, a Av. Presidente Vargas, no Rio.</p></div>
<p>É uma época de abertura de grandes avenidas, no mundo todo, pelo menos no mundo que ainda não tinha feito isso no século XIX, tipo Paris. A nossa Av. Presidente Vargas (aqui no centro do Rio de Janeiro) é de 1945, por exemplo, e tem os mesmos propósitos funcionais/simbólicos. Grandes avenidas se prestam a exibir poder, ordem, glória; abrem canais de ventilação e iluminação em cidades excessivamente adensadas, disciplinam e otimizam fluxos, além de escoar o tráfego. E neste momento (décadas de 30 e 40), o urbanismo Modernista ainda dá as cartas, com sua aposta na primazia do automóvel (crise do petróleo? Naquela época isso merecia risadas incrédulas), baseada na crença de que a indústria e sua fabricação em massa barateariam os custos e tornariam o automóvel acessível e necessário a todos. Bom, junta tudo isso, e abriu-se a 9 de Julio. São 130 metros de largura. Pra vocês terem uma medida de comparação, de novo, a Av. Presidente Vargas tem 80 metros, chegando a 90 em alguns poucos trechos, no finalzinho. Em São Paulo eu não saberia mencionar uma comparação adequada. Mas sei que a 9 de Julio é considerada, segundo diversas fontes, a mais larga do mundo, deixando seguramente a Champs Elysées parisiense no chinelo. E está sempre lotada de carros e engarrafada, que coisa!</p>
<div id="attachment_1038" class="wp-caption aligncenter" style="width: 817px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Obelisco-e-9Julio-const.jpg"><img class="size-full wp-image-1038" title="Obelisco-e-9Julio-const" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Obelisco-e-9Julio-const.jpg" alt="" width="807" height="419" /></a><p class="wp-caption-text">Fonte: livro &quot;Imágenes de Buenos Aires 1915-1940&quot;. Ediciones de la Antorcha, 2006.</p></div>
<p>Eu vi um site que eu queria deixar como sugestão, mas depois que fechei, não consigo mais lembrar como cheguei ali, e perdi a referência. Mas <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/9_de_Julio_Avenue">aqui</a> tem umas informações interessantes sobre esta avenida. Quanto ao obelisco, oras, tem também suas explicações. Um obelisco é um monumento, normalmente em pedra (os mais moderninhos já o fazem de concreto, e já vi até obeliscos estilosos em aço, mas vamos nos ater aos clássicos), esguio e alto, erguido por (ou em homenagem a) grandes reis ou líderes militares, servindo tradicionalmente para celebrar uma vitória em batalha, uma conquista importante, ou a glória do soberano. Os homens (sim, é evidentemente um monumento bem carregado de simbologia masculina, bem fálico mesmo) erguem elementos marcantes para comemorar suas vitórias ou realizar rituais místicos desde tempos imemoriais, pré-históricos.</p>
<div id="attachment_1043" class="wp-caption alignleft" style="width: 125px"><a href="http://aeterna.no.sapo.pt/lusophia/lusophia36-jc.htm"><img class="size-full wp-image-1043" title="Menir" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Menir.jpg" alt="" width="115" height="177" /></a><p class="wp-caption-text">Menir em Portugal</p></div>
<p>Muito antes dos obeliscos, já havia os <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Menir" target="_blank"><span style="color: #0000ff;">menires</span></a> de pedra, menos sofisticados e de razões supostamente mais esotéricas que militares, mas ainda assim impressionantes. Eram pedras imensas, altas, mas bem irregulares, brutas, cravadas no solo. Aquelas pedras em <span style="color: #000000;"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Stonehenge" target="_blank">Stonehenge </a>(Inglaterra)</span> são como menires. Mais tarde, alguns desses monumentos passaram a se sofisticar mais e se tornaram mais associados com essa coisa da batalha mesmo, perdendo a conexão com o divino. Passaram a ser blocos de pedra mais altos, mais trabalhados, com as faces geometricamente talhadas, recebendo inscrições que narram as glórias da guerra, desenhos e entalhes, alto-relevos, enfim, tinham também uma função didática, porque impunham respeito e temor, ao descrever o poder do líder e do império, os suplícios dos perdedores, as marchas vitoriosas do exército. Eram cravados em algum espaço importante da cidade, para que todos pudessem contemplá-lo. Eram uma espécie de jornal, de panfleto, eram em si mesmos uma narrativa histórica.</p>
<div>
<dl id="attachment_1046">
<dt>Os  egípcios e os romanos foram mestres no uso de obeliscos, e alguns   deles mais tarde foram roubados pelos novos conquistadores e trasladados   para lugares como Paris (por Napoleão, claro), Roma, Londres, como um   troféu. Bem  mais tarde, no Renascimento e principalmente durante o  Barroco, a  partir do século XVII, os urbanistas se deram conta de que  aqueles  marcos verticais tão imponentes serviam como elementos  estéticos e  compositivos espetaculares nas novas ordenações  urbanísticas. Eles  servem, por exemplo, como ponto focal, ao final do  eixo de perspectiva  formado por uma longa, reta e larga avenida, ou  para enfatizar a  simetria de uma imensa fachada. </dt>
<dt> </dt>
<dt>
<div id="attachment_1048" class="wp-caption alignleft" style="width: 455px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/ChampsElisees-Vaticano.jpg"><img class="size-full wp-image-1048" title="ChampsElisees-Vaticano" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/ChampsElisees-Vaticano.jpg" alt="" width="445" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">Os obeliscos de Paris e do Vaticano, respectivamente. </p></div>
</dt>
<dt>Como exemplo do  primeiro caso, temos o  obelisco do templo de Luxor,  que Napoleão  trouxe do Egito e posicionou na Champs Elisées, na Place  de la Concorde  (no outro extremo da avenida, em relação ao Arco do  Triunfo). No  segundo caso, temos o obelisco, também egípcio, trazido para Roma por  Calígula, no século I,  para ostentar a sua própria glória no centro do  Circo que levava seu nome. No  século XVI, quando o circo já não existia  mais e a Basílica de São Pedro, no Vaticano, começou a ser construída no  lugar da milenar Basílica de Constantino, o obelisco de Calígula não  estava na posição em que está hoje. Ficava ao lado da nova basílica e,  pelos princípios barrocos, atrapalhava o eixo da perspectiva, desviando o  olhar de quem se postasse diante da fachada em construção. O papa da  ocasião, Sisto V, incomodado esteticamente, com toda a razão, cismou em  remover o monolito do lugar e trazê-lo para o centro da praça, onde ele  direcionaria a visada para a o eixo certo, valorizando a praça e a  igreja. Foi uma empreitada de engenharia supercomplexa, com uma história  genial! </dt>
<dt> </dt>
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<div id="attachment_1049" class="wp-caption aligncenter" style="width: 754px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/basilica-circus.jpg"><img class="size-full wp-image-1049" title="basilica-circus" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/basilica-circus.jpg" alt="" width="744" height="518" /></a><p class="wp-caption-text">Fonte: SCOTTI, R.A. Basílica de São Pedro: esplendor e escândalo na construção da Catedral do Vaticano. RJ: Nova Fronteira, 2007. p.80</p></div>
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<dt>Em 1586, tendo se dado conta de que o obelisco estava deslocado, e sua imponência era tal que desviava o olhar do que deveria ser o centro da composição, o papa ordenou que ele fosse removido e reposicionado. Como ninguém achasse que isso era possível, Sisto V fez um concurso público, vencido pelo engenheiro e arquiteto Domenico Fontana, que pôs o obelisco na sua posição atual, a partir de estudos históricos de como os próprios egípcios tinham transportado o bloco de pedra pelo Nilo, quase 3 mil anos antes, e de cálculos precisos que envolviam o uso de macacos hidráulicos, alavancas e polias. Esta história está contada, em detalhes deliciosos, no livro <span style="color: #000000;"><a href="http://www.submarino.com.br/busca?franq=134562&amp;q=basilica+de+sao+pedro+++esplendor+e+escandalo+na+construcao+da+catedral+do+vatic+r+a+scotti" target="_blank"><strong>Basílica de São Pedro: esplendor e escândalo na construção da Catedral do Vaticano</strong></a>, de R. A. Scotti, publicado pela Editora Nova Fronteira.<br />
</span></p>
<div id="attachment_1050" class="wp-caption aligncenter" style="width: 740px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Basilica-planta-perspect.jpg"><img class="size-full wp-image-1050" title="Basilica-planta-perspect" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/Basilica-planta-perspect.jpg" alt="" width="730" height="450" /></a><p class="wp-caption-text">A planta final e a perspectiva da Basílica e Praça de São Pedro, com o obelisco reposicionado.</p></div>
</dt>
<dt> </dt>
<dt>Se você pensar bem, um obelisco tem mesmo esse poder de atrair o olhar, e quando bem usado, ele pode ajudar a equilibrar uma composição muito horizontal, dar proporção e senso de profundidade a uma visada muita ampla. É o caso do enorme obelisco da Av. 9 de Julio, em Buenos Aires. Pena que mais modernamente, o pessoal &#8211; que ouviu o galo cantar, mas não sabe bem onde &#8211; tem usado levianamente desse recurso, que não serve pra celebrar mais nada, e muitas vezes é projetado sem manter proporção com porcaria nenhuma, só para a glória duvidosa de algum político chinfrim ou para a vaidade de algum arquiteto que &#8220;se acha&#8221;. Preciso dar exemplos? Cada um aqui dá conta de lembrar de mais de um, se duvidar.</p>
</dt>
</dl>
</div>
<p>Tá bom, não dá pra comparar o obelisco da Praça de São Pedro com o da 9 de Julio, mas é pra dizer que são marcos verticais que ajudam a dar proporção, senso de profundidade e orientar a perspectiva. Como elementos verticais de destaque na paisagem servem de referência e ajudam as pessoas a se situarem. Isso, claro, num momento em que as construções ainda não eram tão altas a ponto de achatarem os ditos cujos. A largura da 9 de Julio ajuda muito a que o obelisco ainda se destaque, a despeito dos prédios construídos ao redor.</p>
<div id="attachment_1052" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/obelisco-AvRioBranco.jpeg"><img class="size-medium wp-image-1052" title="obelisco-AvRioBranco" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/05/obelisco-AvRioBranco-300x201.jpg" alt="" width="300" height="201" /></a><p class="wp-caption-text">O obelisco da Av. Rio Branco.  Fonte: Google Streetview</p></div>
<p>No final da Av. Rio Branco (Centro do Rio) também há um obelisco e uma vez eu comentei isso com meu marido. Ele, que passa ali desde sempre, perguntou, incrédulo: Tem? Nunca vi&#8230; Claro, o obelisco era perfeitamente visível na abertura da Avenida, quando todos os prédios em volta tinham a altura da Biblioteca Nacional, do Museu de Belas Artes, do Teatro Municipal. Depois que os arranha-céus foram construídos indiscriminadamente (e criminosamente, também, na minha modesta opinião), a avenida ficou com uma cara apertadinha e o obelisco ficou com a escala ridícula de um palitinho de fósforos. É tudo uma questão de proporção, e não é da proporção do lucro que eu estou falando, mas isso é outra história.</p>
<p>Buenos Aires tem coisas muito mais interessantes e legais que o obelisco da 9 de Julio, mas se algum dia um de vocês for visitar a bela capital argentina, não deixe de considerá-lo como um marco na paisagem da cidade, na história urbanística local e como um testemunho de um modo de pensar e construir a cidade.</p>
<p><em>PS: Eu não sei como, mas as fontes se desconfiguraram aqui e eu não consegui arrumar de jeito nenhum. </em></p>
<p><em>Update: como vocês podem ver, as fontes foram arrumadas. Oba!<br />
</em></p>
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		<title>E fez-se a Luz!</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Feb 2011 21:23:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>As férias vão chegando ao fim e minha preguiça vai aumentando exponencialmente. Mas vamos voltar a São Paulo.</p>
<p>Naquele mesmo primeiro dia de passeio, depois de lanchar na Casa Godinho, eu achei que dava tempo de mais um roteirinho do meu livro, e me mandei pro Bom Retiro, um dos bairros mais antigos da cidade, verdadeiro testemunho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As férias vão chegando ao fim e minha preguiça vai aumentando exponencialmente. Mas vamos voltar a São Paulo.</p>
<p>Naquele mesmo primeiro dia de passeio, depois de lanchar na <strong>Casa Godinho</strong>, eu achei que dava tempo de mais um roteirinho do meu livro, e me mandei pro Bom Retiro, um dos bairros mais antigos da cidade, verdadeiro testemunho urbano desde 1800. Primeira parada: <a href="http://www.estacoesferroviarias.com.br/l/luz.htm" target="_blank">Estação da Luz</a>. Estava louca há anos para conhecer o <a href="http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/exposicoes.php" target="_blank">Museu da Língua Portuguesa</a>, que funciona ali numa parte reformada da estação. Não me decepcionei. Lindíssimo o museu, uma pena a loja e a cafeteria estarem fechadas. Mas a estrutura é toda muito bem organizada, há a parte das exposições temporárias, que dessa vez era sobre <strong>Fernando Pessoa</strong>, um andar inteiro e imenso com painéis, projeções e todo tipo de artefato interativo e tecnológico, contando a formação da língua, desde lá atrás, na bifurcação dos ramos linguísticos, de onde surgiu o indo-europeu que dá origem à grande quantidade de línguas que hoje conhecemos, extintas (como o latim) ou vivas, como seus derivados português, espanhol, francês, romeno, para ficar só nas mais conhecidas.</p>
<p>O que eu achei mais legal foram os vários computadores à disposição, que mostram as contribuições das diversas línguas africanas e indígenas à formação do português que falamos hoje no Brasil. Cada computador com um dialeto ou língua, explicando sua origem, falando dos povos que falavam essas línguas, um monte de outras informações culturais interessantíssimas e finalmente uma lista das palavras incorporadas ao nosso vocabulário, em todas as áreas, que são oriundas dessas línguas e do saber desses povos. É impressionante, a gente não se dá conta do tanto que fala e que vem de jejes, eve-fons, iorubás, guaranis, tamoios, e tantos outros. Ah, há também as palavras que vieram de outros grupos de imigrantes, das mais diversas nacionalidades, principalmente nos dois últimos séculos.</p>
<p>Entretanto, o que mais me emocionou mesmo foi a projeção com artistas e escritores declamando trechos de poemas em português. A versão rap para um poema de Gregório de Matos ficou sensacional. Na pequena arena circular em que a projeção era feita nas paredes, em 360°, os textos e imagens abstratas iam se encaixando no tema ou no ritmo, enquanto nós sentávamos em arquibancadas de madeira. O piso, no centro, é escuro, e aqueles versos estão escritos em luz, numa montagem simples e poética. Foi muito lúdico também. Havia crianças se divertindo com a maleabilidade da língua, as aliterações, a cadência que dá vida às frases. Será que eu sou boba porque eu chorei um pouquinho, algumas vezes?</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/Museu.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-986" title="Museu" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/Museu.jpg" alt="" width="850" height="300" /></a></p>
<div id="attachment_987" class="wp-caption alignleft" style="width: 410px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09429.jpg"><img class="size-full wp-image-987" title="DSC09429" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09429.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Estação da Luz</p></div>
<p>Na saída do Museu, fiz questão de verificar que a Estação da Luz continua funcionando como um ponto intermodal importante em São Paulo, integrando a malha ferroviária com o metrô e o ônibus. O prédio original era de 1867, mas desapareceu sob o fogo. O que está lá foi inaugurado em 1901, símbolo da indústria e da arquitetura do ferro e do tijolo da Revolução Industrial. Como aconteceu tantas vezes (e aqui no Rio não é diferente), foi a estrada de ferro que urbanizou a região, levando ao loteamento das chácaras e abertura de ruas. Isso atraiu moradores, casas comerciais, oficinas, armazéns e depósitos. Ainda hoje, é fascinante observar aquele monte de gente passando por ali, como fizeram centenas de milhares italianos, japoneses, coreanos, judeus (de origens várias), mineiros, baianos, paraenses, pernambucanos, peruanos, paraguaios, desde o século XIX até hoje. Isso sem falar nas toneladas de café que vinham do interior do estado rumo ao Porto de Santos e que fizeram a riqueza da metrópole.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/jardim.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-989" title="jardim" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/jardim.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Por recomendação das amigas (e do guia), fui passear no parque em frente, o Parque da Luz. O jardim é anterior à estrada de ferro, e foi aberto em 1825, com um jardim botânico e um zoológico! Tem o típico desenho romântico inglês, com imensas árvores, lagos, canais, pontezinhas, estátuas, grutas artificiais, tudo emulando uma paisagem campestre e nostálgica, que convida o passante à ilusão de que, por um momento, se saiu da cidade e se mergulhou em alguma paisagem idílica. O lindo coreto de ferro ao centro está reformado, e o programa mais delicioso a fazer é simplesmente caminhar e contemplar. O parque é muito frequentado, com dezenas de pessoas percorrendo os caminhos sinuosos, ou sentados jogando dominó, lendo, batendo papo. Ah, antes que eu esqueça, a Pinacoteca fica ali, quase de frente para a Estação da Luz, e o prédio é lindo, mas eu não tive tempo de visitá-la desta vez. Ao seu lado, há um belo Jardim de Esculturas, com obras de geniais artistas contemporâneos brasileiros, como Waltércio Caldas, Amílcar de Castro, Franz Weissmann e Ascânio MMM.</p>
<div id="attachment_990" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/pqe-da-luz.jpg"><img class="size-full wp-image-990" title="pqe-da-luz" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/pqe-da-luz.jpg" alt="" width="800" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Movimento e vida no parque</p></div>
<p>Antes de entrar no coração do bairro propriamente, assinalado por uma placa de Bem-vindo ao Bom Retiro, numa esquina da rua José Paulino, uma das mais conhecidas e badaladas, um pequeno trecho do <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3227054" target="_blank">livro</a> que me serviu de Guia, no capítulo escrito pelo historiador <strong>Roney Cytrynowicz</strong>:</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/bem_vindo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-991" title="bem_vindo" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/bem_vindo-130x300.jpg" alt="" width="130" height="300" /></a><em>&#8220;Poucos bairros e lugares da cidade de São Paulo têm uma característica tão definida como o bairro do Bom Retiro, principalmente por três aspectos relacionados entre si: o comércio têxtil (&#8230;) que atrai pessoas e negócios de todos os cantos da cidade e do país; os restaurantes de culinária &#8216;típica&#8217; de vários grupos étnicos, citados com destaque em todos os roteiros gastronômicos da cidade e, por fim, a presença visível de paulistanos de várias origens étnicas e nacionais. O Bom Retiro tornou-se assim uma espécie de cartão-postal ou vitrine do cosmopolitismo da cidade, [de um] multiculturalismo efetivo, cotidiano, que embaralha pessoas, culturas e comércio. O lado cartão-postal convive com o dia-a-dia dos imigrantes, seus descendentes de várias gerações e sua intensa produção de signos culturais, de letreiros de loja a cardápios de restaurante em várias línguas, brincando com os nomes, seus sentidos, as sonoridades e seus grafismos.</em></p>
<p><em>Mas é interessante superar uma visão folclorizante do bairro e dos seus habitantes, que seria olhar para seus moradores como seres pitorescos originário de outras terras: ; &#8216;coreano&#8217;, o &#8216;italiano&#8217;, o &#8216;judeu&#8217; e assim por diante, como se as pessoas portassem uma etnicidade ou cultura &#8216;pura&#8217; ou &#8216;original&#8217;. (&#8230;) Estas identidades existem, mas sempre em combinação com outras e em um jogo no qual os grupos reinventam sua cultura na troca com os outros, criando estratégias de manutenção interna de sua identidade e outra de consumo para o público &#8216;externo&#8217;.</em></p>
<p><em>Uma visita ao bairro é uma viagem a esse mundo em que &#8216;assim é se lhe parece&#8217;. O próprio comércio (&#8230;) convida a esse turismo de identidade, mas ele é apenas a superfície, a fachada de uma complexa vida diária na metrópole, de sucesso de imigração, de liberdade e afirmação étnica, cultural e religiosa, mas também de fracassos, de retornos, de frustrações, de ilegalidades no trabalho e de vidas sofridas, clandestinas e sem registro formal&#8221;.</em></p>
<p>Assim que passei a placa, procurei um café, sentei, tomei meu indefectível capuccino (adooooro), enquanto rabiscava minhas impressões daquelas primeiras horas e lia esse trecho que acabei de transcrever. Já eram mais de 4 horas da tarde, e eu tinha pressa de ver tudo o que pudesse. A mistura de culturas, arquiteturas, gentes e tempos é gritante. E deliciosa. Como diz o Roney mais adiante: <em>&#8220;o descompasso geométrico das construções, com alturas, tamanhos, estilos, cores e estado de conservação inteiramente diferentes, cada um brotando para um lado&#8221;</em> não deixa de ter seu charme. Os resquícios do passado industrial prioritariamente têxtil do bairro estão por todos os lados. Galpões que viraram centros comerciais, armarinhos, malharias, fiações. Lojas elegantes e caras numa rua, e logo ali depois da esquina, botequins, lojas de 1,99, pechinchas em bolsas e vestidos. Não desejo reforçar os estereótipos, mas meu espírito mulherzinha baixou num transe intenso, e quando eu vi, já tinha gasto mais de mil reais! Calma! Só mentalmente. Era o que eu teria gasto se tivesse comprado tudo o que cobicei nas lojas em que parei pra perguntar o preço. Na verdade, comportei-me estoica e prudentemente (mais ou menos) e minhas já sufocantes dívidas foram acrescidas de apenas cerca de 10% desse valor exorbitante. Mas veja se não valeu a pena: uma calça de malha (aquela viscose com elastano, de boa qualidade) marrom, lindésima, meio pantalona; uma camiseta de malha clarinha, com uma gola de cetim pérola, meio fru-fru, básica e elegantinha; um cinto tressê preto, de couro, fininho; uma echarpe bem levinha, de renda, ideal para o verão. Tudo isso junto, mais o café, o doce a que eu me referi no <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2011/02/17/pauliceia-desvairada/" target="_blank">post anterior</a>, e passagem incluída, somando pouco menos de cem reais. Não está mal, diz?</p>
<p>É uma tentação andar pelo Bom Retiro, aviso logo. Melhor voltar para a apreciação histórica. Pelo que li, além da maioria de italianos e judeus que chegaram no final do século XIX e princípios do XX, houve também grande quantidade de árabes, armênios, gregos, búlgaros. Eu, por exemplo, queria comer um falafel (sanduíche com variações comuns na culinária tanto de Israel quanto de diversos países árabes), ou uma bureka, na <strong>Casa Búlgara</strong>, mas na hora em que passei por lá, já estava fechada. Outro que ficou anotado para a próxima foi o <strong>Restaurante Acrópole</strong>, de comida grega (dãããã), na Rua da Graça.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09441.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-992" title="DSC09441" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09441.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a>Foi bom passar por lá de toda forma. Uma entrada estreita, em paralelepípedos, me chamou a atenção, bem como a placa sobre o portal, que dizia <strong>Vila Michele Anestasi</strong>. Antes mesmo de criar coragem para entrar, reconheci na casinha ao fundo, a tipologia característica das vilas operárias dos oitocentos. Meninos pequenos e descalços brincavam no pequeno pátio, e eu puxei conversa na cara de pau. Carinha de bolivianos, mas falavam português. Pedi para fotografar, já fotografando, e a mãe de um deles apareceu, grávida, desconfiada, cara feia e pouco assunto, mandando o filho entrar. Não admira. Se cem anos atrás essas vilas eram ocupadas por italianos pobres, hoje é moradia principalmente de bolivianos (e outras nacionalidades latino-americanas), que quase sempre vêm para o Brasil atraídos pela ilusão de uma vida melhor, e acabam instalados clandestinamente, trabalhando em condições de miséria e escravidão em fábricas de tecidos e confecções. Quando a mãe fechou a porta atrás de si, a fresta da porta me permitiu vislumbrar uma casa escura e pobre. Para a situação de tantos trabalhadores estrangeiros ou não, ainda presos em relações de trabalho de escravidão, por este Brasil afora, recomendo que acompanhem o <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/" target="_blank">blog do Sakamoto</a>.</p>
<div id="attachment_993" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/vila.jpg"><img class="size-full wp-image-993" title="vila" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/vila.jpg" alt="" width="800" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Vila Operária</p></div>
<p>Na rua Três Rios entrei &#8211; já quase na hora de fechar &#8211; numa lanchonete de nome <strong>Burekita</strong>, onde bebi um refrigerante bem gelado (ô calor!) e comi um docinho, enquanto a família de proprietários judeus conversava ao mesmo tempo em que o guri de seus 4 anos brincava de aviãozinho de papel com o avô. E comigo, né, já que a potente aeronave cismou de pousar na minha mesa algumas vezes. Dali, mais uma caminhada, dessa vez por uma área um tanto esquisita, com oficinas, terrenos baldios e hotéis de categoria duvidosa. Faz parte. Mas logo cheguei de volta à movimentada Av. Tiradentes, de onde peguei o metrô para casa. Um dia inesquecível.</p>
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		<title>Paulicéia desvairada*</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Feb 2011 14:56:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Pergunta: onde mais, neste imenso Brasil, eu posso, num dia só:</p>
<p>- ser abordada por um iraniano pedindo que eu tirasse uma foto dele em frente a uma catedral católica,
- ouvir emocionada um trio nordestino, vestido a caráter, com sanfona, zabumba e triângulo, cantar Asa Branca numa pracinha, enquanto uma multidão se forma em volta,
- depois conversar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta:</strong> onde mais, neste imenso Brasil, eu posso, num dia só:</p>
<p>- ser abordada por um iraniano pedindo que eu tirasse uma foto dele em frente a uma catedral católica,<br />
- ouvir emocionada um trio nordestino, vestido a caráter, com sanfona, zabumba e triângulo, cantar Asa Branca numa pracinha, enquanto uma multidão se forma em volta,<br />
- depois conversar com uma família de americanos num mirante no alto de um prédio, bem no Centro, de onde se vê a cidade quase toda,<br />
- fotografar um menino boliviano descalço e remelento, provavelmente imigrante clandestino, numa vila operária do século XIX,<br />
- comer um doce azedinho e bom, sentada sozinha num bar de judeus e acabar brincando de aviãozinho de papel com o Abraãozinho, neto do dono (era mesmo o nome do guri)?</p>
<p><strong>Resposta: Em São Paulo.</strong></p>
<p>Eu saí do Rio dia 27 de janeiro, para passar cinco dias na capital paulista, visitando amigas queridas, algumas das quais eu não via há mais de um ano. No caminho me dei conta de que era a primeira vez que eu ia a São Paulo a turismo, com disposição de conhecer a cidade. Sempre fui rapidinho, para algum evento específico, e ia do local onde estava hospedada para o evento e voltava. Tá, algumas vezes rolou um restaurante ou um barzinho, sempre ótimos, mas sempre guiada por moradores da cidade, e eu nunca prestei atenção em muita coisa à minha volta durante as andanças de carro. Ou então, passava por São Paulo (de novo de carro) a caminho do sul, e via só a parte ruim: os engarrafamentos da Marginal. Definitivamente, de carro é o pior jeito de conhecer uma cidade.</p>
<p>Vou confessar: São Paulo me intimidava. Engraçado que eu já visitei cidades estrangeiras, grandes, onde nem sempre eu sabia falar a língua local, e jamais deixei de pegar um mapinha e sair só (muitas vezes sozinha <span style="text-decoration: underline;">mesmo</span>, enquanto o marido trabalhava) para bater pernas, conhecer, fotografar. Pego ônibus, bonde, metrô, entro em lojas, exploro bairros mais afastados, paro para almoçar em lugares comuns (evito os restaurantes típicos para turistas, prefiro os cafés e bares onde vejo toda a gente da cidade sentada). Numa boa, adoro, e no final do primeiro dia já sinto como se tivesse a cidade nas mãos. Mas em São Paulo? Eu achava que ficaria paralisada, que ia acabar me perdendo, que todo mundo ia sacar que eu era uma carioca acuada. Pois vou logo dizer: foi mais fácil do que eu pensava, e muito mais agradável e emocionante também (fora o calor, que só não estava pior que no Rio, de onde eu me livrei dos mais de 40 graus que andou fazendo enquanto eu estava fora). Apaixonei.</p>
<p><a href="http://www.narrativaum.com.br/guias01.html#"><img class="alignleft size-medium wp-image-966" title="capa_guia1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/capa_guia1-185x300.gif" alt="" width="185" height="300" /></a>É verdade que eu tive um guia fantástico, que eu recomendo muito, mesmo aos paulistanos (eu descobri coisas que minhas amigas locais desconheciam, hohoho). É um livro que eu ganhei de um amigo uns anos atrás e que andou comigo diariamente, debaixo do braço, na mão, na bolsa: <a href="http://www.narrativaum.com.br/guias01.html#" target="_blank"><strong>Dez roteiros históricos a pé em São Paulo</strong></a>. Um projeto da Secretaria de Estado da Cultura, realizado pelo Programa de Ação Cultural e publicado pela Editora Narrativa Um, em 2007. Cada roteiro é escrito por um autor diferente: arquitetos, historiadores, antropólogos, artistas plásticos, com olhares, formações e experiências urbanas distintas, e uma forma particular de tecer sua narrativa e apresentar seu &#8220;pedaço&#8221; da cidade. Todos têm um mapinha com o trajeto sugerido, em que os pontos citados no texto estão assinalados, bem como um pequeno histórico do bairro ou região descrita e sugestões de quitutes a experimentar, edifícios a visitar, praças a desfrutar, hábitos e personagens a observar. MUITO legal.</p>
<p>Mas vamos lá. Eu cheguei numa quarta de tardinha. Na quinta, todo mundo trabalhando, eu resolvi que iria explorar o centro histórico a pé. A querida <a href="http://www.jujubalandia.org/" target="_blank">Juju</a>, que me recebeu, pegou comigo o primeiro ônibus ali do Caxingui, onde eu estava (perto do estádio do Morumbi) até a Av. Paulista e de lá eu poderia tomar o metrô para quase qualquer lugar. Escolhi fazer este circuito aqui:</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/roteiro1.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-967" title="roteiro1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/roteiro1.gif" alt="" width="380" height="611" /></a></p>
<p>Foi na Praça da Sé, início do percurso, que o tal iraniano me pediu que eu o fotografasse diante da catedral, num inglês meio cheio de mímica, provavelmente porque ele não sabia se eu entenderia. Comunicação estabelecida, ele se ofereceu pra tirar uma foto de mim também, e me perguntou de onde eu era. Eu falei que era brasileira e perguntei de onde ele era. Irã. Que legal!</p>
<div id="attachment_972" class="wp-caption aligncenter" style="width: 791px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/catedral-e-praca.jpg"><img class="size-full wp-image-972" title="catedral-e-praca" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/catedral-e-praca.jpg" alt="" width="781" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Eu diante da catedral, depois a Praça da Sé vista das escadarias da igreja</p></div>
<p>O livro adverte: <em>&#8220;o passeante curioso, ao ir descendo a Praça da Sé em direção ao antigo Pátio do Colégio, certamente vai trombar com meninos de rua, passar por cima de sem-tetos dormindo, desviar de camelôs, cruzar com ciganas ledoras de mão e ouvir a voz esganiçada de pregadores das mil seitas evangélicas que prosperam na cidade rica habitada exageradamente pelos muito pobres, atentos ouvintes embasbacados pelo som dos alto-falantes&#8221;.</em> Só não vi as ciganas. Mas isso tudo faz parte das nossas cidades, e traduz nossa situação urbana. Seria tapar o sol com a peneira querer andar só pelos ambientes assépticos dos shoppings e bairros mais requintados, onde vigora a vigilância privada.</p>
<p>Sorri, portanto, e prestei atenção, absorvendo tudo, ali no famoso &#8220;triângulo&#8221; que compõe o núcleo de fundação da cidade, formado pela Rua de São Bento, que liga a igreja dos beneditinos à dos franciscanos, a Rua Direita, fazendo ângulo reto com ela e a Rua Quinze de Novembro em oposição a este ângulo. Bem próximo a uma das pontas do triângulo, o Pátio do Colégio ostenta uma reprodução da igreja e do colégio dos jesuítas, construída já na década de 70, em substituição ao conjunto original, do século XVI, há muito desaparecido (não esquecer que em meados do século XVIII, o Marquês de Pombal expulsou os jesuítas de terras portuguesas). Há ali uma cripta dedicada ao Padre José de Anchieta, que expõe inclusive um dos fêmures do padre, como relíquia religiosa. Essa veneração por restos de corpos de santos me dá arrepios, juro que não entendo, mas passemos adiante.</p>
<div id="attachment_973" class="wp-caption aligncenter" style="width: 780px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/patiodocolegio.jpg"><img class="size-full wp-image-973" title="patiodocolegio" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/patiodocolegio.jpg" alt="" width="770" height="370" /></a><p class="wp-caption-text">Pátio do Colégio</p></div>
<p>Esse capítulo do livro é escrito pelo arquiteto Carlos A. C. Lemos, e ele faz uma descrição bem&#8230; arquitetônica (!!!) de tudo. Vai apontando as obras mais importantes, com os nomes dos arquitetos e datas de construção, sem se furtar a elogiar os prédios e estilos que ele admira (o colonial autêntico, o eclético historicista da linhagem de Ramos de Azevedo, o próprio art déco) e descrever com visível desapreço obras mais contemporâneas e as neocoloniais, estilo que ele menosprezava. Olha só dois exemplos:</p>
<div id="attachment_977" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/cobertura-e-sfrancisco.jpg"><img class="size-medium wp-image-977" title="cobertura-e-sfrancisco" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/cobertura-e-sfrancisco-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Acima, a cobertura de Paulo Mendes da Rocha. Embaixo, a igreja de São Francisco e da Ordem Terceira</p></div>
<p>1) Falando da cobertura no Viaduto do Chá:<em> &#8220;Muita gente achava inexpressiva tal cobertura art déco acoplada ao Viaduto do Chá, certamente também projeto de Elisiário Bahiana. Construção simples, nada semostradeira, na expressão de Mário de Andrade. Foi demolida e substituída por outra concebida por outro notável arquiteto, o nosso amigo Paulo Mendes da Rocha. Obra inteligente e até bonita, mas uma intrusa a clamar: &#8216;cheguei!&#8217;. As pessoas em geral têm que saber que Patrimônio Cultural não é composto apenas de obras belas; algumas históricas são inexpressivas. Aliás, quem é o fazedor de juízos de valor com procuração do povo para derrubar e construir?&#8221;</em></p>
<p>2) Falando da Faculdade de Direito, no Largo de São Francisco: <em>&#8220;guandiloquente construção neocolonial projetada por Ricardo Severo e Felisberto Ranzini para o Escritório Técnico Ramos de Azevedo &#8211; Severo e Vilares, por volta de 1932/33, para substituir uma legítima e mais que histórica construção colonial. Substituíram um original por uma contrafação num total desrespeito ao nosso Patrimônio Cultural (&#8230;) É uma pena. Agora ali está a Igreja de São Francisco, último remanescente do século XVII, toda encolhida e amedrontada pela massa insólita de alvenaria pretensiosa&#8221;.</em></p>
<p>Eu vou bancar a atrevida e discordar do eminente mestre. Em primeiro lugar, eu não chamaria a atual Faculdade de Direito propriamente de neocolonial. Seu frontão é neocolonial, mas o pórtico que marca o corpo central, com colunas coríntias, e a própria disposição e ritmo das aberturas, classicizantes, enquadrariam este edifício, a meu ver, no estilo eclético em seu sentido mais estrito (a mistura de elementos e linguagens distintas). Em segundo lugar, ele fala como se este edifício que aí está tivesse tomado direta e abusivamente o lugar do original colonial. Pois bem, como podemos acompanhar pelas imagens abaixo (eu infelizmente não fotografei a faculdade, apenas o conjunto franciscano), até 1862, pelo menos, ainda era de fato o convento anexo à igreja que servia de Academia de Direito. Colonial, ok. Mas a foto seguinte, de 1867, já mostra uma reforma bastante modificadora, de feição neoclássica, com o telhado cerâmico escondido pela platibanda, a adição de pilastras decorativas sugerindo apoio ao entablamento e a criação de uma entrada destacada por uma porta em arco pleno, encimada por uma pequena torre com relógio. Neste momento, o edifício já deixou de ser o colonial original, que Carlos Lemos adoraria ter preservado. Ao prédio hoje existente não cabe a culpa pela destruição do patrimônio, a meu ver. Se algum colega mais apto, lendo isto, quiser dar seu parecer, eu agradeço.</p>
<div id="attachment_978" class="wp-caption aligncenter" style="width: 735px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/FacDireito-evolucao.jpg"><img class="size-full wp-image-978" title="FacDireito-evolucao" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/FacDireito-evolucao.jpg" alt="" width="725" height="160" /></a><p class="wp-caption-text">À esquerda, 1862; ao centro, 1867. Fotos de Militão Augusto de Azevedo, em http://marcos.mazo.nom.br/site/node/187. À direita, pórtico em 2011. Fonte: http://www.panoramio.com/photo/24618569</p></div>
<p>Vamos prosseguir, que eu nem cheguei na hora do almoço e já vi que meu passeio ao Bom Retiro vai ficar pro próximo post. O texto de Carlos Lemos, de toda forma, é cheio de indicações preciosas, e, por causa dele, eu almocei na tradicional <a href="http://www.casagodinho.com.br/" target="_blank">Casa Godinho</a>, no térreo do edifício Sampaio Correia, primeiro arranha-céu paulistano, projetado em 1924 por Cristiano Stockler das Neves. Depois, parei para prestar homenagem ao Edifício Martinelli, de 1929, que para mim sempre estará associado a duas situações. A primeira, é que ele é mencionado no belíssimo livro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Olhai_os_L%C3%ADrios_do_Campo" target="_blank">Olhai os lírios do campo</a>, de Érico Veríssimo e a festa de inauguração do prédio é um momento importante no livro. A segunda &#8211; vamos botar uma lenhazinha na fogueira da rivalidade rio-sãopaulo &#8211; é que eu sei que o Martinelli foi erigido na mesma época que o Edifício A Noite, sede da Rádio Nacional, aqui na Praça Mauá, e havia uma velada disputa para saber quem completaria mais depressa o primeiro edifício de concreto armado do Brasil, que seria o mais alto da América Latina naquele momento. Há controvérsias.</p>
<div id="attachment_979" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/edificios.jpg"><img class="size-full wp-image-979" title="edificios" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/edificios.jpg" alt="" width="800" height="275" /></a><p class="wp-caption-text">Da esqerda para a direita: A Noite, Martinelli e Cavanagh. O primeiro foi tirado de http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1147645&amp;page=4, os outros são fotos da autora.</p></div>
<p>O projeto do A Noite é do francês Joseph Gire (o mesmo do Copacabana Palace) e de Elisiário Bahiana. Foi inaugurado com 22 andares, em 1929, com 102,80 m, o que equivale em nossos dias à altura de um prédio de mais de 30 andares. O Martinelli acabou sendo mais alto, atingindo 105,65 m (o livro fala em 80 metros, mas as outras fontes pesquisadas todas batem em torno de 105). Porém, alguns autores consideram que só foi concluído realmente em 1930, tendo apenas a estrutura terminada em 1929. Ficamos assim: o Rio inaugurou primeiro, mas São Paulo fez o mais alto. De que adianta? Em 1935 ambos perderiam a majestade para Buenos Aires, com os 120,35 m de seu Edifício Cavanagh.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AsaBranca.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-980" title="AsaBranca" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AsaBranca-300x225.jpg" alt="Tão bom ter parado ali pra ouvir esse pessoal" width="300" height="225" /></a>Foi ali do ladinho do Martinelli, na Praça Antonio Prado, que eu parei para ouvir Asa Branca, embevecida. Já falei que adoro a vida popular das praças? Guiada pelos conselhos de Carlos Lemos, segui logo depois para o Banespa, em cujo topo há um mirante com uma visão soberba da cidade. Desci de lá pensando que eu definitivamente amo as cidades. Esses centros meio sujos, tumultuados, de ruas estreitas. Buzina, edifícios antigos e novos lado a lado, mendigos, vendedores ambulantes, artistas de rua, ônibus, gente. Certo, podíamos não ter os mendigos. Mas não no sentido do &#8220;choque de ordem&#8221; do nosso prefeito carioca, que tira todos dos lugares mais valorizados da cidade, apenas para que não sejam vistos, como quem varre a sujeira para baixo do tapete, e assim crê que a casa ficou limpa. Podiam não existir mendigos no sentido de não existir tamanha miséria, tanta desigualdade e desamparo. Se é para eles existirem, então acho que devem mesmo estar diariamente às nossas vistas, confrontando nosso conforto e sucesso (e nossas responsabilidades) com o longo caminho que ainda devemos percorrer para extirpar essa chaga do país.</p>
<p>De resto, os cafés e botequins, os homens fumando de pé nas esquinas, o burburinho, os becos, as pessoas tão diferentes em suas cores, tamanhos e jeitos, em sua faina de formigas, tudo me fascina. Me deu um carinho, como se eu quisesse pegar São Paulo no colo.</p>
<p>No próximo episódio, uma tarde maravilhosa: a Estação da Luz, o Museu de Língua Portuguesa, Pinacoteca, e como lutar bravamente &#8211; e falhar! &#8211; na tentativa de resistir às compras no fantástico bairro do Bom Retiro.</p>
<p><em>* Thanks, Mario de Andrade!</em></p>
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		<title>O cimento, a América Latina e outros pensamentos partilhados</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/08/31/o-cimento-a-america-latina-e-outros-pensamentos-partilhados/</link>
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		<pubDate>Tue, 31 Aug 2010 04:40:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Ensino]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Como prometido, eu vou contar a vocês alguma coisa da palestra do Fernando Lara, a que eu assisti no dia 06 de agosto, no PROARQ (Programa de Pós-Graduação em Arquietura, da FAU-UFRJ).</p>
<p>Eu fiquei realmente encantada com a palestra, como aliás sempre fico ao ouvir o Fernando falar, porque o cara sabe muito, e tem uma facilidade [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como prometido, eu vou contar a vocês alguma coisa da palestra do <a href="http://parededemeia.blogspot.com/" target="_blank">Fernando Lara</a>, a que eu assisti no dia 06 de agosto, no <a href="http://www.proarq.fau.ufrj.br/site/" target="_blank">PROARQ</a> (Programa de Pós-Graduação em Arquietura, da FAU-UFRJ).</p>
<p>Eu fiquei realmente encantada com a palestra, como aliás sempre fico ao ouvir o Fernando falar, porque o cara sabe muito, e tem uma facilidade de comunicação imensa. Acaba não sendo uma palestra, mas um papo, gostoso, instrutivo, em que você não sente o tempo passar e fica querendo mais quando termina. Dessa vez, o tema era<em><strong> &#8220;O cimento feroz &#8211; considerações sobre arquiteturas contemporâneas da América Latina&#8221;</strong></em>, assunto que ele vem estudando há bastante tempo e desenvolvendo em seus <a href="http://soa.utexas.edu/latitudes/" target="_blank">grupos de pesquisa</a> sobre Arquitetura Latinoamericana  Moderna na <a href="http://www.soa.utexas.edu/lama" target="_blank">Universidade do Texas</a>.</p>
<p>Como é um assunto que eu absolutamente não domino, fui lá aprender. E, como boa aluna, tomei notas, que divido agora com vocês. Já comecei me surpreendendo com a frase-provocação que abriu a conversa, que o Fernando nos informou ter sido dita por Paulo Venâncio, professor da EBA (Escola de Belas-Artes), num livro sobre o Burle Marx. Sente só: &#8220;o brasileiro só consegue lidar com a paisagem mediada pelo cimento&#8221;. Gente, e não é verdade?</p>
<p>Gostei muito dele ter trazido, para começar, uma discussão sobre esse conceito de &#8220;América Latina&#8221;. O que é isso, afinal, o que quer dizer, o que expressa? Nós temos (ou pelo menos muitos de nós) a tendência a naturalizar certos termos e é preciso um certo esforço para ficarmos atentos aos seus significados, e sobretudo ao entendimento de como, quando e onde esses significados foram propostos e construídos. A idéia de uma América &#8220;latina&#8221; surge na segunda metade do século XIX, e é uma tentativa francesa de trazer, para seu círculo de influência &#8220;latinizante&#8221;, uma parte da América que orbitava, em vários aspectos, tanto políticos quanto econômicos, em torno do universo anglo-saxão. A França acenava com nossas raízes latinas, via Portugal e Espanha, para nos suscitar a ideia de uma herança cultural comum, que favorecesse nosso alinhamento aos seus interesses. Eu sei que estou encurtando um assunto que é mais comprido e mais complexo do que isso.  O que nos cabe discutir aqui é que esse conceito, ou esse agrupamento não é fruto de uma identidade própria ou auto-reconhecimento, mas sim uma característica, ou conjunto de características que nos é atribuída por outrem (por mais que hoje muita gente tenha se apropriado positivamente dessa identidade), e se a gente pensar bem,  é um conceito que já nasce problemático. Em outras palavras, não fomos nós mesmos que nos reconhecemos e designamos assim: &#8220;somos latinoamericanos&#8221;, mas um outro, europeu, que  veio nos dizer: &#8220;ei, <em>prestenção</em>, vocês são herdeiros de uma tradição latina, por MEU intermédio, fiquem aqui do meu lado&#8221;.  E vingou, né? Ou melhor, vingou especialmente a denominação. Não necessariamente o interesse francês.</p>
<p>Mas qual seria esse nosso traço comum, que nos permitiria abrigar-nos todos sob esse &#8220;guarda-chuva&#8221;? Um recorte simplesmente geopolítico arbitrário, que diz que do México pra baixo é tudo latinoamericano? Mas e as Ilhas Virgens, as Guianas holandesa e inglesa, as outras colônias de povos não-latinos no Caribe? Bom, seria então uma unidade linguística? Não, nesse conjunto de países há falantes de outras línguas também. Seria uma unidade religiosa? Econômica? Há algum dado <em>a priori</em> que permita nos agrupar sob esta classificação? Ele vai desmontando e desnaturalizando o conceito, pra mostrar que qualquer denominador comum que se busque tem seus furos, ou seja, dizer &#8220;América Latina&#8221; é enfatizar uma construção política e cultural, que serve (ainda hoje) a determinados interesses, para o bem ou para o mal.</p>
<p>Agora, uma coisa que muito me impressionou, das diversas imagens que ele mostrou, fruto da transcrição cartográfica das pesquisas que ele vem fazendo, é como, nas nossas revistas de arquitetura, aparece tão hegemonicamente a produção do hemisfério norte, em detrimento da produção abaixo da linha do Equador! Ele fez um levantamento em diversas revistas, das obras que são mencionadas, apresentadas como significativas da produção arquitetônica contemporânea. E foi marcando com uma bolinha num mapa mundi a localização da tal obra. Tá lá: só dá hemisfério norte! E ele mostrou, com exemplos muito legais, que não é por falta de produção de qualidade do lado de baixo do Equador, mas por falta de valorização e divulgação dessa produção. E isso não é só no Brasil. Segundo o Fernando, falta uma maior comunicação e trocas entre arquitetos e urbanistas &#8211; vá lá &#8211; latinoamericanos. Nas revistas brasileiras saem artigos e críticas sobre obras brasileiras, européias, norteamericanas, alguma coisa asiática. Nas revistas colombianas saem sobre obras colombianas, européias, norteamericanas, asiáticas. Nas revistas argentinas, a mesma coisa. E assim em todo lado.</p>
<p>A partir daí, ele começou a mostrar arquitetos e arquiteturas desses países nossos vizinhos, e, veja bem, a audiência da palestra era quase toda de professores e estudantes de mestrado e doutorado de arquitetura (e alguns dos meus alunos da graduação que eu chamei também), e é impressionante que tantos nomes que ele citou nós simplesmente nunca tínhamos ouvido falar, ou mal conhecíamos o nome. Entre tantos edifícios e intervenções urbanas de qualidade, um traço comum: o uso maciço do concreto, do tal &#8220;cimento feroz&#8221;, algumas vezes com rara poesia e leveza.</p>
<p>Vou mencionar apenas alguns (deixei os brasileiros de fora dessa vez, e ele mostrou projetos ótimos também) e fazer vocês irem pesquisar a respeito:</p>
<p><a href="http://www.rafaeliglesia.com.ar/first-E.htm" target="_blank">Rafael Iglesia</a> (Argentina), que diz que nós não temos História, mas Geografias, porque estamos sempre fazendo tabula rasa para novos experimentos;<br />
<a href="http://www.worldarchitecture.org/world-architects/index.asp?worldarchitects=architectdetail&amp;country=Mexico&amp;no=3" target="_blank">Alberto Kalach</a> (México);<br />
<a href="http://www.arqsaez.com/" target="_blank">José Maria Saez</a> (Equador);</p>
<div id="attachment_837" class="wp-caption aligncenter" style="width: 600px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/montagem-latino.jpg"><img class="size-full wp-image-837" title="montagem-latino" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/montagem-latino.jpg" alt="" width="590" height="564" /></a><p class="wp-caption-text">Acima, à esquerda, uma escada maravilhosa de Iglesia, que não usa um único prego, só encaixe. Ao lado, a Biblioteca Nacional, do Kalach, no México. Abaixo, também do Kalach, a casa que está na página de abertura do seu site</p></div>
<p><a href="http://www.alejandroaravena.com/" target="_blank">Alejandro Aravena</a> (Chile): gostei muito de um projeto que foi mostrado, de habitação social, batizado de <a href="http://www.elementalchile.cl/viviendas/quinta-monroy/quinta-monroy/" target="_blank">Elemental</a>, que usa alguns blocos-padrão, modulares, intercalados com espaços livres que permitem que cada família construa o restante da unidade conforme suas necessidades (e possibilidades), gerando uma diversidade formal muito rica e interessante.</p>
<div id="attachment_838" class="wp-caption aligncenter" style="width: 790px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/Alejandro-Elemental-quintamoroy.jpg"><img class="size-full wp-image-838" title="Alejandro-Elemental-quintamoroy" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/Alejandro-Elemental-quintamoroy.jpg" alt="" width="780" height="400" /></a><p class="wp-caption-text">Casas em Quinta Monroy, no Chile, nessa &quot;metodologia&quot; do Elemental, que permite arranjos posteriores diferentes com maior flexibilidade para os moradores. </p></div>
<p>Em todos os projetos apresentados, havia uma preocupação de melhoria e valorização do espaço público como estratégia para um melhor exercício da cidadania. E sobretudo, uma enorme confiança na arquitetura, no espaço construído, como elemento impactante nessa transformação. A premissa é de que ao construir creches, escolas, postos de saúde, praças, conjuntos habitacionais de grande qualidade formal e espacial você está, de certa forma, &#8220;educando&#8221; as novas gerações, oferecendo a possibilidade delas incorporarem novos parâmetros de qualidade, que as tornem mais críticas e exigentes no futuro. Isso é genial.</p>
<p>Eu achei espetacular saber que, na Colômbia, por exemplo, há uma lei que obriga todo projeto em terreno público, com mais de 5000 m2 de área construída, a ser alvo de concurso público. E tá certo. Isso provoca uma profunda renovação na arquitetura local, e contribui de maneira fundamental para a melhoria dos nossos referenciais construtivos. Estimula talentos novos, revigora o ensino, alavanca a pesquisa e o investimento em novas tecnologias, diversifica a paisagem urbana, favorece o controle e a fiscalização dos gastos públicos com as obras. Já pensou isso aqui, no Rio, no Brasil, com as obras da Copa e das Olimpíadas? Com a requalificação da área portuária? Nós só teríamos a ganhar, eu tenho certeza!</p>
<p>&#8212;&#8212;- x &#8212;&#8212; x &#8212;&#8212; x &#8212;&#8212;</p>
<p>Umas rapidinhas, pra fechar por hoje:</p>
<p>- imperdível o <a href="http://sexismonapolitica.wordpress.com/2010/08/29/campanha-incentivando-violencia-contra-candidata/" target="_blank">post da Cynthia</a>, no blog <a href="http://sexismonapolitica.wordpress.com/" target="_blank">Sexismo na política</a>. É pra ser lido e divulgado. Longe de ser uma brincadeira, o teor da malfadada campanha é de um mau gosto grotesco e revela o quanto a violência contra a mulher continua um assunto sério e descuidado no país. E não se trata de uma defesa partidária, nem de falta de humor. É muito mais grave e amplo do que isso.</p>
<p>- ainda sobre política, um aviso importantíssimo: não se esqueçam que, este ano, para poder votar, não basta levar o título de eleitor à seção eleitoral. É <strong>OBRIGATÓRIO</strong> levar <strong>TAMBÉM</strong> um <strong>DOCUMENTO DE IDENTIDADE, OFICIAL, COM FOTO! </strong>Ou seja, são <span style="color: #ff0000;"><strong>DOIS DOCUMENTOS:</strong></span> o título e a identidade. Serve a carteira de identidade propriamente, passaporte, carteira de trabalho, carteira de habilitação, mas tem que ter foto. Divulgue essa notícia entre todos os seus conhecidos. Não vamos perder votos por causa disso, gente!</p>
<p>(nem vou entrar no mérito do quão &#8220;oportuna&#8221; é essa lei, e do quanto ela provavelmente vai punir os eleitores mais humildes, que muitas vezes não têm documentação completa, e o pessoal das cidades mais do interior, para quem, talvez, essa informação nem seja suficientemente divulgada. Olho vivo)</p>
<p>- fechando com mais política e cidade: ao escolher seus candidatos, se possível, avalie também a posição deles em relação aos nossos principais temas urbanos: habitação, saneamento, mobilidade e acessibilidade, sustentabilidade, educação. De preferência, do ponto de vista da maior inclusão social possível, democratizando o acesso do maior número de pessoas a esses bens e serviços, e que eles tenham mais qualidade, em todos os sentidos.</p>
<p>- agora é pra fechar, mesmo. Por falar em mobilidade e cidadania, não posso deixar de recomendar, também, veementemente, o<a href="http://mateipormenos.apostos.com/2010/08/26/antes-morrer-de-bicicleta/" target="_blank"> post da Juliana</a>, sobre a banalização da morte de pedestres por atropelamentos. No mesmo assunto, sempre tem textos interessantíssimos no<a href="http://www.apocalipsemotorizado.net/" target="_blank"> Apocalipse Motorizado</a>, como <a href="http://www.apocalipsemotorizado.net/2009/01/12/a-maioria-silenciosa/" target="_blank">esse daqui</a>, do ano passado.</p>
<p>Volto já, até daqui a pouco.</p>
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		<title>Post roubado</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Mar 2010 15:29:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Hoje eu vou fazer uma safadeza, na maior cara de pau.</p>
<p>É que eu queria muito poder colocar um post novo no ar, e embora já tenha começado dois ou três, eles requerem tempo para serem burilados, tem coisas pra checar, links para adicionar, imagens, e isso toma algum tempo, que eu não estou tendo no momento. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje eu vou fazer uma safadeza, na maior cara de pau.</p>
<p>É que eu queria muito poder colocar um post novo no ar, e embora já tenha começado dois ou três, eles requerem tempo para serem burilados, tem coisas pra checar, links para adicionar, imagens, e isso toma algum tempo, que eu não estou tendo no momento. Fico devendo, especialmente para o Gutemberg, um post a mais sobre as cotas, porque acordei hoje de manhã pensando nisso, a partir do comentário dele, e me vieram umas imagens à cabeça que talvez facilitem eu explicar o meu ponto de vista.</p>
<p>Enquanto isso, pra não ficar com o blog meio abandonado, eu resolvi roubar, descaradamente, um texto que eu recebi recentemente por e-mail. Em minha defesa, devo dizer que anunciei, previa e publicamente, que faria isso, e o dono do texto não só autorizou como pareceu feliz com a idéia, então só me resta agradecer e partilhar. Estou falando do meu sobrinho, Thiago, que participa ativamente aí nos comentários. Ele é um rapaz jovem, prestes a completar 22 anos, e que está, no momento, passando uma temporada nos Estados Unidos, por conta de uma oportunidade de trabalho temporário e alguns estudos. Está em Houston, no Texas, e visitou recentemente, Nova Orleans. De lá, me mandou uma carta comprida, em que revela um olhar perspicaz, poético, atencioso, sobre a cidade e seus habitantes, inclusive aproveitando para observar e dar seu testemunho sobre alguns dos temas de que temos tratado aqui. Se fosse meu aluno, tinha tirado 10. Ocorre que, em muitas coisas da vida, ele está mais para meu professor. Sejamos todos aprendizes, e estamos conversados.</p>
<p><strong>HOUSTON</strong></p>
<p>Aqui não se respira o mofinho da história, só o <em>oil</em>. Ahhhh, o <em>oil</em>, todo mundo aqui é louco pelo tal petróleo, que ainda faz sucesso. E eles acreditam piamente que só eles têm. Ham! Tolinhos. Mas deixe estar.</p>
<p>Barzinho e violão, gente rindo e papeando com suas mesas e garrafas de cerveja na calçada dos botecos são retratos de um lugar bem distante como o Rio, porque Houstoniano não participa dessa felicidade. É tão Barra da Tijuca, tudo grandioso, avenidas largas, tudo distante, centros residenciais e centros comercias que quase não se falam. Transporte público é só para os abaixo da linha da pobreza houstoniana, como <em>yo</em>. Com carro valendo 500 pratas, todo mundo passeia com o seu, independente do estado de decomposição do carro e da pessoa. E junta a lógica estranha de trânsito daqui (em determinados momentos você pode &#8220;avançar&#8221; o sinal, há mais de um sinal na sua frente te indicando lados diferentes a seguir) e o picadeiro é cuidadosamente montado. Nunca vi tanto acidente de trânsito in my whole life. A combinação pessoa-que-sabe-dirigir-armada-com-pouca-paciência é perfeita pra formar um assassino em série aqui. Mas eu ando de busão e o sistema aqui funciona, no sentido de organização, mas é lerdo e nao é toda hora qque você tem onibus. É quase o oposto do Rio. Tem uma empresa de viação só. Nos pontos de ônibus geralmente há os horários daquela linha durante o dia. E dentro dele há um sistema eletrônico em que você lê a rua pela qual o ônibus tá passando e a respectiva transversal. E uma voz eletrônica  tipo a do metrô falando o que tá escrito ali.</p>
<p>A passagem custa U$1,25 no perímetro urbano, mas pode chegar a U$3,50, eu acho, que você deposita numa maquininha porque trocador aqui é coisa de faz-me rir. E aqui tem um &#8220;riocard&#8221;também. Nao tem a emoção dos ônibus no Rio&#8230; Andam sempre pela pista da direita e se houver uma pessoa no ponto, eles param, independente do desejo daquela pessoa de pegar esse ônibus. Não existe &#8220;dar sinal&#8221; por essas terras.</p>
<p>Em contraponto à lerdeza dos ônibus e doideira do trânsito, as casas são bem confortáveis. A política dos condomínios de townhomes aqui funciona e eles sao bem confortáveis, maquinas de lavar louça, secadora de roupas e lavadoras de roupas eficazes. Uma poupança de tempo incomparável. Você paga pouco pelo arcondicionado e pelo aquecedor. Mas algumas me parecem frágeis, sabia? Digo com relação a furacões&#8230; Falando em casas frágeis e furacões, let&#8217;s talk about New Orleans.</p>
<p><strong>NOVA ORLEANS</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<div id="attachment_733" class="wp-caption aligncenter" style="width: 720px"><strong><strong><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/NovaOrleans.jpg"><img class="size-full wp-image-733" title="NovaOrleans" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/NovaOrleans.jpg" alt="" width="710" height="250" /></a></strong></strong><p class="wp-caption-text">Imagens de Nova Orleans: a bandinha, as luzes da cidade, a charrete</p></div>
<p><strong> </strong>Fomos de carro, o que já foi uma delícia pra conhecer um pouco de Louisiana e as peculiaridades da cidade. Logo que você chega nos limites da cidade, é recebido por uma rodovia que passa sobre um interminável pântano e descobri que ali naquela região as pessoas são &#8220;enterradas&#8221; acima da terra por conta das condições do terreno. Já pus isso na conta da primeira curiosidade de New Orleans que, confirmando comentários, é bem diferente de muita coisa que se vê por esses cantões do Tio Sam. Na região que fiquei, uma parte bem centralizada, a duas ruas da Bourbon Street (a rua bombante das baladas e fervos em geral), já me senti meio no Rio de Janeiro. Explico já.</p>
<p>Chegamos por volta de 9 da noite, era véspera de final do Super bowl (o Saints de New Orleans tava na final) e Mardi Gras (o carnaval de lá), resultado: o povo todo na rua, de diferentes lugares, doido pra se libertar. A rua do hotel foi fechada para a passagem de uma bandinha de carnaval que não era na rua do hotel! Olha que bonito. Prontamente perguntamos ao guarda que caminho tomar pra chegar ao hotel (sei lá, de repente com o papel de reserva do hotel eles eram autorizados a permitir a entrada dos hóspedes naquela rua em que nada acontecia). O guarda nao sabia o caminho, o nome damãe, nem onde tinha nascido. Perguntamos ao segundo que tinha tomado o mesmo chá de desconhecimento do outro. Preocupante despreparo pra receber turistas em épocas de festividades. Isso porque o centro da cidade nem é tão grande e a gente tava perguntando como ter acesso à rua que estava na nossa frente.</p>
<p>Anyway, largamos o carro num estacionamento e fomos andando. Check in feito, fomos dar uma caminhada pelas ruas e se ambientar. Aí começa a entrar o Rio de Janeiro. Sabe centro da cidade em épocas de carnaval? Aquelas ruelas antigas com prédios antigos de influência europeia misturados a grandes e semimodernos edifícios, com gente andando pra lá e pra cá, homeless e sobras etílicas pelas calçadas e nos cantos dos boeiros? Digno de rua Buenos Aires. E essa farra toda é reflexo de um fenômeno texano engraçado que ocorre sobretudo aqui em Houston, de proibir bebidas alcoólicas depois de 2 da manhã. Os &#8220;cana&#8221; sacam a cerveja da sua mão às duas da manha e te botam pra casa feito mãe revoltada. Em Nova Orleans essa regra é solenemente ignorada. Logo, os jovenzinhos se apinham pelos bares da cidade bebendo até dizer chega.</p>
<p>Mas voltando à coisa da aparência da cidade, quando você vai se metendo nas ruas, vê um bando de casas que parecem tão frágeis e todas elas de estrutura bem similar: ruelas com passagem para um carro e dos dois lados essas casas de dois andares que se assemelham a sobrados. Revestidas de madeira, são estreitas e pegadas umas às outras. E eu e minha ignorância, eternos companheiros gracas ao bom senhor, ficamos discutindo como esses sobrados tão antigos e até maltratados sobrevivem a maldades naturais. Who knows&#8230;</p>
<p>Uma outra coisa pitoresca que tem na cidade são os passeios de charrete, o mico que todo mundo gosta de pagar. Elas ficam paradas em fila como os taxis do Rio Sul e seus motoristas devidamente fantasiados (!!!) esperando os passageiros. Logo mais adiante, a gente achou a rua das antiguidades, uma rua preenchida por lojas que vendem belezuras de séculos passados: esculturas, quadros, móveis bizarramente bonitos do tipo Luiz XVI-guardou-suas-ceroulas-neste-armário-e-leu nessa-escrivaninha, mas como eu não sou o Estado, levar uma pena dessas lojas me custaria uma vida enrolado no cartão de crédito.</p>
<p>Agora, bonito é o rio Mississipi. Me lembrou tanto meu avô, sabia? Passa sereno pela cidade com pontes se estendendo sobre ele, pequenas embarcações passeando e gente caminhando nostalgicamente às margens dele. Mas no geral, tem ar meio underground, de gente errante, artistas falidos, ambientes escuros, cobertos por uma névoa noturna que se vê serpenteando sob a luz de um poste solitário de esquina, e abaixo dele, obviamente, um senhor mulato alquebrado tocando sax.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/RioMississipi1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-734" title="RioMississipi1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/RioMississipi1.jpg" alt="" width="800" height="600" /></a></p>
<p>Por enquanto a vida caminha assim&#8230; os altos e baixos diminuíram, mas ainda existem porque sou gente. Mas a felicidade há de chegar e eu tô bem na mira dela.</p>
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		<title>Mais do mesmo</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/01/23/mais-do-mesmo/</link>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 16:41:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[projeto urbano]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Continuando o raciocínio e as reflexões iniciadas no post anterior, vamos falar um pouco mais deste projeto para a reurbanização da Zona Portuária do Rio, e alguns dos problemas suscitados pelas propostas que estão em andamento.</p>
<p>No final do ano passado, eu estive num seminário organizado pelo curso de arquitetura da PUC aqui do Rio, através da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando o raciocínio e as reflexões iniciadas no post anterior, vamos falar um pouco mais deste <a href="http://spl.camara.rj.gov.br/planodiretor/pd2009/porto2009/aud_public_porto_maravilha.pdf" target="_blank">projeto</a> para a reurbanização da Zona Portuária do Rio, e alguns dos problemas suscitados pelas propostas que estão em andamento.</p>
<p>No final do ano passado, eu estive num seminário organizado pelo curso de arquitetura da PUC aqui do Rio, através da professora <a href="http://posto12.blogspot.com/" target="_blank">Ana Luiza Nobre</a>. Foi muito proveitoso, eu aprendi bastante coisa, pude ver e ouvir gente que realmente está pensando na cidade. E olha que não houve unanimidade, não, foi debate mesmo, mas todo mundo contribuindo, refletindo, propondo. Depois, tive acesso a um texto que a professora Ana Luiza escreveu. Não sei se está disponível na internet, mas foi publicado pelo <strong>Boletim do CEDES – Centro de Estudos Direito e Sociedade, edição de outubro de 2009.</strong> No texto, ela mostra claramente que o grau de abrangência e complexidade da própria área portuária, com suas especificidades e potenciais, requerem um investimento  de tal ordem vultoso e complexo, que não pode prescindir de debate amplo e cauteloso, envolvendo o maior número possível de interessados na questão – o que obviamente inclui muito mais do que técnicos e empreiteiros.</p>
<p>Entretanto, conforme ela argumenta corretamente, <em>“toda essa operação tem sido conduzida com base num modelo bem conhecido, caracterizado, por um lado, pela imposição de projetos altamente questionáveis, do ponto de vista técnico, e por outro, pela ausência de diálogo com a maior parte da população direta ou indiretamente afetada”.</em></p>
<p>A área sob impacto do projeto compreende os bairros da Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Caju e parte de São Cristóvão, somando aproximadamente 5 milhões de m². Entre as propostas (cuja divulgação pela prefeitura é muito superficial) estão a revitalização da Praça Mauá (inclusive com a construção de uma garagem subterrânea para 1000 veículos), a urbanização do Pier (da qual <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/01/20/o-prefeito-decidiu-que/" target="_blank">acabamos de falar</a>), a construção de 500 unidades habitacionais (só?), a reforma ou edificação de novos prédios como o <a href="http://www.aqua-rio.org.br" target="_blank">Aquário</a>, a Escola Técnica de Audiovisual e Restauro, a nova sede do Banco Central, o Museu do Amanhã e a Pinacoteca. Aliás, é o Museu do Amanhã – que ia ficar entre os armazéns 5 e 6 – que o prefeito agora quer instalar no Pier, com projeto do arquiteto <a href="http://www.calatrava.com/main.htm" target="_blank">Santiago Calatrava.</a> Ah, tanto o Museu quanto a Pinacoteca são projetos em parceria com a Fundação Roberto Marinho.</p>
<p>Uma das coisas que me deixam de cabelo em pé diz respeito à massa que se pretende construir na região, com edifícios e torres tão altas que implicam numa mudança de escala realmente chocante.</p>
<p>Dá uma olhada aí embaixo, no mapa desenhado pela própria prefeitura.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-649" title="03_MHG_rio_projeto1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/01/03_MHG_rio_projeto1.jpg" alt="03_MHG_rio_projeto1" width="720" height="460" /></p>
<p>Além de toda a questão paisagística (esse novo skyline esconde, para os que vêm da Zona Norte, a própria visão do perfil dos morros que compõem o Maciço da Tijuca, o Corcovado aí incluído), tem um aspecto importante levantado pelo professor Flávio Ferreira num outro texto que eu li recentemente. Ele diz:</p>
<p><em>&#8220;Legislar muito denso e muito alto tem um outro grave inconveniente: atrasa a consolidação da área. Não há economia urbana suficiente para construir os edifícios grandes de pronto. Terá que haver especulação, os terrenos ficarão desocupados por décadas e enquanto isso o Porto continuará vazio”.</em></p>
<p>Outro ponto que me preocupa (não só a mim, mas a muita gente que eu tenho visto discutir o assunto) é de que maneira serão conduzidas as inevitáveis alterações de legislação, necessárias para levar a cabo transformações formais e funcionais tão profundas. Através do uso – legítimo – de instrumentos do Estatuto da Cidade, a prefeitura vai mexer em parâmetros urbanísticos, que são índices (números e taxas) que definem características do parcelamento, uso e ocupação do solo, como altura dos prédios, recuos, afastamentos, quanto do solo pode ser ocupado pela construção e quanto deve ser deixado livre, etc. Isso não é um problema em si, mas são transformações tão sérias, com impactos numa parte tão grande e importante da cidade, afetando a vida de tanta gente, a própria percepção da cidade, a paisagem, o patrimônio, que deveriam estar sendo divulgadas e discutidas publicamente, através de audiências, consultas, e mesmo de uma construção coletiva do projeto, envolvendo não só a prefeitura e seus órgãos e secretarias, mas associações de moradores, universidades, entidades da sociedade civil, sindicatos, empresários, movimentos sociais, enfim, muito mais gente.</p>
<p>Apesar disso, a divulgação é superficial, os moradores da área e interessados no assunto não têm acesso a dados mais detalhados do projeto, que só vêm a público a conta-gotas, e os representantes do poder público continuam insistindo em (tentar) justificar esse estado de coisas com base no “caráter emergencial do projeto”. É só o que a gente escuta o Eduardo Paes falar. Será que não há nada que a gente possa fazer a respeito?</p>
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		<title>Affonso Eduardo Reidy</title>
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		<pubDate>Sun, 22 Nov 2009 17:07:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[homenagem]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY">Eu tinha outros temas na fila, mas relendo os comentários postados aqui no último post, especialmente os de estudantes de arquitetura e colegas de profissão achei que já estava passando da hora de escrever sobre este arquiteto brilhante, cujo centenário de nascimento se comemora este ano, e para quem eu não tenho visto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US">Eu tinha outros temas na fila, mas relendo os comentários postados aqui no último post, especialmente os de estudantes de arquitetura e colegas de profissão achei que já estava passando da hora de escrever sobre este arquiteto brilhante, cujo centenário de nascimento se comemora este ano, e para quem eu não tenho visto tantas homenagens quanto deveria. </span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Olha que eu nem sou uma modernista de carteirinha. Eu sempre brinco com isso, ao me definir com um pé no Barroco, porque eu já gosto de um ornamento, um friso aqui, uma voluta acolá. Mas não tem como a gente não reconhecer valor e admirar a elegância, a pureza das linhas e formas, o rigor técnico e estético de obras exemplares da produção de Reidy, como o Conjunto Residencial Pedregulho e o Museu de Arte Moderna, no Rio de Janeiro, pra ficar só entre as mais famosas. E a gente tem falado tanto aqui sobre a inserção da arquitetura na cidade, o respeito ao entorno, às condições de conforto ambiental e o papel social da arquitetura, aspectos em que Reidy – esse cara que a história trata com a mesma discrição que ele teve em vida – foi mestre imbatível. Ele é a prova de que é possível, sim, fazer uma arquitetura bela e arrojada e ao mesmo tempo voltada prioritariamente para o bem-estar das pessoas que vão usá-la, vê-la, passar por ela, para o bem-estar, em última instância, da cidade em que ela se insere e dos cidadãos que nela vivem.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"> </span></span></span></p>
<div id="attachment_601" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://daniname.files.wordpress.com/2009/10/reidy-mam.jpg"><img class="size-medium wp-image-601" title="reidy-mam" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/reidy-mam-300x206.jpg" alt="O arquiteto e o MAM" width="300" height="206" /></a><p class="wp-caption-text">O arquiteto e o MAM</p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"><strong>Affonso Eduardo Reidy</strong> nasceu em 1909, em Paris, filho de pai inglês e mãe brasileira, e em 1930 formou-se em Arquitetura na Escola Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro, onde recebeu, como todos os outros seus contemporâneos, uma formação acadêmica e tradicional. Mas cedo teve contato com o pensamento de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Le_Corbusier">Le Corbusier </a>e com as propostas dos arquitetos racionalistas da <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Bauhaus" target="_blank">Bauhaus</a>, que tiveram grande impacto em sua vida e obra. </span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Por opção própria e singular, <span lang="en-US">Reidy trilhou a carreira pública, onde ingressou recém-formado, por concurso, trabalhando como arquiteto da Prefeitura do Rio de Janeiro, então Distrito Federal, por mais de 30 anos. Ficou à margem da especulação imobiliária, e jamais projetou palácios ou obras suntuosas, consciente e defensor da enorme responsabilidade social da arquitetura. Foi estagiário, e depois, assistente do urbanista francês Alfred Agache, convidado pela prefeitura do Rio, em 1929, para a elaboração de um Plano Diretor para a cidade; foi professor da Faculdade Nacional de Arquitetura  e ganhador de diversas medalhas e prêmios desde o início da carreira. Seu trabalho começa a ter projeção quando ganha o primeiro prêmio no concurso público para o projeto do Albergue da Boa Vontade, que viria a ser o seu primeiro projeto construído. Era um projeto audacioso, em que aparecem as características funcionalistas que marcaram os primeiros trabalhos de Reidy na prefeitura, priorizando aspectos construtivos e buscando praticidade, conforto e  economia, em detrimento da ostentação e ornamentação excessivas.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"> </span></span></span></p>
<div id="attachment_602" class="wp-caption aligncenter" style="width: 310px"><a href="http://www.rioquepassou.com.br/2006/09/29/albergue-da-boa-vontade/"><img class="size-medium wp-image-602" title="BoaVontade" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/BoaVontade-300x254.jpg" alt="Linhas bem afinadas com a Bauhaus, e um flerte com o Art Decô" width="300" height="254" /></a><p class="wp-caption-text">Linhas bem afinadas com a Bauhaus, e um flerte com o Art Decô</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US">Até 1935 realizou alguns dos seus raros projetos de residências, e algumas escolas, sendo importante mencionar uma escola rural primária, em Ricardo de Albuquerque, por ter sido a primeira construção dirigida pela também engenheira municipal <a href="http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq015/arq015_00.asp" target="_blank"><strong>Carmem Portinho</strong></a>, que se tornou sua companheira e presença marcante em toda a sua carreira. Essa parceria com Carmem  me é particularmente cara, porque de alguma forma fala também de um homem com arroubos feministas, o que só faz crescer minha admiração por ele. Portinho foi a terceira mulher a se formar engenheira no país, em 1926, e teve participação importante nos primeiros movimentos feministas organizados no Brasil, ainda nos anos 20. Ela era mais velha que ele 6 anos, e faleceu em agosto/2001, aos 98 anos de idade. A dupla que fez com Reidy no <strong>Departamento de Habitação Popular </strong>nos legou algumas das mais importantes obras da arquitetura brasileira. </span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"> </span></span></span></p>
<div id="attachment_604" class="wp-caption aligncenter" style="width: 540px"><a href="http://www.vitruvius.com.br/.../arq074/arq074_01.asp"><img class="size-full wp-image-604" title="residenciaCarmemPortinho2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/residenciaCarmemPortinho2.jpg" alt="Residência Carmem Portinho, no Bairro de Jacarepaguá, 1950" width="530" height="299" /></a><p class="wp-caption-text">Residência Carmem Portinho, no Bairro de Jacarepaguá, 1950</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Reidy participou, nos anos 30, da equipe que elaborou o projeto do Ministério da Educação, situado na Esplanada do Castelo, e marco na arquitetura modernista no Brasil, junto com colegas igualmente jovens como Lúcio Costa,  Oscar Niemeyer, Carlos Leão, Jorge Moreira e Ernani Vasconcellos, o que contribuiu para lhe dar grande projeção profissional.<br />
</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"> </span></span></p>
<div id="attachment_608" class="wp-caption alignleft" style="width: 360px"><a href="http://www.aguaforte.com/antropologia/weblog/2008/11/conjunto-pedregulho-de-afonso-eduardo.html"><img class="size-full wp-image-608" title="pedregulho-comp" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/pedregulho-comp.jpg" alt="Conjunto Residencial do Pedregulho, um marco na Arquitetura Moderna no Brasil" width="350" height="420" /></a><p class="wp-caption-text">Conjunto Residencial do Pedregulho, um marco na Arquitetura Moderna no Brasil</p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Entretanto, foi seu próximo trabalho que o alçou à posição de um dos grandes arquitetos no mundo. De 1947 a 1958, Reidy se dedicou ao projeto e construção do Conjunto Residencial Prefeito Mendes de Moraes, conhecido como Pedregulho, em São Cristóvao, pelo Departamento de Habitação Popular* da prefeitura. O objetivo do projeto era oferecer moradia digna a famílias de baixa renda, em local próximo ao trabalho, e seguiu conceitos revolucionários e inovadores para a época, desde a concepção plástica, a adequação à topografia acidentada até o programa proposto, que incluía quatro blocos de habitação, com lavanderia comunitária, escola primária, ginásio, piscina e campos de jogos ao ar livre, mercado e posto de saúde. O paisagismo era de Burle Marx e os painéis de mosaicos de azulejo e pintura eram de Burle Marx, Cândido Portinari e Anísio Medeiros. O que havia de melhor, em recursos humanos e materiais, foi reunido para executar uma obra que atenderia à classe trabalhadora. O projeto ganhou o primeiro prêmio na Bienal Internacional de São Paulo e tornou-se um dos projetos brasileiros mais divulgados no exterior, até hoje.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Durante esse período, ele ainda coordenou o Plano de Urbanização do Centro da Cidade, que compreendia o Plano para a Esplanada de Santo Antônio, com o desmonte do morro, e o Aterro do Flamengo, projeto só retomado muitos anos depois. Elaborou também o projeto do Conjunto Residencial da Gávea, nos moldes do Pedregulho, e que foi posteriormente mutilado e descaracterizado pela construção da autoestrada Lagoa-Barra.</span></span></p>
<div id="attachment_609" class="wp-caption aligncenter" style="width: 620px"><a href="http://www.rioquepassou.com.br/2005/07/21/av-norte-sul-ii/"><img class="size-full wp-image-609" title="EsplanadaStoAntonio" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/EsplanadaStoAntonio.jpg" alt="Estudos para o projeto da nova Esplana de Santo Antônio" width="610" height="212" /></a><p class="wp-caption-text">Estudos para o projeto da nova Esplana de Santo Antônio</p></div>
<div id="attachment_610" class="wp-caption aligncenter" style="width: 615px"><a href="http://arquiteturabrasileirav.blogspot.com/2008_11_01_archive.html"><img class="size-full wp-image-610" title="Gavea" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/Gavea.jpg" alt="A proposta original de Reidy para o Conjunto da Gávea, ali perto da PUC, e como é hoje, com a autoestrada Lagoa-Barra passando por baixo do edifício" width="605" height="200" /></a><p class="wp-caption-text">A proposta original de Reidy para o Conjunto da Gávea, ali perto da PUC, e como é hoje, com a autoestrada Lagoa-Barra passando por baixo do edifício</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">A partir de 1954, Reidy dedicou-se ainda a outro projeto que se tornou um dos marcos da cidade: o Museu de Arte Moderna. Sua estrutura elegante e sua brilhante inserção na paisagem da Baía de Guanabara e no Centro da Cidade se tornaram referência e fonte de estudo obrigatória para todos os estudantes, além de ser, para os moradores da cidade, uma enorme fonte de prazer estético e um justificado motivo de orgulho.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Seu último trabalho, antes de nos deixar, aos 55 anos, vítima de câncer, foi a participação, como coordenador de urbanismo, do grupo que construiu o Aterro do Flamengo, presidido por Carlota Macedo de Soares. Além do traçado viário, da elaboração do programa e da concepção deste grande espaço público, ele também é o autor de diversas obras aí existentes como passarelas, coreto, oficinas e edifícios administrativos.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"> </span></span></p>
<div id="attachment_611" class="wp-caption aligncenter" style="width: 710px"><img class="size-full wp-image-611" title="MAM-Aterro" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/11/MAM-Aterro.jpg" alt="O MAM e o Aterro, presentes de Reidy para o Rio de Janeiro e o Brasil" width="700" height="238" /><p class="wp-caption-text">O MAM e o Aterro, presentes de Reidy para o Rio de Janeiro e o Brasil</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Nós poderíamos dizer que sua maneira de trabalhar consiste para nós, estudantes, arquitetos e cidadãos em geral, numa verdadeira aula. Sua dedicação a cada etapa do projeto e da obra, seu apuro técnico, seu rigor, são motivos suficientes de reverência. Mas a grande lição que aprendemos aqui é de outra ordem. Nós vemos – e temos falado aqui toda hora –  tanta improbidade no uso do dinheiro público, tanta obra superfaturada, ou caindo aos pedaços por economia nos materiais e estrutura, visando a maiores lucros, que é um alívio e &#8211; visto com os olhos cansados e descrentes de hoje &#8211; quase um milagre que um homem como este tenha existido.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Pode-se discordar de certos pontos ideológicos ou formais, pode-se enxergar (olha o cinismo aí)  algo de utópico ou ingênuo na crença radical que ele tinha de poder mudar ou melhorar a sociedade com seus projetos, mas tem-se que respeitar a coerência entre pensamento e ação, a correção de caráter que norteava suas atitudes e trabalhos, a competência profissional com que planejava e executava cada obra, e, talvez mais importante que tudo, a coragem com que ofereceu sua contribuição, com toda a responsabilidade que isso acarreta, quando seria tão mais cômodo juntar-se ao côro dos que só criticam, sem nada apresentar em troca.</span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" lang="en-US" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;">Affonso Eduardo Reidy é o alerta constante, que não nos deixa desviar a atenção do verdadeiro sentido e função do arquiteto: servir a toda a sociedade, porque nosso trabalho atinge a todos, e não pode se limitar à glória da execução dos grandes edifícios, de impacto internacional. Mesmo porque a história ensina que o que é material passa, desmorona. O verdadeiro valor da arquitetura não está aí, mas no que se agrega ao que há de mais humano em nós: o afeto, a memória, o abrigo. E antes que alguém imagine que esta homenagem está impregnada de um sentimento de lamentação do tipo </span></span><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US">&#8220;olha como era bom, isso não existe mais&#8221;, quero reafirmar que isto é, antes, uma tentativa de acender um farol de esperança do tipo &#8220;olha o que eu acredito que nós podemos voltar a fazer&#8221;.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US"> Por fim, s</span></span></span><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: medium;"><span lang="en-US">e pudéssemos sintetizar Reidy em poucas palavras, usaríamos as que o historiador Geraldo Ferraz pronunciou em 1964, por ocasião de sua morte: <em>&#8220;Correção, cavalheirismo, finura, sensibilidade &#8211; e tudo com uma franqueza de palavras e gestos, uma contida maneira de estar sempre entre humildes e poderosos, sem causar ressentimento a uns ou demonstrar submissão a outros. O gentil-homem da arquitetura brasileira, eis o que ele era&#8221;.</em></span></span></span></p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Times New Roman,serif;"><span style="font-size: small;"><span lang="en-US">* Sobre o trabalho do <strong>Departamento de Habitação Popular</strong> no Rio, eu recomendo o livro <strong>Entre a estética e o hábito: o Departamento de Habitação Popular, Rio de Janeiro, 1946-1960</strong>, escrito pela arquiteta, historiadora e minha queridíssima amiga <strong>Flávia Brito do Nascimento</strong>, publicado ano passado pela Prefeitura do Rio de Janeiro, dentro da coleção Biblioteca Carioca. Vários dos dados e imagens aqui utilizados foram retirados do belíssimo livro <strong>Affonso Eduardo Reidy</strong>, uma edição bilíngue muito caprichada e diria até que obrigatória para o pessoal da área, organizada por Nabil Bonduki e publicada pelo Editorial Blau e Instituto Lina Bo e P. M. Bardi.</span></span></span></p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
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		<title>Tou (mais ou menos) viva</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/09/12/tou-mais-ou-menos-viva/</link>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 13:11:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="margin-bottom: 0in;">Viva, porém nervosa. Eu não gosto nadinha de ter deixado este espaço abandonado por tanto tempo. Inclusive penso tanto nisso aqui, tenho tido tantas ideias de temas e escritos borbulhando na cabeça que, se houvesse por mágica (alguns avanços tecnológicos pra mim sempre parecerão mágica) um aparelhinho ou chip que pudesse ser grudado ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="margin-bottom: 0in;">Viva, porém nervosa. Eu não gosto nadinha de ter deixado este espaço abandonado por tanto tempo. Inclusive penso tanto nisso aqui, tenho tido tantas ideias de temas e escritos borbulhando na cabeça que, se houvesse por mágica (alguns avanços tecnológicos pra mim sempre parecerão mágica) um aparelhinho ou chip que pudesse ser grudado ao cérebro e conectado a um editor de texto, e fosse transcrevendo automaticamente as coisas que a gente vai pensando, nossa, vocês já teriam cansado de tanto me ler. Mas do jeito que as coisas estão, eu só poderia vir mais aqui se dormisse menos, e eu já tenho dormido bem pouco, acreditem. Ontem, por exemplo, eu havia me prometido que viria escrever o Cidades Literárias, já que eu falhei na sexta passada, mas tive algumas coisas inadiáveis pra resolver de manhã, e de tarde minha cabeça zunia tanto, meus olhos ardiam e pesavam, e eu acabei dormindo a tarde toda, considerando que é o único dia da semana que eu estou em casa, pelo menos, quase sempre.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;">Enfim, a vida já é tão cheia de obrigações e inadiabilidades (hahahaha, isso existe?), que se eu esticar esse peso pra cá também o prazer que isso aqui significa pra mim vai embora. Isto tendo sido concluído, eu relaxei um pouco e lembrei que o bom é inimigo do ótimo, e que trabalhamos somente com o que é <span style="text-decoration: underline;">possível</span>. Eu não passei na seleção para Super-Mulher. Amém.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Olha só o que temos pelo caminho:</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">1 – Tou atrasada com as Cidades Literárias. Andei a semana toda com um livro bem interessante nas mãos, <strong>Fogo Persa</strong>, do americano <strong>Tom Holland</strong>. Eu o li ano passado, e quero tirar um trechinho dali, mas ainda não consegui folheá-lo para selecionar alguma coisa. Ele fala sobre o embate entre as civilizações persa e grega no século VI a.C., não apenas do ponto de vista militar, mas também cultural, e até urbano. Fala do surgimento e expansão dos persas como um grande império, a partir de mais ou menos 700 a.C. reunindo (e subjugando) forças de tribos do planalto iraniano, parte do Oriente Médio, e sua expansão em direção à Grécia e ao Mediterrâneo. Sua descrição das cidades e costumes persas é fascinante, e o autor nos instiga com a especulação do que teria sido nossa evolução se os persas tivessem vencido a guerra com os gregos. Eu volto com isso.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">2 – Por falar em civilização, eu estou há semanas para comentar com vocês sobre as aulas que estou fazendo na <a href="www.puc-rio.br/" target="_blank">PUC</a>. Como parte do projeto eu-vou-fazer-doutorado, me aproximei da PUC, e estou assistindo um curso na pós-graduação de História. MUITO legal. O tema do curso é “O conceito de civilização na América Ibérica no século XIX”. Vocês sabiam que a palavra civilização só surgiu no nosso vocabulário, via França, em meados do século XVIII? A palavra e os conceitos a ela relacionados, claro, que inclusive também sofreram mutações e ressignificações de lá pra cá. E já pararam pra pensar que em períodos de grandes transformações sociais e políticas há sempre também grandes mudanças na linguagem? A gente precisa aprender a nomear ideias e processos que antes não existiam. Isso dá pano para mangas. E bota mangas nisso.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">3 – Estou devendo minhas impressões sobre a experiência interessantíssima que tive passeando a pé pela Barra da Tijuca. O que já riram da minha cara por isso não está escrito. E o que eu pude pensar e refletir sobre a nossa cidade a partir desse momento singelo também não.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">4 – A propósito, li recentemente um <a href="http://www.vitruvius.com.br/minhacidade/mc249/opiniaomc249_02.asp" target="_blank">artigo</a> que saiu na revista <a href="http://www.vitruvius.com.br/" target="_blank">Vitruvius</a>, escrito por <a href="lattes.cnpq.br/0906691006924732" target="_blank">Pablo Benetti</a>, arquiteto e diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ. O artigo em si é sobre a Cidade da Música, mas nem é disso que eu queria falar. É que ele usa uma expressão ali no meio, que eu arregalei o olho e achei genial, adotei desde já. Ele diz que os prédios da Barra da Tijuca são autistas (não vou explicar isso agora, aguardem o post propriamente dito, isso aqui é só o trailer. Ou então leiam o artigo linkado). Mas fervi a cabeça pensando no espaço público, sua importância, seus significados, e como ele reflete valores da nossa sociedade.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">5 – Se o assunto é espaço público, não posso deixar de mencionar a contribuição (outra, de novo) maravilhosa da Cláudia, que me enviou o link de um vídeo que eu quero recomendar. Ela o viu no lindíssimo blog <a href="http://caquiscaidos.blogspot.com/" target="_blank">Caquis Caídos</a>, da ótima escritora <a href="www.adrianalisboa.com.br/" target="_blank">Adriana Lisboa</a> (que eu acrescentei na listinha aí do lado). Eu ainda não sei como faz pra colocar aqui a janelinha do youtube pra vocês clicarem direto, mas coloco o <a href="http://www.youtube.com/watch?v=Q1ZeXnmDZMQ&amp;eurl=http%3A%2F%2Fcaquiscaidos.blogspot.com%2F&amp;feature=player_embedded#t=19" target="_blank">link</a>. Está em inglês, eu tou imaginando se será possível legendá-lo. Mas quem entende bem inglês não pode perder. É uma palestra (são vinte minutos, vale cada micro-instante) do autor  e crítico social americano James Howard Knustler, falando sobre a tragédia urbanística que é o padrão dos subúrbios americanos. Depois tem umas ponderações que eu gostaria de fazer acerca do que ele propõe como alternativa. Esse papo de <a href="http://www.vitruvius.com.br/arquitextos/arq000/esp056.asp" target="_blank">New Urbanism</a> pra mim, tem limites. Se alguém assistir e quiser comentar, fique à vontade.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">6 – Por fim, mas igualmente importante, eu dormi de ontem pra hoje pensando no papel das mulheres na Arquitetura. Culpa do <a href="http://www.parededemeia.blogspot.com/" target="_blank">Fernando Lara</a> (aliás, o artigo que eu linkei ali em cima sobre New Urbanism coincidentemente é dele, vale muito a leitura), que fez <a href="http://parededemeia.blogspot.com/2009/08/o-seculo-delas-her-century.html" target="_blank">dois</a> <a href="http://parededemeia.blogspot.com/2009/09/ainda-sobre-elas-still-about-women.html" target="_blank">posts</a> sobre isso lá no <a href="http://www.parededemeia.blogspot.com/" target="_blank">Parede de Meia</a>. O assunto é ótimo, rendeu, e o <a href="http://parededemeia.blogspot.com/2009/09/ainda-sobre-elas-still-about-women.html" target="_blank">último post </a>teve 25 comentários (até ontem de noite). Sintomaticamente, só dois comentários eram femininos, e ambos da mesma arquiteta, no caso, eu. Fiquei com vontade de me estender no assunto, complementando o que escrevi no meu último comentário lá, e vou fazê-lo aqui, onde eu posso me espalhar mais. Me aguardem.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Volto daqui a pouco com o Cidades Literárias. Deixa eu achar onde eu coloquei o livro do Tom Holland, tava aqui em cima da mesa ontem mesmo, eu juro.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
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		<title>Quer pagar quanto?</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/08/25/quer-pagar-quanto/</link>
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		<pubDate>Tue, 25 Aug 2009 15:15:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[projeto]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Láááá atrás, nos comentários ao post-piada sobre as Leis da Arquitetura, a Cláudia falou sobre ter dinheiro pra pagar arquiteto, e eu respondi que falaria a respeito. Pois bem, esta é a minha posição, os colegas que discordarem, que se manifestem.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Nossa cultura, claramente reforçada pela mídia, é de que arquiteto é coisa para rico. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/08/13/leis-da-arquitetura/#comments" target="_blank">Láááá atrás</a>, nos comentários ao post-piada sobre as <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/08/13/leis-da-arquitetura/" target="_blank">Leis da Arquitetura</a>, a Cláudia falou sobre ter dinheiro pra pagar arquiteto, e eu respondi que falaria a respeito. Pois bem, esta é a minha posição, os colegas que discordarem, que se manifestem.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Nossa cultura, claramente reforçada pela mídia, é de que arquiteto é coisa para rico. Os arquitetos das novelas são sempre caras engravatados, charmosos, descolados, que circulam nos ambientes mais requintados (er&#8230; pode não ter nada a ver, mas eu não lembro de ter visto mulher arquiteta nessas novelas. Será coincidência?); os clientes são sempre do núcleo rico da novela, moram em mansões espetaculares. Nossa ideia de arquiteto é uma coisa bem de exposição do tipo Casa Cor, ou de revista. A realidade, eu te asseguro, é bem outra.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><a href="http://www.4as-soft.com/?p=52"><img class="alignleft size-full wp-image-431" title="construcao" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/08/construcao.jpg" alt="construcao" width="347" height="346" /></a>Pra começar, quem mais precisa de arquiteto, na minha opinião, não é nem sequer a classe média, que dirá a alta. Quem precisa de arquiteto de verdade são os mais pobres (que inclusive são os que mais constróem, pode procurar saber nas casas de materiais de construção). Porque as casas e apartamentos de classe média, mal ou bem, já seguem os parâmetros mais básicos de dimensionamento dos cômodos, necessidade de ventilação e iluminação. Os mais pobres não. Pra eles, muitas vezes, a orientação de um arquiteto faria toda a diferença entre ter uma casa com um mínimo de conforto e outra com infiltrações, retorno do mau-cheiro do esgoto pelo ralo e outros problemas que comprometem a saúde e até a segurança dos moradores. Provavelmente pelo mesmo valor que eles gastariam. Por isso, eu sou a favor de um programa de arquitetura pública. Não tem médico de família? Devia ter arquiteto de família também.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Mas o caso que todo mundo pensou aqui foi outro. Você quer reverter aquele quartinho que tá sobrando num escritório, ou transformar um banheiro grande do apartamento antigo em dois pequenos, sendo um deles suíte, ou já que tem que quebrar a cozinha pra consertar um vazamento crônico, quer aproveitar pra fazer armários novos e dar um jeito de caber o freezer que tá na área de serviço. E aí, como pagar um arquiteto pra fazer o projeto é muito caro (você acha), você vai dando seu jeitinho, confia no encanador, fala com aquele marceneiro que fez a guarda-roupa da sua irmã, e explica pra ele mais ou menos o que vc quer, e entre tentativa e erro e consertos em cima de consertos, eu aposto que no final você gastou tanto quanto ou até mais do que se tivesse chamado o arquiteto, se aborreceu mais e ainda descobriu que ficou faltando tomada, quando abre a porta do freezer ninguém passa da sala pra cozinha, etc etc&#8230;</p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><a href="http://idealplanningpermissions.co.uk"><img class="alignleft size-medium wp-image-432" title="drawing" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/08/drawing-255x300.jpg" alt="drawing" width="255" height="300" /></a>Pois eu te digo. Não sei os figurões que atendem a alta roda, mas dos colegas com quem eu convivo, eu posso afirmar: se tem uma criatura flexível pra negociar é arquiteto. Você pode ter um projeto por um preço ridiculamente menor do que imagina. E ir conversando sobre até onde quer que o arquiteto vá: se ele vai fazer só o projeto e te entregar, e você vai cuidar do resto, é uma coisa. Se você quer que ele acompanhe a obra, contrate a mão-de-obra, saia contigo pra escolher o material, é outro. E aí no meio tem um mundo. Se você vai construir uma casa inteira, o arquiteto pode fazer o acompanhamento legal junto aos órgãos de licenciamento. Mas se você tem um cunhado engenheiro que diz que faz isso pra você de graça, beleza. O arquiteto pode fazer um projeto em etapas, já prevendo que você mais tarde vá fazer um acréscimo, subir um pavimento, construir a churrasqueira, e aí, você constrói aos poucos, mas já com o projeto acertadinho, a estrutura e a previsão de instalações devidamente dimensionados. É tudo uma questão de conversar, chegar a um acordo.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Eu sou radical. Eu acho que o arquiteto devia inclusive atender por consulta. Assim: você vai reformar o quarto dos filhos. Não quer um projeto inteiro, quer só trocar umas ideias com um profissional, ter dicas de cores e materiais, saber se tem como aproveitar aquele beliche e se é possível fazer um revestimento que dê alguma proteção acústica, já que seu filho escuta rock mais alto do que devia. Podia chamar o arquiteto, que iria à sua casa, conversaria, daria as sugestões e receberia pela consulta. É limitado? Sim. Não teria um projeto, um desenho, e ele não poderia se responsabilizar pela execução do serviço que você contratou por conta própria, mas é uma possibilidade, um começo. Talvez aos poucos fosse desmistificando a profissão.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
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		<title>Leis da arquitetura</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/08/13/leis-da-arquitetura/</link>
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		<pubDate>Thu, 13 Aug 2009 16:09:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[abobrinhas]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Pausa pra rir um pouquinho.</p>
<p>Eu tou aqui limpando a minha caixa de e-mail, que está lotada e me ameaçando de ter que comprar mais espaço se quiser continuar a ter este endereço. Blé. Daí que tenho jogado muita coisa fora, mas guardo alguns arquivos, em outras pastas, para consulta futura, principalmente coisas de trabalho. Reparei que [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pausa pra rir um pouquinho.</p>
<p>Eu tou aqui limpando a minha caixa de e-mail, que está lotada e me ameaçando de ter que comprar mais espaço se quiser continuar a ter este endereço. Blé. Daí que tenho jogado muita coisa fora, mas guardo alguns arquivos, em outras pastas, para consulta futura, principalmente coisas de trabalho. Reparei que tenho um monte de piadas na caixa e resolvi salvar um arquivão só com isso. Dentre as que reli e me arrancaram novas risadas, estava essa aí. Veio há mais de dois anos, eu não sei a fonte, não tem autoria. Dedico aos meus coleguinhas, e em especial ao <a href="http://correioselado.blogs.sapo.pt/" target="_blank">Cláudio Luiz</a>, que está fazendo obra em casa (ui, tadinho!). Mas tem potencial pra divertir todo mundo, coloque-se na posição do coitado do cliente do arquiteto e veja:</p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO LOTE ESTREITO: em todos os lotes falta um metro de largura.<br />
</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO TOPÓGRAFO: dois levantamentos topográficos de um lote nunca são iguais. Corolário: Se existe um só levantamento este é confiável. Se existem dois&#8230;Nenhum é confiável.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO BI-PROJETO: o cliente que necessita ampliar a garagem e construir um grande edifício, somente construirá a garagem.<br />
</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO CARTOON: Se um cliente chama &#8220;desenhinho&#8221; ao anteprojeto, ele não vai querer pagá-lo.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DA CERÂMICA: Nenhuma cerâmica de 20 x 20 mede 20 x 20.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO CAMINHÃO: Sempre que se vai verificar uma entrega de materiais, dirão que &#8220;o caminhão já saiu para entregar&#8221;</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO &#8220;NINGUÉM SABE&#8221;: O cliente nunca sabe o que quer. O arquiteto tampouco sabe o que quer o cliente. O cliente nunca entende o que quer o arquiteto. Corolário: O projeto nunca reflete o que quer o arquiteto, nem o que quer o cliente.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DA BUSCA: Não importa que seu projeto fique em um local escondido; se for um mau projeto, todos irão encontrá-lo.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO VIZINHO: Se no lote vizinho existe um edifício de &#8220;N&#8221; pavimentos, no seu terreno será permitido &#8220;N – 2&#8243;. Se seu edifício tem &#8220;N&#8221; pavimentos, seu vizinho poderá construir &#8220;N + 2&#8243;</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO PRONTO: Se um cliente solicita uma modificação de projeto, diga que é impossível de ser realizada: depois estude o caso.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO TEMPO A FAVOR: Demore a realizar o detalhamento e não será preciso faze-lo.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DOS EGOS: Se quer um bom projeto, utilize o material adequado. Se quiser que seja publicado, use tijolos de vidro.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO ELETRODOMÉSTICO: Todas as máquinas de lavar pratos são 5 cm maiores do que o espaço previsto em projeto para elas.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO TEMPO: A temporada de chuvas começa no dia em que se iniciam as escavações.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO MAL: Não importa a causa: se algo sai mal no projeto o responsável será o arquiteto.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO AQUECEDOR: Para acomodar um simples aquecedor um closet deverá ser sacrificado.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;"> </span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DA SATISFAÇÃO APARENTE: Se um cliente fica satisfeito:</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">a) Não entendeu o projeto.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">b) Não pagou o projeto.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">c) O arquiteto se enganou.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DA TOLERÂNCIA: &#8220;Modulação&#8221; é um sistema milimétrico para que os elementos fiquem mais ou menos parecidos.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DA EMPREGADA DOMÉSTICA: Se o quarto de empregada está projetado para que caiba uma empregada, o apartamento é velho. Se a empregada não cabe no quarto, o apartamento é novo.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO CLIENTE-ARQUITETO: O cliente é um arquiteto que não sabe desenhar. Quanto mais caro o projeto, mais arquiteto é o cliente e mais desenhista é o arquiteto.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO MESTRE DE OBRAS: Os ângulos retos não existem.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO OLHÔMETRO: Um orçamento nunca é cumprido. Corolário: se um orçamento é cumprido, alguém cometeu um erro.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DA MEMBRANA ASFÁLTICA: Se uma cobertura não tem goteiras, &#8230;tenha paciência.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DA FALSA ENTREGA: Se o carpinteiro chegou a tempo com os móveis, ele se enganou de obra.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DA OFERTA: Se um tapete está em oferta:</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">a) É rosa com verde e lilás</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">b) Tem 2m2 a menos de que é necessário.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">c) Já foi vendido.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO &#8220;FICOU&#8221;: Nas obras, as coisas não são feitas: elas ficam. Exemplo: &#8220;Ficou torcido&#8221;, &#8220;Ficou curto&#8221;, &#8220;Ficou torto&#8221;&#8230;</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO CLIENTE FIXO: Se você projetou e construiu um apartamento  num local adequado, de tamanho adequado e a um preço adequado:</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">a) O comprador que gosta do local e do tamanho, não tem dinheiro.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">b) O comprador que gosta do local e do preço, acha tudo pequeno.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">c) O comprador que gosta do tamanho e do preço, não gosta do local</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">d) Quem  gosta do tamanho, do preço e do local&#8230; é você mesmo.<br />
</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO ÚLTIMO ESTRAGA: O último a executar qualquer serviço em uma obra estraga o serviço do anterior: o marceneiro estraga a pintura, o pintor estraga o piso, o piso estraga o reboco, e assim por diante</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in; line-height: 0.26in;" align="JUSTIFY"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: small;"><span style="color: #000000;">LEI DO INEVITÁVEL: Sempre o último parafuso a ser colocado arrebentará um cano de água.</span></span></span></p>
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