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	<title>Urbanamente &#187; transporte</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>E na Itália?</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Feb 2010 13:06:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>(Rapaz, eu tou que tou, hein? Postando 3 dias seguidos, que inédito! Hahaha, o que não faz uma criatura que não curte carnaval e não se atreve a sair de casa por causa do calor insuportável&#8230;)</p>
<p>Continuando nosso papo sobre transporte. Eu só andei de metrô/bonde em Milão e Roma. Nas outra cidades (Bergamo, Pisa, Siena e Florença) eu desci na estação de trem e andei a cidade toda a pé. Sim, o transporte interurbano se faz de trem. Alguns trajetos, os mais distantes, estão ficando caros pra caramba. Pra vocês terem uma idéia, quando eu fui de Milão pra Roma, saiu mais barato, numa promoção de uma dessas companhias low-cost, ir de avião (26 euros) do que de trem (que sairia mais de 100 euros). Mas a malha ferroviária ainda é ampla, confortável, segura e rápida. Em todas as estações de trem tem pelo menos um escritoriozinho de atendimento ao turista, onde você consegue, gratuitamente, informações, mapas da cidade, dicas de hotéis &#8211; caso ainda não tenha feito sua reserva &#8211; e passeios.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-688" title="mapa_da_italia" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/mapa_da_italia-300x245.jpg" alt="mapa_da_italia" width="300" height="245" />Milão é uma cidade grande, ao norte da Itália, dá uma olhadinha no mapa ao lado. São quase 1 milhão e meio de habitantes na cidade, e mais de 4 milhões na região metropolitana, numa área de 182 km2, o que dá uma densidade de 7.190 hab/km2. Só pra gente comparar, o Rio de Janeiro tem uma população muito maior, de quase 6 milhões e 200 mil habitantes (4 vezes maior que Milão), mas a área do município é quase 7 vezes maior, alcançando cerca de 1.200 km2. O que significa que a densidade é relativamente menor, de 5200 hab/km2. A gente tem que dar o desconto que o Rio tem áreas imensas não habitadas, que são os maciços encravados no município, o maciço da Tijuca, o da Pedra Branca e o de Gericinó. Se descontar isso, é capaz da densidade ficar igual. Vamos a São Paulo então. A área da cidade de São Paulo é 8 vezes maior que a de Milão, perfazendo 1.500 km2, e abriga uma população de 11 milhões de pessoas. A densidade, portanto, é praticamente a mesma que em Milão (7.200 hab/km2), e isso é um dado importante, é o que faz diferença.</p>
<p>Assim mesmo, Milão é grande. É o terceiro maior núcleo metropolitano da União Européia, e a cidade mais rica da Itália. E é facílimo andar pra cima e pra baixo. Há ônibus (embora poucos, eu mesma não vi muitos), há uma rede imensa de bondes e metrô, que se complementam, e há trens capilarizando para a periferia. Ou seja, você vai e volta de qualquer lugar em transporte público, feliz. A passagem dá um banho na nossa. Vejamos como funciona.</p>
<p>Você compra, por 1 euro (1 euro! Isso dá cerca de R$ 2,80), em qualquer banca de jornal da cidade, um bilhete que eles chamam ordinario urbano. Ele vale por 75 minutos a partir do momento que você usá-lo a primeira vez, e com ele você pode andar de bonde, metrô e ônibus. Pode usar para duas viagens de ônibus, ou quantas quiser de bonde. Só o metrô que vale por uma vez só. Deixa nosso Bilhetinho Único no chinelo. É verdade que não tem ônibus e metrô rodando a noite toda. Mas, funciona com pontualidade, intervalos regulares (e curtos) que você checa nos próprios pontos ou na internet, o que permite que você se planeje, sem riscos de perder as conexões, sem tumulto, sem fila. Ah, sim, se você for comprar no metrô ou nas estações de trem, também tem os terminais <em>self-servic</em>e, não precisa fila. Só não pode comprar direto com o motorista do ônibus ou bonde, você já tem que entrar no veículo com sua passagem comprada. Aí tem uma maquininha lá dentro, onde você &#8220;convalida&#8221; o bilhete, ou seja, imprime a hora que você está começando a usar, pra poder contar a validade. Funciona. Claro, se calhar de entrar um fiscal e pedir os bilhetinhos do povo e você não tiver, ou tiver um fora da validade, a multa é pesadíssima, fora a humilhação.</p>
<div id="attachment_692" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-692" title="bonde" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/bonde1.jpg" alt="Tem desses bondes modernos, mas tem também uns mais velhinhos, como o amerelinho que está passando ali atrás, dá uma olhada." width="600" height="338" /><p class="wp-caption-text">Tem desses bondes modernos, mas tem também uns mais velhinhos, como o amerelinho que está passando ali atrás, dá uma olhada.</p></div>
<p>Além do bilhete unitário, tem os &#8220;abbonamenti&#8221;. O mensal custa 30 euros, que você carrega num cartão eletrônico, e isso te dá o direito de usar quantos ônibus e metrô você quiser durante aquele mês, sem limite. O bilhete semanal custa 6,70 euros e te garante passagem de metrô de ida e volta durante 6 dias da semana (se fosse comprar unitário dava 12 euros, é quase 50% de desconto para o trabalhador, o usuário regular. E pra estudante é ainda mais barato) e tem o anual, de 300 euros, que você usa o ano inteiro, quantas vezes quiser. Pra quem tem que utilizar o transporte diariamente, muitas vezes, é jogo. Tá fazendo as comparações e contas?</p>
<div id="attachment_700" class="wp-caption aligncenter" style="width: 760px"><img class="size-full wp-image-700" title="milanmetromap" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/milanmetromap3.jpg" alt="Metrô de Milão" width="750" height="462" /><p class="wp-caption-text">Metrô de Milão</p></div>
<p>Em Roma, idem. Não usei ônibus, e não vi bonde em Roma. Mas o metrô funciona bastante bem. Eles têm um problema pra expandir a malha do metrô, que é o do patrimônio histórico-arqueológico. Toda vez que começa a escavar pra qualquer coisa, até infra-estrutura, é um problema, porque sempre se descobrem as fundações de um templo ou coisa parecida. Então, as duas linhas do metrô meio que dão a volta na cidade. Mas estão bem integradas com as linhas de ônibus, e os preços são basicamente os mesmos que em Milão.</p>
<p>Ou seja, dá. Agora, por que é que não dá aqui? Eu quero andar de transporte bom, de preço justo, confiável, com conforto e praticidade. E mais, quero que esse transporte seja oferecido com a mesma boa qualidade em todo o território da cidade e não apenas nas áreas mais nobres.</p>
<p>PS: Sim, o trânsito na Itália em geral e em Roma em particular é caótico. Mas assim como eu já tinha visto no Canadá, os pedestres ainda têm alguma precedência. Nas vias mais movimentadas, com semáforo, espera-se o sinal abrir para atravessar a rua. Mas nas vias sem semáforo, basta colocar o pé na rua para que os carros (e motos e ônibus e até carabinieri) parem automaticamente para que o pedestre atravesse. Simples assim. Vontade de fazer isso aqui na rua de casa pra ver o que acontece. Melhor não&#8230;</p>
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		<title>Canadá 6 &#8211; Sistema viário e transporte público</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 23:45:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Pois como funcionam essas coisas no Canadá e na Itália?</p>
<p>No Canadá, especialmente em Montreal, não vi engarrafamentos, há poucos ônibus nas áreas centrais, que são servidas por metrô. Basicamente, se o sujeito mora um pouco mais longe do Centro, ele toma um ônibus até onde tenha metrô, e dali segue adiante. A cultura do carro e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pois como funcionam essas coisas no Canadá e na Itália?</p>
<p>No Canadá, especialmente em Montreal, não vi engarrafamentos, há poucos ônibus nas áreas centrais, que são servidas por metrô. Basicamente, se o sujeito mora um pouco mais longe do Centro, ele toma um ônibus até onde tenha metrô, e dali segue adiante. A cultura do carro e do transporte rodoviário existe mais do que na Europa, talvez por proximidade com os Estados Unidos. Mas os estacionamentos espalhados pela cidade funcionam na base da maquininha, os famosos parquímetros. Nada de guardador ou flanelinha. Há preços pré-estabelecidos para usar a vaga por determinado espaço de tempo de acordo com a área da cidade, o motorista vai lá na maquininha, coloca as moedas correspondentes, sai impresso o bilhetinho. Ponto. Se funciona? Ô. Posso fazer só um comentário malicioso? As vagas desenhadas nas ruas têm de 6 a 7 metros de comprimento! E como estacionam mal! Modéstia às favas, eu tinha vontade às vezes de ir lá abordar o motorista e perguntar se ele queria que eu pusesse o carro na vaga pra ele. Ou pelo menos ficar ali do lado dizendo &#8220;Vem mais, agora desfaz, desfaz, isso, mais pra direita, agora vira tudo&#8230;&#8221;</p>
<div id="attachment_681" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-681" title="estacionamento" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/estacionamento-300x169.jpg" alt="Isso é em Milão. Eu vi o mesmo esquema em Montreal. Em Buenos Aires também é muito usado. " width="300" height="169" /><p class="wp-caption-text">Isso é em Milão. Eu vi o mesmo esquema em Montreal. Em Buenos Aires também é muito usado. </p></div>
<p>Ah, sim, antes que eu esqueça, a caixa das ruas já prevê áreas para estacionar, ao longo da via, assim, os carros não ocupam as pistas onde deveria haver fluxo, estrangulando a circulação, nem tampouco há carros sobre as calçadas, nem sequer meia roda. A mesma coisa eu vi na Itália. Tá aí uma foto pra ilustrar.</p>
<p>Voltando ao Canadá, não vi guardas de trânsito. Aliás, não vi policiais, muito raramente. Em compensação, vi muita bicicleta, pra todo lado. As pessoas usam a bicicleta como meio de transporte e deslocamento entre casa-trabalho-escola, e não apenas lazer. Assim, não há tantas ciclovias em parques, mas, em toda a cidade, sabe-se que uma das faixas das pistas é para os ciclistas e as pessoas respeitam isso. Entendeu? O que existem são ciclofaixas, e não ciclovias (que seriam as pistas exclusivas, fisicamente separadas da pista dos carros, e que os ciclistas dividem com pedestres correndo, gente andando de patins, entre outros).</p>
<p>Essa coisa do uso da bicicleta está crescendo muito neste país tão comprometido, pelo menos mais recentemente, com um discurso de sustentabilidade, ecologia, etc. Eles têm inclusive esse esquema de oferecer uma frota inteira de bicicletas para aluguel, que funciona assim: são diversos pontos onde há um monte de biciletas estacionadas. Em Montreal, chamam-se Bixi (leia-se Bicsí, com biquinho francês, <em>s&#8217;il vous plaît</em>). O interessado vai lá, passa o seu cartão de crédito (yes, só com cartão de crédito, nada de dinheiro) e libera uma bixi. É caro pra burro, não sei como o negócio se sustenta. Custa 5 dólares canadenses (R$ 8,50) por meia hora de uso. Mas você pode deixar a bicicleta depois em qualquer outro ponto de bixis. Então, se estiver com pressa e longe do metrô, pega a bicileta aqui, pedala até o trabalho, deixa a bicicleta nas redondezas e pronto, tá resolvido. Apesar do preço, vi alguns turistas usando. Nossa percepção de caro ou barato é, como tudo na vida, muito relativa. O que me surpreende e encanta mais é mesmo a capacidade de organização, o senso de coisa pública, a responsabilidade e o cuidado com tudo. Não tem ninguém ali tomando conta, e eu não vi nada vandalizado. Isso eu invejo.</p>
<p>Falemos de transporte público coletivo. Não é tão bom quanto na Europa, onde as coisas são mais autoexplicativas (preços, como comprar, rotas, horários), mas assim que você se situa, funciona muito bem. Não cheguei a andar de ônibus nem em Montreal nem em Toronto, fora os deslocamentos interurbanos que eu já citei: Montreal-Quebec ida e volta, e Montreal-Toronto. Em Montreal, a rede de metrô é excelente, e cobre maior parte da cidade, com o serviço de ônibus complementando a rede, principalmente na periferia. O bilhete é caro para nossos padrões, mas se contar que o mesmo bilhete dá direito também a uma passagem de ônibus, fica quase a mesma coisa que nosso novo Bilhete Único (nosso aqui no RJ). Uma passagem unitária custa CAN$ 2,75 (R$ 4,70); Mas olha só que beleza, se você compra 6 passagens, custa CAN$ 12,75 (R$ 21,70), ou seja, você economiza CAN$ 3,75, o que dá uma passagem inteira e mais um dólar. Além disso, há cartões mensais, para quem usa todo dia, e aí sai ainda mais barato, mais barato que o preço de 30 bilhetes unitários aqui no Rio. Outra coisa, os bilhetes individuais não têm validade. Ou melhor, têm mas é de um ano inteirinho. Ou seja, sobraram uns dois bilhetes comigo, e se eu voltasse lá antes de setembro, ainda poderia usá-los. Ou poderia ter deixado com a minha amiga que mora lá, e ela poderia guardá-los na carteira para usar na hora que lhe fosse mais conveniente, sem risco de perder a passagem. Independente de o preço do bilhete aumentar nesse meio tempo. E em todas as estações há várias maquininhas self-service, além das cabines de venda pra quem preferir, então você pode comprar sua passagem sem fila, com dinheiro ou cartão de crédito. Que diferença.</p>
<div id="attachment_682" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-682" title="plan-metro-Montreal" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/plan-metro-Montreal.jpg" alt="Mapa do metrô em Montreal" width="600" height="718" /><p class="wp-caption-text">Mapa do metrô em Montreal</p></div>
<div id="attachment_684" class="wp-caption alignleft" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-684" title="Transp_publico" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/Transp_publico.jpg" alt="Acima, um ponto de bixis, m Montreal. Abaixo, bondes em Toronto" width="500" height="570" /><p class="wp-caption-text">Acima, um ponto de bixis, m Montreal. Abaixo, bondes em Toronto</p></div>
<p>Em Toronto, o bilhete individual de metrô tem o mesmo valor. E uma passagem só de metrô vale também para andar de ônibus ou bonde. Mas de segunda a  sexta-feira, um adulto pode pagar 9 dólares (pouco mais de 15 reais) e ganhar um passe (Day Pass) que vale para o dia todo, com viagens ilimitadas de metrô e bonde (sim, em Toronto há bondes por toda a cidade, e eles são coligados com o sistema de metrô). Pasme: nos fins de semana, esse mesmo passe, pelos mesmos 9 dólares, vale para um casal, ou até para uma família de 2 adultos e 4 crianças, igualmente com viagens ilimitadas de metrô e bonde. Ou seja, aos sábados e domingos, uma família inteira paga apenas 9 dólares (faça as contas, se fossem 4 bilhetes individuais sairia por CAN$ 2,75 x 4 = 11 dólares), ganha um bilhete e pode andar de metrô e bonde quantas vezes quiser, pra cima e pra baixo, sem pagar mais nada, só mostrando o bilhetinho pro controlador, na catraca especial para este tipo de bilhete. Isso estimula o turismo e incentiva as famílias a se deslocarem para visitar as atrações da cidade, por exemplo. Não sei se é subsidiado pelo Estado, se é parcialmente pago pelo preço alto dos bilhetes individuais nos outros dias da semana, se é bancado por alguma empresa privada em troca de algum outro benefício. Sei que o transporte é controlado pelo Estado, e que eu achei muito confortável andar pra cima e pra baixo.</p>
<div id="attachment_683" class="wp-caption aligncenter" style="width: 988px"><img class="size-full wp-image-683" title="toronto-map" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/toronto-map.jpg" alt="Metrô de Toronto" width="978" height="753" /><p class="wp-caption-text">Metrô de Toronto</p></div>
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		<title>Considerações preliminares sobre o transporte coletivo no Rio de Janeiro</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 15:51:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[metrô]]></category>
		<category><![CDATA[transporte]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>A situação dos transportes coletivos no Rio de Janeiro está calamitosa. Até cerca de cinco anos atrás, talvez menos, a grande reclamação dos usuários era com relação aos ônibus e trens, enquanto o metrô era considerado eficiente e confortável. A única e pertinente crítica era com relação à restrita malha do metrô, que, com suas duas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A situação dos transportes coletivos no Rio de Janeiro está calamitosa. Até cerca de cinco anos atrás, talvez menos, a grande reclamação dos usuários era com relação aos ônibus e trens, enquanto o metrô era considerado eficiente e confortável. A única e pertinente crítica era com relação à restrita malha do metrô, que, com suas duas linhas, cobria uma área pequena da cidade e atendia a pouca gente. Mas pelo menos era limpo, rápido, confortável (o ar condicionado era um oásis no meio do calorão do verão, por exemplo). Por outro lado, os ônibus passam nos horários que bem entendem, causam um tremendo tumulto no trânsito, em filas duplas e triplas, buzinando, ultrapassando sinais de trânsito, fechando os outros motoristas, parando fora dos pontos, apresentando uma ineficiente e antieconômica superposição de linhas que acaba pondo uma enorme quantidade de veículos subutilizados fazendo trechos enormes de mesmo percurso. Pra variar, a população mais penalizada é a mais pobre, que mora nas periferias, e precisa tomar dois ou três ônibus para chegar ao centro, gastando até 6 horas do seu dia nesses trajetos de ida e volta. Nem vou falar dos trens, que historicamente, nesta cidade, atendem ao proletariado, as zonas industriais, semi-rurais (como é isso agora, sem hífen e com dois rr? que horror), e consequentemente, nunca tiveram o conforto como prioridade. O resultado foi uma escalada de oferta de &#8220;transportes alternativos&#8221;, em que pontificam vans (em São Paulo chamam de peruas, acho) sem nenhum controle, fiscalização ou segurança, mas que ocupam o buraco deixado por um péssimo serviço público. Sabe a lei da demanda e da oferta, no mercado? Pois é.</p>
<p>Se o Estado é ineficiente (sim, o transporte é um serviço prioritário que funciona como concessão do Estado), a melhor solução é sempre privatizar, certo? Hahahahaha. Como as linhas de ônibus e vans já são loteadas por empresários que, com algumas exceções, talvez, manipulam os seus próprios vereadores (ou são vereadores eles mesmos), nunca se consegue mexer direito nessa ponta do assunto. São muitas promessas, muito &#8220;choque de ordem&#8221;, e pouca mudança significativa. Os trens foram privatizados, e o que se vê no noticiário é vigilante dando paulada em usuário pra colocar todo mundo pra dentro do vagão, com mais truculência do que se estivesse tocando gado pra dentro do curral. Lê-se também, dia sim dia também, sobre composições que param no meio do trilho, sobre interrupção do serviço, sobre meninos que morrem fazendo &#8220;surf&#8221; em cima dos vagões.</p>
<p>Aí privatizaram também o metrô. Em meio a novos e brilhantes cartazes anunciando uma nova era, mostrando que o metrô está trabalhando para e por nós (hã?); em meio a inaugurações de novas estações na Zona Sul do Rio (eu me pergunto se a prioridade é mesmo essa), o que mais nós temos tido?</p>
<p>a) um preço que não é um dos mais caros do mundo, mas que é pesado para a população mais pobre, principalmente em função da pouca flexibilidade e praticidade na compra dos bilhetes.</p>
<p>b) <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/04/04/preservacao-e-patrimonio-o-que-isso-tem-a-ver-com-voce/" target="_blank">reformas nas estações mais antigas</a> na contramão da preservação do patrimônio, em função de uma discutível modernização no design, com o uso dos materiais mais equivocados do mundo, o que significa, em última instância, um gasto considerável de dinheiro, mal-utilizado (não só na reforma em si, mas na necessidade de manutenção por conta dos novos revestimentos que se deterioram mais depressa), sem falar em ambientes de menor qualidade estética.</p>
<p>c) um jeito pouco racional (pra não dizer idiota) de gerenciar a compra dos bilhetes, que causa o acúmulo de filas nas estações e a perda de dinheiro por parte dos usuários. Olha só: se o cara usa o metrô regularmente, o mais indicado é carregar um cartão, nos moldes dos cartões pré-pagos de telefone. Ou seja, ele não carrega com um número de viagens, mas sim com um valor em reais. Se houver aumento no valor das passagens durante a vigência do cartão, o cara se deu mal. Além disso, para quem usa o metrô diariamente, não há nenhuma modalidade de compra que signifique economia, que lhe permita viajar pagando menos. Guarde essa informação pra gente comparar depois. Os valores em reais a colocar no cartão nunca equivalem a um múltiplo do valor da passagem, então, quando vai acabando, sempre fica um resíduo preso no cartão, e o cidadão tem que recarregar, o que precisa ser feito na fila do caixa. Se o cara usa o metrô esporadicamente e resolve comprar o bilhete unitário (na fila do caixa, claro), descobre que o bilhete tem validade de 48 horas! Ou seja, digamos que o sujeito compre dois bilhetes, para ir e voltar do seu destino. Mas por algum motivo, não usa o bilhete de volta (sei lá, ganhou uma carona, resolveu voltar de taxi, whatever). Perdeu o bilhete. Pode dá-lo de presente a alguém, que se não usar logo, também perde. Aí você diz, é melhor comprar então só o que vai usar mesmo. Sim, e entrar na fila todas as vezes que precisar comprar um bilhete novo. Que coisa mais burra. Agora pense nisso em termos de Olimpíadas, Copa, turistas, etc. Tsc, tsc, tsc&#8230;</p>
<p>d) o Metrô tem a cara de pau de argumentar que isso é para evitar a falsificação de bilhetes e a venda clandestina de bilhetes, que ocorre, de todo jeito, na porta de várias estações. Ou seja, por falta de capacidade deles de coibir a prática ilegal, pune-se os usuários. Que bonito.</p>
<p>e) a companhia decidiu recentemente (eu não sei com base em quê) alterar o plano original do metrô, que previa uma nova conexão entre as linhas 1 e 2 na Estação da Carioca, que inclusive foi construída, lááá na década de 70, com dimensões pra isso. Aí nós teríamos uma extensão pra a Praça Tiradentes, Cruz Vermelha, Catumbi/Sambódromo. O que foi feito, de alguns meses pra cá, e anunciado como a maravilha das maravilhas, foi uma espécie de fusão das linhas 1 e 2 no trecho Estácio-Ipanema, causando um dos maiores tumultos e transtornos já vistos na história dos transportes coletivos no Rio de Janeiro: aumentos indesculpáveis no intervalo entre os trens, acúmulo insalubre de gente nas plataformas (e consequentes atrasos e irritações por parte dos passageiros), constante falha no funcionamento de algumas estações que vira e mexe ficam fechadas, e &#8211; como cereja no bolo do verão carioca &#8211; sistema de ventilação inoperante que causa não só desconforto extremo, mas até mesmo gente passando mal de verdade durante a viagem. Além das várias matérias nos jornais escritos e televisados sobre o assunto, tem <a href="http://cidadeinteira.blogspot.com/2010/02/metro-rio-1968-2010.html" target="_blank">aqui </a>e <a href="http://cidadeinteira.blogspot.com/2010/01/metro-1-1.html" target="_blank">aqui</a> posts curtinhos mas muito informativos, falando do assunto.</p>
<p>Resumo da ópera. Temos uma cidade enorme, em que o transporte é caro, cobrindo seu território de maneira ineficiente e irregular, o que estimula a oferta de serviços clandestinos que, se atendem à necessidade imediata do trabalhador, por outro lado estão fora de qualquer possibilidade de controle e fiscalização no que diz respeito às normas de segurança. Além disso, o transporte de baixa qualidade também acaba incentivando o uso excessivo de automóveis e táxis, contribuindo para mais engarrafamentos, poluição, etc, etc. A última panacéia apresentada é o tal de <strong>Bilhete Único</strong>. Informações a respeito de seu funcionamento, <a href="http://www.riobilheteunico.proderj.rj.gov.br/" target="_blank">aqui</a>. Melhor que nada, mas eu continuo criticando:</p>
<p>a) a burocracia na aquisição do bilhete (via internet, nas agências &#8211; e não todas &#8211; de um banco privado que nem sequer é o mais popular, portanto há menos agências disponíveis nos bairros, e nos postos da RioCard. É pouco para uma cidade que deve ser entendida em escala metropolitana e cujos principais usuários serão a população mais pobre), com todos esses passos de desbloquear via internet, esperar 48 horas para ter os créditos gravados, e poucas garantias para o usuário em caso de perda ou roubo do cartão;</p>
<p>b) o fato de não haver incentivo para o usuário regular. Em outras palavras, em todos os lugares do mundo, quem compra bilhetes que valem para o mês todo, que normalmente é o pessoal &#8211; trabalhadores, estudantes &#8211; que usa diariamente, tem um desconto no valor da passagem, que sai mais barata do que se pagasse, por exemplo, 30 viagens individuais. Aqui não é assim. Por quê não?</p>
<p>Amanhã, sem falta, como funcionam as coisas no Canadá e na Itália. Quem tiver exemplos e experiências pra contar de suas próprias cidades, fique à vontade.</p>
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		<title>Preâmbulos</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Feb 2010 13:55:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[transporte]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Como eu disse no dia que saí pra viajar, eu nem terminei de contar tudo o que eu queria sobre o Canadá, e já tenho novas anotações e fotos de viagem pra mostrar. E dessa vez eu acho que vou fazer de um jeito um pouco diferente. Explico.</p>
<p>Quando eu fui ao Canadá, fiz trocentas anotações, quase [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Como eu disse no dia que saí pra viajar, eu nem terminei de contar tudo o que eu queria sobre o Canadá, e já tenho novas anotações e fotos de viagem pra mostrar. E dessa vez eu acho que vou fazer de um jeito um pouco diferente. Explico.</p>
<p>Quando eu fui ao Canadá, fiz trocentas anotações, quase todas meio taquigráficas, em diversos papeizinhos, blocos, verso de mapas. Depois, me dei o trabalho de juntar e passar tudo a limpo, organizar por temas, e só aí começar a postar. Cada post focalizava um determinado tema, e nós já falamos sobre as <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/12/canada-2-pequenas-gentilezas-urbanas/" target="_blank">pequenas gentilezas urbanas</a>, sobre o <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/15/canada-3-vai-precisar-de-sacola/" target="_blank">uso de sacolas plásticas,</a> eu dei uma geral sobre <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/26/canada-4-montreal-quebec-e-toronto/" target="_blank">as cidades que visitei</a>, e por fim, falamos do<a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/11/07/canada-5-espaco-publico/http://www.urbanamente.net/blog/2009/11/07/canada-5-espaco-publico/" target="_blank"> uso do espaço público</a>. Faltaram três temas que eu acho importantes, e que ainda pretendo desenvolver. São eles: <strong>sistema viário e transporte público</strong>, <strong>comércio e consumo</strong> e, por fim, mas não menos importante, <strong>arquitetura e projetos urbanos</strong>.</p>
<p>Dessa vez, na Itália, eu não separei as anotações por itens. Ganhei – luxo! &#8211; uma moleskine de presente de fim de ano da minha <a href="http://cousasecausos.wordpress.com/" target="_blank">Nenéia querida</a>, com a recomendação expressa de que fosse usada para registrar minhas impressões nas viagens, e foi exatamente o que fiz. Aproveitei os percursos de trem pra cima e pra baixo para colocar no papel o que tinha observado, pensado a respeito, algumas são reflexões muito pessoais e diletantes, mas estou com vontade de simplesmente transcrever aqui pra vocês, ilustrando com as fotos de cada momento desses, que tal?</p>
<p>De toda forma, hoje ainda vou escrever sobre essa questão dos transportes públicos, porque a coisa aqui no Rio tá tão pavorosa que não dá mais pra não falar do assunto. Quem sabe, observando experiências diferentes, a gente não possa vislumbrar que existem alternativas e se mexer para pressionar por soluções. Meu medo sempre é o de que a gente reclame, reclame, numa queixa vazia que, por mais irritada que seja, não alcança objetivos, não produz mudança, e depois, a gente acabe se acostumando, como sempre, com a baderna, o descaso, o desconforto, e termine por se referir à situação com um “é assim mesmo, fazer o quê?”.</p>
<p>Aproveito para falar da minha experiência recente com transporte na Itália no mesmo post. Vamos a ele.</p>
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