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	<title>Urbanamente &#187; Viagem</title>
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	<description>eu na cidade, a cidade em mim</description>
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		<title>Férias (pfff) de inverno</title>
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		<pubDate>Sun, 14 Aug 2011 17:53:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>Foram pouquinhos dias, mas descansei um bocadinho, passeei, dormi. Caxias do Sul é a cidade onde moram meus sogros. A gente vai lá com certa frequência. No verão é mais fresquinho que o calor escaldante do Rio, no inverno dá pra curtir o friozinho da Serra Gaúcha com muito vinho e lareira.</p>
<p>Desta vez, meados de julho, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foram pouquinhos dias, mas descansei um bocadinho, passeei, dormi. Caxias do Sul é a cidade onde moram meus sogros. A gente vai lá com certa frequência. No verão é mais fresquinho que o calor escaldante do Rio, no inverno dá pra curtir o friozinho da Serra Gaúcha com muito vinho e lareira.</p>
<p>Desta vez, meados de julho, o frio nem estava tão intenso. Num passeio, descendo a serra em direção a Porto Alegre, passando por Nova Petrópolis, eu queria descrever a paisagem. Do banco de trás do carro, vendo as imagens pela janela, pensando sobre tanta coisa que aquilo me despertava, não deu pra fazer muita coisa, mas eu não queria perder a chance. Pensei em escrever algumas palavras-chave, que me ajudassem, depois, a compor um texto corrido melhor. No final, optei por deixar só as palavras mesmo. Elas abrem pistas, vocês preenchem como gostarem mais.</p>
<p>SERRA</p>
<p>Camélias, amores-perfeitos, cerejeiras em flor<a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/08/Tangerina1.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-1082" title="Tangerina1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/08/Tangerina1.jpg" alt="" width="420" height="560" /></a><br />
Tangerineiras carregadas, frutos redondos cheirosos<br />
Casas de madeira, antigos moinhos,<br />
galpões industriais, metalúrgicas, motores, carrocerias</p>
<p>Parreirais retorcidos<br />
muitas tangerinas colorindo o verde seco<br />
Galhos nus se elevam decíduos</p>
<p>Serra, encostas, lenha, chaminés<br />
Curvas, vertentes, fontes, pedras,<br />
serpentes de prata nos vales,<br />
rio, sol<br />
vinho, risadas, raízes, família.</p>
<p>&nbsp;</p>
<p>PS: Não vou prometer nada. Confio que vocês acreditem que não é falta de vontade de estar aqui. Pra contribuir com algumas reflexões, partilho textos que tenho deixado de rastro, lá no facebook, sobre os distúrbios em Londres: <a href="http://davidharvey.org/2011/08/feral-capitalism-hits-the-streets/#more-962" target="_blank">Harvey</a> (esse tá em inglês), <a href="http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2011/08/12/foi-um-motim-de-consumidores-excluidos-diz-sociologo-zygmunt-bauman-925126381.asp" target="_blank">Bauman</a>, <a href="http://esquerdopata.blogspot.com/2011/08/desemprego-e-decadencia-urbana-explicam.html" target="_blank">Esquerdopata</a>.</p>
<p>Até o mais breve possível.</p>
]]></content:encoded>
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		<title>Lira paulistana</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Feb 2011 23:11:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[espaço público]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Foram cinco dias em São Paulo. Eu gastei dois posts longos pra falar do primeiro dia e agora vou escrever mais um pra falar de todo o resto e fazer um apanhado geral das coisas que pensei com essa viagem.</p>
<p>Como eu disse, eu cheguei lá na quarta já de tardinha. Na quinta flanei sozinha pela cidade, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Foram cinco dias em São Paulo. Eu gastei dois posts longos pra falar do primeiro dia e agora vou escrever mais um pra falar de todo o resto e fazer um apanhado geral das coisas que pensei com essa viagem.</p>
<p>Como eu disse, eu cheguei lá na quarta já de tardinha. Na quinta flanei sozinha pela cidade, conhecendo o Centro e o Bom Retiro. Na sexta, o dia foi das amigas. Acordei mais tarde, encontrei a Flávia pra um café delicioso no <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Conjunto_Nacional" target="_blank">Conjunto Nacional</a>, ali na Av. Paulista. Papo atrasado há mais de um ano, ela tinha que voltar ao trabalho e eu ali querendo segurá-la só mais um pouquinho, contar só mais uma novidade, perguntar só mais um detalhe. Toda vez que nos encontramos eu fico com a sensação de que é pouco demais, e de que poderíamos ficar conversando por mais muitas horas, com o mesmo deleite.</p>
<div id="attachment_1002" class="wp-caption alignleft" style="width: 490px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/bolinhos.jpg"><img class="size-full wp-image-1002" title="bolinhos" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/bolinhos.jpg" alt="" width="480" height="180" /></a><p class="wp-caption-text">Nham nham</p></div>
<p>Almoço na Aclimação, com mais duas queridas, bem de frente para o<a href="http://www.sampa.art.br/parques/aclimacao/" target="_blank"> parque</a>. Com direito ao melhor bolinho com recheio de creme de limão siciliano e cobertura de chocolate branco que eu jamais comerei na minha vida, de sobremesa, na casa de uma delas logo depois.</p>
<p>Mais tarde, fui dar pitacos arquitetônicos para outra amada que acabou de comprar apartamento, enquanto visitávamos o <em>stand</em> de vendas do prédio e o apartamento decorado que eles colocam lá pra encher os olhos dos clientes. Todos os cômodos com teto (bem) rebaixado de gesso, polvilhado de lâmpadas dicróicas a pouco mais de meio metro da cabeça das pobres criaturas, inclusive no banheiro. Como este apartamento-vitrine é todo climatizado, ar central, fresquinho até no banheiro, parece tudo lindo. Mas se você vai viver num lugar normal, em que isso não é o padrão, essas lampadinhas vão cozinhar os seus miolos. Devagar com o andor. Mas minha amada fez uma compra muito boa. Agora é torcer pro empreendimento ser concluído e entregue no tempo previsto.</p>
<div id="attachment_1003" class="wp-caption alignright" style="width: 250px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/lambreta.jpg"><img class="size-full wp-image-1003" title="lambreta" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/lambreta.jpg" alt="" width="240" height="180" /></a><p class="wp-caption-text">Tirando onda na lambreta</p></div>
<p>De noite, fomos de grupinho para o <a href="http://www.zedohamburger.com.br/" target="_blank"><strong>Zé do Hamburguer</strong></a>, em Perdizes. Vocês não têm noção do tanto que eu gostei. O bar tem decoração temática 100% anos 50. Do piso ao teto, passando por todos os móveis, copos, pratos, talheres, cores e ornamentos. Tem até uma jukebox e uma lambreta verde no meio do salão! A trilha sonora também segue a onda, e eu me fartei de ouvir Elvis Presley, Chucky Berry e Cely Campelo. Comida boa, preço justo, companhia indescritivelmente gostosa e divertida. Meninas, adorei cada minutinho ao lado de vocês, não tenho como agradecer por tantos mimos e atenção.</p>
<p>No sábado, fui para a Av. Paulista ver o <a href="http://masp.art.br/masp2010/"><strong>MASP</strong></a> e render minha homenagem à <a href="http://www.institutobardi.com.br/lina/biografia/index.html">Lina Bo Bardi</a> por um projeto tão bacana. Mas minha maior surpresa foi mesmo o <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Parque_Trianon"><strong>Trianon</strong></a>, o parque que fica bem em frente. Aliás, antes, quando eu falava em parque urbano em São Paulo, só me vinha à cabeça o Ibirapuera. Minha ignorância me levava a crer que o Ibira era uma ilha verde no meio do interminável maciço cinzento da cidade. Que surpresa. São Paulo tem uma grande rede de parques urbanos muito bacanas. E, diferentemente de tantos parques aqui no Rio em que a classe média evita transitar, porque são frequentados majoritariamente por desocupados, mendigos e pivetes (é o que escuto, por exemplo, em relação ao Passeio Público e à Praça da República, também conhecida como Campo de Santana, aqui no Centro), os parques paulistanos têm bastante movimento. Pelo menos dos que eu conheci, eu gostei muito. No sábado, ali no <a href="http://jeguiando.com/2008/02/09/parque-trianon-sao-paulo/">Trianon</a>, tinha gente lendo livros e jornais em bancos sob as árvores, correndo ao som de seus ipods, senhoras fazendo tai chi chuan, crianças brincando em parquinhos, casais passeando de mãos dadas.</p>
<div id="attachment_1004" class="wp-caption aligncenter" style="width: 800px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AvPaulista1.jpg"><img class="size-full wp-image-1004" title="AvPaulista1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AvPaulista1.jpg" alt="" width="790" height="230" /></a><p class="wp-caption-text">Cenas da Av. Paulista e do MASP</p></div>
<div id="attachment_1005" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/Trianon.jpg"><img class="size-full wp-image-1005" title="Trianon" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/Trianon.jpg" alt="" width="800" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">O Trianon visto do MASP e ao lado um passeio pelas trilhas do parque</p></div>
<div id="attachment_1006" class="wp-caption alignleft" style="width: 235px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AvSJoao.jpg"><img class="size-full wp-image-1006" title="AvSJoao" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AvSJoao.jpg" alt="" width="225" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Av. São João, vista lá de cima do mirante do Banespa</p></div>
<p>Dali, voltei ao Centro para percorrer, do início, a famosa e cantada Av. São João. Bom, eu me lembro pelo menos de <a href="http://paulo-vanzolini.musicas.mus.br/letras/397820/" target="_blank"><strong>Ronda</strong></a>, do <a href="http://cliquemusic.uol.com.br/materias/ver/paulo-vanzolini--o-samba-com-a-cara-de-sao-paulo" target="_blank">Paulo Vanzolini</a>, e <a href="http://www.vagalume.com.br/caetano-veloso/sampa.html" target="_blank"><strong>Sampa</strong></a>, do Caetano Veloso, que citam a longa avenida. Não pude deixar de passar na <a href="http://www.galeriadorock.org.br/site/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=98&amp;Itemid=12" target="_blank"><strong>Galeria do Rock</strong></a>, claro, onde descolei, com enorme surpresa e prazer, o cd dos Beatles ao vivo em Hamburgo, gravado em 1962, no lendário Star Club.  Eu tinha isso em vinil no século passado <img src='http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-includes/images/smilies/icon_smile.gif' alt=':)' class='wp-smiley' /> </p>
<p>Pensei em tirar uma foto da placa ali onde cruza a Ipiranga e a Avenida São João, mas achei que era cliché demais e segui adiante. O percurso pela avenida também é um dos roteiros do meu livrinho de viagem, e eu até tencionava caminhar o trajeto todo sugerido no guia, ou ir pelo menos até o Largo de Santa Cecília. Mas pouco antes de chegar ao Arouche o cansaço me venceu e eu resolvi que já tinha visto o bastante. Meia-volta, metrô até o Araçá, ônibus para Pinheiros, e fui encontrar Juju, minha anfitriã e <em>sister</em>, na feira da <a href="http://www.pracabeneditocalixto.com.br/localizacao.htm" target="_blank"><strong>Praça Benedito Calixto</strong></a>. Eu amo essas feirinhas de antiguidades, fico alucinada com os cristais e porcelanas, babando por tacinhas coloridas de licor que possam incrementar minha fajuta coleção. Mas era tudo caro demais. Apaixonei por um oclinhos de sol, redondo, bem John Lennon. Experimentei, ficou divino, perguntei o preço, disposta a extravagâncias. 180 paus. Desapaixonei imediatamente e fui fuxicar as quinquilharias de outras barracas. Máquinas velhas, bonecas encardidas, carrinhos de quando meu avô era criança, revistinhas, puxadores de gaveta de cerâmica esmaltada, LPs de Dalva de Oliveira, espelhinhos de penteadeira com cabo em madrepérola, aldravas de ferro fundido, camafeus, caçarolas de cobre. <em>De um tudo</em>, como se diz por aí. Quase surtei.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/chorinho.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-1007" title="chorinho" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/chorinho-300x225.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Sob um toldo armado no meio da praça, um grupo tocava os clássicos do chorinho. Delicado, Odeon, Pedacinho do Céu. Isso só enquanto eu tomava uma água de côco numa barraquinha ao lado. Rebatemos a água de côco com uma cerveja bem gelada no barzinho em frente, enquanto esperávamos a chuva passar, Juju e eu, rindo, contando planos, falando bobagens e seriedades, como só se faz com pessoas a quem se ama.</p>
<p>Minha visita terminou no domingo. Passeio pela Liberdade de manhã, de novo com as amigas mais queridas que se pode ter, bem no dia em que os chineses comemoravam o Ano Novo, sob o signo do Coelho. Gente demais da conta, um calor de fritar ovo no asfalto, mas a festa estava tão linda e colorida que eu adorei assim mesmo. Almoçamos num restaurante chinês, e se eu não visse eu não acreditava: o chef produzindo fios perfeitos de macarrão, ali na minha frente (a cozinha é aberta, você pode olhar tudo por um painel de vidro), só esticando e dobrando a massa, sem um corte, sem uso de nenhum instrumento. Uau!</p>
<div id="attachment_1008" class="wp-caption aligncenter" style="width: 790px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/NaLiberdade.jpg"><img class="size-full wp-image-1008" title="NaLiberdade" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/NaLiberdade.jpg" alt="" width="780" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Comemorações do Ano Novo Chinês na Liberdade</p></div>
<p>Ficou faltando tanta coisa. Eu não comi pastel no japa, nem sanduíche de mortadela no Mercado Municipal. Não vi o Museu do Futebol, a Faculdade de Arquitetura da USP, a Sala São Paulo, a Estação Júlio Prestes. Não fui ao Brás, à Mooca, à Lapa, não visitei Santa Ifigênia. Não passeei nos Jardins, nem mesmo para conferir o desenho urbano calcado no princípio das <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Cidade_Jardim_%28teoria%29" target="_blank"><strong>cidades jardins</strong></a> de <a href="http://urbanidades.arq.br/2008/10/ebenezer-howard-e-a-cidade-jardim/" target="_blank">Ebenezer Howard</a>. Não fiz compras na Oscar Freire, e tanto minha conta bancária quanto meu marido suspiram aliviados com isso, aleluia! Não visitei a <a href="http://dropsdafal.blogbrasil.com/" target="_blank">Fal</a>, olha o pecado maior (mas só porque ela não estava na cidade). Ótimo. Assim, tenho pretextos a rodo para voltar.</p>
<p>Cheguei com olhar de carioca, saí com um monte de reflexões e descobertas. Que eu sou apaixonada pela vida urbana, pela diferença e pela diversidade já é sabido. Sou fascinada por este construto social e cultural tão complexo que são as cidades. Essa forma que nós, humanos, há milênios, encontramos de nos organizar espacialmente, economicamente, politicamente.</p>
<p>Ficou muito claro para mim, muito mais óbvio que em qualquer outra ocasião, que para apreciar uma cidade, é preciso de certa forma se despir das outras cidades que nos habitam. Fala-se tanto (com exagero demais, pro meu gosto) das rivalidades entre paulistas e cariocas, cada um defendendo, entre outras coisas, as vantagens de sua cidade e de seu jeito de ser urbano. Acontece que não dá para ir a São Paulo tendo o Rio como parâmetro e vice-versa. São identidades e trajetórias históricas diferentes, suportes físicos diferentes, que geram espaços, paisagens e vivências urbanas diferentes. Se você vai esperando encontrar o Rio, comparar com o Rio, a frustração é grande. Mas se você vai aberto para o novo, é uma cidade fantástica, cheia de oportunidades, uma síntese do Brasil e do mundo. São Paulo é a nossa Nova York, eu acho. Gentes de todos os lugares, línguas e cores. Camadas de história sobrepostas, justapostas, expostas.</p>
<p>O Brasil colônia está lá, o Brasil bandeirante, indígena. O Brasil do açúcar, do negro. O Brasil do café, dos barões, da ferrovia. O Brasil da indústria, do imigrante. O Brasil digital. O Brasil da elite rica e às vezes arrogante, dos negócios e investimentos, da cultura e da gastronomia, da vanguarda intelectual, e também o Brasil de todos os brasis, da periferia, do futebol, do hip hop, dos &#8220;mano&#8221; e dos &#8220;truta&#8221;. Os Jardins e a Cracolândia. A Oscar Freire e a 25 de março. Os arranha-céus e os parques lindíssimos, bucólicos, deliciosos. Um Brasil de trabalhadores das mais diversas origens. Em São Paulo, os paulistas são gaúchos, cariocas, paraibanos, mato-grossenses. E são também italianos, judeus, armênios, sírios, coreanos, bolivianos, turcos, japoneses. São até paulistanos, veja só.</p>
<p>Agora que eu cheguei por aqui é que eu tudo entendi. Rondar a cidade revela que, por trás da dura poesia concreta das esquinas, a lira é paulistana.</p>
<div id="attachment_1009" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/saopaulo-geral.jpg"><img class="size-full wp-image-1009" title="saopaulo-geral" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/saopaulo-geral.jpg" alt="" width="800" height="675" /></a><p class="wp-caption-text">Panorama geral. Acima, à esquerda, Vale do Anhangabaú; à direita Mercado Municipal. Embaixo, à esquerda, o conjunto da Igreja de São Bento, à direita, Av. São João.</p></div>
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		<title>E fez-se a Luz!</title>
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		<pubDate>Thu, 24 Feb 2011 21:23:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
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		<description><![CDATA[<p>As férias vão chegando ao fim e minha preguiça vai aumentando exponencialmente. Mas vamos voltar a São Paulo.</p>
<p>Naquele mesmo primeiro dia de passeio, depois de lanchar na Casa Godinho, eu achei que dava tempo de mais um roteirinho do meu livro, e me mandei pro Bom Retiro, um dos bairros mais antigos da cidade, verdadeiro testemunho [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>As férias vão chegando ao fim e minha preguiça vai aumentando exponencialmente. Mas vamos voltar a São Paulo.</p>
<p>Naquele mesmo primeiro dia de passeio, depois de lanchar na <strong>Casa Godinho</strong>, eu achei que dava tempo de mais um roteirinho do meu livro, e me mandei pro Bom Retiro, um dos bairros mais antigos da cidade, verdadeiro testemunho urbano desde 1800. Primeira parada: <a href="http://www.estacoesferroviarias.com.br/l/luz.htm" target="_blank">Estação da Luz</a>. Estava louca há anos para conhecer o <a href="http://www.museudalinguaportuguesa.org.br/exposicoes.php" target="_blank">Museu da Língua Portuguesa</a>, que funciona ali numa parte reformada da estação. Não me decepcionei. Lindíssimo o museu, uma pena a loja e a cafeteria estarem fechadas. Mas a estrutura é toda muito bem organizada, há a parte das exposições temporárias, que dessa vez era sobre <strong>Fernando Pessoa</strong>, um andar inteiro e imenso com painéis, projeções e todo tipo de artefato interativo e tecnológico, contando a formação da língua, desde lá atrás, na bifurcação dos ramos linguísticos, de onde surgiu o indo-europeu que dá origem à grande quantidade de línguas que hoje conhecemos, extintas (como o latim) ou vivas, como seus derivados português, espanhol, francês, romeno, para ficar só nas mais conhecidas.</p>
<p>O que eu achei mais legal foram os vários computadores à disposição, que mostram as contribuições das diversas línguas africanas e indígenas à formação do português que falamos hoje no Brasil. Cada computador com um dialeto ou língua, explicando sua origem, falando dos povos que falavam essas línguas, um monte de outras informações culturais interessantíssimas e finalmente uma lista das palavras incorporadas ao nosso vocabulário, em todas as áreas, que são oriundas dessas línguas e do saber desses povos. É impressionante, a gente não se dá conta do tanto que fala e que vem de jejes, eve-fons, iorubás, guaranis, tamoios, e tantos outros. Ah, há também as palavras que vieram de outros grupos de imigrantes, das mais diversas nacionalidades, principalmente nos dois últimos séculos.</p>
<p>Entretanto, o que mais me emocionou mesmo foi a projeção com artistas e escritores declamando trechos de poemas em português. A versão rap para um poema de Gregório de Matos ficou sensacional. Na pequena arena circular em que a projeção era feita nas paredes, em 360°, os textos e imagens abstratas iam se encaixando no tema ou no ritmo, enquanto nós sentávamos em arquibancadas de madeira. O piso, no centro, é escuro, e aqueles versos estão escritos em luz, numa montagem simples e poética. Foi muito lúdico também. Havia crianças se divertindo com a maleabilidade da língua, as aliterações, a cadência que dá vida às frases. Será que eu sou boba porque eu chorei um pouquinho, algumas vezes?</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/Museu.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-986" title="Museu" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/Museu.jpg" alt="" width="850" height="300" /></a></p>
<div id="attachment_987" class="wp-caption alignleft" style="width: 410px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09429.jpg"><img class="size-full wp-image-987" title="DSC09429" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09429.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Estação da Luz</p></div>
<p>Na saída do Museu, fiz questão de verificar que a Estação da Luz continua funcionando como um ponto intermodal importante em São Paulo, integrando a malha ferroviária com o metrô e o ônibus. O prédio original era de 1867, mas desapareceu sob o fogo. O que está lá foi inaugurado em 1901, símbolo da indústria e da arquitetura do ferro e do tijolo da Revolução Industrial. Como aconteceu tantas vezes (e aqui no Rio não é diferente), foi a estrada de ferro que urbanizou a região, levando ao loteamento das chácaras e abertura de ruas. Isso atraiu moradores, casas comerciais, oficinas, armazéns e depósitos. Ainda hoje, é fascinante observar aquele monte de gente passando por ali, como fizeram centenas de milhares italianos, japoneses, coreanos, judeus (de origens várias), mineiros, baianos, paraenses, pernambucanos, peruanos, paraguaios, desde o século XIX até hoje. Isso sem falar nas toneladas de café que vinham do interior do estado rumo ao Porto de Santos e que fizeram a riqueza da metrópole.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/jardim.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-989" title="jardim" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/jardim.jpg" alt="" width="300" height="225" /></a>Por recomendação das amigas (e do guia), fui passear no parque em frente, o Parque da Luz. O jardim é anterior à estrada de ferro, e foi aberto em 1825, com um jardim botânico e um zoológico! Tem o típico desenho romântico inglês, com imensas árvores, lagos, canais, pontezinhas, estátuas, grutas artificiais, tudo emulando uma paisagem campestre e nostálgica, que convida o passante à ilusão de que, por um momento, se saiu da cidade e se mergulhou em alguma paisagem idílica. O lindo coreto de ferro ao centro está reformado, e o programa mais delicioso a fazer é simplesmente caminhar e contemplar. O parque é muito frequentado, com dezenas de pessoas percorrendo os caminhos sinuosos, ou sentados jogando dominó, lendo, batendo papo. Ah, antes que eu esqueça, a Pinacoteca fica ali, quase de frente para a Estação da Luz, e o prédio é lindo, mas eu não tive tempo de visitá-la desta vez. Ao seu lado, há um belo Jardim de Esculturas, com obras de geniais artistas contemporâneos brasileiros, como Waltércio Caldas, Amílcar de Castro, Franz Weissmann e Ascânio MMM.</p>
<div id="attachment_990" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/pqe-da-luz.jpg"><img class="size-full wp-image-990" title="pqe-da-luz" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/pqe-da-luz.jpg" alt="" width="800" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Movimento e vida no parque</p></div>
<p>Antes de entrar no coração do bairro propriamente, assinalado por uma placa de Bem-vindo ao Bom Retiro, numa esquina da rua José Paulino, uma das mais conhecidas e badaladas, um pequeno trecho do <a href="http://www.livrariacultura.com.br/scripts/cultura/resenha/resenha.asp?nitem=3227054" target="_blank">livro</a> que me serviu de Guia, no capítulo escrito pelo historiador <strong>Roney Cytrynowicz</strong>:</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/bem_vindo.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-991" title="bem_vindo" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/bem_vindo-130x300.jpg" alt="" width="130" height="300" /></a><em>&#8220;Poucos bairros e lugares da cidade de São Paulo têm uma característica tão definida como o bairro do Bom Retiro, principalmente por três aspectos relacionados entre si: o comércio têxtil (&#8230;) que atrai pessoas e negócios de todos os cantos da cidade e do país; os restaurantes de culinária &#8216;típica&#8217; de vários grupos étnicos, citados com destaque em todos os roteiros gastronômicos da cidade e, por fim, a presença visível de paulistanos de várias origens étnicas e nacionais. O Bom Retiro tornou-se assim uma espécie de cartão-postal ou vitrine do cosmopolitismo da cidade, [de um] multiculturalismo efetivo, cotidiano, que embaralha pessoas, culturas e comércio. O lado cartão-postal convive com o dia-a-dia dos imigrantes, seus descendentes de várias gerações e sua intensa produção de signos culturais, de letreiros de loja a cardápios de restaurante em várias línguas, brincando com os nomes, seus sentidos, as sonoridades e seus grafismos.</em></p>
<p><em>Mas é interessante superar uma visão folclorizante do bairro e dos seus habitantes, que seria olhar para seus moradores como seres pitorescos originário de outras terras: ; &#8216;coreano&#8217;, o &#8216;italiano&#8217;, o &#8216;judeu&#8217; e assim por diante, como se as pessoas portassem uma etnicidade ou cultura &#8216;pura&#8217; ou &#8216;original&#8217;. (&#8230;) Estas identidades existem, mas sempre em combinação com outras e em um jogo no qual os grupos reinventam sua cultura na troca com os outros, criando estratégias de manutenção interna de sua identidade e outra de consumo para o público &#8216;externo&#8217;.</em></p>
<p><em>Uma visita ao bairro é uma viagem a esse mundo em que &#8216;assim é se lhe parece&#8217;. O próprio comércio (&#8230;) convida a esse turismo de identidade, mas ele é apenas a superfície, a fachada de uma complexa vida diária na metrópole, de sucesso de imigração, de liberdade e afirmação étnica, cultural e religiosa, mas também de fracassos, de retornos, de frustrações, de ilegalidades no trabalho e de vidas sofridas, clandestinas e sem registro formal&#8221;.</em></p>
<p>Assim que passei a placa, procurei um café, sentei, tomei meu indefectível capuccino (adooooro), enquanto rabiscava minhas impressões daquelas primeiras horas e lia esse trecho que acabei de transcrever. Já eram mais de 4 horas da tarde, e eu tinha pressa de ver tudo o que pudesse. A mistura de culturas, arquiteturas, gentes e tempos é gritante. E deliciosa. Como diz o Roney mais adiante: <em>&#8220;o descompasso geométrico das construções, com alturas, tamanhos, estilos, cores e estado de conservação inteiramente diferentes, cada um brotando para um lado&#8221;</em> não deixa de ter seu charme. Os resquícios do passado industrial prioritariamente têxtil do bairro estão por todos os lados. Galpões que viraram centros comerciais, armarinhos, malharias, fiações. Lojas elegantes e caras numa rua, e logo ali depois da esquina, botequins, lojas de 1,99, pechinchas em bolsas e vestidos. Não desejo reforçar os estereótipos, mas meu espírito mulherzinha baixou num transe intenso, e quando eu vi, já tinha gasto mais de mil reais! Calma! Só mentalmente. Era o que eu teria gasto se tivesse comprado tudo o que cobicei nas lojas em que parei pra perguntar o preço. Na verdade, comportei-me estoica e prudentemente (mais ou menos) e minhas já sufocantes dívidas foram acrescidas de apenas cerca de 10% desse valor exorbitante. Mas veja se não valeu a pena: uma calça de malha (aquela viscose com elastano, de boa qualidade) marrom, lindésima, meio pantalona; uma camiseta de malha clarinha, com uma gola de cetim pérola, meio fru-fru, básica e elegantinha; um cinto tressê preto, de couro, fininho; uma echarpe bem levinha, de renda, ideal para o verão. Tudo isso junto, mais o café, o doce a que eu me referi no <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2011/02/17/pauliceia-desvairada/" target="_blank">post anterior</a>, e passagem incluída, somando pouco menos de cem reais. Não está mal, diz?</p>
<p>É uma tentação andar pelo Bom Retiro, aviso logo. Melhor voltar para a apreciação histórica. Pelo que li, além da maioria de italianos e judeus que chegaram no final do século XIX e princípios do XX, houve também grande quantidade de árabes, armênios, gregos, búlgaros. Eu, por exemplo, queria comer um falafel (sanduíche com variações comuns na culinária tanto de Israel quanto de diversos países árabes), ou uma bureka, na <strong>Casa Búlgara</strong>, mas na hora em que passei por lá, já estava fechada. Outro que ficou anotado para a próxima foi o <strong>Restaurante Acrópole</strong>, de comida grega (dãããã), na Rua da Graça.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09441.jpg"><img class="alignleft size-full wp-image-992" title="DSC09441" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/DSC09441.jpg" alt="" width="400" height="300" /></a>Foi bom passar por lá de toda forma. Uma entrada estreita, em paralelepípedos, me chamou a atenção, bem como a placa sobre o portal, que dizia <strong>Vila Michele Anestasi</strong>. Antes mesmo de criar coragem para entrar, reconheci na casinha ao fundo, a tipologia característica das vilas operárias dos oitocentos. Meninos pequenos e descalços brincavam no pequeno pátio, e eu puxei conversa na cara de pau. Carinha de bolivianos, mas falavam português. Pedi para fotografar, já fotografando, e a mãe de um deles apareceu, grávida, desconfiada, cara feia e pouco assunto, mandando o filho entrar. Não admira. Se cem anos atrás essas vilas eram ocupadas por italianos pobres, hoje é moradia principalmente de bolivianos (e outras nacionalidades latino-americanas), que quase sempre vêm para o Brasil atraídos pela ilusão de uma vida melhor, e acabam instalados clandestinamente, trabalhando em condições de miséria e escravidão em fábricas de tecidos e confecções. Quando a mãe fechou a porta atrás de si, a fresta da porta me permitiu vislumbrar uma casa escura e pobre. Para a situação de tantos trabalhadores estrangeiros ou não, ainda presos em relações de trabalho de escravidão, por este Brasil afora, recomendo que acompanhem o <a href="http://blogdosakamoto.uol.com.br/" target="_blank">blog do Sakamoto</a>.</p>
<div id="attachment_993" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/vila.jpg"><img class="size-full wp-image-993" title="vila" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/vila.jpg" alt="" width="800" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Vila Operária</p></div>
<p>Na rua Três Rios entrei &#8211; já quase na hora de fechar &#8211; numa lanchonete de nome <strong>Burekita</strong>, onde bebi um refrigerante bem gelado (ô calor!) e comi um docinho, enquanto a família de proprietários judeus conversava ao mesmo tempo em que o guri de seus 4 anos brincava de aviãozinho de papel com o avô. E comigo, né, já que a potente aeronave cismou de pousar na minha mesa algumas vezes. Dali, mais uma caminhada, dessa vez por uma área um tanto esquisita, com oficinas, terrenos baldios e hotéis de categoria duvidosa. Faz parte. Mas logo cheguei de volta à movimentada Av. Tiradentes, de onde peguei o metrô para casa. Um dia inesquecível.</p>
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		<title>Paulicéia desvairada*</title>
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		<pubDate>Thu, 17 Feb 2011 14:56:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Pergunta: onde mais, neste imenso Brasil, eu posso, num dia só:</p>
<p>- ser abordada por um iraniano pedindo que eu tirasse uma foto dele em frente a uma catedral católica,
- ouvir emocionada um trio nordestino, vestido a caráter, com sanfona, zabumba e triângulo, cantar Asa Branca numa pracinha, enquanto uma multidão se forma em volta,
- depois conversar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Pergunta:</strong> onde mais, neste imenso Brasil, eu posso, num dia só:</p>
<p>- ser abordada por um iraniano pedindo que eu tirasse uma foto dele em frente a uma catedral católica,<br />
- ouvir emocionada um trio nordestino, vestido a caráter, com sanfona, zabumba e triângulo, cantar Asa Branca numa pracinha, enquanto uma multidão se forma em volta,<br />
- depois conversar com uma família de americanos num mirante no alto de um prédio, bem no Centro, de onde se vê a cidade quase toda,<br />
- fotografar um menino boliviano descalço e remelento, provavelmente imigrante clandestino, numa vila operária do século XIX,<br />
- comer um doce azedinho e bom, sentada sozinha num bar de judeus e acabar brincando de aviãozinho de papel com o Abraãozinho, neto do dono (era mesmo o nome do guri)?</p>
<p><strong>Resposta: Em São Paulo.</strong></p>
<p>Eu saí do Rio dia 27 de janeiro, para passar cinco dias na capital paulista, visitando amigas queridas, algumas das quais eu não via há mais de um ano. No caminho me dei conta de que era a primeira vez que eu ia a São Paulo a turismo, com disposição de conhecer a cidade. Sempre fui rapidinho, para algum evento específico, e ia do local onde estava hospedada para o evento e voltava. Tá, algumas vezes rolou um restaurante ou um barzinho, sempre ótimos, mas sempre guiada por moradores da cidade, e eu nunca prestei atenção em muita coisa à minha volta durante as andanças de carro. Ou então, passava por São Paulo (de novo de carro) a caminho do sul, e via só a parte ruim: os engarrafamentos da Marginal. Definitivamente, de carro é o pior jeito de conhecer uma cidade.</p>
<p>Vou confessar: São Paulo me intimidava. Engraçado que eu já visitei cidades estrangeiras, grandes, onde nem sempre eu sabia falar a língua local, e jamais deixei de pegar um mapinha e sair só (muitas vezes sozinha <span style="text-decoration: underline;">mesmo</span>, enquanto o marido trabalhava) para bater pernas, conhecer, fotografar. Pego ônibus, bonde, metrô, entro em lojas, exploro bairros mais afastados, paro para almoçar em lugares comuns (evito os restaurantes típicos para turistas, prefiro os cafés e bares onde vejo toda a gente da cidade sentada). Numa boa, adoro, e no final do primeiro dia já sinto como se tivesse a cidade nas mãos. Mas em São Paulo? Eu achava que ficaria paralisada, que ia acabar me perdendo, que todo mundo ia sacar que eu era uma carioca acuada. Pois vou logo dizer: foi mais fácil do que eu pensava, e muito mais agradável e emocionante também (fora o calor, que só não estava pior que no Rio, de onde eu me livrei dos mais de 40 graus que andou fazendo enquanto eu estava fora). Apaixonei.</p>
<p><a href="http://www.narrativaum.com.br/guias01.html#"><img class="alignleft size-medium wp-image-966" title="capa_guia1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/capa_guia1-185x300.gif" alt="" width="185" height="300" /></a>É verdade que eu tive um guia fantástico, que eu recomendo muito, mesmo aos paulistanos (eu descobri coisas que minhas amigas locais desconheciam, hohoho). É um livro que eu ganhei de um amigo uns anos atrás e que andou comigo diariamente, debaixo do braço, na mão, na bolsa: <a href="http://www.narrativaum.com.br/guias01.html#" target="_blank"><strong>Dez roteiros históricos a pé em São Paulo</strong></a>. Um projeto da Secretaria de Estado da Cultura, realizado pelo Programa de Ação Cultural e publicado pela Editora Narrativa Um, em 2007. Cada roteiro é escrito por um autor diferente: arquitetos, historiadores, antropólogos, artistas plásticos, com olhares, formações e experiências urbanas distintas, e uma forma particular de tecer sua narrativa e apresentar seu &#8220;pedaço&#8221; da cidade. Todos têm um mapinha com o trajeto sugerido, em que os pontos citados no texto estão assinalados, bem como um pequeno histórico do bairro ou região descrita e sugestões de quitutes a experimentar, edifícios a visitar, praças a desfrutar, hábitos e personagens a observar. MUITO legal.</p>
<p>Mas vamos lá. Eu cheguei numa quarta de tardinha. Na quinta, todo mundo trabalhando, eu resolvi que iria explorar o centro histórico a pé. A querida <a href="http://www.jujubalandia.org/" target="_blank">Juju</a>, que me recebeu, pegou comigo o primeiro ônibus ali do Caxingui, onde eu estava (perto do estádio do Morumbi) até a Av. Paulista e de lá eu poderia tomar o metrô para quase qualquer lugar. Escolhi fazer este circuito aqui:</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/roteiro1.gif"><img class="aligncenter size-full wp-image-967" title="roteiro1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/roteiro1.gif" alt="" width="380" height="611" /></a></p>
<p>Foi na Praça da Sé, início do percurso, que o tal iraniano me pediu que eu o fotografasse diante da catedral, num inglês meio cheio de mímica, provavelmente porque ele não sabia se eu entenderia. Comunicação estabelecida, ele se ofereceu pra tirar uma foto de mim também, e me perguntou de onde eu era. Eu falei que era brasileira e perguntei de onde ele era. Irã. Que legal!</p>
<div id="attachment_972" class="wp-caption aligncenter" style="width: 791px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/catedral-e-praca.jpg"><img class="size-full wp-image-972" title="catedral-e-praca" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/catedral-e-praca.jpg" alt="" width="781" height="375" /></a><p class="wp-caption-text">Eu diante da catedral, depois a Praça da Sé vista das escadarias da igreja</p></div>
<p>O livro adverte: <em>&#8220;o passeante curioso, ao ir descendo a Praça da Sé em direção ao antigo Pátio do Colégio, certamente vai trombar com meninos de rua, passar por cima de sem-tetos dormindo, desviar de camelôs, cruzar com ciganas ledoras de mão e ouvir a voz esganiçada de pregadores das mil seitas evangélicas que prosperam na cidade rica habitada exageradamente pelos muito pobres, atentos ouvintes embasbacados pelo som dos alto-falantes&#8221;.</em> Só não vi as ciganas. Mas isso tudo faz parte das nossas cidades, e traduz nossa situação urbana. Seria tapar o sol com a peneira querer andar só pelos ambientes assépticos dos shoppings e bairros mais requintados, onde vigora a vigilância privada.</p>
<p>Sorri, portanto, e prestei atenção, absorvendo tudo, ali no famoso &#8220;triângulo&#8221; que compõe o núcleo de fundação da cidade, formado pela Rua de São Bento, que liga a igreja dos beneditinos à dos franciscanos, a Rua Direita, fazendo ângulo reto com ela e a Rua Quinze de Novembro em oposição a este ângulo. Bem próximo a uma das pontas do triângulo, o Pátio do Colégio ostenta uma reprodução da igreja e do colégio dos jesuítas, construída já na década de 70, em substituição ao conjunto original, do século XVI, há muito desaparecido (não esquecer que em meados do século XVIII, o Marquês de Pombal expulsou os jesuítas de terras portuguesas). Há ali uma cripta dedicada ao Padre José de Anchieta, que expõe inclusive um dos fêmures do padre, como relíquia religiosa. Essa veneração por restos de corpos de santos me dá arrepios, juro que não entendo, mas passemos adiante.</p>
<div id="attachment_973" class="wp-caption aligncenter" style="width: 780px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/patiodocolegio.jpg"><img class="size-full wp-image-973" title="patiodocolegio" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/patiodocolegio.jpg" alt="" width="770" height="370" /></a><p class="wp-caption-text">Pátio do Colégio</p></div>
<p>Esse capítulo do livro é escrito pelo arquiteto Carlos A. C. Lemos, e ele faz uma descrição bem&#8230; arquitetônica (!!!) de tudo. Vai apontando as obras mais importantes, com os nomes dos arquitetos e datas de construção, sem se furtar a elogiar os prédios e estilos que ele admira (o colonial autêntico, o eclético historicista da linhagem de Ramos de Azevedo, o próprio art déco) e descrever com visível desapreço obras mais contemporâneas e as neocoloniais, estilo que ele menosprezava. Olha só dois exemplos:</p>
<div id="attachment_977" class="wp-caption alignleft" style="width: 210px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/cobertura-e-sfrancisco.jpg"><img class="size-medium wp-image-977" title="cobertura-e-sfrancisco" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/cobertura-e-sfrancisco-200x300.jpg" alt="" width="200" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Acima, a cobertura de Paulo Mendes da Rocha. Embaixo, a igreja de São Francisco e da Ordem Terceira</p></div>
<p>1) Falando da cobertura no Viaduto do Chá:<em> &#8220;Muita gente achava inexpressiva tal cobertura art déco acoplada ao Viaduto do Chá, certamente também projeto de Elisiário Bahiana. Construção simples, nada semostradeira, na expressão de Mário de Andrade. Foi demolida e substituída por outra concebida por outro notável arquiteto, o nosso amigo Paulo Mendes da Rocha. Obra inteligente e até bonita, mas uma intrusa a clamar: &#8216;cheguei!&#8217;. As pessoas em geral têm que saber que Patrimônio Cultural não é composto apenas de obras belas; algumas históricas são inexpressivas. Aliás, quem é o fazedor de juízos de valor com procuração do povo para derrubar e construir?&#8221;</em></p>
<p>2) Falando da Faculdade de Direito, no Largo de São Francisco: <em>&#8220;guandiloquente construção neocolonial projetada por Ricardo Severo e Felisberto Ranzini para o Escritório Técnico Ramos de Azevedo &#8211; Severo e Vilares, por volta de 1932/33, para substituir uma legítima e mais que histórica construção colonial. Substituíram um original por uma contrafação num total desrespeito ao nosso Patrimônio Cultural (&#8230;) É uma pena. Agora ali está a Igreja de São Francisco, último remanescente do século XVII, toda encolhida e amedrontada pela massa insólita de alvenaria pretensiosa&#8221;.</em></p>
<p>Eu vou bancar a atrevida e discordar do eminente mestre. Em primeiro lugar, eu não chamaria a atual Faculdade de Direito propriamente de neocolonial. Seu frontão é neocolonial, mas o pórtico que marca o corpo central, com colunas coríntias, e a própria disposição e ritmo das aberturas, classicizantes, enquadrariam este edifício, a meu ver, no estilo eclético em seu sentido mais estrito (a mistura de elementos e linguagens distintas). Em segundo lugar, ele fala como se este edifício que aí está tivesse tomado direta e abusivamente o lugar do original colonial. Pois bem, como podemos acompanhar pelas imagens abaixo (eu infelizmente não fotografei a faculdade, apenas o conjunto franciscano), até 1862, pelo menos, ainda era de fato o convento anexo à igreja que servia de Academia de Direito. Colonial, ok. Mas a foto seguinte, de 1867, já mostra uma reforma bastante modificadora, de feição neoclássica, com o telhado cerâmico escondido pela platibanda, a adição de pilastras decorativas sugerindo apoio ao entablamento e a criação de uma entrada destacada por uma porta em arco pleno, encimada por uma pequena torre com relógio. Neste momento, o edifício já deixou de ser o colonial original, que Carlos Lemos adoraria ter preservado. Ao prédio hoje existente não cabe a culpa pela destruição do patrimônio, a meu ver. Se algum colega mais apto, lendo isto, quiser dar seu parecer, eu agradeço.</p>
<div id="attachment_978" class="wp-caption aligncenter" style="width: 735px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/FacDireito-evolucao.jpg"><img class="size-full wp-image-978" title="FacDireito-evolucao" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/FacDireito-evolucao.jpg" alt="" width="725" height="160" /></a><p class="wp-caption-text">À esquerda, 1862; ao centro, 1867. Fotos de Militão Augusto de Azevedo, em http://marcos.mazo.nom.br/site/node/187. À direita, pórtico em 2011. Fonte: http://www.panoramio.com/photo/24618569</p></div>
<p>Vamos prosseguir, que eu nem cheguei na hora do almoço e já vi que meu passeio ao Bom Retiro vai ficar pro próximo post. O texto de Carlos Lemos, de toda forma, é cheio de indicações preciosas, e, por causa dele, eu almocei na tradicional <a href="http://www.casagodinho.com.br/" target="_blank">Casa Godinho</a>, no térreo do edifício Sampaio Correia, primeiro arranha-céu paulistano, projetado em 1924 por Cristiano Stockler das Neves. Depois, parei para prestar homenagem ao Edifício Martinelli, de 1929, que para mim sempre estará associado a duas situações. A primeira, é que ele é mencionado no belíssimo livro <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Olhai_os_L%C3%ADrios_do_Campo" target="_blank">Olhai os lírios do campo</a>, de Érico Veríssimo e a festa de inauguração do prédio é um momento importante no livro. A segunda &#8211; vamos botar uma lenhazinha na fogueira da rivalidade rio-sãopaulo &#8211; é que eu sei que o Martinelli foi erigido na mesma época que o Edifício A Noite, sede da Rádio Nacional, aqui na Praça Mauá, e havia uma velada disputa para saber quem completaria mais depressa o primeiro edifício de concreto armado do Brasil, que seria o mais alto da América Latina naquele momento. Há controvérsias.</p>
<div id="attachment_979" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/edificios.jpg"><img class="size-full wp-image-979" title="edificios" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/edificios.jpg" alt="" width="800" height="275" /></a><p class="wp-caption-text">Da esqerda para a direita: A Noite, Martinelli e Cavanagh. O primeiro foi tirado de http://www.skyscrapercity.com/showthread.php?t=1147645&amp;page=4, os outros são fotos da autora.</p></div>
<p>O projeto do A Noite é do francês Joseph Gire (o mesmo do Copacabana Palace) e de Elisiário Bahiana. Foi inaugurado com 22 andares, em 1929, com 102,80 m, o que equivale em nossos dias à altura de um prédio de mais de 30 andares. O Martinelli acabou sendo mais alto, atingindo 105,65 m (o livro fala em 80 metros, mas as outras fontes pesquisadas todas batem em torno de 105). Porém, alguns autores consideram que só foi concluído realmente em 1930, tendo apenas a estrutura terminada em 1929. Ficamos assim: o Rio inaugurou primeiro, mas São Paulo fez o mais alto. De que adianta? Em 1935 ambos perderiam a majestade para Buenos Aires, com os 120,35 m de seu Edifício Cavanagh.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AsaBranca.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-980" title="AsaBranca" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2011/02/AsaBranca-300x225.jpg" alt="Tão bom ter parado ali pra ouvir esse pessoal" width="300" height="225" /></a>Foi ali do ladinho do Martinelli, na Praça Antonio Prado, que eu parei para ouvir Asa Branca, embevecida. Já falei que adoro a vida popular das praças? Guiada pelos conselhos de Carlos Lemos, segui logo depois para o Banespa, em cujo topo há um mirante com uma visão soberba da cidade. Desci de lá pensando que eu definitivamente amo as cidades. Esses centros meio sujos, tumultuados, de ruas estreitas. Buzina, edifícios antigos e novos lado a lado, mendigos, vendedores ambulantes, artistas de rua, ônibus, gente. Certo, podíamos não ter os mendigos. Mas não no sentido do &#8220;choque de ordem&#8221; do nosso prefeito carioca, que tira todos dos lugares mais valorizados da cidade, apenas para que não sejam vistos, como quem varre a sujeira para baixo do tapete, e assim crê que a casa ficou limpa. Podiam não existir mendigos no sentido de não existir tamanha miséria, tanta desigualdade e desamparo. Se é para eles existirem, então acho que devem mesmo estar diariamente às nossas vistas, confrontando nosso conforto e sucesso (e nossas responsabilidades) com o longo caminho que ainda devemos percorrer para extirpar essa chaga do país.</p>
<p>De resto, os cafés e botequins, os homens fumando de pé nas esquinas, o burburinho, os becos, as pessoas tão diferentes em suas cores, tamanhos e jeitos, em sua faina de formigas, tudo me fascina. Me deu um carinho, como se eu quisesse pegar São Paulo no colo.</p>
<p>No próximo episódio, uma tarde maravilhosa: a Estação da Luz, o Museu de Língua Portuguesa, Pinacoteca, e como lutar bravamente &#8211; e falhar! &#8211; na tentativa de resistir às compras no fantástico bairro do Bom Retiro.</p>
<p><em>* Thanks, Mario de Andrade!</em></p>
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		<title>Post roubado</title>
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		<pubDate>Sun, 21 Mar 2010 15:29:09 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
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		<description><![CDATA[<p>Hoje eu vou fazer uma safadeza, na maior cara de pau.</p>
<p>É que eu queria muito poder colocar um post novo no ar, e embora já tenha começado dois ou três, eles requerem tempo para serem burilados, tem coisas pra checar, links para adicionar, imagens, e isso toma algum tempo, que eu não estou tendo no momento. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Hoje eu vou fazer uma safadeza, na maior cara de pau.</p>
<p>É que eu queria muito poder colocar um post novo no ar, e embora já tenha começado dois ou três, eles requerem tempo para serem burilados, tem coisas pra checar, links para adicionar, imagens, e isso toma algum tempo, que eu não estou tendo no momento. Fico devendo, especialmente para o Gutemberg, um post a mais sobre as cotas, porque acordei hoje de manhã pensando nisso, a partir do comentário dele, e me vieram umas imagens à cabeça que talvez facilitem eu explicar o meu ponto de vista.</p>
<p>Enquanto isso, pra não ficar com o blog meio abandonado, eu resolvi roubar, descaradamente, um texto que eu recebi recentemente por e-mail. Em minha defesa, devo dizer que anunciei, previa e publicamente, que faria isso, e o dono do texto não só autorizou como pareceu feliz com a idéia, então só me resta agradecer e partilhar. Estou falando do meu sobrinho, Thiago, que participa ativamente aí nos comentários. Ele é um rapaz jovem, prestes a completar 22 anos, e que está, no momento, passando uma temporada nos Estados Unidos, por conta de uma oportunidade de trabalho temporário e alguns estudos. Está em Houston, no Texas, e visitou recentemente, Nova Orleans. De lá, me mandou uma carta comprida, em que revela um olhar perspicaz, poético, atencioso, sobre a cidade e seus habitantes, inclusive aproveitando para observar e dar seu testemunho sobre alguns dos temas de que temos tratado aqui. Se fosse meu aluno, tinha tirado 10. Ocorre que, em muitas coisas da vida, ele está mais para meu professor. Sejamos todos aprendizes, e estamos conversados.</p>
<p><strong>HOUSTON</strong></p>
<p>Aqui não se respira o mofinho da história, só o <em>oil</em>. Ahhhh, o <em>oil</em>, todo mundo aqui é louco pelo tal petróleo, que ainda faz sucesso. E eles acreditam piamente que só eles têm. Ham! Tolinhos. Mas deixe estar.</p>
<p>Barzinho e violão, gente rindo e papeando com suas mesas e garrafas de cerveja na calçada dos botecos são retratos de um lugar bem distante como o Rio, porque Houstoniano não participa dessa felicidade. É tão Barra da Tijuca, tudo grandioso, avenidas largas, tudo distante, centros residenciais e centros comercias que quase não se falam. Transporte público é só para os abaixo da linha da pobreza houstoniana, como <em>yo</em>. Com carro valendo 500 pratas, todo mundo passeia com o seu, independente do estado de decomposição do carro e da pessoa. E junta a lógica estranha de trânsito daqui (em determinados momentos você pode &#8220;avançar&#8221; o sinal, há mais de um sinal na sua frente te indicando lados diferentes a seguir) e o picadeiro é cuidadosamente montado. Nunca vi tanto acidente de trânsito in my whole life. A combinação pessoa-que-sabe-dirigir-armada-com-pouca-paciência é perfeita pra formar um assassino em série aqui. Mas eu ando de busão e o sistema aqui funciona, no sentido de organização, mas é lerdo e nao é toda hora qque você tem onibus. É quase o oposto do Rio. Tem uma empresa de viação só. Nos pontos de ônibus geralmente há os horários daquela linha durante o dia. E dentro dele há um sistema eletrônico em que você lê a rua pela qual o ônibus tá passando e a respectiva transversal. E uma voz eletrônica  tipo a do metrô falando o que tá escrito ali.</p>
<p>A passagem custa U$1,25 no perímetro urbano, mas pode chegar a U$3,50, eu acho, que você deposita numa maquininha porque trocador aqui é coisa de faz-me rir. E aqui tem um &#8220;riocard&#8221;também. Nao tem a emoção dos ônibus no Rio&#8230; Andam sempre pela pista da direita e se houver uma pessoa no ponto, eles param, independente do desejo daquela pessoa de pegar esse ônibus. Não existe &#8220;dar sinal&#8221; por essas terras.</p>
<p>Em contraponto à lerdeza dos ônibus e doideira do trânsito, as casas são bem confortáveis. A política dos condomínios de townhomes aqui funciona e eles sao bem confortáveis, maquinas de lavar louça, secadora de roupas e lavadoras de roupas eficazes. Uma poupança de tempo incomparável. Você paga pouco pelo arcondicionado e pelo aquecedor. Mas algumas me parecem frágeis, sabia? Digo com relação a furacões&#8230; Falando em casas frágeis e furacões, let&#8217;s talk about New Orleans.</p>
<p><strong>NOVA ORLEANS</strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<div id="attachment_733" class="wp-caption aligncenter" style="width: 720px"><strong><strong><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/NovaOrleans.jpg"><img class="size-full wp-image-733" title="NovaOrleans" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/NovaOrleans.jpg" alt="" width="710" height="250" /></a></strong></strong><p class="wp-caption-text">Imagens de Nova Orleans: a bandinha, as luzes da cidade, a charrete</p></div>
<p><strong> </strong>Fomos de carro, o que já foi uma delícia pra conhecer um pouco de Louisiana e as peculiaridades da cidade. Logo que você chega nos limites da cidade, é recebido por uma rodovia que passa sobre um interminável pântano e descobri que ali naquela região as pessoas são &#8220;enterradas&#8221; acima da terra por conta das condições do terreno. Já pus isso na conta da primeira curiosidade de New Orleans que, confirmando comentários, é bem diferente de muita coisa que se vê por esses cantões do Tio Sam. Na região que fiquei, uma parte bem centralizada, a duas ruas da Bourbon Street (a rua bombante das baladas e fervos em geral), já me senti meio no Rio de Janeiro. Explico já.</p>
<p>Chegamos por volta de 9 da noite, era véspera de final do Super bowl (o Saints de New Orleans tava na final) e Mardi Gras (o carnaval de lá), resultado: o povo todo na rua, de diferentes lugares, doido pra se libertar. A rua do hotel foi fechada para a passagem de uma bandinha de carnaval que não era na rua do hotel! Olha que bonito. Prontamente perguntamos ao guarda que caminho tomar pra chegar ao hotel (sei lá, de repente com o papel de reserva do hotel eles eram autorizados a permitir a entrada dos hóspedes naquela rua em que nada acontecia). O guarda nao sabia o caminho, o nome damãe, nem onde tinha nascido. Perguntamos ao segundo que tinha tomado o mesmo chá de desconhecimento do outro. Preocupante despreparo pra receber turistas em épocas de festividades. Isso porque o centro da cidade nem é tão grande e a gente tava perguntando como ter acesso à rua que estava na nossa frente.</p>
<p>Anyway, largamos o carro num estacionamento e fomos andando. Check in feito, fomos dar uma caminhada pelas ruas e se ambientar. Aí começa a entrar o Rio de Janeiro. Sabe centro da cidade em épocas de carnaval? Aquelas ruelas antigas com prédios antigos de influência europeia misturados a grandes e semimodernos edifícios, com gente andando pra lá e pra cá, homeless e sobras etílicas pelas calçadas e nos cantos dos boeiros? Digno de rua Buenos Aires. E essa farra toda é reflexo de um fenômeno texano engraçado que ocorre sobretudo aqui em Houston, de proibir bebidas alcoólicas depois de 2 da manhã. Os &#8220;cana&#8221; sacam a cerveja da sua mão às duas da manha e te botam pra casa feito mãe revoltada. Em Nova Orleans essa regra é solenemente ignorada. Logo, os jovenzinhos se apinham pelos bares da cidade bebendo até dizer chega.</p>
<p>Mas voltando à coisa da aparência da cidade, quando você vai se metendo nas ruas, vê um bando de casas que parecem tão frágeis e todas elas de estrutura bem similar: ruelas com passagem para um carro e dos dois lados essas casas de dois andares que se assemelham a sobrados. Revestidas de madeira, são estreitas e pegadas umas às outras. E eu e minha ignorância, eternos companheiros gracas ao bom senhor, ficamos discutindo como esses sobrados tão antigos e até maltratados sobrevivem a maldades naturais. Who knows&#8230;</p>
<p>Uma outra coisa pitoresca que tem na cidade são os passeios de charrete, o mico que todo mundo gosta de pagar. Elas ficam paradas em fila como os taxis do Rio Sul e seus motoristas devidamente fantasiados (!!!) esperando os passageiros. Logo mais adiante, a gente achou a rua das antiguidades, uma rua preenchida por lojas que vendem belezuras de séculos passados: esculturas, quadros, móveis bizarramente bonitos do tipo Luiz XVI-guardou-suas-ceroulas-neste-armário-e-leu nessa-escrivaninha, mas como eu não sou o Estado, levar uma pena dessas lojas me custaria uma vida enrolado no cartão de crédito.</p>
<p>Agora, bonito é o rio Mississipi. Me lembrou tanto meu avô, sabia? Passa sereno pela cidade com pontes se estendendo sobre ele, pequenas embarcações passeando e gente caminhando nostalgicamente às margens dele. Mas no geral, tem ar meio underground, de gente errante, artistas falidos, ambientes escuros, cobertos por uma névoa noturna que se vê serpenteando sob a luz de um poste solitário de esquina, e abaixo dele, obviamente, um senhor mulato alquebrado tocando sax.</p>
<p><a href="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/RioMississipi1.jpg"><img class="aligncenter size-full wp-image-734" title="RioMississipi1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/03/RioMississipi1.jpg" alt="" width="800" height="600" /></a></p>
<p>Por enquanto a vida caminha assim&#8230; os altos e baixos diminuíram, mas ainda existem porque sou gente. Mas a felicidade há de chegar e eu tô bem na mira dela.</p>
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		<title>Canadá 6 &#8211; Sistema viário e transporte público</title>
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		<pubDate>Mon, 15 Feb 2010 23:45:49 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[metrô]]></category>
		<category><![CDATA[transporte]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Pois como funcionam essas coisas no Canadá e na Itália?</p>
<p>No Canadá, especialmente em Montreal, não vi engarrafamentos, há poucos ônibus nas áreas centrais, que são servidas por metrô. Basicamente, se o sujeito mora um pouco mais longe do Centro, ele toma um ônibus até onde tenha metrô, e dali segue adiante. A cultura do carro e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pois como funcionam essas coisas no Canadá e na Itália?</p>
<p>No Canadá, especialmente em Montreal, não vi engarrafamentos, há poucos ônibus nas áreas centrais, que são servidas por metrô. Basicamente, se o sujeito mora um pouco mais longe do Centro, ele toma um ônibus até onde tenha metrô, e dali segue adiante. A cultura do carro e do transporte rodoviário existe mais do que na Europa, talvez por proximidade com os Estados Unidos. Mas os estacionamentos espalhados pela cidade funcionam na base da maquininha, os famosos parquímetros. Nada de guardador ou flanelinha. Há preços pré-estabelecidos para usar a vaga por determinado espaço de tempo de acordo com a área da cidade, o motorista vai lá na maquininha, coloca as moedas correspondentes, sai impresso o bilhetinho. Ponto. Se funciona? Ô. Posso fazer só um comentário malicioso? As vagas desenhadas nas ruas têm de 6 a 7 metros de comprimento! E como estacionam mal! Modéstia às favas, eu tinha vontade às vezes de ir lá abordar o motorista e perguntar se ele queria que eu pusesse o carro na vaga pra ele. Ou pelo menos ficar ali do lado dizendo &#8220;Vem mais, agora desfaz, desfaz, isso, mais pra direita, agora vira tudo&#8230;&#8221;</p>
<div id="attachment_681" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-681" title="estacionamento" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/estacionamento-300x169.jpg" alt="Isso é em Milão. Eu vi o mesmo esquema em Montreal. Em Buenos Aires também é muito usado. " width="300" height="169" /><p class="wp-caption-text">Isso é em Milão. Eu vi o mesmo esquema em Montreal. Em Buenos Aires também é muito usado. </p></div>
<p>Ah, sim, antes que eu esqueça, a caixa das ruas já prevê áreas para estacionar, ao longo da via, assim, os carros não ocupam as pistas onde deveria haver fluxo, estrangulando a circulação, nem tampouco há carros sobre as calçadas, nem sequer meia roda. A mesma coisa eu vi na Itália. Tá aí uma foto pra ilustrar.</p>
<p>Voltando ao Canadá, não vi guardas de trânsito. Aliás, não vi policiais, muito raramente. Em compensação, vi muita bicicleta, pra todo lado. As pessoas usam a bicicleta como meio de transporte e deslocamento entre casa-trabalho-escola, e não apenas lazer. Assim, não há tantas ciclovias em parques, mas, em toda a cidade, sabe-se que uma das faixas das pistas é para os ciclistas e as pessoas respeitam isso. Entendeu? O que existem são ciclofaixas, e não ciclovias (que seriam as pistas exclusivas, fisicamente separadas da pista dos carros, e que os ciclistas dividem com pedestres correndo, gente andando de patins, entre outros).</p>
<p>Essa coisa do uso da bicicleta está crescendo muito neste país tão comprometido, pelo menos mais recentemente, com um discurso de sustentabilidade, ecologia, etc. Eles têm inclusive esse esquema de oferecer uma frota inteira de bicicletas para aluguel, que funciona assim: são diversos pontos onde há um monte de biciletas estacionadas. Em Montreal, chamam-se Bixi (leia-se Bicsí, com biquinho francês, <em>s&#8217;il vous plaît</em>). O interessado vai lá, passa o seu cartão de crédito (yes, só com cartão de crédito, nada de dinheiro) e libera uma bixi. É caro pra burro, não sei como o negócio se sustenta. Custa 5 dólares canadenses (R$ 8,50) por meia hora de uso. Mas você pode deixar a bicicleta depois em qualquer outro ponto de bixis. Então, se estiver com pressa e longe do metrô, pega a bicileta aqui, pedala até o trabalho, deixa a bicicleta nas redondezas e pronto, tá resolvido. Apesar do preço, vi alguns turistas usando. Nossa percepção de caro ou barato é, como tudo na vida, muito relativa. O que me surpreende e encanta mais é mesmo a capacidade de organização, o senso de coisa pública, a responsabilidade e o cuidado com tudo. Não tem ninguém ali tomando conta, e eu não vi nada vandalizado. Isso eu invejo.</p>
<p>Falemos de transporte público coletivo. Não é tão bom quanto na Europa, onde as coisas são mais autoexplicativas (preços, como comprar, rotas, horários), mas assim que você se situa, funciona muito bem. Não cheguei a andar de ônibus nem em Montreal nem em Toronto, fora os deslocamentos interurbanos que eu já citei: Montreal-Quebec ida e volta, e Montreal-Toronto. Em Montreal, a rede de metrô é excelente, e cobre maior parte da cidade, com o serviço de ônibus complementando a rede, principalmente na periferia. O bilhete é caro para nossos padrões, mas se contar que o mesmo bilhete dá direito também a uma passagem de ônibus, fica quase a mesma coisa que nosso novo Bilhete Único (nosso aqui no RJ). Uma passagem unitária custa CAN$ 2,75 (R$ 4,70); Mas olha só que beleza, se você compra 6 passagens, custa CAN$ 12,75 (R$ 21,70), ou seja, você economiza CAN$ 3,75, o que dá uma passagem inteira e mais um dólar. Além disso, há cartões mensais, para quem usa todo dia, e aí sai ainda mais barato, mais barato que o preço de 30 bilhetes unitários aqui no Rio. Outra coisa, os bilhetes individuais não têm validade. Ou melhor, têm mas é de um ano inteirinho. Ou seja, sobraram uns dois bilhetes comigo, e se eu voltasse lá antes de setembro, ainda poderia usá-los. Ou poderia ter deixado com a minha amiga que mora lá, e ela poderia guardá-los na carteira para usar na hora que lhe fosse mais conveniente, sem risco de perder a passagem. Independente de o preço do bilhete aumentar nesse meio tempo. E em todas as estações há várias maquininhas self-service, além das cabines de venda pra quem preferir, então você pode comprar sua passagem sem fila, com dinheiro ou cartão de crédito. Que diferença.</p>
<div id="attachment_682" class="wp-caption aligncenter" style="width: 610px"><img class="size-full wp-image-682" title="plan-metro-Montreal" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/plan-metro-Montreal.jpg" alt="Mapa do metrô em Montreal" width="600" height="718" /><p class="wp-caption-text">Mapa do metrô em Montreal</p></div>
<div id="attachment_684" class="wp-caption alignleft" style="width: 510px"><img class="size-full wp-image-684" title="Transp_publico" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/Transp_publico.jpg" alt="Acima, um ponto de bixis, m Montreal. Abaixo, bondes em Toronto" width="500" height="570" /><p class="wp-caption-text">Acima, um ponto de bixis, m Montreal. Abaixo, bondes em Toronto</p></div>
<p>Em Toronto, o bilhete individual de metrô tem o mesmo valor. E uma passagem só de metrô vale também para andar de ônibus ou bonde. Mas de segunda a  sexta-feira, um adulto pode pagar 9 dólares (pouco mais de 15 reais) e ganhar um passe (Day Pass) que vale para o dia todo, com viagens ilimitadas de metrô e bonde (sim, em Toronto há bondes por toda a cidade, e eles são coligados com o sistema de metrô). Pasme: nos fins de semana, esse mesmo passe, pelos mesmos 9 dólares, vale para um casal, ou até para uma família de 2 adultos e 4 crianças, igualmente com viagens ilimitadas de metrô e bonde. Ou seja, aos sábados e domingos, uma família inteira paga apenas 9 dólares (faça as contas, se fossem 4 bilhetes individuais sairia por CAN$ 2,75 x 4 = 11 dólares), ganha um bilhete e pode andar de metrô e bonde quantas vezes quiser, pra cima e pra baixo, sem pagar mais nada, só mostrando o bilhetinho pro controlador, na catraca especial para este tipo de bilhete. Isso estimula o turismo e incentiva as famílias a se deslocarem para visitar as atrações da cidade, por exemplo. Não sei se é subsidiado pelo Estado, se é parcialmente pago pelo preço alto dos bilhetes individuais nos outros dias da semana, se é bancado por alguma empresa privada em troca de algum outro benefício. Sei que o transporte é controlado pelo Estado, e que eu achei muito confortável andar pra cima e pra baixo.</p>
<div id="attachment_683" class="wp-caption aligncenter" style="width: 988px"><img class="size-full wp-image-683" title="toronto-map" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/toronto-map.jpg" alt="Metrô de Toronto" width="978" height="753" /><p class="wp-caption-text">Metrô de Toronto</p></div>
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		<title>De volta, ma non troppo</title>
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		<pubDate>Sun, 07 Feb 2010 21:03:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Itália]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Olá todo mundo!</p>
<p>Saudades de todos, de estar aqui, vontade de contar as novidades. Chegamos de viagem ontem de manhãzinha, ainda estou meio zonza e exausta, malas semidesfeitas, tomando pé das coisas. A viagem foi ótima, os trajetos de ida e volta tiveram alguns percalços, nada que não tenha se resolvido.</p>
<p>Eu vim aqui dizer um oi e [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Olá todo mundo!</p>
<p>Saudades de todos, de estar aqui, vontade de contar as novidades. Chegamos de viagem ontem de manhãzinha, ainda estou meio zonza e exausta, malas semidesfeitas, tomando pé das coisas. A viagem foi ótima, os trajetos de ida e volta tiveram alguns percalços, nada que não tenha se resolvido.</p>
<p>Eu vim aqui dizer um oi e pedir que vocês aguentem mais um pouquinho, que eu venho contar tudo. Na véspera de eu viajar, surgiu um trabalho, que eu aceitei fazer, e tenho que entregar até o dia 10 de manhã. Vou precisar me dedicar a isso com vontade e exclusividade nos próximos 3 dias, ainda por cima porque a grana aplacará a fúria inevitável das faturas de cartão de crédito que começarão a chegar no fim do mês.</p>
<p>Enquanto isso, fiquem com algumas imagens das cidades visitadas, pra irem aguçando a curiosidade por mais <img src='http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-includes/images/smilies/icon_wink.gif' alt=';-)' class='wp-smiley' /> </p>
<div id="attachment_666" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><img class="size-full wp-image-666" title="Milao-Roma" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/Milao-Roma.jpg" alt="Milão (Piazza del Duomo) e Roma (Fontana di Trevi)" width="800" height="225" /><p class="wp-caption-text">Milão (Piazza del Duomo) e Roma (Fontana di Trevi)</p></div>
<div id="attachment_667" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><img class="size-full wp-image-667" title="Pisa-Firenze" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/Pisa-Firenze.jpg" alt="Pisa (Piazza dei Miracoli) e Firenze (Ponte sobre o Rio Arno)" width="800" height="225" /><p class="wp-caption-text">Pisa (Piazza dei Miracoli) e Firenze (Ponte sobre o Rio Arno)</p></div>
<div id="attachment_668" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><img class="size-full wp-image-668" title="Bergamo-siena-firenze" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2010/02/Bergamo-siena-firenze.jpg" alt="Bergamo (andando pela cidade); Siena (idem) e firenze de novo (Santa Maria del Fiore)" width="800" height="471" /><p class="wp-caption-text">Bergamo (andando pela cidade); Siena (idem) e firenze de novo (Santa Maria del Fiore)</p></div>
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		<title>Canadá 1 &#8211; Primeiras impressões</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/10/05/canada-1-primeiras-impressoes/</link>
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		<pubDate>Mon, 05 Oct 2009 23:31:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Canadá]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Geografia]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Vamos começar logo com isso, porque já tá ficando chato, eu só anuncio e nada de comparecer. Daqui a pouco vai ter gente achando que essa viagem foi imaginação minha.</p>
<p>Primeiro, as circunstâncias da viagem. Meu marido trabalha com treinamento em telecomunicações, basicamente atendendo companhias de telefonia celular. Por conta disso, viaja um bocado, quase sempre pela [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Vamos começar logo com isso, porque já tá ficando chato, eu só anuncio e nada de comparecer. Daqui a pouco vai ter gente achando que essa viagem foi imaginação minha.</p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } -->Primeiro, as circunstâncias da viagem. Meu marido trabalha com treinamento em telecomunicações, basicamente atendendo companhias de telefonia celular. Por conta disso, viaja um bocado, quase sempre pela América Latina, e de vez em quando vai a alguma cidade mais distante um pouco, em algum outro continente. Posso garantir a vocês que, passado o deslumbramento dos primeiros anos, é um trabalho duro, cansativo, que impõe muitas horas de aeroporto e de vôo, muitas datas familiares comemoradas por telefone, de um quarto de hotel (e viva o skype). Mas tem também a vantagem de permitir a ele acumular milhas nos programas de fidelidade das companhias aéreas, e de vez em quando eu aproveito alguma chance para ir junto, principalmente quando é um lugar que me interessa conhecer e a minha própria agenda de trabalho permite. Foi exatamente esse o caso dessa vez. Quando eu vi que ele iria a Montreal, no Canadá, eu rapidamente me organizei pra ir também, porque uma oportunidade dessas não aparece toda hora.</p>
<p>Ainda por cima, eu <span style="color: #000000;">tenho uma amiga querida, a Gabriela, que mora em Montreal há algum tempo, e que foi uma fonte importante de conversas, informações e troca de impressões, além de uma companhia deliciosa tanto pra um almoço num restaurante português numa ruazinha charmosíssima, quanto para passeios de interesse arquitetônico-urbanístico ou compras nas lojas mais descoladas que eu não teria como descobrir sozinha. </span></p>
<p>Já que eu já tinha ido tão longe mesmo, aproveitei pra ir numa excursão de um dia a Quebec, que fica pertinho, e fui, junto com o marido, a Toronto no fim de semana seguinte ao curso que ele deu. Toronto já é mais longe um pouquinho, uns 500 km de Montreal, mas valeu cada instante da visita. Olha aí uma mapinha pra dar ideia:</p>
<p><img class="aligncenter size-full wp-image-479" title="Mapas" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Mapas.jpg" alt="Mapas" width="1350" height="436" /></p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">No mapa da esquerda vocês podem ver a região nordeste dos Estados Unidos e o sudeste do Canadá (a bolinha vermelha mais de baixo marca a posição de Nova York, só pra dar referência). Aliás, meu vôo, pela Continental Airlines, foi Rio-Houston-Newark-Montreal. Em cada escala dessas, uma troca de avião. No trecho final, o teco-teco (mentira, mas era o menor aviãozinho em que eu já voei, fileiras de duas poltronas de um lado e uma poltrona só do outro lado, um único e estreito corredor central, evidentemente uma única comissária de bordo, que mal conseguia se mover), mas eu dizia, no último trecho, ao decolar, o avião sobrevoa a ilha de Manhattan, e eu tirei montes de fotinhas pela janelinha do avião: Empire State, Estátua da Liberdade, Central Park. Foi o mais próximo que eu já cheguei de Nova York até hoje. Mas tou me aproximando, hehehe. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">Voltando ao nosso mapa. Logo acima da fronteira com o Canadá, vocês podem ver três outras bolinhas. A do meio assinala a posição de Montreal, a mais de cima é Quebec, e a sudoeste de Montreal está Toronto, bem na beira do Lago Ontario. No mapa seguinte, dei um “zoom” só em Montreal. A cidade ocupa uma grande ilha (que eu tentei contornar de vermelho, mas não sei se a linha ficou muito fina) no Rio São Lourenço. O quadrado em destaque mostra a região central, que está ampliada no último mapa, à direita. Nós ficamos num hotelzinho simples, mas muito bem localizado, em frente a um dos prédios da UQÀM (Université de Quebec à Montreal), no coração do que eles chamam de Quartier Latin, próximo de tudo. Tá lá marcado no mapa também. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="attachment_482" class="wp-caption aligncenter" style="width: 810px"><span><img class="size-full wp-image-482" title="Montreal_chegada" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Montreal_chegada1.jpg" alt="Em cima à esquerda, Nova York vista da janela do avião; à direita os campos cultivados nos arredores de Montreal. Embaixo, à esquerda, vista geral de Montreal a partir do topo do Mont Royal, ponto turístico importante na cidade. Por fim, aspecto de uma rua típica, nas proximidades do meu hotel." width="800" height="535" /></span><p class="wp-caption-text">Em cima à esquerda, Nova York vista da janela do avião; à direita os campos cultivados nos arredores de Montreal. Embaixo, à esquerda, vista geral de Montreal a partir do topo do Mont Royal, ponto turístico importante na cidade. Por fim, aspecto de uma rua típica, nas proximidades do meu hotel.</p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">Só pra vocês terem uma ideia dos deslocamentos, e já levantando uma lebre a ser explorada em textos vindouros, a distância de Montreal a Quebec é de 233 km e de Montreal a Toronto é de 540 km, cobertos em 6 horas de viagem. Por comparação, temos que Rio-São Paulo são 440 km. Pois bem, infelizmente o transporte no Canadá é bastante baseado no modelo rodoviário. Não é que não haja trens entre essas cidades, mas é muito mais caro, muito mesmo. Então, a alternativa é o ônibus (considerando que avião também estava fora das minhas possibilidades). A moeda local é o dólar canadense, que vale, hoje, cerca de R$1,65. Assim, vamos fazer contas: eu consigo comprar uma passagem em ônibus leito, RJ-SP, por um valor entre R$80 e R$100, perfazendo R$ 0,22 por quilômetro rodado, na pior hipótese. Paguei CAD$ 90 (= R$148,50) na passagem Montreal-Toronto, num ônibus equivalente ao nosso comum (eles não têm o nosso conceito de ônibus leito). Conforto bem escasso, não fosse o fato de que peguei um horário cedo, tava vazio e eu viajei quase esticada, ocupando as duas poltronas. Mas a relação é de R$ 0,28 por quilômetro rodado, um bocado mais caro que o que eu pago aqui. Pelo menos as estradas são maravilhosas, o ônibus parece que flutua. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">Ainda nas informações preliminares, vamos saber um bocadinho mais sobre o Canadá. Eu não sei vocês, mas quando eu viajo pra um lugar que eu não conheço, eu adoro fazer dever de casa antes, pesquisar, chegar lá tendo alguma ideia de onde eu estou. </span></p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="attachment_483" class="wp-caption alignleft" style="width: 250px"><span><img class="size-full wp-image-483" title="GOVERNOR-GENERAL" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/mi_jean_1.jpg" alt="Michaëlle Jean" width="240" height="321" /></span><p class="wp-caption-text">Michaëlle Jean</p></div>
<p style="margin-bottom: 0in;">Pelo que diz o Atlas da National Geographic, com dados de 2006, o Canadá tem quase 10 milhões de km<span style="font-family: Times New Roman,serif;">²</span>, sendo o segundo maior país do mundo em área (o primeiro é a Rússia). Dizem as más línguas que isso só vale se medir no inverno, porque no verão derrete o gelo e o Brasil fica maior. É um Estado federal, cuja capital é Ottawa, com Senado e Câmara dos Comuns e – eu não sabia – reconhece o Soberano do Reino Unido como Chefe de Estado. Faz parte até da Comunidade Britânica das Nações, e tem a cara, ops, a efígie da rainha Elizabeth II em suas moedas. Em território canadense, a rainha é representada por um governador-geral. Atualmente, a governadora-geral do Canadá é Michaëlle Jean, uma jornalista nascida no Haiti, primeira negra a ocupar esse cargo. O Chefe de Governo (quem manda mesmo), entretanto, é o primeiro-ministro, que hoje é Stephen Harper.</p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">A população total deste enorme país é de 32 milhões de habitantes, com uma baixíssima densidade de 3,27 hab/km<span style="font-family: Times New Roman,serif;">²</span>.  Montreal, que fica na província de Québec (cuja capital é a cidade de Québec), concentra, em sua área metropolitana, mais de 3 milhões e meio de habitantes. É o segundo maior núcleo urbano do país. O primeiro é Toronto, capital da província de Ontario, quinta maior cidade da América do Norte, com 5 milhões e 100 mil habitantes em sua área metropolitana, sendo quase 2 milhões e meio só na cidade. Toronto só perde para a Cidade do México (8.600.000 hab na cidade e 18.300.000 na área metropolitana), Nova York (8.000.000 na cidade, 21.500.000 na área metropolitana), Los Angeles (3.700.000 na cidade, 17.000.000 na área metropolitana) e Chicago (2.900.000 na cidade, 9.500.000 na área metropolitana). Números arredondados.</span></p>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">O país adota tanto o inglês quanto o francês como línguas oficiais, em função de especificidades de seu período colonial, mezzo-francês, mezzo-britânico. Em Montreal, por exemplo (em toda a província de Quebec), o imediato é falar francês. Todos os letreiros são em francês e a abordagem inicial será sempre francófona. Até a arquitetura é mais afrancesada, com muitas construções remanescentes do final do século XVIII e de todo o século XIX. Mas é uma cidade bem bilíngue, e todo mundo fala inglês também, facilitando bastante a comunicação (pra mim, hohoho. Se bem que eu fiz algum uso do meu ano de Aliança Francesa, e dei meus passinhos no merci, bon jour e s&#8217;il vous plaît). Toronto já é uma cidade mais americanizada, sob vários aspectos, e a língua básica é o inglês mesmo. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="attachment_485" class="wp-caption aligncenter" style="width: 877px"><img class="size-full wp-image-485" title="Toronto1" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/Toronto1.jpg" alt="Uma das coisas mais legais de Toronto é a convivência do antigo com o moderno, quase sempre surpreendentemente bem resolvida. " width="867" height="400" /><p class="wp-caption-text">Uma das coisas mais legais de Toronto é a convivência do antigo com o moderno, quase sempre surpreendentemente bem resolvida.  </p></div>
<p><!-- 		@page { margin: 0.79in } 		P { margin-bottom: 0.08in } --></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">De maneira geral, minha primeira e boa impressão de ambas as cidades é de uma imensa diversidade étnica e social. Como cidades (mais até Montreal do que Toronto) que abrigam importantes universidades, há uma enorme quantidade de jovens de todas as origens e tribos transitando, o que dá um ar alegre e dinâmico à cidade. A gente anda pelas ruas e vê todas as cores, roupas, escuta inúmeras línguas. São negros (muitos imigrantes e descendentes de imigrantes de ex-colônias francesas), asiáticos (aos montes), latinos, muçulmanos, indianos, americanos e até canadenses! O pessoal é extremamente gentil, solícito, tem, na média, bom nível intelectual e interesse genuíno nas realidades externas ao país. São acolhedores e bem-humorados, de um humor que lembra muito o nosso, e eu senti que um esporte nacional, não muito velado, é sacanear os americanos. Dei boas risadas várias vezes, com estampas de camisetas e títulos de publicações. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;">Como eu já disse, enchi muitas páginas da minha caderneta de anotações, e tirei centenas de fotos. Ainda não sei bem como vou organizar esse material. Não sei se por ordem cronológica (no primeiro dia fiz isso, depois aquilo&#8230;), ou se por temas. Observei aspectos que às vezes foram se repetindo, com relação a transporte público, comidas, soluções de arquitetura, preocupações com ecologia e meio-ambiente, turismo, saúde e assistência social, e um monte de outros. Vou ver. </span></p>
<p style="margin-bottom: 0in;"><span style="color: #000000;"> </span></p>
<div id="attachment_486" class="wp-caption aligncenter" style="width: 1210px"><span><img class="size-full wp-image-486" title="bichinhos" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/10/bichinhos.jpg" alt="Não dá pra não se encantar. Uma marmota, um passarinho diferente e um esquilo. Eu queria trazer meia dúzia de cada na bagagem..." width="1200" height="267" /></span><p class="wp-caption-text">Não dá pra não se encantar. Uma marmota, um passarinho diferente e um esquilo. Eu queria trazer meia dúzia de cada na bagagem...</p></div>
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		<title>A volta ao mundo em muitos exotismos</title>
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		<pubDate>Mon, 17 Aug 2009 18:47:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[Livros]]></category>
		<category><![CDATA[literatura]]></category>
		<category><![CDATA[século XIX]]></category>
		<category><![CDATA[Viagem]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Pra não repetir o Julio Verne na coluna de sexta-feira, eu vou fazer hoje o acréscimo do texto do qual falei.</p>
<p>Pra quem não acompanhou, na coluna de sexta-feira retrasada, eu optei por selecionar um trecho de A cidade flutuante, em detrimento d&#8217;A volta ao mundo em 80 dias, embora também tivesse ficado com vontade de mostrar [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Pra não repetir o Julio Verne na coluna de sexta-feira, eu vou fazer hoje o acréscimo do texto do qual falei.</p>
<p>Pra quem não acompanhou, na <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/08/07/cidades-literarias-julio-verne/" target="_blank">coluna de sexta-feira retrasada</a>, eu optei por selecionar um trecho de <strong>A cidade flutuante</strong>, em detrimento d&#8217;<strong>A volta ao mundo em 80 dias</strong>, embora também tivesse ficado com vontade de mostrar esse livro, porque fala tão bem do que eu chamei de fascínio e estranhamento com outros povos e lugares, sentimentos bastante comuns ao século XIX. Aí, nesta última sexta, eu trouxe o <strong>Mário Quintana</strong>, e ele dá um beliscão no turista deslumbrado, que acha tudo exótico e pitoresco, como se ele representasse algum tipo de norma universal, e o resto do mundo fosse um zoológico que se visita para desfrutar de algo que está ali para o seu entretenimento. Achei perfeito.</p>
<p>Esse tema do turismo é quentíssimo, sei de bastante gente boa que tem estudado isso, suas implicações para a vida da cidade, o surgimento cada vez mais intenso e sofisticado não só de parques temáticos, mas de verdadeiras cidades temáticas cuja existência só faz sentido em função de um apelo de marketing e turismo, e uma série de críticas e reflexões que se estão construindo, pesando os aspectos econômicos e culturais envolvidos para a vida da cidade e seus cidadãos. E é algo que, se não surge efetivamente a partir do século XIX com todas essas questões que eu levantei, do surgimento e disseminação de novos meios de transporte encurtando distâncias e tempos, pelo menos tem, aí, o estabelecimento de bases materiais para começar a se desenvolver.</p>
<p>Tergiversei um pouco, mas o que eu queria era mostrar esse trechinho do Julio Verne, que complementa o que falamos nas últimas semanas: tem a avidez com que as pessoas no século XIX queriam conhecer novos mundos; tem uma visão que hoje parece bastante romântica, de um inglês visitando &#8220;terras exóticas&#8221; (embora nesse trecho específico, a paisagem seja vista por um francês); tem um texto que pode ser lido como o embrião das crônicas de viagem mais modernas; tem a própria descrição da paisagem, o que nos remete de novo ao texto do Quintana sobre o assunto (o narrador nos mostra uma paisagem, mas não nos impõe a paisagem, ele nos transporta para ela e permite que nós a vejamos com nossos próprios olhos do coração e da imaginação); mas não sei se tem esse ranço para o qual o Quintana nos alerta. Ou talvez eu seja muito indulgente com o Verne. Leia e me diga o que você acha. *</p>
<p><a href="http://quem-tem-boca-vai-a-roma.blogspot.com/"><img class="alignright size-medium wp-image-418" title="do-trem" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/08/do-trem-300x225.jpg" alt="do-trem" width="300" height="225" /></a></p>
<p style="text-align: right;"><em>&#8220;Passepartout, ao acordar e olhar para fora, não absorveu de imediato o fato de que ele estava realmente cruzando a Índia num trem. A locomotiva, guiada por um maquinista inglês e alimentada com carvão inglês, cuspia sua fumaça sobre plantações de algodão, café, cravo e pimenta, enquanto o vapor espiralava em redor de palmeiras, no meio das quais podiam se avistar bangalôs pitorescos, viharis (um tipo de monastério abandonado), e templos maravilhosos, adornados com os ornamentos inesgotáveis da arquitetura indiana. Então eles atravessaram vastos campos que se estendiam pelo horizonte, com selvas habitadas por serpentes e tigres, que fugiam ao ruído do trem; a estas se sucediam florestas rasgadas pela estrada de ferro, e ainda assombradas por elefantes que, com seus olhos pensativos, contemplavam o trem que passava. Os viajantes cruzaram, acima de Malligaum, as terras mortais, tão frequentemente manchadas de sangue, pelos seguidores da deusa Kali. Não muito longe dali se elevava Ellora, com seus graciosos pagodes, e a famosa Aurungabad, capital da temível Aureng-Zeb, agora a principal cidade de uma das províncias emancipadas do reino de Nizam&#8221;.</em></p>
<p><span style="color: #0000ff;">* Se alguém não conhece, a história narra as aventuras de um inglês muito rico e entediado, Phileas Fogg, que aceita uma aposta com seus amigos do clube londrino, de dar a volta ao mundo em apenas 80 dias, acompanhado de seu empregado, o francês Jean Passepartout. </span></p>
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		<title>Prazeres de viagem</title>
		<link>http://www.urbanamente.net/blog/2009/04/27/prazeres-de-viagem/</link>
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		<pubDate>Mon, 27 Apr 2009 17:49:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Viagem]]></category>
		<category><![CDATA[Cidades]]></category>
		<category><![CDATA[espaço público]]></category>
		<category><![CDATA[livrarias]]></category>
		<category><![CDATA[supermercado]]></category>

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		<description><![CDATA[<p>Eu adoro viajar. Troco facilmente outras oportunidades de gasto por uma passagem pra quase qualquer lugar. Às vezes largo até a sensatez de lado e deixo de poupar um dinheiro quando a chance de botar o pezinho no avião se apresenta. No momento, inclusive, estou devendo uns dinheiros ao meu irmão caçula, que generosamente me ajudou [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu adoro viajar. Troco facilmente outras oportunidades de gasto por uma passagem pra quase qualquer lugar. Às vezes largo até a sensatez de lado e deixo de poupar um dinheiro quando a chance de botar o pezinho no avião se apresenta. No momento, inclusive, estou devendo uns dinheiros ao meu irmão caçula, que generosamente me ajudou a financiar uma ida recente a Madri, acompanhando o marido que passou lá uma semana a trabalho (até o fim do ano eu pago de volta, mano, don&#8217;t worry). Eu não ia perder essa, né?</p>
<p>Mas esses dias eu tava pensando sobre essa coisa de viagem. Eu gosto de viajar sobretudo para conhecer lugares diferentes, pessoas, costumes, línguas, comidas, jeitos de viver e habitar. Eu AMO cidades diferentes, observar arquiteturas, ruas, calçadas, jardins, traçados, como as pessoas usam o espaço público, como cuidam do patrimônio artístico e histórico, como elas se locomovem (uma boa rede de transporte coletivo é fundamental), o que fazem nas horas de lazer, como tratam os visitantes, os imigrantes, se há velhinhos, crianças, animais de estimação nos lugares, enfim, eu gosto de respirar a vida cotidiana das cidades e de seus cidadãos, e não só me enfurnar nos pontos turísticos tradicionais. É óbvio que não dá pra ir a Madri e não ver o <a href="http://www.museodelprado.es/bienvenido/" target="_blank">Museu do Prado</a>, ou a Paris e não subir a <a href="http://www.tour-eiffel.fr/teiffel/fr/index.html" target="_blank">Torre Eiffel</a>, da mesma forma que a turistada (estrangeira ou não) que vem ao <a href="http://www.riodejaneiro-turismo.com.br/pt/" target="_blank">Rio</a> pela primeira vez precisa ir ao Pão de Açúcar ou ao Cristo Redentor, mas o que me encanta mesmo é andar solta pelas ruas, sentar em qualquer café e ficar olhando o movimento.</p>
<p>Tem dois tipos de lojas, se eu puder chamar assim, que eu adoro especialmente, e que me dizem muito sobre a cidade. Livrarias e supermercados.</p>
<div id="attachment_190" class="wp-caption alignleft" style="width: 259px"><img class="size-medium wp-image-190" title="supermercado2" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/04/supermercado2-249x300.jpg" alt="Não precisa nem fazer compras, só passear já é uma delícia." width="249" height="300" /><p class="wp-caption-text">Não precisa nem fazer compras, só passear já é uma delícia.</p></div>
<p>Gente, eu não posso visitar uma cidade sem entrar num supermercado. Adoro! Se for em outro país então, nossa! Passear entre as gôndolas, ver a variedade e a quantidade de produtos diferentes, comparar preços. Vocês ficariam fascinados, por exemplo, com a quantidade de leites diferentes que tem na Finlândia. Eles têm (<span style="text-decoration: line-through;">não tem mais esse acento, é? Lamento </span>Update: o acento continua, cortesia da Monix &#8211; o esclarecimento, não a continuidade do acento) muitos problemas com alergias a lactose, e tem uma quantidade gigantesca de combinações de com/sem lactose, com/sem adição de ferro, com/sem/mais ou menos gordura, sabores, a gente fica perdidinho. E em Buenos Aires vende leite (leite comum, sem ser achocolatado ou com qualquer outro sabor) em caixinhas longa vida de 300 ml! E você ainda pode escolher com açúcar, com adoçante ou natural! Eu achei ótimo. Há muitos anos, nós estávamos lá, num passeio de carro, e meus filhos eram ainda muito pequenos, tomavam mamadeira. Eu achei super prático, porque você só abre a caixinha na hora de consumir e dá a quantidade certinha, não precisava ficar levando leite em pó, comprando água no caminho, preparando a gororoba. Nunca entendi por que isso não vende no Brasil. Dá pra ficar aqui fazendo uma lista interminável de frutas, produtos de limpeza, biscoitos e histórias inusitadas sobre preços e embalagens.</p>
<div id="attachment_189" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><a href="http://www.flickr.com/photos/weisheng/2087133474"><img class="size-medium wp-image-189" title="livraria-holanda" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/04/livraria-holanda-300x300.jpg" alt="Essa é a Livraria Selexyz, em Maastricht, na Holanda. Eu não conheço (ainda), mas hei de. " width="300" height="300" /></a><p class="wp-caption-text">Essa é a Livraria Selexyz, em Maastricht, na Holanda. Eu não conheço (ainda), mas hei de. </p></div>
<p>Mas eu falei em livrarias também. Caramba, eu posso passar horas me perdendo dentro de uma livraria. E pra mim, livrarias (ou a ausência delas) dizem muito sobre uma cidade. Só de ter mercado para livros ou não já significa tanto. Aqui no Rio eu gosto muito da livraria que tem no Unibanco Arteplex, na Praia de Botafogo. Impossível passar por lá pra um cinema ou um café e não entrar na livraria. Quase sempre acabo saindo com mais um item pra pilha que cresce na minha mesa de cabeceira. Céus, por que a gente compra mais livro do que dá conta de ler? Claro, tem outras, várias, e hoje há a febre dos enormes conglomerados de livrarias, editoras e sebos via internet, mas eu gosto mesmo é de passear, ver as estantes, as lombadas, passar a mão nas capas, folhear, sentir o cheiro do papel, arregalar os olhos com as gravuras, descobrir títulos e autores novos. Em Madri eu fiquei algumas horas numa que tinha uns cinco andares, cada andar era uma seção, um tema diferente. Em Buenos Aires (de novo. É que eu gosto mesmo de lá) tem a <a href="http://www.tematika.com/inicio/index.jsp" target="_blank">Ateneo</a>, que é das coisas mais lindas que eu já vi, funciona onde era o antigo Teatro Gran Splendid, todo restaurado, com a arquitetura interna de teatro mantida (sem os assentos, claro), mas estão lá as galerias, os lustres e pinturas e até o palco, que virou um charmoso café. E &#8211; viva! &#8211; fica numa rua bem movimentada no Centro da cidade (Av. Santa Fe, 1860), e não dentro de um shopping. Tá, também dá pra fazer uma lista gigante de exemplos deliciosos, espalhados pelo Brasil e pelo mundo. Mas vou deixar a lista por conta de vocês. O que vocês gostam de ver quando viajam?</p>
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