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	<title>Urbanamente &#187; direitos</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>Cidades literárias: Ana Maria Gonçalves (1)</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Mar 2010 22:51:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades Literárias]]></category>
		<category><![CDATA[direitos]]></category>
		<category><![CDATA[opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: left;">Esta semana foi punk. Muito trabalho, as aulas entraram no ritmo avassalador de sempre, com o agravante de que este ano eu tenho mais turmas e cada turma tem mais alunos, e entre os vários deslocamentos, os horários de aula, de estudo e atividades domésticas, eu trabalhei demais, dormi de menos e cheguei ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Esta semana foi <em>punk</em>. Muito trabalho, as aulas entraram no ritmo avassalador de sempre, com o agravante de que este ano eu tenho mais turmas e cada turma tem mais alunos, e entre os vários deslocamentos, os horários de aula, de estudo e atividades domésticas, eu trabalhei demais, dormi de menos e cheguei ao fim da semana exausta. Parece que vai ser assim o semestre todo.</p>
<p>Mas a semana foi <em>punk</em> também em outros sentidos. E um deles foi ter acompanhado, estarrecida, as <a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/03/05/cotas-raciais-a-entrevista-de-demostenes/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/03/05/cotas-raciais-a-entrevista-de-demostenes/?referer=');">declarações</a> do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), no Supremo Tribunal Federal, a respeito das cotas para negros nas universidades brasileiras. Veja bem, eu acho perfeitamente legítimo uma pessoa ser contra a adoção das cotas, e já li argumentos honestos e válidos nesse sentido. Eu mesma confesso que no início era contra as cotas, acompanhei por bastante tempo várias discussões a respeito, li artigos e opiniões contra e a favor, fui ficando cada vez mais na dúvida, e hoje estou convencida que a política de cotas raciais nas universidades públicas é um instrumento &#8211; que não deve ser o único &#8211; mas é um instrumento legal, necessário, e tudo indica que de excelentes resultados, para a inclusão social e econômica de uma parcela imensa da população brasileira que tem especificidades históricas que justificam e demandam ações como essa. No mínimo, acho que a política de cotas trouxe e continua trazendo um benefício gigantesco para o país, que é provocar um debate às claras sobre a discriminação racial no Brasil, trazendo muitas vezes à luz recalques insuspeitos e ressentimentos velados, desmascarando o racismo que infelizmente existe no nosso país, camuflado por uma ilusão de convivência harmônica. Sim, enquanto os negros se comportarem direitinho, souberem seu lugar na sociedade e não perturbarem reivindicando coisas absurdas, o Brasil será um oásis de paz e harmonia nesse aspecto.</p>
<p>Entre as várias <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2010/03/a-teoria-negreira-do-dem-saiu-do-armario/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/blogdofavre.ig.com.br/2010/03/a-teoria-negreira-do-dem-saiu-do-armario/?referer=');">estultices proferidas</a> pelo senador, nenhuma me chocou mais do que creditar a miscigenação do povo brasileiro a relações consensuais entre senhores e escravas. Não consigo acreditar que isso seja falta de conhecimento histórico, é tão insultuoso e revoltante que só pode ser má-fé. Alguém precisa explicar para ele que estupro e violência não se dá só quando há sangue, terror e armas apontadas, ou quando a vítima se debate furiosamente. O constrangimento, o medo da punição e a falta de alternativa também caracterizam o estupro. Só se pode falar em relações consensuais quando há possibilidade de escolha. Consentir pressupõe que a alternativa &#8211; dizer não &#8211; é igualmente possível. E ninguém em sã consciência vai me dizer que as escravas podiam simplesmente virar pros senhores e dizer &#8220;não quero&#8221; impunemente. Aliás, querer, desejar, é um ato de absoluta subjetividade e os escravos e escravas nunca foram tratados como sujeitos de seus quereres, seus corpos e destinos, mas sim como objetos, como bens, como patrimônio material. Eram contabilizados da mesma maneira que cabeças de gado ou pés de milho, e tinham tanto direito de querer ou decidir alguma coisa sobre suas vidas quanto um boi. Quando o senador diz que a miscigenação no Brasil, como processo histórico, foi majoritariamente consensual, ele ofende milhões de mulheres negras, daquele tempo e de hoje, e por extensão, milhões de mulheres simplesmente, que ainda hoje vivem situações de constrangimento e violência por esse Brasil afora.</p>
<p>Pensando nisso, eu quis trazer hoje um trecho de um livro que estou lendo, escrito por <a href="http://www.flip.org.br/edicoes_anteriores_autores.php3?idautor=302" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.flip.org.br/edicoes_anteriores_autores.php3?idautor=302&amp;referer=');"><strong>Ana Maria Gonçalves</strong></a>, chamado <a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2099" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2099&amp;referer=');"><strong>Um defeito de cor</strong></a>. Eu ia acabar falando dele mesmo, mas achei que a ocasião era especialmente oportuna, e vai como desagravo e homenagem a tantas mulheres, escravas, negras, que fizeram parte da História deste país e tiveram participações importantes na luta pelo fim da escravidão. Eu estou particularmente encantada com o livro. Tem 950 páginas, eu ainda estou na 320, mas estou fascinada. A autora narra com maestria a história de Kehinde, uma mulher que, quando criança, viu sua mãe e seu irmão serem mortos na aldeia em que vivia, na África, após o que se muda com a avó e a irmã gêmea para uma outra cidade, onde acaba sendo capturada e trazida como escrava para o Brasil. Aliás, quem narra a história é a própria Kehinde, que no Brasil recebeu o nome de Luísa Gama. Consta que ela seria a mãe do poeta romântico brasileiro Luís Gama, e que o livro é na verdade, o relato, em primeira pessoa, da vida dela, que, já idosa, conta a história de sua vida para o filho com quem ela perdeu contato. A linguagem é saborosa, flui com facilidade, o leitor vai ficando enredado por aquelas descrições e acontecimentos, e vai querendo saber sempre mais das danças, comidas, roupas, da vida no engenho da Ilha de Itaparica, das andanças na cidade de Salvador na primeira metade do século XIX, dos rituais e orixás, das relações com as sinhás e com os outros escravos e escravas, das tramas e rebeliões, de tudo. Achei muito vívida e bonita a descrição que ela faz da cidade de Uidá, para onde ela, a irmã gêmea e a avó se mudaram após a morte da mãe. A visão que uma criança pode ter de uma cidade, colorida, cheia de movimento e potencial. Como será que nossas crianças vêem as cidades em que vivem?</p>
<p style="text-align: right;"><em><a href="http://nandabras.bloguepessoal.com/107329/Quadro-43/" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/nandabras.bloguepessoal.com/107329/Quadro-43/?referer=');"><img class="alignright size-medium wp-image-723" title="mercadoafricano" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/mercadoafricano-300x201.jpg" alt="" width="300" height="201" /></a>&#8220;Uidá era muito mais interessante que Savalu, e a minha avó segurava as nossas mãos para que não nos perdêssemos. Eu tinha vontade de parar e ficar olhando tudo o que acontecia ao meu redor, as mulheres que andavam com vários colares de contas, as casas que eram maiores do que eu jamais teria imaginado, com cobertura de palha e paredes de barro vazadas por portas muito baixas, e ainda tomavam os dois lados da rua, quase sem nenhum espaço entre elas. Gostei quando chegamos à praça, ao lado do mercado, e ficamos admirando as roupas, as pessoas, muita gente com marcas que nem a minha avó sabia de onde eram. Quase todas as mulheres andavam cobertas, pelo menos da cintura para baixo, e os panos que usavam eram ricos em cores e em bordados com búzios e sementes, que também enfeitavam os diversos colares e pulseiras e, às vezes, os penteados. (&#8230;) O mercado era grande e muito bem dividido, com lugares certos para se comprar cerâmicas, tecidos, frutas, artigos de religião, animais e, principalmente, comida. (&#8230;) As pessoas circulavam procurando os produtos de que precisavam ou assistiam às apresentações de dança, de acrobacias, de música e até de desafios de versos, que eu nunca tinha visto. A minha avó estendeu uma esteira para mim e para a Taiwo dentro da barraca, ao lado da mulher, e dormi pensando em como seria a feira nos dias seguintes, que grandes novidades estariam esperando por nós em Uidá&#8221;.</em></p>
<p>PS 1: Lá no título do post, o (1) ao lado do nome da Ana Maria é porque, mais adiante, no mesmo livro, há uma descrição da cidade de Salvador que é uma verdadeira aula sobre cidades coloniais no Brasil, e eu pretendo reproduzí-lo aqui em breve.</p>
<p>PS 2: Sobre as asneiras ditas pelo Senador no STF, há <a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/2010/03/a-dimensao-formal-do-direito.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.culturaebarbarie.org/blog/2010/03/a-dimensao-formal-do-direito.html?referer=');">estes</a> <a href="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2010/03/09/reporteres-no-pelourinho/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/brasiliaeuvi.wordpress.com/2010/03/09/reporteres-no-pelourinho/?referer=');">outros</a> <a href="http://bahiadefato.blogspot.com/2010/03/parecer-de-luis-felipe-de-alencastro-no.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/bahiadefato.blogspot.com/2010/03/parecer-de-luis-felipe-de-alencastro-no.html?referer=');">textos</a> que eu também recomendo, lidos via Google Reader do <a href="https://www.google.com/reader/view/?tab=my#stream/user%2F04786639375024921666%2Fstate%2Fcom.google%2Fbroadcast" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.google.com/reader/view/?tab=my_stream/user_2F04786639375024921666_2Fstate_2Fcom.google_2Fbroadcast&amp;referer=');">Idelber</a>.</p>
<p><strong>UPDATE:</strong> Acabei de ler um post na <a href="http://beauvoriana2.zip.net/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/beauvoriana2.zip.net/?referer=');">Mary W</a> que eu achei fora de série, sobre essa questão das cotas. Perfeito pro pessoal que torce o nariz e diz que as cotas deviam ser apenas sociais, por critério de renda. Vai <a href="http://beauvoriana2.zip.net/arch2010-03-01_2010-03-31.html#2010_03-09_16_55_45-127299368-0" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/beauvoriana2.zip.net/arch2010-03-01_2010-03-31.html_2010_03-09_16_55_45-127299368-0?referer=');">lá</a> ler.</p>
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		<title>Mania de cercadinho</title>
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		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 02:54:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Isso aqui é uma provocação inicial, um teaser, vamos dizer assim.</p>
<p>Eu tenho pensado um bocado sobre esse assunto dos muros de contenção das favelas, no Rio. Tem tantos aspectos que podem ser debatidos, que isso merece um post mais demoradinho, um pouco de pesquisa e leitura, e é isso que eu estou fazendo.</p>
<p>Enquanto isso, vou levantar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isso aqui é uma provocação inicial, um <em>teaser</em>, vamos dizer assim.</p>
<p>Eu tenho pensado um bocado sobre esse assunto dos muros de contenção das favelas, no Rio. Tem tantos aspectos que podem ser debatidos, que isso merece um post mais demoradinho, um pouco de pesquisa e leitura, e é isso que eu estou fazendo.</p>
<p>Enquanto isso, vou levantar só uma lebre, que me incomoda profundamente, e que é um fenômeno que por si só, precisa ser pensado e questionado, e não dado como normal e/ou inevitável: a proliferação de &#8220;cercadinhos&#8221; na nossa vida urbana. Não só no Rio de Janeiro, não. Como tendência geral. Tendência à fragmentação, a criar grupos estanques de pessoas, de coisas. Tendência a reforçar a cisão entre grupos sociais distintos, a criar barreiras, a excluir. Seja com o intuito de enfatizar a exclusividade e o privilégio, como os currais vip dos shows, seja disfarçando com o argumento da  preservação ambiental, como é o caso da atual discussão envolvendo as favelas do Rio, seja escancaradamente alegando medida de segurança, como os muros de Gaza, o <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/04/090410_muro_argentina_rc.shtml" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/04/090410_muro_argentina_rc.shtml?referer=');">muro polêmico e recente entre duas cidades argentinas</a>, os muros da fronteira dos Estados Unidos e do México, e outros que, se ainda não existem, são cada vez mais abertamente defendidos por tanta gente.</p>
<p>Em todos esses casos, eu acredito que, pra começar, há duas coisas em jogo. Uma é a falência cada vez mais evidente da nossa disposição e capacidade para negociar, porque negociar significa em primeiro lugar que você considera o seu interlocutor como igual, como alguém que tem tanto direito a voz quanto você, e por isso, negociar implica em ceder de vez em quando, e nós toleramos cada vez menos perder espaço ou ceder o que quer que seja. Voltarei a esse ponto. A outra coisa é que eu suspeito muito de todo papo que começa a ficar hegemônico a ponto de virar cortina de fumaça. É o que acontece com o tema da segurança, hoje. Independente dos reais riscos que a cidade do Rio (e tantas outras) oferece, das estatísticas da violência, existe um discurso sobre segurança que é preconceituoso, excludente, e encobre as verdadeiras questões e problemas que afligem nossas cidades.</p>
<p>Eu quero desenvolver um tiquinho mais essas idéias. Enquanto isso, convido vocês a darem uma espiada no que o <a href="http://parededemeia.blogspot.com/2009/04/o-muro-do-rio-rios-wall.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/parededemeia.blogspot.com/2009/04/o-muro-do-rio-rios-wall.html?referer=');">Fernando Lara</a> escreveu a respeito. Leiam os comentários, que é onde o debate esquenta. Pensem a respeito, deixa eu tomar aqui um fôlego, e vamos conversar sobre o assunto.</p>
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		<title>Urbanidades</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/03/29/urbanidades/</link>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2009 03:22:37 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Urbanidades]]></category>
		<category><![CDATA[direitos]]></category>
		<category><![CDATA[estudantes]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Eu recebi hoje um e-mail de uma amiga que vem bem a calhar com alguns temas que eu quero discutir aqui.</p>
<p>Ela mora em Sorocaba, com a mãe, uma senhora de mais de 80 anos, em um prédio de apartamentos. Entre seus vizinhos, numa casa próxima, estão alguns rapazes de uma república de estudantes. Ora, os &#8220;meninos&#8221; [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu recebi hoje um e-mail de uma <a title="bloggi" href="http://www.bloggi-gisa.blogspot.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.bloggi-gisa.blogspot.com/?referer=');">amiga</a> que vem bem a calhar com alguns temas que eu quero discutir aqui.</p>
<p>Ela mora em Sorocaba, com a mãe, uma senhora de mais de 80 anos, em um prédio de apartamentos. Entre seus vizinhos, numa casa próxima, estão alguns rapazes de uma república de estudantes. Ora, os &#8220;meninos&#8221; só têm aula à tarde, e então passam a noite em rodadas de jogos e música, dormindo a manhã toda. Ela é professora e tradutora, trabalha muitas vezes em casa, no computador, e precisa acordar cedo pro pão de cada dia. Já viram onde eu quero chegar, certo?</p>
<p>A rapaziada faz uma barulheira que só eles acham que não incomoda ninguém, até duas, três, quatro horas da manhã. Ela (e quem sabe quantas outras pessoas) passa a noite em claro, comprometendo a qualidade do dia seguinte, e ainda tem que ouvir as pessoas dizendo que a solução é se mudar, ou usar tampão de ouvido, ou, como os próprios rapazes sugeriram, tomar um calmante pra dormir. Ah, sim, claro que ela já foi lá, amigavelmente, se apresentou, explicou que entende e tal, e pediu a eles que, por favor, combinassem um horário pra terminar o barulho, além de um nível mais baixo pra altura do som. Não deu certo. Ela passou a ligar pra polícia, que evidentemente tem mais o que fazer. Depois de um bom tempo assim, essa semana ela perdeu a paciência e não só chamou a polícia como foi à delegacia de madrugada, praticamente obrigou o policial a fazer a ocorrência (afinal, esses meninos no fundo são tão bonzinhos, é só fazer uma advertência, tsc tsc tsc) e bateu a campainha da casa deles acompanhada de dois policiais, o que resolveu o problema de dormir naquela noite. A seguir, contatou uma advogada e pretende entrar com um processo contra eles, coletivo ainda por cima, porque nesse meio-tempo arrebanhou o apoio de outros vizinhos do mesmo prédio.</p>
<p>Nossa, como dá trabalho a gente garantir direitos que deveriam ser mais óbvios, frequentes, sei lá, não quero usar a palavra &#8220;naturais&#8221; porque eu sei que não tem nada de natural nisso, é tudo uma construção política e cultural. E recente ainda por cima. Aí, conversando mais um pouco sobre o assunto, ela manda esse mail que resume bem o que eu acho que é a atitude que todos nós deveríamos ter:</p>
<p><em>Uma vez eu fui a um médico em SP e na frente do restaurante ao lado do prédio do consultório tinha uma vaga mas com um caixote colocado no meio para impedir os carros de estacionar.<br />
Eu perguntei se ia ter entrega e o guarda do restaurante disse que não &#8211; eram 2 horas da tarde.<br />
Eu desci do carro, tirei o caixote e estacionei.<br />
O guarda veio me dizer que a vaga era do restaurante.<br />
Respondi que quem tem vaga na rua é farmácia, na frente do restaurante só se tivesse uma placa determinando horário de entrega.<br />
Ele ficou me ameaçando de riscar meu carro, furar o pneu, o diabo a quatro e eu disse que se eu chegasse e tivesse qualquer coisa com meu carro eu chamaria a policia, mas antes peguei o segurança do prédio como testemunha.<br />
O homem ficou possesso mas eu estacionei ali.<br />
É o cúmulo a gente pagar pagar pagar e não ter direitos.<br />
Eu reclamo, chamo policia, vou aos jornais, chamo o rádio e a televisão.<br />
Minha mãe brinca que eu vou ser vereadora, eu não quero ser nada, só quero meus direitos de cidadã respeitados.<br />
Saio para passear o cachorro com sacos de lixo para catar as sujeiras que ele faz.<br />
Não jogo nem bituca de cigarro na rua.<br />
Cuido da minha cidade como cuido da minha casa.<br />
Ah, eu exijo ter meus direitos!<br />
O procom hoje funciona porque as pessoas começaram a botar a boca no trombone.<br />
Se o supermercado não te der o troco direitinho vc reclama e os caras piam fino.</em><em> </em></p>
<p><em>A gente não é menos que ninguém. Nem mais!<br />
</em></p>
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