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	<title>Urbanamente &#187; sociologia</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>Juciara e o Dia do Trabalho</title>
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		<pubDate>Fri, 01 May 2009 20:03:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[Urbanidades]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Até fevereiro deste ano eu trabalhei num escritório de arquitetura ali na Lapa, subida de Santa Teresa. E em todos os dias que eu fui ou voltei do trabalho, eu me deliciei em ficar observando o casario eclético que ainda existe, embora tão mal tratado, ali no Centro do Rio.</p>
<p>Eu sempre gostei do eclético, aquele estilo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Até fevereiro deste ano eu trabalhei num escritório de arquitetura ali na Lapa, subida de Santa Teresa. E em todos os dias que eu fui ou voltei do trabalho, eu me deliciei em ficar observando o casario eclético que ainda existe, embora tão mal tratado, ali no Centro do Rio.</p>
<p>Eu sempre gostei do eclético, aquele estilo arquitetônico que predominou do final do século XIX até mais ou menos os anos 20-30 do século passado, e que o Lúcio Costa chamava de pastiche, de cópia da cópia, portanto sem valor artístico, histórico, cultural. Hoje todo mundo lamenta a demolição do Palácio Monroe (exemplar típico do estilo), cujo desaparecimento foi autorizado e até recomendado pelo <a href="http://portal.iphan.gov.br/" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/portal.iphan.gov.br/?referer=');">IPHAN</a> (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional), e todo mundo tece loas ao pouco que sobrou na Avenida Rio Branco, principalmente o conjunto mais visível e bem preservado em torno da Cinelândia, composto pelo Teatro Municipal, a Biblioteca Nacional, o Museu de Belas Artes e o Centro Cultural da Justiça, mas houve tempo em que os palacetes ecléticos da cidade iam desaparecendo rapidamente, considerados estorvos ao desenvolvimento e à modernização da cidade.</p>
<p>Mas não era nada disso que eu ia falar. Ou era mais ou menos. Essa historinha inicial é pra dizer que eu admiro o ecletismo, mas tenho um interesse e até &#8211; por que não dizer &#8211; um carinho especial, nem tanto pelos grandes palacetes e prédios que acabam abrigando instituições importantes, mas pelos sobrados e casas populares que existem aos montes nos bairros mais antigos do Rio. Em todo o Centro e Zona Portuária, Lapa, Catete, Estácio, Catumbi, Santa Teresa, e até em Botafogo, ainda é possível ver os sobrados característicos deste período, alguns com as datas de sua construção exibidas na fachada &#8211; 1894, 1903, 1914, e por aí vai. Há os que estão bem cuidados, tinta nova, esquadrias restauradas, balcões e grades inteirinhos, até por força de <a href="http://www.universia.com.br/materia/materia.jsp?id=5685" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.universia.com.br/materia/materia.jsp?id=5685&amp;referer=');">programas</a> de <a href="http://www.rio.rj.gov.br/culturas/pastas/legislacao/CENTRO%20-%20Lei%20506-84%20Corredor%20Cultural.pdf" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.rio.rj.gov.br/culturas/pastas/legislacao/CENTRO_20-_20Lei_20506-84_20Corredor_20Cultural.pdf?referer=');">preservação</a> levados a cabo pela Prefeitura nos últimos 30 anos. Vários hoje abrigam bares, restaurantes, antiquários, principalmente perto da Lapa. Mas dói ver um montão deles vazios, caindo aos pedaços, vidros partidos, transformados em cortiços que oferecem risco (de incêndio, de vazamento de gás, de desabamento) inclusive aos seus próprios moradores e ocupantes.</p>
<div id="attachment_197" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><img class="size-medium wp-image-197" title="dsc07389" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/05/dsc07389-225x300.jpg" alt="Olha ela ali, de blusa azul, conversando com mais um passante" width="225" height="300" /><p class="wp-caption-text">Olha ela ali, de blusa azul, conversando com mais um passante</p></div>
<p>Daí eu resolvi, há pouco tempo, fazer um levantamento fotográfico desses sobrados. Por enquanto é só uma brincadeira pessoal, ainda não sei bem o que eu poderei fazer com esse material depois. Quer dizer, eu tenho umas idéias, vamos ver o que vai dar. Hoje de manhã, aproveitando o feriado que deixa tudo mais tranquilo, saí pra tirar umas fotos, no Centro. Estou eu na Av. Gomes Freire, tentando enquadrar mais um prédio, quando a senhora que estava em frente a ele, sacudindo o plástico onde estivera sentada até então, me viu e veio puxar papo.</p>
<p>&#8220;Bonitos esses prédios, né, moça?&#8221;. &#8220;Muito bonitos&#8221;, respondi.</p>
<p>&#8220;Eu vivo nessa rua há seis anos, moça, todo mundo me conhece aqui. É uma pena tantas dessas casas estarem fechadas. Aqui &#8211; e aponta uma das portas cerradas por conta do feriado &#8211; funciona um restaurante, mas aqui, aqui e aqui &#8211; indica outros térreos &#8211; não funciona nada, tá vazio mesmo. Devia ter um comércio, né? Uma loja de calcinhas, uma manicure. Eu pinto unha, sabe, pinto muito direitinho. Mora muita gente aqui, mas é gente pobre. Esses restaurantes atendem o pessoal rico, que trabalha nos escritórios por aí, devia ter alguma coisa pra esse pessoal que mora aqui também. Sei lá, se eu tivesse dinheiro, eu pegava uma casa dessas, eu fazia um escritório assim, como é que chama? Ah, uma agência, pra dar trabalho pras pessoas, indicar uma empregada doméstica, alguém pra passar uma roupa, fazer uma faxina. Eu sei passar muito bem, lavar, dou uma boa faxina, mas o pessoal que me conhece aqui da rua não pode me contratar, e quem pode contratar me vê sentada aqui na calçada, pensa que eu sou uma mendiga, não quer me dar trabalho. Se eu conseguisse alguma coisa assim, pra ganhar meio salário mesmo, com tudo certinho né, os direitos na carteira, mas meio salário mesmo já me bastava, se eu pudesse tomar um café com leite de manhã e um prato de comida no almoço, eu trabalhava bem certinho, aí podia pagar um quartinho pra eu dormir. Mas é difícil, moça&#8221;.</p>
<p>Juciara, o nome dela. O que eu vou dizer depois de uma aula dessa? Aula de urbanismo, de economia, de sociologia. Eu desejo boa sorte a ela. Fiquei encantada.</p>
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		<title>Conforme prometido</title>
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		<pubDate>Fri, 24 Apr 2009 16:21:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[Bauman]]></category>
		<category><![CDATA[espaço público]]></category>
		<category><![CDATA[sociologia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Eu ouvi falar do Bauman pela primeira vez há uns cinco anos. Eu fazia parte de um grupo de estudos na universidade, durante o mestrado, e a galera tava lendo Comunidade, foi o primeiro livro dele que eu li. Me interessou, porque eu estudava umas questões ligadas ao espaço público, naquele momento mais ligadas a análises [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu ouvi falar do Bauman pela primeira vez há uns cinco anos. Eu fazia parte de um grupo de estudos na universidade, durante o mestrado, e a galera tava lendo <strong>Comunidade</strong>, foi o primeiro livro dele que eu li. Me interessou, porque eu estudava umas questões ligadas ao espaço público, naquele momento mais ligadas a análises de forma e funcionamento, e ele trazia nesse livro uma discussão interessantíssima sobre as dificuldades de conciliar o anseio por segurança com o direito à privacidade, até onde as pessoas estariam preparadas para sacrificar aspectos importantes da vida na cidade, de abertura ao novo, ao diferente, em troca de mais segurança, os conflitos entre a diversidade que caracteriza a vida urbana e a homogeneidade que se vende como proteção nas novas comunidades.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Até então, eu confesso, não sabia que a sociologia podia se interessar por temas como afetos, vínculos, amor, solidariedade. Deparei com um sociólogo profundamente humanista, que crê na possibilidade de mudança, no resultado do esforço coletivo, em valores que eu achava que estavam, infelizmente, ficando fora de moda.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<div id="attachment_178" class="wp-caption alignleft" style="width: 260px"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Zygmunt_Bauman" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Zygmunt_Bauman?referer=');"><img class="size-full wp-image-178" title="zygmunt_bauman_by_kubik" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/04/zygmunt_bauman_by_kubik.jpg" alt="Bauman em Varsóvia, fevereiro de 2005" width="250" height="333" /></a><p class="wp-caption-text">Bauman em Varsóvia, fevereiro de 2005</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;">Sociólogo polonês, nascido em 1925, <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Zygmunt_Bauman" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/pt.wikipedia.org/wiki/Zygmunt_Bauman?referer=');">Zygmunt Bauman</a> vive desde 1971 na Inglaterra, onde é professor emérito na Universidade de Leeds. Ele faz severas críticas ao nosso modelo econômico, responsável pelo acirramento das desigualdades e sobretudo pelo abandono dos mais frágeis. Mas não necessariamente condena o capitalismo <em>per se</em>, embora certamente desça a lenha no liberalismo e na omissão do Estado na proteção de seus cidadãos.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">O conceito com que ele mais trabalha é o de <strong>sociedade líquida</strong>. Segundo ele, até o início/meados do século XX vivíamos uma fase sólida da Modernidade. Valores como produção, poupança e trabalho eram os dominantes, e as referências e parâmetros morais eram claros (ainda que fosse pra você divergir radicalmente deles). Hoje vivemos uma extrema fluidez em todas as relações, que são mais plásticas, ágeis, versáteis, mas em compensação mais escorregadias e difusas, dando margem a mais dúvidas e omissões e muito mais individualismo e imediatismo.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;">
<p style="margin-bottom: 0in;">Pelo menos nos últimos 12 anos, Bauman vem sendo publicado no Brasil por <a href="http://www.zahar.com.br/catalogo_autores_detalhe.asp?aut=Zygmunt+Bauman" target="_blank" onclick="pageTracker._trackPageview('/outgoing/www.zahar.com.br/catalogo_autores_detalhe.asp?aut=Zygmunt+Bauman&amp;referer=');">Jorge Zahar Editor</a>, com quase vinte títulos que analisam e destrincham aspectos das relações sócio-culturais existentes hoje no nosso mundo globalizado, transitando por temas como segurança, espaço público, ação política, medo, solidariedade, amor, consumismo, felicidade, xenofobia, desigualdade social, ética. Dentre os livros que eu tenho, recomendo intensa e urgentemente <strong>Amor Líquido</strong>, em que ele fala da fragilidade dos laços humanos, tanto os amorosos/sexuais, quanto os de amizade e de solidariedade; <strong>Vida para consumo</strong>, em que ele aponta e explica o processo de transformação das pessoas em mercadoria; e <strong>A Arte da Vida</strong>, sobre os parâmetros que norteiam nossa incessante (e hoje praticamente obrigatória) busca pela felicidade, ainda que nunca fique bem claro o que ela é.</p>
<p style="margin-bottom: 0in;">Não, não tem nada a ver, nem de longe, com manuais de auto-ajuda. Pelo contrário, são socos secos,  certeiros e intransigentes num <em>modus vivendi</em> permeado pelo individualismo e pela ambição de ter cada vez mais, na esperança de aplacar uma angústia que tudo à nossa volta tenta nos fazer acreditar que não existe. Não há receitas, propostas salvadoras de solução, apenas o chacoalhar da nossa humanidade e do nosso destino comum diante dos nossos olhos anestesiados, e o convite a ser mais crítico diante das facilidades mefistofélicas dos nossos tempos, e sobretudo dos processos que garantem tanto conforto a alguns, ao mesmo tempo que empurram a miséria para longe das nossas vistas, como se nós não estivéssemos implicados até o pescoço na situação que nos rodeia.</p>
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