<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Urbanamente &#187; Cidades</title>
	<atom:link href="http://www.urbanamente.net/blog/tag/cidades/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.urbanamente.net/blog</link>
	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
	<lastBuildDate>Sun, 14 Aug 2011 17:53:16 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>E fez-se a Luz!</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2011/02/24/e-fez-se-a-luz/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2011/02/24/e-fez-se-a-luz/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 24 Feb 2011 21:23:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[século XIX]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=984</guid>
		<description><![CDATA[<p>As férias vão chegando ao fim e minha preguiça vai aumentando exponencialmente. Mas vamos voltar a São Paulo.</p>
<p>Naquele mesmo primeiro dia de passeio, depois de lanchar na Casa Godinho, eu achei que dava tempo de mais um roteirinho do meu livro, e me mandei pro Bom Retiro, um dos bairros mais antigos da cidade, verdadeiro testemunho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As férias vão chegando ao fim e minha preguiça vai aumentando exponencialmente. Mas vamos voltar a São Paulo.</p>
<p>Naquele mesmo primeiro dia de passeio, depois de lanchar na <strong>Casa Godinho</strong>, eu achei que dava tempo de mais um roteirinho do meu livro, e me mandei pro Bom Retiro, um dos bairros mais antigos da cidade, verdadeiro testemunho urbano desde 1800. Primeira parada: <a href="http://www.estacoesferroviarias.com.br/l/luz.htm" target="_blank">Estação da Luz</a>. Estava louca há anos para conhecer o <a href="http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/exposicoes.php" target="_blank">Museu da Língua Portuguesa</a>, que funciona ali numa parte reformada da estação. Não me decepcionei. Lindíssimo o museu, uma pena a loja e a cafeteria estarem fechadas. Mas a estrutura é toda muito bem organizada, há a parte das exposições temporárias, que dessa vez era sobre <strong>Fernando Pessoa</strong>, um andar inteiro e imenso com painéis, projeções e todo tipo de artefato interativo e tecnológico, contando a formação da língua, desde lá atrás, na bifurcação dos ramos linguísticos, de onde surgiu o indo-europeu que dá origem à grande quantidade de línguas que hoje conhecemos, extintas (como o latim) ou vivas, como seus derivados português, espanhol, francês, romeno, para ficar só nas mais conhecidas.</p>
<p>O que eu achei mais legal foram os vários computadores à disposição, que mostram as contribuições das diversas línguas africanas e indígenas à formação do português que falamos hoje no Brasil. Cada computador com um dialeto ou língua, explicando sua origem, falando dos povos que falavam essas línguas, um monte de outras informações culturais interessantíssimas e finalmente uma lista das palavras incorporadas ao nosso vocabulário, em todas as áreas, que são oriundas dessas línguas e do saber desses povos. É impressionante, a gente não se dá conta do tanto que fala e que vem de jejes, eve-fons, iorubás, guaranis, tamoios, e tantos outros. Ah, há também as palavras que vieram de outros grupos de imigrantes, das mais diversas nacionalidades, principalmente nos dois últimos séculos.</p>
<p>Entretanto, o que mais me emocionou mesmo foi a projeção com artistas e escritores declamando trechos de poemas em português. A versão rap para um poema de Gregório de Matos ficou sensacional. Na pequena arena circular em que a projeção era feita nas paredes, em 360°, os textos e imagens abstratas iam se encaixando no tema ou no ritmo, enquanto nós sentávamos em arquibancadas de madeira. O piso, no centro, é escuro, e aqueles versos estão escritos em luz, numa montagem simples e poética. Foi muito lúdico também. Havia crianças se divertindo com a maleabilidade da língua, as aliterações, a cadência que dá vida às frases. Será que eu sou boba porque eu chorei um pouquinho, algumas vezes?</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/Museu.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-986" title="Museu" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/Museu.jpg" alt="" width="850" height="300" /></a></p>
<div id="attachment_987" class="wp-caption alignleft" style="width: 410px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09429.jpg"><img class="size-full wp-image-987" title="DSC09429" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09429.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Estação da Luz</p></div>
<p>Na saída do Museu, fiz questão de verificar que a Estação da Luz continua funcionando como um ponto intermodal importante em São Paulo, integrando a malha ferroviária com o metrô e o ônibus. O prédio original era de 1867, mas desapareceu sob o fogo. O que está lá foi inaugurado em 1901, símbolo da indústria e da arquitetura do ferro e do tijolo da Revolução Industrial. Como aconteceu tantas vezes (e aqui no Rio não é diferente), foi a estrada de ferro que urbanizou a região, levando ao loteamento das chácaras e abertura de ruas. Isso atraiu moradores, casas comerciais, oficinas, armazéns e depósitos. Ainda hoje, é fascinante observar aquele monte de gente passando por ali, como fizeram centenas de milhares italianos, japoneses, coreanos, judeus (de origens várias), mineiros, baianos, paraenses, pernambucanos, peruanos, paraguaios, desde o século XIX até hoje. Isso sem falar nas toneladas de café que vinham do interior do estado rumo ao Porto de Santos e que fizeram a riqueza da metrópole.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/jardim.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-989" title="jardim" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/jardim.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Por recomendação das amigas (e do guia), fui passear no parque em frente, o Parque da Luz. O jardim é anterior à estrada de ferro, e foi aberto em 1825, com um jardim botânico e um zoológico! Tem o típico desenho romântico inglês, com imensas árvores, lagos, canais, pontezinhas, estátuas, grutas artificiais, tudo emulando uma paisagem campestre e nostálgica, que convida o passante à ilusão de que, por um momento, se saiu da cidade e se mergulhou em alguma paisagem idílica. O lindo coreto de ferro ao centro está reformado, e o programa mais delicioso a fazer é simplesmente caminhar e contemplar. O parque é muito frequentado, com dezenas de pessoas percorrendo os caminhos sinuosos, ou sentados jogando dominó, lendo, batendo papo. Ah, antes que eu esqueça, a Pinacoteca fica ali, quase de frente para a Estação da Luz, e o prédio é lindo, mas eu não tive tempo de visitá-la desta vez. Ao seu lado, há um belo Jardim de Esculturas, com obras de geniais artistas contemporâneos brasileiros, como Waltércio Caldas, Amílcar de Castro, Franz Weissmann e Ascânio MMM.</p>
<div id="attachment_990" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/pqe-da-luz.jpg"><img class="size-full wp-image-990" title="pqe-da-luz" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/pqe-da-luz.jpg" alt="" width="800" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Movimento e vida no parque</p></div>
<p>Antes de entrar no coração do bairro propriamente, assinalado por uma placa de Bem-vindo ao Bom Retiro, numa esquina da rua José Paulino, uma das mais conhecidas e badaladas, um pequeno trecho do <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3227054" target="_blank">livro</a> que me serviu de Guia, no capítulo escrito pelo historiador <strong>Roney Cytrynowicz</strong>:</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/bem_vindo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-991" title="bem_vindo" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/bem_vindo-130x300.jpg" alt="" width="130" height="300" /></a><em>&#8220;Poucos bairros e lugares da cidade de São Paulo têm uma característica tão definida como o bairro do Bom Retiro, principalmente por três aspectos relacionados entre si: o comércio têxtil (&#8230;) que atrai pessoas e negócios de todos os cantos da cidade e do país; os restaurantes de culinária &#8216;típica&#8217; de vários grupos étnicos, citados com destaque em todos os roteiros gastronômicos da cidade e, por fim, a presença visível de paulistanos de várias origens étnicas e nacionais. O Bom Retiro tornou-se assim uma espécie de cartão-postal ou vitrine do cosmopolitismo da cidade, [de um] multiculturalismo efetivo, cotidiano, que embaralha pessoas, culturas e comércio. O lado cartão-postal convive com o dia-a-dia dos imigrantes, seus descendentes de várias gerações e sua intensa produção de signos culturais, de letreiros de loja a cardápios de restaurante em várias línguas, brincando com os nomes, seus sentidos, as sonoridades e seus grafismos.</em></p>
<p><em>Mas é interessante superar uma visão folclorizante do bairro e dos seus habitantes, que seria olhar para seus moradores como seres pitorescos originário de outras terras: ; &#8216;coreano&#8217;, o &#8216;italiano&#8217;, o &#8216;judeu&#8217; e assim por diante, como se as pessoas portassem uma etnicidade ou cultura &#8216;pura&#8217; ou &#8216;original&#8217;. (&#8230;) Estas identidades existem, mas sempre em combinação com outras e em um jogo no qual os grupos reinventam sua cultura na troca com os outros, criando estratégias de manutenção interna de sua identidade e outra de consumo para o público &#8216;externo&#8217;.</em></p>
<p><em>Uma visita ao bairro é uma viagem a esse mundo em que &#8216;assim é se lhe parece&#8217;. O próprio comércio (&#8230;) convida a esse turismo de identidade, mas ele é apenas a superfície, a fachada de uma complexa vida diária na metrópole, de sucesso de imigração, de liberdade e afirmação étnica, cultural e religiosa, mas também de fracassos, de retornos, de frustrações, de ilegalidades no trabalho e de vidas sofridas, clandestinas e sem registro formal&#8221;.</em></p>
<p>Assim que passei a placa, procurei um café, sentei, tomei meu indefectível capuccino (adooooro), enquanto rabiscava minhas impressões daquelas primeiras horas e lia esse trecho que acabei de transcrever. Já eram mais de 4 horas da tarde, e eu tinha pressa de ver tudo o que pudesse. A mistura de culturas, arquiteturas, gentes e tempos é gritante. E deliciosa. Como diz o Roney mais adiante: <em>&#8220;o descompasso geométrico das construções, com alturas, tamanhos, estilos, cores e estado de conservação inteiramente diferentes, cada um brotando para um lado&#8221;</em> não deixa de ter seu charme. Os resquícios do passado industrial prioritariamente têxtil do bairro estão por todos os lados. Galpões que viraram centros comerciais, armarinhos, malharias, fiações. Lojas elegantes e caras numa rua, e logo ali depois da esquina, botequins, lojas de 1,99, pechinchas em bolsas e vestidos. Não desejo reforçar os estereótipos, mas meu espírito mulherzinha baixou num transe intenso, e quando eu vi, já tinha gasto mais de mil reais! Calma! Só mentalmente. Era o que eu teria gasto se tivesse comprado tudo o que cobicei nas lojas em que parei pra perguntar o preço. Na verdade, comportei-me estoica e prudentemente (mais ou menos) e minhas já sufocantes dívidas foram acrescidas de apenas cerca de 10% desse valor exorbitante. Mas veja se não valeu a pena: uma calça de malha (aquela viscose com elastano, de boa qualidade) marrom, lindésima, meio pantalona; uma camiseta de malha clarinha, com uma gola de cetim pérola, meio fru-fru, básica e elegantinha; um cinto tressê preto, de couro, fininho; uma echarpe bem levinha, de renda, ideal para o verão. Tudo isso junto, mais o café, o doce a que eu me referi no <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2011/02/17/pauliceia-desvairada/" target="_blank">post anterior</a>, e passagem incluída, somando pouco menos de cem reais. Não está mal, diz?</p>
<p>É uma tentação andar pelo Bom Retiro, aviso logo. Melhor voltar para a apreciação histórica. Pelo que li, além da maioria de italianos e judeus que chegaram no final do século XIX e princípios do XX, houve também grande quantidade de árabes, armênios, gregos, búlgaros. Eu, por exemplo, queria comer um falafel (sanduíche com variações comuns na culinária tanto de Israel quanto de diversos países árabes), ou uma bureka, na <strong>Casa Búlgara</strong>, mas na hora em que passei por lá, já estava fechada. Outro que ficou anotado para a próxima foi o <strong>Restaurante Acrópole</strong>, de comida grega (dãããã), na Rua da Graça.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09441.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-992" title="DSC09441" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09441.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a>Foi bom passar por lá de toda forma. Uma entrada estreita, em paralelepípedos, me chamou a atenção, bem como a placa sobre o portal, que dizia <strong>Vila Michele Anestasi</strong>. Antes mesmo de criar coragem para entrar, reconheci na casinha ao fundo, a tipologia característica das vilas operárias dos oitocentos. Meninos pequenos e descalços brincavam no pequeno pátio, e eu puxei conversa na cara de pau. Carinha de bolivianos, mas falavam português. Pedi para fotografar, já fotografando, e a mãe de um deles apareceu, grávida, desconfiada, cara feia e pouco assunto, mandando o filho entrar. Não admira. Se cem anos atrás essas vilas eram ocupadas por italianos pobres, hoje é moradia principalmente de bolivianos (e outras nacionalidades latino-americanas), que quase sempre vêm para o Brasil atraídos pela ilusão de uma vida melhor, e acabam instalados clandestinamente, trabalhando em condições de miséria e escravidão em fábricas de tecidos e confecções. Quando a mãe fechou a porta atrás de si, a fresta da porta me permitiu vislumbrar uma casa escura e pobre. Para a situação de tantos trabalhadores estrangeiros ou não, ainda presos em relações de trabalho de escravidão, por este Brasil afora, recomendo que acompanhem o <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/" target="_blank">blog do Sakamoto</a>.</p>
<div id="attachment_993" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/vila.jpg"><img class="size-full wp-image-993" title="vila" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/vila.jpg" alt="" width="800" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Vila Operária</p></div>
<p>Na rua Três Rios entrei &#8211; já quase na hora de fechar &#8211; numa lanchonete de nome <strong>Burekita</strong>, onde bebi um refrigerante bem gelado (ô calor!) e comi um docinho, enquanto a família de proprietários judeus conversava ao mesmo tempo em que o guri de seus 4 anos brincava de aviãozinho de papel com o avô. E comigo, né, já que a potente aeronave cismou de pousar na minha mesa algumas vezes. Dali, mais uma caminhada, dessa vez por uma área um tanto esquisita, com oficinas, terrenos baldios e hotéis de categoria duvidosa. Faz parte. Mas logo cheguei de volta à movimentada Av. Tiradentes, de onde peguei o metrô para casa. Um dia inesquecível.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2011/02/24/e-fez-se-a-luz/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Paulicéia desvairada*</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2011/02/17/pauliceia-desvairada/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2011/02/17/pauliceia-desvairada/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 17 Feb 2011 14:56:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[ecletismo]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[preservação]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>
		<category><![CDATA[urbanismo]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=965</guid>
		<description><![CDATA[<p>Pergunta: onde mais, neste imenso Brasil, eu posso, num dia só:</p>
<p>- ser abordada por um iraniano pedindo que eu tirasse uma foto dele em frente a uma catedral católica,
- ouvir emocionada um trio nordestino, vestido a caráter, com sanfona, zabumba e triângulo, cantar Asa Branca numa pracinha, enquanto uma multidão se forma em volta,
- depois conversar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta:</strong> onde mais, neste imenso Brasil, eu posso, num dia só:</p>
<p>- ser abordada por um iraniano pedindo que eu tirasse uma foto dele em frente a uma catedral católica,<br />
- ouvir emocionada um trio nordestino, vestido a caráter, com sanfona, zabumba e triângulo, cantar Asa Branca numa pracinha, enquanto uma multidão se forma em volta,<br />
- depois conversar com uma família de americanos num mirante no alto de um prédio, bem no Centro, de onde se vê a cidade quase toda,<br />
- fotografar um menino boliviano descalço e remelento, provavelmente imigrante clandestino, numa vila operária do século XIX,<br />
- comer um doce azedinho e bom, sentada sozinha num bar de judeus e acabar brincando de aviãozinho de papel com o Abraãozinho, neto do dono (era mesmo o nome do guri)?</p>
<p><strong>Resposta: Em São Paulo.</strong></p>
<p>Eu saí do Rio dia 27 de janeiro, para passar cinco dias na capital paulista, visitando amigas queridas, algumas das quais eu não via há mais de um ano. No caminho me dei conta de que era a primeira vez que eu ia a São Paulo a turismo, com disposição de conhecer a cidade. Sempre fui rapidinho, para algum evento específico, e ia do local onde estava hospedada para o evento e voltava. Tá, algumas vezes rolou um restaurante ou um barzinho, sempre ótimos, mas sempre guiada por moradores da cidade, e eu nunca prestei atenção em muita coisa à minha volta durante as andanças de carro. Ou então, passava por São Paulo (de novo de carro) a caminho do sul, e via só a parte ruim: os engarrafamentos da Marginal. Definitivamente, de carro é o pior jeito de conhecer uma cidade.</p>
<p>Vou confessar: São Paulo me intimidava. Engraçado que eu já visitei cidades estrangeiras, grandes, onde nem sempre eu sabia falar a língua local, e jamais deixei de pegar um mapinha e sair só (muitas vezes sozinha <span style="text-decoration: underline;">mesmo</span>, enquanto o marido trabalhava) para bater pernas, conhecer, fotografar. Pego ônibus, bonde, metrô, entro em lojas, exploro bairros mais afastados, paro para almoçar em lugares comuns (evito os restaurantes típicos para turistas, prefiro os cafés e bares onde vejo toda a gente da cidade sentada). Numa boa, adoro, e no final do primeiro dia já sinto como se tivesse a cidade nas mãos. Mas em São Paulo? Eu achava que ficaria paralisada, que ia acabar me perdendo, que todo mundo ia sacar que eu era uma carioca acuada. Pois vou logo dizer: foi mais fácil do que eu pensava, e muito mais agradável e emocionante também (fora o calor, que só não estava pior que no Rio, de onde eu me livrei dos mais de 40 graus que andou fazendo enquanto eu estava fora). Apaixonei.</p>
<p><a href="http://www.narrativaum.com.br/guias01.html#"><img class="alignleft size-medium wp-image-966" title="capa_guia1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/capa_guia1-185x300.gif" alt="" width="185" height="300" /></a>É verdade que eu tive um guia fantástico, que eu recomendo muito, mesmo aos paulistanos (eu descobri coisas que minhas amigas locais desconheciam, hohoho). É um livro que eu ganhei de um amigo uns anos atrás e que andou comigo diariamente, debaixo do braço, na mão, na bolsa: <a href="http://www.narrativaum.com.br/guias01.html#" target="_blank"><strong>Dez roteiros históricos a pé em São Paulo</strong></a>. Um projeto da Secretaria de Estado da Cultura, realizado pelo Programa de Ação Cultural e publicado pela Editora Narrativa Um, em 2007. Cada roteiro é escrito por um autor diferente: arquitetos, historiadores, antropólogos, artistas plásticos, com olhares, formações e experiências urbanas distintas, e uma forma particular de tecer sua narrativa e apresentar seu &#8220;pedaço&#8221; da cidade. Todos têm um mapinha com o trajeto sugerido, em que os pontos citados no texto estão assinalados, bem como um pequeno histórico do bairro ou região descrita e sugestões de quitutes a experimentar, edifícios a visitar, praças a desfrutar, hábitos e personagens a observar. MUITO legal.</p>
<p>Mas vamos lá. Eu cheguei numa quarta de tardinha. Na quinta, todo mundo trabalhando, eu resolvi que iria explorar o centro histórico a pé. A querida <a href="http://www.jujubalandia.org/" target="_blank">Juju</a>, que me recebeu, pegou comigo o primeiro ônibus ali do Caxingui, onde eu estava (perto do estádio do Morumbi) até a Av. Paulista e de lá eu poderia tomar o metrô para quase qualquer lugar. Escolhi fazer este circuito aqui:</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/roteiro1.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-967" title="roteiro1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/roteiro1.gif" alt="" width="380" height="611" /></a></p>
<p>Foi na Praça da Sé, início do percurso, que o tal iraniano me pediu que eu o fotografasse diante da catedral, num inglês meio cheio de mímica, provavelmente porque ele não sabia se eu entenderia. Comunicação estabelecida, ele se ofereceu pra tirar uma foto de mim também, e me perguntou de onde eu era. Eu falei que era brasileira e perguntei de onde ele era. Irã. Que legal!</p>
<div id="attachment_972" class="wp-caption aligncenter" style="width: 791px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/catedral-e-praca.jpg"><img class="size-full wp-image-972" title="catedral-e-praca" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/catedral-e-praca.jpg" alt="" width="781" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Eu diante da catedral, depois a Praça da Sé vista das escadarias da igreja</p></div>
<p>O livro adverte: <em>&#8220;o passeante curioso, ao ir descendo a Praça da Sé em direção ao antigo Pátio do Colégio, certamente vai trombar com meninos de rua, passar por cima de sem-tetos dormindo, desviar de camelôs, cruzar com ciganas ledoras de mão e ouvir a voz esganiçada de pregadores das mil seitas evangélicas que prosperam na cidade rica habitada exageradamente pelos muito pobres, atentos ouvintes embasbacados pelo som dos alto-falantes&#8221;.</em> Só não vi as ciganas. Mas isso tudo faz parte das nossas cidades, e traduz nossa situação urbana. Seria tapar o sol com a peneira querer andar só pelos ambientes assépticos dos shoppings e bairros mais requintados, onde vigora a vigilância privada.</p>
<p>Sorri, portanto, e prestei atenção, absorvendo tudo, ali no famoso &#8220;triângulo&#8221; que compõe o núcleo de fundação da cidade, formado pela Rua de São Bento, que liga a igreja dos beneditinos à dos franciscanos, a Rua Direita, fazendo ângulo reto com ela e a Rua Quinze de Novembro em oposição a este ângulo. Bem próximo a uma das pontas do triângulo, o Pátio do Colégio ostenta uma reprodução da igreja e do colégio dos jesuítas, construída já na década de 70, em substituição ao conjunto original, do século XVI, há muito desaparecido (não esquecer que em meados do século XVIII, o Marquês de Pombal expulsou os jesuítas de terras portuguesas). Há ali uma cripta dedicada ao Padre José de Anchieta, que expõe inclusive um dos fêmures do padre, como relíquia religiosa. Essa veneração por restos de corpos de santos me dá arrepios, juro que não entendo, mas passemos adiante.</p>
<div id="attachment_973" class="wp-caption aligncenter" style="width: 780px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/patiodocolegio.jpg"><img class="size-full wp-image-973" title="patiodocolegio" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/patiodocolegio.jpg" alt="" width="770" height="370" /></a><p class="wp-caption-text">Pátio do Colégio</p></div>
<p>Esse capítulo do livro é escrito pelo arquiteto Carlos A. C. Lemos, e ele faz uma descrição bem&#8230; arquitetônica (!!!) de tudo. Vai apontando as obras mais importantes, com os nomes dos arquitetos e datas de construção, sem se furtar a elogiar os prédios e estilos que ele admira (o colonial autêntico, o eclético historicista da linhagem de Ramos de Azevedo, o próprio art déco) e descrever com visível desapreço obras mais contemporâneas e as neocoloniais, estilo que ele menosprezava. Olha só dois exemplos:</p>
<div id="attachment_977" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/cobertura-e-sfrancisco.jpg"><img class="size-medium wp-image-977" title="cobertura-e-sfrancisco" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/cobertura-e-sfrancisco-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Acima, a cobertura de Paulo Mendes da Rocha. Embaixo, a igreja de São Francisco e da Ordem Terceira</p></div>
<p>1) Falando da cobertura no Viaduto do Chá:<em> &#8220;Muita gente achava inexpressiva tal cobertura art déco acoplada ao Viaduto do Chá, certamente também projeto de Elisiário Bahiana. Construção simples, nada semostradeira, na expressão de Mário de Andrade. Foi demolida e substituída por outra concebida por outro notável arquiteto, o nosso amigo Paulo Mendes da Rocha. Obra inteligente e até bonita, mas uma intrusa a clamar: &#8216;cheguei!&#8217;. As pessoas em geral têm que saber que Patrimônio Cultural não é composto apenas de obras belas; algumas históricas são inexpressivas. Aliás, quem é o fazedor de juízos de valor com procuração do povo para derrubar e construir?&#8221;</em></p>
<p>2) Falando da Faculdade de Direito, no Largo de São Francisco: <em>&#8220;guandiloquente construção neocolonial projetada por Ricardo Severo e Felisberto Ranzini para o Escritório Técnico Ramos de Azevedo &#8211; Severo e Vilares, por volta de 1932/33, para substituir uma legítima e mais que histórica construção colonial. Substituíram um original por uma contrafação num total desrespeito ao nosso Patrimônio Cultural (&#8230;) É uma pena. Agora ali está a Igreja de São Francisco, último remanescente do século XVII, toda encolhida e amedrontada pela massa insólita de alvenaria pretensiosa&#8221;.</em></p>
<p>Eu vou bancar a atrevida e discordar do eminente mestre. Em primeiro lugar, eu não chamaria a atual Faculdade de Direito propriamente de neocolonial. Seu frontão é neocolonial, mas o pórtico que marca o corpo central, com colunas coríntias, e a própria disposição e ritmo das aberturas, classicizantes, enquadrariam este edifício, a meu ver, no estilo eclético em seu sentido mais estrito (a mistura de elementos e linguagens distintas). Em segundo lugar, ele fala como se este edifício que aí está tivesse tomado direta e abusivamente o lugar do original colonial. Pois bem, como podemos acompanhar pelas imagens abaixo (eu infelizmente não fotografei a faculdade, apenas o conjunto franciscano), até 1862, pelo menos, ainda era de fato o convento anexo à igreja que servia de Academia de Direito. Colonial, ok. Mas a foto seguinte, de 1867, já mostra uma reforma bastante modificadora, de feição neoclássica, com o telhado cerâmico escondido pela platibanda, a adição de pilastras decorativas sugerindo apoio ao entablamento e a criação de uma entrada destacada por uma porta em arco pleno, encimada por uma pequena torre com relógio. Neste momento, o edifício já deixou de ser o colonial original, que Carlos Lemos adoraria ter preservado. Ao prédio hoje existente não cabe a culpa pela destruição do patrimônio, a meu ver. Se algum colega mais apto, lendo isto, quiser dar seu parecer, eu agradeço.</p>
<div id="attachment_978" class="wp-caption aligncenter" style="width: 735px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/FacDireito-evolucao.jpg"><img class="size-full wp-image-978" title="FacDireito-evolucao" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/FacDireito-evolucao.jpg" alt="" width="725" height="160" /></a><p class="wp-caption-text">À esquerda, 1862; ao centro, 1867. Fotos de Militão Augusto de Azevedo, em http://marcos.mazo.nom.br/site/node/187. À direita, pórtico em 2011. Fonte: http://www.panoramio.com/photo/24618569</p></div>
<p>Vamos prosseguir, que eu nem cheguei na hora do almoço e já vi que meu passeio ao Bom Retiro vai ficar pro próximo post. O texto de Carlos Lemos, de toda forma, é cheio de indicações preciosas, e, por causa dele, eu almocei na tradicional <a href="http://www.casagodinho.com.br/" target="_blank">Casa Godinho</a>, no térreo do edifício Sampaio Correia, primeiro arranha-céu paulistano, projetado em 1924 por Cristiano Stockler das Neves. Depois, parei para prestar homenagem ao Edifício Martinelli, de 1929, que para mim sempre estará associado a duas situações. A primeira, é que ele é mencionado no belíssimo livro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Olhai_os_L%C3%ADrios_do_Campo" target="_blank">Olhai os lírios do campo</a>, de Érico Veríssimo e a festa de inauguração do prédio é um momento importante no livro. A segunda &#8211; vamos botar uma lenhazinha na fogueira da rivalidade rio-sãopaulo &#8211; é que eu sei que o Martinelli foi erigido na mesma época que o Edifício A Noite, sede da Rádio Nacional, aqui na Praça Mauá, e havia uma velada disputa para saber quem completaria mais depressa o primeiro edifício de concreto armado do Brasil, que seria o mais alto da América Latina naquele momento. Há controvérsias.</p>
<div id="attachment_979" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/edificios.jpg"><img class="size-full wp-image-979" title="edificios" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/edificios.jpg" alt="" width="800" height="275" /></a><p class="wp-caption-text">Da esqerda para a direita: A Noite, Martinelli e Cavanagh. O primeiro foi tirado de http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1147645&amp;page=4, os outros são fotos da autora.</p></div>
<p>O projeto do A Noite é do francês Joseph Gire (o mesmo do Copacabana Palace) e de Elisiário Bahiana. Foi inaugurado com 22 andares, em 1929, com 102,80 m, o que equivale em nossos dias à altura de um prédio de mais de 30 andares. O Martinelli acabou sendo mais alto, atingindo 105,65 m (o livro fala em 80 metros, mas as outras fontes pesquisadas todas batem em torno de 105). Porém, alguns autores consideram que só foi concluído realmente em 1930, tendo apenas a estrutura terminada em 1929. Ficamos assim: o Rio inaugurou primeiro, mas São Paulo fez o mais alto. De que adianta? Em 1935 ambos perderiam a majestade para Buenos Aires, com os 120,35 m de seu Edifício Cavanagh.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AsaBranca.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-980" title="AsaBranca" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AsaBranca-300x225.jpg" alt="Tão bom ter parado ali pra ouvir esse pessoal" width="300" height="225" /></a>Foi ali do ladinho do Martinelli, na Praça Antonio Prado, que eu parei para ouvir Asa Branca, embevecida. Já falei que adoro a vida popular das praças? Guiada pelos conselhos de Carlos Lemos, segui logo depois para o Banespa, em cujo topo há um mirante com uma visão soberba da cidade. Desci de lá pensando que eu definitivamente amo as cidades. Esses centros meio sujos, tumultuados, de ruas estreitas. Buzina, edifícios antigos e novos lado a lado, mendigos, vendedores ambulantes, artistas de rua, ônibus, gente. Certo, podíamos não ter os mendigos. Mas não no sentido do &#8220;choque de ordem&#8221; do nosso prefeito carioca, que tira todos dos lugares mais valorizados da cidade, apenas para que não sejam vistos, como quem varre a sujeira para baixo do tapete, e assim crê que a casa ficou limpa. Podiam não existir mendigos no sentido de não existir tamanha miséria, tanta desigualdade e desamparo. Se é para eles existirem, então acho que devem mesmo estar diariamente às nossas vistas, confrontando nosso conforto e sucesso (e nossas responsabilidades) com o longo caminho que ainda devemos percorrer para extirpar essa chaga do país.</p>
<p>De resto, os cafés e botequins, os homens fumando de pé nas esquinas, o burburinho, os becos, as pessoas tão diferentes em suas cores, tamanhos e jeitos, em sua faina de formigas, tudo me fascina. Me deu um carinho, como se eu quisesse pegar São Paulo no colo.</p>
<p>No próximo episódio, uma tarde maravilhosa: a Estação da Luz, o Museu de Língua Portuguesa, Pinacoteca, e como lutar bravamente &#8211; e falhar! &#8211; na tentativa de resistir às compras no fantástico bairro do Bom Retiro.</p>
<p><em>* Thanks, Mario de Andrade!</em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2011/02/17/pauliceia-desvairada/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>15</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>A rua, a ordem e a desordem</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/11/15/a-rua-a-ordem-e-a-desordem/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/11/15/a-rua-a-ordem-e-a-desordem/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 15 Nov 2010 17:34:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[espaço público]]></category>
		<category><![CDATA[ruas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=919</guid>
		<description><![CDATA[<p>Quando eu falei em partilhar algumas leituras, eu tinha outros textos em mente. Eles ainda aparecerão. Mas é que eu acabei de topar com este aqui, e aí lembrei de uma matéria que li no jornal ontem, e de um vídeo bizarro que vi sobre essa questão da ordem e do uso da rua.</p>
<p>Essa coisa toda [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Quando eu falei em partilhar algumas leituras, eu tinha outros textos em mente. Eles ainda aparecerão. Mas é que eu acabei de topar com este aqui, e aí lembrei de uma <a href="http://oglobo.globo.com/rio/mat/2010/11/13/prefeitura-anuncia-nova-etapa-do-choque-de-ordem-com-unidades-ao-estilo-das-upps-923021204.asp" target="_blank">matéria que li no jornal ontem</a>, e de um <a href="http://www.youtube.com/watch?v=rWwEaTYddOo" target="_blank">vídeo bizarro</a> que vi sobre essa questão da ordem e do uso da rua.</p>
<p>Essa coisa toda de Choque de Ordem &#8211; da forma como é colocada &#8211; sempre me soa tremendamente fascista. Eu fico só lembrando de uma música que eu adoro, dos Titãs (me perdoem os mais novos, mas pra mim, é do tempo em que os Titãs realmente prestavam), chamada Desordem (1987). Um pedacinho da letra aqui, e o<a href="http://www.youtube.com/watch?v=nIuVVjavUNY" target="_blank"> vídeo</a> pra vcs assistirem, lembrarem, aprenderem e cantarem.</p>
<p><strong><em>É seu dever manter a ordem,<br />
É seu dever de cidadão,<br />
Mas o que é criar desordem,<br />
Quem é que diz o que é ou não?</em></strong></p>
<p>Esses dias, em sala de aula, conversando com os alunos sobre o zoneamento estrito e a funcionalização da cidade proposta pelo movimento modernista (especialmente a Carta de Atenas, no contexto dos CIAM &#8211; Congressos Internacionais de Arquitetura Moderna), que dividia as funções da cidade (e portanto sua especialização espacial) em habitação, trabalho, circulação e lazer, falávamos de como a rua, nesse momento de início de século XX, foi demonizada como lugar da desorganização, do tumulto, da sujeira, da promiscuidade. Para estes teóricos, a função primordial da rua era a de circulação. e isso fazia tremendo sentido diante do surgimento do automóvel, instrumento que subverteria as noções de velocidade, de tempo, de mobilidade, de conforto e que &#8211; acreditavam muitos &#8211; seria em breve, por força da industrialização e do barateamento dos custos em função da produção em massa, acessível a todos. Nunca mais precisaríamos andar a pé.</p>
<p>Eu perguntei aos alunos o que eles achavam especificamente de reduzir a função da rua à circulação, e que outras coisas eles conseguiam lembrar e mencionar com sendo atos que se realizam na rua. Foi uma verdadeira festa. Tanta coisa legal que eles lembraram. E vocês, o que acham da rua?</p>
<p>Os trechos a seguir foram retirados do livro <strong>A Revolução Urbana, de Henri Lefebvre.</strong> O original foi escrito em 1970, a minha edição é da Editora UFMG, 1999 (pp 29 e 30). Logo no capítulo I, em que ele explica o conceito de sociedade urbana com que trabalha no livro, ele elenca alguns argumentos que foram desenvolvidos a favor da rua e contra a rua, dentro dos variados modelos teóricos e ideológicos do campo do urbanismo. Meu convite a vocês é: tendo como pano de fundo:</p>
<p>a) a sua própria experiência de passagem ou vivência de rua, contando com as dúvidas e inquietações trazidas pelas questões contemporâneas de violência e insegurança;</p>
<p>b) a leitura e reflexão sobre o discurso de ordem urbana embutido em projetos como o Choque de Ordem proposto pela prefeitura do Rio (e quaisquer projetos correlatos em outras cidades que vocês queiram partilhar);</p>
<p>Como vocês vêem, sentem e se posicionam diante dos argumentos levantados neste texto?</p>
<p>&#8220;A FAVOR DA RUA:</p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;">Não se trata simplesmente de um lugar de passagem e circulação. A invasão dos automóveis e a pressão dessa indústria, isto é, do lobby do automóvel, fazem dele um objeto-piloto, do estacionamento uma obsessão, da circulação um objetivo prioritário, destruidores de toda vida social e urbana. Aproxima-se o dia em que será preciso limitar os direitos e poderes do automóvel, não sem dificuldades e destruições.</span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;">A rua? É o lugar (topia) do encontro, sem o qual não existem outros encontros possíveis nos lugares determinados (cafés, teatros, salas diversas). Esses lugares privilegiados animam as ruas e são favorecidos por sua animação, ou então não existem. Na rua, teatro espontâneo, torno-me espetáculo e espectador, às vezes ator. Nela efetua-se o movimento, a mistura, sem os quais não há vida urbana, mas separação, segregação estipulada e imobilizada. Quando se suprimiu a rua (desde Le Corbusier, nos “novos conjuntos”), viu-se as consequências: a extinção da vida, a redução da “cidade” a dormitório, a aberrante funcionalização da existência. A rua contém as funções negligenciadas por Le Corbusier: a função informativa, a função simbólica, a função lúdica. Nela joga-se, nela aprende-se.</span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;">A rua é a desordem? Certamente. Todos os elementos da vida urbana, noutra parte congelados numa ordem imóvel e redundante, liberam-se e afluem às ruas e por elas em direção aos centros; aí se encontram, arrancados de seus lugares fixos. Essa desordem vive. Informa. Surpreende. Além disso, essa desordem constrói uma ordem superior. Os trabalhos de Jane Jacobs mostraram que nos Estados Unidos, a rua (movimentada, frequentada) fornece a única segurança possível contra a violência criminal (roubo, estupro, agressão). Onde quer que a rua desapareça, a criminalidade aumenta, se organiza. Na rua, e por esse espaço, um grupo (a própria cidade) se manifesta, aparece, apropria-se dos lugares, realiza um tempo-espaçȯ apropriado. Uma tal apropriação mostra que o uso e o valor de uso podem dominar a troca e o valor de troca. Quanto ao acontecimento revolucionário, ele geralmente ocorre na rua (em caso de ameaça, a primeira imposição do poder é a interdição à permanência e à reunião na rua). Isso não mostra também que sua desordem engendra uma outra ordem? </span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;">O espaço urbano da rua não é o lugar da palavra, o lugar da troca pelas palavras e signos, assim como pelas coisas? Não é o lugar privilegiado no qual se escreve a palavra? Nde ela pôde tornar-se “selvagem”  e inscrever-se nos muros, escapando das prescrições e instituições?</span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;">POR OUTRO LADO:</span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;">Os encontros nas ruas são superficiais. A rua não permite a constituição de um grupo, de um “sujeito”, mas se povoa de um amontoado de seres em busca. O mundo da mercadoria desenvolve-se na rua. A mercadoria que não pôde confinar-se nos lugares especializados, os mercados, praças, invadiu a cidade inteira. </span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;">A rua? Uma vitrine, um desfile entre as lojas. A mercadoria, tornada espetáculo (provocante, atraente), transforma as pessoas em espetáculo umas para as outras. Nela, mais que noutros lugares, a troca e o valor de troca prevalecem sobre o uso, até reduzí-lo a um resíduo. De tal modo que a crítica da rua deve ir mais longe: a rua torna-se o lugar privilegiado de uma repressão, possibilitada pelo caráter “real” das relações que aí se constituem, ou seja, ao mesmo tempo débil e alienado-alienante.</span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;">A rua converteu-se em rede organizada para/pelo consumo. A velocidade da circulação de pedestres é aí determinada e demarcada pela possibilidade de perceber as vitrines, de comprar os objetos expostos. O tempo torna-se o tempo-mercadoria, a rua o submete ao mesmo sistema, o do rendimento e do lucro. A rua, série de vitrines, exposição de objetos à venda, mostra como a lógica da mercadoria é acompanhada de uma contemplação (passiva) que adquire o aspecto e a importância de uma estética e de uma ética. </span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;">É assim que se pode falar de uma “colonização” do espaço urbano, que se efetua na rua pela imagem, pela publicidade, pelo espetáculo de objetos. A uniformização do cenário, visível na modernização das ruas antigas, reserva aos objetos (mercadorias) os efeitos de cores e formas que os tornam atraentes. Trata-se de uma aparência caricata de apropriação e de reapropriação do espaço que o poder autoriza quando permite a realização de eventos nas ruas: carnaval, bailes, festivais folclóricos. Quanto à verdadeira apropriação, a da “manifestação” efetiva, é combatida pelas forças repressivas, que comandam o silêncio e o esquecimento&#8221;. </span></span></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><span style="font-family: Arial,sans-serif;"><span style="font-size: x-medium;">E aí?<br />
</span></span></span></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2010/11/15/a-rua-a-ordem-e-a-desordem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Você quer mudanças? Eu também.</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/12/voce-quer-mudancas-eu-tambem/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/12/voce-quer-mudancas-eu-tambem/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 12 Oct 2010 20:26:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=899</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: right;">“If you choose not to decide, you still have made a choice.
You can choose from phantom fears and kindness that can kill;
I will choose a path that&#8217;s clear, I will choose freewill” * 
(Rush: Freewill; Rio de Janeiro, Praça da Apoteose, 10/10/2010)</p>
<p>Eu tenho ouvido bastante por aí, não só entre alunos, mas na rede [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><!-- p { margin-bottom: 0.08in; } --><em>“<span style="font-size: small;">If you choose not to decide, you still have made a choice.</span><br />
<span style="font-size: small;">You can choose from phantom fears and kindness that can kill;<br />
I will choose a path that&#8217;s clear, I will choose freewill” *</span></em> <em><br />
<span style="font-size: small;">(Rush: Freewill; Rio de Janeiro, Praça da Apoteose, 10/10/2010)</span></em></p>
<p><span style="font-size: medium;">Eu tenho ouvido bastante por aí, não só entre alunos, mas na rede ou em conversas com amigos, que as pessoas querem mudanças. Neste sentido, nenhum dos dois candidatos atende às aspirações dessas pessoas, porque ambos representam continuidade com alguma coisa do passado recente, sobretudo, para usar as palavras de Marina Silva, ambos representam uma velha forma de fazer política, da qual as pessoas estão cansadas, e que ainda por cima reprovam. Algo novo é necessário. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Quando Lula entrou, em 2002, ele representava essa mudança. O PT, para muita gente, era a promessa de uma forma nova de governar, encarnava a esperança de um governo não só eficiente no combate à pobreza e desigualdade, capaz de gerar empregos, resolver as mazelas na educação e saúde, mas sobretudo fizesse tudo isso de forma ética, íntegra, sem negociatas, e varrendo do mapa todos os personagens nefastos que habitavam o cenário político desde&#8230; sei lá, desde sempre, parecia. Eu também queria isso, e eu também me decepcionei. Talvez o meu maior aprendizado nestes últimos anos tenha sido de que<strong> entre o ideal e o possível há uma distância maior do que a que eu imaginava</strong>.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">De qualquer forma, dentro do campo do possível, há muita coisa a ser considerada, há escolhas, e nesse sentido, <strong>o ideal</strong> é importante, porque ele norteia o rumo e os métodos a seguir, ele funciona como uma lâmpada que nos impede de cair na escuridão do cinismo irremediável. Apesar de todos os percalços, bastante gente está a disposta a considerar que Lula obteve bons resultados em diversos campos, mas talvez não o bastante, e aí, como se esse modelo tivesse se esgotado, sem que os problemas tivessem sido resolvidos, querem tentar algo diferente. Para essa turma, Dilma representa um <em>continuísmo</em> indesejável, uma espécie de mais do mesmo. Até aí, o que eu estou dizendo faz sentido pra você?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Muito bem, eis a reflexão que eu proponho:</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Em primeiro lugar, quando a gente quer mudar alguma coisa, é preciso ter bastante clareza para saber O QUE a gente quer mudar. Uma coisa é cansar do corte do cabelo, ou da cor do seu quarto, do modelo do carro, e resolver mudar. Bom, se não ficar do jeito que você queria, sempre dá pra pintar de novo, cortar de outro jeito ou esperar crescer, vender o carro e comprar outro. Nada que afete a essência da sua vida, que tenha um preço alto demais, ou que traga consequências desagradáveis para um monte de gente que não tem nada a ver com isso. Aliás, a nossa sociedade de consumo cada vez mais voraz nos instiga exatamente a cansarmos rapidamente das coisas para adquirir outras, trocar objetos, hábitos e até relacionamentos por modelos novos, mais eficientes, mais elegantes, mais modernos. O tempo todo. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Daí que eu pergunto: <strong>qual o sentido da mudança que você deseja</strong>? É uma mudança consciente, em aspectos que você identifica, sobre os quais você pensou, se informou? Ou é só um desejo difuso de mudar por mudar, do tipo “se não está bom, muda, não importa pra que lado, o importante é mudar”? </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Governos não são cortes de cabelo. Não que eles não possam – e às vezes devam – ser mudados. Mas é necessário considerar que as consequências têm um alcance muito mais amplo, profundo e duradouro do que o atendimento aos meus interesses imediatos. Afeta muito mais gente e setores da vida do país, alguns dos quais de forma tão intensa que uma decisão equivocada pode levar muito tempo para ter seus efeitos corrigidos, e uma decisão correta, igualmente, pode levar muito tempo para ser absorvida, consolidada e apresentar resultados visíveis. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Por isso eu insisto tanto que, em vez de se guiar exclusivamente por simpatias ou antipatias, a gente reflita sobre <strong>projetos para o país</strong>, e formas de alcançar essas metas. Essas construções, só possíveis de alcançar através da política, são processos lentos, gradativos. Por que eu digo que só através da política? Porque nenhuma alteração é conseguida através de mágica ou de consenso. Aliás, como diz um dos nomes de blog que eu acho mais legais, <a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/" target="_blank"><strong>consenso, só no paredão!</strong></a> (não é só o nome do blog que é bom, o conteúdo também é ótimo. O Nodari é tremendamente lúcido, e foi dos <a href="http://www.amalgama.blog.br/10/2010/por-que-votei-em-marina-e-agora-votarei-em-dilma/" target="_blank"><strong>primeiros eleitores da Marina a declarar que vai de Dilma no 2o. turno</strong></a>, explicando <a href="http://www.amalgama.blog.br/10/2010/por-que-votei-em-marina-e-agora-votarei-em-dilma/" target="_blank">o porquê</a>). Como num jogo de xadrez, às vezes a gente sacrifica uma peça importante para alcançar um xeque-mate.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Nenhum presidente, por mais maravilhoso e bem intencionado que seja, vai conseguir emplacar nenhuma mudança na base da canetada, achando que é possível governar “acima dos partidos políticos”. A menos que seja um governo totalitário, o que eu acredito que não é o que desejamos. Portanto, qualquer proposta terá que ser discutida e votada, antes de ser aprovada. Interesses contrários se manifestarão, negociações e conflitos terão lugar, e o resultado nem sempre será o que nós queríamos no início. Isso é política.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Vocês entendem qual é a nossa responsabilidade na participação desse processo? Não basta votar da melhor forma possível: é preciso acompanhar, cobrar, se posicionar, agir. Para alcançar um objetivo, de vez em quando é preciso ceder em outros, retroceder um passo para conseguir dar dois passos pra frente lá adiante. Embora eu concorde que <a href="http://marjorierodrigues.wordpress.com/2010/10/05/nao-rifem-mulheres-por-votos/" target="_blank">não se possa transigir em tudo</a>.<br />
</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Nós iniciamos um processo 8 anos atrás. Na minha opinião, é cedo para descartá-lo e começar uma coisa diferente. Aperfeiçoar e corrigir alguns rumos é outro departamento. Isso devemos fazer. Por exemplo, há contribuições importantes a serem incorporadas, como debater a difícil equação desenvolvimento e meio ambiente. Nesse tema, eu me afino bastante com as posições do <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/" target="_blank">Sakamoto</a>. E como urbanista, quero frisar que meio ambiente não é só salvar a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica. É também se preocupar com as condições de trabalho e vida das populações que habitam esses lugares, de forma que elas possam se desenvolver, sem esgotar os recursos à sua volta. Cidade também é meio ambiente. Ou melhor: Cidade <strong>É</strong> meio ambiente. Num país em que <a href="http://www.portalbrasil.net/brasil_populacao.htm" target="_blank">mais de 80% da população vive em cidades</a>, tratar de um tema é tratar do outro, não dá pra ser diferente. Assuntos como a crescente impermeabilização do solo, modelos de expansão e ocupação do território, eficiência energética, saneamento, habitação, e mesmo a relação que estabelecemos com a paisagem ao nosso redor, tanto a paisagem construída quanto a paisagem dita “natural” (que também é construída, culturalmente) são da ordem do dia em termos de debate ambiental. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Eu vou dizer algumas coisas que eu <strong>não gosto e não aprovo no governo Lula</strong>, e sobre as quais desejo mudanças:</span></p>
<ul>
<li><span style="font-size: medium;">Não gosto da maneira condescendente com que é tratada a <strong>expansão da fronteira agrícola</strong>, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Tenho receios de que essa febre em relação ao biodiesel esteja transformando muitas áreas de floresta em latifúndios monocultores de cana, como já foram de soja, ou de café. Além do desmatamento, isso implica em concentração de terra e renda, quase sempre envolve trabalho escravo e/ou infantil em condições sub-humanas e desterra populações indígenas ou ribeirinhas. Em relação a isso, adoraria, por exemplo, que o governo Dilma se comprometesse com a não alteração do <strong>Código Florestal</strong>, nos termos em que está sendo proposto hoje.</span></li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-size: medium;">Acho que o governo foi tímido em relação à <strong>Reforma Agrária</strong>. Adoraria ver esse tema tratado em termos mais progressistas e que ele se tornasse alvo de ações mais concretas e radicais. E olha que, em comparação com os governos anteriores, o Lula fez até bastante. Mas ainda acho pouco, quero mais. Idem com relação à <strong>Reforma Política</strong>.</span></li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-size: medium;">Não gosto de algumas<strong> alianças</strong>. Me dói ter que engolir determinados políticos no mesmo palanque, por mais que eu entenda que de vez em quando é necessário e inevitável. É pragmatismo demais? Talvez. Mas o meu dilema é o seguinte: eu posso escolher ficar puro, não apertar a mão de salafrário nenhum, recusar o apoio de A, B e C, e em consequência permanecer politicamente inexpressivo, e jamais alcançar uma posição em que consiga de fato implementar algumas das minhas idéias e mudar de fato a realidade. Neste caso, eu fico “íntegro”, porém inócuo. OU posso escolher engolir umas coisas, dentro de algumas condições, e com isso fazer diferença na prática, e me contentar em mudar as coisas devagar. Entre uma escolha e outra, tem um monte de nuances, sempre tem. A decisão é difícil, mas eu tenho tendido mais para a ação, mesmo que com algumas concessões amargas. </span></li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-size: medium;">O capital financeiro especulativo ainda teve excessivos ganhos, em detrimento de uma carga fiscal excessivamente pesada que incide sobre os assalariados. <strong>Salário não é renda</strong>. E a renda não é taxada como devia ser. Eu fico feliz que os mais pobres tenham ascendido socialmente, e quero que isso continue e se amplie, mas isso ainda é desigualmente cobrado da classe média assalariada, em comparação com as grandes fortunas. Espero não estar dizendo nenhuma bobagem muito grande. </span></li>
</ul>
<p><span style="font-size: medium;">O que eu quero dizer com tudo isso é que eu não quero jogar a criança fora junto com a água da bacia. Há muita coisa a ser feita, a ser corrigida, mas o meu convite sincero a todos os leitores deste blog é: <strong>pensem</strong>. Queiramos ou não, gostemos ou não, haverá um/a novo/a presidente/a no país a partir de janeiro e ele/a será eleito/a no dia 31 de outubro. Você pode considerar que nenhum dos dois te agrada e resolver anular seu voto ou simplesmente não ir votar. É um direito seu, inalienável, e longe de mim brigar com você por causa disso. A despeito disso, um dos dois será escolhido e será empossado. E mais: esse/a presidente/a será necessariamente Dilma Rousseff ou José Serra. Não há alternativas a esta altura do campeonato. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Daqui do meu pessoal e pequeno ponto de vista, <strong>não participar não é uma opção</strong>. Pelo simples motivo que a sua ausência, o seu não-voto, também é uma expressão, e interfere no resultado final. Diante disso, eu reitero: PENSEM. Sem paixão, guiados pelo princípio da realidade. A pergunta é: <strong>QUAL O PROJETO DE PAÍS QUE EU DEFENDO/DESEJO? </strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Qual a ideia que você tem do que seria um país bom, melhor, mais justo? </span><br />
<span style="font-size: medium;">O que é preciso fazer para alcançar isso? </span><br />
<span style="font-size: medium;">Quem reúne melhores condições para chegar mais perto disso, ou pelo menos se afastar menos?</span><br />
<span style="font-size: medium;">Com qual modelo – não só de programa, mas de gestão, de administração – você acha que o diálogo seria mais provável, mais profícuo?</span><br />
<span style="font-size: medium;">Quem estaria mais aberto a ouvir e incorporar essas novas demandas, numa proposta conjunta de construção do país?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Vai pensando nas suas respostas, que eu já volto para dar as minhas. E para dizer por que eu creio, MESMO, que nós estamos diante de dois modelos completamente diferentes, em método e em conteúdo, em fins e em meios, ao contrário da turma que acha que tanto faz, que é tudo a mesma coisa. Não é. </span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-size: small;">* O trecho do refrão da música citada diz o seguinte:<strong> “se você escolhe não tomar decisão, ainda assim você fez uma escolha. Você pode escolher medos fantasmáticos e bondades que podem matar. Eu escolho um caminho muito claro, eu escolho o livre arbítrio”. </strong>Dá pra escutar <a href="http://www.youtube.com/watch?v=OnxkfLe4G74" target="_blank">aqui</a>.<strong><br />
</strong></span></em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/12/voce-quer-mudancas-eu-tambem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Um contraponto</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/05/23/um-contraponto/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/05/23/um-contraponto/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 23 May 2010 17:12:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Brasília]]></category>
		<category><![CDATA[Modernismo]]></category>
		<category><![CDATA[parabéns]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=779</guid>
		<description><![CDATA[<p class="wp-caption-text">Brasília - vista do Eixo Rodoviário - ao fundo Esplanada dos Ministérios. Fonte: Revista Manchete n. 417, RJ, 16 abr 1960</p>
<p>Falamos sobre a cidade de Salvador, em seu período colonial, aí no post de baixo. E eu me dei conta de que não comentei até agora uma efeméride importantíssima , que é o aniversário de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_780" class="wp-caption alignleft" style="width: 273px"><a href="http://instinctalternative.blogspot.com/2010/04/artigo-brasilia-50-anos-feliz.html"><img class="size-medium wp-image-780" title="16 abr 1960" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/05/16-abr-1960-263x300.jpg" alt="" width="263" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Brasília - vista do Eixo Rodoviário - ao fundo Esplanada dos Ministérios. Fonte: Revista Manchete n. 417, RJ, 16 abr 1960</p></div>
<p>Falamos sobre a cidade de Salvador, em seu período colonial, aí no post de baixo. E eu me dei conta de que não comentei até agora uma efeméride importantíssima , que é o aniversário de <strong>50 anos de Brasília</strong>, nossa capital idealizada e construída sob a égide do <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Modernismo" target="_blank">Movimento Modernista</a>.</p>
<p>Antes de qualquer outra coisa, quero saudar os candangos, o povo todo que faz de Brasília, entendida em sua totalidade e não apenas reduzida a seu Plano Piloto, uma cidade realmente especial, múltipla, com tanto a nos ensinar. Quero dizer que, como arquiteta e urbanista, considero Brasília um momento importantíssimo na história do planejamento urbano, tanto no Brasil quanto no mundo, e um laboratório sem igual para a análise e o aprendizado de modelos, propostas, soluções. Repudio a redução que muita gente faz de Brasília, como se a cidade se resumisse às mazelas da classe política que mal e mal habita seu território quando comparece às sessões do Congresso.  Brasília é muito mais do que o Eixo Monumental, a Esplanada dos Ministérios, o Palácio da Alvorada, o Senado e a Câmara, muito mais inclusive que as superquadras imaginadas por <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/L%C3%BAcio_Costa" target="_blank">Lúcio Costa</a>. Brasília é também Taguatinga, Gama, Sobradinho, Planaltina, Ceilândia, é todo o povo que foi trabalhar na sua construção, saído de tudo que é lugar do Brasil, e que não foi considerado na hora de prever habitação para todos. O povo e seus descendentes que ficaram ali, em volta do Plano Piloto, e que hoje demandam serviços públicos, equipamentos de saúde, educação, lazer, infra-estrutura, transporte coletivo.</p>
<div id="attachment_786" class="wp-caption aligncenter" style="width: 710px"><a href="http://doc.brazilia.jor.br/Cidades.htm"><img class="size-full wp-image-786" title="DF-ampliado" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/05/DF-ampliado2.jpg" alt="" width="700" height="456" /></a><p class="wp-caption-text">Foto de satélite, de 1990, mostrando a ocupação em torno do Plano Piloto</p></div>
<p>Brasília é uma conquista imensa para o Brasil. O Rio de Janeiro pode ter tido perdas consideráveis com a mudança da capital, e até hoje se ressente do esvaziamento que isso causou, embora eu acredite que esteja mais do que na hora de superar isso e olhar pra frente, ocupar seu lugar no país. Um país como o Brasil tem espaço para o destaque e a importância de muitas cidades. Sem dúvida que a interiorização da capital levou crescimento às áreas centrais do território brasileiro, contribuindo para o desenvolvimento de Goiânia, de Belo Horizonte, do Triângulo Mineiro, de partes do Nordeste, entre tantas outras regiões ao longo do eixo que liga Brasília aos centros de poder econômico do sudeste.</p>
<p><a href="http://www.nosrevista.com.br/2010/03/23/o-cinquentenario-de-brasilia-df/"><img class="alignleft size-medium wp-image-782" title="brasiliamapa" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/05/brasiliamapa-300x276.jpg" alt="" width="300" height="276" /></a>Sobre a análise do traçado de Brasília, os princípios funcionalistas de sua concepção, e até sua arquitetura, que inclui alguns ícones da produção de <a href="http://www.niemeyer.org.br/" target="_blank">Oscar</a> <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Oscar_Niemeyer" target="_blank">Niemeyer</a>, numa fase de apogeu do mestre, e todas as suas consequências, hoje, para a integração e desenvolvimento democrático do conjunto do Distrito Federal, eu vou sugerir dois livros e uma visita. Os livros são:</p>
<p><a href="http://books.google.com.br/books?id=8fYRTXWG5cYC&amp;printsec=frontcover&amp;dq=A+cidade+modernista,+James+Holston&amp;source=bl&amp;ots=4OA6sQ8npz&amp;sig=_I_nawSA_-67LPekDloP6qzUJnY&amp;hl=pt-BR&amp;ei=B1j5S-HIDImmuAfCh_W9Dg&amp;sa=X&amp;oi=book_result&amp;ct=result&amp;resnum=1&amp;ved=0CBgQ6AEwAA#v=onepage&amp;q&amp;f=false" target="_blank"><strong>A cidade modernista: uma crítica de Brasília e sua utopia</strong></a>, de James Holston, publicado pela Companhia das Letras, em 1993.<br />
<a href="http://www.revistabrasileiros.com.br/edicoes/33/textos/931/" target="_blank"><strong>O concurso de Brasília: sete projetos para uma capital</strong></a>, de Milton Braga, publicado pela Cosac Naify, este ano.</p>
<p>Claro que há inúmeros outros livros maravilhosos, eu destaquei esses dois porque o primeiro eu tenho e gosto muito dele, por incorporar uma análise que privilegia a questão da cidadania e da inclusão das várias Brasílias, numa perspectiva contemporânea, ao mesmo tempo que não descuida da história, das teorias e até das polêmicas que envolveram o concurso e a adoção daquele modelo específico. O segundo, porque foi recém-lançado, eu estou louca para comprar, e apresenta os outros projetos que participaram do concurso, com autoria de gente grande como os <a href="www.docomomo.org.br/seminario 6 pdfs/izaga-docomomo-2005-MMM.pdf" target="_blank">irmãos Roberto</a> (excelente artigo em pdf), <a href="http://vitruvius.com.br/revistas/read/resenhasonline/02.014/3223" target="_blank">Rino Levi </a>e <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Batista_Vilanova_Artigas" target="_blank">Villanova Artigas</a>, o que nos permite fazer comparações e até especulações interessantes.</p>
<p>A visita, imperdível para quem mora ou está no Rio, é à exposição<strong> As construções de Brasília</strong>, em cartaz no <a href="http://ims.uol.com.br/" target="_blank"><strong>Instituto Moreira Sales</strong></a>, na Gávea (Rua Marquês de São Vicente, 476, telefone 2274-2149), em cartaz até o final de julho, com entrada franca e visitas guiadas de 3a a 6a feira, sempre às 17 horas. Esta semana, entre os dias 24 e 28 de maio, acontece também um <a href="http://ims.uol.com.br/Cinema/D17/P=312" target="_blank">Seminário</a> que complementa a exposição. No <a href="http://ims.uol.com.br/Cinema/D17/P=303" target="_blank">site</a> do Instituto haverá outras informações sobre horários e endereço exato. Eu já combinei de ir sexta agora com uma amiga, no fim da tarde.</p>
<p>Uma das nossas primeiras colunas do <strong>Cidades Literárias</strong> foi justamente sobre Brasília, numa crônica de <strong>Clarice Lispector</strong>, vale a pena <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/06/19/cidades-literarias-clarice-lispector/" target="_blank">reler</a>.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2010/05/23/um-contraponto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Cidades literárias: Ana Maria Gonçalves (2)</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/05/17/cidades-literarias-ana-maria-goncalves-2/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/05/17/cidades-literarias-ana-maria-goncalves-2/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 17 May 2010 03:14:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades Literárias]]></category>
		<category><![CDATA[História Urbana]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>
		<category><![CDATA[representação]]></category>
		<category><![CDATA[século XIX]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=774</guid>
		<description><![CDATA[<p>Provavelmente eu deveria começar este post me desculpando por ausência tão prolongada. Vocês não têm ideia de como meu tempo ficou curtinho e praticamente insuficiente, desde que eu comecei as aulas na UFRJ. Desnecessário dizer que estou adorando cada minuto, fazendo o que eu mais amo na vida, mas mesmo tendo diminuído um pouco minha carga [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Provavelmente eu deveria começar este post me desculpando por ausência tão prolongada. Vocês não têm ideia de como meu tempo ficou curtinho e praticamente insuficiente, desde que eu comecei as aulas na <a href="http://www.fau.ufrj.br/" target="_blank">UFRJ</a>. Desnecessário dizer que estou adorando cada minuto, fazendo o que eu mais amo na vida, mas mesmo tendo diminuído um pouco minha carga horária na <a href="http://www.uva.br/designdeinteriores/graduacao_design_de_interiores.htm" target="_blank">outra universidade</a>, eu ainda estou dando quase 30 horas/aula semanais, o que é muito (conte por fora os tempos de deslocamento, com aulas na Barra, na Ilha do Fundão e na Tijuca, morando em Botafogo, e o tempo necessário para preparar as aulas, estudar, montar avaliações e corrigir trabalhos e/ou provas de mais de 250 alunos no total e você vai entender que eu tenho trabalhado sem fim de semana e sem feriado). E ainda peguei um projeto de reforma para fazer, como se o tempo estivesse sobrando. Eu estou cansada mesmo. Para o próximo semestre eu vou ter que rever isso, diminuir o ritmo, me reorganizar.</p>
<p>O que uma blogueira faz numa situação dessas? Inventa umas <em>&#8220;embromations&#8221;</em> pra não deixar a peteca cair. Tanta coisa mais urgente para discutir, tanto assunto quente coçando os meus dedos aqui, mas vou recorrer a um expediente manjado nessas emergências: deixar outra pessoa falar por mim. E nem é tão despropositado. Vejam bem, eu estou lecionando três matérias lá na Arquitetura, dentro do Departamento de Urbanismo. Eles chamam de HCU: História da Cidade e do Urbanismo. Daí que eu fiquei com <a href="http://nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1&amp;n2=departamentos&amp;n3=7&amp;n4=FAU120" target="_blank">HCU 2</a>, <a href="http://nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1&amp;n2=departamentos&amp;n3=7&amp;n4=FAU230" target="_blank">HCU 3</a> e <a href="http://nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1&amp;n2=departamentos&amp;n3=7&amp;n4=FAU240" target="_blank">HCU 4</a>, para alunos do segundo, terceiro e quarto períodos, respectivamente. Nesta sequência, eu acabo cobrindo a História da Cidade desde os primórdios, láááá atrás, no momento em que as aldeias neolíticas viraram cidades, passando por todos os períodos, até o final do século XIX. Não reclamo, isso é uma cachaça pra mim e a maior parte já é assunto velho conhecido, que eu já ensinei antes.</p>
<p>Mas o que é que eu estava falando mesmo? Ah, sim, dentro da disciplina de HCU 3, em algum momento nas próximas semanas, nós vamos começar a falar da colonização do Brasil, e da formação das redes urbanas no período colonial. E eu me lembrei que já tinha avisado <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/03/13/cidades-literarias-ana-maria-goncalves-1/" target="_blank">aqui</a> que voltaria a citar <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1407629" target="_blank">o livro da Ana Maria</a>, porque tem uma descrição deliciosa da cidade de Salvador, vista pelos olhos da personagem principal, a Kehinde/Luísa, quando lá chega nos primeiros anos do século XIX. Eu &#8211; infelizmente &#8211; ainda não conheço Salvador, mas quem conhece podia vir aqui contar pra gente o que disso tudo ainda existe, qual a sua percepção da cidade.</p>
<p>O texto é grande, mas vale cada sílaba:</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Para sempre ficou gravada na minha memória a São Salvador daquele dia. Anos depois, em África, a tantos quilômetros e a tanto tempo de distância, era naquelas impressões e sensações que eu pensava ao me lembrar da Bahia ou mesmo do Brasil. Lembro-me ainda hoje dos nomes das praças e das ruas que percorri por anos e anos, e por onde muitas vezes refiz o caminho daquele dia, tentando vê-lo com meus olhos de menina, sem nunca mais conseguir. Quando o barco contornou o Forte de São Marcelo, o sol ainda estava baixo por trás das colinas que sustentavam a cidade, o que fazia com que ela ficasse emoldurada por uma luz mágica que mais parecia um véu, embaçando os olhos da gente e tornando as cores mais delicadas. Algumas construções, as mais altas, com três, quatro ou até mais andares, e muitos templos e palacetes, pareciam flutuar de encontro ao teto do céu. A encosta era formada por partes de rocha preta, terra vermelha e vegetação, sendo que algumas árvores tinham crescido quase deitadas, como se tivessem sido atiradas, como setas, a partir do mar.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Ao desembarcarmos, fizemos um caminho que eu já conhecia, do ancoradouro até a rua principal da cidade baixa, mas que naquele dia parecia diferente por estar quase vazio. Havia pouca gente nas ruas, como se a cidade ainda estivesse espreguiçando antes de acordar direito. Eram apenas duas as mulheres que vendiam comida, com suas roupas bonitas e seus tabuleiros, e até mesmo o Arsenal, onde mais tarde vi que a construção de barcos e mais barcos quase não era interrompida, naquela manhã estaria deserto se não fossem três pretos conversando, sentados sobre pilhas altas de madeira. Apenas uma ou outra casa já tinha as portas e janelas abertas para becos tão estreitos que davam a impressão de que podíamos interromper a passagem por eles apenas abrindo os braços. Nem mesmo a fedentina causada pelos dejetos jogados na rua estava tão forte quanto da primeira vez, talvez porque o sol ainda não a tivesse acordado também. Na rua principal, um pouco mais larga e bastante tortuosa, olhando de longe às vezes eu tinha a impressão de que algumas casas estavam construídas exatamente no meio do caminho, barrando a passagem. Mas, ao chegarmos perto, a rua quebrava em outra direção, contornando as construções e seguindo adiante, para a frente e para cima. Alguém do grupo comentou que aquela rua principal acompanhava a praia de um canto a outro da cidade, ora mais, ora menos habitada, com mais casas de moradia ou mais casas de comércio e depósitos de pretos.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Poucas construções tinham um só andar; a maioria era de casas engaioladas umas sobre as outras, com varandas sob janelas laterais que quase se encontravam no ar, ligando uma casa a outra, de tão próximas. Tais varandas também avançavam na frente das casas, nos andares superiores, debruçando-se umas sobre as outras e todas juntas sobre a rua, de um lado e do outro, tornando o caminho escuro e sufocante nos pontos mais estreitos. Havia ruelas que saíam dos dois lados da rua principal, curtas, porque, se de um lado algumas casas já quase se jogavam sobre o mar, do outro, em certos trechos, estavam apoiadas no barranco, mesmo com risco de a qualquer momento serem esmagadas pela queda das construções que se equilibravam na parte de cima, na cidade alta.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Os nomes dos lugares eu vim a saber depois, mas naquele dia caminhamos até uma construção onde funcionava um hospício, onde dobramos, bem na quina com a Ladeira da Preguiça, que subia, íngreme, até metade da montanha. (&#8230;) Calados para poupar fôlego, inclinávamos o corpo para frente e caminhávamos, seguindo as construções e os muros da torta Rua Direita da Preguiça, pegando uma outra ladeira, que ia dar no Largo das Portas de São Bento. De lá, sempre a medo de escorregar, tomamos outra ladeira que nos levou à parte mais alta da cidade, ao lado do Palácio do Governo, onde enfim paramos para descansar e aproveitar a vista. Dava para ver a Baía de Todos os Santos quase inteira, com suas pequenas ilhas e a Ilha de Itaparica como um imenso jardim plantado no meio das águas. No Palácio, uma construção de dois andares que ficava em um dos cantos da praça que levava o seu nome, a Praça do Palácio, contei onze janelas e uma porta muito alta, que se abriam para uma varanda que o abraçava por todos os lados. Em outro canto da Praça do Palácio, que tinha a forma de um quadrado, ficava a Cadeia Pública, um prédio tão bonito que, se não fosse pelas grades, poderia ser confundido com uma casa, bem como as construções que ocupavam os outros dois cantos, a Casa da Moeda e a Câmara Municipal.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em> </em></p>
<div id="attachment_775" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><em><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Terreiro_de_Jesus_(Salvador)"><img class="size-full wp-image-775" title="Terreiro_de_Jesus_Sé_Catedral_1862" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/05/Terreiro_de_Jesus_Sé_Catedral_1862.jpg" alt="" width="300" height="212" /></a></em></em><p class="wp-caption-text">Vista do Terreiro de Jesus, com a Catedral Basílica ao fundo, em 1862. Ao lado da igreja vê-se o antigo Colégio dos Jesuítas de Salvador.</p></div>
<p style="text-align: right;"><em>Descansados da subida, seguimos caminhando em direção ao Terreiro de Jesus, passando por lindos sobrados, que tanto eram comércio como casas de moradia, e principalmente por belas igrejas, como a Catedral da Sé. De um dos lados do Paço da Catedral ficava um templo que tinha sido dos jesuítas e que mais tarde foi ocupado por um colégio e depois por um hospital, para então ceder lugar à Faculdade de Medicina, que não sei se ainda está lá nos dias de hoje. (&#8230;) A praça do Terreiro de Jesus abrigava também o templo da Irmandade dos Clérigos de São Pedro e muitas casas mais simples, e dava saída para ruas que partiam em direção a todas as outras freguesias da cidade. Um pouco mais adiante, perto do Convento  e da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, dava para se ter uma visão melhor do que era a cidade de São Salvador. Para todos os lados que se olhava, menos o do mar, a cidade era uma sucessão de vales cobertos por verde abundante e de montanhas cortadas por ruas de terra ou de pedra, quase sempre desertas. De longe em longe, principalmente nas partes mais altas, surgiam algumas construções que, sendo pequenas, estavam quase sempre grudadas umas nas outras, e sendo grandes, estavam separadas por imensos jardins. Os palacetes se destacavam, brancos e grandiosos sobre gramados verdes e jardins coloridos, guardados por muitas árvores. Alguns morros tinham perdido os picos para dar lugar a um ajuntamento de construções ao longo de três ou quatro ruas que giravam em torno da praça central, onde sempre havia uma ou mais igrejas.&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>(GONÇALVES, Ana Maria. Um Defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2007)</em></strong></p>
<p>Só com isso, já dava pra gente pensar e falar sobre um monte de coisas, não é? Me aguardem que eu já volto (vou tentar, pelo menos).</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2010/05/17/cidades-literarias-ana-maria-goncalves-2/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>2</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Post roubado</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/03/21/post-roubado/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/03/21/post-roubado/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 21 Mar 2010 15:29:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=728</guid>
		<description><![CDATA[<p>Hoje eu vou fazer uma safadeza, na maior cara de pau.</p>
<p>É que eu queria muito poder colocar um post novo no ar, e embora já tenha começado dois ou três, eles requerem tempo para serem burilados, tem coisas pra checar, links para adicionar, imagens, e isso toma algum tempo, que eu não estou tendo no momento. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje eu vou fazer uma safadeza, na maior cara de pau.</p>
<p>É que eu queria muito poder colocar um post novo no ar, e embora já tenha começado dois ou três, eles requerem tempo para serem burilados, tem coisas pra checar, links para adicionar, imagens, e isso toma algum tempo, que eu não estou tendo no momento. Fico devendo, especialmente para o Gutemberg, um post a mais sobre as cotas, porque acordei hoje de manhã pensando nisso, a partir do comentário dele, e me vieram umas imagens à cabeça que talvez facilitem eu explicar o meu ponto de vista.</p>
<p>Enquanto isso, pra não ficar com o blog meio abandonado, eu resolvi roubar, descaradamente, um texto que eu recebi recentemente por e-mail. Em minha defesa, devo dizer que anunciei, previa e publicamente, que faria isso, e o dono do texto não só autorizou como pareceu feliz com a idéia, então só me resta agradecer e partilhar. Estou falando do meu sobrinho, Thiago, que participa ativamente aí nos comentários. Ele é um rapaz jovem, prestes a completar 22 anos, e que está, no momento, passando uma temporada nos Estados Unidos, por conta de uma oportunidade de trabalho temporário e alguns estudos. Está em Houston, no Texas, e visitou recentemente, Nova Orleans. De lá, me mandou uma carta comprida, em que revela um olhar perspicaz, poético, atencioso, sobre a cidade e seus habitantes, inclusive aproveitando para observar e dar seu testemunho sobre alguns dos temas de que temos tratado aqui. Se fosse meu aluno, tinha tirado 10. Ocorre que, em muitas coisas da vida, ele está mais para meu professor. Sejamos todos aprendizes, e estamos conversados.</p>
<p><strong>HOUSTON</strong></p>
<p>Aqui não se respira o mofinho da história, só o <em>oil</em>. Ahhhh, o <em>oil</em>, todo mundo aqui é louco pelo tal petróleo, que ainda faz sucesso. E eles acreditam piamente que só eles têm. Ham! Tolinhos. Mas deixe estar.</p>
<p>Barzinho e violão, gente rindo e papeando com suas mesas e garrafas de cerveja na calçada dos botecos são retratos de um lugar bem distante como o Rio, porque Houstoniano não participa dessa felicidade. É tão Barra da Tijuca, tudo grandioso, avenidas largas, tudo distante, centros residenciais e centros comercias que quase não se falam. Transporte público é só para os abaixo da linha da pobreza houstoniana, como <em>yo</em>. Com carro valendo 500 pratas, todo mundo passeia com o seu, independente do estado de decomposição do carro e da pessoa. E junta a lógica estranha de trânsito daqui (em determinados momentos você pode &#8220;avançar&#8221; o sinal, há mais de um sinal na sua frente te indicando lados diferentes a seguir) e o picadeiro é cuidadosamente montado. Nunca vi tanto acidente de trânsito in my whole life. A combinação pessoa-que-sabe-dirigir-armada-com-pouca-paciência é perfeita pra formar um assassino em série aqui. Mas eu ando de busão e o sistema aqui funciona, no sentido de organização, mas é lerdo e nao é toda hora qque você tem onibus. É quase o oposto do Rio. Tem uma empresa de viação só. Nos pontos de ônibus geralmente há os horários daquela linha durante o dia. E dentro dele há um sistema eletrônico em que você lê a rua pela qual o ônibus tá passando e a respectiva transversal. E uma voz eletrônica  tipo a do metrô falando o que tá escrito ali.</p>
<p>A passagem custa U$1,25 no perímetro urbano, mas pode chegar a U$3,50, eu acho, que você deposita numa maquininha porque trocador aqui é coisa de faz-me rir. E aqui tem um &#8220;riocard&#8221;também. Nao tem a emoção dos ônibus no Rio&#8230; Andam sempre pela pista da direita e se houver uma pessoa no ponto, eles param, independente do desejo daquela pessoa de pegar esse ônibus. Não existe &#8220;dar sinal&#8221; por essas terras.</p>
<p>Em contraponto à lerdeza dos ônibus e doideira do trânsito, as casas são bem confortáveis. A política dos condomínios de townhomes aqui funciona e eles sao bem confortáveis, maquinas de lavar louça, secadora de roupas e lavadoras de roupas eficazes. Uma poupança de tempo incomparável. Você paga pouco pelo arcondicionado e pelo aquecedor. Mas algumas me parecem frágeis, sabia? Digo com relação a furacões&#8230; Falando em casas frágeis e furacões, let&#8217;s talk about New Orleans.</p>
<p><strong>NOVA ORLEANS</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<div id="attachment_733" class="wp-caption aligncenter" style="width: 720px"><strong><strong><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/NovaOrleans.jpg"><img class="size-full wp-image-733" title="NovaOrleans" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/NovaOrleans.jpg" alt="" width="710" height="250" /></a></strong></strong><p class="wp-caption-text">Imagens de Nova Orleans: a bandinha, as luzes da cidade, a charrete</p></div>
<p><strong> </strong>Fomos de carro, o que já foi uma delícia pra conhecer um pouco de Louisiana e as peculiaridades da cidade. Logo que você chega nos limites da cidade, é recebido por uma rodovia que passa sobre um interminável pântano e descobri que ali naquela região as pessoas são &#8220;enterradas&#8221; acima da terra por conta das condições do terreno. Já pus isso na conta da primeira curiosidade de New Orleans que, confirmando comentários, é bem diferente de muita coisa que se vê por esses cantões do Tio Sam. Na região que fiquei, uma parte bem centralizada, a duas ruas da Bourbon Street (a rua bombante das baladas e fervos em geral), já me senti meio no Rio de Janeiro. Explico já.</p>
<p>Chegamos por volta de 9 da noite, era véspera de final do Super bowl (o Saints de New Orleans tava na final) e Mardi Gras (o carnaval de lá), resultado: o povo todo na rua, de diferentes lugares, doido pra se libertar. A rua do hotel foi fechada para a passagem de uma bandinha de carnaval que não era na rua do hotel! Olha que bonito. Prontamente perguntamos ao guarda que caminho tomar pra chegar ao hotel (sei lá, de repente com o papel de reserva do hotel eles eram autorizados a permitir a entrada dos hóspedes naquela rua em que nada acontecia). O guarda nao sabia o caminho, o nome damãe, nem onde tinha nascido. Perguntamos ao segundo que tinha tomado o mesmo chá de desconhecimento do outro. Preocupante despreparo pra receber turistas em épocas de festividades. Isso porque o centro da cidade nem é tão grande e a gente tava perguntando como ter acesso à rua que estava na nossa frente.</p>
<p>Anyway, largamos o carro num estacionamento e fomos andando. Check in feito, fomos dar uma caminhada pelas ruas e se ambientar. Aí começa a entrar o Rio de Janeiro. Sabe centro da cidade em épocas de carnaval? Aquelas ruelas antigas com prédios antigos de influência europeia misturados a grandes e semimodernos edifícios, com gente andando pra lá e pra cá, homeless e sobras etílicas pelas calçadas e nos cantos dos boeiros? Digno de rua Buenos Aires. E essa farra toda é reflexo de um fenômeno texano engraçado que ocorre sobretudo aqui em Houston, de proibir bebidas alcoólicas depois de 2 da manhã. Os &#8220;cana&#8221; sacam a cerveja da sua mão às duas da manha e te botam pra casa feito mãe revoltada. Em Nova Orleans essa regra é solenemente ignorada. Logo, os jovenzinhos se apinham pelos bares da cidade bebendo até dizer chega.</p>
<p>Mas voltando à coisa da aparência da cidade, quando você vai se metendo nas ruas, vê um bando de casas que parecem tão frágeis e todas elas de estrutura bem similar: ruelas com passagem para um carro e dos dois lados essas casas de dois andares que se assemelham a sobrados. Revestidas de madeira, são estreitas e pegadas umas às outras. E eu e minha ignorância, eternos companheiros gracas ao bom senhor, ficamos discutindo como esses sobrados tão antigos e até maltratados sobrevivem a maldades naturais. Who knows&#8230;</p>
<p>Uma outra coisa pitoresca que tem na cidade são os passeios de charrete, o mico que todo mundo gosta de pagar. Elas ficam paradas em fila como os taxis do Rio Sul e seus motoristas devidamente fantasiados (!!!) esperando os passageiros. Logo mais adiante, a gente achou a rua das antiguidades, uma rua preenchida por lojas que vendem belezuras de séculos passados: esculturas, quadros, móveis bizarramente bonitos do tipo Luiz XVI-guardou-suas-ceroulas-neste-armário-e-leu nessa-escrivaninha, mas como eu não sou o Estado, levar uma pena dessas lojas me custaria uma vida enrolado no cartão de crédito.</p>
<p>Agora, bonito é o rio Mississipi. Me lembrou tanto meu avô, sabia? Passa sereno pela cidade com pontes se estendendo sobre ele, pequenas embarcações passeando e gente caminhando nostalgicamente às margens dele. Mas no geral, tem ar meio underground, de gente errante, artistas falidos, ambientes escuros, cobertos por uma névoa noturna que se vê serpenteando sob a luz de um poste solitário de esquina, e abaixo dele, obviamente, um senhor mulato alquebrado tocando sax.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/RioMississipi1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-734" title="RioMississipi1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/RioMississipi1.jpg" alt="" width="800" height="600" /></a></p>
<p>Por enquanto a vida caminha assim&#8230; os altos e baixos diminuíram, mas ainda existem porque sou gente. Mas a felicidade há de chegar e eu tô bem na mira dela.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2010/03/21/post-roubado/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>10</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Canadá 6 &#8211; Sistema viário e transporte público</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/02/15/canada-6-sistema-viario-e-transporte-publico/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/02/15/canada-6-sistema-viario-e-transporte-publico/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 23:45:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[metrô]]></category>
		<category><![CDATA[transporte]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=680</guid>
		<description><![CDATA[<p>Pois como funcionam essas coisas no Canadá e na Itália?</p>
<p>No Canadá, especialmente em Montreal, não vi engarrafamentos, há poucos ônibus nas áreas centrais, que são servidas por metrô. Basicamente, se o sujeito mora um pouco mais longe do Centro, ele toma um ônibus até onde tenha metrô, e dali segue adiante. A cultura do carro e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pois como funcionam essas coisas no Canadá e na Itália?</p>
<p>No Canadá, especialmente em Montreal, não vi engarrafamentos, há poucos ônibus nas áreas centrais, que são servidas por metrô. Basicamente, se o sujeito mora um pouco mais longe do Centro, ele toma um ônibus até onde tenha metrô, e dali segue adiante. A cultura do carro e do transporte rodoviário existe mais do que na Europa, talvez por proximidade com os Estados Unidos. Mas os estacionamentos espalhados pela cidade funcionam na base da maquininha, os famosos parquímetros. Nada de guardador ou flanelinha. Há preços pré-estabelecidos para usar a vaga por determinado espaço de tempo de acordo com a área da cidade, o motorista vai lá na maquininha, coloca as moedas correspondentes, sai impresso o bilhetinho. Ponto. Se funciona? Ô. Posso fazer só um comentário malicioso? As vagas desenhadas nas ruas têm de 6 a 7 metros de comprimento! E como estacionam mal! Modéstia às favas, eu tinha vontade às vezes de ir lá abordar o motorista e perguntar se ele queria que eu pusesse o carro na vaga pra ele. Ou pelo menos ficar ali do lado dizendo &#8220;Vem mais, agora desfaz, desfaz, isso, mais pra direita, agora vira tudo&#8230;&#8221;</p>
<div id="attachment_681" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-681" title="estacionamento" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/estacionamento-300x169.jpg" alt="Isso é em Milão. Eu vi o mesmo esquema em Montreal. Em Buenos Aires também é muito usado. " width="300" height="169" /><p class="wp-caption-text">Isso é em Milão. Eu vi o mesmo esquema em Montreal. Em Buenos Aires também é muito usado. </p></div>
<p>Ah, sim, antes que eu esqueça, a caixa das ruas já prevê áreas para estacionar, ao longo da via, assim, os carros não ocupam as pistas onde deveria haver fluxo, estrangulando a circulação, nem tampouco há carros sobre as calçadas, nem sequer meia roda. A mesma coisa eu vi na Itália. Tá aí uma foto pra ilustrar.</p>
<p>Voltando ao Canadá, não vi guardas de trânsito. Aliás, não vi policiais, muito raramente. Em compensação, vi muita bicicleta, pra todo lado. As pessoas usam a bicicleta como meio de transporte e deslocamento entre casa-trabalho-escola, e não apenas lazer. Assim, não há tantas ciclovias em parques, mas, em toda a cidade, sabe-se que uma das faixas das pistas é para os ciclistas e as pessoas respeitam isso. Entendeu? O que existem são ciclofaixas, e não ciclovias (que seriam as pistas exclusivas, fisicamente separadas da pista dos carros, e que os ciclistas dividem com pedestres correndo, gente andando de patins, entre outros).</p>
<p>Essa coisa do uso da bicicleta está crescendo muito neste país tão comprometido, pelo menos mais recentemente, com um discurso de sustentabilidade, ecologia, etc. Eles têm inclusive esse esquema de oferecer uma frota inteira de bicicletas para aluguel, que funciona assim: são diversos pontos onde há um monte de biciletas estacionadas. Em Montreal, chamam-se Bixi (leia-se Bicsí, com biquinho francês, <em>s&#8217;il vous plaît</em>). O interessado vai lá, passa o seu cartão de crédito (yes, só com cartão de crédito, nada de dinheiro) e libera uma bixi. É caro pra burro, não sei como o negócio se sustenta. Custa 5 dólares canadenses (R$ 8,50) por meia hora de uso. Mas você pode deixar a bicicleta depois em qualquer outro ponto de bixis. Então, se estiver com pressa e longe do metrô, pega a bicileta aqui, pedala até o trabalho, deixa a bicicleta nas redondezas e pronto, tá resolvido. Apesar do preço, vi alguns turistas usando. Nossa percepção de caro ou barato é, como tudo na vida, muito relativa. O que me surpreende e encanta mais é mesmo a capacidade de organização, o senso de coisa pública, a responsabilidade e o cuidado com tudo. Não tem ninguém ali tomando conta, e eu não vi nada vandalizado. Isso eu invejo.</p>
<p>Falemos de transporte público coletivo. Não é tão bom quanto na Europa, onde as coisas são mais autoexplicativas (preços, como comprar, rotas, horários), mas assim que você se situa, funciona muito bem. Não cheguei a andar de ônibus nem em Montreal nem em Toronto, fora os deslocamentos interurbanos que eu já citei: Montreal-Quebec ida e volta, e Montreal-Toronto. Em Montreal, a rede de metrô é excelente, e cobre maior parte da cidade, com o serviço de ônibus complementando a rede, principalmente na periferia. O bilhete é caro para nossos padrões, mas se contar que o mesmo bilhete dá direito também a uma passagem de ônibus, fica quase a mesma coisa que nosso novo Bilhete Único (nosso aqui no RJ). Uma passagem unitária custa CAN$ 2,75 (R$ 4,70); Mas olha só que beleza, se você compra 6 passagens, custa CAN$ 12,75 (R$ 21,70), ou seja, você economiza CAN$ 3,75, o que dá uma passagem inteira e mais um dólar. Além disso, há cartões mensais, para quem usa todo dia, e aí sai ainda mais barato, mais barato que o preço de 30 bilhetes unitários aqui no Rio. Outra coisa, os bilhetes individuais não têm validade. Ou melhor, têm mas é de um ano inteirinho. Ou seja, sobraram uns dois bilhetes comigo, e se eu voltasse lá antes de setembro, ainda poderia usá-los. Ou poderia ter deixado com a minha amiga que mora lá, e ela poderia guardá-los na carteira para usar na hora que lhe fosse mais conveniente, sem risco de perder a passagem. Independente de o preço do bilhete aumentar nesse meio tempo. E em todas as estações há várias maquininhas self-service, além das cabines de venda pra quem preferir, então você pode comprar sua passagem sem fila, com dinheiro ou cartão de crédito. Que diferença.</p>
<div id="attachment_682" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-682" title="plan-metro-Montreal" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/plan-metro-Montreal.jpg" alt="Mapa do metrô em Montreal" width="600" height="718" /><p class="wp-caption-text">Mapa do metrô em Montreal</p></div>
<div id="attachment_684" class="wp-caption alignleft" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-684" title="Transp_publico" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/Transp_publico.jpg" alt="Acima, um ponto de bixis, m Montreal. Abaixo, bondes em Toronto" width="500" height="570" /><p class="wp-caption-text">Acima, um ponto de bixis, m Montreal. Abaixo, bondes em Toronto</p></div>
<p>Em Toronto, o bilhete individual de metrô tem o mesmo valor. E uma passagem só de metrô vale também para andar de ônibus ou bonde. Mas de segunda a  sexta-feira, um adulto pode pagar 9 dólares (pouco mais de 15 reais) e ganhar um passe (Day Pass) que vale para o dia todo, com viagens ilimitadas de metrô e bonde (sim, em Toronto há bondes por toda a cidade, e eles são coligados com o sistema de metrô). Pasme: nos fins de semana, esse mesmo passe, pelos mesmos 9 dólares, vale para um casal, ou até para uma família de 2 adultos e 4 crianças, igualmente com viagens ilimitadas de metrô e bonde. Ou seja, aos sábados e domingos, uma família inteira paga apenas 9 dólares (faça as contas, se fossem 4 bilhetes individuais sairia por CAN$ 2,75 x 4 = 11 dólares), ganha um bilhete e pode andar de metrô e bonde quantas vezes quiser, pra cima e pra baixo, sem pagar mais nada, só mostrando o bilhetinho pro controlador, na catraca especial para este tipo de bilhete. Isso estimula o turismo e incentiva as famílias a se deslocarem para visitar as atrações da cidade, por exemplo. Não sei se é subsidiado pelo Estado, se é parcialmente pago pelo preço alto dos bilhetes individuais nos outros dias da semana, se é bancado por alguma empresa privada em troca de algum outro benefício. Sei que o transporte é controlado pelo Estado, e que eu achei muito confortável andar pra cima e pra baixo.</p>
<div id="attachment_683" class="wp-caption aligncenter" style="width: 988px"><img class="size-full wp-image-683" title="toronto-map" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/toronto-map.jpg" alt="Metrô de Toronto" width="978" height="753" /><p class="wp-caption-text">Metrô de Toronto</p></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2010/02/15/canada-6-sistema-viario-e-transporte-publico/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Canadá 4 &#8211; Montreal, Quebec e Toronto</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/26/canada-4-montreal-quebec-e-toronto/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/26/canada-4-montreal-quebec-e-toronto/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 23:32:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=528</guid>
		<description><![CDATA[<p></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Daqui a pouco eu viajo de novo pra outro lugar e não terminei de falar do Canadá ainda. Nem sei se vocês ainda têm interesse no assunto, mas eu tenho interesse em contar, hohoho!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Como eu já contei,  Montreal é uma cidade basicamente universitária, o que faz com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Daqui a pouco eu viajo de novo pra outro lugar e não terminei de falar do Canadá ainda. Nem sei se vocês ainda têm interesse no assunto, mas eu tenho interesse em contar, hohoho!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Como eu já <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/05/canada-1-primeiras-impressoes/" target="_blank">contei</a>,  <strong>Montreal</strong> é uma cidade basicamente universitária, o que faz com que haja muitos jovens de todas as tribos circulando. Talvez também por conta disso, é uma cidade bastante informal e relaxada, e nisso lembra muito o Rio de Janeiro. Toronto, por exemplo, é mais São Paulo: maior, mais dinheiro, maior quantidade de edifícios espetaculares, ritmo mais agitado.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Também acho que já falei que me encantei com a variedade étnica e cultural da cidade, onde se vêem todas as cores e se escutam e falam todas as línguas. Certamente a política de imigração mais permissiva do Canadá ajuda nisso. Em Toronto, peguei um taxi entre a rodoviária e o hotel, e vim conversando com o taxista, que descobri ser etíope. Ele contou que está lá há mais de 20 anos, não fiquei muito certa de que esteja legal, mas deve estar, porque disse que só voltou para visitar a família na Etiópia umas duas vezes nesse período, e se nessas duas vezes ele conseguiu reentrar no Canadá, é porque o visto deve estar regularizado. Mas enfim. Quando eu disse que era brasileira ele logo afirmou que se eu quisesse ficar lá, era muito fácil, e que brasileiros, ainda mais se tiverem curso superior, são admitidos e ganham cidadania facilmente. Não chequei a informação, só achei graça que um “gringo” estivesse me “oferecendo” uma oportunidade de imigração assim, na maior tranquilidade.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Talvez essa multiplicidade cultural toda também contribua para que o povo seja tão simpático e extrovertido, bem-humorado e prestativo. Gastei todo o meu parco francês em Montreal e Quebec, mas poderia ter falado só inglês se quisesse. Eles sabem onde fica o Brasil e que nós falamos português e não espanhol. Vários souberam até dizer alguma coisa como “obrigado” ou “tudo bem?”, com aquele sotaque forte e engraçado. Sabem inclusive que a nossa capital não é Buenos Aires, olha que bacana!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Fiz passeios lindos pela cidade. Ali próximo ao porto, recomendo a rua Jacques Cartier, uma rua de pedestres (na verdade, uma ladeira), larga, bonita, cheia de restaurantes simpáticos, quiosques de flores e sucos e jardins. Tem o Mont Royal, de onde se avista toda a cidade, e que a população local usa intensamente como o principal parque da cidade. Há um lago lá em cima, e em dias de sol as pessoas fazem piquenique em suas margens, as crianças jogam bola e todo mundo lagarteia na luz e no calor.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<div id="attachment_530" class="wp-caption aligncenter" style="width: 4510px"><img class="size-full wp-image-530" title="Montreal1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Montreal1.jpg" alt="A rua Jacques Cartier e o Parque do Mont Royal, com seu mirante e suas trilhas" width="4500" height="844" /><p class="wp-caption-text">A rua Jacques Cartier e o Parque do Mont Royal, com seu mirante e suas trilhas</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Mais para o norte da cidade, mas ainda bem próximo do Centro, a apenas seis estações de metrô, fica o Estádio Olímpico, construído para as Olimpíadas de 1976, sediadas em Montreal. Lindo, embora para os padrões de hoje, com Ninhos de Pássaro e outras modernidades tecnológicas, talvez seja considerado um pouco modesto. Bem ao lado há o belíssimo Jardim Botânico local, onde tivemos a sorte de pegar uma exposição de lanternas chinesas, coisa mais colorida e delicada do mundo. Pena que as fotos não fazem justiça ao espetáculo, porque a exposição é melhor apreciada à noite (quando as lanternas se acendem, claro), e na falta de um tripé, as imagens saem meio tremidas. Tem mais, mas eu falo depois, ao longo da conversa.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<div id="attachment_532" class="wp-caption aligncenter" style="width: 4504px"><img class="size-full wp-image-532" title="Montreal2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Montreal2.jpg" alt="O Estádio de 1976, o Jardim Botânico e o estádio de novo, visto do Jardim, ao pôr-do-sol" width="4494" height="836" /><p class="wp-caption-text">O Estádio de 1976, o Jardim Botânico e o estádio de novo, visto do Jardim, ao pôr-do-sol</p></div>
<div id="attachment_533" class="wp-caption aligncenter" style="width: 4510px"><img class="size-full wp-image-533" title="Montreal3" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Montreal3.jpg" alt="A Magia das Lanternas" width="4500" height="844" /><p class="wp-caption-text">A Magia das Lanternas</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;"><strong><img class="alignleft size-medium wp-image-536" title="Toronto" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Toronto2-300x168.jpg" alt="Toronto" width="300" height="168" />Toronto</strong>, capital da província de Ontario e maior cidade canadense, tem os arredores bem americanizados, com subúrbios, malls, aqueles mares de estacionamento em torno de Wall Marts, Best Buys e Home Depots. Mas são só os arredores. O centro da cidade é denso e vivo, não tem nada daqueles “centros cívicos” descritos pelo Doctorow, que nós vimos num post lá atrás. Lembra um pouco a Nova Inglaterra, se bem que eu não conheço a Nova Inglaterra, estou falando pelo que já me contaram, pelo que eu vi em fotos e filmes. Montreal me pareceu mais compacta, talvez até por ser uma ilha. Toronto é mais espalhada, montes de pequenas cidades satélites e bairros periféricos, alguns com verdadeiras mansões. Quando estávamos indo embora, a caminho do aeroporto (eu acabei não aceitando a sugestão de emigrar do taxista etíope, rsrsrs), o taxi passou por um bairro assim. Nem sei se era o caminho mesmo, mas adorei.</p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">E teve <strong>Quebec</strong>. Fica a pouco mais de 200 km de Montreal, cobertos em três horas de ônibus. Saí bem cedo, fui e voltei no mesmo dia. É uma cidade lindinha, antiga fortaleza militar, com uma qualidade quase que cenográfica, com suas muralhas e recintos e escavações arqueológicas dos períodos alternados de governo francês e inglês. Há turistas aos montes, pra todos os lados, sozinhos, em grupos e excursões barulhentas, e isso me incomoda um pouco. Os preços costumam ser maiores, tem todo um burburinho de gente apressada, que parece estar mais preocupada em fotografar e conferir mapas e atrações e voltar pro microônibus a tempo do que em realmente observar a cidade.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<div id="attachment_537" class="wp-caption aligncenter" style="width: 3485px"><img class="size-full wp-image-537" title="Quebec" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Quebec.jpg" alt="A estação rodoferroviária de Quebec, uma rua típica no Centro da cidade, as muralhas" width="3475" height="844" /><p class="wp-caption-text">A estação rodoferroviária de Quebec, uma rua típica no Centro da cidade, as muralhas</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Em todos os pontos turísticos há guias muito simpáticas e bem preparadas, dando explicações e contando a história do local. Na saída de um desses locais, um casal de americanos da Califórnia inquiriu a guia sobre algumas coisas que tinha visto e recebeu uma aula completa de história e geografia. Eu, que nem tinha feito a visita, mas estava sentada bem próxima, só fiquei na aba, aprendendo também. Entre outras coisas, ela disse a eles que em algum momento do século XVIII, antes da independência americana, Quebec não só também era colônia inglesa (e portanto, quando os americanos estudam as “treze” colônias, isso é uma visão bem incompleta), mas era a capital da colônia, o governador geral, representante da Coroa Britânica, ficava sediado em Quebec, de onde governava ttudo, inclusive a parte que hoje se chama Estados Unidos. Eles ficaram de queixo caído. No final, quando eles saíram, ela virou pra mim e perguntou se eu ainda tinha alguma dúvida (ela viu que eu estava escutando tudo), se eu sabia desses detalhes da história do “meu país” (pensando que eu também era americana), e eu ri e disse que não tinha nada a ver com isso, que eu era brasileira. Ela adorou!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Pena que choveu muito o dia todo. Na volta, na praça em frente à estação rodoviária, eu vi uma instalação que eu amei. Eram cadeiras de aço, chumbadas ao chão, dispostas geometricamente ao longo de uma das aléias da praça, e, no assento de cada uma dessas cadeiras, estava gravado um verso de uma poesia. Não é lindo?</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<div id="attachment_538" class="wp-caption aligncenter" style="width: 2643px"><img class="size-full wp-image-538" title="Quebec-poesia" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Quebec-poesia.jpg" alt="&quot;Nos olhos se ilumina uma cidade, que nós jamais nos demos o trabalho de visitar&quot;" width="2633" height="1125" /><p class="wp-caption-text">&quot;Nos olhos se ilumina uma cidade, que nós jamais nos demos o trabalho de visitar&quot;</p></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/26/canada-4-montreal-quebec-e-toronto/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Canadá 1 &#8211; Primeiras impressões</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/05/canada-1-primeiras-impressoes/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/05/canada-1-primeiras-impressoes/#comments</comments>
		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 23:31:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=477</guid>
		<description><![CDATA[<p>Vamos começar logo com isso, porque já tá ficando chato, eu só anuncio e nada de comparecer. Daqui a pouco vai ter gente achando que essa viagem foi imaginação minha.</p>
<p>Primeiro, as circunstâncias da viagem. Meu marido trabalha com treinamento em telecomunicações, basicamente atendendo companhias de telefonia celular. Por conta disso, viaja um bocado, quase sempre pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos começar logo com isso, porque já tá ficando chato, eu só anuncio e nada de comparecer. Daqui a pouco vai ter gente achando que essa viagem foi imaginação minha.</p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } -->Primeiro, as circunstâncias da viagem. Meu marido trabalha com treinamento em telecomunicações, basicamente atendendo companhias de telefonia celular. Por conta disso, viaja um bocado, quase sempre pela América Latina, e de vez em quando vai a alguma cidade mais distante um pouco, em algum outro continente. Posso garantir a vocês que, passado o deslumbramento dos primeiros anos, é um trabalho duro, cansativo, que impõe muitas horas de aeroporto e de vôo, muitas datas familiares comemoradas por telefone, de um quarto de hotel (e viva o skype). Mas tem também a vantagem de permitir a ele acumular milhas nos programas de fidelidade das companhias aéreas, e de vez em quando eu aproveito alguma chance para ir junto, principalmente quando é um lugar que me interessa conhecer e a minha própria agenda de trabalho permite. Foi exatamente esse o caso dessa vez. Quando eu vi que ele iria a Montreal, no Canadá, eu rapidamente me organizei pra ir também, porque uma oportunidade dessas não aparece toda hora.</p>
<p>Ainda por cima, eu <span style="color: #000000;">tenho uma amiga querida, a Gabriela, que mora em Montreal há algum tempo, e que foi uma fonte importante de conversas, informações e troca de impressões, além de uma companhia deliciosa tanto pra um almoço num restaurante português numa ruazinha charmosíssima, quanto para passeios de interesse arquitetônico-urbanístico ou compras nas lojas mais descoladas que eu não teria como descobrir sozinha. </span></p>
<p>Já que eu já tinha ido tão longe mesmo, aproveitei pra ir numa excursão de um dia a Quebec, que fica pertinho, e fui, junto com o marido, a Toronto no fim de semana seguinte ao curso que ele deu. Toronto já é mais longe um pouquinho, uns 500 km de Montreal, mas valeu cada instante da visita. Olha aí uma mapinha pra dar ideia:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-479" title="Mapas" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Mapas.jpg" alt="Mapas" width="1350" height="436" /></p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">No mapa da esquerda vocês podem ver a região nordeste dos Estados Unidos e o sudeste do Canadá (a bolinha vermelha mais de baixo marca a posição de Nova York, só pra dar referência). Aliás, meu vôo, pela Continental Airlines, foi Rio-Houston-Newark-Montreal. Em cada escala dessas, uma troca de avião. No trecho final, o teco-teco (mentira, mas era o menor aviãozinho em que eu já voei, fileiras de duas poltronas de um lado e uma poltrona só do outro lado, um único e estreito corredor central, evidentemente uma única comissária de bordo, que mal conseguia se mover), mas eu dizia, no último trecho, ao decolar, o avião sobrevoa a ilha de Manhattan, e eu tirei montes de fotinhas pela janelinha do avião: Empire State, Estátua da Liberdade, Central Park. Foi o mais próximo que eu já cheguei de Nova York até hoje. Mas tou me aproximando, hehehe. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">Voltando ao nosso mapa. Logo acima da fronteira com o Canadá, vocês podem ver três outras bolinhas. A do meio assinala a posição de Montreal, a mais de cima é Quebec, e a sudoeste de Montreal está Toronto, bem na beira do Lago Ontario. No mapa seguinte, dei um “zoom” só em Montreal. A cidade ocupa uma grande ilha (que eu tentei contornar de vermelho, mas não sei se a linha ficou muito fina) no Rio São Lourenço. O quadrado em destaque mostra a região central, que está ampliada no último mapa, à direita. Nós ficamos num hotelzinho simples, mas muito bem localizado, em frente a um dos prédios da UQÀM (Université de Quebec à Montreal), no coração do que eles chamam de Quartier Latin, próximo de tudo. Tá lá marcado no mapa também. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="attachment_482" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><span><img class="size-full wp-image-482" title="Montreal_chegada" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Montreal_chegada1.jpg" alt="Em cima à esquerda, Nova York vista da janela do avião; à direita os campos cultivados nos arredores de Montreal. Embaixo, à esquerda, vista geral de Montreal a partir do topo do Mont Royal, ponto turístico importante na cidade. Por fim, aspecto de uma rua típica, nas proximidades do meu hotel." width="800" height="535" /></span><p class="wp-caption-text">Em cima à esquerda, Nova York vista da janela do avião; à direita os campos cultivados nos arredores de Montreal. Embaixo, à esquerda, vista geral de Montreal a partir do topo do Mont Royal, ponto turístico importante na cidade. Por fim, aspecto de uma rua típica, nas proximidades do meu hotel.</p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">Só pra vocês terem uma ideia dos deslocamentos, e já levantando uma lebre a ser explorada em textos vindouros, a distância de Montreal a Quebec é de 233 km e de Montreal a Toronto é de 540 km, cobertos em 6 horas de viagem. Por comparação, temos que Rio-São Paulo são 440 km. Pois bem, infelizmente o transporte no Canadá é bastante baseado no modelo rodoviário. Não é que não haja trens entre essas cidades, mas é muito mais caro, muito mesmo. Então, a alternativa é o ônibus (considerando que avião também estava fora das minhas possibilidades). A moeda local é o dólar canadense, que vale, hoje, cerca de R$1,65. Assim, vamos fazer contas: eu consigo comprar uma passagem em ônibus leito, RJ-SP, por um valor entre R$80 e R$100, perfazendo R$ 0,22 por quilômetro rodado, na pior hipótese. Paguei CAD$ 90 (= R$148,50) na passagem Montreal-Toronto, num ônibus equivalente ao nosso comum (eles não têm o nosso conceito de ônibus leito). Conforto bem escasso, não fosse o fato de que peguei um horário cedo, tava vazio e eu viajei quase esticada, ocupando as duas poltronas. Mas a relação é de R$ 0,28 por quilômetro rodado, um bocado mais caro que o que eu pago aqui. Pelo menos as estradas são maravilhosas, o ônibus parece que flutua. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">Ainda nas informações preliminares, vamos saber um bocadinho mais sobre o Canadá. Eu não sei vocês, mas quando eu viajo pra um lugar que eu não conheço, eu adoro fazer dever de casa antes, pesquisar, chegar lá tendo alguma ideia de onde eu estou. </span></p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="attachment_483" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><span><img class="size-full wp-image-483" title="GOVERNOR-GENERAL" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/mi_jean_1.jpg" alt="Michaëlle Jean" width="240" height="321" /></span><p class="wp-caption-text">Michaëlle Jean</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;">Pelo que diz o Atlas da National Geographic, com dados de 2006, o Canadá tem quase 10 milhões de km<span style="font-family: Times New Roman,serif;">²</span>, sendo o segundo maior país do mundo em área (o primeiro é a Rússia). Dizem as más línguas que isso só vale se medir no inverno, porque no verão derrete o gelo e o Brasil fica maior. É um Estado federal, cuja capital é Ottawa, com Senado e Câmara dos Comuns e – eu não sabia – reconhece o Soberano do Reino Unido como Chefe de Estado. Faz parte até da Comunidade Britânica das Nações, e tem a cara, ops, a efígie da rainha Elizabeth II em suas moedas. Em território canadense, a rainha é representada por um governador-geral. Atualmente, a governadora-geral do Canadá é Michaëlle Jean, uma jornalista nascida no Haiti, primeira negra a ocupar esse cargo. O Chefe de Governo (quem manda mesmo), entretanto, é o primeiro-ministro, que hoje é Stephen Harper.</p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">A população total deste enorme país é de 32 milhões de habitantes, com uma baixíssima densidade de 3,27 hab/km<span style="font-family: Times New Roman,serif;">²</span>.  Montreal, que fica na província de Québec (cuja capital é a cidade de Québec), concentra, em sua área metropolitana, mais de 3 milhões e meio de habitantes. É o segundo maior núcleo urbano do país. O primeiro é Toronto, capital da província de Ontario, quinta maior cidade da América do Norte, com 5 milhões e 100 mil habitantes em sua área metropolitana, sendo quase 2 milhões e meio só na cidade. Toronto só perde para a Cidade do México (8.600.000 hab na cidade e 18.300.000 na área metropolitana), Nova York (8.000.000 na cidade, 21.500.000 na área metropolitana), Los Angeles (3.700.000 na cidade, 17.000.000 na área metropolitana) e Chicago (2.900.000 na cidade, 9.500.000 na área metropolitana). Números arredondados.</span></p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">O país adota tanto o inglês quanto o francês como línguas oficiais, em função de especificidades de seu período colonial, mezzo-francês, mezzo-britânico. Em Montreal, por exemplo (em toda a província de Quebec), o imediato é falar francês. Todos os letreiros são em francês e a abordagem inicial será sempre francófona. Até a arquitetura é mais afrancesada, com muitas construções remanescentes do final do século XVIII e de todo o século XIX. Mas é uma cidade bem bilíngue, e todo mundo fala inglês também, facilitando bastante a comunicação (pra mim, hohoho. Se bem que eu fiz algum uso do meu ano de Aliança Francesa, e dei meus passinhos no merci, bon jour e s&#8217;il vous plaît). Toronto já é uma cidade mais americanizada, sob vários aspectos, e a língua básica é o inglês mesmo. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="attachment_485" class="wp-caption aligncenter" style="width: 877px"><img class="size-full wp-image-485" title="Toronto1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Toronto1.jpg" alt="Uma das coisas mais legais de Toronto é a convivência do antigo com o moderno, quase sempre surpreendentemente bem resolvida. " width="867" height="400" /><p class="wp-caption-text">Uma das coisas mais legais de Toronto é a convivência do antigo com o moderno, quase sempre surpreendentemente bem resolvida.  </p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">De maneira geral, minha primeira e boa impressão de ambas as cidades é de uma imensa diversidade étnica e social. Como cidades (mais até Montreal do que Toronto) que abrigam importantes universidades, há uma enorme quantidade de jovens de todas as origens e tribos transitando, o que dá um ar alegre e dinâmico à cidade. A gente anda pelas ruas e vê todas as cores, roupas, escuta inúmeras línguas. São negros (muitos imigrantes e descendentes de imigrantes de ex-colônias francesas), asiáticos (aos montes), latinos, muçulmanos, indianos, americanos e até canadenses! O pessoal é extremamente gentil, solícito, tem, na média, bom nível intelectual e interesse genuíno nas realidades externas ao país. São acolhedores e bem-humorados, de um humor que lembra muito o nosso, e eu senti que um esporte nacional, não muito velado, é sacanear os americanos. Dei boas risadas várias vezes, com estampas de camisetas e títulos de publicações. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">Como eu já disse, enchi muitas páginas da minha caderneta de anotações, e tirei centenas de fotos. Ainda não sei bem como vou organizar esse material. Não sei se por ordem cronológica (no primeiro dia fiz isso, depois aquilo&#8230;), ou se por temas. Observei aspectos que às vezes foram se repetindo, com relação a transporte público, comidas, soluções de arquitetura, preocupações com ecologia e meio-ambiente, turismo, saúde e assistência social, e um monte de outros. Vou ver. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="attachment_486" class="wp-caption aligncenter" style="width: 1210px"><span><img class="size-full wp-image-486" title="bichinhos" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/bichinhos.jpg" alt="Não dá pra não se encantar. Uma marmota, um passarinho diferente e um esquilo. Eu queria trazer meia dúzia de cada na bagagem..." width="1200" height="267" /></span><p class="wp-caption-text">Não dá pra não se encantar. Uma marmota, um passarinho diferente e um esquilo. Eu queria trazer meia dúzia de cada na bagagem...</p></div>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/05/canada-1-primeiras-impressoes/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>11</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

