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	<title>Urbanamente &#187; Zona Portuária</title>
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		<title>Zona Portuária, patrimônio e reurbanização</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Aug 2009 17:18:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Ana Paula</dc:creator>
				<category><![CDATA[Arquitetura & Urbanismo]]></category>
		<category><![CDATA[História Urbana]]></category>
		<category><![CDATA[Rio de Janeiro]]></category>
		<category><![CDATA[ecletismo]]></category>
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			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu já <a href="http://www.urbanamente.net/blog/2009/05/01/juciara/" target="_blank">comentei</a>, um tempo atrás, que estou fazendo uma série de fotos dos sobrados ecléticos no Rio de Janeiro. Como são pra mim mesma e pra umas ideias que eu tenho na cabeça, não tem pressa, e eu vou fazendo um bocadinho cada vez que tenho tempo. No último fim de semana estive novamente fotografando, dessa vez nos arredores da Praça Mauá e na Zona Portuária &#8211; Saúde, Gamboa, Santo Cristo. Andando por um tanto de ruazinhas e becos e praças simpáticas escondidas pelos galpões abandonados e pelo pavoroso viaduto da Perimetral, anotei algumas reflexões, que divido com vocês.</p>
<p>O patrimônio arquitetônico da região é riquíssimo, composto por diversas edificações do final do século XIX, mas majoritariamente de princípios do século XX. Isso se dá porque nas primeiras décadas do século passado a região foi alvo de importantes projetos de reforma e embelezamento, entre os quais se destaca, para efeitos de nossa análise aqui, a reforma do porto conduzida durante o governo do Prefeito Pereira Passos. Este patrimônio, no entanto se encontra bastante deteriorado e a área, de forma geral, está muito empobrecida e feia.</p>
<p>A mesma tipologia arquitetônica pode ser encontrada também em outros bairros como Botafogo, Flamengo, Catete, além de outros trechos no mesmo Centro, como Largo da Carioca, Cinelândia, Praça Tiradentes. Em quase todos esses lugares, os sobrados ecléticos estão degradados, mas em alguns bem mais do que em outros. Eu tirei duas conclusões preliminares:</p>
<div id="attachment_401" class="wp-caption alignleft" style="width: 310px"><a href="http://www.flickr.com/photos/claudiodef/1176498691/"><img class="size-medium wp-image-401" title="ciadocas" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/08/ciadocas-300x225.jpg" alt="Antiga sede da Cia. Docas. Hoje funciona ali o IPHAN" width="300" height="225" /></a><p class="wp-caption-text">Antiga sede da Cia. Docas. Hoje funciona ali o IPHAN</p></div>
<p>1) De maneira geral, o ecletismo ainda é um estilo desprestigiado. Ou uma falta de estilo, como dizia Lúcio Costa. Um pastiche de elementos &#8220;roubados&#8221; de outras linguagens e colados todos juntos, resultando numa profusão de ornamentos. Esse é o argumento que justificou a autorização para demolição de diversos exemplares da arquitetura eclética entre 1930 e 1990, mais ou menos, entre eles o Palácio Monroe. De lá pra cá tem havido mais iniciativas de preservação e reconhecimento do valor desses edifícios. Eu confesso que eu me encanto com as composições, a justaposição tantas vezes delicada, ainda que exuberante, de elementos como portadas barroquíssimas com símbolos náuticos e lajes industriais de tijolo de vidro, como acontece na antiga Companhia Docas de Santos (Av. Rio Branco, 44), que hoje serve de sede ao IPHAN. E me encanto mais ainda com pequenos sobrados populares, que tentavam emular a elegância dos ricos prédios oficiais, quase sempre resultando em fachadas mais contidas, ainda que também apresentem as mesmas características de junção de elementos diversos e distintos, com extrema liberdade criativa, numa mesma composição.</p>
<div id="attachment_402" class="wp-caption alignright" style="width: 310px"><img class="size-medium wp-image-402" title="racre" src="http://www.urbanamente.net/blog/mngt/wp-content/uploads/2009/08/racre-300x168.jpg" alt="Rua do Acre" width="300" height="168" /><p class="wp-caption-text">Rua do Acre</p></div>
<p>Em alguns casos, tanto no que concerne aos imponentes palacetes quanto aos modestos sobrados, há mesmo valor individual na construção, mas na maioria das vezes, o que faz diferença é o conjunto, que confere uma ambiência urbana peculiar: volumes, detalhes arquitetônicos em balcões, platibandas, colunas, ornamentos.</p>
<p>2) Mesmo que, nos vários bairros já visitados, muitos prédios estejam degradados, com as fachadas pichadas, ornamentos de gesso quebrados, pintura descascada e indícios de infiltração, o que se percebe é que há nítida diferença, na conservação, entre regiões que foram alvo de políticas públicas de preservação e revitalização, como o Largo da Carioca e adjacências (que são objeto de um projeto chamado Corredor Cultural), e outros que não tiveram o mesmo cuidado, como os que eu vi neste fim de semana.</p>
<p>Além da questão do patrimônio, há a fundiária. Observo que há um valiosíssimo estoque de terrenos baldios em toda a Zona Portuária. No período que estamos enfocando (fins do séc. XIX/inícios do XX), esta foi uma região industrial movimentada &#8211; o mesmo aconteceu com São Cristóvão, por exemplo &#8211; com funções quase sempre ligadas à atividade portuária. Quando o porto se tornou obsoleto e as próprias indústrias ou se modernizaram ou se transferiram para outros locais, a região herdou uma enorme quantidade de galpões, alguns lindos, muitos abandonadíssimos, remanescentes das fábricas falidas ou remanejadas. São galpões destelhados, com apenas partes das paredes ainda de pé, ruínas no centro das quais cresce o mato e proliferam lixo, ratos e famílias miseráveis de sem-teto.</p>
<p>Isso tudo numa região rica. Sim, rica, abastecida de infra-estrutura de água, gás, esgoto, telefone, transportes (muita coisa pode até não estr em bom estado ou oferecer um serviço de má qualidade, mas a rede está instalada), bem localizada e de acesso fácil e rápido para todo o restante da cidade. Ideal para a implantação de projetos de habitação social, e para atrair investimentos de vulto na área comercial e de entretenimento. É um verdadeiro angu de caroço a ser resolvido, em termos de reurbanização das áreas centrais. Falaremos mais do assunto.</p>
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