<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<rss version="2.0"
	xmlns:content="http://purl.org/rss/1.0/modules/content/"
	xmlns:wfw="http://wellformedweb.org/CommentAPI/"
	xmlns:dc="http://purl.org/dc/elements/1.1/"
	xmlns:atom="http://www.w3.org/2005/Atom"
	xmlns:sy="http://purl.org/rss/1.0/modules/syndication/"
	xmlns:slash="http://purl.org/rss/1.0/modules/slash/"
	>

<channel>
	<title>Urbanamente &#187; problemas</title>
	<atom:link href="http://www.urbanamente.net/blog/tag/problemas/feed/" rel="self" type="application/rss+xml" />
	<link>http://www.urbanamente.net/blog</link>
	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
	<lastBuildDate>Sun, 14 Aug 2011 17:53:16 +0000</lastBuildDate>
	<language>en</language>
	<sy:updatePeriod>hourly</sy:updatePeriod>
	<sy:updateFrequency>1</sy:updateFrequency>
	<generator>http://wordpress.org/?v=3.3.1</generator>
		<item>
		<title>Você quer mudanças? Eu também.</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/12/voce-quer-mudancas-eu-tambem/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/12/voce-quer-mudancas-eu-tambem/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 12 Oct 2010 20:26:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Outros]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Meio Ambiente]]></category>
		<category><![CDATA[política]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=899</guid>
		<description><![CDATA[<p style="text-align: right;">“If you choose not to decide, you still have made a choice.
You can choose from phantom fears and kindness that can kill;
I will choose a path that&#8217;s clear, I will choose freewill” * 
(Rush: Freewill; Rio de Janeiro, Praça da Apoteose, 10/10/2010)</p>
<p>Eu tenho ouvido bastante por aí, não só entre alunos, mas na rede [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><!-- p { margin-bottom: 0.08in; } --><em>“<span style="font-size: small;">If you choose not to decide, you still have made a choice.</span><br />
<span style="font-size: small;">You can choose from phantom fears and kindness that can kill;<br />
I will choose a path that&#8217;s clear, I will choose freewill” *</span></em> <em><br />
<span style="font-size: small;">(Rush: Freewill; Rio de Janeiro, Praça da Apoteose, 10/10/2010)</span></em></p>
<p><span style="font-size: medium;">Eu tenho ouvido bastante por aí, não só entre alunos, mas na rede ou em conversas com amigos, que as pessoas querem mudanças. Neste sentido, nenhum dos dois candidatos atende às aspirações dessas pessoas, porque ambos representam continuidade com alguma coisa do passado recente, sobretudo, para usar as palavras de Marina Silva, ambos representam uma velha forma de fazer política, da qual as pessoas estão cansadas, e que ainda por cima reprovam. Algo novo é necessário. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Quando Lula entrou, em 2002, ele representava essa mudança. O PT, para muita gente, era a promessa de uma forma nova de governar, encarnava a esperança de um governo não só eficiente no combate à pobreza e desigualdade, capaz de gerar empregos, resolver as mazelas na educação e saúde, mas sobretudo fizesse tudo isso de forma ética, íntegra, sem negociatas, e varrendo do mapa todos os personagens nefastos que habitavam o cenário político desde&#8230; sei lá, desde sempre, parecia. Eu também queria isso, e eu também me decepcionei. Talvez o meu maior aprendizado nestes últimos anos tenha sido de que<strong> entre o ideal e o possível há uma distância maior do que a que eu imaginava</strong>.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">De qualquer forma, dentro do campo do possível, há muita coisa a ser considerada, há escolhas, e nesse sentido, <strong>o ideal</strong> é importante, porque ele norteia o rumo e os métodos a seguir, ele funciona como uma lâmpada que nos impede de cair na escuridão do cinismo irremediável. Apesar de todos os percalços, bastante gente está a disposta a considerar que Lula obteve bons resultados em diversos campos, mas talvez não o bastante, e aí, como se esse modelo tivesse se esgotado, sem que os problemas tivessem sido resolvidos, querem tentar algo diferente. Para essa turma, Dilma representa um <em>continuísmo</em> indesejável, uma espécie de mais do mesmo. Até aí, o que eu estou dizendo faz sentido pra você?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Muito bem, eis a reflexão que eu proponho:</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Em primeiro lugar, quando a gente quer mudar alguma coisa, é preciso ter bastante clareza para saber O QUE a gente quer mudar. Uma coisa é cansar do corte do cabelo, ou da cor do seu quarto, do modelo do carro, e resolver mudar. Bom, se não ficar do jeito que você queria, sempre dá pra pintar de novo, cortar de outro jeito ou esperar crescer, vender o carro e comprar outro. Nada que afete a essência da sua vida, que tenha um preço alto demais, ou que traga consequências desagradáveis para um monte de gente que não tem nada a ver com isso. Aliás, a nossa sociedade de consumo cada vez mais voraz nos instiga exatamente a cansarmos rapidamente das coisas para adquirir outras, trocar objetos, hábitos e até relacionamentos por modelos novos, mais eficientes, mais elegantes, mais modernos. O tempo todo. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Daí que eu pergunto: <strong>qual o sentido da mudança que você deseja</strong>? É uma mudança consciente, em aspectos que você identifica, sobre os quais você pensou, se informou? Ou é só um desejo difuso de mudar por mudar, do tipo “se não está bom, muda, não importa pra que lado, o importante é mudar”? </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Governos não são cortes de cabelo. Não que eles não possam – e às vezes devam – ser mudados. Mas é necessário considerar que as consequências têm um alcance muito mais amplo, profundo e duradouro do que o atendimento aos meus interesses imediatos. Afeta muito mais gente e setores da vida do país, alguns dos quais de forma tão intensa que uma decisão equivocada pode levar muito tempo para ter seus efeitos corrigidos, e uma decisão correta, igualmente, pode levar muito tempo para ser absorvida, consolidada e apresentar resultados visíveis. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Por isso eu insisto tanto que, em vez de se guiar exclusivamente por simpatias ou antipatias, a gente reflita sobre <strong>projetos para o país</strong>, e formas de alcançar essas metas. Essas construções, só possíveis de alcançar através da política, são processos lentos, gradativos. Por que eu digo que só através da política? Porque nenhuma alteração é conseguida através de mágica ou de consenso. Aliás, como diz um dos nomes de blog que eu acho mais legais, <a href="http://www.culturaebarbarie.org/blog/" target="_blank"><strong>consenso, só no paredão!</strong></a> (não é só o nome do blog que é bom, o conteúdo também é ótimo. O Nodari é tremendamente lúcido, e foi dos <a href="http://www.amalgama.blog.br/10/2010/por-que-votei-em-marina-e-agora-votarei-em-dilma/" target="_blank"><strong>primeiros eleitores da Marina a declarar que vai de Dilma no 2o. turno</strong></a>, explicando <a href="http://www.amalgama.blog.br/10/2010/por-que-votei-em-marina-e-agora-votarei-em-dilma/" target="_blank">o porquê</a>). Como num jogo de xadrez, às vezes a gente sacrifica uma peça importante para alcançar um xeque-mate.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Nenhum presidente, por mais maravilhoso e bem intencionado que seja, vai conseguir emplacar nenhuma mudança na base da canetada, achando que é possível governar “acima dos partidos políticos”. A menos que seja um governo totalitário, o que eu acredito que não é o que desejamos. Portanto, qualquer proposta terá que ser discutida e votada, antes de ser aprovada. Interesses contrários se manifestarão, negociações e conflitos terão lugar, e o resultado nem sempre será o que nós queríamos no início. Isso é política.</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Vocês entendem qual é a nossa responsabilidade na participação desse processo? Não basta votar da melhor forma possível: é preciso acompanhar, cobrar, se posicionar, agir. Para alcançar um objetivo, de vez em quando é preciso ceder em outros, retroceder um passo para conseguir dar dois passos pra frente lá adiante. Embora eu concorde que <a href="http://marjorierodrigues.wordpress.com/2010/10/05/nao-rifem-mulheres-por-votos/" target="_blank">não se possa transigir em tudo</a>.<br />
</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Nós iniciamos um processo 8 anos atrás. Na minha opinião, é cedo para descartá-lo e começar uma coisa diferente. Aperfeiçoar e corrigir alguns rumos é outro departamento. Isso devemos fazer. Por exemplo, há contribuições importantes a serem incorporadas, como debater a difícil equação desenvolvimento e meio ambiente. Nesse tema, eu me afino bastante com as posições do <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/" target="_blank">Sakamoto</a>. E como urbanista, quero frisar que meio ambiente não é só salvar a Amazônia, o Cerrado e a Mata Atlântica. É também se preocupar com as condições de trabalho e vida das populações que habitam esses lugares, de forma que elas possam se desenvolver, sem esgotar os recursos à sua volta. Cidade também é meio ambiente. Ou melhor: Cidade <strong>É</strong> meio ambiente. Num país em que <a href="http://www.portalbrasil.net/brasil_populacao.htm" target="_blank">mais de 80% da população vive em cidades</a>, tratar de um tema é tratar do outro, não dá pra ser diferente. Assuntos como a crescente impermeabilização do solo, modelos de expansão e ocupação do território, eficiência energética, saneamento, habitação, e mesmo a relação que estabelecemos com a paisagem ao nosso redor, tanto a paisagem construída quanto a paisagem dita “natural” (que também é construída, culturalmente) são da ordem do dia em termos de debate ambiental. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Eu vou dizer algumas coisas que eu <strong>não gosto e não aprovo no governo Lula</strong>, e sobre as quais desejo mudanças:</span></p>
<ul>
<li><span style="font-size: medium;">Não gosto da maneira condescendente com que é tratada a <strong>expansão da fronteira agrícola</strong>, especialmente nas regiões Norte e Centro-Oeste. Tenho receios de que essa febre em relação ao biodiesel esteja transformando muitas áreas de floresta em latifúndios monocultores de cana, como já foram de soja, ou de café. Além do desmatamento, isso implica em concentração de terra e renda, quase sempre envolve trabalho escravo e/ou infantil em condições sub-humanas e desterra populações indígenas ou ribeirinhas. Em relação a isso, adoraria, por exemplo, que o governo Dilma se comprometesse com a não alteração do <strong>Código Florestal</strong>, nos termos em que está sendo proposto hoje.</span></li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-size: medium;">Acho que o governo foi tímido em relação à <strong>Reforma Agrária</strong>. Adoraria ver esse tema tratado em termos mais progressistas e que ele se tornasse alvo de ações mais concretas e radicais. E olha que, em comparação com os governos anteriores, o Lula fez até bastante. Mas ainda acho pouco, quero mais. Idem com relação à <strong>Reforma Política</strong>.</span></li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-size: medium;">Não gosto de algumas<strong> alianças</strong>. Me dói ter que engolir determinados políticos no mesmo palanque, por mais que eu entenda que de vez em quando é necessário e inevitável. É pragmatismo demais? Talvez. Mas o meu dilema é o seguinte: eu posso escolher ficar puro, não apertar a mão de salafrário nenhum, recusar o apoio de A, B e C, e em consequência permanecer politicamente inexpressivo, e jamais alcançar uma posição em que consiga de fato implementar algumas das minhas idéias e mudar de fato a realidade. Neste caso, eu fico “íntegro”, porém inócuo. OU posso escolher engolir umas coisas, dentro de algumas condições, e com isso fazer diferença na prática, e me contentar em mudar as coisas devagar. Entre uma escolha e outra, tem um monte de nuances, sempre tem. A decisão é difícil, mas eu tenho tendido mais para a ação, mesmo que com algumas concessões amargas. </span></li>
</ul>
<ul>
<li><span style="font-size: medium;">O capital financeiro especulativo ainda teve excessivos ganhos, em detrimento de uma carga fiscal excessivamente pesada que incide sobre os assalariados. <strong>Salário não é renda</strong>. E a renda não é taxada como devia ser. Eu fico feliz que os mais pobres tenham ascendido socialmente, e quero que isso continue e se amplie, mas isso ainda é desigualmente cobrado da classe média assalariada, em comparação com as grandes fortunas. Espero não estar dizendo nenhuma bobagem muito grande. </span></li>
</ul>
<p><span style="font-size: medium;">O que eu quero dizer com tudo isso é que eu não quero jogar a criança fora junto com a água da bacia. Há muita coisa a ser feita, a ser corrigida, mas o meu convite sincero a todos os leitores deste blog é: <strong>pensem</strong>. Queiramos ou não, gostemos ou não, haverá um/a novo/a presidente/a no país a partir de janeiro e ele/a será eleito/a no dia 31 de outubro. Você pode considerar que nenhum dos dois te agrada e resolver anular seu voto ou simplesmente não ir votar. É um direito seu, inalienável, e longe de mim brigar com você por causa disso. A despeito disso, um dos dois será escolhido e será empossado. E mais: esse/a presidente/a será necessariamente Dilma Rousseff ou José Serra. Não há alternativas a esta altura do campeonato. </span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Daqui do meu pessoal e pequeno ponto de vista, <strong>não participar não é uma opção</strong>. Pelo simples motivo que a sua ausência, o seu não-voto, também é uma expressão, e interfere no resultado final. Diante disso, eu reitero: PENSEM. Sem paixão, guiados pelo princípio da realidade. A pergunta é: <strong>QUAL O PROJETO DE PAÍS QUE EU DEFENDO/DESEJO? </strong></span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Qual a ideia que você tem do que seria um país bom, melhor, mais justo? </span><br />
<span style="font-size: medium;">O que é preciso fazer para alcançar isso? </span><br />
<span style="font-size: medium;">Quem reúne melhores condições para chegar mais perto disso, ou pelo menos se afastar menos?</span><br />
<span style="font-size: medium;">Com qual modelo – não só de programa, mas de gestão, de administração – você acha que o diálogo seria mais provável, mais profícuo?</span><br />
<span style="font-size: medium;">Quem estaria mais aberto a ouvir e incorporar essas novas demandas, numa proposta conjunta de construção do país?</span></p>
<p><span style="font-size: medium;">Vai pensando nas suas respostas, que eu já volto para dar as minhas. E para dizer por que eu creio, MESMO, que nós estamos diante de dois modelos completamente diferentes, em método e em conteúdo, em fins e em meios, ao contrário da turma que acha que tanto faz, que é tudo a mesma coisa. Não é. </span></p>
<p style="text-align: right;"><em><span style="font-size: small;">* O trecho do refrão da música citada diz o seguinte:<strong> “se você escolhe não tomar decisão, ainda assim você fez uma escolha. Você pode escolher medos fantasmáticos e bondades que podem matar. Eu escolho um caminho muito claro, eu escolho o livre arbítrio”. </strong>Dá pra escutar <a href="http://www.youtube.com/watch?v=OnxkfLe4G74" target="_blank">aqui</a>.<strong><br />
</strong></span></em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2010/10/12/voce-quer-mudancas-eu-tambem/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Desculpa esfarrapada, de novo.</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/04/25/desculpa-esfarrapada-de-novo/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/04/25/desculpa-esfarrapada-de-novo/#comments</comments>
		<pubDate>Sun, 25 Apr 2010 15:13:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanidades]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=770</guid>
		<description><![CDATA[<p>Eu não vou me alongar muito, porque todo mundo já leu, já viu, já reclamou. É só pra não deixar passar em branco e marcar minha posição também.</p>
<p>O evento foi evangélico, como podia ter sido católico, espírita ou budista, não interessa. Foi na Zona Sul, como podia ter sido no Centro ou na Zona Oeste, tanto [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } -->Eu não vou me alongar muito, porque todo mundo já leu, já viu, já reclamou. É só pra não deixar passar em branco e marcar minha posição também.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/caos1.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-771" title="caos1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/caos1-300x191.jpg" alt="" width="300" height="191" /></a>O evento foi evangélico, como podia ter sido católico, espírita ou budista, não interessa. Foi na Zona Sul, como podia ter sido no Centro ou na Zona Oeste, tanto faz. Foi uma sucessão de erros grossos e teve uma lista de consequências danosas à cidade como um todo, além de desnudar, mais uma vez, o despreparo dos nossos governantes para administrar a cidade, começando pelo argumento estapafúrdio de que <a href="http://www.sidneyrezende.com/noticia/83034+nao+dimensionamos+direito+o+evento+diz+cet+rio+sobre+caos+no+dia+do+culto" target="_blank">dimensionaram mal a proporção do evento</a>, passando pelo desencontro de informações e o repetitivo empurra-empurra de responsabilidades e terminando com o <a href="http://www.pernambuco.com/ultimas/nota.asp?materia=20100421180756&amp;assunto=40&amp;onde=Brasil" target="_blank">pedido de desculpas</a> (de novo) patético do prefeito, com a promessa vã de que “não vai acontecer de novo”. Pode começar lendo <a href="http://noticias.terra.com.br/transito/interna/0,,OI4397530-EI11777,00-Edir+Macedo+diz+que+megaevento+religioso+no+RJ+se+repetira.html" target="_blank"><strong>aqui</strong></a> a bravata do Sr. Edir Macedo, que desafia a cidade e as autoridades impunemente, sabendo do poder de fogo que tem. Leia-se aí, com todas as letras, poder político, além do econômico.</p>
<p>Aliás, parênteses. Não é novidade pra ninguém, mas eu vou deixar bem claro que não há a mais remota possibilidade de eu vir a votar no Serra nem pra síndico de prédio, que dirá pra presidente. Não voto e faço campanha contra. Mas quando eu vejo o PT negociando apoio com Garotinho ou Crivella me dá um desespero e uma vergonha tão grandes que chacoalham todas as minhas mais tolerantes convicções. Eu queria mesmo era que o Idelber viesse me explicar por que cargas d&#8217;água, em nome do tabuleiro político-eleitoral, eu devo engolir esse tipo de aliança. Isso é um apelo sincero e numa boa, de quem quer aprender e entender mesmo. Fecha parênteses.</p>
<p>Mas voltando ao nosso feriado. Foi um espetáculo de mídia, ocorreu em várias capitais do país simultaneamente (<a href="http://www.diariosp.com.br/Noticias/Dia-a-dia/4131/Evento+da+Universal+cria+o+caos+no+transito" target="_blank">olha aqui o Diário de São Paulo contando dos 16 km de engarrafamento na Marginal Pinheiros por conta da igreja de lá</a>), e muito mais do que “louvar a Deus”, isso <a href="http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/04/22/e22046687.asp" target="_blank">só pode ser demonstração de poder em ano eleitoral</a> (pra quem tiver interesse, esse link é de uma matéria no Jornal do Brasil, em que a presidente da Associação de Moradores de Botafogo afirma que o administrador regional da área, Rodrigo Pian, comunicou aos representantes comunitários, durante reunião, que o culto era um acontecimento político, porque &#8220;o prefeito não pode desperdiçar um milhão de votos&#8221;).</p>
<p>Agora, como é que a prefeitura autoriza uma coisa dessas? Baseado no fato de que os organizadores prometeram que só dava 100 mil pessoas e os ônibus iam ficar estacionados nos locais autorizados? Se a Associação de Moradores da minha rua solicitar licença pra fazer uma festinha na praça com 500 pessoas e aparecerem 5.000, infernizando a vida do bairro, quem é que vai pagar o pato? É fácil assim? Eu digo um número, a prefeitura engole e depois eu faço o que bem entendo? Se fosse a primeira vez que isso tivesse acontecido, a gente ainda podia dar desconto, mas não é. E não será a última, a julgar pela ameaça do líder da igreja (sim, o que ele fez foi ameaça, no mesmo nível de qualquer bandido que peita a polícia dizendo que vai “barbarizar”).  Bom, depois de tudo que eu acabei de falar essas perguntas ficam até um pouco  sem sentido&#8230;</p>
<p>Além do aspecto abominável mas pontual do trânsito caótico (eu digo pontual porque circunscrito num tempo curto, ainda que inaceitável assim mesmo), há os custos e danos do dia seguinte, com a sujeira deixada e a depredação de árvores do parque. Há o cerceamento do direito das pessoas de circular (porque não só os ônibus regulares quase desapareceram, já que as empresas deslocaram todos para transportar os fiéis, por mais que digam o contrário, mas os poucos que rodavam não conseguiam fazer seus trajetos por causa dos engarrafamentos e obstruções no trânsito); há o cerceamento do direito ao lazer porque as pistas do Aterro, que em dias de feriado deveriam ser espaço público de recreação ficaram tomadas por filas intermináveis de ônibus estacionados irregularmente. Mas sobretudo, ao meu ver, há o desprezo debochado e o desrespeito a qualquer traço de ordem pública, e a sensação de que nossos governantes não têm força, coragem ou interesse para fazer valer a lei. E quando, numa cidade, a população se vê assim abandonada por quem deveria cuidar do bem público, isso abre ou alimenta o precedente perigoso do salve-se quem puder, que agora vale tudo. E isso, sim, é preocupante.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2010/04/25/desculpa-esfarrapada-de-novo/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>6</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Debaixo d&#8217;água</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2010/04/06/debaixo-dagua/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2010/04/06/debaixo-dagua/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 06 Apr 2010 20:19:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[enchente]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=756</guid>
		<description><![CDATA[<p>O texto que está aí foi escrito durante a madrugada. São 5 da tarde agora, volta a chover muito forte na cidade, mas eu já estou em casa. Mas de ontem pra hoje foi assim:</p>
<p>São 3 e pouca da manhã. Eu saí de casa às 5 e meia da tarde de ontem para ir trabalhar. Num [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><em>O texto que está aí foi escrito durante a madrugada. São 5 da tarde agora, volta a chover muito forte na cidade, mas eu já estou em casa. Mas de ontem pra hoje foi assim:</em></p>
<p>São 3 e pouca da manhã. Eu saí de casa às 5 e meia da tarde de ontem para ir trabalhar. Num dia comum, nesse horário que é normalmente engarrafado, eu levaria quase uma hora para atravessar os 10 km que separam minha casa, em Botafogo, da faculdade onde dou aula, na Tijuca.</p>
<p>Mas ontem não foi um dia comum. Eu tinha amanhecido meio febril, a gripe que me pegou no fim de semana ia piorando, e eu já tinha cancelado ou faltado a todos os compromissos do dia. Devia ter atendido às sugestões do marido e telefonado pro trabalho pra avisar que não ia dar aula. Mas como eu tinha melhorado ao longo da tarde, o maldito senso de responsabilidade me fez sair de casa.</p>
<p>Às 6 da tarde eu estava chegando na Praça da Bandeira. Chovia forte. Não chegou a ser um temporal daqueles de verão, com raios e trovões, mas era um volume de água consistente e vinha chovendo e parando, chovendo e parando, o dia todo. A Praça da Bandeira é uma região, ali entre o Centro e a Zona Norte da cidade, onde normalmente há enchentes, e eu fiquei feliz de passar enquanto o volume de água não era calamitoso. De toda forma, retornar já estava fora de cogitação. Pensei: &#8220;na pior das hipóteses, a essa altura, eu chego na faculdade e fico por lá até passar, sei lá, umas 10 da noite no máximo eu volto pra casa&#8221;.</p>
<p>Embiquei na rua que acaba em frente ao Instituto de Educação, na rua Mariz e Barros. Dali seriam mais 200 metros até a rua Ibituruna, que já é a rua da faculdade. Detalhe, a faculdade fica no final da Ibituruna, e na esquina passa um canal com o Rio Maracanã. Mas vejam que eu estava na outra ponta da rua, no início. Tudo parado. Água pelo meio da roda do carro. Eram 6 e meia e eu estava na esquina da rua Mariz e Barros com rua Ibituruna, quando deveria estar entrando em sala de aula. Liguei para a coordenação para avisar que já estava perto e que atrasaria, mas que estava chegando. Tsc, tsc, tsc&#8230;</p>
<p>O que eu não sabia é que o rio Maracanã já tinha transbordado e a essa hora a situação já era caótica em toda a cidade. Vou dar marcha a ré, seguir pela Mariz e Barros mais um pouco, até retornar e voltar por outro caminho. Isso é o que eu queria. O mar em que toda aquela região se transformou me deixou presa naquela esquina, porque os carros e ônibus que vinham atrás também já tinham desavisadamente embicado e bloqueado a passagem. E tome água. Se eu abrisse a porta do carro, teria água pelo meu joelho. A rua enchendo e a gente ali, sem conseguir andar pra frente, ou pra trás, ou pra qualquer lado. Não havia como chegar sequer na calçada.</p>
<div id="attachment_758" class="wp-caption aligncenter" style="width: 655px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/enchente.jpg"><img class="size-full wp-image-758" title="enchente" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/enchente.jpg" alt="" width="645" height="137" /></a><p class="wp-caption-text">Imediações da Praça da Bandeira, ali pertinho de onde eu estava</p></div>
<p>Às 8 e meia, quando a minha aula devia estar acabando, sem que tivesse começado, eu entendi que muita gente não devia ter ido também, e liguei de novo, pra avisar que não chegaria mesmo. Só às 11 da noite alguns carros começaram a dar ré, finalmente convencidos que ali não haveria saída tão cedo. O rádio (viva o rádio! E devo dar o crédito, viva a cobertura da <a href="http://bandnewsfm.band.com.br/" target="_blank">BandNews</a>, que acompanhou tudo o tempo todo, com participações dos ouvintes de toda a cidade e região metropolitana) dava notícia de que a cidade estava absolutamente parada. Gente dentro do carro ou do ônibus há mais de quatro horas. Marido tava no aeroporto desde as 7 da noite, esperando um vôo que saiu com mais de 5 horas de atraso. Meu filho saiu da faculdade às 5 da tarde e chegou às 10 da noite em casa, mas chegou, e o outro estava em casa desde cedo, eu estava tranquila quanto a isso. Eles é que estavam preocupados comigo.</p>
<p>Faltava luz em vários bairros; os trens urbanos não funcionavam em toda a rede, por conta de alagamentos que impediram a circulação em alguns ramais; o metrô tinha as estações superlotadas e os trens não conseguiam manter intervalos regulares; os ônibus tinham desligado os motores, e as pessoas desciam para continuar o caminho a pé, nas piores condições imagináveis.</p>
<p>Assim que desobstruiu a via atrás de mim, dei meia volta e achei que finalmente ia andar. Avancei um ou dois quilômetros sem problema nenhum, rumo ao meu plano de descer a Rua Conde de Bonfim em direção ao Estácio para pegar o Túnel Santa Bárbara. Aí, na altura da Praça Saens Pena, ao fazer o retorno, empacou de novo. e é aqui que estou, desde as onze e meia da noite. Nessas quatro horas que se passaram, se eu andei mais 100 metros foi muito. O pessoal que volta a pé, em sentido contrário diz que mais ali na frente, no Largo da Segunda-Feira, está tudo debaixo d&#8217;água, e não passa nem ônibus, nada. Não tem pra onde eu ir. A chuva não parou nem um minuto. diminuiu às vezes, pra depois apertar de novo, numa alternância enervante, que não permite que o nível das águas baixe.</p>
<p>Eu nunca vi ou passei por isso na vida, e não sei por onde começar a tentar entender. É um problema do projeto de macro-drenagem? De infra-estrutura, da instalação da rede de coleta das águas pluviais? A prefeitura não cuida devidamente da limpeza das galerias e bueiros e dragagem dos rios? Somos nós que produzimos lixo demais, e jogamos plásticos e papéis na rua? É um gargalo inevitável por conta da geografia do Rio? É tudo isso junto?</p>
<p>Eu sei que, teoricamente, daqui a duas horas eu devia estar levantando para ir trabalhar de novo. Eu terei muita sorte se tiver chegado em casa daqui a duas horas.</p>
<p><em>Bom, isso foi o que eu escrevi entre 3 e meia e 4 horas da manhã. Claro que não cheguei, vi o dia clarear sem ter arredado nem meio metro da minha posição, e só passei do tal Largo depois das 8. Cheguei em casa às 9 horas, assustada e exausta, depois de ter visto cenas que pareciam de filme americano, desses que retratam o fim do mundo. Lama, lixo, pedaços de pau, trechos fantasmagoricamente desertos onde deveria haver o movimento de início do dia, tampas de bueiro jogadas, carros abandonados ou enguiçados pelo caminho, tudo imundo e abandonado, não havia mais mão ou contramão nas ruas, os carros indo na direção que bem entendiam, fugindo dos becos sem saída e bolsões de água, nenhum guarda ou policial nos cruzamentos, nada. Eu não preciso descrever tudo, porque vocês devem ter visto os noticiários e sabem que o Rio de Janeiro ficou inviável nesta terça-feira. Caos é pouco. </em></p>
<p><em></p>
<div id="attachment_759" class="wp-caption aligncenter" style="width: 680px"><em><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/lixo-transito.jpg"><img class="size-full wp-image-759" title="lixo-transito" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/04/lixo-transito.jpg" alt="" width="670" height="210" /></a></em><p class="wp-caption-text">Eu passei a madrugada parada assim como nessa imagem, só não foi nessa rua, mas a cena é a mesma. E vi coisas como essas da outra imagem aí do lado.</p></div>
<p></em></p>
<p><em>A idade já não me permite essas extravagâncias, e mesmo tendo dormido um pouco depois que cheguei, estou com muita dor de cabeça e mal-estar. Mas não posso deixar de pensar em quase 80 pessoas terem morrido na Região Metropolitana, nos deslizamentos, nos desabrigados, na repetição desse pesadelo e no fato de que não é possível que isso seja um destino inescapável. </em></p>
<p><em>E chove forte de novo. </em></p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2010/04/06/debaixo-dagua/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>19</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Another brick in the wall &#8211; Parte 1</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/04/16/another-brick-in-the-wall-parte-1/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2009/04/16/another-brick-in-the-wall-parte-1/#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 16 Apr 2009 15:53:44 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanidades]]></category>
		<category><![CDATA[favela]]></category>
		<category><![CDATA[muros]]></category>
		<category><![CDATA[natureza]]></category>
		<category><![CDATA[opiniões]]></category>
		<category><![CDATA[preservação]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=160</guid>
		<description><![CDATA[<p>Eu não paro de receber e-mails e ler manifestações de colegas, arquitetos ou não, a respeito dessa história do muro das favelas do Rio. Não sei bem por onde começar, porque são incontáveis os aspectos pelos quais se pode falar do assunto, e de nenhum ponto de vista que eu tenha tentado analisar (ou que tenha [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu não paro de receber e-mails e ler manifestações de colegas, arquitetos ou não, a respeito dessa história do muro das favelas do Rio. Não sei bem por onde começar, porque são incontáveis os aspectos pelos quais se pode falar do assunto, e de nenhum ponto de vista que eu tenha tentado analisar (ou que tenha lido), a medida tem o menor cabimento.</p>
<p>Resolvi primeiro apresentar alguns argumentos e textos que já foram divulgados por aí.</p>
<p>Todo mundo sabe qual é exatamente o objetivo oficial do governo do Estado? Construir muros (concreto, 3 metros de altura) nos limites de algumas favelas do Rio (5 favelas no total, todas na Zona Sul) com as áreas florestadas, visando impedir o crescimento da favela sobre essas áreas, preservando assim o remanescente de Mata Atlântica.</p>
<p>Bom, o <a href="http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/besserman/posts/2009/04/04/minha-opiniao-174716.asp" target="_blank">Sérgio Besserman</a>, que é economista e escreve um <a href="http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/besserman/" target="_blank">blog</a> no Jornal O Globo, é bem pragmático. <span style="color: #000000;"><span>Ele acha que é possível e até desejável algum tipo de contenção das favelas para impedir o seu avanço sobre as áreas verdes, mas discorda tecnicamente desta solução específica, que não só não resolve como traz problemas novos e complicados. Olha a questão do ponto de vista do que representa o espaço verde (e a “alma democrática” do Rio de Janeiro, hummmm&#8230;.) enquanto ativo econômico e social. Para ele, o argumento de que o muro estanca a expansão horizontal das favelas é falho, primeiro porque não estanca nada (parece consenso que o muro não vai cumprir sua missão expressa), e ele ainda diz que se a prefeitura garante que vai fiscalizar o muro, então pra que muro? E em segundo lugar porque, citando <a href="http://http://www.armazemdedados.rio.rj.gov.br/" target="_blank">dados</a> do </span></span><a href="http://www.rio.rj.gov.br/ipp/" target="_blank">IPP</a> (Instituto Pereira Passos, órgão ligado à Secretaria de Urbanismo do município) e da <span style="color: #000000;"><span><a href="http://www.firjan.org.br/" target="_blank">FIRJAN</a> (Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro), ele defende que o principal crescimento a ser evitado é o crescimento vertical. Segundo esses órgãos, e a análise das fotos aéreas da cidade, as favelas que mais crescem horizontalmente são as da zona oeste, e para estas não há nenhum plano de muros, por outros motivos políticos que Besserman até menciona. Para ele – e aí entra um ponto interessante – </span></span><span style="color: #000000;"><em><span>“O VERDADEIRO PROBLEMA é o controle territorial por parte da bandidagem, e a perda, pelo Estado, do monopólio do uso da força nesses territórios”. </span></em></span><span style="color: #000000;"><span style="font-style: normal;"><span>Não sei se concordo com isso. Quer dizer, claro que o Estado paralelo instaurado pela criminalidade precisa ser combatido, mas o Estado deve se fazer presente não apenas pela força da lei, pelo policiamento, e sim, <strong>antes e muito mais importante,</strong> pela garantia de acesso, para estas populações, aos serviços a que elas fazem jus pelo simples fato de serem cidadãos: educação, saúde, higiene, trabalho, moradia. Se não, você fica achando que pelo fato da polícia estar ocupando ostensivamente o Morro Dona Marta, todos os problemas do morro foram resolvidos. No máximo, foram resolvidos os problemas dos moradores de Botafogo, próximos ao morro, que acham que agora não terão mais os carros roubados, nem tiroteios nas janelas. Se os moradores do morro continuam com o esgoto correndo na porta, isso não é problema meu, certo? Mas eu não estou dizendo que não era pra polícia ocupar, antes que venham me dizer isso. Só estou dizendo que isso não basta. Tá longe de bastar. E o que eu vejo é o pessoal achando que se a segurança (de quem?) estiver resolvida (até quando?) então tudo bem.</span></span></span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Tem o <a href="http://http://www.parededemeia.blogspot.com/" target="_blank">Fernando Lara</a>, de quem eu já falei aqui. Ele levanta a questão da sustentabilidade ambiental x sustentabilidade social, lembrando que elas não existem uma sem a outra. Para um debate acerca do conceito de sustentabilidade, eu convido vocês a lerem a caixa de comentários dele, e a gente pode voltar a falar disso também (Alline, meu bem, cadê você?). Ainda na esteira do Fernando, eu acrescento que além do muro ser uma medida sem a menor eficiência (não quero acusar de antemão, mas eu duvido que ele não seja demolido em alguns trechos ou escalado), e portanto gasto inútil de dinheiro, ele é recibo passado e assinado pelo Estado da falta de capacidade de fiscalizar, coibir práticas ilegais e até mesmo do descaso com que trata a questão da expansão das favelas.</p>
<p>Tem também a história da preservação das áreas verdes: preservação do que quer que seja só faz sentido com uso. Isolada, qualquer área, seja verde, seja urbana, ou mesmo um prédio, não só não será preservado como virará alvo de cobiça e acabará ocupado ilegalmente. Um dos pontos do texto do Fernando de que mais gostei foi quando ele diz que o muro <em>“materializa o preconceito, a desigualdade e o desinteresse numa solução melhor e mais permanente para o problema”. </em>Claro, porque com o muro construído, o resto da população acha que tudo bem, já fez a sua parte, resolveu o problema, e se o muro for quebrado a culpa é “deste bando de favelado”.</p>
<p>A Cláudia, nos comentários, lembrou do texto do sociólogo <a href="http://oglobo.globo.com/rio/ancelmo/post.asp?cod_post=177524&amp;cx=0" target="_blank">Roberto da Matta</a>, também publicado n&#8217;O Globo. Ele toca na questão do discurso ambiental como máscara para a segregação. Diante do ideário politicamente correto, que impede ou dificulta a defesa pura e simples do emuralhamento da favela, a proposta vem então embalada na questão ecológica, que muda os termos do problema, deslocando-o do seu aspecto principal que é a desigualdade social, a produção e reprodução contínua da pobreza na nossa sociedade, para a defesa da Natureza. Gosto quando ele diz que &#8220;<em>a proteção da Natureza racionaliza a solução definitiva inapelável (e portanto ditatorial) para a pobreza em massa que envergonha (e ameaça) os que residem ao seu redor. Quando descobrirmos mais invasões, a culpa terá sido do muro, não nossa.&#8221;</em></p>
<p>Em artigo publicado na Folha de São Paulo em 14/04, e <a href="http://www.cidadeinteira.blogspot.com" target="_blank"><strong>aqui</strong></a> reproduzido, o arquiteto Sérgio Magalhães, professor na FAU/UFRJ e ex-Secretário de Habitação do Rio, toca em questões realmente relevantes, como a estigmatização da favela como “lugar que dá causa à violência”. Sem favelas, a cidade seria pacífica? A matriz da violência é a morfologia urbana? Ele não acredita nisso, nem eu. Ele aponta a escassez de democracia (aí entendida como o acesso universal aos serviços públicos e à proteção do Estado) como cerne da questão, e está certo.</p>
<p>Até o <a href="http://caderno.josesaramago.org/page/11/" target="_blank">Saramago</a> já se manifestou contra o muro.</p>
<p>Na parte 2 eu quero continuar o assunto, tocando em outros aspectos, não expressa e ostensivamente ligados à proposta dos muros para as favelas do Rio, mas que englobam as idéias por trás dessa proposta. Para isso, recorrerei a um autor que eu tenho lido muito ultimamente, e que expressa bem muita coisa que sempre pensei e nunca consegui dizer com tamanha autoridade, o sociólogo polonês Zygmunt Bauman.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2009/04/16/another-brick-in-the-wall-parte-1/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>5</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>Mania de cercadinho</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/04/13/mania-de-cercadinho/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2009/04/13/mania-de-cercadinho/#comments</comments>
		<pubDate>Tue, 14 Apr 2009 02:54:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[direitos]]></category>
		<category><![CDATA[favela]]></category>
		<category><![CDATA[muros]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=153</guid>
		<description><![CDATA[<p>Isso aqui é uma provocação inicial, um teaser, vamos dizer assim.</p>
<p>Eu tenho pensado um bocado sobre esse assunto dos muros de contenção das favelas, no Rio. Tem tantos aspectos que podem ser debatidos, que isso merece um post mais demoradinho, um pouco de pesquisa e leitura, e é isso que eu estou fazendo.</p>
<p>Enquanto isso, vou levantar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Isso aqui é uma provocação inicial, um <em>teaser</em>, vamos dizer assim.</p>
<p>Eu tenho pensado um bocado sobre esse assunto dos muros de contenção das favelas, no Rio. Tem tantos aspectos que podem ser debatidos, que isso merece um post mais demoradinho, um pouco de pesquisa e leitura, e é isso que eu estou fazendo.</p>
<p>Enquanto isso, vou levantar só uma lebre, que me incomoda profundamente, e que é um fenômeno que por si só, precisa ser pensado e questionado, e não dado como normal e/ou inevitável: a proliferação de &#8220;cercadinhos&#8221; na nossa vida urbana. Não só no Rio de Janeiro, não. Como tendência geral. Tendência à fragmentação, a criar grupos estanques de pessoas, de coisas. Tendência a reforçar a cisão entre grupos sociais distintos, a criar barreiras, a excluir. Seja com o intuito de enfatizar a exclusividade e o privilégio, como os currais vip dos shows, seja disfarçando com o argumento da  preservação ambiental, como é o caso da atual discussão envolvendo as favelas do Rio, seja escancaradamente alegando medida de segurança, como os muros de Gaza, o <a href="http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2009/04/090410_muro_argentina_rc.shtml" target="_blank">muro polêmico e recente entre duas cidades argentinas</a>, os muros da fronteira dos Estados Unidos e do México, e outros que, se ainda não existem, são cada vez mais abertamente defendidos por tanta gente.</p>
<p>Em todos esses casos, eu acredito que, pra começar, há duas coisas em jogo. Uma é a falência cada vez mais evidente da nossa disposição e capacidade para negociar, porque negociar significa em primeiro lugar que você considera o seu interlocutor como igual, como alguém que tem tanto direito a voz quanto você, e por isso, negociar implica em ceder de vez em quando, e nós toleramos cada vez menos perder espaço ou ceder o que quer que seja. Voltarei a esse ponto. A outra coisa é que eu suspeito muito de todo papo que começa a ficar hegemônico a ponto de virar cortina de fumaça. É o que acontece com o tema da segurança, hoje. Independente dos reais riscos que a cidade do Rio (e tantas outras) oferece, das estatísticas da violência, existe um discurso sobre segurança que é preconceituoso, excludente, e encobre as verdadeiras questões e problemas que afligem nossas cidades.</p>
<p>Eu quero desenvolver um tiquinho mais essas idéias. Enquanto isso, convido vocês a darem uma espiada no que o <a href="http://parededemeia.blogspot.com/2009/04/o-muro-do-rio-rios-wall.html" target="_blank">Fernando Lara</a> escreveu a respeito. Leiam os comentários, que é onde o debate esquenta. Pensem a respeito, deixa eu tomar aqui um fôlego, e vamos conversar sobre o assunto.</p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2009/04/13/mania-de-cercadinho/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>10</slash:comments>
		</item>
		<item>
		<title>De volta à programação normal</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/04/11/de-volta-a-programacao-normal/</link>
		<comments>http://www.urbanamente.net/blog/2009/04/11/de-volta-a-programacao-normal/#comments</comments>
		<pubDate>Sat, 11 Apr 2009 13:55:04 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Small pumpkins]]></category>
		<category><![CDATA[páscoa]]></category>
		<category><![CDATA[problemas]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.urbanamente.net/blog/?p=145</guid>
		<description><![CDATA[<p>Queridos todos,</p>
<p>esta semana problemas pessoais desagradáveis, urgentes e trabalhosos me tiraram de circulação. Mas as providências necessárias para a solução do assunto já foram tomadas, e podemos voltar às nossas atividades normais.</p>
<p>Tudo bom no feriado de vocês? Me aguardem com os votos de feliz páscoa [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Queridos todos,</p>
<p>esta semana problemas pessoais desagradáveis, urgentes e trabalhosos me tiraram de circulação. Mas as providências necessárias para a solução do assunto já foram tomadas, e podemos voltar às nossas atividades normais.</p>
<p>Tudo bom no feriado de vocês? Me aguardem com os votos de feliz páscoa <img src='http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-includes/images/smilies/icon_biggrin.gif' alt=':-D' class='wp-smiley' /> </p>
]]></content:encoded>
			<wfw:commentRss>http://www.urbanamente.net/blog/2009/04/11/de-volta-a-programacao-normal/feed/</wfw:commentRss>
		<slash:comments>4</slash:comments>
		</item>
	</channel>
</rss>

