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	<title>Urbanamente &#187; heróis</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>Cineminha. Ops, cinemão, no caso</title>
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		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2009/03/29/cineminha-ops-cinemao-no-caso/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 29 Mar 2009 03:46:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[Clint Eastwood]]></category>
		<category><![CDATA[heróis]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Fui ver Gran Torino.
E amei.</p>
<p>Eu gosto do Clint Eastwood sem ser exatamente apaixonada por ele. Tenho umas reticências de vez em quando, de conteúdo e de forma, mas desta vez ele construiu uma pequena obra-prima que foi injustamente, ao meu ver, ignorada pelo Oscar. Ele merecia pelo menos estar concorrendo em alguma categoria.</p>
<p>Já há algum tempo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Fui ver <a href="http://www.imdb.com/title/tt1205489/" target="_blank">Gran Torino</a>.<br />
E amei.</p>
<p>Eu gosto do <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000142/" target="_blank">Clint Eastwood </a>sem ser exatamente apaixonada por ele. Tenho umas reticências de vez em quando, de conteúdo e de forma, mas desta vez ele construiu uma pequena obra-prima que foi injustamente, ao meu ver, ignorada pelo Oscar. Ele merecia pelo menos estar concorrendo em alguma categoria.</p>
<p>Já há algum tempo ele tem trilhado um caminho de desconstrução dos mitos americanos. Mas diferentemente do <a href="http://www.imdb.com/name/nm0005222/" target="_blank">Sam Mendes</a>, que faz a crítica grandiloquente da falência do <a href="http://www.imdb.com/title/tt0169547/" target="_blank">modelo suburbano</a> e seu <a href="http://www.imdb.com/title/tt0959337/" target="_blank">way of life</a>, o Clint foca no indivíduo, nos valores imaginários que construíram o herói americano. De uma certa forma, ele tá desconstruindo sua própria carreira e os personagens tipo Dirty Harry que ele já encarnou.</p>
<p>Neste filme, ele cria um personagem grosso, mal-educado, veterano orgulhoso da guerra da Coréia, velho, solitário, racista, ultraconservador, homofóbico, o estereótipo do americano do meio-oeste que despreza e se ressente das mudanças do mundo e do seu bairro, cheio de imigrantes chineses. Ao mesmo tempo, é um personagem encantador, comovente, charmoso, com uns flashes de gentileza e fragilidade, que encarna, ainda que de maneira antiquada e torta, valores como integridade de caráter, hombridade, honra e mérito pelo esforço e pelo trabalho duro.</p>
<div id="attachment_96" class="wp-caption alignnone" style="width: 310px"><a href="http://www.imdb.com/title/tt1205489/mediaindex"><img class="size-medium wp-image-96" title="Clint em cena" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/03/grantorino-300x242.jpg" alt="Clint em cena" width="300" height="242" /></a><p class="wp-caption-text">Clint em cena</p></div>
<p>O cara é dos que acham que podem resolver tudo sozinhos, no melhor esquema <a href="http://www.imdb.com/name/nm0000216/" target="_blank"><em>schwarzenegger</em></a>: Não mexa com a minha vida e com a minha propriedade, que eu bato, arrebento, dou tiro e faço justiça com as próprias mãos, já que o Estado não me garante mais nada e o mundo tá de perna pro alto com essas ganguezinhas aterrorizando geral! Mas até nisso ele fica o tempo inteiro brincando, de maneira amarga, com essa figura, tão cara aos americanos, do <em>self-made hero</em>. Ele fica ali, exatamente no limite, andando na corda bamba, entre encarnar o personagem e, por outro lado, expor a impotência, a inutilidade, a estupidez e até o perigo que esse tipo de atitude representa. E ele brinca com os sentimentos da platéia, que ora se escandaliza com a truculência do sujeito, ora torce por ele, como quem torceria por qualquer herói desses &#8220;deixa que eu resolvo, eu sou fodão&#8221;. Sabe esses personagens que lavam a alma da gente quando dão o troco, varrem a escória da face da terra, ainda que usando de métodos igualmente violentos? Pois é disso que eu tou falando. Ele põe esse personagem do avesso.</p>
<p>O elemento imigrante ali é um toque a mais de reflexão, sobre xenofobia, globalização, a América apresentada como a pátria da diversidade (é engraçado que os personagens que vão aparecendo são polacos, como o próprio Walt Kowalski representado por Eastwood,  irlandeses, italianos), e ao mesmo tempo como ameaçada de perder sua identidade por esse mesmo <em>melting pot.</em> Abre parênteses: os polacos, irlandeses, italianos &#8211; todos europeus &#8211; são os personagens que fazem parte do mesmo grupo social que o protagonista. Os arruaceiros são latinos e chineses. Tudo bem, fecha parênteses. Mas eu acho que esses são aspectos um pouco menores no filme, ainda que não menos importantes.</p>
<p>Enfim, eu gostei muito, me emocionou, me despertou empatia, e tou recomendando. Se alguém for ver, me conta o que achou também?</p>
<p>PS: eu escrevi esse texto por e-mail pra um grupo de amigos, com quem eu sempre troco idéias sobre filmes e <em>otras cositas más</em>. Aí a <a href="http://duasfridas.wordpress.com/" target="_blank">Monix</a>, uma das amigas do grupo, perguntou se eu me importava se ela publicasse no <a href="http://duasfridas.wordpress.com/" target="_blank">Duas Fridas</a>, e eu disse que não, já que eu achava que ainda ia demorar pra botar o Urbanamente no ar. Só que eu fiquei mexendo nisso no fim de semana e o blog ficou pronto, e me deu vontade de estrear minha coluna de cinema com ele. Como ela ainda não tinha publicado, eu &#8220;pedi o texto de volta&#8221; e estou morrendo de vergonha, que coisa tão feia de se fazer! Só me resta agradecer a ela imensamente, pela (usual) elegância, pela compreensão, e pela generosidade em ajudar uma blogueira iniciante a ter o que publicar nos primeiros dias.</p>
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