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	<title>Urbanamente &#187; opiniões</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>O Brasil que eu desejo</title>
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		<pubDate>Sun, 17 Oct 2010 16:14:56 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Eu prometi voltar para dizer dos meus sonhos e desejos em relação ao país. Então vamos lá, com algumas coisas bem básicas. Eu defendo um país:</p>

com menos desigualdades sociais (e eu sei que redistribuir renda significa que alguns setores da sociedade vão precisar abrir mão de parte da sua fatia para que mais gente possa ter [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu prometi voltar para dizer dos meus sonhos e desejos em relação ao país. Então vamos lá, com algumas coisas bem básicas. Eu defendo um país:</p>
<ul>
<li>com menos desigualdades sociais (e eu sei que redistribuir renda significa que alguns setores da sociedade vão precisar abrir mão de parte da sua fatia para que mais gente possa ter acesso a essa renda)</li>
<li>com mais oportunidades para<strong> todos</strong>, em termos de acesso a estudos, saúde, serviços públicos. Isso quer dizer que deveria haver ensino fundamental, médio, técnico-profissionalizante E superior disponível, e que cada um possa escolher livremente o que julga melhor para si, com a certeza de que poderá realizar sua escolha. E não que o andar de cima decida previamente quem tem direito de fazer faculdade e quem está destinado a ser torneiro mecânico.</li>
<li>que consolide as conquistas inegáveis que tivemos até aqui e que seja capaz de avançar, aprofundar, ajustar e mudar o que é necessário, com base em diálogo, ouvindo as demandas dos diversos setores da sociedade e movimentos sociais.</li>
<li>com políticas públicas corajosas, eficientes, socialmente inclusivas e ambientalmente responsáveis nas áreas de infra-estrutura, habitação, saúde e educação.</li>
<li>que elabore e ofereça uma política de segurança pública que não seja meramente repressora e policial, mas que entenda o fenômeno da violência urbana de maneira mais ampla e complexa, passando necessariamente pela atuação mais efetiva do Estado na garantia de acesso aos direitos básicos de cidadania para todos os seus cidadãos.</li>
<li>que facilite a vida dos pequenos empreendedores, que promova as condições necessárias para que as pessoas trabalhem e produzam, atraindo investimentos que gerem riqueza e prosperidade para o maior número possível de pessoas.</li>
<li>que incentive a pesquisa, a indústria, o desenvolvimento para todas as regiões do país, que valorize os profissionais (nos quais, aliás, se investiu tanto dinheiro público em educação e formação) para que eles não tenham que ir buscar posições de trabalho e remuneração fora do país. Que a mobilidade seja uma escolha e não uma falta de alternativa.</li>
<li>em que os mais diversos setores e movimentos sociais sejam tratados como sujeitos, como atores sociais legítimos, a quem se deve ouvir, sim, e não criminalizar <em>a priori</em>.</li>
<li>com uma posição de autonomia, soberania, respeito e solidariedade diante da comunidade internacional, indistintamente. Isso significa uma política externa não automaticamente alinhada com ninguém, que busque a defesa dos nossos interesses, dentro dos limites do respeito, da colaboração e do diálogo diplomático com as outras nações do mundo.</li>
<li>cujos avanços sociais possam ser construídos coletivamente e incorporem valores de fraternidade, justiça, inclusão e sustentabilidade.</li>
<li>que respeite e valorize o patrimônio público, e que utilize os seus frutos prioritariamente em favor do próprio povo, e não do capital privado estrangeiro.</li>
<li>em que a terra &#8211; tanto urbana quanto rural &#8211; seja um bem a que todos tenham acesso, para que o direito constitucional de alimentação e moradia dignas seja cumprido.</li>
<li>que respeite, proteja, acolha e dê condições de igualdade perante a lei, em <strong>todos</strong> os direitos e deveres, a <strong>todos</strong> os seus cidadãos, independente de credo, orientação sexual, cor de pele, idade, origem social ou posicionamento político. Já que eu não sou candidata a nada, como cidadã eu tenho todo o direito de me posicionar e vou fazê-lo para vocês saberem bem com quem estão lidando: sim, eu sou a favor da descriminalização do aborto, do casamento e da adoção legal por parte de casais homossexuais, da criminalização da homofobia, nos mesmos moldes em que é feito hoje com o preconceito racial, a favor das cotas e das políticas de inclusão no acesso ao ensino superior. E no mínimo sou a favor de um debate mais franco, mais técnico e menos hipócrita e emocional com relação à descriminalização da maconha também. A diferença é que estas são <strong>minhas posições pessoais</strong> e eu não tenho a menor intenção de ter poderes para<strong> impor nada disso</strong> como lei, nem muito menos como forma de pensar a ninguém. Tenho vontade de que possamos debater exaustivamente esses temas, como sociedade plural, do ponto de vista jurídico, social, civil (não religioso), e que adotemos posições negociadas em cada caso (que eu posso e devo acatar, ainda que continue discordando e lutando, pelos meios constitucionais, para mudar). E que, partindo do pressuposto que a sociedade é mutante (veja o divórcio: 40 anos atrás, era visto de um jeito, hoje é visto de outro), sou a favor de que esses debates não cristalizem posições, mas que sejamos capazes de voltar a eles sempre que necessário, numa reflexão permanente. Que as convicções religiosas das pessoas sejam respeitadas no sentido de que <strong>ninguém seja obrigado a fazer, sentir ou pensar de forma contrária às suas crenças</strong>, mas que<strong> os direitos dos que não partilham as mesmas crenças sejam igualmente respeitados e garantidos por um Estado laico</strong>, não pautado por preconceitos, dogmas, doutrinas ou fé religiosa, qualquer que seja ela.</li>
<li>voltando. Eu defendo um país no qual o Estado não se omita e não se acovarde diante dessa entidade abstrata chamada &#8220;mercado&#8221;, e assuma a sua parte nos setores mais estratégicos da economia e do provimento de serviços básicos, de maneira a garantir o acesso a esses serviços a todos e não só aos que podem pagar por eles.</li>
<li>em que a informação possa circular de maneira plural e democrática, sendo produzida e consumida pelo conjunto da sociedade, em suas variadas manifestações culturais e ideológicas, e não controlada arrogantemente por um grupo reduzido que se apresenta não só como proprietário da verdade mas como &#8220;intocável&#8221;, em nome de uma suposta de liberdade de imprensa que só serve para eles mesmos.</li>
</ul>
<p>(Abre um parênteses aqui: esse tempo em que um grupo de iluminados ou privilegiados &#8211; seja economica ou intelectualmente -  formava/moldava a opinião, produzia o pensamento, partindo do suposto de que a grande massa não sabe pensar, não tem condições de decidir por eles mesmos, não existe mais. Ops. Acho que eu tenho que reescrever isso, porque o bombardeio atual é de tal ordem que está surtindo alguns efeitos, sim. Mas não mais maciçamente como em tempos atrás. Em tempos de internet &#8211; twitter, facebook, youtube, etc todos nós formamos e produzimos opinião. Todos nós SOMOS a opinião e temos <strong>poder e responsabilidade</strong> pela circulação destas notícias e opiniões. Fecha parênteses)</p>
<ul>
<li>por fim, eu quero um país em que todos nós possamos falar o que pensamos, criticar, sugerir, denunciar, sem medo de que nos cassem a palavra ou nos cortem a cabeça e o emprego por isso, como o Estadão fez com a colunista Maria Rita Kehl.</li>
</ul>
<p>Claro que dá pra pensar muito mais do que isso, cada um de vocês acrescente aqui o que desejar, ou faça suas objeções, mas só com estes itens que estão aí eu já concluo que NENHUM dos dois candidatos pode me assegurar que TUDO ISSO será alcançado em sua gestão.</p>
<p>ENTRETANTO &#8211; e aqui é que a porca torce o rabo &#8211; as propostas, programas e experiências de vida de ambos sinalizam e me permitem supor que há um candidato que eu tenho certeza que se afasta deste projeto, não importa o que ele esteja dizendo no momento. E uma candidata que eu acredito que pode pavimentar mais um pouco dessa estrada. Não tudo, e não sem erros ou concessões que eu sei que vou lamentar, mas trilhando, de forma geral, nesse rumo. É nela que eu continuo votando, apesar de tudo e por causa de tudo.</p>
<p>Eu tenho visto pouco os programas eleitorais na tv e no rádio. Estava conversando com meu sobrinho nesse momento, e ele estava argumentando, com razão, que o que realmente &#8220;pega&#8221; para as pessoas é um apelo mais conciso e emocional. Eu disse a ele que eu não sei fazer isso, eu fico achando que eu vou convencer as pessoas racionalmente, que eu vou fazer elas pensarem, que a solução é o debate democrático. Eu estou toda errada, mas é o que eu sei fazer.</p>
<p>No pouco de programa que eu assisto, eu tenho vontade de rir de nervoso de vez em quando. Durante oito anos, o Bolsa Família foi um programa renegado pelo PSDB, foi taxado de bolsa esmola (o Serra e a mulher dele e vários assessores se referiram assim ao programa em palestras e encontros durante o primeiro turno). Agora todo mundo quer ser o pai da criança. A maioria das pessoas que eu conheço que prefere o Serra à Dilma passou os últimos oito anos descendo o cacete no Bolsa Família, dizendo que isso alimenta vagabundo, que o certo era dar emprego, que o cara não quer mais trabalhar pra ficar em casa mamando nas tetas do Estado. Agora, de repente, o Bolsa Família virou carro-chefe da campanha do Serra, que promete não só aumentar o valor e estender o benefício, como promete até 13o. &#8220;salário&#8221;. Como assim? Os eleitores do Serra também mudaram de opinião a respeito?</p>
<p>Só pelos programas de tv, a impressão que dá é que as propostas são mais ou menos as mesmas. Ambos falam em agricultura familiar, em investimento em saneamento e infra-estrutura, em educação de base e escolas técnicas, em desenvolvimento para todo o Brasil. Isso alimenta o argumento do tanto faz, tanto fez, é tudo a mesma m&#8230; Só que esse argumento não se sustenta diante de uma análise com um tiquinho mais de memória e boa vontade.</p>
<p>Nós estamos diante de dois modelos diferentes de pensar, administrar e conduzir o país a esse patamar que todo mundo promete. Acredito que, em sã consciência, todo mundo defende, minimamente, que o país possa oferecer condições de trabalho, moradia, segurança, educação e saúde para todos os seus habitantes. O que quase ninguém se pergunta é como conseguir isso. E o que quase todo mundo no fundo quer é que se consiga nisso sem mexer no seu próprio bolso e na sua posição. Se bem que tem bastante gente que olha com ressentimento para o fato de que os mais pobres agora andem de avião ou frequentem o mesmo supermercado e tenham a mesma televisão de plasma que eles. Que absurdo o pobre morar num barraco e querer ter tv de plasma (!!!).</p>
<p>Esses dois modelos diferentes têm consequências e rebatimentos na vida de todos nós: eles nos afetam, afetam nossos empregos, as relações sociais constituídas, afetam a estrutura social e econômica nacional, não apenas durante os quatro anos de mandato, mas deixando frutos e resultados, para o bem ou para o mal. Se o Serra ganhar (toc, toc, toc), eu sobreviverei. Minhas chances de bolsa no doutorado (supondo que eu passe) diminuirão, e minha perspectiva de fazer concurso público para alguma universidade federal num horizonte mais próximo também diminuirá muito (tomando como parâmetro o que foi a administração do PSDB no governo FHC e nos governos estaduais). Eu moro em casa própria, meus filhos estão praticamente encaminhados, um na faculdade e outro quase lá, a gente se vira. Mas muita, muita gente será devolvida a um estado de pouca esperança, a um estado de pouca ou nenhuma dignidade. E eu não quero isso.</p>
<p>É nisso que eu acredito e é por isso que eu luto, dentro das minhas possibilidades, com meus erros e limitações. Idealista? Sonhadora? Talvez. Mas se eu não tiver um ideal para iluminar e nortear o meu caminho, que sentido tem passar pelos perrengues que a gente passa na vida? Essa sou eu. Quem é você?</p>
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		<title>Sobre o debate e o programa de ontem</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Oct 2010 17:21:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[habitação]]></category>
		<category><![CDATA[opiniões]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Eu não vi o debate na Band, domingo à noite. Também me divirto de vez em quando e fui a um show de rock com meu filho. É justo, pô. Mas li avidamente vários comentários ontem de manhã, em blogs, sites de notícias e capas dos principais jornais. Nos blogs, procurei ler não apenas o post, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não vi o debate na Band, domingo à noite. Também me divirto de vez em quando e fui a um show de rock com meu filho. É justo, pô. Mas li avidamente vários comentários ontem de manhã, em blogs, sites de notícias e capas dos principais jornais. Nos blogs, procurei ler não apenas o post, mas a caixa de comentários, para sentir &#8220;o clima&#8221;.</p>
<p>Primeiro tive a impressão de que devia ter sido dura a peleja. De acordo com quem narrava, e com a simpatia do comentarista, parecia ora que a Dilma tinha se saído bem, ora que o Serra tinha se saído melhor. Depois, gradativamente, minha percepção foi se alterando, principalmente em função de três coisas:</p>
<p>1) A maioria dos que defendiam a superioridade de Dilma nos debates citava explicitamente frases, posicionamentos, linkava vídeos do youtube para ilustrar o que estava dizendo, enfim, trabalhavam com fatos, palavras e imagens. Enquanto isso, os que achavam que o Serra tinha &#8220;acabado com a Dilma&#8221; baseavam sua impressão em bravatas, em repetição de ódios contra a candidata, de cunho especialmente sexista (ela foi agressiva demais, ressuscitou a guerrilheira, essas coisas. Por que será que só homem pode falar duro e firme sem ser agressivo?), e só fazia repetir que o Serra tinha mantido a calma o tempo todo, como mostra de superioridade. Não mencionaram uma frase específica, um número sequer.</p>
<p>2) O próprio jornal O Globo preferiu colocar as coisas em termos de &#8220;empate&#8221;, dizendo que o debate tinha ficado no nível da acusação mútua, o que era ruim para ambos os lados. Mentiu ao dizer que os candidatos fugiram da discussão de programas (os vídeos que eu vi mostram a Dilma claramente explicando o Minha Casa Minha Vida, só pra dar um exemplo). E foi de uma má-fé vergonhosa (eu nem me surpreendo mais) ao dizer que a Dilma fez referência à mulher do Serra por ela ter, <em>supostamente</em>, espalhado boatos a seu respeito. Oras, tenha paciência, a D. Mônica falou, com todas as letras, diante de um monte de gente em Nova Iguaçu, que a Dilma era a favor de matar criancinhas. Nestes termos. Não me venha com &#8220;supostamente&#8221;. A Globo adora essa expressão: &#8220;supostamente&#8221;. Com isso, ela acha que tira o dela da reta. Ah, sim, o jornal também colocou na primeira página da sua versão online uma cara triste do Serra, dizendo que era &#8220;vergonhoso&#8221; e &#8220;baixaria&#8221; que o PT tivesse envolvido sua família na discussão. Hein?</p>
<p>3) Por fim, eu assisti aos programas de tv dos candidatos ontem. No programa da tarde, o Serra não fez nem sequer menção ao debate. Eu creio que se ele ou seus assessores tivessem achado que ele tinha ido tão bem assim, teriam explorado isso. Já o programa da petista foi mais da metade com trechos do debate, mostrando de que maneira ela tinha se posicionado em temas que andaram na boca e nas dúvidas do povo desde o primeiro turno. Além disso, mostrou coisas importantes sobre o apoio parlamentar, que as pessoas precisam entender que é fundamental para um governo conseguir cumprir sua agenda. De noite, ela repetiu o programa, e o Serra correu para tentar mostrar a sua própria versão do debate.</p>
<p>Juntando tudo isso com a repercussão que eu tenho visto nas redes sociais, acho que esse <em>round</em> foi nosso.</p>
<p>Agora, posso fazer mais uns comentariozinhos sobre coisas que me chamaram a atenção no programa do Serra?</p>
<ul>
<li>Eu não sei onde ele quer chegar batendo na tecla da necessidade de investimento em educação, dizendo que &#8220;um país só cresce investindo pesado em educação&#8221;, que é preciso &#8220;pensar grande em educação&#8221; e que propõe uma &#8220;mobilização nacional pelo ensino público&#8221;. Ele acha que a memória da gente é curta demais ou o quê? Durante a gestão FHC as universidades federais por pouco não foram privatizadas também. Foram sucateadas, abandonadas, e seus professores e pesquisadores tratados da pior forma possível. 8 anos sem concursos, sem investimentos nem na manutenção dos prédios que dirá nas linhas de pesquisa, e sem reajuste salarial ou nas bolsas. O mesmo com as escolas técnicas federais e com o Colégio Pedro II, aqui no Rio. Enquanto isso, no governo Lula, foram <a href="http://ilustrebob.com.br/wp-content/uploads/2010/10/Colocando-na-balan%C3%A7a-low-res.jpg" target="_blank">14 novas universidades federais,</a> 400 novas escolas técnicas federais (em TODO o país, e não só concentradas no eixo Sul Maravilha, talvez por isso a classe média privilegiada dessa região não perceba isso e ache esquisito que o Nordeste em peso vote na candidata do governo). Sem falar nos programas de ampliação do acesso à universidade como ProUni. Se alguém me perguntar sobre a &#8220;educação de base&#8221;, se referindo ao Ensino Fundamental, eu lembro que, constitucionalmente, essa é uma obrigação prioritária dos governos estadual e municipal. O que não impede que excelentes Colégios de Aplicação, ligados às universidades federais, estejam entre os melhores do país, em qualquer avaliação que se faça. Já consultou os rankings das revistas semanais e os resultados do ENEM? Vê lá se o CAP-UFRJ não está sempre &#8220;nas cabeças&#8221;?</li>
<li>Quando o Serra bate na tecla do respeito ao meio ambiente, eu acho a maior graça. Mas disso eu vou falar daqui a pouco.</li>
<li>Quando ele apela ao desencanto dos jovens com a quantidade de denúncias de corrupção, prometendo então fazer diferente, eu só não dou risada porque fico indignada demais, antes de tudo. Como se ele fosse fazer diferente. Como se o governo, o partido e a história que ele representa fossem garantias da probidade e decência que ele alega representar. Pelamor, vou lembrar só alguns escândalos do governo FHC (as descrições mais detalhadas estavam num link que eu pretendia colocar aqui, mas que acabo de descobrir que foi retirado da rede. De toda forma, é um texto intitulado <strong>&#8220;Os 45 escândalos do governo de FHC&#8221;</strong>, publicado em 04/04/2010, no site http://quemtemmedodolula.wordpress.com, e eu salvei o texto no meu GReader, então quem quiser a íntegra, me escreve ou pede aí nos comentários que eu mando por e-mail). <strong>UPDATE: </strong>o André, no facebook, me encaminhou este link <a href="http://dilmapresidente.wordpress.com/2010/02/08/45-escandalos-que-marcaram-o-governo-fhc/" target="_blank">aqui</a>, onde o texto permanece e está à disposição). Continuando: teve o SIVAM, o PROER, o financiamento, com dinheiro público, das privatizações (o governo brasileiro, via BNDES, <strong>emprestou dinheiro</strong> para que <strong>empresas privadas estrangeiras comprassem patrimônio público nacional</strong>. Entendeu?), teve o &#8220;golpe&#8221; (se o Lula tivesse feito isso, duvido que não seria taxado de golpe) da emenda da reeleição (pros mais jovens: quando o FHC foi eleito, o mandato presidencial era de 5 anos, sem reeleição. A consituição previa que alterações só poderiam ser feitas com validade para o mandato seguinte. O FHC comprou votos adoidado pra fazer passar uma emenda, aos 45 do segundo tempo, quase no final do primeiro mandato dele, para que o mandato fosse reduzido para 4 anos com direito a reeleição, valendo já para ele. Depois, passaram o segundo mandato todinho do Lula acusando o presidente de querer forçar o terceiro mandato. Eu dou o que quiserem se alguém me mostrar UM vídeo do Lula em que ele defenda essa hipótese). Mais: teve os rombos na SUDAM e SUDENE, que acabaram com a extinção desses órgãos, o &#8220;socorro&#8221; do governo para tentar evitar a falência dos bancos Marka/FonteCindam, que resultou no Salvatore Cacciola livre, leve e solto na Itália após habeas corpus (<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Salvatore_Cacciola#O_esc.C3.A2ndalo_do_Banco_Marka" target="_blank">o cara só foi preso pela Polícia Federal Brasileira em 2008</a>), desmandos e desorganização na condução da epidemia de dengue que abalou o Rio de Janeiro em 2001/2002, com uma condução desastrada do Serra à frente do Ministério da Saúde, o apagão e racionamento de energia (postos na conta dos usuários residenciais, claro, esses gastadores perdulários de eletricidade), e o engavetamento geral de todas as denúncias, com o enfraquecimento do Ministério Público, que hoje atua com muito mais autonomia, poder e liberdade.</li>
<li>Por fim, prestem enorme atenção no discurso e nas palavras mais usadas por Serra. Governo das &#8220;pessoas de bem&#8221;. alguém me explica o que é isso, por favor, porque aos meus ouvidos soa elitista, preconceituoso e horrendo demais. O que é ser &#8220;uma pessoa de bem&#8221;? Quem define se a pessoa é &#8220;de bem&#8221; ou não é? Se eu discordar dele eu sou uma pessoa &#8220;do mal&#8221;? O que é, como eu tenho visto ele falar muito recentemente, governar &#8220;acima de todos os partidos&#8221;?  Ele ignora as regras de condução democrática que envolvem a negociação, o debate e a votação dos temas e propostas no Congresso? Palavras, palavras, palavras&#8230;</li>
</ul>
<p>Agora, espera aí que eu vou almoçar e dar almoço pros meninos, depois eu volto, que tem mais umas coisinhas escritas aqui, prontinhas pra serem partilhadas com vocês. Me perdoem por não ter dado mais links. Essa é a parte mais demorada de escrever o post, juro.</p>
<p><strong>PS especial para meus colegas arquitetos e urbanistas e todos os alunos de arquitetura:</strong> vocês viram o debate? Viram isso <a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/a-politica-habitacional-do-puxadinho" target="_blank">aqui</a>? O que é uma <a href="http://www.youtube.com/watch?v=MLdRON_S340" target="_blank"><strong>política habitacional de &#8220;puxadinhos&#8221;</strong></a>? Me belisca, que eu não acredito que ele disse isso. Pausa para o suspiro: pior que acredito&#8230;</p>
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		<title>Falta pouco: declaração de voto</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/09/29/falta-pouco-declaracao-de-voto/</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Sep 2010 02:32:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Antes de mais nada, algumas pessoas me avisaram que o blog andou fora do ar. Eu vi, desde sábado pelo menos. Problemas no provedor, já resolvidos. Eu fiquei aflita porque estava com intenção de postar isso aqui no fim de semana, mas antes tarde do que mais tarde.</p>
<p>Não creio que a essa altura do campeonato meu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Antes de mais nada, algumas pessoas me avisaram que o blog andou fora do ar. Eu vi, desde sábado pelo menos. Problemas no provedor, já resolvidos. Eu fiquei aflita porque estava com intenção de postar isso aqui no fim de semana, mas antes tarde do que mais tarde.</p>
<p>Não creio que a essa altura do campeonato meu voto para presidente seja mistério pra ninguém. Ainda assim, resolvi declará-lo abertamente, e o faço em parte por conta de uma discussão que ia começando em sala de aula poucas semanas atrás. Estávamos discutindo um texto sobre espaços livres públicos, e a conversa foi ficando boa e ampla, os alunos participando, o assunto tomou outros rumos, acabamos falando de transporte, de investimentos públicos, eu dei um exemplo usando o jornal O Globo, e um aluno, guiado provavelmente pelo tom com que eu me referi ao jornal e pelo conteúdo das minhas ponderações, perguntou, um tanto surpreso, quase alarmado:</p>
<p>- Professora, a senhora não vai votar na Marina, não é?<br />
Eu, sorrindo, mas sem me alongar: não.<br />
A cara de incrédulo, a entonação mais aguda na voz: &#8211; A senhora vai votar no Serra?<br />
Minha cara de repúdio absoluto: nem morta!</p>
<p>Fica um clima meio estranho na sala, uns segundos antes que alguém se arriscasse:<br />
- Mas então em quem que a senhora vai votar?</p>
<p>Eu juro que não entendi a pergunta. Como se houvesse muitas outras possibilidades. Como eles não podiam considerar como factível que eu fosse votar na Dilma? Resolvi testar:<br />
- Bom, sempre tem o Plínio.</p>
<p>Para meu espanto absoluto, eles não tinham a menor ideia de quem fosse. Nunca tinham ouvido falar. Isso me entristece. Que os alunos, estudantes universitários de uma das maiores universidades públicas no país, não acompanhem minimamente a campanha, não tenham visto (ou lido sobre) um só debate. Achei por bem acabar o suspense, e admiti que votarei na Dilma.</p>
<p>Eu não esperava a reação, e fiquei pensando sobre ela depois. Muita gente fez cara de desagrado, de decepção, de &#8220;como assim&#8221;? Considerei que, ali no meio da aula, não era nem o local nem o momento mais apropriado para fazer campanha partidária. Reiterei que sim, voto na Dilma, sem relutância e com convicção, mas que não falaria sobre isso em sala de aula. Se alguém quisesse saber o porquê do meu voto, poderia me procurar depois, no intervalo, no corredor, ou vir aqui no blog, e eu teria prazer em conversar a respeito.</p>
<p>Esse post tem outros destinatários. Nessa reta final, eu (e a torcida do flamengo) tenho recebido diariamente e-mails que são verdadeiros spams, quase sempre intitulados VAMOS REPASSAR! AINDA DÁ TEMPO! com textos ora insultuosos, ora difamatórios, ora ameaçadores, sobre a possibilidade da Dilma ganhar as eleições. São textos supostamente assinados por Jabor, por Bolsonaro, por articulistas variados da Veja. Todos se referem ao &#8220;passado guerrilheiro&#8221; da candidata, e mais recentemente, aos escândalos de corrupção denunciados a toque de caixa como estratégia de &#8220;vamos partir para o tudo ou nada&#8221;. Quem me manda esses e-mails são colegas, outros alunos, gente conhecida. Nunca me dei ao trabalho de responder, apago e pronto, num clima cada um com seu cada qual. Mas desta última vez, resolvi colocar o pescoço pra fora e dar o meu recado. Já que cada um pode se manifestar livremente no ambiente democrático, e já que não me envergonho em nada do meu voto, dei a seguinte resposta:</p>
<p><em>&#8220;Com o meu mais sincero e respeitoso abraço a todos, defendendo a pluralidade democrática acima de tudo e reiterando que nossa amizade não será interrompida por divergências políticas, mas já que tanta gente se dá ao trabalho de mandar e-mails descendo o cacete na Dilma, no Lula e no PT, quero deixar claro que votarei na Dilma este ano. Com orgulho, com convicção e com esperança, mas não com ilusões imaturas.</em></p>
<p><em>Eu, que nasci em 1965, devo dizer a vocês que se tivesse nascido 10 anos antes, muito provavelmente teria participado da luta armada contra a ditadura militar. Foram tempos pavorosos, e a brutalidade do Estado &#8211; institucional, oficial, aparelhada até os dentes &#8211; não se compara à violência com que tantos jovens reagiram. Matar gente por ideais políticos não é nada bonito, mas o Bolsonaro tentar comparar a quantidade de gente que foi assassinada pelas organizações de esquerda com a quantidade de vidas e famílias que foram arruinadas nos porões militares, torturadas, mutiladas, ou simplesmente desapareceram é ridículo.</em></p>
<p><em>Acenar com o passado guerrilheiro da Dilma pra tentar mobilizar o meu voto pelo medo é tão infantil, tão imbecil, que quase dá dó, se não desse nojo. As pessoas amadurecem (algumas, pelo menos), aprendem, modificam. Se vocês soubessem a quantidade de coisas que eu já defendi na vida, publicamente, e que penso diferente hoje&#8230; Quer votar no Serra, na Marina, ou não votar, com base em ideias, em plataforma, em projeto para o país, em programa, ótimo, é um direito inalienável, que eu respeito. E garanto que o Bolsonaro não tem nada a ver com esse direito, que provavelmente não existiria se dependesse dele. Agora, deixar de votar em alguém por conta desse tipo de argumento é desrespeitar sua capacidade de raciocinar e decidir as coisas por conta própria&#8221;.</em></p>
<p>Se alguém estiver interessado em saber por que eu votarei na Dilma, as explicações estão aqui:</p>
<p><a href="http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/folha-a-mentira-na-primeira-pagina" target="_blank">http://www.advivo.com.br/blog/luisnassif/folha-a-mentira-na-primeira-pagina</a><a href="http://www.viomundo.com.br/opiniao-do-blog/quando-a-ascensao-social-causa-medo-e-perplexidade.html" target="_blank"><br />
</a> <a href="http://scienceblogs.com.br/brontossauros/2010/08/declaracao_de_voto.php" target="_blank">http://scienceblogs.com.br/brontossauros/2010/08/declaracao_de_voto.php</a><br />
<a href="http://www.amalgama.blog.br/08/2010/por-que-votarei-em-dilma-rousseff/" target="_blank">http://www.amalgama.blog.br/08/2010/por-que-votarei-em-dilma-rousseff/</a></p>
<p>E o meu preferido:<br />
<a href="http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6727" target="_blank">http://napraticaateoriaeoutra.org/?p=6727</a></p>
<p>E sobre a relação Dilma/ditadura, eu peço a vocês, por favor, pra lerem isto com atenção:</p>
<p><a href="http://godotnaovira.wordpress.com/2010/09/13/eis-a-ocasiao/" target="_blank">http://godotnaovira.wordpress.com/2010/09/13/eis-a-ocasiao/</a><br />
<a href="http://www.culturaebarbarie.org/mundoabrigo/2010/09/de-volta-sobre-o-espiao-de-dil.html" target="_blank">http://www.culturaebarbarie.org/mundoabrigo/2010/09/de-volta-sobre-o-espiao-de-dil.html</a></p>
<p>Então é isso. Eu devia escrever a justificativa do meu voto com minhas próprias palavras, mas eu ia repetir a maioria desses argumentos que estão expostos aí, então é mais fácil e rápido assim. Eu estou apostando num país que siga o rumo das mudanças que foram implementadas nos últimos 8 anos: que mais gente tenha acesso à educação, que nosso patrimônio não seja dilapidado em operações privatizantes escusas, que as transformações em habitação, infra-estrutura e urbanização sejam ampliadas de maneira a incluir mais gente, que hoje ainda está de fora dos programas de crédito. Espero também vencer essa eleição domingo agora, em primeiro turno, porque a baba de ódio e rancor destilada pela oposição está fazendo dessa campanha uma das mais sórdidas que eu já acompanhei, e eu temo pela escalada de terror e pela pregação do golpe, que eu às vezes juro que vejo em curso. Se há uma coisa que eu tenho aprendido é que é possível ser adversário, é possível discordar MUITO e ainda assim agir com dignidade, manter a divergência no campo da discussão das ideias. E não é isso que está acontecendo. Eu torço pelo surgimento de uma oposição mais madura, que tenha um projeto concreto para o país, a contrapor ao projeto do PT, seja ele mais à esquerda ou mais à direita, porque isso é importante até para balizar e confrontar as escolhas do próprio governo.</p>
<p>Se houver algum aluno lendo isso (e vale pros amigos que chegarem aqui também), fica aí a defesa da minha posição, conforme prometido. Não se esqueçam de levar o título E o documento de identidade.</p>
<p>Li um livro esses dias&#8230; melhor dizendo, devorei o livro em duas madrugadas e selecionei montes de pedaços para escrever aqui. Chama-se <a href="http://oinstituto.org.br/p2p/?p=52" target="_blank">&#8220;Guia afetivo da periferia&#8221;</a>, de Marcus Vinicius Faustini, editora Aeroplano, patrocínio do Programa Petrobrás Cultural. Se alguém esbarrar com ele por aí, pode comprar sem susto: é bom demais. Li essa resenha <a href="http://www.overmundo.com.br/overblog/guia-afetivo-da-periferia-todos-somos-centros-1" target="_blank">aqui </a>e gostei muito, de fato a leitura propõe uma nova reflexão sobre centralidades e periferias. Post novo em breve.</p>
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		<title>Verás que um filho teu não foge à luta*</title>
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		<pubDate>Fri, 20 Aug 2010 22:47:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu pensei, de verdade, que durante as férias eu ia conseguir voltar a escrever com calma e mais regularidade. Vejo que subestimei o tamanho do meu cansaço. Eu estava realmente exausta, e bateu aquele vazio, aquela vontade de só dormir e mais nada. Acho mesmo que não cheguei a descansar tudo o que precisava, e diariamente me sinto atropelada pelo ritmo do novo semestre que já começou com toda a corda, enquanto eu ainda me sinto zonza, com sono e com mais de 5 semanas de trabalho atrasado. Eu vejo o futuro repetir o passado e o tempo não pára. Ticking away the moments that make up a dull day&#8230; waiting for someone or something to show you the way. Cara, eu preciso sacudir a cabeça, espanar a letargia e me mexer.</p>
<p>Nesse tempo em que eu estive parada, pelo menos algumas coisas boas aconteceram, e uma das melhores, sem dúvida, foi a volta do<a href="http://www.idelberavelar.com/" target="_blank"> Idelber </a>e seu <a href="http://www.idelberavelar.com/" target="_blank"><strong>Biscoito Fino</strong></a>, que podemos voltar a degustar diariamente. Corre lá que tem <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/jose_serra_e_seu_descompasso_com_o_mundo.php" target="_blank">muita</a> <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/sobre_o_conflito_colombiano.php" target="_blank">coisa</a> <a href="http://www.idelberavelar.com/archives/2010/08/autocritica_do_dunguismo_de_esquerda.php" target="_blank">ótima</a>.</p>
<p>Outro fato que me surpreendeu também foi a repercussão <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/07/12/posso-falar-um-pouquinho-sobre-gramatica/" target="_blank">deste post</a> sobre gramática, tema que nem é central no blog, mas que foi alvo de um desabafo meu enquanto corrigia provas dois meses atrás, e que rendeu boas conversas e um debate interessante na <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/07/12/posso-falar-um-pouquinho-sobre-gramatica/#comments" target="_blank">caixa de comentários</a>.</p>
<p>Quero voltar a falar dos assuntos parados. Ouvi uma observação um tempo atrás que está correta, e cuja constatação me causa incômodo: eu tenho o mau hábito de iniciar (e anunciar) séries que depois não levo adiante, gerando expectativas e causando alguma frustração nos que gostariam de acompanhar o desenrolar do assunto. As cidades muçulmanas foram as últimas vítimas. Mas vou retomar (eu já ia completando com um &#8220;prometo&#8221;, mas achei melhor não. Minhas promessas bloguísticas não estão valendo muito na praça). Pra ir reesquentando os motores, eu dou uma sugestão de filme: <a href="http://www.adorocinema.com/filmes/o-que-resta-do-tempo/#ficha-tecnica" target="_blank"><strong>O que resta do tempo</strong></a> (<a href="http://www.imdb.com/title/tt1037163/" target="_blank">The time that remains</a>), de Elia Suleiman. Aqui no Rio acho que já saiu de cartaz, mas a gente pode colocar na lista de espera para o dvd. O filme trança a vida do próprio diretor, recuperada através dos diários do pai e de cartas da mãe, com a história de ocupação da Palestina pelo governo israelense nos últimos 60 anos. Só não concordo, no título da <a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/04/29/e29049133.asp" target="_blank">resenha do jornal</a>, com chamar de &#8220;conflito&#8221; uma guerra cruel que já se tornou um verdadeiro massacre.</p>
<p>Além das cidades muçulmanas eu estou devendo falar mais sobre algumas impressões de viagem, no que diz respeito à análise de espaços públicos e projetos urbanos. Enquanto isso, algumas coisas:</p>
<p>- No<a href="http://www.bb.com.br/portalbb/home22,128,10151,0,0,1,1.bb?codigoMenu=9887" target="_blank"> Centro Cultural do Banco do Brasil</a> aqui no Rio, está em cartaz uma belíssima<a href="http://www.bb.com.br/portalbb/page511,128,10154,1,0,1,1.bb?dtInicio=8/2010&amp;codigoEvento=3535" target="_blank"> exposição</a> sobre a viagem capitaneada pelo alemão <strong>Langsdorff</strong> ao interior do Brasil entre 1821 e 1829. Eu acho fascinante que a gente tenha descoberto tanto do nosso país através dos olhos de tantos estrangeiros que por aqui estiveram, que pintaram as paisagens, as cenas urbanas,  retrataram índios, negros, portugueses, mestiços, recolheram espécimes de plantas e bichos, relataram em seus diários os hábitos, os eventos, as aventuras que viveram. Além das aquarelas bem ao gosto do Enciclopedismo típico da época, há mapas e plantas de cidades, e um texto cuidadoso que fala das circunstâncias da expedição e seus personagens &#8211; Rugendas, Taunay, Florence. Até 26 de setembro, entrada franca.</p>
<p>- Outra exposição que estou louca para ver, mas ainda não entrou em cartaz é <a href="http://mapasinvisiveis.wordpress.com/2010/08/11/a-cidade-e-sua-escrita/" target="_blank"><strong>Mapas invisíveis</strong></a>, que vai estrear na Caixa Cultural (prédio da Caixa Econômica do Rio, no Centro, próximo ao Largo da Carioca) no dia 08 de novembro. Neste <a href="http://mapasinvisiveis.wordpress.com/" target="_blank">link</a> você pode ver em que consiste a proposta, os artistas que participarão, e acompanhar as discussões a respeito.</p>
<p>- No próximo post eu quero comentar a palestra que assisti na UFRJ há poucas semanas, com o <a href="http://parededemeia.blogspot.com/" target="_blank">Fernando Lara</a>, com o instigante título de <strong>&#8220;O cimento feroz: considerações sobre Arquiteturas Contemporâneas da América Latina&#8221;</strong>. Fiz diversas anotações, e alguns aspectos do que ele disse me chamaram muito a atenção, quero dividir com vocês.</p>
<p>- Por fim, um assunto que tanta gente evita, mas que eu acho necessário trazer pra frente da discussão: as nossas próximas eleições. Quem me acompanha aqui ou no <a href="https://www.google.com/reader/view/?tab=my#overview-page" target="_blank">GReader</a>, pelos links que partilho, sabe o que penso e as ideias que defendo. O que isso tem a ver com a cidade e com os temas urbanos que procuramos discutir aqui? TUDO. Vocês já se deram conta de que o mesmo termo grego que designa a cidade &#8211; POLIS &#8211; está na raiz da palavra POLÍTICA? Em que pesem as diferenças históricas e conceituais entre a democracia grega e a democracia contemporânea, a política continua sendo essencialmente a expressão da nossa participação na vida da cidade (ou do país, do mundo) em que vivemos. Todas as nossas ações e decisões nesse sentido são políticas, mesmo &#8211; e especialmente danosas &#8211; as de não participar (ou achar que não está participando do processo ao dar as costas).</p>
<p>Eu prezo acima de tudo a pluralidade democrática, que nos permite fazer nossas escolhas e manifestá-las livremente. Sobre isso, vou contar uma coisa. Estava em sala de aula esta semana, falando sobre plano diretor e as modificações trazidas pela <a href="http://www.pge.sp.gov.br/centrodeestudos/bibliotecavirtual/dh/volume%20i/constituicao%20federal.htm" target="_blank">Constituição de 1988</a>, em seus artigos 182 e 183, que tratam da política de desenvolvimento urbano e enfatizam a função social da propriedade (artigos regulamentados em 2001 pelo <a href="www.ibam.org.br/publique/media/Cidade.pdf" target="_blank">Estatuto da Cidade</a> &#8211; link em pdf), quando me dei conta de que estavam todos me olhando como se eu falasse do século passado (e pior que eu falava mesmo!). Perguntei e não deu outra: ninguém ali tinha nascido antes disso. Uau!  Em 1988 eu era uma pirralha recém-formada em Comunicação Social, morando no interior do Tocantins, trabalhando como jornalista (péssima jornalista, diga-se, sem nenhuma paixão pela profissão, tanto que larguei), engajada na minha primeira eleição para presidente da República (Collor x Lula, 1989). A maioria dos meus alunos passou a infância na década de 90, enquanto eu tinha filhos e fazia minha segunda faculdade.</p>
<p>Há entre vários desses jovens uma crença disseminada de que não vale a pena se interessar ou participar do processo político porque  os políticos são todos corruptos, ninguém presta, o jogo é sujo e portanto tanto faz, melhor não votar, anular para mostrar minha insatisfação &#8220;com tudo isso que está aí&#8221;. Este pensamento encerra, pra começar, uma premissa moral de que a política deveria ser um sacerdócio praticado por idealistas isentos de qualquer interesse próprio, seres 100% honestos, abnegados, incorruptíveis. Algum de nós é assim? A política é uma fricção constante, uma negociação por objetivos e estratégias, praticada por atores que agem e também sofrem os resultados de suas ações, que têm interesses, bagagens culturais, históricas, sociais diferentes. E não estou falando só dos detentores de cargos eletivos, mas de todos nós que &#8211; ainda que sem perceber &#8211; fazemos política o tempo todo. Associações civis, grupos de empresários, comunidade acadêmica, sindicatos e organizações profissionais, cidadãos que constroem e partilham o espaço urbano o tempo todo.</p>
<p>Eu me pergunto: a quem interessa esse discurso e essa prática, de despolitização? Quem se beneficia da apatia política, da desmobilização popular, do clima de não-vale-a-pena? Que bem pode fazer à democracia o meu nariz torcido, o meu desdém, a minha ilusão de que eu não faço parte disso tudo? Quem ocupa a brecha deixada pelos que dão as costas? Qual a alternativa? Sim, porque o lugar do poder e da decisão será sempre ocupado, quer eu goste ou não. E a minha recusa em meter a colher nesse mingau sob a alegação de que é tudo imundo e eu não quero me sujar só abre espaço pra mais daquilo que eu tanto critico. Melhor prestar atenção, acompanhar, cobrar, participar. Pensem nisso antes de ir às urnas em outubro.</p>
<p>Volto já. Mesmo.</p>
<p><em>* Referência à excelente arte feita sobre a capa da revista Época desta semana, que destaca ameaçadoramente o &#8220;passado guerrilheiro&#8221; da candidata do PT à presidência, Dilma Roussef.</em></p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/dilma_ALUTA.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-822" title="dilma_ALUTA" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/08/dilma_ALUTA.jpg" alt="" width="200" height="267" /></a></p>
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		<title>Cidades literárias: Ana Maria Gonçalves (1)</title>
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		<pubDate>Sat, 13 Mar 2010 22:51:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades Literárias]]></category>
		<category><![CDATA[direitos]]></category>
		<category><![CDATA[opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[racismo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p style="text-align: left;">Esta semana foi punk. Muito trabalho, as aulas entraram no ritmo avassalador de sempre, com o agravante de que este ano eu tenho mais turmas e cada turma tem mais alunos, e entre os vários deslocamentos, os horários de aula, de estudo e atividades domésticas, eu trabalhei demais, dormi de menos e cheguei ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">Esta semana foi <em>punk</em>. Muito trabalho, as aulas entraram no ritmo avassalador de sempre, com o agravante de que este ano eu tenho mais turmas e cada turma tem mais alunos, e entre os vários deslocamentos, os horários de aula, de estudo e atividades domésticas, eu trabalhei demais, dormi de menos e cheguei ao fim da semana exausta. Parece que vai ser assim o semestre todo.</p>
<p>Mas a semana foi <em>punk</em> também em outros sentidos. E um deles foi ter acompanhado, estarrecida, as <a href="http://colunistas.ig.com.br/luisnassif/2010/03/05/cotas-raciais-a-entrevista-de-demostenes/" target="_blank">declarações</a> do senador Demóstenes Torres (DEM-GO), no Supremo Tribunal Federal, a respeito das cotas para negros nas universidades brasileiras. Veja bem, eu acho perfeitamente legítimo uma pessoa ser contra a adoção das cotas, e já li argumentos honestos e válidos nesse sentido. Eu mesma confesso que no início era contra as cotas, acompanhei por bastante tempo várias discussões a respeito, li artigos e opiniões contra e a favor, fui ficando cada vez mais na dúvida, e hoje estou convencida que a política de cotas raciais nas universidades públicas é um instrumento &#8211; que não deve ser o único &#8211; mas é um instrumento legal, necessário, e tudo indica que de excelentes resultados, para a inclusão social e econômica de uma parcela imensa da população brasileira que tem especificidades históricas que justificam e demandam ações como essa. No mínimo, acho que a política de cotas trouxe e continua trazendo um benefício gigantesco para o país, que é provocar um debate às claras sobre a discriminação racial no Brasil, trazendo muitas vezes à luz recalques insuspeitos e ressentimentos velados, desmascarando o racismo que infelizmente existe no nosso país, camuflado por uma ilusão de convivência harmônica. Sim, enquanto os negros se comportarem direitinho, souberem seu lugar na sociedade e não perturbarem reivindicando coisas absurdas, o Brasil será um oásis de paz e harmonia nesse aspecto.</p>
<p>Entre as várias <a href="http://blogdofavre.ig.com.br/2010/03/a-teoria-negreira-do-dem-saiu-do-armario/" target="_blank">estultices proferidas</a> pelo senador, nenhuma me chocou mais do que creditar a miscigenação do povo brasileiro a relações consensuais entre senhores e escravas. Não consigo acreditar que isso seja falta de conhecimento histórico, é tão insultuoso e revoltante que só pode ser má-fé. Alguém precisa explicar para ele que estupro e violência não se dá só quando há sangue, terror e armas apontadas, ou quando a vítima se debate furiosamente. O constrangimento, o medo da punição e a falta de alternativa também caracterizam o estupro. Só se pode falar em relações consensuais quando há possibilidade de escolha. Consentir pressupõe que a alternativa &#8211; dizer não &#8211; é igualmente possível. E ninguém em sã consciência vai me dizer que as escravas podiam simplesmente virar pros senhores e dizer &#8220;não quero&#8221; impunemente. Aliás, querer, desejar, é um ato de absoluta subjetividade e os escravos e escravas nunca foram tratados como sujeitos de seus quereres, seus corpos e destinos, mas sim como objetos, como bens, como patrimônio material. Eram contabilizados da mesma maneira que cabeças de gado ou pés de milho, e tinham tanto direito de querer ou decidir alguma coisa sobre suas vidas quanto um boi. Quando o senador diz que a miscigenação no Brasil, como processo histórico, foi majoritariamente consensual, ele ofende milhões de mulheres negras, daquele tempo e de hoje, e por extensão, milhões de mulheres simplesmente, que ainda hoje vivem situações de constrangimento e violência por esse Brasil afora.</p>
<p>Pensando nisso, eu quis trazer hoje um trecho de um livro que estou lendo, escrito por <a href="http://www.flip.org.br/edicoes_anteriores_autores.php3?idautor=302" target="_blank"><strong>Ana Maria Gonçalves</strong></a>, chamado <a href="http://www.digestivocultural.com/colunistas/coluna.asp?codigo=2099" target="_blank"><strong>Um defeito de cor</strong></a>. Eu ia acabar falando dele mesmo, mas achei que a ocasião era especialmente oportuna, e vai como desagravo e homenagem a tantas mulheres, escravas, negras, que fizeram parte da História deste país e tiveram participações importantes na luta pelo fim da escravidão. Eu estou particularmente encantada com o livro. Tem 950 páginas, eu ainda estou na 320, mas estou fascinada. A autora narra com maestria a história de Kehinde, uma mulher que, quando criança, viu sua mãe e seu irmão serem mortos na aldeia em que vivia, na África, após o que se muda com a avó e a irmã gêmea para uma outra cidade, onde acaba sendo capturada e trazida como escrava para o Brasil. Aliás, quem narra a história é a própria Kehinde, que no Brasil recebeu o nome de Luísa Gama. Consta que ela seria a mãe do poeta romântico brasileiro Luís Gama, e que o livro é na verdade, o relato, em primeira pessoa, da vida dela, que, já idosa, conta a história de sua vida para o filho com quem ela perdeu contato. A linguagem é saborosa, flui com facilidade, o leitor vai ficando enredado por aquelas descrições e acontecimentos, e vai querendo saber sempre mais das danças, comidas, roupas, da vida no engenho da Ilha de Itaparica, das andanças na cidade de Salvador na primeira metade do século XIX, dos rituais e orixás, das relações com as sinhás e com os outros escravos e escravas, das tramas e rebeliões, de tudo. Achei muito vívida e bonita a descrição que ela faz da cidade de Uidá, para onde ela, a irmã gêmea e a avó se mudaram após a morte da mãe. A visão que uma criança pode ter de uma cidade, colorida, cheia de movimento e potencial. Como será que nossas crianças vêem as cidades em que vivem?</p>
<p style="text-align: right;"><em><a href="http://nandabras.bloguepessoal.com/107329/Quadro-43/"><img class="alignright size-medium wp-image-723" title="mercadoafricano" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/mercadoafricano-300x201.jpg" alt="" width="300" height="201" /></a>&#8220;Uidá era muito mais interessante que Savalu, e a minha avó segurava as nossas mãos para que não nos perdêssemos. Eu tinha vontade de parar e ficar olhando tudo o que acontecia ao meu redor, as mulheres que andavam com vários colares de contas, as casas que eram maiores do que eu jamais teria imaginado, com cobertura de palha e paredes de barro vazadas por portas muito baixas, e ainda tomavam os dois lados da rua, quase sem nenhum espaço entre elas. Gostei quando chegamos à praça, ao lado do mercado, e ficamos admirando as roupas, as pessoas, muita gente com marcas que nem a minha avó sabia de onde eram. Quase todas as mulheres andavam cobertas, pelo menos da cintura para baixo, e os panos que usavam eram ricos em cores e em bordados com búzios e sementes, que também enfeitavam os diversos colares e pulseiras e, às vezes, os penteados. (&#8230;) O mercado era grande e muito bem dividido, com lugares certos para se comprar cerâmicas, tecidos, frutas, artigos de religião, animais e, principalmente, comida. (&#8230;) As pessoas circulavam procurando os produtos de que precisavam ou assistiam às apresentações de dança, de acrobacias, de música e até de desafios de versos, que eu nunca tinha visto. A minha avó estendeu uma esteira para mim e para a Taiwo dentro da barraca, ao lado da mulher, e dormi pensando em como seria a feira nos dias seguintes, que grandes novidades estariam esperando por nós em Uidá&#8221;.</em></p>
<p>PS 1: Lá no título do post, o (1) ao lado do nome da Ana Maria é porque, mais adiante, no mesmo livro, há uma descrição da cidade de Salvador que é uma verdadeira aula sobre cidades coloniais no Brasil, e eu pretendo reproduzí-lo aqui em breve.</p>
<p>PS 2: Sobre as asneiras ditas pelo Senador no STF, há <a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/2010/03/a-dimensao-formal-do-direito.html" target="_blank">estes</a> <a href="http://brasiliaeuvi.wordpress.com/2010/03/09/reporteres-no-pelourinho/" target="_blank">outros</a> <a href="http://bahiadefato.blogspot.com/2010/03/parecer-de-luis-felipe-de-alencastro-no.html" target="_blank">textos</a> que eu também recomendo, lidos via Google Reader do <a href="https://www.google.com/reader/view/?tab=my#stream/user%2F04786639375024921666%2Fstate%2Fcom.google%2Fbroadcast" target="_blank">Idelber</a>.</p>
<p><strong>UPDATE:</strong> Acabei de ler um post na <a href="http://beauvoriana2.zip.net/" target="_blank">Mary W</a> que eu achei fora de série, sobre essa questão das cotas. Perfeito pro pessoal que torce o nariz e diz que as cotas deviam ser apenas sociais, por critério de renda. Vai <a href="http://beauvoriana2.zip.net/arch2010-03-01_2010-03-31.html#2010_03-09_16_55_45-127299368-0" target="_blank">lá</a> ler.</p>
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		<title>Solto no ar</title>
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		<pubDate>Wed, 03 Mar 2010 19:15:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[opiniões]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>O reinício das aulas tem esse efeito sobre os professores: a gente enlouquece um pouco até acertar toda a grade, os horários, fazer os planejamentos. Eu ainda não consegui fechar tudo, dia sim dia não a coordenadora me liga ou escreve trocando as aulas que tinha combinado comigo na semana anterior, e eu já fiz plano [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O reinício das aulas tem esse efeito sobre os professores: a gente enlouquece um pouco até acertar toda a grade, os horários, fazer os planejamentos. Eu ainda não consegui fechar tudo, dia sim dia não a coordenadora me liga ou escreve trocando as aulas que tinha combinado comigo na semana anterior, e eu já fiz plano de aula pra umas quatro disciplinas diferentes, mas só uma delas está realmente certa, inclusive com aulas já começadas. Amanhã de manhã tem mais uma e na sexta uma terceira. Semana que vem tá muito longe ainda e nesse meio tempo tudo pode mudar. Deve ser assim mesmo que funcionam as coisas, mas eu nunca me acostumo, e fico sempre cansada antes mesmo do semestre engrenar.<br />
Enquanto isso, deu vontade de falar de cinema. Afinal, a entrega do Oscar, esse prêmio decadente e imperialista americano (é pra ser lido com seriedade e ironia ao mesmo tempo, entende?) é domingo agora, e não sou eu que vou perder. Digam o que disserem, eu adoro assistir. E torcer. E falar mal dos vestidos, revelando meu momento fútil-mulherzinha, que eu não sou de ferro.<br />
Brincadeiras à parte, eu gostaria de comentar umas coisas sobre três dos filmes que concorrem esse ano, em categorias variadas. São os três que eu vi mais recentemente, e gostei por motivos que explico aqui.</p>
<p><a href="http://www.imdb.com/title/tt1193138/" target="_blank"></a><a href="http://www.cinepop.com.br/filmes/amorsemescalas.php" target="_blank"><strong>AMOR SEM ESCALAS</strong></a><strong> </strong><a href="http://www.imdb.com/title/tt1193138/" target="_blank"><strong>(Up in the air)</strong></a></p>
<div id="attachment_709" class="wp-caption alignleft" style="width: 212px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/Up-In-The-Air-2.jpg"><img class="size-medium wp-image-709" title="Up-In-The-Air-2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/Up-In-The-Air-2-202x300.jpg" alt="" width="202" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Cartaz original do filme</p></div>
<p>É o filme em que o George Clooney faz o papel de um executivo cujo papel é demitir as pessoas. Imagine que você trabalha numa grande empresa, essa empresa pretende demitir vários funcionários e contrata uma outra empresa para fazer isso, ou seja, terceiriza o processo de comunicar ao empregado que ele está demitido, e quais são as providências que ele deve tomar agora. Eu achei o filme muito coeso, muito. As imagens todas, e a música, o &#8220;clima&#8221; do filme, é muito acertado, cada coisa contribui para um todo muito bem amarradinho. Antes de tocar nesses temas mais evidentes, os &#8220;grandes&#8221; temas do filme, tem pequenos detalhes que me chamaram muito a atenção.</p>
<p>1 – Antes de mais nada, devo deixar o meu protesto com relação ao título que o filme teve em português. Ridículo, idiota, tolo, infeliz, enganador. Absolutamente nada a ver com o filme. Não tenho nenhuma sugestão a fazer, mas Amor sem escalas é inaceitável. Tá, eu sei, atrai um monte de incautos (ou incautas, mais provavelmente), que junta essa promessa de romance com a figura de galã do Clooney, mas se você ainda não assistiu o filme, não vá esperando por essa água com açúcar. O filme dói.</p>
<p>2 &#8211; Eu fui capturada pelo filme logo na abertura, com aquela sequência de imagens de paisagens aéreas, cidades vistas de cima, do avião, campos, imagens de satélite quase. Eu amo essas imagens. Tem uma beleza quase abstrata em algumas delas, é plasticamente lindo. E do ponto de vista urbano também, eu gosto dessas imagens macro, em que você vê o desenho da cidade, seus limites (quando há), as bordas imprecisas do tecido urbano, as grandes linhas que cortam e estruturam a cidade (avenidas, auto-estradas, rios, ferrovias), a forma como os terrenos da cidade se constituem, se são pequenos lotes, densamente ocupados, se há verde entremeado, se há (e onde) lotes imensos ocupados por shoppings, estacionamentos, áreas industriais, parques urbanos, campi universitários. Diz tanto sobre a cidade e a história de sua ocupação.</p>
<div id="attachment_711" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/Up-in-the-air3.jpg"><img class="size-full wp-image-711" title="Up in the air3" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/Up-in-the-air3.jpg" alt="" width="800" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Tipos de imagens a que me refiro. Essas fui eu que fiz, do avião, a da esquerda na viagem ao Canadá, e a da direita na viagem à Italia, na saída de Amsterdam, onde fizemos escala.</p></div>
<p>3 &#8211; Outra coisa que durante o filme me chamou a atenção foi a trilha sonora. Uma coisa meio folk, quase melancólica às vezes, letras que funcionavam como um subtexto para o roteiro (desde a música de abertura, que cobre e percorre o território americano tanto quanto o protagonista). Particularmente linda é a última música que toca, quando a sala já está de luzes acesas, e o restinho dos créditos termina de subir. Logo antes da música tem um som de secretária eletrônica, e um cara liga, aparentemente para o diretor do filme, Jason Reitman, porque ele diz Hi, Jason, e aí se identifica como alguém que também perdeu o seu emprego, e compôs a música para ajudar a entender esse momento, ou superar essa sensação de estar meio solto, sem amarras, meio sem saber onde ir, sem saber como será o futuro. Aí ele diz que espera que o Jason goste da música, e se quiser que pode aproveitá-la no filme. Só violão e voz, e o título da música (a frase que ele repete no refrão) é exatamente Up in the air.</p>
<p>4 &#8211; Essa sensação que o cara descreve, de estar sem amarras, sem futuro, esse desconcerto diante de um determinado momento na vida, me parece que descreve bem o estado emocional do Ryan (protagonista da história). Só que pra ele, não é um estado transitório, não é &#8220;um determinado momento na vida&#8221;, é como ele organizou a própria vida. Acho que é uma das interpretações que eu mais gosto do George Clooney. Ele está tão frágil, tão enclausurado, tem um quê nos olhos dele que é meio amedrontado, e ao mesmo tempo, profissional, evasivo, ele tem uma capacidade de empatia ao mesmo tempo que evita meticulosamente qualquer envolvimento emocional, como se ele soubesse (ou temesse) que também teria que “demitir” as pessoas da sua vida em algum momento, ou tivesse receio de “ser demitido”, porque ele sabe a sensação de abandono que isso causa. O final meio aberto também me agradou, eu gosto de ficar me perguntando o que vai acontecer agora, gosto quando carrego um filme pra fora da sala de projeção, quando fico com aquelas personagens na cabeça, imaginando o destino delas, me identificando com algum sentimento, evocando meus próprios fantasmas e emoções.</p>
<p>6 – Nesse sentido eu adorei as três personagens principais, o Ryan Bingham do Clooney, a Alex Goran da Vera Farmiga e a Natalie Keener da Anna Kendrick. Cada um deles tem alguma coisa com que eu posso me identificar, hoje ou em algum momento da minha vida, e é como se eu pudesse compreendê-los, de alguma forma. Ah, sim, para quem não viu, a Alex é uma executiva que, como ele, viaja o tempo todo a trabalho, e com quem ele acaba tendo um envolvimento amoroso do tipo “somos ambos adultos e livres, vamos nos divertir sem compromisso”. E a Natalie é uma mocinha recém contratada pela empresa, cheia de ideias sobre como otimizar o serviço de demitir pessoas usando uma webcam em vez de indo até cada lugar demitir pessoalmente.</p>
<p>7 &#8211; Gostei muito dos embates entre o Ryan e a garota. Achei bacana a maneira como os dois personagens vão se alternando nas demonstrações de maturidade e/ou dificuldades pessoais, com tudo o que cada um tem de melhor e pior, até por conta das experiências próprias de cada idade. Acho que a atriz também se saiu extremamente bem. Difícil não ter uma certa condescendência com aqueles 20 e poucos anos, sua arrogância, seus idealismos, a rigidez de suas expectativas, a falta de noção em determinados comentários (alguns diálogos entre ela e a Alex são hilários), eu me senti meio &#8220;caramba, não é que a gente é assim mesmo nessa idade? putz&#8221;. Acho que eu meio que viajei pros meus próprios 20 e poucos anos, quando eu tinha tantos pontos em comum com aquela mocinha: um monte de certezas que toda hora eram chacoalhadas mas eu fazia de tudo pra não dar o braço a torcer, eu também me sentia A tal, A brilhante, e tinha no fundo tantos medos, e fazia tantos planos exatamente do mesmo jeito: quando eu tiver tantos anos, eu quero que seja assim ou assado, quero estar fazendo tal coisa, em tal lugar. Coisa mais tolinha, hoje dá vontade até de rir.</p>
<p>8 &#8211; Por fim, achei o tema geral tão interessante, e provavelmente, tão oportuno pros americanos. Não gosto dessa palavra aqui, oportuno, mas não consigo achar outra. Tão sincrônico, talvez. É uma experiência que eles estão passando a sério, muito mais do que nós aqui, essa coisa do desemprego, da instabilidade econômica. E dentro desse aspecto mais social, o diretor e o roteirista acharam um jeito de encaixar uma história tão pessoal. Tem camadas e camadas de metáforas ali se a gente pensa na vida do Ryan, no trabalho que ele faz, e no tema geral do filme. A coisa de falar do desemprego aqui é muito mais do que pano de fundo, tá costurado nas entranhas da lente pessoal e psicológica com que se pode olhar o personagem principal, que vive num estado afetivo e emocional de desemprego contínuo, up in the air, solto. A cereja do bolo é que todos os depoimentos dos desempregados no filme são reais, ou seja, não são atores ali, mas gente de verdade, demitida de verdade, falando dos seus medos, de como encarar a família, da sensação de ser traído pela firma em que trabalhou tantos anos da vida. Foi uma forma inteligente e sensível de tratar o assunto, e ficou bem encaixada na estrutura narrativa.</p>
<p>Falei demais, né? Vocês ainda têm fôlego pros outros filmes? Eu queria falar de Invictus e de A Fita Branca. Prometo não falar tanto de cada um deles. Deixa eu ir dar aula, que tá na minha hora. Quando eu voltar, eu escrevo mais.</p>
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		<title>Another brick in the wall &#8211; Parte 1</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 15:53:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Eu não paro de receber e-mails e ler manifestações de colegas, arquitetos ou não, a respeito dessa história do muro das favelas do Rio. Não sei bem por onde começar, porque são incontáveis os aspectos pelos quais se pode falar do assunto, e de nenhum ponto de vista que eu tenha tentado analisar (ou que tenha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não paro de receber e-mails e ler manifestações de colegas, arquitetos ou não, a respeito dessa história do muro das favelas do Rio. Não sei bem por onde começar, porque são incontáveis os aspectos pelos quais se pode falar do assunto, e de nenhum ponto de vista que eu tenha tentado analisar (ou que tenha lido), a medida tem o menor cabimento.</p>
<p>Resolvi primeiro apresentar alguns argumentos e textos que já foram divulgados por aí.</p>
<p>Todo mundo sabe qual é exatamente o objetivo oficial do governo do Estado? Construir muros (concreto, 3 metros de altura) nos limites de algumas favelas do Rio (5 favelas no total, todas na Zona Sul) com as áreas florestadas, visando impedir o crescimento da favela sobre essas áreas, preservando assim o remanescente de Mata Atlântica.</p>
<p>Bom, o <a href="http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/besserman/posts/2009/04/04/minha-opiniao-174716.asp" target="_blank">Sérgio Besserman</a>, que é economista e escreve um <a href="http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/besserman/" target="_blank">blog</a> no Jornal O Globo, é bem pragmático. <span style="color: #000000;"><span>Ele acha que é possível e até desejável algum tipo de contenção das favelas para impedir o seu avanço sobre as áreas verdes, mas discorda tecnicamente desta solução específica, que não só não resolve como traz problemas novos e complicados. Olha a questão do ponto de vista do que representa o espaço verde (e a “alma democrática” do Rio de Janeiro, hummmm&#8230;.) enquanto ativo econômico e social. Para ele, o argumento de que o muro estanca a expansão horizontal das favelas é falho, primeiro porque não estanca nada (parece consenso que o muro não vai cumprir sua missão expressa), e ele ainda diz que se a prefeitura garante que vai fiscalizar o muro, então pra que muro? E em segundo lugar porque, citando <a href="http://http://www.armazemdedados.rio.rj.gov.br/" target="_blank">dados</a> do </span></span><a href="http://www.rio.rj.gov.br/ipp/" target="_blank">IPP</a> (Instituto Pereira Passos, órgão ligado à Secretaria de Urbanismo do município) e da <span style="color: #000000;"><span><a href="http://www.firjan.org.br/" target="_blank">FIRJAN</a> (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), ele defende que o principal crescimento a ser evitado é o crescimento vertical. Segundo esses órgãos, e a análise das fotos aéreas da cidade, as favelas que mais crescem horizontalmente são as da zona oeste, e para estas não há nenhum plano de muros, por outros motivos políticos que Besserman até menciona. Para ele – e aí entra um ponto interessante – </span></span><span style="color: #000000;"><em><span>“O VERDADEIRO PROBLEMA é o controle territorial por parte da bandidagem, e a perda, pelo Estado, do monopólio do uso da força nesses territórios”. </span></em></span><span style="color: #000000;"><span style="font-style: normal;"><span>Não sei se concordo com isso. Quer dizer, claro que o Estado paralelo instaurado pela criminalidade precisa ser combatido, mas o Estado deve se fazer presente não apenas pela força da lei, pelo policiamento, e sim, <strong>antes e muito mais importante,</strong> pela garantia de acesso, para estas populações, aos serviços a que elas fazem jus pelo simples fato de serem cidadãos: educação, saúde, higiene, trabalho, moradia. Se não, você fica achando que pelo fato da polícia estar ocupando ostensivamente o Morro Dona Marta, todos os problemas do morro foram resolvidos. No máximo, foram resolvidos os problemas dos moradores de Botafogo, próximos ao morro, que acham que agora não terão mais os carros roubados, nem tiroteios nas janelas. Se os moradores do morro continuam com o esgoto correndo na porta, isso não é problema meu, certo? Mas eu não estou dizendo que não era pra polícia ocupar, antes que venham me dizer isso. Só estou dizendo que isso não basta. Tá longe de bastar. E o que eu vejo é o pessoal achando que se a segurança (de quem?) estiver resolvida (até quando?) então tudo bem.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Tem o <a href="http://http://www.parededemeia.blogspot.com/" target="_blank">Fernando Lara</a>, de quem eu já falei aqui. Ele levanta a questão da sustentabilidade ambiental x sustentabilidade social, lembrando que elas não existem uma sem a outra. Para um debate acerca do conceito de sustentabilidade, eu convido vocês a lerem a caixa de comentários dele, e a gente pode voltar a falar disso também (Alline, meu bem, cadê você?). Ainda na esteira do Fernando, eu acrescento que além do muro ser uma medida sem a menor eficiência (não quero acusar de antemão, mas eu duvido que ele não seja demolido em alguns trechos ou escalado), e portanto gasto inútil de dinheiro, ele é recibo passado e assinado pelo Estado da falta de capacidade de fiscalizar, coibir práticas ilegais e até mesmo do descaso com que trata a questão da expansão das favelas.</p>
<p>Tem também a história da preservação das áreas verdes: preservação do que quer que seja só faz sentido com uso. Isolada, qualquer área, seja verde, seja urbana, ou mesmo um prédio, não só não será preservado como virará alvo de cobiça e acabará ocupado ilegalmente. Um dos pontos do texto do Fernando de que mais gostei foi quando ele diz que o muro <em>“materializa o preconceito, a desigualdade e o desinteresse numa solução melhor e mais permanente para o problema”. </em>Claro, porque com o muro construído, o resto da população acha que tudo bem, já fez a sua parte, resolveu o problema, e se o muro for quebrado a culpa é “deste bando de favelado”.</p>
<p>A Cláudia, nos comentários, lembrou do texto do sociólogo <a href="http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/post.asp?cod_post=177524&amp;cx=0" target="_blank">Roberto da Matta</a>, também publicado n&#8217;O Globo. Ele toca na questão do discurso ambiental como máscara para a segregação. Diante do ideário politicamente correto, que impede ou dificulta a defesa pura e simples do emuralhamento da favela, a proposta vem então embalada na questão ecológica, que muda os termos do problema, deslocando-o do seu aspecto principal que é a desigualdade social, a produção e reprodução contínua da pobreza na nossa sociedade, para a defesa da Natureza. Gosto quando ele diz que &#8220;<em>a proteção da Natureza racionaliza a solução definitiva inapelável (e portanto ditatorial) para a pobreza em massa que envergonha (e ameaça) os que residem ao seu redor. Quando descobrirmos mais invasões, a culpa terá sido do muro, não nossa.&#8221;</em></p>
<p>Em artigo publicado na Folha de São Paulo em 14/04, e <a href="http://www.cidadeinteira.blogspot.com" target="_blank"><strong>aqui</strong></a> reproduzido, o arquiteto Sérgio Magalhães, professor na FAU/UFRJ e ex-Secretário de Habitação do Rio, toca em questões realmente relevantes, como a estigmatização da favela como “lugar que dá causa à violência”. Sem favelas, a cidade seria pacífica? A matriz da violência é a morfologia urbana? Ele não acredita nisso, nem eu. Ele aponta a escassez de democracia (aí entendida como o acesso universal aos serviços públicos e à proteção do Estado) como cerne da questão, e está certo.</p>
<p>Até o <a href="http://caderno.josesaramago.org/page/11/" target="_blank">Saramago</a> já se manifestou contra o muro.</p>
<p>Na parte 2 eu quero continuar o assunto, tocando em outros aspectos, não expressa e ostensivamente ligados à proposta dos muros para as favelas do Rio, mas que englobam as idéias por trás dessa proposta. Para isso, recorrerei a um autor que eu tenho lido muito ultimamente, e que expressa bem muita coisa que sempre pensei e nunca consegui dizer com tamanha autoridade, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman.</p>
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		<title>Olá, mundo!</title>
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		<pubDate>Sun, 29 Mar 2009 01:16:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Pois então.</p>
<p>Eu leio blogs há alguns anos, já não sei bem quantos. Não peguei as primeiras turmas, cheguei quando a coisa já estava bem instalada e minha cara de &#8220;uau, do que se trata isso?&#8221; já provocava sorrisos de &#8220;tolinha!&#8221; na galera mais experiente. Mas gostei do formato, gostei da dinâmica, da agilidade, e logo comecei [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pois então.</p>
<p>Eu leio blogs há alguns anos, já não sei bem quantos. Não peguei as primeiras turmas, cheguei quando a coisa já estava bem instalada e minha cara de &#8220;<em>uau, do que se trata isso?</em>&#8221; já provocava sorrisos de &#8220;<em>tolinha!</em>&#8221; na galera mais experiente. Mas gostei do formato, gostei da dinâmica, da agilidade, e logo comecei a frequentar avidamente algumas páginas, onde aprendi um bocado de coisa, me informei melhor do que em muitos jornais on line, e fiz inúmeros amigos e amigas queridas.</p>
<p>Apesar disso, eu sempre disse que ter um blog não era pra mim. Eu não tinha nem o tempo, nem a necessária disciplina, nem o conhecimento técnico pra navegar pelos html da vida, nem sequer o que dizer pra abrir uma página e expô-la ao escrutínio público (ainda que &#8220;público&#8221; queira dizer a meia dúzia de pessoas entre amigos e familiares que eu imaginava que viria me dizer oi). Bom, ocorre que ao longo do tempo, através de trocas de e-mails e comentários deixados aqui e ali, algumas pessoas começaram a insistir pra que eu escrevesse. E confesso que foi dando vontade, sabe?</p>
<p>Eu continuo sem muito tempo (mais ou menos, até que eu comecei esse ano abrindo um bocado de tempo na agenda, mas isso é outro papo), zero disciplina (shame on me), descobri que o conhecimento técnico requerido é menor do que eu pensava, e o Marido deu uma mãozinha (momento confissão-mulherzinha. Thanks, babe!), e se eu tenho o que dizer ou não, aí é outra história. Eu sei que existem coisas que eu quero dizer, já é um começo. E vamos combinar que um certo receio do escrutínio público, quem é que não tem?</p>
<p>De toda forma, tem me seduzido a idéia de expor umas opiniões, fazer uns balões de ensaio, botar minha carinha (intelectual, se eu posso chamar assim) na medina e ampliar essa rede que eu tenho descoberto deliciosa, além de altamente produtiva, quando a gente sabe onde procurar e quem visitar.</p>
<p>Ali na barrinha mais de cima, onde está escrito ABOUT, vocês podem encontrar uma breve descrição das minhas modestas intenções. Tem umas ideiazinhas a mais cozinhando aqui na cachola, mas se eu esperasse ter tudo pronto pra botar o troço no ar, era capaz de eu adiar por mais uns anos, até desistir. Bem a minha cara, by the way. A listinha ali do lado, da ágora, ainda está incompletíssima, e eu peço perdão pros coleguinhas e queridos que ainda não foram linkados. Sê-los-ão ainda esta semana, eu prometo.</p>
<p>É isso, puxem uma cadeirinha, fiquem à vontade e vamos conversar.</p>
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