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	<title>Urbanamente &#187; paisagem</title>
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		<title>Cidades literárias: Ana Maria Gonçalves (2)</title>
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		<pubDate>Mon, 17 May 2010 03:14:34 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades Literárias]]></category>
		<category><![CDATA[História Urbana]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Provavelmente eu deveria começar este post me desculpando por ausência tão prolongada. Vocês não têm ideia de como meu tempo ficou curtinho e praticamente insuficiente, desde que eu comecei as aulas na UFRJ. Desnecessário dizer que estou adorando cada minuto, fazendo o que eu mais amo na vida, mas mesmo tendo diminuído um pouco minha carga [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Provavelmente eu deveria começar este post me desculpando por ausência tão prolongada. Vocês não têm ideia de como meu tempo ficou curtinho e praticamente insuficiente, desde que eu comecei as aulas na <a href="http://www.fau.ufrj.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.fau.ufrj.br/?referer=');">UFRJ</a>. Desnecessário dizer que estou adorando cada minuto, fazendo o que eu mais amo na vida, mas mesmo tendo diminuído um pouco minha carga horária na <a href="http://www.uva.br/designdeinteriores/graduacao_design_de_interiores.htm" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.uva.br/designdeinteriores/graduacao_design_de_interiores.htm?referer=');">outra universidade</a>, eu ainda estou dando quase 30 horas/aula semanais, o que é muito (conte por fora os tempos de deslocamento, com aulas na Barra, na Ilha do Fundão e na Tijuca, morando em Botafogo, e o tempo necessário para preparar as aulas, estudar, montar avaliações e corrigir trabalhos e/ou provas de mais de 250 alunos no total e você vai entender que eu tenho trabalhado sem fim de semana e sem feriado). E ainda peguei um projeto de reforma para fazer, como se o tempo estivesse sobrando. Eu estou cansada mesmo. Para o próximo semestre eu vou ter que rever isso, diminuir o ritmo, me reorganizar.</p>
<p>O que uma blogueira faz numa situação dessas? Inventa umas <em>&#8220;embromations&#8221;</em> pra não deixar a peteca cair. Tanta coisa mais urgente para discutir, tanto assunto quente coçando os meus dedos aqui, mas vou recorrer a um expediente manjado nessas emergências: deixar outra pessoa falar por mim. E nem é tão despropositado. Vejam bem, eu estou lecionando três matérias lá na Arquitetura, dentro do Departamento de Urbanismo. Eles chamam de HCU: História da Cidade e do Urbanismo. Daí que eu fiquei com <a href="http://nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1&amp;n2=departamentos&amp;n3=7&amp;n4=FAU120" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1_amp_n2=departamentos_amp_n3=7_amp_n4=FAU120&amp;referer=');">HCU 2</a>, <a href="http://nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1&amp;n2=departamentos&amp;n3=7&amp;n4=FAU230" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1_amp_n2=departamentos_amp_n3=7_amp_n4=FAU230&amp;referer=');">HCU 3</a> e <a href="http://nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1&amp;n2=departamentos&amp;n3=7&amp;n4=FAU240" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/nova.fau.ufrj.br/index.asp?n1=1_amp_n2=departamentos_amp_n3=7_amp_n4=FAU240&amp;referer=');">HCU 4</a>, para alunos do segundo, terceiro e quarto períodos, respectivamente. Nesta sequência, eu acabo cobrindo a História da Cidade desde os primórdios, láááá atrás, no momento em que as aldeias neolíticas viraram cidades, passando por todos os períodos, até o final do século XIX. Não reclamo, isso é uma cachaça pra mim e a maior parte já é assunto velho conhecido, que eu já ensinei antes.</p>
<p>Mas o que é que eu estava falando mesmo? Ah, sim, dentro da disciplina de HCU 3, em algum momento nas próximas semanas, nós vamos começar a falar da colonização do Brasil, e da formação das redes urbanas no período colonial. E eu me lembrei que já tinha avisado <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/03/13/cidades-literarias-ana-maria-goncalves-1/" target="_blank">aqui</a> que voltaria a citar <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1407629" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=1407629&amp;referer=');">o livro da Ana Maria</a>, porque tem uma descrição deliciosa da cidade de Salvador, vista pelos olhos da personagem principal, a Kehinde/Luísa, quando lá chega nos primeiros anos do século XIX. Eu &#8211; infelizmente &#8211; ainda não conheço Salvador, mas quem conhece podia vir aqui contar pra gente o que disso tudo ainda existe, qual a sua percepção da cidade.</p>
<p>O texto é grande, mas vale cada sílaba:</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Para sempre ficou gravada na minha memória a São Salvador daquele dia. Anos depois, em África, a tantos quilômetros e a tanto tempo de distância, era naquelas impressões e sensações que eu pensava ao me lembrar da Bahia ou mesmo do Brasil. Lembro-me ainda hoje dos nomes das praças e das ruas que percorri por anos e anos, e por onde muitas vezes refiz o caminho daquele dia, tentando vê-lo com meus olhos de menina, sem nunca mais conseguir. Quando o barco contornou o Forte de São Marcelo, o sol ainda estava baixo por trás das colinas que sustentavam a cidade, o que fazia com que ela ficasse emoldurada por uma luz mágica que mais parecia um véu, embaçando os olhos da gente e tornando as cores mais delicadas. Algumas construções, as mais altas, com três, quatro ou até mais andares, e muitos templos e palacetes, pareciam flutuar de encontro ao teto do céu. A encosta era formada por partes de rocha preta, terra vermelha e vegetação, sendo que algumas árvores tinham crescido quase deitadas, como se tivessem sido atiradas, como setas, a partir do mar.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Ao desembarcarmos, fizemos um caminho que eu já conhecia, do ancoradouro até a rua principal da cidade baixa, mas que naquele dia parecia diferente por estar quase vazio. Havia pouca gente nas ruas, como se a cidade ainda estivesse espreguiçando antes de acordar direito. Eram apenas duas as mulheres que vendiam comida, com suas roupas bonitas e seus tabuleiros, e até mesmo o Arsenal, onde mais tarde vi que a construção de barcos e mais barcos quase não era interrompida, naquela manhã estaria deserto se não fossem três pretos conversando, sentados sobre pilhas altas de madeira. Apenas uma ou outra casa já tinha as portas e janelas abertas para becos tão estreitos que davam a impressão de que podíamos interromper a passagem por eles apenas abrindo os braços. Nem mesmo a fedentina causada pelos dejetos jogados na rua estava tão forte quanto da primeira vez, talvez porque o sol ainda não a tivesse acordado também. Na rua principal, um pouco mais larga e bastante tortuosa, olhando de longe às vezes eu tinha a impressão de que algumas casas estavam construídas exatamente no meio do caminho, barrando a passagem. Mas, ao chegarmos perto, a rua quebrava em outra direção, contornando as construções e seguindo adiante, para a frente e para cima. Alguém do grupo comentou que aquela rua principal acompanhava a praia de um canto a outro da cidade, ora mais, ora menos habitada, com mais casas de moradia ou mais casas de comércio e depósitos de pretos.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Poucas construções tinham um só andar; a maioria era de casas engaioladas umas sobre as outras, com varandas sob janelas laterais que quase se encontravam no ar, ligando uma casa a outra, de tão próximas. Tais varandas também avançavam na frente das casas, nos andares superiores, debruçando-se umas sobre as outras e todas juntas sobre a rua, de um lado e do outro, tornando o caminho escuro e sufocante nos pontos mais estreitos. Havia ruelas que saíam dos dois lados da rua principal, curtas, porque, se de um lado algumas casas já quase se jogavam sobre o mar, do outro, em certos trechos, estavam apoiadas no barranco, mesmo com risco de a qualquer momento serem esmagadas pela queda das construções que se equilibravam na parte de cima, na cidade alta.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Os nomes dos lugares eu vim a saber depois, mas naquele dia caminhamos até uma construção onde funcionava um hospício, onde dobramos, bem na quina com a Ladeira da Preguiça, que subia, íngreme, até metade da montanha. (&#8230;) Calados para poupar fôlego, inclinávamos o corpo para frente e caminhávamos, seguindo as construções e os muros da torta Rua Direita da Preguiça, pegando uma outra ladeira, que ia dar no Largo das Portas de São Bento. De lá, sempre a medo de escorregar, tomamos outra ladeira que nos levou à parte mais alta da cidade, ao lado do Palácio do Governo, onde enfim paramos para descansar e aproveitar a vista. Dava para ver a Baía de Todos os Santos quase inteira, com suas pequenas ilhas e a Ilha de Itaparica como um imenso jardim plantado no meio das águas. No Palácio, uma construção de dois andares que ficava em um dos cantos da praça que levava o seu nome, a Praça do Palácio, contei onze janelas e uma porta muito alta, que se abriam para uma varanda que o abraçava por todos os lados. Em outro canto da Praça do Palácio, que tinha a forma de um quadrado, ficava a Cadeia Pública, um prédio tão bonito que, se não fosse pelas grades, poderia ser confundido com uma casa, bem como as construções que ocupavam os outros dois cantos, a Casa da Moeda e a Câmara Municipal.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em> </em></p>
<div id="attachment_775" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><em><em><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Terreiro_de_Jesus_(Salvador)" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Terreiro_de_Jesus_Salvador?referer=');"><img class="size-full wp-image-775" title="Terreiro_de_Jesus_Sé_Catedral_1862" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/05/Terreiro_de_Jesus_Sé_Catedral_1862.jpg" alt="" width="300" height="212" /></a></em></em><p class="wp-caption-text">Vista do Terreiro de Jesus, com a Catedral Basílica ao fundo, em 1862. Ao lado da igreja vê-se o antigo Colégio dos Jesuítas de Salvador.</p></div>
<p style="text-align: right;"><em>Descansados da subida, seguimos caminhando em direção ao Terreiro de Jesus, passando por lindos sobrados, que tanto eram comércio como casas de moradia, e principalmente por belas igrejas, como a Catedral da Sé. De um dos lados do Paço da Catedral ficava um templo que tinha sido dos jesuítas e que mais tarde foi ocupado por um colégio e depois por um hospital, para então ceder lugar à Faculdade de Medicina, que não sei se ainda está lá nos dias de hoje. (&#8230;) A praça do Terreiro de Jesus abrigava também o templo da Irmandade dos Clérigos de São Pedro e muitas casas mais simples, e dava saída para ruas que partiam em direção a todas as outras freguesias da cidade. Um pouco mais adiante, perto do Convento  e da Igreja da Ordem Terceira de São Francisco, dava para se ter uma visão melhor do que era a cidade de São Salvador. Para todos os lados que se olhava, menos o do mar, a cidade era uma sucessão de vales cobertos por verde abundante e de montanhas cortadas por ruas de terra ou de pedra, quase sempre desertas. De longe em longe, principalmente nas partes mais altas, surgiam algumas construções que, sendo pequenas, estavam quase sempre grudadas umas nas outras, e sendo grandes, estavam separadas por imensos jardins. Os palacetes se destacavam, brancos e grandiosos sobre gramados verdes e jardins coloridos, guardados por muitas árvores. Alguns morros tinham perdido os picos para dar lugar a um ajuntamento de construções ao longo de três ou quatro ruas que giravam em torno da praça central, onde sempre havia uma ou mais igrejas.&#8221;</em></p>
<p style="text-align: right;"><strong><em>(GONÇALVES, Ana Maria. Um Defeito de cor. Rio de Janeiro: Record, 2007)</em></strong></p>
<p>Só com isso, já dava pra gente pensar e falar sobre um monte de coisas, não é? Me aguardem que eu já volto (vou tentar, pelo menos).</p>
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		<title>Post roubado</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Mar 2010 15:29:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Hoje eu vou fazer uma safadeza, na maior cara de pau.</p>
<p>É que eu queria muito poder colocar um post novo no ar, e embora já tenha começado dois ou três, eles requerem tempo para serem burilados, tem coisas pra checar, links para adicionar, imagens, e isso toma algum tempo, que eu não estou tendo no momento. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje eu vou fazer uma safadeza, na maior cara de pau.</p>
<p>É que eu queria muito poder colocar um post novo no ar, e embora já tenha começado dois ou três, eles requerem tempo para serem burilados, tem coisas pra checar, links para adicionar, imagens, e isso toma algum tempo, que eu não estou tendo no momento. Fico devendo, especialmente para o Gutemberg, um post a mais sobre as cotas, porque acordei hoje de manhã pensando nisso, a partir do comentário dele, e me vieram umas imagens à cabeça que talvez facilitem eu explicar o meu ponto de vista.</p>
<p>Enquanto isso, pra não ficar com o blog meio abandonado, eu resolvi roubar, descaradamente, um texto que eu recebi recentemente por e-mail. Em minha defesa, devo dizer que anunciei, previa e publicamente, que faria isso, e o dono do texto não só autorizou como pareceu feliz com a idéia, então só me resta agradecer e partilhar. Estou falando do meu sobrinho, Thiago, que participa ativamente aí nos comentários. Ele é um rapaz jovem, prestes a completar 22 anos, e que está, no momento, passando uma temporada nos Estados Unidos, por conta de uma oportunidade de trabalho temporário e alguns estudos. Está em Houston, no Texas, e visitou recentemente, Nova Orleans. De lá, me mandou uma carta comprida, em que revela um olhar perspicaz, poético, atencioso, sobre a cidade e seus habitantes, inclusive aproveitando para observar e dar seu testemunho sobre alguns dos temas de que temos tratado aqui. Se fosse meu aluno, tinha tirado 10. Ocorre que, em muitas coisas da vida, ele está mais para meu professor. Sejamos todos aprendizes, e estamos conversados.</p>
<p><strong>HOUSTON</strong></p>
<p>Aqui não se respira o mofinho da história, só o <em>oil</em>. Ahhhh, o <em>oil</em>, todo mundo aqui é louco pelo tal petróleo, que ainda faz sucesso. E eles acreditam piamente que só eles têm. Ham! Tolinhos. Mas deixe estar.</p>
<p>Barzinho e violão, gente rindo e papeando com suas mesas e garrafas de cerveja na calçada dos botecos são retratos de um lugar bem distante como o Rio, porque Houstoniano não participa dessa felicidade. É tão Barra da Tijuca, tudo grandioso, avenidas largas, tudo distante, centros residenciais e centros comercias que quase não se falam. Transporte público é só para os abaixo da linha da pobreza houstoniana, como <em>yo</em>. Com carro valendo 500 pratas, todo mundo passeia com o seu, independente do estado de decomposição do carro e da pessoa. E junta a lógica estranha de trânsito daqui (em determinados momentos você pode &#8220;avançar&#8221; o sinal, há mais de um sinal na sua frente te indicando lados diferentes a seguir) e o picadeiro é cuidadosamente montado. Nunca vi tanto acidente de trânsito in my whole life. A combinação pessoa-que-sabe-dirigir-armada-com-pouca-paciência é perfeita pra formar um assassino em série aqui. Mas eu ando de busão e o sistema aqui funciona, no sentido de organização, mas é lerdo e nao é toda hora qque você tem onibus. É quase o oposto do Rio. Tem uma empresa de viação só. Nos pontos de ônibus geralmente há os horários daquela linha durante o dia. E dentro dele há um sistema eletrônico em que você lê a rua pela qual o ônibus tá passando e a respectiva transversal. E uma voz eletrônica  tipo a do metrô falando o que tá escrito ali.</p>
<p>A passagem custa U$1,25 no perímetro urbano, mas pode chegar a U$3,50, eu acho, que você deposita numa maquininha porque trocador aqui é coisa de faz-me rir. E aqui tem um &#8220;riocard&#8221;também. Nao tem a emoção dos ônibus no Rio&#8230; Andam sempre pela pista da direita e se houver uma pessoa no ponto, eles param, independente do desejo daquela pessoa de pegar esse ônibus. Não existe &#8220;dar sinal&#8221; por essas terras.</p>
<p>Em contraponto à lerdeza dos ônibus e doideira do trânsito, as casas são bem confortáveis. A política dos condomínios de townhomes aqui funciona e eles sao bem confortáveis, maquinas de lavar louça, secadora de roupas e lavadoras de roupas eficazes. Uma poupança de tempo incomparável. Você paga pouco pelo arcondicionado e pelo aquecedor. Mas algumas me parecem frágeis, sabia? Digo com relação a furacões&#8230; Falando em casas frágeis e furacões, let&#8217;s talk about New Orleans.</p>
<p><strong>NOVA ORLEANS</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<div id="attachment_733" class="wp-caption aligncenter" style="width: 720px"><strong><strong><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/NovaOrleans.jpg"><img class="size-full wp-image-733" title="NovaOrleans" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/NovaOrleans.jpg" alt="" width="710" height="250" /></a></strong></strong><p class="wp-caption-text">Imagens de Nova Orleans: a bandinha, as luzes da cidade, a charrete</p></div>
<p><strong> </strong>Fomos de carro, o que já foi uma delícia pra conhecer um pouco de Louisiana e as peculiaridades da cidade. Logo que você chega nos limites da cidade, é recebido por uma rodovia que passa sobre um interminável pântano e descobri que ali naquela região as pessoas são &#8220;enterradas&#8221; acima da terra por conta das condições do terreno. Já pus isso na conta da primeira curiosidade de New Orleans que, confirmando comentários, é bem diferente de muita coisa que se vê por esses cantões do Tio Sam. Na região que fiquei, uma parte bem centralizada, a duas ruas da Bourbon Street (a rua bombante das baladas e fervos em geral), já me senti meio no Rio de Janeiro. Explico já.</p>
<p>Chegamos por volta de 9 da noite, era véspera de final do Super bowl (o Saints de New Orleans tava na final) e Mardi Gras (o carnaval de lá), resultado: o povo todo na rua, de diferentes lugares, doido pra se libertar. A rua do hotel foi fechada para a passagem de uma bandinha de carnaval que não era na rua do hotel! Olha que bonito. Prontamente perguntamos ao guarda que caminho tomar pra chegar ao hotel (sei lá, de repente com o papel de reserva do hotel eles eram autorizados a permitir a entrada dos hóspedes naquela rua em que nada acontecia). O guarda nao sabia o caminho, o nome damãe, nem onde tinha nascido. Perguntamos ao segundo que tinha tomado o mesmo chá de desconhecimento do outro. Preocupante despreparo pra receber turistas em épocas de festividades. Isso porque o centro da cidade nem é tão grande e a gente tava perguntando como ter acesso à rua que estava na nossa frente.</p>
<p>Anyway, largamos o carro num estacionamento e fomos andando. Check in feito, fomos dar uma caminhada pelas ruas e se ambientar. Aí começa a entrar o Rio de Janeiro. Sabe centro da cidade em épocas de carnaval? Aquelas ruelas antigas com prédios antigos de influência europeia misturados a grandes e semimodernos edifícios, com gente andando pra lá e pra cá, homeless e sobras etílicas pelas calçadas e nos cantos dos boeiros? Digno de rua Buenos Aires. E essa farra toda é reflexo de um fenômeno texano engraçado que ocorre sobretudo aqui em Houston, de proibir bebidas alcoólicas depois de 2 da manhã. Os &#8220;cana&#8221; sacam a cerveja da sua mão às duas da manha e te botam pra casa feito mãe revoltada. Em Nova Orleans essa regra é solenemente ignorada. Logo, os jovenzinhos se apinham pelos bares da cidade bebendo até dizer chega.</p>
<p>Mas voltando à coisa da aparência da cidade, quando você vai se metendo nas ruas, vê um bando de casas que parecem tão frágeis e todas elas de estrutura bem similar: ruelas com passagem para um carro e dos dois lados essas casas de dois andares que se assemelham a sobrados. Revestidas de madeira, são estreitas e pegadas umas às outras. E eu e minha ignorância, eternos companheiros gracas ao bom senhor, ficamos discutindo como esses sobrados tão antigos e até maltratados sobrevivem a maldades naturais. Who knows&#8230;</p>
<p>Uma outra coisa pitoresca que tem na cidade são os passeios de charrete, o mico que todo mundo gosta de pagar. Elas ficam paradas em fila como os taxis do Rio Sul e seus motoristas devidamente fantasiados (!!!) esperando os passageiros. Logo mais adiante, a gente achou a rua das antiguidades, uma rua preenchida por lojas que vendem belezuras de séculos passados: esculturas, quadros, móveis bizarramente bonitos do tipo Luiz XVI-guardou-suas-ceroulas-neste-armário-e-leu nessa-escrivaninha, mas como eu não sou o Estado, levar uma pena dessas lojas me custaria uma vida enrolado no cartão de crédito.</p>
<p>Agora, bonito é o rio Mississipi. Me lembrou tanto meu avô, sabia? Passa sereno pela cidade com pontes se estendendo sobre ele, pequenas embarcações passeando e gente caminhando nostalgicamente às margens dele. Mas no geral, tem ar meio underground, de gente errante, artistas falidos, ambientes escuros, cobertos por uma névoa noturna que se vê serpenteando sob a luz de um poste solitário de esquina, e abaixo dele, obviamente, um senhor mulato alquebrado tocando sax.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/RioMississipi1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-734" title="RioMississipi1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/RioMississipi1.jpg" alt="" width="800" height="600" /></a></p>
<p>Por enquanto a vida caminha assim&#8230; os altos e baixos diminuíram, mas ainda existem porque sou gente. Mas a felicidade há de chegar e eu tô bem na mira dela.</p>
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		<title>Mais do mesmo</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/01/23/mais-do-mesmo/</link>
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		<pubDate>Sat, 23 Jan 2010 16:41:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[arquitetura]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>
		<category><![CDATA[patrimônio]]></category>
		<category><![CDATA[projeto urbano]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Continuando o raciocínio e as reflexões iniciadas no post anterior, vamos falar um pouco mais deste projeto para a reurbanização da Zona Portuária do Rio, e alguns dos problemas suscitados pelas propostas que estão em andamento.</p>
<p>No final do ano passado, eu estive num seminário organizado pelo curso de arquitetura da PUC aqui do Rio, através da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Continuando o raciocínio e as reflexões iniciadas no post anterior, vamos falar um pouco mais deste <a href="http://spl.camara.rj.gov.br/planodiretor/pd2009/porto2009/aud_public_porto_maravilha.pdf" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/spl.camara.rj.gov.br/planodiretor/pd2009/porto2009/aud_public_porto_maravilha.pdf?referer=');">projeto</a> para a reurbanização da Zona Portuária do Rio, e alguns dos problemas suscitados pelas propostas que estão em andamento.</p>
<p>No final do ano passado, eu estive num seminário organizado pelo curso de arquitetura da PUC aqui do Rio, através da professora <a href="http://posto12.blogspot.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/posto12.blogspot.com/?referer=');">Ana Luiza Nobre</a>. Foi muito proveitoso, eu aprendi bastante coisa, pude ver e ouvir gente que realmente está pensando na cidade. E olha que não houve unanimidade, não, foi debate mesmo, mas todo mundo contribuindo, refletindo, propondo. Depois, tive acesso a um texto que a professora Ana Luiza escreveu. Não sei se está disponível na internet, mas foi publicado pelo <strong>Boletim do CEDES – Centro de Estudos Direito e Sociedade, edição de outubro de 2009.</strong> No texto, ela mostra claramente que o grau de abrangência e complexidade da própria área portuária, com suas especificidades e potenciais, requerem um investimento  de tal ordem vultoso e complexo, que não pode prescindir de debate amplo e cauteloso, envolvendo o maior número possível de interessados na questão – o que obviamente inclui muito mais do que técnicos e empreiteiros.</p>
<p>Entretanto, conforme ela argumenta corretamente, <em>“toda essa operação tem sido conduzida com base num modelo bem conhecido, caracterizado, por um lado, pela imposição de projetos altamente questionáveis, do ponto de vista técnico, e por outro, pela ausência de diálogo com a maior parte da população direta ou indiretamente afetada”.</em></p>
<p>A área sob impacto do projeto compreende os bairros da Saúde, Gamboa, Santo Cristo, Caju e parte de São Cristóvão, somando aproximadamente 5 milhões de m². Entre as propostas (cuja divulgação pela prefeitura é muito superficial) estão a revitalização da Praça Mauá (inclusive com a construção de uma garagem subterrânea para 1000 veículos), a urbanização do Pier (da qual <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2010/01/20/o-prefeito-decidiu-que/" target="_blank">acabamos de falar</a>), a construção de 500 unidades habitacionais (só?), a reforma ou edificação de novos prédios como o <a href="http://www.aqua-rio.org.br" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.aqua-rio.org.br?referer=');">Aquário</a>, a Escola Técnica de Audiovisual e Restauro, a nova sede do Banco Central, o Museu do Amanhã e a Pinacoteca. Aliás, é o Museu do Amanhã – que ia ficar entre os armazéns 5 e 6 – que o prefeito agora quer instalar no Pier, com projeto do arquiteto <a href="http://www.calatrava.com/main.htm" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.calatrava.com/main.htm?referer=');">Santiago Calatrava.</a> Ah, tanto o Museu quanto a Pinacoteca são projetos em parceria com a Fundação Roberto Marinho.</p>
<p>Uma das coisas que me deixam de cabelo em pé diz respeito à massa que se pretende construir na região, com edifícios e torres tão altas que implicam numa mudança de escala realmente chocante.</p>
<p>Dá uma olhada aí embaixo, no mapa desenhado pela própria prefeitura.</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-649" title="03_MHG_rio_projeto1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/01/03_MHG_rio_projeto1.jpg" alt="03_MHG_rio_projeto1" width="720" height="460" /></p>
<p>Além de toda a questão paisagística (esse novo skyline esconde, para os que vêm da Zona Norte, a própria visão do perfil dos morros que compõem o Maciço da Tijuca, o Corcovado aí incluído), tem um aspecto importante levantado pelo professor Flávio Ferreira num outro texto que eu li recentemente. Ele diz:</p>
<p><em>&#8220;Legislar muito denso e muito alto tem um outro grave inconveniente: atrasa a consolidação da área. Não há economia urbana suficiente para construir os edifícios grandes de pronto. Terá que haver especulação, os terrenos ficarão desocupados por décadas e enquanto isso o Porto continuará vazio”.</em></p>
<p>Outro ponto que me preocupa (não só a mim, mas a muita gente que eu tenho visto discutir o assunto) é de que maneira serão conduzidas as inevitáveis alterações de legislação, necessárias para levar a cabo transformações formais e funcionais tão profundas. Através do uso – legítimo – de instrumentos do Estatuto da Cidade, a prefeitura vai mexer em parâmetros urbanísticos, que são índices (números e taxas) que definem características do parcelamento, uso e ocupação do solo, como altura dos prédios, recuos, afastamentos, quanto do solo pode ser ocupado pela construção e quanto deve ser deixado livre, etc. Isso não é um problema em si, mas são transformações tão sérias, com impactos numa parte tão grande e importante da cidade, afetando a vida de tanta gente, a própria percepção da cidade, a paisagem, o patrimônio, que deveriam estar sendo divulgadas e discutidas publicamente, através de audiências, consultas, e mesmo de uma construção coletiva do projeto, envolvendo não só a prefeitura e seus órgãos e secretarias, mas associações de moradores, universidades, entidades da sociedade civil, sindicatos, empresários, movimentos sociais, enfim, muito mais gente.</p>
<p>Apesar disso, a divulgação é superficial, os moradores da área e interessados no assunto não têm acesso a dados mais detalhados do projeto, que só vêm a público a conta-gotas, e os representantes do poder público continuam insistindo em (tentar) justificar esse estado de coisas com base no “caráter emergencial do projeto”. É só o que a gente escuta o Eduardo Paes falar. Será que não há nada que a gente possa fazer a respeito?</p>
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		<title>Canadá 4 &#8211; Montreal, Quebec e Toronto</title>
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		<pubDate>Mon, 26 Oct 2009 23:32:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
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		<description><![CDATA[<p></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Daqui a pouco eu viajo de novo pra outro lugar e não terminei de falar do Canadá ainda. Nem sei se vocês ainda têm interesse no assunto, mas eu tenho interesse em contar, hohoho!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Como eu já contei,  Montreal é uma cidade basicamente universitária, o que faz com [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Daqui a pouco eu viajo de novo pra outro lugar e não terminei de falar do Canadá ainda. Nem sei se vocês ainda têm interesse no assunto, mas eu tenho interesse em contar, hohoho!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Como eu já <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/05/canada-1-primeiras-impressoes/" target="_blank">contei</a>,  <strong>Montreal</strong> é uma cidade basicamente universitária, o que faz com que haja muitos jovens de todas as tribos circulando. Talvez também por conta disso, é uma cidade bastante informal e relaxada, e nisso lembra muito o Rio de Janeiro. Toronto, por exemplo, é mais São Paulo: maior, mais dinheiro, maior quantidade de edifícios espetaculares, ritmo mais agitado.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Também acho que já falei que me encantei com a variedade étnica e cultural da cidade, onde se vêem todas as cores e se escutam e falam todas as línguas. Certamente a política de imigração mais permissiva do Canadá ajuda nisso. Em Toronto, peguei um taxi entre a rodoviária e o hotel, e vim conversando com o taxista, que descobri ser etíope. Ele contou que está lá há mais de 20 anos, não fiquei muito certa de que esteja legal, mas deve estar, porque disse que só voltou para visitar a família na Etiópia umas duas vezes nesse período, e se nessas duas vezes ele conseguiu reentrar no Canadá, é porque o visto deve estar regularizado. Mas enfim. Quando eu disse que era brasileira ele logo afirmou que se eu quisesse ficar lá, era muito fácil, e que brasileiros, ainda mais se tiverem curso superior, são admitidos e ganham cidadania facilmente. Não chequei a informação, só achei graça que um “gringo” estivesse me “oferecendo” uma oportunidade de imigração assim, na maior tranquilidade.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Talvez essa multiplicidade cultural toda também contribua para que o povo seja tão simpático e extrovertido, bem-humorado e prestativo. Gastei todo o meu parco francês em Montreal e Quebec, mas poderia ter falado só inglês se quisesse. Eles sabem onde fica o Brasil e que nós falamos português e não espanhol. Vários souberam até dizer alguma coisa como “obrigado” ou “tudo bem?”, com aquele sotaque forte e engraçado. Sabem inclusive que a nossa capital não é Buenos Aires, olha que bacana!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Fiz passeios lindos pela cidade. Ali próximo ao porto, recomendo a rua Jacques Cartier, uma rua de pedestres (na verdade, uma ladeira), larga, bonita, cheia de restaurantes simpáticos, quiosques de flores e sucos e jardins. Tem o Mont Royal, de onde se avista toda a cidade, e que a população local usa intensamente como o principal parque da cidade. Há um lago lá em cima, e em dias de sol as pessoas fazem piquenique em suas margens, as crianças jogam bola e todo mundo lagarteia na luz e no calor.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<div id="attachment_530" class="wp-caption aligncenter" style="width: 4510px"><img class="size-full wp-image-530" title="Montreal1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Montreal1.jpg" alt="A rua Jacques Cartier e o Parque do Mont Royal, com seu mirante e suas trilhas" width="4500" height="844" /><p class="wp-caption-text">A rua Jacques Cartier e o Parque do Mont Royal, com seu mirante e suas trilhas</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Mais para o norte da cidade, mas ainda bem próximo do Centro, a apenas seis estações de metrô, fica o Estádio Olímpico, construído para as Olimpíadas de 1976, sediadas em Montreal. Lindo, embora para os padrões de hoje, com Ninhos de Pássaro e outras modernidades tecnológicas, talvez seja considerado um pouco modesto. Bem ao lado há o belíssimo Jardim Botânico local, onde tivemos a sorte de pegar uma exposição de lanternas chinesas, coisa mais colorida e delicada do mundo. Pena que as fotos não fazem justiça ao espetáculo, porque a exposição é melhor apreciada à noite (quando as lanternas se acendem, claro), e na falta de um tripé, as imagens saem meio tremidas. Tem mais, mas eu falo depois, ao longo da conversa.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<div id="attachment_532" class="wp-caption aligncenter" style="width: 4504px"><img class="size-full wp-image-532" title="Montreal2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Montreal2.jpg" alt="O Estádio de 1976, o Jardim Botânico e o estádio de novo, visto do Jardim, ao pôr-do-sol" width="4494" height="836" /><p class="wp-caption-text">O Estádio de 1976, o Jardim Botânico e o estádio de novo, visto do Jardim, ao pôr-do-sol</p></div>
<div id="attachment_533" class="wp-caption aligncenter" style="width: 4510px"><img class="size-full wp-image-533" title="Montreal3" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Montreal3.jpg" alt="A Magia das Lanternas" width="4500" height="844" /><p class="wp-caption-text">A Magia das Lanternas</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;"><strong><img class="alignleft size-medium wp-image-536" title="Toronto" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Toronto2-300x168.jpg" alt="Toronto" width="300" height="168" />Toronto</strong>, capital da província de Ontario e maior cidade canadense, tem os arredores bem americanizados, com subúrbios, malls, aqueles mares de estacionamento em torno de Wall Marts, Best Buys e Home Depots. Mas são só os arredores. O centro da cidade é denso e vivo, não tem nada daqueles “centros cívicos” descritos pelo Doctorow, que nós vimos num post lá atrás. Lembra um pouco a Nova Inglaterra, se bem que eu não conheço a Nova Inglaterra, estou falando pelo que já me contaram, pelo que eu vi em fotos e filmes. Montreal me pareceu mais compacta, talvez até por ser uma ilha. Toronto é mais espalhada, montes de pequenas cidades satélites e bairros periféricos, alguns com verdadeiras mansões. Quando estávamos indo embora, a caminho do aeroporto (eu acabei não aceitando a sugestão de emigrar do taxista etíope, rsrsrs), o taxi passou por um bairro assim. Nem sei se era o caminho mesmo, mas adorei.</p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">E teve <strong>Quebec</strong>. Fica a pouco mais de 200 km de Montreal, cobertos em três horas de ônibus. Saí bem cedo, fui e voltei no mesmo dia. É uma cidade lindinha, antiga fortaleza militar, com uma qualidade quase que cenográfica, com suas muralhas e recintos e escavações arqueológicas dos períodos alternados de governo francês e inglês. Há turistas aos montes, pra todos os lados, sozinhos, em grupos e excursões barulhentas, e isso me incomoda um pouco. Os preços costumam ser maiores, tem todo um burburinho de gente apressada, que parece estar mais preocupada em fotografar e conferir mapas e atrações e voltar pro microônibus a tempo do que em realmente observar a cidade.</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<div id="attachment_537" class="wp-caption aligncenter" style="width: 3485px"><img class="size-full wp-image-537" title="Quebec" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Quebec.jpg" alt="A estação rodoferroviária de Quebec, uma rua típica no Centro da cidade, as muralhas" width="3475" height="844" /><p class="wp-caption-text">A estação rodoferroviária de Quebec, uma rua típica no Centro da cidade, as muralhas</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Em todos os pontos turísticos há guias muito simpáticas e bem preparadas, dando explicações e contando a história do local. Na saída de um desses locais, um casal de americanos da Califórnia inquiriu a guia sobre algumas coisas que tinha visto e recebeu uma aula completa de história e geografia. Eu, que nem tinha feito a visita, mas estava sentada bem próxima, só fiquei na aba, aprendendo também. Entre outras coisas, ela disse a eles que em algum momento do século XVIII, antes da independência americana, Quebec não só também era colônia inglesa (e portanto, quando os americanos estudam as “treze” colônias, isso é uma visão bem incompleta), mas era a capital da colônia, o governador geral, representante da Coroa Britânica, ficava sediado em Quebec, de onde governava ttudo, inclusive a parte que hoje se chama Estados Unidos. Eles ficaram de queixo caído. No final, quando eles saíram, ela virou pra mim e perguntou se eu ainda tinha alguma dúvida (ela viu que eu estava escutando tudo), se eu sabia desses detalhes da história do “meu país” (pensando que eu também era americana), e eu ri e disse que não tinha nada a ver com isso, que eu era brasileira. Ela adorou!</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">Pena que choveu muito o dia todo. Na volta, na praça em frente à estação rodoviária, eu vi uma instalação que eu amei. Eram cadeiras de aço, chumbadas ao chão, dispostas geometricamente ao longo de uma das aléias da praça, e, no assento de cada uma dessas cadeiras, estava gravado um verso de uma poesia. Não é lindo?</p>
<p style="margin-bottom: 0in; font-weight: normal;">
<div id="attachment_538" class="wp-caption aligncenter" style="width: 2643px"><img class="size-full wp-image-538" title="Quebec-poesia" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Quebec-poesia.jpg" alt="&quot;Nos olhos se ilumina uma cidade, que nós jamais nos demos o trabalho de visitar&quot;" width="2633" height="1125" /><p class="wp-caption-text">&quot;Nos olhos se ilumina uma cidade, que nós jamais nos demos o trabalho de visitar&quot;</p></div>
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		<title>Cidades Literárias: Fernando Pessoa</title>
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		<pubDate>Sat, 17 Oct 2009 19:36:06 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades Literárias]]></category>
		<category><![CDATA[História Urbana]]></category>
		<category><![CDATA[História]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>
		<category><![CDATA[século XIX]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Ou eu devia dizer: Álvaro de Campos. Porque a poesia que eu selecionei, Ode Triunfal (na íntegra aqui), é de autoria deste que é um dos mais conhecidos e prolíficos heterônimos do poeta português*. Escrita em 1914, em Londres &#8211; berço da Revolução Industrial, é uma peça que ao mesmo tempo elogia o progresso e se [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Ou eu devia dizer: <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/%C3%81lvaro_de_Campos" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/_C3_81lvaro_de_Campos?referer=');"><strong>Álvaro de Campos</strong></a>. Porque a poesia que eu selecionei, <strong>Ode Triunfal </strong>(na íntegra <a href="http://www.revista.agulha.nom.br/facam02.html" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.revista.agulha.nom.br/facam02.html?referer=');">aqui</a>), é de autoria deste que é um dos mais conhecidos e prolíficos heterônimos do poeta português*. Escrita em 1914, em Londres &#8211; berço da Revolução Industrial, é uma peça que ao mesmo tempo elogia o progresso e se desencanta com ele. Os versos encarnam a velocidade, os sons, a textura dessa nova cidade subordinada à indústria, transformando-se num <a href="http://www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/o/ode_triunfal" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.passeiweb.com/na_ponta_lingua/livros/resumos_comentarios/o/ode_triunfal?referer=');">&#8220;passeio vertiginoso pela paisagem de um mundo povoado por máquinas, circuitos, cores&#8221;</a>. Mais do que à descrição física da cidade e seus elementos, prestem atenção à síntese que ele faz da sociedade, que esta, em quase cem anos que se passaram desde a composição, não mudou grande coisa, vamos combinar.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-519" title="industrial_revolution" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/industrial_revolution1-300x201.jpg" alt="industrial_revolution" width="300" height="201" />Ao mesmo tempo, no próprio ritmo e sonoridade do poema transparecem um cansaço imenso e a sombra de uma dúvida, sob a capa da ironia, de que todo este progresso vá trazer alguma solução aos problemas fundamentais do homem. Quem sabe vá até agravá-los e criar outros novos. Dilemas dos quais não nos livramos ainda. A gente vê a imagem que ilustra este post, e pode achar que esta cidade de chaminés e fumaças pertence ao século XIX, mas se a indústria foi afastada dos centros urbanos, a crença e o elogio do progresso, não. Continuamos apostando nossas fichas em máquinas (ainda que de design mais arrojado), na ciência, na tecnologia. Tudo isso pode ser uma maravilha, e tem uma capacidade de transformação do espaço e das relações absurdamente grande. Mas no que tange o essencial, o buraco continua mais embaixo.</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;À dolorosa luz das grandes lâmpadas elétricas da fábrica<br />
Tenho febre e escrevo.<br />
Escrevo rangendo os dentes, fera para a beleza disto,<br />
Para a beleza disto totalmente desconhecida dos antigos.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>(&#8230;)<br />
Ah, poder exprimir-me todo como um motor se exprime!<br />
Ser completo como uma máquina!<br />
Poder ir na vida triunfante como um automóvel último-modelo!<br />
Poder ao menos penetrar-me fisicamente de tudo isto,<br />
Rasgar-me todo, abrir-me completamente, tornar-me passento<br />
A todos os perfumes de óleos e calores e carvões<br />
Desta flora estupenda, negra, artificial e insaciável!</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Horas europeias, produtoras, entaladas<br />
Entre maquinismos e afazeres inúteis!<br />
Grandes cidades paradas nos cafés,<br />
Nos cafés &#8211; oásis de inutilidades ruidosas<br />
Onde se cristalizam e se precipitam<br />
Os rumores e os gestos do Útil<br />
E as rodas, e as rodas-dentadas e as chumaceiras do Progressivo!</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>(&#8230;)<br />
Hé-la as ruas, hé-la as praças, hé-lá-hô </em><em>la foule!<br />
Tudo o que passa, tudo o que pára às montras!<br />
Comerciantes; vadios; escrocs exageradamente bem-vestidos;<br />
Membros evidentes de clubs aristocráticos;<br />
Esquálidas figuras dúbias; chefes de família vagamente felizes<br />
E paternais até na corrente de oiro que atravessa o colete<br />
De algibeira a algibeira!<br />
Tudo o que passa, tudo o que passa e nunca passa!<br />
Presença demasiadamente acentuada de cocottes;<br />
Banalidade interessante (e quem sabe o quê por dentro?)<br />
Das burguesinhas, mãe e filha geralmente,<br />
Que andam na rua com um fim qualquer;<br />
A graça feminil e falsa dos pederastas que passam, lentos;<br />
E toda a gente simplesmente elegante que passeia e se mostra<br />
E afinal tem alma lá dentro!</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>(Ah, como eu desejaria ser o </em><em>souteneur disto tudo!)</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>A maravilhosa beleza das corrupções políticas,<br />
Deliciosos escândalos financeiros e diplomáticos,<br />
Agressões políticas nas ruas,<br />
E de vez em quando o cometa dum regicídio<br />
Que ilumina de prodígio e Fanfarra os céus<br />
Usuais e lúcidos da Civilização quotidiana!</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>(&#8230;)<br />
Adubos, debulhadoras a vapor, progressos de agricultura!<br />
Química agrícola, e o comércio quase uma ciência!<br />
Ó mostruários dos caixeiros-viajantes,<br />
Dos caixeiros-viajantes, cavaleiros-andantes da Indústria,<br />
Prolongamentos humanos das fábricas e dos calmos escritórios!</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Eh, cimento armado, beton de cimento, novos processos!<br />
Progressos dos armamentos gloriosamente mortíferos!<br />
Couraças, canhões, metralhadoras, submarinos, aeroplanos!<br />
Amo-vos a todos, a tudo, como uma fera.<br />
Amo-vos carnivoramente,<br />
Pervertidamente e enroscando a minha vista<br />
Em vós, ó coisas grandes, banais, úteis, inúteis,<br />
Ó coisas todas modernas,<br />
Ó minhas contemporâneas, forma actual e próxima<br />
Do sistema imediato do Universo!<br />
Nova Revelação metálica e dinâmica de Deus!</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>(&#8230;)<br />
Ah, e a gente ordinária e suja, que parece sempre a mesma,<br />
Que emprega palavrões como palavras usuais,<br />
Cujos filhos roubam às portas das mercearias<br />
E cujas filhas aos oito anos &#8211; e eu acho isto belo e amo-o! -<br />
Masturbam homens de aspecto decente nos vãos da escada.<br />
A gentalha que anda pelos andaimes e que vai para casa<br />
Por vielas quase irreais de estreiteza e podridão.<br />
Maravilhosa gente humana que vive como os cães,<br />
Que está abaixo de todos os sistemas morais,<br />
Para quem nenhuma religião foi feita,<br />
Nenhuma arte criada,<br />
Nenhuma política destinada a eles!<br />
Como eu vos amo a todos, porque sois assim,<br />
Nem imorais de tão baixos que sois, nem bons nem maus,<br />
Inatingíveis por todos os progressos,<br />
Fauna maravilhosa do fundo do mar da vida!&#8221;</em></p>
<p style="text-align: left;">* O livro de onde eu tirei a poesia é o <em>Ficções do Interlúdio, </em>que reúne diversos poemas de Fernando Pessoa, e de seus vários heterônimos, publicado pela Companhia das Letras, edição de 1998.</p>
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		<title>Cidades Literárias: Mário Quintana</title>
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		<pubDate>Fri, 14 Aug 2009 20:58:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>
		<category><![CDATA[século XIX]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Eu sei, eu sei, eu faço promessas que não cumpro. Na semana passada, prometi falar mais um pouco sobre o traçado de Nova York e não o fiz (ainda). Pedi também para continuar com o Júlio Verne, e mostrar um trecho d&#8217;A Volta ao Mundo em 80 dias. Mas fiquei com receio de vocês se cansarem [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu sei, eu sei, eu faço promessas que não cumpro. Na semana passada, prometi falar mais um pouco sobre o traçado de Nova York e não o fiz (ainda). Pedi também para continuar com o Júlio Verne, e mostrar um trecho d&#8217;A Volta ao Mundo em 80 dias. Mas fiquei com receio de vocês se cansarem de repetir o mesmo autor duas semanas consecutivas. E depois, se deixar, eu fico falando só do século XIX. É uma paixão pessoal. E um interesse acadêmico. Mas é bom variar de vez em quando também.</p>
<p>Então decidi adiar mais um pouco o cumprimento das promessas, e dar um refresco. Vai daí que eu pensei em poesia, e puxei um <a href="http://www.releituras.com/mquintana_bio.asp" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.releituras.com/mquintana_bio.asp?referer=');"><strong>Mário Quintana</strong></a> da estante. Este livro tem um dos meus títulos preferidos: <strong>Da preguiça como método de trabalho</strong>. Não é uma delícia? Esbarrei nuns textos falando sobre a poética do habitar, que casaram tão bem com outros de mesma temática que eu li na Adélia Prado um dia desses. Ainda vou trazer a Adélia pra cá também. Mas estavam intimistas demais, e eu não queria fugir muito da proposta de discutir a cidade. Então achei outros dois, na verdade minicrônicas (eu ia dizer micro, mas soou esquisitíssimo). Não descrevem uma cidade em especial, mas falam da experiência de observar uma cidade diferente, ou uma paisagem diferente. Como alguns amigos estão saindo em viagem, podem aproveitar essa reflexão.</p>
<p style="text-align: right;"><em>O FORASTEIRO</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Nada mais chato que nos quererem mostrar uma paisagem. Quando compreenderão que a gente as vê sem saber? E como se fossem elas que estivessem olhando para nós. Assim como o sol matinal nos entra janela adentro e fica aguardando o nosso despertar. Mas olhar detidamente uma paisagem que nos impingem é como ouvir um discurso de luzes e cores. Ninguém ouve um discurso por muito tempo: começa-se a pensar em outras coisas&#8230; É preciso que haja paulatinamente uma osmose entre nós e a paisagem. Uma paisagem é sempre grande em demasia: só quando reduzida em cartões postais &#8211; que aliás a gente manda para outras gentes&#8230; Quando se chega numa cidade, as belezas naturais da terra logo nos obrigam a vê-las e estão geralmente longe: uma estopada. Sou um tipo urbano. Eu gosto mesmo é de ficar no Centro, furungando cafés e livrarias; às vezes até encontro um livro meu, por descuido dos distribuidores. Mas há pior: é quando certos aborígenes nos levam a visitar monumentos.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>EXOTISMOS</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Desconfio desses turistas que consideram exóticos os países visitados. ficam de fora, vendo o pitoresco em tudo: nas casas, nas roupas, nos costumes, nas crenças&#8230;</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>E nem desconfiam que a única nota exótica desses indefesos países são precisamente eles!</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Mas isso ainda não é nada. Um dia os modernistas brasileiros descobriram o Brasil.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>- Que engraçado! &#8211; assaranharam-se em coro. -Mais um país exótico!</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>E surgiu daí essa infinidade de poemas-piadas, de tão pouco saudosa memória.</em></p>
<p>Eu achei fora de série essa percepção de que a paisagem também olha para nós, e que é preciso haver uma osmose entre nós e a paisagem, para que ela seja melhor apreendida. De fato, isso não se impinge a ninguém. Quanto ao último trecho, ele tem tudo a ver com o tal trechinho do Júlio Verne que eu não trouxe ainda, mas que agora vou ter que trazer. é exatamente a postura predominante nessas viagens e &#8220;descobertas&#8221; de que eu falava na semana passada, que espoucaram no século XIX. Que lição reconhecer que tantas vezes, o exótico somos nós. O que é saber relativizar, hein?</p>
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		<title>Cidades Literárias: Júlio Verne</title>
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		<pubDate>Fri, 07 Aug 2009 21:08:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>
		<category><![CDATA[século XIX]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Já que todo mundo gostou desse papo de século XIX, vamos nele mais um pouco. Foi sem dúvida um século genial, sob muitos aspectos. Essa coisa de Revolução Industrial mudou não só nosso modo de viver nas cidades. Mudou nossa maneira de viver assim, no geral, de pensar, nossas expectativas a respeito do futuro, nossa relação [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Já que todo mundo gostou desse papo de século XIX, vamos nele mais um pouco. Foi sem dúvida um século genial, sob muitos aspectos. Essa coisa de Revolução Industrial mudou não só nosso modo de viver nas cidades. Mudou nossa maneira de viver assim, no geral, de pensar, nossas expectativas a respeito do futuro, nossa relação com os outros.</p>
<p>Pra começar, o mundo começou a ficar realmente pequeno, ali. Outros momentos na história já tinham conhecido suas nuances de globalização, o conhecimento, além dos produtos, já circulava. Mas isso ainda era razoavelmente restrito. E sobretudo demorava demais. O cidadão viajava pra um lugar distante e exótico (distante podia ser, por exemplo, da Grécia para a Península Ibérica, ou dos planaltos persas para o norte da Índia), e isso já levava alguns meses. Depois, escrevia um longo relato, que precisava viajar fisicamente de volta, com o risco do pergaminho se perder num naufrágio ou se perder com a morte de seu portador. O original precisava ser copiado à mão algumas dezenas de vezes, e pouca gente seria letrada o suficiente para lê-lo. Mesmo assim, tantas maravilhas chegaram até nós.</p>
<p>Agora imagine que no século XIX a imprensa já existia há 400 anos, a porcentagem de gente capaz de ler era bem maior (embora ainda pequena para os padrões de hoje.. er&#8230;quer dizer&#8230; dependendo de onde a gente tome como referencial) e sobretudo, a invenção da máquina a vapor trouxe para a realidade as ferrovias e os navios a vapor. Nossa, o mundo ficou quase uma ervilha. E ainda tinha o telégrafo! Comunicações em alta velocidade! Praticamente todo mundo podia se deslocar com razoável conforto (compare com a viagem de carroça que se fazia antes) e rapidez, e visitar outros continentes, ver outras gentes, outros hábitos, outras arquiteturas, comidas, roupas, línguas, ambientes, se tornou quase comum. Esses novos referenciais de imagens inundaram o Velho Continente, e o Novo também, e isso ficou evidente nos elementos de decoração e arquitetura, nas padronagens da moda, na música e na arte em geral. Tudo era fascinante e causava deslumbramento. Quer dizer, talvez alguns eurocentristas se horrorizassem com a barbárie alheia (a barbárie nunca é nossa, já reparou?), com o atraso das outras civilizações, mas ainda que fosse pra olhar com cara de esnobe, ou com curiosidade condescendente, o fato é que o diferente estava na moda.</p>
<p>Esta semana, como vocês viram pelo título, eu selecionei um trecho  de<strong> <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/J%C3%BAlio_Verne" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/J_C3_BAlio_Verne?referer=');">Júlio Verne</a>.</strong> Este escritor francês é mais conhecido por suas aventuras fantásticas, nas quais ele engendra artefatos inexistentes à época &#8211; submarinos, foguetes de viagem à lua &#8211; e isso por si só já é tão característico desse momento de fé no progresso, mas além disso Verne era também um arguto observador da sociedade e das transformações de seu mundo. Procurando uma história para colocar aqui, eu me deparei com um conto que não conhecia, e do qual gostei. Chama-se <a href="http://es.bookmooch.com/detail/8498190614" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/es.bookmooch.com/detail/8498190614?referer=');"><strong>A cidade flutuante</strong></a><strong> </strong>(1887). Eu o tenho numa coleção de 40 obras de Júlio Verne chamada Grande Edição Popular das Viagens Maravilhosas aos Mundos Conhecidos e Desconhecidos, editado pela Livraria Bertrand, Lisboa. Não encontrei a data da edição em nenhum dos volumes da coleção, mas suponho que seja da década de 50 ou 60.</p>
<p>Pra começar, o texto é narrado em primeira pessoa, mas em nenhum momento fica-se sabendo nada sobre o narrador, nem sequer seu nome. Dá pra desconfiar, por um que outro detalhe, que ele seja inglês. Posso fazer mais um parêntese? Só pra dizer que é muito significativo que a literatura inglesa fosse tão rica nesse período, dado que o Império Britânico praticamente dominava o mundo. A cidade a que ele se refere no título é na verdade o fabuloso navio Great Eastern, e a história se passa numa longa viagem a bordo, entre Liverpool, na Inglaterra, e Nova York, nos Estados Unidos, em 1867. Achei legal de saída a forma como ele se refere ao navio como uma grande cidade: <em>&#8220;Resolvi então visitar todos os buracos deste formigueiro imenso e comecei o meu passeio como faria qualquer turista em cidade desconhecida&#8221;</em>.</p>
<p>Depois de inúmeras aventuras e personagens interessantíssimos, como o Dr. Dean Pitferge, que viaja constantemente de navio porque tem um sonho bizarro e romântico de morrer num naufrágio, eis que o protagonista chega à América, onde poderia ficar por oito dias. Segundo ele, para os viajantes-expressos, esse tempo seria suficiente para visitar todo o território norte-americano! Mas ele pretendia visitar seriamente Nova York e <em>&#8220;escrever, depois de detido exame, um livro sobre os costumes e caráter dos americanos&#8221;</em>. E segue-se uma descrição da Nova York de 1867 assim:</p>
<p style="text-align: right;"><em></p>
<div id="attachment_396" class="wp-caption alignright" style="width: 251px"><em><a href="http://www.garwood-voigt.com/catalogues/H24657NewYorkCityCowp.jpg" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.garwood-voigt.com/catalogues/H24657NewYorkCityCowp.jpg?referer=');"><img class="size-medium wp-image-396" title="newyorkcity1860" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/08/newyorkcity1860-241x300.jpg" alt="Planta de Nova York em 1860" width="241" height="300" /></a></em><p class="wp-caption-text">Planta de Nova York em 1860</p></div>
<p>&#8220;Mas a forma, o aspecto físico de Nova Ypork vê-se depressa. Tem a variedade do tabuleiro de xadrez. As ruas são traçadas perpendicularmente umas às outras. Se correm longitudinalmente, chamam-se avenues, se são transversais, recebem o nome de streets. Todas estas vias de comunicação têm números de ordem. é disposição prática, sem dúvida, mas muito monótona. Carros americanos correm por todas as avenues. Quem viu um bairro de Nova York conhece toda a grande cidade, com exceção talvez daquela confusão de ruas e travessas na ponta do sul, onde se acumulou a população comercial. Nova York é uma língua de terra, no extremo sul da qual se concentrou toda a atividade. De um lado corre o Hudson, do outro o rio de Leste, verdadeiros braços de mar sulcados de navios e de ferry-boats, os quais ligam o lado direito da cidade a Brooklyn, e o esquerdo às praias de Nova Jersey. Uma única artéria corta a simétrica aglomeração dos quarteirões de Nova York e lhe dá vida. É o antigo Broadway, o Strand de Londres, o boulevard Montmartre de Paris. Impossível de transitar na sua parte baixa, onde a multidão aflui, é em cima quase deserta, rua em que as casinhas insignificantes se misturam com ricos palácios de mármore, verdadeiro rio de carruagens, ônibus, cabs, carroças e cavalos, tendo por margens os passeios, e sendo atravessados por pontes para dar passagem aos peões. Broadway é Nova York, foi lá que Pitferge e eu passamos até a noite&#8221;.</em></p>
<p style="text-align: left;">Tá bom por hoje. Eu tinha selecionado mais um trecho, d&#8217;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Le_tour_du_monde_en_quatre-vingts_jours" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Le_tour_du_monde_en_quatre-vingts_jours?referer=');">A volta ao mundo em 80 dias</a>, que fala desse fascínio e estranhamento com outros povos e países, mas já ficou longo demais. Posso trazer esse outro trecho semana que vem?</p>
<p style="text-align: left;">Última palavrinha. Eu (ainda) não conheço Nova York pessoalmente, mas os que já a visitaram sintam-se à vontade para partilhar suas impressões, em face deste texto de 130 anos atrás. Coloquei pra vocês, aí do lado, uma planta de época da região,. Sobre essa questão do traçado, sim, eu posso falar, se alguém tiver interesse.</p>
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		<title>Paisagens cariocas</title>
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		<pubDate>Wed, 05 Aug 2009 23:37:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[espaço público]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
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		<category><![CDATA[Paisagismo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Hoje de tarde, Marido chegou cedo do trabalho, tava um dia lindo, sol de inverno, e nós fomos andar de bicicleta no Aterro. Daí que eu voltei, mais uma vez encantada com a paisagem espetacular, e lembrei que fiquei de prestar minha homenagem ao Burle Marx.</p>
<p>Pra quem não sabe, Burle Marx foi um dos mais importantes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje de tarde, Marido chegou cedo do trabalho, tava um dia lindo, sol de inverno, e nós fomos andar de bicicleta no Aterro. Daí que eu voltei, mais uma vez encantada com a paisagem espetacular, e lembrei que fiquei de prestar minha homenagem ao Burle Marx.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-383" title="burle_himself" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/08/burle_himself-300x166.jpg" alt="burle_himself" width="300" height="166" />Pra quem não sabe, Burle Marx foi um dos mais importantes paisagistas do mundo no século XX, mas ele gostava mesmo é de se apresentar como artista plástico. Era pintor, ceramista, escultor, desenhou jóias, plantou jardins, idealizou painéis imensos e multicoloridos de azulejos. Tudo com uma delicadeza, uma noção de harmonia de cores, volumes e proporções que é uma coisa de louco. Ou de gênio. Burle nasceu em São Paulo, mas viveu a maior parte da vida no Rio de Janeiro, e podemos dizer que parte significativa da imagem que hoje temos da cidade se deve a ele.</p>
<p><img class="alignright size-thumbnail wp-image-384" title="burle2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/08/burle2-150x150.jpg" alt="burle2" width="150" height="150" />Além de inúmeros projetos para jardins privados, de residências urbanas ou chácaras e sítios, Burle Marx idealizou e executou vários dos mais conhecidos espaços públicos da cidade, entre eles os jardins do Museu de Arte Moderna, do Palácio Gustavo Capanema (antigo prédio do MEC, no Centro), o calçadão de Copacabana e o Aterro do Flamengo (aqui é bom que se diga que a idealização do Aterro é de Carlota Macedo de Soares, o projeto urbanístico e de diversos elementos arquitetônicos é de Afonso Eduardo Reidy e o projeto paisagístico, sim, de Burle Marx). Isso pra falar só de alguns dos seus projetos no Rio de Janeiro, porque os há em todo canto do mundo.</p>
<p><img class="alignright size-thumbnail wp-image-385" title="burle1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/08/burle1-150x150.jpg" alt="burle1" width="150" height="150" />Recentemente houve uma belíssima exposição da obra de Burle Marx no Paço Imperial, que eu tive a oportunidade de ver na companhia deliciosa e encantadora do meu amigo e arquiteto <a href="http://correioselado.blogs.sapo.pt/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/correioselado.blogs.sapo.pt/?referer=');">Cláudio Luiz</a>, e eu relembrei o quanto é fantástico admirar o desenho de Burle Marx e seus projetos, em planta baixa. Cada um deles é, em si mesmo, uma obra de arte, um quadro. Ele pensava os jardins como pinturas, com as cores, as formas, a geometria, a plasticidade de uma composição artística.</p>
<p>Eu podia falar também que ele é o responsável pela introdução de um novo conceito no paisagismo moderno, valorizando as árvores e espécies nativas, numa época em que ainda se importava tanta moda. E isso vale não só para as exuberantes palmeiras tropicais, bromélias e agaves, mas para desconhecidos arbustos e folhagens, que antes eram tratados como mato, quando não como erva-daninha, e que, a partir de Burle Marx, foram valorizados e elevados à categoria de protagonistas em canteiros coloridos. Mas o melhor que eu posso fazer é sugerir, pra você que é daqui do Rio, e pra você que venha aqui a passeio, uma visita ao <a href="http://www.rio.rj.gov.br/riotur/pt/atracao/?CodAtr=3900" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.rio.rj.gov.br/riotur/pt/atracao/?CodAtr=3900&amp;referer=');">Sítio Burle Marx</a>, lá em Guaratiba. É passeio para um dia inteiro, mas vale cada segundo.</p>
<p>Burle Marx nos deixou em 1994, aos 84 anos, mas sua obra está viva na cidade, literalmente. E a gente pode se emocionar com ela num simples passeio de bicicleta de fim da tarde, não tem coisa melhor.</p>
<div id="attachment_391" class="wp-caption aligncenter" style="width: 969px"><img class="size-full wp-image-391" title="burle_comp1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/08/burle_comp1.jpg" alt="Calçadão, jardins do MAM e Aterro do Flamengo" width="959" height="278" /><p class="wp-caption-text">Calçadão, jardins do MAM e Aterro do Flamengo</p></div>
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		<title>Poesia concreta</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 14:48:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[paisagem]]></category>
		<category><![CDATA[São Paulo]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>A gente tava ali falando dos refugos da cidade, daquilo que se coloca fora das vistas, porque incomoda, ou é feio, aí eu lembrei.</p>
<p>Esse fim de semana eu peguei um dvd na locadora. É um documentário brasileiro que foi feito há uns dois anos, mais ou menos, chegou a passar no cinema, mas só por pouquíssimo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A gente tava ali falando dos refugos da cidade, daquilo que se coloca fora das vistas, porque incomoda, ou é feio, aí eu lembrei.</p>
<p>Esse fim de semana eu peguei um dvd na locadora. É um documentário brasileiro que foi feito há uns dois anos, mais ou menos, chegou a passar no cinema, mas só por pouquíssimo tempo, participou de uns festivais e mostras e depois sumiu. Eu anotei e fiquei esperando. Só saiu em dvd agora. Chama-se <a href="http://www.omelete.com.br/cine/100008108/Bem_vindo_a_Sao_Paulo.aspx" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.omelete.com.br/cine/100008108/Bem_vindo_a_Sao_Paulo.aspx?referer=');"><strong>Bem-vindo a São Paulo</strong></a> e é uma coletânea de visões, a maioria estrangeiras, apresentadas em 17 pequenos trechos, quase como estrofes de um poema, cada um dirigido a partir da visão de um diretor diferente. Mas o produto final tem uma unicidade plástica e narrativa cativantes, meio dada pela música, pela narração em off, contida e elegante, de Caetano Veloso, meio dada por uma escolha que eu não sei se foi casual, de focar exatamente no que tem de menos óbvio na cidade.</p>
<p>Explico-me. Uma coisa que costuma vir logo à cabeça quando se fala de São Paulo, com um subtítulo que é &#8220;visões da metrópole&#8221;, é a força econômica da cidade (normalmente representada pelas imagens da Av. Paulista, das grandes sedes de banco e empresas, das indústrias) e a pujança cultural e de lazer que a cidade oferece (sempre com imagens do MASP, dos parques urbanos e museus novos, do circuito vip de gastronomia). Nenhuma dessas imagens aparece no documentário. É um documentário filmado fora do cartão postal. É não mostrar o bordado, mas o avesso do bordado, a tessitura que permite que o bordado exista. O foco é nas pessoas mais simples, na variedade de anônimos &#8211; migrantes e imigrantes &#8211; que constróem a cidade todos os dias.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-326" title="copan-com-lua-grande" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/07/copan-com-lua-grande.jpg" alt="copan-com-lua-grande" width="400" height="300" />Desfilam cenas de mercados, feiras e fins de feira, cortiços, sambas noturnos, calçadas frequentadas por travestis, aposentados jogando truco num Anhangabaú vazio de domingo. Há pouquíssimo texto, sobressaem os sons da cidade, as conversas, as buzinas, o vento nos letreiros e placas desbotados. Reina o <a href="http://www.copansp.com.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.copansp.com.br/?referer=');">Copan</a>, gigante decadente e sinuoso, na selva de concreto. A câmera tranquila, mesmo quando em tomadas curtas e rápidas, consegue captar a mutação constante da cidade, o movimento, a diversidade. Aliás, bem legal quando eles comentam que foi feita uma enquete com os moradores, sobre músicas que exprimem o espírito de São Paulo, e as duas músicas preferidas dos entrevistados são justamente as que falam de locomoção, de passagem: <a href="http://www.youtube.com/watch?v=ceBdGz3eTFg" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.youtube.com/watch?v=ceBdGz3eTFg&amp;referer=');">Trem das Onze</a>, de Adoniram Barbosa, e <a href="http://letras.terra.com.br/caetano-veloso/41670/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/letras.terra.com.br/caetano-veloso/41670/?referer=');">Sampa</a>, do mesmo Caetano.</p>
<p>Eu gostei especialmente de uma rápida conversa com um dos diretores, o <a href="http://www.imdb.com/name/nm0321159/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.imdb.com/name/nm0321159/?referer=');">Amos Gitai</a>, que tá lá falando sobre enquadramento, e constata que, ao fazer uma escolha, você está automaticamente excluindo todas as outras opções. Se você mostra esse ângulo, é porque não mostra aquele. Aí no quadro seguinte, você mostra o plano que ficou de fora da primeira vez, e exclui o anterior. É sempre um recorte. E neste recorte, o filme resolve dar protagonismo a vozes e rostos que normalmente são os excluídos das outras produções. Mesmo nas inescapáveis panorâmicas que tentam e não conseguem captar toda a gigantesca massa de concreto que é São Paulo, há sempre um olho humano.</p>
<p>O meu olho pra São Paulo sempre foi aquele descrito na letra da música: <em>quando eu te encarei frente a frente, não vi o meu rosto. Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto o mau gosto. É que Narciso acha feio o que não é espelho</em>. São Paulo sempre me intimidou. Eu era ali uma estranha, engolida pela imensidão do labirinto. São Paulo pra mim era exatamente o tamanho do engarrafamento que eu enfrentava uma vez por ano, quando, indo de carro do Rio de Janeiro ao Rio Grande do Sul nas férias, ficava mais tempo parada nas Marginais do que o que tinha levado pra cruzar toda a Dutra. São Paulo era fumaça, Tietê e caminhão. Dois pastel e um chopps.</p>
<p>Aí a internet me apresentou amigos e amigas queridas (muuuuito queridas), paulistanas. Depois, amigos cariocas foram morar em sampa, pelos mais variados motivos, quase todos desembocando na impressionante melhoria de status profissional (terra das oportunidades, né?). Eu passei a ir um pouco mais a São Paulo, a ver tudo com outros olhos, a pegar metrô sozinha, a mediar minha relação com a cidade pelo afeto que eu tenho pelas pessoas. E isso transformou tudo. Vou ficar por aqui. No afeto transformando as relações, dando rosto, dando história ao que era uma generalização informe. Tão bom isso.</p>
<p><em>Alguma coisa acontece no meu coração&#8230;</em></p>
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		<title>Cidades Literárias: Clarice Lispector</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/06/19/cidades-literarias-clarice-lispector/</link>
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		<pubDate>Fri, 19 Jun 2009 18:59:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Brasília]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>A história de hoje é com Clarice e Brasília. Só que envolve uma dúvida, para a qual eu peço a ajuda de vocês. Eu recebi o texto abaixo de uma amiga, por e-mail, atribuído à Clarice. Gostei muito e tem realmente o jeito dela. Mas eu não sei (nem a amiga, porque eu perguntei pra ela), [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A história de hoje é com <strong>Clarice</strong> e <strong>Brasília</strong>. Só que envolve uma dúvida, para a qual eu peço a ajuda de vocês. Eu recebi o texto abaixo de uma amiga, por e-mail, atribuído à Clarice. Gostei muito e tem realmente o jeito dela. Mas eu não sei (nem a amiga, porque eu perguntei pra ela), qual a fonte do texto. Em que livro foi publicado, ou se foi uma crônica de jornal, quando ou qual o título. Assim, se algum de vocês tiver essa informação, eu agradeço que partilhem conosco. Hoje eu não vou fazer nenhuma outra consideração sobre o texto, vou deixar vocês lerem e darem sua opinião, eu tenho lá as minhas&#8230; A gente vai trocando impressões nos comentários.</p>
<p><strong>Update:</strong> consultando o oráculo, <a href="http://neliaf.multiply.com/journal/item/1008/1008" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/neliaf.multiply.com/journal/item/1008/1008?referer=');">vi</a> que a autoria é mesmo dela, Clarice Lispector, e que a crônica foi publicada em 1962, portanto, quando Brasília estava recém-inaugurada. Só ainda não sei onde foi a publicação. O pedido de ajuda continua de pé.</p>
<p><strong>Update 2:</strong> A <a href="http://duasfridas.wordpress.com/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/duasfridas.wordpress.com/?referer=');">Monix</a> salvou a pátria: o livro em que consta essa crônica é o Visões do Esplendor, e parece que está esgotado. Mas fica aí a referência. Valeu, Monix!</p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Brasília é construída na linha do horizonte. Brasília é artificial. Tão artificial como devia ter sido o mundo quando foi criado. Quando o mundo foi criado, foi preciso criar um homem especialmente para aquele mundo. Nós somos todos deformados pela adaptação à liberdade de Deus. Não sabemos como seríamos se tivéssemos sido criados em primeiro lugar, e depois o mundo deformado às nossas necessidades.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Brasília ainda não tem o homem de Brasília. – Se eu dissesse que Brasília é bonita, veriam imediatamente que gostei da cidade. Mas se digo que Brasília é a imagem de minha insônia, vêem nisso uma acusação; mas a minha insônia não é bonita nem feia – minha insônia sou eu, é vivida, é o meu espanto. Os dois arquitetos não pensaram em construir beleza, seria fácil; eles ergueram o espanto deles, e deixaram o espanto inexplicado. A criação não é uma compreensão, é um novo mistério.<br />
</em></p>
<p style="text-align: right;"><em><img class="alignright size-full wp-image-291" title="brasilia" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/06/brasilia.jpg" alt="brasilia" width="450" height="335" />(&#8230;) Brasília foi construída sem lugar para ratos. Toda uma parte nossa, a pior, exatamente a que tem horror de ratos, essa parte não tem lugar em Brasília. Eles quiseram negar que a gente não presta. Construções com espaço calculado para as nuvens. O inferno me entende melhor. Mas os ratos, todos muito grandes, estão invadindo. Essa é uma manchete nos jornais.</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>(&#8230;) Todo um lado de frieza humana que eu tenho, encontro em mim aqui em Brasília, e floresce gélido, potente, força gelada da Natureza. Aqui é o lugar onde os meus crimes (não os piores, mas os que não entenderei em mim), onde os meus crimes não seriam de amor. Vou embora para os meus outros crimes, os que Deus e eu compreendemos. Mas sei que voltarei. Sou atraída aqui pelo que me assusta em mim. Nunca vi nada igual no mundo.<br />
</em></p>
<p style="text-align: right;"><em>(&#8230;) Se tirasse meu retrato em pé em Brasília, quando revelassem a fotografia só sairia a paisagem. Cadê as girafas de Brasília? É urgente. Se não for povoada, ou melhor, superpovoada, uma outra coisa vai habitá-la. E se acontecer, será tarde demais: não haverá lugar para pessoas. Elas se sentirão tacitamente expulsas. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>A alma aqui não faz sombra no chão.<br />
Por mais perto que se esteja, tudo aqui é visto de longe. (&#8230;) A cidade de Brasília fica fora da cidade. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Essa beleza assustadora, esta cidade traçada no ar. Por enquanto não pode nascer samba em Brasília. Brasília não me deixa ficar cansada. Persegue um pouco. Bem-disposta, bem-disposta, bem-disposta, sinto-me bem. E afinal sempre cultivei meu cansaço, como a minha mais rica passividade. Tudo isso é hoje apenas. Só Deus sabe o que acontecerá com Brasília. É que o acaso aqui é abrupto. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Brasília é mal-assombrada. É o perfil imóvel de uma coisa. De minha insônia olho pela janela do hotel às três horas da madrugada. Brasília é paisagem da insônia. Nunca adormece. Aqui o ser orgânico não se deteriora. Petrifica-se. Eu queria ver espalhadas por Brasília 500 mil águias do mais negro ônix. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Brasília é assexuada. O primeiro instante de ver é como certo instante da embriaguez: os pés não tocam na terra. Como a gente respira fundo em Brasília. Quem respira, começa a querer. E querer, é que não pode. Não tem. Será que vai ter? É que não estou vendo onde. (&#8230;) Se há algum crime que a humanidade ainda não cometeu, esse crime novo será aqui inaugurado. E tão pouco secreto, tão bem adequado ao planalto, que ninguém jamais saberá. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Aqui é o lugar onde o espaço mais se parece com o tempo. (&#8230;) Fazem tanta falta cavalos brancos soltos em Brasília. De noite eles seriam verdes ao luar. Eu sei o que os dois quiseram: a lentidão e o silêncio, que também é a idéia que faço da eternidade. Os dois criaram o retrato de uma cidade eterna. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Há alguma coisa aqui que me dá medo. Quando eu descobrir o que me assusta, saberei também o que amo aqui. O medo sempre me guiou para o que eu quero; e, porque eu quero, temo. Muitas vezes foi o medo quem me tomou pela mão e me levou. O medo me leva ao perigo. E tudo o que amo é arriscado. </em></p>
<p style="text-align: right;"><em>Em Brasília estão as crateras da Lua. A beleza de Brasília são as suas estátuas invisíveis&#8221;.</em></p>
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